sábado, 1 de dezembro de 2018

FÉRIAS 2018


De há uns anos para cá – não posso precisar quantos… - o meu primeiro post a seguir às férias tem servido para partilhar convosco fotos dos locais onde as passei.
Não sei porquê – penso que “o alemão” anda a querer insinuar-se junto a mim… - este ano esqueci-me de o fazer.
Houve quem me chamasse a atenção. Por isso, se acharem que ainda não é muito tarde, deixem-me mostrar-vos por onde andei no Verão de 2018.
Inicialmente tinha incluído, neste PPS, um maior número de fotos. Porém, o ficheiro estava demasiado pesado, e tive que retirar uma boa parte delas. Excluí as que me pareceram menos relevantes. Por isso me atrasei na publicação da minha postagem, o que costumo fazer às 0 horas do dia 1 de cada mês. As minhas desculpas.
Esta foi a primeira parte das minhas férias deste ano. A segunda parte, passada em Cabo Verde, partilharei convosco noutra altura.
Espero que apreciem.

A Nanda foi de férias, passa o Natal na província J. Regressará no dia 1 de Janeiro de 2019.

BOM NATAL PARA TODOS! 

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

LIVRO EM CONSTRUÇÃO - SEGREDOS V

SEGREDOS – CAPÍTULO V

Mas…para o que lhe havia de dar… Se não fosse aquele ‘pequeno defeito’ eu até era capaz de dar umas voltinhas com ele no carrocel! Noutras circunstâncias não me escapava – continuou o seu raciocínio, bem-humorada.
Que desperdício, santo Deus!” – e riu baixinho.”

