domingo, 1 de abril de 2018

COLECÇÕES E COLECCIONADORES

COLECÇÕES
 Coleccionar, seja o que for, é próprio do ser humano. Para algumas pessoas constitui mesmo uma necessidade, justificada psicologicamente como algo mais do que um simples passatempo de adolescentes.
Coleccionador é o indivíduo que faz colecção dos mais variados objectos, como selos ou moedas, por exemplo. Mas são também coleccionadores os museus e as bibliotecas:
- Os museus coleccionam os mais diversos objectos – o Museu do Louvre guarda objectos desde a era napoleónica até aos dias de hoje, de entre os quais se destaca a famosa Mona Lisa, pintada por Leonardo da Vinci.
- As bibliotecas são coleccionadoras de livros. Uma das mais famosas foi a Biblioteca de Alexandria, no antigo Egipto, na qual se encontraria, segundo a lenda, a famosa fórmula da imortalidade.
O historiador Philipp Blom defende que os coleccionadores não são “maníacos que juntam qualquer coisa por compulsão”. Ele entende que há razões históricas, filosóficas e psicológicas que podem levar o indivíduo a tornar-se coleccionador. Motivos como “sentimento de grupo”, “competição”, “medos”, “desejos não realizados” ou “vontade de se isolar do mundo” poderão estar na base do coleccionismo.

“Não pense que todo o coleccionador é um sujeito mal-amado, reprimido, solitário. Coleccionar quando criança tem as suas vantagens. O hábito nos ensina a organizar e controlar as coisas, decidir a vida e a morte de cada objecto. Eis uma boa forma de aprender a tomar decisões e a lidar com o mundo exterior” – diz Blom

Desconhece-se ao certo o período em que o ser humano começou a coleccionar objectos. Mas aceita-se como válida a hipótese de o homem pré-histórico já exercer essa prática. É bem provável que o homem pré-histórico já tivesse, num cantinho da caverna, uma colecção de crânios como talismãs…
Hoje existem provas de que já havia coleccionismo na Roma antiga assim como no Egipto – é famosa a colecção de cerâmicas finas do faraó Tutancamon.
O coleccionismo era restrito a reis e aristocratas, e só no século XVI deixou de o ser. Nessa altura começou-se a coleccionar tudo, desde cromos a pacotinhos de açúcar, passando por jóias a embalagens de cigarros.

Há, e houve, em todo o mundo, coleccionadores famosos, sobre os quais não vou debruçar-me. Mas não posso deixar de referir a famosa estilista milanesa Biki, de seu nome verdadeiro Elvira Leonardi Bouyeure, neta do compositor Puccini, que vestiu princesas, milionárias e estrelas, como a actriz Sophia Loren e a soprano Maria Callas, fazendo furor nos desfiles de Alta Moda, em Milão.
Biki montou uma sala refrigerada na sua casa para conservar chocolates comprados nos mais diversos lugares do mundo.
Tudo o que até aqui foi dito se refere a coleccionadores e colecções de um nível bastante elevado.
Sem a visibilidade de qualquer coleccionador famoso… quero aqui referir uma colecção que, embora não tão famosa, não deixa de ser muito interessante e constituir já um acervo bastante razoável. Trata-se da colecção de dedais da nossa amiga, a blogueira Amélia - 

DEDAIS DA AMÉLIA, 

a quem, se me permitem, dedico esta postagem. Sei que para além de dedais ela colecciona outras coisas, mas não serei eu a desvendar o segredo…
No seu blog podemos apreciar dedais lindíssimos, de todos os lugares do mundo, nos mais variados materiais, cores, feitios… enfim, uma colecção de fazer inveja – no bem sentido, é claro!
Eu sempre tive a mania de “guardar coisas”, mas não posso considerar-me uma coleccionadora. Tenho vários objectos antigos em louça, cristal ou prata, mas nada que constitua “uma colecção”. E como gosto muito de bonecas… quando vou viajar trago uma dos países que visito – e muitas outras que me ofereceram.


