sábado, 14 de fevereiro de 2026

 

18º. ANIVERSÁRIO

Toda a gente sabe que Aniversário é coisa de criança.

Faz-se 1 ano = Aniversário com bonita festa - para os papás, os amigos dos papás, os filhinhos dos papás…

E o Aniversariante, sem perceber nada do que se passa, lá vai comendo uma ou outra guloseima, e está feita a festa.

De seguida, fazem-se os 2 anos, os 3, os 4… e por aí fora, até à pré-adolescência.

A partir daí a coisa complica-se. A menina e o menino já são “grandes”, quase adultos. Festa??? Por favor! Já não sou nenhuma criança! Nem pensar!

‘Depois de jantar vou para a “night” com a  malta. Só preciso que me abones “algum”… a vida está cada dia mais cara… temos de rever a mesada que vocês me dão… não chega para nada!!!’

Toda esta conversa para chegar a esta conclusão:

Hoje faço 18 anos. Festa? Nem pensar! Já me deixei disso. Talvez, quando eu for velhinho, com uns 80, 90 anos… aceite que me façam uma festa.

Até lá… esqueçam! Quem me deu vida que se desunhe! Ela, a Mariazita, que foi quem me pôs neste mundo, que resolva o problema. Eu não tô nem aí!!!

Minhas queridas amigas e meus queridos amigos.

Nem sequer vou comentar o que este blogue ingrato acabou de expressar. Vocês sabem que não foi esta a educação que eu lhe dei…

Mas enfim… os filhos crescem, eu estive algum tempo ausente, e o resultado é este que vêem. Perdoem-me por tanta desfaçatez da parte dele.

Como, para mim, o mais importante é a Amizade, para vos compensar partilho aqui um conto que escrevi, e que, para mim, representa o valor da Amizade.

Dedico-o a todos, em geral, mas em particular a:

Roselia Bezerra; chica; Graça Pires; Os olhares da Gracinha!;Tais Luso de Carvalho; manuela barroso; Maria Rodrigues; Jaime Portela; Beatriz Bragança; Flávio Cruz; Alécio Souza; Kasioles; Táxi Pluvioso; Olinda Melo; O Árabe; Lúcia Silva Poetisa do Sertão; Larissa Pereira dos Santos; lis;

E agora, o conto:

SALVADOR E SEVERINO

O dia amanhecera com sol e a temperatura estava muito amena.

Severino caminhava devagar , ligeiramente curvado, apoiado a uma bengala.

Os sapatos pretos pisavam lentamente a calçada. As calças, também de cor preta, e a camisa num tom de cinza bem escuro, emprestavam-lhe um ar tristonho. Um boné de fazenda aos quadrados pretos e cinzentos rematavam a indumentária, demasiado pesada para aquele dia primaveril. A máscara preta no rosto tornava a sua figura ainda mais lúgubre.

Percorreu os trezentos metros que o separavam da farmácia, onde entrou.

Lá dentro pairava um leve e fresco aroma a desodorizante de ambiente. Encontravam-se ali umas dez pessoas, ordenadas em duas filas.

Severino colocou-se na que ficava mais próxima da porta, resmungando:

- É sempre a mesma coisa! Para onde quer que se vá temos sempre de esperar.

No final da outra fila, com menos pessoas à espera de serem atendidas, encontrava-se Salvador. Com um sorriso dirigiu-se a Severino:

- Quer trocar de lugar comigo? Tem menos pessoas à frente, e eu não tenho pressa, não me importo de esperar…

- Não preciso de favores – resmungou. Mas acrescentou, de imediato, tentando remediar a má impressão que pudesse ter causado: - Obrigado, eu posso aguardar a minha vez.

Salvador voltou-se para a frente e ficou em silêncio. Alto e magro, vestido com roupa desportiva, em tom de beije claro, nos pés uns ténis do mesmo tom da roupa, e na mão um boné a condizer com o restante, era o oposto de Severino. A máscara, num tom azulado, deixava vislumbrar uns olhos risonhos.