SEGREDOS – CAPÍTULO V

Depois de fazer inúmeros telefonemas – toda a gente tinha que saber que ela já era avó – Nanda sentou-se no sofá da sala, exausta, com um copo de vinho na mão, pensando nos últimos acontecimentos. Um sorriso estampou-se-lhe no rosto ao lembrar-se da reacção do seu “ex” quando lhe deu a notícia.
Tó Zé ficou delirante. As perguntas saíam-lhe em catadupa, quase não dando tempo a que Nanda pudesse responder. Queria saber tudo, inclusive a morada do filho e da nora, para, no dia seguinte, se deslocar ao Alentejo. Foi preciso Nanda impor-lhe calma, coisa que a si própria faltava. Quando, finalmente, conseguiu falar, disse-lhe:
- Em vez de pensares em ir lá é melhor resolveres a vinda deles para cá…
- Já estou a tratar do assunto e dentro de dois ou três dias já podem vir – respondeu, deixando transparecer toda a felicidade que sentia.
Depois daquelas pequenas tarefas que toda a mulher executa antes de se deitar, Nanda foi para a cama. Deu voltas e mais voltas mas o sono teimava em não aparecer. Vencida pelo cansaço adormeceu já depois das quatro horas.
Encontrava-se profundamente adormecida quando começou a ouvir ao longe o toque do telemóvel. A princípio aquele som integrou-se no sonho – estava com o netinho ao colo quando uma amiga ligou para saber notícias. Porém… o som continuava, insistente, acabando por acordá-la.
Foi com muito má vontade que estendeu o braço para apanhar o telemóvel. Ao ver que o relógio marcava sete horas, resmungou, contrariada: -“ Mas quem é que se lembra de ligar a estas horas da madrugada?”
Temendo que fosse o filho com alguma notícia menos boa – as avós vivem com o coração nas mãos – pegou no telemóvel e nem olhou para o visor.
- Está? – atendeu, com a voz meio entaramelada.
- É a D. Nanda? Onde é que a senhora está? – era a voz do Chico.
- Onde é que eu estou? Essa agora! Então onde é que eu havia de estar às sete da manhã? Estou na cama, naturalmente! E digo-lhe desde já que isto não são horas de telefonar a ninguém – resmungou Nanda, mal-humorada.
- Na cama? Oh D. Nanda, eu estou à sua espera há um ror (1) de tempo! Então a senhora esqueceu-se que hoje é dia da Feira de São Macário das Alminhas? Já devíamos estar a caminho – Chico falava apressadamente, como se quisesse incutir rapidez na interlocutora.
- A caminho de quê, homem de Deus? Eu lá sei alguma coisa do Macário ou das almazinhas!
- Pois é, D. Nanda, a senhora tem que começar a fazer como eu, senão não há nada p’ra ninguém.
- Não sei do que é que o senhor está a falar. E, se quer que lhe diga, eu neste momento só quero dormir, que passei muito mal a noite – Nanda preparava-se para desligar.
- Qual dormir, qual carapuça! A senhora tem que vir agora ter comigo, que já vamos chegar atrasados. E volto a dizer, a senhora tem que começar a fazer como eu…
Com todo este arrazoado Nanda acabara por perder o sono, e estava agora desperta.
- Afinal, o que é que eu tenho que começar a fazer? O que é isso tão importante que o senhor faz e que eu devo começar a imitar?
- Consultar o Almanaque, D. Nanda! – Chico falava como se o que dizia fosse a coisa mais evidente deste mundo, estranhando que ela não soubesse.
- Consultar o Almanaque? – o espanto de Nanda era enorme. Para quê?
- Ora para quê! Para ver os inventos do dia a seguir! – Chico continuava espantado com a ignorância de Nanda. – Só assim o negócio pode andar p’ra frente!
Nanda estava boquiaberta. “Em que é que os inventos podiam influenciar os negócios? Só se inventassem uma frigideira para farturas que não libertasse cheiro… Seria desse invento que ele estava à espera? Mas, tanto quanto ela sabia, não havia almanaques de inventos. De que estaria ele a falar?”
- Oh senhor Francisco, desculpe lá, mas o senhor tem a certeza do que está a dizer?
- Como assim? Não há nada para ter certeza, é só ler o Almanaque. Vem lá tudo, os inventos todos. Pensa que eu adivinhei que hoje é a festa de São Macário das Alminhas? Não senhora, eu vi foi no Almanaque. E vá-se preparando que amanhã é a Feira de São Torcato. Não podemos faltar a nenhum destes inventos, o dinheirinho não cai do céu! E rematou:
- Não se demore, D. Nanda!
Agora sim! Finalmente Nanda entendeu! Os inventos a que se referia o Chico eram, simplesmente, EVENTOS! E começou a preparar-se rapidamente, não fosse o ‘invento’ acabar antes de eles lá chegarem…
Com tudo o que acontecera nas últimas horas acabara por se esquecer do que combinara com o Chico no dia anterior - começar a fazer a tal experiência de andar com a carrinha a vender “as melhores farturas do mundo", como ele dizia. Agora teria que ir falar com ele e convencê-lo a ir sozinho lá para o “invento”, já que, depois dos últimos acontecimentos, não tinha forças nem para “pegar uma gata pelo rabo”. Até porque, com a aproximação da chegada do netinho - e dos pais, é claro! - tinha muitas coisas a preparar e não podia perder tempo com a venda das farturas.
