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segunda-feira, 7 de outubro de 2024

PAUSA

 PAUSA

 Vou fazer uma pausa…  maior do que esta última. 😊

Três meses? Seis meses? Um ano? Dois?

Quem sabe? Resolvi confiar no destino, que me vai segredar ao ouvido:

- É tempo de voltar!

Por isso não vos vou dizer “Adeus”, mas apenas “Até já…”

Um grande abraço para todos, e o melhor que a vida vos possa reservar.

Deixo-vos, como recordação, um soneto que escrevi há dois anos, e mereceu o 2º.prémio na categoria de Soneto, em 2022, da UATI.

PS - Esta minha ausência não significa um "corte de relações"😊  Aliás, sempre que me seja possível, irei visitar-vos.

 

FINALMENTE EM PAZ

 

Tantos anos passaram, meu amor!

O mundo esteve em constante mudança.

Guerras e paz trazemos na lembrança,

Volvendo, à memória, alguma dor.

 

Vivemos alguns dias com pavor.

Acreditando em nós, com esperança,

Dias melhores, vivendo em segurança,

Mantendo a nossa vida com fervor.

 

Com os novos tempos, outras vontades.

Nada se mantém igual para sempre.

Após as bonanças vêm tempestades.

 

Acalmados, por fim, os corações,

Olhamos o futuro já tranquilos,

Em paz, leves e livres de ilusões.

 

Maria Caiano Azevedo

2022

sábado, 1 de abril de 2023

MOMENTO DE POESIA - REENCONTRO

 


REENCONTRO

De repente surgiu o desejo,
de te fazer um poema.
Dizer-te, por palavras,
Neste nosso reencontro,
O que um simples olhar
Não teria força para expressar.

Quisera, haver em mim, beleza
Para te dar.
Mas a imagem, pelo espelho reflectida,
Mostra que o tempo passou
E não parou.
E como passou!

Para este nosso reencontro
Insinuaste um sinal,
Temendo estragos que o tempo tenha feito.

“Talvez de flor ao peito”…
Gracejaste, recordando tempos idos,
em que fingíamos ser desconhecidos.

Havia ironia na tua voz,
Brincavas.

Ironia maior a do destino,
Que nas marcas deixadas pelo tempo,
Não guardou espaço para o esquecimento.

 

Mariazita

Maria Caiano Azevedo



domingo, 29 de janeiro de 2023

MOMENTO DE POESIA - E DEPOIS DO AMOR

 

E DEPOIS DO AMOR

 De mãos dadas

Nos olhámos em silêncio

E sem palavras

Dissemos tudo


Dedos entrelaçados

Bocas unidas

 Corpos frementes

 Viajámos no espaço

 

À nossa volta

A quietude da noite

 

Repousamos agora

Lado a lado

Exaustos

Tranquilos

Ainda unidos.

Para sempre unidos.


Mariazita



Maria Caiano Azevedo 

quarta-feira, 1 de junho de 2022

MOMENTO DE POESIA - QUANDO VOLTAS ?

Junho, mês de tristes recordações...


QUANDO VOLTAS?

Subo ao ponto mais alto do Universo

Onde apenas o pensamento me pode levar.

Sento-me numa pedra branca, macia, acolhedora,

E sossego a alma.

Lanço um olhar penetrante sobre o longínquo horizonte,

E não vislumbro vivalma.

Na imensidão de silêncio que me rodeia,

Lanço um grito profundo:

Quando voltas?

Apenas o eco me responde:

Voltas… voltas… voltas…

E tudo ao meu redor retoma a calma.

Um pássaro errante, talvez uma pomba,

Vem pousar no tronco seco que à minha frente repousa.

Não traz no bico o raminho de oliveira,

Nem é branco como as lonjuras que o meu olhar alcança.

Mas traz a paz que se junta à tanta paz que aqui se vive…

Quando voltas?

O meu pensamento repete a pergunta

Que o coração não quer calar.

Mas não vislumbro resposta…

Quando voltas?

 

Maria Caiano Azevedo

sexta-feira, 1 de abril de 2022

MOMENTO DE POESIA - ESTÁTUAS CAÍDAS

 Homenagem às mulheres e homens que, durante o longo e penoso período, autoritário e antiliberal do Estado Novo, tombaram na luta pela defesa dos seus ideais.


ESTÁTUAS CAÍDAS

Comtemplo a tua face pálida,

Caída, como uma estátua morta.

Ouço, a custo, o silvo do teu respirar.

Tombadas, entre os escombros,

Num verdadeiro caos,

Todas as outras que, tal como tu,

Sonharam o sonho lindo da Liberdade.

 

Soltaram-se, por fim, as grilhetas.