Os clientes eram atendidos a bom ritmo. Rapidamente chegou a vez de Salvador que, ao aproximar-se do balcão, deixou perceber que coxeava ligeiramente.

A empregada que o atendeu deu-lhe os bons dias num tom alegre, deixando adivinhar um largo sorriso por detrás da sua máscara cirúrgica. Depois de lhe fornecer os medicamentos requisitados, saiu do seu lugar atrás do balcão e, segurando-lhe no cotovelo, disse amavelmente:

- Venha, senhor Salvador, eu acompanho-o até à porta.

- Agradeço muito, mas não era necessário. Tenho a minha bengala ali à entrada.

- Não me custa nada – acrescentou a empregada.

- E eu não posso negar que esta bengala que me conduz até à porta é muito mais agradável do que a que está à entrada – respondeu ele, alegremente.

Entretanto, no interior da farmácia, Severino já chegara ao balcão e fora atendido. À saída encontrou Salvador que estivera à conversa com alguém que passara. Olhando-o, fez-lhe um leve aceno, como que em despedida e talvez uma espécie de agradecimento pela atenção da oferta do lugar na fila.

Salvador olhou-o com um sorriso e disse-lhe:

- Desejo-lhe um bom dia!

- Bom dia? – resmungou o outro. Onde é que isso já vai! Nesta idade já não há dias bons.

Parara no passeio, encarando o recém conhecido com um misto de espanto e incredulidade.

Salvador aproximou-se, colocando-lhe, ao de leve, uma mão no braço.

- Não diga isso, meu amigo. Há sempre dias bons. Às vezes acontecem coisas aborrecidas, mas, no fim, todos têm algo agradável.

Severino olhou com atenção para o interlocutor, como se estivesse observando algo raro.

- Admiro-me como o amigo pode dizer essas coisas. Afinal, deve ser pouco mais novo do que eu. Com esta minha idade, 81 anos, já vivi tudo o que tinha a viver. E agora para aqui ando, esperando que o tempo passe depressa, mas ele anda tão devagar…

- O tempo anda ao ritmo que nós lhe imprimimos. E eu, meu amigo, não sou mais novo, eu tenho 85 anos, e espero andar por cá mais alguns; ainda não cumpri a minha missão por completo. Mas, como esta conversa me está a agradar muito, e a si também não parece desagradar, o que me diz a irmos ali à esplanada tomar um cafezinho e trocarmos mais umas ideias?

O rosto de Severino como que se iluminou. Há tanto tempo que ninguém se mostrava interessado na sua pessoa! Esforçando-se para colocar um tom agradável na sua voz, respondeu:

- Não tenho esse hábito, mas como dizem que para tudo há sempre uma primeira vez…

- É mesmo assim, meu amigo. Quando eu era mais jovem dizíamos, por brincadeira: temos de experimentar tudo, para não morrermos estúpidos – e riu alegremente.

Sentados na esplanada, Severino sentiu-se leve como há muitos anos não acontecia. O seu aspecto, normalmente severo, parecia irradiar uma luz que lhe emprestava um ar quase simpático. Começou a sentir a amenidade da temperatura, o que o levou a tirar o boné da cabeça.

Salvador, reparando no gesto, comentou:

- Sabe que esse boné lhe dá um ar pesado? Fica muito melhor sem ele. Até parece mais novo!

- Quando eu saí de casa estava uma brisa bastante fresca. Até senti um arrepio ao chegar à rua. E soube-me muito bem o boné na cabeça. Mas, entretanto, o tempo aqueceu bastante. Ninguém diria, mas começo a sentir um certo calor.

Salvador sorriu interiormente. O que faltava ao seu novo amigo era exactamente calor humano.

Mantiveram-se ali por uma boa meia hora, tempo que Severino aproveitou para desfiar as suas mágoas e Salvador para o confortar o melhor que pôde.