Em tudo isto pensava enquanto se preparava para ir ao encontro de Chico. Passou uma água no rosto – a que os mexicanos chamam “fazer uma manita de gato”- uma escovadela rápida ao cabelo, e saiu.
Chico aguardava-a junto à carrinha, dando passinhos para cá e para lá, denotando impaciência e nervosismo.
Ao vê-la exclamou rapidamente:
- Oh D. Nanda, isto não pode voltar a acontecer. A estas horas já devíamos ter a tenda armada, e ainda aqui estamos. Assim o caixafló vai-se abaixo!
- Olhe, senhor Francisco, nós precisamos de conversar… - Nanda preparava-se para lhe dizer que queria desistir do negócio, para o qual, na verdade, nem tinham acertado condições.
- Qual conversar, D. Nanda? Nós temos é que nos pôr a andar sem demora! Falamos pelo caminho. Vá, sente-se ao volante e conduza a carrinha, para se ir habituando.
Contrariada, mas temendo a reacção de Chico, Nanda subiu para a cabine da carrinha, sentou-se ao volante e, contra as suas próprias expectativas, pôs o motor em marcha e arrancou sem dificuldade. O local para onde se dirigiam não era muito longe e rapidamente lá chegaram. Depois, foi uma lufa-lufa (2) até que tudo estivesse em ordem para começar a fazer as farturas. Quando, finalmente, colocou a massa na frigideira, Nanda já transpirava por todos os poros, e dizia mal da sua vida.
A clientela não parava de chegar, e ela via-se aflita para satisfazer toda a gente com a rapidez necessária. Chico limitava-se a receber os pagamentos e a incitá-la para que se despachasse, “senão o caixafló não se aguenta“.
“Quem não se aguenta sou eu” – pensava Nanda, já completamente arrependida de se ter metido naquela alhada.
Por volta da uma hora da tarde a clientela começou a rarear, e Chico comunicou que não valia a pena pôr mais massa na frigideira. Arrumaram tudo e iniciaram o caminho de regresso.
Nanda não tivera ainda oportunidade de comunicar a sua decisão de não trabalhar no negócio das farturas. Por isso baixou um pouco a velocidade e começou:
- Senhor Francisco, como eu lhe disse esta manhã nós precisamos conversar…
- Tudo bem, D. Nanda, agora já podemos falar. Ora diga lá…
- Não sei se o senhor sabe que o meu filho Luís já é pai… - começou, sem saber muito bem como abordar o assunto.
- Sei sim, D. Nanda, lá na rua não se fala noutra coisa. Até parece que foi o filho da rainha da Inglaterra que foi pai… - riu Chico.
- Pois eu lhe digo que para mim é muito mais importante ser filho do meu Luís… - respondeu , meio abespinhada. (3)
-Ó D. Nanda, tenha calma, eu não disse isto por mal. Mas diga lá o que é que quer conversar comigo.
- Olhe, senhor Francisco, eu vou directa ao assunto. Eu não posso continuar a trabalhar consigo. Agora que… - Ele interrompeu-a, não a deixando terminar a frase.
- Que conversa é essa, ó D. Nanda? A senhora comprometeu-se comigo. E lá porque o nosso contrato foi de “de trinta e um de boca”, para mim vale tanto como se fosse feito no cartório.
- Isso não é bem assim… Se o senhor se lembra, nós nem sequer acertámos as condições, apenas falámos que eu trabalharia uma ou duas semanas à experiência, mas não combinámos quanto eu iria ganhar… - Nanda agora falava rapidamente, sem qualquer hesitação.
- Pois… não falámos,  mas o que a senhora precisa de ganhar é experiência. Não combinámos nenhum valor, é verdade, mas eu fazia conta de lhe dar uma gorjeta ao fim da experiência…
- Uma gorjeta? – Nanda mostrava-se estupefacta, de tal modo que deu uma guinada no volante, o que fez Chico gritar “Cuidado!”. Uma gorjeta? – insistiu. Então o senhor acha que eu sou mulher de receber gorjetas? Francamente, senhor Francisco, o senhor decepcionou-me por completo!
- Ó D. Nanda, a senhora irrita-se por tudo e por nada. Eu não quis ofendê-la, Deus me livre!
- Olhe, senhor Francisco, guarde as suas gorjetas para quem quiser, mas comigo não conta mais para andar pelos ‘inventos’? Era só o que me faltava – rematou num tom que não admitia réplica.
Chico silenciou, com uma ruga na testa, apreensivo.
- D. Nanda, eu peço que me desculpe se a ofendi. Acredite que não foi por mal… E lamuriou, quase com lágrimas na voz:
- A senhora sabe muito bem que eu sempre tive por si a maior consideração e estima. Para mim a senhora era quase como se fosse da família, com o devido respeito. Se a senhora não quer continuar a trabalhar comigo, tudo bem. Só lhe peço que não fique zangada.
Nanda ficou desconcertada. Não esperava esta reacção de Chico. Não sabendo o que lhe responder, optou por se manter em silêncio.