Os corpos descansam, exangues,

Cobertos por miríades de borboletas

Que, elevando-se nos ares,

Formam, contra o céu azul de Abril,

A palavra LIBERDADE.

 

Maria Caiano Azevedo

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022


Reza a História que…

“Quando se abandonou a forma de contagem regressiva, típica do calendário romano, e se passou a usar a contagem contínua dos dias do mês, do primeiro ao último dia, o dia a diminuir passou a ser intercalado depois do último dia do mês de Fevereiro, antes do mês de Março, como ainda hoje usamos”.

E foi então que isto aconteceu, num qualquer desses anos longínquos, no mês de Fevereiro - este mês ficou com menos um dia.

Decorria o mês de Fevereiro do ano da graça de 45 a.C.

 

Não acreditem!!! Os historiadores às vezes também gostam de fazer as suas brincadeiras.

A verdade verdadeira é esta:

 

O TEMPO E O RELÓGIO

O relógio disse ao tempo:

Hoje não vou trabalhar!

Isso é um grande contratempo

Responde o tempo a chorar.

 

Pára o relógio no tempo

Minutos vão descansar

Inventam um passatempo:

Com as horas vão bailar.

 

Tão contentes na folia

Esqueceram os segundos.

Nem uma folha bulia.

Era o melhor dos mundos!

 

O sol de ouro, no ocaso,

Lua de prata no céu

O dia, sem fazer caso,

A seu tempo amanheceu.

 

O relógio, admirado

Com o tempo assim falou:

Um dia não foi contado

O meu sistema falhou!

 

Tu quiseste a independência

Responde o tempo, mordaz.

Vais pagar a indolência:

O tempo não volta atrás.

 

E foi assim que Fevereiro ficou com menos dias do que os outros meses.

Maria Caiano Azevedo

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

MOMENTO DE POESIA - AFINAL A VIDA É BELA


 AFINAL, A VIDA É BELA

Dias longos, sem sentido,

Difíceis de preencher.

Este que agora amanhece é mais um,

Igual a tantos outros.

Como dói a solidão!

Quem virá ver-me?

O telefone soará?

 

Sem vontade me levanto.

Forço-me a olhar para o espelho.

Vejo, reflectidos,  uns olhos assustados.

Examino as minhas rugas, uma a uma.

Tanta vida elas encerram!

Umas de felicidade - os sorrisos deixam marcas.

Outras de dor, dos momentos que sofri,

Da vida que não vivi.

Olho agora os meus cabelos,

Com lindos fios de prata.

Há uma saudade que mata,

Duma cabeleira farta,

Longa, brilhante, dourada.

Volto às rugas, curiosa.

Esta aqui, ontem não estava.

É a lembrança vivida

De toda a minha vivência.

 

Mais eis que um raio de sol

Atravessa, risonho, a vidraça da janela.

Beija-me o rosto,

Aquece-me o coração.

 

Afinal,

As minhas rugas são lindas,

As rugas da minha vida!

Memórias marcadas no meu rosto.

Sacudo os ombros.

Tomo café,

Visto um fato de treino.

Coloco a máscara no rosto,

E, por baixo,

Um mal disfarçado sorriso.

Saio para a rua, o sol brilha!

Caminho, quase saltitante.

E os ténis, confortáveis,

Pisando as pedras da calçada,

Dizem-me baixinho:

VAI EM FRENTE! A VIDA É BELA!

 

Maria Caiano Azevedo




sexta-feira, 1 de outubro de 2021

MOMENTO DE POESIA - AMAR O AMOR

 


AMAR O AMOR

Eu quero amar o Amor

Fazer dele meu amante

Sentir todo o seu calor

Com um carinho constante


Quero cantar o Amor

Com a voz do rouxinol

Aspirar o seu odor

Num lindo dia de sol

 

Quero elevar o Amor

Ao mais fino dos altares

E entoar com primor

Os seus mais belos cantares

 

Quero fazer ao Amor

Tudo o que ele merece

Exaltá-lo com fervor

Como se fosse uma prece

 

E depois de tanto Amor

A coisa mais importante:

Eu quero amar o Amor

Fazer dele meu amante!

 

Mariazita

03/10/2019

domingo, 1 de agosto de 2021

MOMENTO DE POESIA - VÊ-LO PARTIR

 

MOMENTO DE POESIA

VÊ-LO PARTIR

Hoje vou partilhar convosco um poema que escrevi em Junho de 2012, e que tem por título – VÊ-LO PARTIR.

Podem, também, ouvi-lo, através da minha voz.


VÊ-LO PARTIR

                                                                   VÊ-LO PARTIR

Vê-lo partir

Não foi assim tão triste, não.

