Entro na auto-estrada. O tráfego é intenso, mas flui normalmente, o que me permite manter o conta-quilómetros nos 120Km - velocidade de cruzeiro - sem sobressaltos.
O brilho do sol por vezes reflecte-se nos cromados dos outros carros, provocando faíscas brilhantes.
De súbito, começo a ver, lá bem longe, uma sombra que ainda não consigo identificar. Será fumo? - Não faz tanto calor que justifique um qualquer incêndio espontâneo.
Nevoeiro? - Está um sol tão claro, um céu azul sem nuvens…
Á medida que me aproximo a mancha começa a tomar todo o aspecto de névoa.
Estranho, num dia tão bonito! - É, talvez, um banco de nevoeiro.
Não parece muito lógico, mas…é isso mesmo, é nevoeiro que, quanto mais me aproximo, mais se adensa.
Os carros ligam os faróis de nevoeiro e começam a abrandar a marcha.
Em breve o nevoeiro torna-se tão cerrado que dificilmente vejo o carro à minha frente.
O trânsito avança muito lentamente.
Apercebo-me, com apreensão, que a traseira do carro que me precede começa a esfumar-se, e logo em seguida deixo de ver os próprios faróis de nevoeiro.
Pelo espelho retrovisor não vejo absolutamente nada. Estou totalmente rodeada de nevoeiro.
Travo e paro completamente, esperando, dentro de poucos segundos, sentir bater, no meu carro, o que vinha atrás de mim.
Uns segundos, um minuto, dois…e nada acontece.
Intrigada, abro a janela do carro, sinto uma ligeira aragem. Espreitando lá para trás nada vislumbro. O nevoeiro entra pela janela.
Decido abrir a porta do carro e sair. O nevoeiro envolve-me completamente. O silêncio é total, absoluto. Agora não corre a mais leve aragem. E a claridade começa a diminuir… Mas ainda não é meio-dia!
Sinto-me completamente só, isolada do resto do mundo, suspensa no tempo e no espaço.
Lentamente começa a invadir-me uma sensação de medo, que em breve se transforma em pânico.
Onde estou?
Onde estão todos que me acompanhavam na estrada?
Onde está a estrada?
Para onde vim?
Que mundo será este onde me encontro?
Levanto o olhar ao céu, esperançada em conseguir encontrar aí algum sinal que possa orientar-me.
É então que compreendo o porquê da ausência de claridade: milhares e milhares de pássaros, enormes, negros, planam, em silêncio, a cerca de dois metros acima da minha cabeça.
Fico paralisada, de espanto e de medo. Para qualquer lado que lance o olhar, só vejo pássaros, enormes, negros, ameaçadores.
Dou um passo em direcção ao carro, com a intenção de entrar, pô-lo a trabalhar e fugir dali a toda a velocidade.
Estaco, ao sentir uma súbita aragem e ouvir um ruído de bater de asas, que vem de cima.
Olho, e o meu assombro redobra, se tal ainda é possível.
Os pássaros começaram a afastar-se em duas direcções opostas, formando uma grande abertura, donde surge uma luz intensa.
Ouço um bater de asas mais forte, e, com enorme assombro, vejo surgir um ser alado, duma beleza resplandecente, brilhando mais que mil sóis.
Ofuscada, e não querendo acreditar no que estou vendo, esfrego os olhos com força.
Com o coração batendo fortemente, verifico que estou deitada na minha cama, e acabo de ter um terrível pesadelo.
Mariazita, 20 Fevereiro 2009 - Algures no Norte de Portugal




