Estavam a aproximar-se de casa. Nanda sentiu que tinha que dizer alguma coisa. No tom mais indiferente que conseguiu arranjar – as últimas palavras de Chico tinham-na comovido e ela não queria que ele o notasse – disse-lhe:
- Senhor Francisco, vamos esquecer toda esta conversa e até mesmo este dia. Vamos fingir que nada aconteceu. O senhor vai seguir com a sua vida e eu com a minha. Concorda?
- Se a senhora prometer que não fica zangada comigo… concordo – respondeu Chico, meio envergonhado.
Despediram-se com algum constrangimento.
Mal abriu a porta de casa Tejo correu ao seu encontro, com um misto de alegria e urgência, saltando e latindo baixinho, queixoso. Ela afagou-lhe ternamente a cabeça, murmurando “perdoa-me esta demora” e pondo-lhe de imediato a trela para o levar à rua. Não deu mais que dois passos – o cão alçou a perna contra o primeiro candeeiro que encontrou. E como tinha a bexiga cheia! Deu mais alguns passos e repetiu o gesto numa árvore próxima. Desta vez a bexiga já tinha só uns pinguitos. Preparava-se para continuar mas Nanda puxou-o, prometendo-lhe “logo dás um passeio maior” e voltou para trás.
Preparava-se para meter a chave à porta da casa quando sentiu esta ceder e viu aparecer o rosto simpático de Rui, o outro vizinho do segundo andar, que vinha a sair. Com a sua gentileza habitual, este segurou a porta para ela entrar, e cumprimentou-a com afabilidade:
- Boa tarde, D. Nanda. Como está a senhora?
- Boa tarde, Rui. Eu estou bem, apenas um pouco cansada – respondeu, como que a justificar a intenção de subir logo as escadas e não ficar um pouco à conversa como costumava fazer.
- Até logo, D. Nanda. Mas deixe-me só dar-lhe os parabéns… Já sei que é avó…
- Obrigada, Rui. Até logo.
Nanda sentia-se extenuada. Não só pelo trabalho, que fora violento, mas também pela conversa com o Chico, que a deixara incomodada. “A culpa foi minha. Como pude pensar em andar a vender farturas? Só mesmo o desespero por não conseguir arranjar trabalho…”.
Sem mais demora foi tomar banho. Sentia uma necessidade premente de se livrar de todo aquele cheiro a fritos que se lhe tinha entranhado na pele e do qual lhe parecia que não mais se libertaria.
Após alguns momentos debaixo do chuveiro já sentia as forças renovarem-se. Deixou-se ficar, sentindo a água escorrer-lhe pelos cabelos e ao longo do corpo, numa carícia doce que acalmava e retemperava. E começava a pensar que não fora muito simpática com Rui, “aquele pedaço de homem, alto, moreno, com uns incríveis olhos verdes… Claro que os olhos azuis de Jorge eram… especiais, mas estes também não eram de se deitar fora” – riu com gosto, sentindo-se já como nova. E murmurou:
- Que desperdício, Santo Deus!
Dado o adiantado da hora não lhe apetecia ir meter-se na cozinha. Como ainda não tinha almoçado decidiu ir ao restaurante que ficava próximo de sua casa.
Dirigindo um olhar pela sala verificou que se encontrava vaga a mesa onde costumava sentar-se quando ali ia.
Procurando o empregado viu que ele se encontrava no bar, conversando com um cliente. Algo, neste, despertou a sua atenção. Disse para si mesma: "Donde é que eu o conheço?"
Enquanto aguardava que o empregado a viesse atender, lembrou-se do seu filho Luís, pensando que, depois do almoço lhe telefonaria, pois não falara com ele desde o dia anterior.
E, sem saber bem porquê, veio-lhe ao pensamento Alessandro. E interrogou-se a si mesma – “porque será que me lembro tantas vezes dele desde que nasceu o meu neto?”
E uma vez mais lhe acudiu ao espírito - como se o estivesse a reviver - o primeiro encontro, naquele dia tão longínquo em que se conheceram…e ele lhe dera um forte encontrão.
***
“Tentando abstrair-se da forte atracção que aquele rosto exercia sobre ela conseguiu balbuciar:
- Pois… mas essa não é a melhor maneira de passear pelas ruas de Lisboa.
Ao usar a palavra “passear” imaginava estar a falar com um turista, devido ao seu forte sotaque italiano.
- Estás enganada, eu não ando a passear, venho do trabalho, ali na Faculdade de Ciências.
- Ah! Trabalhas na Faculdade de Ciências? – perguntou Nanda, em tom incrédulo.
- Sim, estou a fazer um trabalho de investigação científica para um laboratório de investigação na Itália – Alessandro pareceu não notar o tom algo trocista de Nanda. E continuou:
- Mas tudo isto te posso explicar em pormenor se aceitares jantar comigo…"
***
- O que é que a senhora vai querer hoje? – o empregado interrompera, abruptamente, os seus pensamentos.
Depois de pedir uma “Salada César com Frango ”Nanda reparou que o homem que estivera no bar se levantara e saíra do restaurante. Na rua dirigiu-se a um carro de gama alta, entrou e rapidamente pôs-se em marcha.
Nanda pensou: “Aquela cara não me é estranha…” E, dirigindo-se ao empregado:
- Conhece aquele senhor que acabou de sair do bar?

