domingo, 5 de abril de 2009

TOQUE DE SILÊNCIO

Perde-se na memória dos tempos quem terá sido o autor da música “Toque do Silêncio”, da qual se diz:

O toque triste, que é a última nota do mundo, a ferir os umbrais da eternidade…” e

O toque de silêncio, com corneteiro ou clarim postado junto ao túmulo, será também executado ao baixar o ataúde à sepultura

Talvez porque esta música é tocada inúmeras vezes nos Estados Unidos (por exemplo, sempre que se realizam funerais militares), é vulgar pensar-se que ela é de origem americana, acabando por tornar-se conhecida no mundo inteiro.
Há, contudo, quem defenda que tenha sido composta por um soldado mexicano, obedecendo a ordens do General António Lopes de Santa Anna.

António de Pádua Maria Severino Lopez de Santa Anna y Perez de Lebron, foi um general mexicano que se autoproclamou ditador do México, ficando famoso por ter vencido a Batalha de El Álamo, em 1836.

Consta que, depois da Batalha da qual saiu vencedor, e ainda antes de prestar honras à bandeira mexicana, o General de Santa Ana ordenou ao seu “corneteiro” que compusesse uma melodia que prestasse homenagem aos soldados mortos em combate.

Conta a lenda (*) que, devido à bravura demonstrada pelos combatentes, o General Santa Anna ordenou ao seu corneteiro que compusesse uma melodia que prestasse homenagem aos soldados mortos em combate.
Ordenou que se guardasse silêncio enquanto a música era tocada, ameaçando com a pena de morte quem desrespeitasse esta ordem; e ordenou ainda que a bandeira mexicana fosse desfraldada durante a cerimónia.

Actualmente essa música é conhecida, em português, como “Toque de Silêncio”.

Desconhece-se o nome do soldado mexicano que compôs tão emotivo toque militar.
A única coisa que se sabe dele é o seguinte:

Quando o General Santa Anna regressou do exílio, em 1874, com 80 anos de idade, durante a madrugada do seu aniversário escutou-se um clarim à porta da sua casa, que interpretava uma série de toques militares mexicanos, que lhe provocaram uma grande emoção.
Era o, também já velho, corneteiro, que acompanhou o General em todas as batalhas em que este participou.
Vinha fazer-lhe uma serenata por ser um dia tão significativo para o velho, quase cego, meio surdo e mutilado general.
Depois de conversar um bom bocado e recordar as aventuras por ambos vividas em tantas acções de guerra, o corneteiro pediu a Santa Anna ajuda económica, pois encontrava-se na mais completa miséria.
Mas como Santa Anna já não tinha fortuna para ajudá-lo, convidou-o para ficar a viver em sua casa.
A fazer fé em depoimentos de investigadores estrangeiros, pode afirmar-se que o General participou em mais batalhas do que Napoleão e George Washington juntos.
É justamente considerado um dos militares de toda a história, a nível mundial, que participou em acções bélicas durante mais tempo, desde os 16 aos 61 anos de idade.

(*) – Chamo-lhe lenda porque não encontrei confirmação oficial.


Convido-vos agora a apreciarem o maravilhoso “Toque de Silêncio”, numa magnífica interpretação de Melissa Venema,



acompanhada pela orquestra de André Rieu.

NÃO ESQUEÇA DE DESLIGAR A MÚSICA DE FUNDO ANTES DE LIGAR O VÍDEO.

Il Silenzio - Melissa Venema and Andre Rieu


21 comentários:

Ana Martins disse...

Linda querida amiga!!!!!

Beijinhos e bom fim de semana,
Ana Martins

Zé do Cão disse...

O toque de silêncio.

Mariazita, já o oiço, acho até que o tocar, ronda a minha casa.
beijocas

Desnuda disse...

Nossa amiga...Amei conhecer esta história! E o video também!


Lindo fim de semana, amiga. Beijo

tulipa disse...