Foi muito mais triste depois,

Ao recordar, sozinha,

O caminho antes percorrido

Com ele ao lado, para mim sorrindo…

Segurando a minha mão…

 

Como era alegre o seu sorriso

E festivo e risonho o meu abrigo!

 

Ele partiu,

levando consigo

Toda a ternura que existia em mim,

Deixando, para sempre

Um vazio sem fim…

 

Os dias, monótonos,

Perderam toda a graça.

Sem saber o que fazer,

À deriva,

Penso na minha desgraça.

 

As horas vão passando,

O sol, em surdina, declinando.

Um arrepio percorrendo-me,

Recorda-me que estou viva,

E que ele partiu…

 

E quando à tarde, sozinha,

Debruço

O olhar sobre o caminho percorrido,

Lembro-me dele

E, sem querer, soluço.

 

Maria Caiano Azevedo

 Junho 2012

quinta-feira, 1 de julho de 2021

NO INÍCIO DESTA NOVA FASE

 NO INÍCIO DESTA NOVA FASE… UM POEMA

Agora que a Nanda foi “pregar pra outra freguesia”… antes que eu lhe siga o exemplo vou passar a fazer umas postagens mais “leves”, que não obriguem a grandes reflexões, das que se lêem em dois minutos 😊.

Vou começar esta nova fase com um poema - provavelmente outros se lhe seguirão, entremeados com um ou outro conto.

Para já, partilho convosco um poema, com o qual, no ano passado, recebi a Medalha de Ouro num concurso internacional, atribuída pela “WSTC – THE WORLD SENIOR TOURISM CONGRESS” , de parceria com a “UNIVERSITÉ TOULOUSE CAPITOLE”.

Começo pelo Certificado: BEST Poem of Scenery Description Awards – Gold Awards

E agora o poema:

 QUIMERA

Recostada na sua cadeira, a velha senhora

Olhando em frente… viu-a!

Começou a desenhar-se na linha do horizonte:

Era branca, diáfana, qual bola de algodão.

Arrastada pelo vento levou para longe sonhos e esperanças.

Em seu lugar ficou apenas o azul forte do céu,

Como rio sem margens e sem cobranças,

E no ar o doce aroma de alfazema trazido pela aragem,

Misturado com o cheiro acre de terra molhada.

O sol, incidindo no rosto da velha senhora,

Levou-a a sentir uma doce sonolência…

E deixou suas sementes enquanto ela dormia.

A visão que foi plantada em sua mente

Ainda permanece entre o som do silêncio,

Em sonhos agitados.

O “espanta espíritos” lança no ar o seu eterno lamento…

Os elefantes, em espiral, tocam-se,

E lembram a sua terra natal, longínqua.

O céu continua dum azul vazio, imperturbável.

Uma visão se aproximou suavemente

E tocou a luz de vozes murmuradas.

Silenciosas gotas de chuva caíram,

Ecoaram no poço sem ruído,

E sussurraram o som de água candente.

- Foi apenas uma nuvem que passou:

Murmurou a velha senhora.


Maria Caiano Azevedo

Junho 2020  

sábado, 22 de julho de 2017

MOMENTO DE POESIA – A CONCHA MENINA

Há uns anos escrevi estes versos para homenagear uma jovem amiga de 15 anos, que, tal como eu, adorava lendas.
Espero que vos agrade tanto como agradou a ela, não esquecendo que se trata de um "poema"… infanto/juvenil…
Para ouvir clic na seta abaixo.


                                     A CONCHA-MENINA



Uma lenda muito antiga
Falava duma menina
Que numa concha vivia.
Era feliz, a menina…
Mas um segredo escondia…
Um dia,
Passeando à beira mar,
Ouvi um leve murmúrio
E o segredo descobri.
Queres que to conte?
Então escuta:

Bem por trás do arco-íris,
Onde o sol nasce no mar
Há uma cabana junto à praia
Que, dizem, foi habitada,
Por um génio
Que a deixou encantada.

Dizem ainda
Que nas noites de luar,
De uma concha que se abre,
Linda menina aparece
Logo se pondo a cantar.

Marinheiro que se preze,
Em noite de lua cheia
À praia vem espreitar
E escuta, em doce enlevo,
Como canto de sereia, 
Da menina o seu cantar.

E quando o dia amanhece
A concha volta a fechar
Mantendo dentro a menina
Que não pode mais cantar
Até que surja o luar.

Mariazita


Esta é a minha última postagem antes das férias.
Dentro de poucos dias vou “voar” para os Estados Unidos, donde regressarei em meados de Setembro. 
Até lá… desejo-vos tudo de bom.