(1) - ror (redução de horror)
Grande quantidade de coisas ou pessoas (ex.: estava um ror de gente na estação).
(2) - lufa-lufa
Grande pressa ou movimentação. = Azáfama, corre-corre, correria
(3) - abespinhada
Zangada, amuada, irritada, exasperada, amofinada

Maria Caiano Azevedo

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

LIVRO EM CONSTRUÇÃO - SEGREDOS IV

SEGREDOS – CAPÍTULO IV

"... - Estava a abrir a porta da rua quando o telemóvel tocou. Viu que era o Luís e resolveu não atender. Logo de seguida ouviu uma mensagem em alta voz:
- Mãe! Porque não atendes o telefone? Já te liguei hoje não sei quantas vezes! Preciso falar contigo com a máxima urgência! Liga-me, por favor!
A voz do filho denotava urgência e ansiedade..."

SEGREDOS – CAPÍTULO IV

Depois de ouvir a mensagem de Luis, Nanda ficou uns momentos indecisa, sem saber bem o que havia de fazer. Por um lado, Bela já devia estar no local de encontro; por outro lado o tom de voz do filho “dizia-lhe” que devia ligar-lhe sem demora. E coração de mãe não se engana.
Saindo de casa ao encontro de Bela foi ligando para o filho.
- Até que enfim, mãe! Estou farto de te ligar e tu não me respondes…
- Tens razão, filho, mas pensei que querias saber novidades da conversa com o teu pai, e só há muito pouco tempo é que consegui falar com ele… - desculpou-se Nanda. E acrescentou rapidamente:
- Mas tenho boas notícias para te dar…
- Já dás, mãe – interrompeu-a Luis. Deixa-me primeiro falar…
- Diz lá então o que se passa.
- Tenho uma notícia muito boa para te dar, que penso que te vai deixar muito feliz – informou Luis, alegremente.
- Diz, filho, diz! – Nanda agora estava ansiosa por ouvir.
- Pois então prepara-te: - já és avó!
- O quê? A voz de Nanda denotava enorme espanto. Mas não é ainda muito cedo?
- A isso não te sei responder, mãe. Sabes como é, com o pouco dinheiro que temos a Catarina não ia ao médico e deve ter feito mal as contas…
Ao mesmo tempo que ia falando com o filho Nanda ia caminhando e em breve estava junto de Bela. Fez-lhe sinal para aguardar e continuou conversando.
- Mas diz-me, como está o bebé? E a Catarina? Como correu o parto? Onde é que eles estão agora? – Nanda estava excitadíssima, fazendo perguntas uma atrás da outra, sem esperar resposta.
- Acalma-te, mãe, até pareces eu quando soube que o bebé estava a nascer – riu-se Luis. E respondeu:
- Sim, estão bem…
- Espera! Nem perguntei se é menino ou menina. Afinal, tenho um neto ou uma neta? – interrompeu Nanda, que continuava agitadíssima, querendo saber tudo ao mesmo tempo.
- E se eu te dissesse que eram dois? – Luis denotava na voz uma alegria fora do comum.
- O quê? Tu não me digas que sou bisavó – riu Nanda, com um leve acento de preocupação.
Luis deu uma forte gargalhada.
- Não, mãe, és só avó. E do menino mais lindo do mundo!
-Ah! Assim é melhor… - Nanda respirou aliviada - Dois ao mesmo tempo são mais difíceis de criar, não só pelo trabalho como também pela despesa… E acrescentou:
- Que seja o menino mais lindo do mundo não duvido… não nega as suas origens. Afinal, o pai é um bonito rapaz, e a avó, apesar de velhota, ainda não é de deitar fora – riu alegremente.
Continuaram conversando neste tom até que Nanda olhou para Bela e vendo-lhe um ar resignado, resolveu pôr termo à conversa.
- Olha, meu filho, vamos falar de coisas práticas. O melhor será eu ir para aí amanhã, para ajudar no que for preciso. Hoje já é um bocado tarde e não tenho nada preparado…
- Não penses nisso, mãe, não é preciso. A mãe da Catarina levou-a lá para casa, vai dormir no quarto de solteira dela. Eu fico a dormir no nosso palácio (deu uma curta risada) mas vou lá vê-la todos os dias, depois da jorna. Ao trabalho não posso faltar, sabes como é, quem não trabalha não recebe… e não estamos em condições de dispensar nem um cêntimo…
- Se sei, meu filho, se sei… Desempregada há tanto tempo preciso de contar os tostões… Mas não te dei uma notícia muito importante. Já falei com o teu pai…
- Ah sim? E o que foi que ele disse? – perguntou Luís, ansiosamente.
- Começou com as tretas do costume, mas quando lhe disse que ia ser avô mudou como da água para o vinho. Ficou todo excitado, a querer saber mais do que eu… e acabou dizendo que “para o neto nem que tivesse que ficar ele sem comer”.
- Muito me contas, minha mãe. Então o velhote ficou contente com a ideia de ter um neto? Antes assim; sabes que eu gosto do pai, embora não concorde com a maioria das cenas dele… Mas… concretamente, o que é que ele está disposto a fazer?
- Prometeu arranjar um sítio para vocês morarem, o que é óptimo, e depois ajudar em tudo o que puder, como seja arranjar-te trabalho e coisas assim… E ficou ansioso para vocês virem para cima.
Dando o assunto por terminado despediram-se com as recomendações habituais de “beijos para a Catarina e mil beijos para ti”, agora acrescentados dos carinhos para o netinho.
Desligado o telemóvel voltou-se finalmente para Bela, que aguardava pacientemente. Explicou-lhe tudo o que estava acontecendo, que Bela tinha mais ou menos depreendido pelo que ouvira.
Concordaram que já era um pouco tarde para a caminhada que tinham combinado, para além de que Nanda teria ainda que fazer alguns telefonemas para avisar que já era avó. Bela riu-se do ar “babado” com que ela pronunciava “avó”. Como boa amiga que era – aliás, as melhores amigas desde que eram quase crianças – congratulou-se com a alegria da recente vovó, dizendo-lhe que combinariam a caminhada para outro dia.
- Amanhã, talvez… - concordaram ambas. E despediram-se.
Encaminhando-se para casa Nanda resolveu parar no café para beber uma água e tentar acalmar-se antes de fazer os telefonemas a dar a boa nova.
Rememorando a conversa com o filho pôs-se a imaginar a felicidade que ele estaria a sentir por ser pai. Provavelmente a mesma que ela própria sentira quando nascera o seu primeiro filho, Miguel. O pensamento recuou quase trinta anos. E reviveu a cena…
***
“Caminhava distraidamente pela rua, com a descontracção própria dos seus 17 anos, muito próximo dos 18.
Ia encontrar-se com a sua melhor amiga, Bela, que fora à universidade colher informações acerca dos cursos que ambas pensavam ir frequentar no próximo ano, agora que estavam prestes a terminar o 12º. Ano. Depois iriam almoçar juntas para combinar os pormenores da festa de anos de Nanda, que completaria os 18 anos dentro de 3 meses.
Numa rua muito próxima da cidade universitária, ao dobrar a esquina, Nanda sentiu um forte encontrão que a fez voltar-se, furiosa, pronta a interpelar severamente a pessoa que assim a tinha “abalroado”.
À sua frente estava um jovem aparentando vinte e poucos anos que, com um ar compungido, murmurava numa voz doce e ao mesmo tempo lastimosa:
- “Scusa! Mi dispiace! …”
Nanda levantou a cabeça para ver o rosto de quem pronunciava tais palavras que, apesar de serem em italiano, ela percebeu perfeitamente.
O jovem era bastante mais alto do que ela e, logicamente, deveria ser italiano. A sua fúria inicial quase desaparecera ao ouvir aquela voz tão doce, desvanecendo-se por completo ao observar aqueles olhos de um azul tão profundo como ela nunca tinha visto.
O estranho parara no passeio observando-a atentamente.
- Poderásperdonarmi”? – perguntou.  E, continuando com um forte sotaque italiano:
- A culpa foi toda minha, eu sei, e a única justificação que tenho é a grande preocupação que ocupa ‘la mia mente’. Eu vinha completamente distraído com tantas dúvidas ‘nella mia testaque nem sabia por onde vinha…
Tudo isto foi dito com palavras portuguesas e italianas à mistura. Nanda estava emudecida. Ela, que habitualmente tinha a resposta na ponta da língua, não conseguia articular uma só palavra. Nada lhe ocorria…”
***
- Desculpe, senhora, mas deseja mais alguma coisa? Era a voz do empregado, trazendo-a à realidade.
- Não, muito obrigada, não preciso de mais nada. Quero apenas pagar.