A caminho de casa Severino ia pensando: “Quem diria que uma ida à farmácia me iria render um amigo, coisa já tão rara? A minha Severina, onde quer que esteja, deve ficar feliz ao ver o que está acontecendo. Tenho a certeza de que ela gosta dele!”

Coisa que há muito tempo não lhe acontecia, sentia calor. E só o receio do que pudessem pensar os vizinhos o impediu de pôr o casaco pelas costas.

Inconscientemente sorriu muito levemente, ao lembrar-se das últimas palavras que trocara com o seu novo amigo:

- Vamos combinar encontrar-nos aqui todos os dias? Tomamos um cafezinho e damos dois dedos de conversa… Que lhe parece? – perguntara Salvador.

- Vamos, sim. Será um prazer para mim. Há muito tempo que não fazia assim uma extravagância. E quase sorriu.

E assim nasceu uma linda Amizade que os uniu por alguns anos, “ainda”.

(Mariazita Caiano)

Maria Caiano Azevedo

 


 

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

PAUSA

 PAUSA

 Vou fazer uma pausa…  maior do que esta última. 😊

Três meses? Seis meses? Um ano? Dois?

Quem sabe? Resolvi confiar no destino, que me vai segredar ao ouvido:

- É tempo de voltar!

Por isso não vos vou dizer “Adeus”, mas apenas “Até já…”

Um grande abraço para todos, e o melhor que a vida vos possa reservar.

Deixo-vos, como recordação, um soneto que escrevi há dois anos, e mereceu o 2º.prémio na categoria de Soneto, em 2022, da UATI.

PS - Esta minha ausência não significa um "corte de relações"😊  Aliás, sempre que me seja possível, irei visitar-vos.

 

FINALMENTE EM PAZ

 

Tantos anos passaram, meu amor!

O mundo esteve em constante mudança.

Guerras e paz trazemos na lembrança,

Volvendo, à memória, alguma dor.

 

Vivemos alguns dias com pavor.

Acreditando em nós, com esperança,

Dias melhores, vivendo em segurança,

Mantendo a nossa vida com fervor.

 

Com os novos tempos, outras vontades.

Nada se mantém igual para sempre.

Após as bonanças vêm tempestades.

 

Acalmados, por fim, os corações,

Olhamos o futuro já tranquilos,

Em paz, leves e livres de ilusões.

 

Maria Caiano Azevedo

2022

quarta-feira, 17 de julho de 2024

FÉRIAS

VOU GOZAR UMAS MERECIDAS FÉRIAS

No ano passado, os dias que eu tinha planeado estar nos Estados Unidos

passei-os no Hospital, desde 29/06 até 25/08 – 2 meses menos 4 dias…

Agora vou cumprir os planos adiados, partindo no final deste mês (daqui por meia dúzia de dias) e regressando no final de Agosto.

Assim, ao jeito de quem quer desejar umas boas férias também para todos vós… vou partilhar convosco uma lenda de minha autoria, que escrevi para um concurso e que mereceu do júri a atribuição do 1º.prémio na modalidade “Lendas”.

Permito-me recordar-vos que uma lenda não é uma história verdadeira, é, sim, pura ficção.

Será que vai ser do vosso agrado?

LENDA DA PRAIA DA ROCHA


Eram os tempos da Antiguidade, quando os romanos dominavam o Algarve, e a actual cidade de Portimão, pertencente ao distrito de Faro,  se chamava Portus Hannibalis ou Porto de Aníbal, em homenagem ao general Aníbal Barca, considerado um dos maiores estrategas militares da História.

A cerca de 2 quilómetros existia uma extensa faixa de areia dourada, ao longo de 1,5 km de costa, banhada pelo Oceano Atlântico. Dali partiam para o mar os pescadores que forneciam de peixe as redondezas, enfrentando, por vezes, tormentas e ondas alterosas.