 O mesmo se passa com miniaturas de garrafas de bebidas e de perfumes.


E com mochos? Como gosto muito deles… “colecciono-nos”. De vários tamanhos e materiais rondam umas centenas.


Para terminar vou citar Silvia De Renzi, historiadora da ciência da Universidade de Cambridge, na Inglaterra que diz:
“As colecções foram fundamentais para a organização da natureza como fazemos hoje.”
Um coleccionador, mesmo quando obtém uma raridade, não sente seu desejo atenuado. Na verdade, nada é mais triste que pensar em completar uma colecção. Quando as mãos seguram a nova aquisição, os olhos já vislumbram a próxima peça.” (O sublinhado é meu)

Termino esta postagem com os votos de uma PÁSCOA MUITO FELIZ.





quinta-feira, 1 de março de 2018

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 No mês de Março, dia 8,  há uma data muito importante a assinalar – o DIA   INTERNACIONAL DA MULHER.
Para o celebrar, saudando a Mulher em todo o mundo, partilho convosco um poema que já publiquei.
Pelo facto de ter sofrido um pequeno acidente doméstico nos dedos polegar e indicador da mão direita (que se encontram inoperacionais, obrigando-me a teclar só com dois dedos J ) não me é muito fácil escrever um texto, como habitualmente.
Conto com a vossa compreensão, esperando que gostem do poema, desta vez “dito” por mim. Quem preferir… pode apenas ler, abaixo.
Obrigada!



Ó avô
- Será verdade o que da Mulher se diz?
- Que queres saber, meu petiz?
- Dizem que em era passada
A Mulher foi maltratada, desprezada,
Humilhada,
E até violentada…
- É verdade, sim, meu neto.
- Mas porquê? Isso não parece certo…
- És ainda muito novo, para entenderes o povo.
- Podes-me contar, avô, como tudo começou?
- Escuta com atenção. Vou tentar contar-te, então.
Defendem alguns, com grande convicção,
Que nos primórdios do mundo
A Mulher iniciou a Criação.
Nasceu um culto à Deusa Mãe, venerando Gaia,
A Mãe Terra.
Como da Mulher nasciam filhos,
 dela nascia vida, calor, água e pão.
- Isso é tão bonito, avô! Mas porque é que se alterou?
- Há várias opiniões. Dizem que houve invasões,
de homens indo-europeus, só ódio nos corações.
Altos, fortes, audazes, com armas
e dominando cavalos,
destroçaram pacíficas civilizações.
Impuseram seus deuses guerreiros, ferozes:
Deus da tempestade, com o raio e o trovão…
O deus solar, Deus Sol, com a adaga e a espada…
Transportando-se num carro, numa ou noutra ocasião.
A Deusa foi dominada, pelos deuses suplantada,
E a Mulher escravizada.
- Mas isso aconteceu há muito tempo, avô…
- Sim, há muitos milhares de anos.
Mas a história ainda não acabou.
- Ainda há mais, avô? Conta, conta, por favor…
- Ouve, então, com atenção, esta outra versão:
Reza história muito antiga
Que Eva, a Mulher primeira,
Veio ao mundo para gerar
no seu ventre,
e à luz dar, acarinhar, amar…
E após tanta canseira
por seu filho a vida dar.
- Mas tudo isso, avô, é bem digno de louvor.
Porquê, então, o rancor
Que o homem mostra sentir,
e o levou a infligir
tanta dor?
- Para isso, querido neto, o avô não tem resposta.
Uns dizem que foi castigo, só porque Eva pecou
 e o Adão arrastou.
Outros dizem que é sina, que à Mulher foi imposta.
Mas com o passar do tempo tudo se modificou.
- Hoje tudo está diferente, não é verdade, avô?
A Mulher tem liberdade, pode dispor de si mesma,
Sem ao homem consultar e sem dele depender…
- Nem tudo foi corrigido, ainda há muito a fazer.
Há mulheres escravizadas,
maltratadas, torturadas,
e isso tem que acabar.
Para o mundo melhorar, e a injustiça terminar,
O Homem tem que entender:
Com toda a tecnologia e avanço da ciência,
fertilizando ou clonando,
com a maior sapiência,
é da Mulher que o Homem
continuará a nascer.
 Deus, que é Deus, para humano se tornar
 e o mundo tentar salvar,
o corpo da Mulher teve que usar.