E terminou o pensamento em que estivera embrenhada:
“Ai, Alessandro Adari!”

Ao chegar ao prédio onde morava Nanda meteu a chave à porta e, no patamar, encontrou o seu vizinho do andar de cima, Jorge, que a cumprimentou com aquele ar respeitoso que usa para com todas as pessoas, especialmente as senhoras.
- Boa tarde, Dona Nanda, como vai a senhora?
- Eu estou muito bem, obrigada, Jorge. E muito feliz, porque soube há pouco que já sou avó.
- Avó? Mas não é possível! A senhora tão jovem já tem netos? Foi mãe aos 10 anos… é isso? – Jorge adoptara um ar brincalhão mas ao mesmo tempo admirado.
- Não, não foi aos 10 anos – riu Nanda. Fui mãe aos 18 anos… uma criança, diga-se em abono da verdade.
- Seja como for, a senhora não tem aspecto de avó. Parece irmã dos seus filhos… - Jorge falava com sinceridade.
- São os seus lindos olhos, Jorge, sempre gentil…
Depois de mais uma pequena troca de piropos, despediram-se. Jorge ia passar pelo coro, onde cantava como tenor, para saber quando seria o próximo ensaio. De lá seguiria para o bar onde trabalhava.
Nanda subiu os degraus até ao primeiro andar onde morava, abriu a porta de casa e entrou. Lá dentro, sozinha, esboçou um sorriso e murmurou:
“Ai este Jorge, sempre tão gentil e simpático! E depois… aqueles olhos azuis… dão-me volta à cabeça! Como diz a Bela, parafraseando não sei quem… - Que pedaço de mau caminho!
Mas…para o que lhe havia de dar… Se não fosse aquele ‘pequeno defeito’ eu até era capaz de dar umas voltinhas com ele no carrocel! Noutras circunstâncias não me escapava – continuou o seu raciocínio, bem-humorada.
Que desperdício, santo Deus!” – e riu baixinho. 

Maria Caiano Azevedo

sábado, 1 de setembro de 2018

LIVRO EM CONSTRUÇÃO - SEGREDOS III


“ … - Mas que raio de nome o homem havia de arranjar: Carvalho Araújo!
“Carvalho Araújo”, tanto quanto sei, é nome de navio. Querem lá ver que ele é marinheiro? Tinha graça agora aparecer-me pela frente um capitão-de-mar-e-guerra… Ou…melhor ainda, um sócio da CNN (3). – e o seu rosto iluminou-se com um largo sorriso.
Como que a chamá-la à realidade, o telefone tocou…”