Havia, no local, um enorme rochedo plano onde, muito mais tarde, no século XVII, foi construída a Fortaleza de Santa Catarina, que servia para assegurar a defesa da barra.

Mas isto aconteceu muito mais tarde. No tempo dos romanos esse rochedo dava guarida a um Gigante, tão grande de estatura como de coração, que, incessantemente, vigiava a praia. Com a sua altura descomunal via muito ao longe, no mar, quando se formavam tenebrosas vagas que representavam um enorme perigo para os pescadores. Nesses dias, depois de serem avisados pelo Gigante, não se faziam ao mar. Aguardavam, em terra, que a tempestade acalmasse.

Essas vagas gigantescas eram formadas por dragões marinhos que ansiavam apanhar os pescadores, levá-los para as profundezas do mar, e fazer deles escravos.

Mirando o longínquo rochedo eles percebiam que os pescadores tinham sido avisados pelo Gigante, e desapareciam no alto mar.

A vida decorria calma para os pescadores e suas famílias, que sempre podiam contar com a protecção do bom Gigante.

No dia de São Pedro, protector dos pescadores, era organizada uma grande festa na praia,  em honra daquele santo.

Nesse ano os festejos seriam ainda maiores dado que os últimos dias tinham sido muito fartos em peixe, e eles sentiam-se particularmente gratos ao santo.

Na areia eram estendidos panos brancos, impecavelmente limpos, e sobre eles colocavam-se frutas, figos e amêndoas, mel e doces, fornecidos  por todas as famílias e servidos a quem estivesse no local. Todos os alimentos eram preparados e  transportados apenas por mulheres grávidas, consideradas em estado de graça, ou jovens virgens. Eram colocados sobre as suas cabeças, para não os macular e, ao mesmo tempo, energizá-los com energias positivas.

No meio de grande alegria, todos cantavam e dançavam ao som das cítaras, liras e alaúdes, tocados pelos romanos que, em grande número, vinham da cidade assistir à festa.

Assim que começaram os festejos o Gigante sentou-se junto aos panos que continham amêndoas, fruto da sua preferência, que ia comendo e acompanhando com goles de malvasia.

Sentia-se no ar o agradável cheiro da maresia.

A noite estava escura, apenas no céu brilhavam milhões de estrelas que não eram o suficiente para alumiar a terra. Os archotes, colocados aqui e além, lançavam a sua luz bruxuleante, que mal iluminava o ambiente.

A música era como que uma canção de embalar para o Gigante que, rendido, adormeceu profundamente sobre a areia.

Lá muito ao longe, no mar, os dragões marinhos espiavam a terra, cujas luzinhas, tremeluzentes, lhes faziam adivinhar que haveria pessoas na praia.

Com movimentos muito lentos, tentando fazer o menor ruído possível com as vagas que se formavam à sua passagem, iam-se encaminhando para terra. Quando estavam próximos formaram uma onda gigantesca que invadiu a praia, arrastando algumas pessoas que gritavam desesperadamente, assustando todas as que conseguiam escapar à força das águas.

O Gigante, acordando sobressaltado, começou por ficar paralisado com o espectáculo que se desenrolava aos seus olhos.

Mas imediatamente reagiu e, apelando aos seus poderes especiais, que raramente utilizara, estendeu as mãos lançando um feitiço sobre os dragões.

Estes, apanhados de surpresa e sem tempo para fugir, ficaram paralisados, transformando-se em rochas.

Até hoje essas rochas, feitas de dragões marinhos, mantêm-se inalteráveis na Praia da Rocha, à qual deram o nome.

Maria Caiano Azevedo

(Mariazita) 

sábado, 1 de junho de 2024

HOJE NÃO ME APETECE FALAR

 HOJE NÃO ME APETECE FALAR

O mês de Junho é, particularmente, o que me traz à lembrança as piores recordações. Dentro de poucos dias é o 12º.aniversário da partida do meu companheiro de mais de 50 anos. Foram 53 anos de felicidade, com seus altos e baixos, como em todos os casamentos, mas que se traduzem num saldo muito positivo – uma felicidade que, acredito, não é muito usual.