Mariazita

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

DÉCIMO ANIVERSÁRIO

HOJE COMPLETO 10 ANOS


Lembrando-me que este blogue HOJE completaria 10 anos, comecei a meditar em qual será o motivo que nos leva a festejar os Aniversários.
E encontrei “coisas” muito interessantes.

Aniversário é a repetição do dia e do mês em que se deu determinado acontecimento. Num sentido mais geral, refere-se à comemoração de periodicidade anual de qualquer evento importante, como o nascimento de alguém… “

Isto não traz nada de novo. Todos nós sabemos o que é um Aniversário. Falta saber a razão da sua comemoração, se em todo o mundo se comemoram Aniversários, se todos os povos os comemoram da mesma forma, onde e quando começou este ritual…

Nalguns povos antigos, onde a mortalidade infantil era muito elevada, cantavam-se “Parabéns” para festejar o facto de a criança ter conseguido sobreviver mais um ano.
Contudo o Cristianismo rejeitava a celebração de aniversários, considerando-o um culto pagão, até meados do século IV. Referiam que os únicos relatos existentes de festejos de aniversário eram de Faraó e Herodes - que os festejaram com grandes banquetes - e nenhum deles era cristão. Também os judeus consideravam essas celebrações como profanas, fazendo parte da adoração idólatra.

Os gregos e os romanos acreditavam que um espírito protector assistia ao nascimento e acompanhava o nascituro ao longo da sua vida.
(Será que vem daí a ideia do Anjo da Guarda que nos acompanha desde o nascimento até à morte?)
Com os gregos e romanos começou o hábito de se acenderem velas colocadas nos bolos. Esse requinte – as velas acesas em bolos de mel – destinava-se a proteger o aniversariante de demónios, ao mesmo tempo que garantia a sua segurança durante o ano seguinte.
Eles acreditavam que as velas tinham qualidades mágicas. Oravam e faziam pedidos que as chamas das velas levavam até aos deuses. Estes, por sua vez, enviavam as suas bênçãos, como resposta às orações.

Na Europa, os aniversários natalícios começaram a festejar-se há muitos anos. As pessoas acreditavam em espíritos bons e maus, que apelidavam de “fadas boas” e “fadas más”.
Com receio de que esses espíritos causassem mal ao aniversariante, amigos e familiares reuniam-se à sua volta. Com a sua presença e os seus votos de felicidades protegiam o aniversariante contra os perigos que o aniversário natalício apresentava.
Para que essa protecção fosse ainda maior criou-se o hábito de dar presentes, o que se reforçava com uma refeição em conjunto.

Podemos concluir que, quer fossem crentes ou pagãos, gregos ou romanos… a finalidade de festejar o aniversário era sempre proteger o aniversariante de todos os males possíveis.
Com o decorrer dos tempos tudo se foi modificando e actualmente festeja-se o aniversário especialmente para reunir familiares e amigos numa festa especial.
Homenageia-se o aniversariante, oferecem-se presentes em sinal de Amizade, e tudo termina numa alegre jantarada 

Como se tornaria um pouco complicado oferecer-vos “uma jantarada” por dificuldades de logística – não seria fácil reunir à mesma mesa, aqui, portugueses, brasileiros, espanhóis, americanos, até japoneses… - limito-me a erguer a minha taça à vossa saúde!
E que nos encontremos todos daqui por um ano.

Tchim, tchim!



Cantemos os Parabéns!