SEGREDOS – CAPÍTULO III

Contrariada, Nanda levantou-se para ir buscar o telemóvel à carteira que deixara sobre a mesinha de entrada.
A chamada era do filho Luís, do Alentejo. Resolveu não atender. Podia adivinhar o que ele queria – dinheiro. O problema é que agora, desempregada, a situação também não estava famosa. Não podia pôr-se a mexer nas reservas que conseguira amealhar, e que podiam vir a fazer-lhe falta. Não sabia quanto tempo ainda estaria sem trabalho… O negócio das “farturas” era muito incerto…
- Bem, já que me levantei, vou tratar do assunto deste filho, que tanto me preocupa.
Com o telemóvel na mão foi sentar-se no sofá da sala e, aí instalada, marcou o número do seu ex, o Tó Zé. Apenas dois ou três toques depois, atenderam.
- Tintas e Vernizes de Todos os Matizes…bom dia! Em que posso ser útil? – era a voz do ex-marido.
- Bom dia, Tó Zé. Daqui é a Nanda.
- Reconheci logo a tua voz mal pronunciaste “Bom dia”…
- Que bom! Vá lá, lembras-te de alguma coisa, já não é mau de todo – ripostou Nanda, com voz trocista.
- Não sejas assim, mulher! Tu sabes muito bem que não foi só da voz que eu não me esqueci. Lembro-me de cada pormenor do teu corpo, que nunca deixei de amar – a voz era doce como mel.
- Sim, eu sei, amavas-me tanto que nem querias gastar-me. Por isso ias usando outras, para me poupares… Se calhar era para veres se eu durava até aos cem anos… - Nanda continuava, sarcástica.
- Podes crer que nunca nenhuma mulher me fez feliz como tu. O que se passava é que eu queria ter a certeza do meu amor por ti, por isso experimentava outras para ver a diferença. Ai, Nanda, Nanda, tu nunca me compreendeste, esse é que foi o mal.
Mas diz-me, telefonaste para me dizer que, finalmente, resolveste vir trabalhar comigo?
- Tu estás cada vez mais doido! Já te disse mais de mil vezes que nem que eu estivesse a passar fome iria trabalhar contigo.
- Por acaso até estás enganada. Não foram mais de mil vezes, foram apenas 993. Parece que afinal não te serve de grande coisa esse curso que andaste a tirar no ISCAL (1). Ninguém diria que tens o mestrado em Contabilidade e Gestão – Tó Zé falava em tom de voz alegre, folgazão.
Nanda sorriu, mas guardou silêncio. Não queria que ele percebesse que lhe tinha achado graça. Preferia manter sempre aquela posição de “eterna ofendida” que não queria dar-lhe confiança. A verdade é que, apesar de tudo o que ele tinha aprontado, no fundo ainda sentia por ele um grande carinho.
Respirou fundo e, já com voz calma, continuou:
- Não sei porque estamos para aqui a deitar conversa fora… O que tenho para te dizer é muito sério, e é bom que prestes bem atenção.
- Sou todo ouvidos, mulher. Fala!
- Mais uma vez te venho falar do teu filho…
- Do meu filho? Do meu ou do nosso? Ou será do teu? – Tó Zé imprimira um tom sério à voz. Já não brincava.
- Não precisas ser desagradável! Sabes muito bem que estou a falar do Luís – Nanda adoptara um tom magoado.
- Desculpa, não queria aborrecer-te. Mas então o que me queres dizer? É novamente a situação em que ele vive?
- Exactamente! Não sabes quanto me dói saber que um filho meu está passando tantas dificuldades. Demais a mais agora…
- Que queres dizer com isso? Ele está doente? – Tó Zé mostrava-se preocupado.
- Não, felizmente está de boa saúde.
- Então o que se passa, mulher? Desembucha duma vez!
- Prepara-te, Tó Zé! Vais ser avô…
Do outro lado… profundo silêncio. Não se ouvia o mais leve som. Nanda pensou que a chamada tivesse caído.
- Tó Zé, estás aí?
- Estou, sim – ouviu, por fim.
- Ficaste tão calado…
- Pois… Sabes, Nanda, há muito tempo que não recebia uma notícia que me fizesse tão feliz – a voz era verdadeiramente emocionada.
Nanda sentiu um aperto no coração. Afinal, o seu ex-marido ainda tinha sentimentos. Era um “estabanado” (2), mas agora mostrava que sentia verdadeiro amor pelo filho.
Ficou sem saber bem o que lhe responder. Permaneceu uns momentos calada. Por fim, disse:
- Pois a melhor forma de demonstrares o que dizes é ajudando o Luís, como tantas vezes te pedi.
- Fica descansada. Podes dizer-lhe que trate das coisas para vir para cima, que não vai viver debaixo da ponte, nem lhe há-de faltar o pão para a boca. Para o meu neto… nem que eu tivesse que ficar sem comer! A propósito, já se sabe se é menino ou menina?
- Não, eu não sei, e penso que eles também não sabem., senão o Luís já me teria dito. Com as dificuldades com que vivem… nem dinheiro têm para ir ao médico. Logo que eles venham para cima quero levá-la ao obstetra.
- Tu sabes que os negócios não andam muito bem, e por isso é que eu ainda não tinha pensado verdadeiramente em ajudá-lo. Mas agora nem penso duas vezes. Eu vivo numa casa muito pequena, só tem dois quartos, um para nós e outro para o rapaz… Não tenho espaço para eles lá em casa, é claro, mas não te aflijas que eu vou arranjar uma solução. Na rua não vão ficar.