Talvez por isso, por me lembrar dos tempos felizes que vivi, hoje não me apetece falar.

É em dias assim que os pensamentos, em catadupa, afluem ao nosso espírito, uns atrás dos outros, como cerejas.

Há dias cruzei-me na rua com um “bando de pardais à solta” (V. Os Putos – Paulo de Carvalho).

Espalhando-se ao longo do passeio, falando em altas vozes, gesticulando, pareciam donos do mundo.

Os jovens normalmente são muito efusivos, manifestam-se em “alto e bom som”, e quando em grupo, essa característica assume proporções que podem tornar-se incomodativas.

Acredito que, em parte, isso se deve ao facto de frequentarem locais de diversão em que o som ambiente é ensurdecedor. Para se fazerem ouvir têm de falar “aos berros”; acabam por se viciar nesse tom exageradamente elevado, e usam-no quando não é necessário.

Fica-me a dúvida se, quando namoram, também o fazem em “alta voz” ou se, nesse caso, sabem, ou conseguem, apenas sussurrar palavras de amor…

Talvez porque já não sou jovem… sou como a Lua - que tanto gosto de contemplar - tenho fases, e muitas vezes ataca-me a “Fase do Mutismo” e não me apetece mesmo falar, como hoje.

Mas, falar e escrever são coisas bem diferentes, e escrever apetece-me sempre…

Pode não parecer, mas esta “fase” ataca-me com uma certa frequência. E, ao contrário do que se possa pensar, isso não significa que goste de me isolar, de não conviver…

Não, continuo a gostar muito de companhia – estou a recordar-me da minha Mãe que dizia, muitas vezes: “Só se veja, quem só se deseja”. Queria ela significar que a solidão é boa para quem quer estar só – que não era o caso dela (a minha Mãe gostava muito de conviver)

Nestas alturas não me afasto de ninguém, convivo normalmente, só que permaneço calada, a ouvir o que os outros dizem – com o que se aprende muito, acreditem.

Há dias, eu e minha filha falávamos de qualquer coisa em que estávamos em desacordo, o que raramente acontece.

Na sequência da (des)conversa eu disse-lhe:

- Pois, minha filha, prepara-te, porque vais ter de me aturar até aos cem anos…

Ela olhou para mim, abraçou-me com força e, comovida, com uma lagrimita a espreitar ao canto do olho, respondeu:

- Era a coisa que me faria mais feliz, mãe.

São momentos como este, que eu considero únicos, de uma intimidade total, onde não cabe mais nada nem mais ninguém, que contribuem muito para a minha felicidade.

Então pus-me a imaginar como será atingir os 100 anos de idade…

Quantas vezes o nosso imaginário nos conduz ao reino da fantasia!

Aí tudo é possível acontecer - até a felicidade plena…

A meninice nos devolve a alegria pura, inocente…

A adolescência leva-nos a valsar nos braços dum príncipe encantado…

A juventude faz soar aos nossos ouvidos o som romântico de violinos…

Depois… acontece a realidade.

E a nostalgia apresenta-se, conferindo à nossa fantasia uma aura labiríntica de sentimentos pretensamente escondidos, que pretende sobrepor-se à realidade.

Mas, como disse, quando não me apetece falar é quando me sabe melhor ouvir. E por falar em ouvir… ouvi há pouco na TV a notícia de mais uma violação, neste caso de uma mulher. Mas, mais repugnante ainda, é o caso de violação de menores.

Violações são o “pão nosso de cada dia”, como se costuma dizer.

Em situações de guerra e invasões cometem-se verdadeiras atrocidades - é um facto comprovado, que causa revolta e repúdio.