DA MINHA QUERIDA AMIGA EVANIR ACABEI DE RECEBER ESTE LINDO SELINHO QUE, DO CORAÇÃO, LHE AGRADEÇO.
OBRIGADA!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

O SEGREDO



O SEGREDO

CAPÍTULO 10 – 1ª. Parte

O abraço que envolveu os dois irmãos continha muitas saudades acumuladas ao longo do tempo em que tinham estado sem se verem, e um grande, enorme, amor fraternal.
Em crianças brigavam muito um com o outro, entrando até, por vezes, na agressão física, ainda que sem gravidade. Tinham maneiras de ser muito diferentes.
Mas, à medida que foram crescendo e talvez por tomarem consciência de que estavam a ser criados e educados apenas pela Mãe, o que para ela representava um grande sacrifício e responsabilidade, adoçaram a sua convivência e, sem mesmo se aperceberem, foram-se tornando grandes amigos que, depois de jovens adultos, eram inseparáveis.
Por isso aquele abraço, após uma tão longa ausência, foi comovido para ambos, e comovedor para a mãe, que os observava em silêncio.
Depois de tudo o que se passou em seguida, aos poucos foi-se restabelecendo a serenidade. Nanda, recomposta do choque, propôs irem lanchar, pois “o que servem nos aviões não presta para nada”.
Saborearam o bolo da mãe, e depois tendo passaram a tarde conversando e matando as saudades.
Luís falou, com orgulho mal disfarçado, do seu pequeno rebento, ao mesmo tempo que justificava a ausência de Catarina:
– O bebé é ainda muito pequenino, está ligeiramente constipado, e por isso a mãe ficou em casa cuidando dele.
O quarto que o pai lhes disponibilizou não é muito confortável – na verdade tratava-se de uma pequena arrecadação onde, à última hora, o pai colocara um divã de casal para eles dormirem. O espaço até é razoável, mas é um pouco húmido e, com o frio que tem feito nas últimas noites, o bebé ressentiu-se.
Mas enquanto o pai não lhes consegue a tal casita que prometeu arranjar-lhes, sujeitam-se àquela situação. Por um lado porque têm esperança de que não seja muito prolongada, e por outro porque o dinheiro é pouco e não chegaria para irem para um hotel, por muito modesto que fosse, ou até mesmo para uma pensão.
Com o ordenado que o pai lhe paga, que não é nenhum exagero mas, ainda assim, melhor do que nada - como ultimamente lhe acontecia no Alentejo - pensavam poder pagar o aluguer da tal casita, e fazer face às despesas mais essenciais. Mais tarde logo veriam se a Catarina poderia ir trabalhar, contribuindo assim para as despesas.
Agora que tinham um filho para criar a responsabilidade era maior e precisavam, mais do que nunca, de estar unidos e em harmonia.
*
No dia anterior André telefonou à mãe confirmando que iria, com a sua mulher Fiara, passar dois meses de férias em Portugal. Levariam com eles uma amiga, de quem muito gostavam, que trabalhava também em investigação, mas num ramo diferente do deles.
Perguntou à mãe se não se importaria de a acolher em sua casa, dado que era uma pessoa bastante tímida e falava mal o português. Além disso, como se deslocava em serviço, o tempo que passaria em casa seria, praticamente, para dormir.
Ainda que a ideia não lhe agradasse totalmente, Nanda não conseguiu recusar o pedido do filho. Como eles chegariam cerca das três horas da tarde, depois de ter vindo do trabalho, fez um bolo para o lanche do dia seguinte.
Para não faltar muitos dias ao serviço pediu dispensa apenas da parte da tarde.
Ainda falou ao filho na hipótese de os ir esperar ao aeroporto, mas André opôs-se terminantemente. Não se justificava, pois podiam perfeitamente ir de táxi. Ele sabia que Nanda não gostava muito de conduzir, especialmente por locais que não conhecia bem. O carro estava a maior parte do tempo dentro da garagem.

