quinta-feira, 13 de março de 2008

O POÇO E A PEDRA

QUINTA-FEIRA, 13 DE MARÇO DE 2008

Como vou ausentar-me por uns dias, deixo-vos este texto para reflexão








O POÇO E A PEDRA

(Masaharu Taniguchi in "A verdade da Vida)

Um monge peregrino caminhava por uma estrada quando, do meio da relva alta, surgiu um homem jovem, de grande estatura e com olhos muito tristes.
Assustado com aquela aparição inesperada, o monge parou e perguntou se podia fazer algo por ele.

O homem baixou os olhos e murmurou, envergonhado:



"Sou um criminoso, um ladrão. Perdi o afecto de meus pais e dos meus amigos. Como quem se afunda na lama, tenho praticado crime após crime. Tenho medo do futuro, e não sossego por nenhum instante. Vejo que o senhor é um monge, livre-me então deste sofrimento, desta angústia!", pediu, ajoelhando-se.

O monge, que ouviu tudo em silêncio, fitou os oslhos daquele homem, e alguns instantes depois disse:

"Estou com muita sede. Há alguma fonte por aqui?"

Com expressão de surpresa pela repentina pergunta, o homem respondeu:

"Sim, há um poço logo ali. Tenho aqui uma corda que posso amarrar à sua cintura e descê-lo. O senhor poderá beber até se saciar. Quando estiver satisfeito avisa-me, que eu o puxarei para cima."

O monge, sorrindo, aceitou a ideia, e logo em seguida encontrava-se dentro do poço. Pouco depois disse: "Pode puxar".

O homem deu um puxão na corda com grande força, mas nada de o monge subir. Era estranho, pois parecia que a corda estava agora mais pesada do que no início. Depois de inúteis tentativas para fazer com que o monge subisse, o homem esticou o pescoço pela borda do poço e observou a obscuridade do seu interior, para ver o que se passava lá no fundo. Foi grande a sua surpresa ao ver o monge firmemente agarrado a uma grande pedra que havia na lateral.

Por um momento ficou mudo de espanto, para de seguida gritar, zangado:

"Hei!, o que é isso? O que faz o senhor aí? Pare já com essa brincadeira! Está escurecendo, logo será noite. Vamos! Largue essa rocha para que eu possa içá-lo."

De lá de dentro o monge pediu calma ao homem, explicando:

"Você é grande e forte, mas mesmo com toda essa força não consegue puxar-me, se eu ficar assim agarrado a esta pedra.

É exactamente isso que lhe está acontecendo. Você considera-se um criminoso, um ladrão, uma pessoa que não merece o amor e o afecto de ninguém. Encontra-se firmemente agrrado a essas ideias. Desse jeito, mesmo que eu ou qualquer outra pessoa faça grande esforço para reerguê-lo, não vai adiantar nada.

Tudo depende de você. Somente VOCÊ pode resolver se vai continuar agarrado ou se vai soltar-se. Se quer realmente mudar é necessário que se desprenda dessas ideias negativas que o vêm mantendo no fundo do poço.

Desprenda-se e liberte-se!"


Masaharu Taniguchi nasceu no Japão, em Kobe, em 1895, e faleceu em Nagasaki, aos 92 anos de idade.
Foi um líder religioso japonês, que fez os seus estudos em Literatura Inglesa, na Universidade de Tóquio.
Realizou várias viagens à Europa e Américas, do Canadá ao Brasil.
Depois de muitos anos de recolhimento e reflexão, declarou ter recebido uma revelação divina, que o obrigava a dar a conhecer ao mundo os seua pensamentos.
Compilou-os no livro " A verdade da Vida", onde consta este texto.
A sua doutrina defende que "todos têm possibilidade de atingir a sua realização espiritual" e que "a vida pode ser harmoniosa e alegre em todos os aspectos"


Publicada por a casa da mariquinhas em 15:01
Etiquetas: FOLHAS SOLTAS

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