Mas no dia-a-dia, em que essas coisas acontecem só porque há violadores, estupradores e pedófilos à solta, a repugnância que tais actos suscita chega a ser insuportável.

E por muito dura que possa parecer… em minha opinião, pedófilos e estupradores deveriam sofrer ablação genital completa, ou seja, torná-los eunucos. Penso que isso seria castigo maior do que a morte.

E não há que ter ilusões. Um pedófilo não tem cura. (ignoro em relação ao estuprador). Há estudos que provam que um pedófilo, ainda que sujeito a tratamento psiquiátrico ou de outra natureza, nunca deixará de o ser.

 E para aliviar a carga emocional que, sem querer, emprestei às minhas palavras, deixo-vos com “uma pequenina conversa” que acho muito bonita:

 “Um dia o Amor perguntou à Amizade:

- Para que existes tu se já existo eu?

A Amizade respondeu:

- Para repor um sorriso onde deixaste uma lágrima”

 

Maria Caiano Azevedo

01/06/2024 

domingo, 5 de maio de 2024

DIA DA MÃE

Porque hoje é “DIA DA MÃE”

CARTA À MINHA MÃE

Mamã,
Hoje vou elevar para ti um pensamento muito especial, mais intenso.
Sabes que te recordo todos os dias.
Deixaste-me há tantos anos, mas na minha memória, que já não tem a vivacidade de outros tempos, continuas tão nítida como nos dias em que eu te tinha junto de mim.
Não há um só pormenor que eu não recorde dos últimos momentos que passámos juntas.
Depois de tratar da tua higiene (ficaste tão linda, tão fresca!) recostei-te na almofada para te dar o pequeno-almoço.
Como de costume não quiseste comer nada, apenas bebeste um pouco de leite. Ainda insisti, sabendo, de antemão, que irias recusar:
- Por favor, mamã, come só uma torradinha pequenina, faço-ta num instante.
Com aquele sorriso lindo que conservaste até ao fim, respondeste-me:
- Não, minha filha, não consigo.
Sentias calor. Com a minha mão esquerda segurando a tua mão esquerda, apanhei o leque que estava sempre em cima da mesinha, e, suavemente, comecei a agitá-lo, para te refrescar.
Não sei quanto tempo estivemos assim. Esse é o único pormenor que esqueci: quanto tempo estive segurando a tua mão.
Estavas tão frágil! Parecias transparente.
Como uma flor murchando lentamente, uma vela perdendo a intensidade do seu brilho, a qual um ligeiro sopro faria apagar.
Assim te vinhas mantendo nos últimos tempos: quase sem te alimentares, a voz cada dia mais fraca, os gestos mais lentos, os cabelos embranquecendo até ficarem alvos de neve…
Naquele dia, recostada na almofada, de olhos semicerrados, parecias irradiar uma luz especial.
Numa comunhão perfeita entre nós duas, abriste os olhos, olhaste-me com um ligeiro sorriso e um carinho imenso que me inundou o coração, ao mesmo tempo que me provocava um estranho estremecimento.
Depois, lentamente, muito lentamente, levantaste a mão direita e esboçaste um ligeiro aceno, que mais tarde interpretei como um adeus.
Pousei o leque e segurei a tua mão entre as minhas. Um suspiro profundo indicou-me que acabavas de partir.
Continuei assim não sei por quanto tempo, sem um grito, um lamento… apenas deixando as lágrimas deslisarem-me pelo rosto.
Partiste tão serena como viveste, pelo menos o último ano da tua vida.
Sei que estás num lugar especial, que foste merecendo ao longo dos teus dias neste mundo, por onde passaste praticando sempre o bem.
Foi este pensamento que me fez aceitar a tua partida com resignação, e me leva a pensar em ti todos os dias com um imenso carinho.
Até um dia, mamã. Sei que voltaremos a ver-nos.
Mariazita

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

16º. ANIVERSÁRIO

 16º. ANIVERSÁRIO

 É verdade! Hoje faço 16 anos! Estou quase a atingir a maioridade 😊.