Passava um pouco das três e meia quando os viajantes chegaram. Nanda correu para a porta para os abraçar demoradamente. Não se viam há três anos, e as saudades eram muitas.
Seguiu-se o abraço dos irmãos, que Nanda observava, enlevada.
Depois de acalmadas as emoções e todas as manifestações de carinho, André disse:
- Mãe, esta é a amiga de quem te falei. Chama-se Eliane.
Nanda desviou, finalmente, os olhos dos seus filhos, voltando-se para Eliane.
Num relance, “viu” Ludovico sob a forma de uma linda jovem.
Retrocedendo no tempo, recordou o grande amor que os unira. Fora por amor que dele se separara, há tantos atrás, e o deixara na ignorância do seu estado.
A emoção foi demasiado forte. Sentindo-se cambalear, foi apoiada por Luis que a transportou em braços, desmaiada, para o sofá.

Mais um excerto do meu projecto literário com o título (provisório) “O Segredo”.
Maria Caiano Azevedo

PS – No próximo dia 14 haverá uma postagem especial – especial porque este ano publicarei apenas no início de cada mês – para comemoração do 10º.aniversário desta “CASA”



segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

FELIZ ANO NOVO

LENDA DE ANO NOVO


Quem me acompanha há muito tempo e/ou conheceu o meu blog “HISTÓRIAS DE ENCANTAR” sabe da minha predilecção por lendas.
Lá publiquei bastantes, e aqui, na CASA DA MARIQUINHAS, também partilhei algumas convosco.
Pensando em como haveria de iniciar este ano de 2018, surgiu-me a ideia de o fazer, exactamente, com uma lenda.
E, como seria de esperar, será uma lenda sobre o Ano Novo.
De algumas ouvi falar, outras li… e de todas de que tenho conhecimento, que não são muitas… (há poucas lendas sobre o Ano Novo) escolhi esta para vos mostrar.