Comemoro o 1º aniversário do meu blog "DeAbrilemdiante", no entanto, não faço qualquer festa como é habitual em mim, devido ao momento de luto que atravesso pelo falecimento da minha sobrinha Tânia.
...Foste tu que me meteste o bichinho dos blogues, foste tu que me incentivaste a escrever, elogiaste sempre a minha escrita e, através de ti tive um blog que durou 3 anos, há 1 ano criei este com a tua ajuda, passo a passo e depois ainda voltei a criar um outro mais virado para as minhas fotos e viagens pelo Mundo.
Neste dia a homenagem é feita a ti, minha "pikena".

Votos de boa semana.
Beijos.

Pena disse...

Um texto admirável narrado com beleza.
"...Quando o General Santa Anna regressou do exílio, em 1874, com 80 anos de idade, durante a madrugada do seu aniversário escutou-se um clarim à porta da sua casa, que interpretava uma série de toques militares mexicanos, que lhe provocaram uma grande emoção.
Era o, também já velho, corneteiro, que acompanhou o General em todas as batalhas em que este participou.
Vinha fazer-lhe uma serenata por ser um dia tão significativo para o velho, quase cego, meio surdo e mutilado general..."

Interessante.
Tive um Tio, irmão da minha mãe, que morreu aos 29 anos e era já, nessa idade, Major da Força Aérea que foi sepultado com esta melodia que tão bem explica.
Brilhante! Adorei!
Beijinhos de respeito pelo seu talento.

pena

Francisco Sobreira disse...

Querida Maria,
Se não me engano, em "A Um Passo da Eternidade", o personagem de Montgomery Clift executa os acordes iniciais dessa música, homenageando o amigo morto, interpetado por Sinatra. Você nos dá mais uma lição admirável de pesquisa histórica. E ainda como apetitosa sobremesa, nos oferece essa bela e comovente interpretação dessa música tão triste. Um beijo carinhoso e uma ótima semana.

Giselle disse...

Oi minha linda ...
Má, passa lá no meu bloguinho que tem presentinhos para vc.
Um beijo enorme e lindo domingo para ti

Maria João disse...

Querida amiga...

Mais uma vez, aprendi algo importante contigo... algo que desconhecia por completo, a história, a origem do toque do silêncio!
Esta é uma das musicas, há outras assim, que em simultâneo com os primeiros acordes, me transportam de imediato para um profundo recolhimento e silêncio... ela é por si só um memorial que nos obriga a curvarmo-nos respeitosamente em honra de quem partiu!

Adorei
Um beijinho muito grande

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Coisas curiosas, gosto de coisas curiosas, e bem contada, como a Mariazita sempre faz.
Estarei ausente por 2 dias, retorno, depois serão 3 dias ausente, 4 presente, mas nãos ei se terei condições de andar pela Blogsofera. Meu irmão publicará os posts que deixei prontos e meu amor vai moderar os comentários.
Além disso, meu irmão irá em todos os meus Blogs Favoritos, em que o seu está incluído, copiará a postagem, me lerá e eu lhe ditarei o comentário que ele transcreverá.
Beijos, querida amiga,
Renata

Rafeiro Perfumado disse...

Uma lenda mexicana, sem dúvida, mas que não me custa a acreditar. Por outro lado, vai contra aquela alegria que os mexicanos colocam na homenagem aos seus mortos.

Beijo.

Meg disse...

Mariazita,

Já fui "obrigada" a ouvir tantas vezes este toque que ainda hoje, passados tantos anos, não o consigo ouvir... é como um desfilar de memórias que quero esquecer... uma espécie de stress pós traumático. Porque ainda me faz chorar e não quero.
Mas gostei de ler o teu texto, como sempre muito bem elaborado.

Uma boa semana

Um beijo

com senso disse...

Amiga Mariazita

Lenda ou não, é uma história belíssima com uma ilustração musical comovente.
Obrigado por no-la ter trazido.
Um beijinho com amizade

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Mariazita:
Daqui a pouco eu me vou. A intervenção será amanhã, depois volto para casa. A seguir, tenho de fazer superalimentação para poder continuar. Deixei postagens prontas que o meu irmão publicará, quando tiver tempo.
Um beijo e obrigada,
Renata

Canduxa disse...