Como todos sabem a minha “dona” tem estado bastante doente. Está prestes a fazer um ano – Abril de 2023 – que começaram os seus problemas de saúde, que vieram a revelar-se bastante graves e, por isso, de não muito fácil solução.

A parte física está quase a 100%; a vertente neurológica está um pouco mais difícil de atingir o ponto de equilíbrio, nomeadamente no que à inspiração diz respeito.

Resolvi, por esse motivo, não a sobrecarregar com festas de Aniversário. E como já passaram muitos anos desde o meu nascimento, e muitos de vós não me conheceis dessa altura… vou mostrar-vos como nasci:

HOJE, 14 DE FEVEREIRO DE 2008

DIA DE S. VALENTIM E DOS NAMORADOS

ABRE-SE A PORTA DA CASA DA MARIQUINHAS


A ORIGEM DO NOME “A CASA DA MARIQUINHAS”

A escolha do nome para este meu/vosso sítio é uma forma de homenagem ao meu filho.

“Mariquinhas” é o “nickname” com que ele me “baptizou” e que usa, por brincadeira, em vez do habitual “mãe”.

A ele devo a maior parte dos poucos conhecimentos de informática que possuo.

A ele devo a criação deste sítio. Sem ele, a realização deste sonho teria sido, se não impossível, pelo menos bastante mais complicada.

A ele dirijo o meu agradecimento.

Recebi ofertas de ajuda de amiga(o)s. Para eles também o meu reconhecimento. Permitam-me um agradecimento especial a Ana Carina pela sua preciosa ajuda.

Ao criar este espaço é nossa intenção proporcionar-vos agradáveis momentos de lazer.

Tentaremos fazer-vos sorrir, meditar, reflectir…

Com o vosso apoio e estímulo alcançaremos estes objectivos.

Um  «Bem haja !» a todos.


Talvez a mais rica, forte e profunda experiência da caminhada humana seja a de ter um filho.

Plena de emoções, por vezes angustiante, ser pai ou mãe é provar os limites que constituem o sal e o mel do ato de amar alguém.

Quando nascem, os filhos comovem por sua fragilidade, seus imensos olhos, sua inocência e graça.

Basta vê-los para que o coração se alargue em riso e cor. Um sorriso é capaz de abrir as portas de um paraíso.

Eles chegam à nossa vida com promessas de amor incondicional. Dependem de nosso amor, dos cuidados que temos. E retribuem com gestos que enternecem.

Excerto de – Os Pais envelhecem (a publicar na íntegra, brevemente)

Desconheço autoria

 

E porque hoje é Dia dos Namorados, veja uma das suas possíveis origens

DIA DE S. VALENTIM, DIA DOS NAMORADOS

A igreja católica reconhece três santos com o nome de Valentim.

Destes, o que se associa ao Dia dos Namorados, é um mártir de Roma antiga, de nome Valentine, que viveu nos tempos de Cláudio II.

Com o objectivo de criar um grande e poderoso exército, e tendo dificuldade em reunir homens em número suficiente, o imperador proibiu os casamentos, pois acreditava que os jovens sem família mais facilmente se alistariam no exército.

Contrariando esta proibição, um bispo romano, Valentine, continuou a celebrar casamentos secretamente.

Descoberto, foi preso e condenado à morte. Durante o tempo que esteve preso os jovens atiravam-lhe flores e bilhetes onde afirmavam a sua fé no amor.

Dentre eles encontrava-se a filha do carcereiro, uma jovem cega, Asterius, que conseguiu autorização de seu pai para visitar Valentine na sua cela. Acabaram por se apaixonar, e, como que abençoando esse amor, aconteceu um milagre – Asterius recuperou a visão.

Valentine acabou por ser decapitado a 14 de Fevereiro do ano 270 d.C.