Numa aldeia distante morava um casal de velhinhos: A Benvinda e o Baltazar.
Embora fossem muito velhinhos e as forças já não fossem muitas, como eram muito pobres tinham que se ocupar com os seus afazeres. 
Benvinda ocupava-se da lida da casa. Baltazar era chapeleiro, fabricava chapéus.
Na véspera da passagem de ano não tinham nada para celebrar a entrada do Novo Ano, nem dinheiro para comprar algo com que pudessem festejar a data.
Baltazar lembrou-se que talvez com os seus chapéus conseguisse algum dinheiro. Com esse propósito deslocou-se à cidade, pensando que no regresso poderia já trazer algumas guloseimas para ele e Benvinda se deliciarem ao soar das doze badaladas.
Pegou em cinco chapéus que já tinha feitos e tomou o caminho da cidade, que ficava bastante longe.
Depois de, com bastante dificuldade, atravessar vários campos, chegou, por fim, à cidade.
Baltazar sentia-se muito cansado mas, com a sua fé inabalável, pôs-se imediatamente a apregoar os chapéus:
- Olha o chapéu! Bem fabricado, fino e barato!
A cidade fervilhava de gente que corria apressada de um lado para outro, fazendo os preparativos para o Ano Novo.
Todos voltavam para casa carregados de embrulhos com carne, peixe, doces… garrafas de bebidas. Mas ninguém se interessava pelos chapéus.
Baltazar pensou:
- Não foi uma grande ideia, a que eu tive. Neste dia quem é que vai pensar em comprar chapéu?
Mas não desistiu. Todo o dia palmilhou a cidade, apregoando a sua mercadoria. Pensava em Benvinda, que em casa o aguardava, e só isso lhe dava forças para continuar, apesar do enorme cansaço.
Mas não conseguiu vender um único chapéu.
A noite aproximava-se rapidamente e Baltazar, convencido de que não valia a pena insistir mais, guardou os chapéus e iniciou o caminho de regresso.
Quando saía da cidade começou a nevar. O frio entrava-lhe através da roupa, mas ele continuou a caminhar pelo campo coberto de neve.
De repente avistou seis duendes, todos encostados uns aos outros, tremendo. Já havia neve nas suas cabeças, que lhes respingava para os rostos.
Condoído, Baltazar não hesitou um momento. Passou a mão na cabeça dos duendes para retirar a neve, e em seguida cobriu-os com os chapéus que não havia vendido.
Mas só tinha cinco chapéus, e os duendes eram seis…
Tirou o chapéu que usava na sua cabeça e com ele tapou a cabeça do sexto duende.
- É um chapéu velho e sujo… mas não tenho outro… - comentou Baltazar.
Não obteve qualquer resposta pois os duendes não falam com pessoas.
O velhinho  retomou o seu caminho.
Ao chegar a casa a sua cabeça estava de tal modo branca com a neve que caíra, que Benvinda se assustou ao vê-lo:
- Mas o que aconteceu, Baltazar? Pregaste-me um susto! – disse, com voz trémula.
- A verdade é que não consegui vender nenhum chapéu. Quando regressava encontrei seis duendes e imaginei que estivessem com frio. Por isso cobri-os com os chapéus. Mas como faltava um… tapei-o com o meu.
Benvinda ficou emocionada com a atitude do marido, e apenas comentou:
- Foi um gesto muito nobre!
Comeram uns restos que ainda havia na despensa e foram-se deitar. A roupa da cama era pouca para noite tão fria. Encostaram-se o melhor possível, tentando transmitir um ao outro o calor dos seus velhos corpos cansados.
Pouco depois ouviram vozes lá fora:
- “Entrega de Ano Novo! Onde é a casa do vendedor de chapéus? Abra a porta, vendedor!”
Levantaram-se ambos e abriram a porta, assustados.
Na frente da casa havia muita comida, vinho, adornos de Ano Novo, cobertores quentinhos… e, em lugar de destaque, dois pequenos embrulhos com doze passas de uva cada um.
Pensaram que estavam sonhando.
Olharam em volta e não viram ninguém. Fixando o olhar em frente, divisaram seis duendes afastando-se da casa.
Pareceu-lhes ouvir ao longe:
- FELIZ ANO NOVO!
À meia-noite, ao soar das doze badaladas, Benvinda e Baltazar comeram cada um as suas doze passas de uva, formulando mentalmente o desejo de que continuassem sempre juntos até ao fim dos seus dias.
E assim se iniciou o ritual que se mantém até aos dias de hoje.
A TODOS UM MUITO FELIZ ANO 2018

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O ANJO NEGRO

O ANJO NEGRO









Não resisto a partilhar convosco um caso que se passou comigo na última Primavera.
Como gosto muito de andar a pé, e sempre que posso faço caminhadas, fui dar um longo passeio pelo parque que dista cerca de dois quilómetros da minha casa.
A determinada altura do percurso encontrei uns degraus, cerca de 18 ou 20, por onde eu já tinha subido há dois ou três anos. Tinha-me esquecido de que são altíssimos, ou seja, a distância entre um degrau e outro, não deve andar muito longe dos 40 cmts. Nada de muito grave, se houvesse um corrimão para apoio, que não existe, pois esta “escadaria” encontra-se numa zona de árvores e os degraus são de terra batida.
Depois da primeira tentativa vi logo que não conseguiria subir. Para agravar a situação – a minha falta de ar!
(Para quem não sabe… eu sofro de asma que, nos últimos dois anos teve um ENORME agravamento devido a algumas infecções pulmonares que me “atacaram”)
Quando eu olhava, desanimada, para os degraus que tinha à minha frente, pensando que não conseguiria vencer aquele obstáculo e a solução seria voltar para trás, surgiram dois rapazinhos pretos, um mais alto que o outro, que deveriam ter uns 15 a 16 anos.
Perguntaram-me se eu precisava de ajuda. Imediatamente aceitei, agradecendo. O mais baixo segurou a minha mão esquerda e, lentamente, fomos subindo. Vi que notava a minha dificuldade em respirar e por isso achei que devia falar-lhe no meu problema da asma. Parei no degrau em que nos encontrávamos e expliquei-lhe o porquê da minha falta de ar.
Ele ouviu atentamente e depois disse:
- Isso é muito aborrecido, não é?
Eu respondi:
- Sim, às vezes é mesmo muito incómodo. Dificulta a respiração e impede-me de fazer esforços. Como subir estas escadas, por exemplo – concluí, sorrindo.
Ele acrescentou:
- Vamos devagar. Temos muito tempo. Eu não tenho pressa nenhuma.
Eu agradeci com um sorriso.
Continuámos a subir. O conforto daquela pequena mão negra segurando firmemente a minha mão com mais do quádruplo da idade da sua, transmitia-me uma energia boa, aquecia-me o coração.
Chegados ao cimo da “escadaria” ficámos uns momentos em silêncio, especialmente para eu normalizar a respiração.
À despedida não trocámos emails, nem telefones, nem sequer os nomes… Nada!
Ele apenas me olhou com o seu maravilhoso sorriso, um ar ligeiramente interrogativo como que a querer saber se eu já estava bem, e não pronunciou uma palavra.
Eu sorri em agradecimento. Murmurei “Obrigada!”, aproximei-me e depositei um beijo naquela face negra de Anjo disfarçado de rapazinho.
Separámo-nos. Cada um seguiu o seu caminho.
Mas eu JÁ não ia sozinha…



