APRESENTANDO DESCULPAS AO AUTOR PELA ANOMALIA A QUE SOU ALHEIA, PUBLICO-O HOJE.
Repasso aos meus amigos, com uma (desculpável) pontinha de orgulho português, esta bela e poética evocação histórica de Humberto Rodrigues Neto sobre factos reais que tiveram lugar nos primórdios do século XIX, quando quarenta mil soldados portugueses e uns poucos milhares de ingleses seus aliados de sempre, se confrontaram vitoriosamente com três sucessivas invasões francesas, cada uma delas muito superior em número de tropas ao exército luso-britânico, seu oponente no terreno.
Em nome de Portugal, os meus agradecimentos ao grande Poeta Humberto Rodrigues Neto.
Uma palavra ainda para felicitar e agradecer a minha esposa Olga Kapatti, pela sua magnifica e inspirada visualização e Arte.
Eugénio de Sá
O soneto que se publica abaixo, da autoria de Humberto Poeta, resulta numa elegia ao soldado português, e refere-se à heroicidade lusa, face às incursões militares de tropas francesas de Napoleão Bonaparte em território português, que tiveram lugar nos anos de 1807-1808, 1809 e 1810-1811, sob o comando directo respectivamente, dos marechais de França; Junot, Soult e Massena. (imagens seguem a ordem)
A propósito da expressão atribuída a Bonaparte que resultou numa censura aos sucessivos fracassos dos seus marechais face aos objectivos por ele definidos para Portugal, informa-nos Humberto Poeta: "Não há menção a este episódio nas enciclopédias. Foi-me relatado por um intelectual português do Minho, que também viveu longos anos em Goa, a lecionar Português e Matemática. Disse-me que o fato era contado de boca em boca por seus avós e demais contemporâneos da célebre resistência, devendo, pois, ser verídicas as explosões de cólera de Napoleão e a célebre frase com que procurou espicaçar os brios da infantaria francesa."
Eugénio de Sá
Humberto Rodrigues Neto
Há flagrantes que fogem ao registo
dos fatos que marcaram a humana História;
um deles ainda guardo na memória,
por isso animo-me a falar-vos disto.
Pra arruinar o comércio da angla terra,
impondo-lhe o Bloqueio Continental,
não cria Napoleão que Portugal
se mantivesse aliado da Inglaterra.
Pra se impor à arrogância dos bretões,
tomar resolve, então, a Portugal;
com cem mil homens e um forte arsenal
declara guerra à pátria de Camões!
A terra lusa havia de ser tomada
em poucos dias, como então pensara,
mas os quarenta mil que ali depara
opõem-lhe resistência encarniçada!
Contrariado em seus planos e iracundo,
dá breve trégua aos seus cem mil soldados
e em rosto lança-lhes, em rudes brados:
“Com cem mil destes conquistava o mundo”!
Notas:
A razão imediata das invasões relacionou-se com a recusa portuguesa em aderir ao Bloqueio Continental decretado por Napoleão em relação à Inglaterra, no ano de 1806. Para agravar a situação, em Agosto do ano seguinte, a França apresentou um ultimato ao governo português: ou este declarava guerra à Inglaterra até dia 1 de Setembro ou as fronteiras nacionais portuguesas seriam cruzadas pelos soldados franceses.
Na medida em que a aliança anglo-lusa não foi quebrada, a ameaça foi cumprida em meados de Novembro.
Nas várias batalhas que tiveram lugar, os franceses foram sempre derrotados pelo exército luso-britânico comandado pelo General Sir Artur Wellesley (doravante conhecido como Lord Wellington), e obrigados a retirar-se do território português.
Em 1810, os franceses perderam a batalha do Buçaco. O exército napoleónico foi depois obrigado a suster o seu avanço ante as linhas de Torres(a), acabando por se retirar definitivamente na Primavera de 1811, uma vez mais derrotado.
(a): As Linhas de Torres Vedras eram um sistema defensivo de fortificações mandado construir em 1809 por Wellesley, comandante do exército anglo-luso, para defender Lisboa das tropas napoleónicas. Localizadas na baixa Estremadura, pretendiam barrar todos os acessos à capital, num eixo que ia do Tejo à costa atlântica.
Concluídas apenas em 1812, subdividiam-se em duas linhas mais avançadas e uma mais recuada, todas pontuadas por fortes estrategicamente situados (como os de São Julião da Barra, Sobral, Torres Vedras, Mafra, Montachique, Bucelas e Vialonga ).
Após a derrota na batalha do Buçaco (1810), a terceira invasão francesa, liderada por Massena, não conseguiu transpor as fortificações das linhas de Torres, confirmando-se assim a utilidade das obras levadas a cabo pela engenharia aliada.




