Na Roma antiga era festejado o início da Primavera a 15 de Fevereiro. Para o festejar, na véspera desse dia eram colocados, em recipientes próprios, papeis com os nomes das raparigas solteiras. Cada rapaz tirava um papel, e a rapariga que lhe coubesse em sorte seria sua namorada durante o festival, e, nalguns casos, durante o resto do ano.

Com o decorrer dos tempos o dia de S. Valentim, 14 de Fevereiro, começou a ser considerado Dia dos Namorados, que é festejado com trocas de presentes e cartas de amor. No início do Sec. XIX já eram comercializados cartões de S. Valentim.

Menos romântica do que esta explicação é a que alguns defendem:

Na Idade Média celebrava-se no dia 14 de Fevereiro o início do acasalamento das aves. Nessa data os jovens apaixonados trocavam entre si mensagens amorosas.

Seja qual for a verdadeira, eu prefiro a do bispo Valentine.

Em Portugal, a devoção a S. Valentim é bastante limitada. O costume de festejar o Dia dos Namorados é relativamente recente. De qualquer modo, aja de acordo com a tradição: ofereça um presente à pessoa que ama. Mesmo que já tenha 100 anos e viva com ela/ele  há mais de 80 !!!

Feliz Dia dos Namorados


E foi assim que eu nasci! 16 anos depois peço-vos que ergam uma taça comigo, e digam:

PARABÉNS !!!

                       
      

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO

NOITE DE NATAL


 Natal de Paz iluminado pelo Amor

Nesta santa noite brilhante de Alegria!

No coração, pleno de cor e Harmonia,

Oremos aos céus pela Paz, com muito ardor.

 

Que haja magia nesta noite de Natal.

E os corações estejam plenos de esperança.

Que as almas permaneçam em doce aliança.

E que o Amor ilumine a todos, por igual.

  


FESTAS NATALÍCIAS MUITO FELIZES PARA TODOS! 

sábado, 23 de setembro de 2023

DOENÇA

 Queridas amigas e queridos amigos.

Tenho estado MUITO doente, o que me tem mantido afastada de todos os meus contactos.
No dia 29/06 fui operada a um adenocarcinoma (vulgo câncer) do colon ascendente. A cirurgia correu lindamente, de tal modo que o médico tencionava dar-me alta após três ou quatro dias. Mas... surgiu uma grave infecção que obrigou a nova cirurgia 10 dias depois da primeira.
A partir daí foram problemas atrás de problemas, inclusive apanhei uma bactéria multi resistente que provocou um "incidente" que podia rer sido fatal. Mais tarde o médico confessou-me que na altura chegou a pensar que "me tinha perdido" . Eu respondi-lhe: Também eu pensei que tinha chegado o meu fim. Foram momentos de grande aflição.
Não vou alongar-me mais nestes pormenores que me obrigaram a 2 meses de internamento no Hospital Cuf Tejo.
Desde que tive alta tenho feito fisioterapia, mas a recuperação tem sido bastante difícil, pois quando cheguei a casa parecia um bebé, nem sequer “sabia” andar. Agora já consigo caminhar sozinha, apenas apoiada na mão do filho ou da filha. A minha alimentação obedece a uma dieta bastante rigorosa, porque o trânsito intestinal está difícil de controlar. Enfim. com o tempo tudo se há-de resolver.
Quero agradecer a todos o carinho e o apoio manifestados pela minha saúde.
OBRIGADA!
odas as reações:

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Amigas e Amigos

 Minhas queridas e meus queridos amigos

Continuo internada no hospital, onde dei entrada e fui operada pela primeira vez no dia 29.06. Não tenho ainda data prevista para alta, mas nessa altura darei noticias. Pelo telemóvel custa-me muito escrever.

Toda a minha gratidão, meu carinho e meu amor fraternal para todos que me dirigiram apoio. 

Beijinhos