*****
No Natal que se aproxima e em todos os dias do ano meditemos nas palavras do poeta João Coelho dos Santos, no seu poema ENTÃO E EU?


Um santo e feliz Natal para todos

sábado, 4 de novembro de 2017

FÉRIAS EM FOTOS - Segunda parte

Finalmente (!) terminei o PPS referente à segunda parte das minhas férias deste ano – 2017.
Tal como aconteceu com a primeira parte, também nesta juntei às fotos alguma informação que fui recolhendo nos locais que visitei e outra que retirei dos vários folhetos que trouxe comigo.

Espero não ter sido demasiado exaustiva… e que vos agrade.

A MUDANÇA DE SLIDES É FEITA COM O RATO



E agora… uns vídeos que espero sejam do vosso agrado:

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

FÉRIAS EM FOTOS

FÉRIAS EM FOTOS
As prometidas fotos das férias têm estado demoradas…
Acontece que de há uma semana para cá tenho tentado alojar o PPS num site que reproduza som… mas sem sucesso.
Desisti! Vão assim mesmo. Ficava mais bonito com fundo musical… mas não consegui.
Esta é a primeira parte. Tive que dividir para o ficheiro não ficar demasiado pesado.
Juntei às fotos alguma informação que fui recolhendo nos locais que visitei e outra que retirei dos vários (variadíssimos!!!) folhetos que trouxe comigo (quando viajo venho sempre carregada de papéis J )
Espero não ter sido demasiado exaustiva… e que vos agrade.

A MUDANÇA DE SLIDES É FEITA COM O RATO
Férias 2017 usa - primeira parte de Mariazita Caiano

E, se ainda vos restar um pouco de paciência… dêem uma olhada nestes vídeos.
É rápido…

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

REGRESSO DE FÉRIAS

Regressei! Com muita pena… mas regressei, não sem antes lançar um último olhar sobre um dos ícones (Estátua da Liberdade) do país onde passei as últimas férias - USA
Visitei novos lugares, revi outros que já conhecia, acompanhada do filho, da filha e da neta, e dos familiares lá residentes.
Foi, até certo ponto, como que uma romagem de saudade…
Fotos? Algumas centenas… Com três “fotógrafos” a “registar o momento” outra coisa não seria de esperar…
Vou escolher algumas, colocá-las num PPS, e, logo que possível, partilhá-as-ei convosco.
Até lá… irei agradecer a cada uma das pessoas que gentilmente me visitaram na minha ausência, para as quais deixo aqui e agora o meu “Muito obrigada”!