Nanda sentiu-se ligeiramente incomodada. Sabia que o ex-marido tinha refeito a sua vida. Casara, ou acasalara – ela não sabia nem queria saber – com uma das galdérias com quem andava quando ainda era casado com ela, e que tinha um filho dessa união, um rapaz dois ou três anos mais novo que o Luís, agora com 26 anos.
Sabia-o desde sempre, já que o contacto entre ambos se foi mantendo, aparentemente por causa dos filhos, embora, na verdade, sentissem necessidade de saberem um do outro, o que os levava a telefonarem de vez em quando. Mas ouvi-lo falar assim, com todo o à-vontade, na sua situação actual, causava-lhe uma dor fininha que lhe custava suportar.
Foi, por isso, com voz sacudida, que lhe respondeu:
- Sim, eu entendo, mas a minha casa também não é grande, tem apenas dois quartos, como a tua. Mas, como sabes, não posso dispensar o quarto de hóspedes, que é onde fica o Miguel quando cá vem. Aliás, não deve tardar muito a vir de férias…
Como já dissemos tudo o que havia para dizer… vai à tua vida que eu vou à minha.
-Está bem, minha querida. Diz então ao Luis que prepare tudo, que hoje mesmo eu vou tratar de arranjar uma solução pra o alojamento deles.
Nanda sentiu de novo aquele “apertozinho” no peito ao ouvi-lo trata-la por “querida”. Dando à voz o tom mais desprendido que conseguiu, respondeu:
- Tudo bem, vou informá-los já de seguida. Até logo, um beijo.
- Até logo. Mil beijos.
Com um sorriso estampado no rosto, Nanda desligou o telemóvel e dirigiu-se à cozinha. A conversa abrira-lhe o apetite.
Preparou uma salada de legumes com salmão fumado. Tinha muito cuidado com a alimentação pois não queria deixar-se engordar. Com os seus 47 anos era ainda uma mulher muito elegante e bastante atraente. Como fora mãe com apenas 18 anos, agora, ao lado dos filhos, o Miguel com 29 e o Luís com 26, muitas vezes passava por irmã deles. Eles ficavam todos orgulhosos da mãe que tinham, e ela… ela ficava toda vaidosa!
Depois de arrumar a pouca louça que utilizara, foi dar uma limpeza à casa. Noutros tempos, mais abonados, tinha uma empregada que ia todas as manhãs fazer esse serviço; mas agora tem que economizar o mais possível, já que está desempregada há bastante tempo, e o pouco que o Fundo de Desemprego lhe paga não dá para luxos, como o de ter empregada diariamente.
A verdade é que o trabalho nunca lhe meteu medo, e faz o que for preciso mesmo fora da sua área. Nunca teve qualquer prurido em relação a isso. Já esteve a chefiar uma secção de contabilidade numa grande empresa, e aí, sim, aplicou todos os seus conhecimentos académicos. Infelizmente depois de três anos de trabalho a empresa foi à falência, e Nanda ficou desempregada.
Mas também já trabalhou como “pseudo-secretária” na EILA, contratada como tal pelo Doutor Santos Costa, e onde fez de tudo menos o trabalho de secretária, propriamente dito. Também este emprego durou pouco tempo, não chegou a um ano, e igualmente a empresa foi à falência, mas desta vez fraudulenta. O “atraente” Doutor Santos Costa fez um enorme desfalque e depois “deu às de Vila Diogo”, deixando os empregados com “uma mão à frente e outra atrás”, que é como quem diz – sem nada!
Depois de terminados os seus afazeres telefonou para a sua melhor amiga, Bela, desafiando-a para uma caminhada, o que faziam com muita frequência.
Como de costume Bela aceitou o convite. Combinaram encontrar-se na esquina – já que Bela morava numa rua paralela à de Nanda - dali por meia hora.
Deu comida e água fresca ao Tejo, que, com o calor, se esparramara no chão da cozinha, onde se sentia mais fresco.
Foi vestir o fato de treino e calçar os ténis, e, entretanto lembrou-se de que tinha de telefonar ao filho. Olhou para o relógio. Estava a fazer-se tarde para o encontro marcado com Bela.
- Também não é uma urgência assim tão grande – pensou. Ligo-lhe quando regressar.
Estava a abrir a porta da rua quando o telemóvel tocou. Viu que era o Luís e resolveu não atender. Logo de seguida ouviu uma mensagem em alta voz:
- Mãe! Porque não atendes o telefone? Já te liguei hoje não sei quantas vezes! Preciso falar contigo com a máxima urgência! Liga-me, por favor!
A voz do filho denotava, realmente, urgência. E ansiedade.


(1) – ISCAL – Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa
(2) "Estabanado"- Alteração de estavanado
1. Que tem pouco juízo ou pensa pouco nas consequências. = DOIDIVANAS, ESTOUVADO, LEVIANO
In Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
(3) A expressão “dar às de Vila Diogo” significa FUGIR
Embora a origem desta expressão não esteja comprovada, diz-se que, por ordem de Fernando III de Castela, na localidade espanhola de Villadiego, que em português deu Vila Diogo, os judeus podiam circular livremente sem serem perseguidos.
Os judeus de outras localidades, para escapar à perseguição, fugiam para Villadiego.


Maria Caiano Azevedo


Tal como informei no Post anterior estarei de regresso em finais de Setembro, e visitarei todos.
Até lá… que tudo corra à medida dos vossos desejos.

Beijinhos