Queridinha,

Esta música é lindíssima, dá para ouvir no silêncio e pensar na eternidade.
Gostei de conhecer a história, como sempre aprendo imenso contigo!
Ah, tens no mundo colorido um prémio à tua espera. Resolvi nesta Páscoa premiar os meus amigo com muito amor e luz. Espero que gostes.
Beijinhos
canduxa

Daniel Costa disse...

Mariazita

Gostei de ouver a melodia e canto de Zé Afonso. Fiquei, mas inteiro da lenda. Da bravura do lendário General Santa Anna, e da batalha de los Álamos, em que mais vez deu provas da sua horoicidade,julgo saber algo.
Como gosto de história de guerra, aprecei.
Beijinhos,
Daniel

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Mariazita:
Muito obrigada pelo apoio. Mas não parei. Resenhei a Última Tentação de Cristo e apresento as obras de David Hockney no Galeria. Espero que me visite. Acabo de voltar de uma pequena intervenção cirúrgica. Foi o meu irmão quem postou para mim.
Um beijo,
Renata

Pena disse...

Simpática e Estimada Amiga:
Como já comentei este brilhante Post.
Uma doce e feliz Páscoa junto da sua família.
OBRIGADO pela sua amizade e pela visita que adorei.
Beijinhos de imenso respeito.
Sempre a admirar, o que carinhosamente e genialmente "constrói"...

pena

Bem-Haja, Amiga!

São disse...

Quando eu era adolescente houve uma canção muito conhecida porque incorporava este toque. E talvez porque tínhamos muitos jovens a combater em áfrica.
Uma doce Páscoa para ti e quem desejares, linda.

Darwin disse...

Obrigado por partilhar connosco esta linda música, tão bem tocada ao trompete por Melissa Venema.

O toque do silêncio não me traz boas recordações, mas também não posso ignorar e esquecer esses tempos.
Lembro-me de uma parada militar onde era prestada uma homenagem, para um último adeus a dois camaradas da minha companhia em Angola, que foram vítimas de fogo cruzado, caídos numa guerra que não era sua.
O Clarim preparava-se para o toque, o Oficial dia manda-o tocar , saiam as primeiras notas do mais nostálgico toque. A vida parecia parar. Nas casas à volta do quartel, as janelas iluminavam-se e deixavam ver silhuetas de pessoas que ouviam o silêncio.
O soldado que tocava, chorava...um silêncio comovido percorria toda a parada.
Terminada a homenagem os soldados regressaram às camaratas, pouco a pouco as janelas uma após outras fecham-se, as luzes, que pareciam velas no altar de Cristo, foram-se apagando.
O silencio completo recaia sobre o quartel, interrompido apenas pelos soluços de alguns soldados que recordavam os seus camaradas, a terra que os viu nascer e as suas famílias.
Era mais um dia, mais uma folha de calendário arrancada, não havia o que nos ajudasse a passar o tempo, para que chegasse o dia em que pudéssemos abraçar e beijar tudo aquilo que deixamos no nosso recanto tão querido.
O que se pode recordar durante o toque do silêncio, esse toque nostálgico que faz chorar homens tão duros (mas afáveis) pelas agruras de uma guerra que não era nossa.

MENSAGENS AO VENTO disse...

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...que bela história!

É sempre bom, quando venho até a "sua casa"...


Beijos no coração e o meu carinho!

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Mariazita disse...

Meu caro Darwin
Muito obrigada por partilhar connosco recordações que são sempre dolorosas, passe sobre elas o tempo que passar.

Quem viveu esses tempos (de ultramar) assistiu a episódios muito tristes, trágicos, mesmo.

Passei por lá, acompanhei muitos funerais ao cemitério, senti na pele a agonia de ver partir jovens, (tão jovens!), que, noutras circunstâncias, teriam uma vida inteira pela frente.
Foram tempos terríveis, que deixaram muitas marcas.

Desejo uma Páscoa muito feliz, a si e todos os seus.

Volte sempre.

Beijinhos
Mariazita