ANITA – EPISÓDIO XXXVIII
(Ficção baseada em factos reais)
…
Começando a sentir-se desesperada, Anita pediu à filha que a levasse ao hospital, pois não conseguia aguentar mais uma dor tão forte, e não tinha forças para guiar o carro.
Eduarda prontamente a conduziu ao hospital mais próximo.
Quando, finalmente, foi atendida e observada, o médico declarou não lhe encontrar nada de anormal que justificasse tal dor. Foi-lhe injectado um forte analgésico, e, depois de prescrito o mesmo fármaco, em comprimidos, mandaram-na para casa.
A dor tinha cedido ao medicamento, e Anita conseguiu passar algumas horas descansada. Mas, ainda antes de se levantar, já a dor de cabeça estava novamente a manifestar-se.
Quando pôs os pés no chão teve uma forte tontura e uma dor tão violenta que a obrigou a gritar.
Eduarda acorreu, alvoroçada e assustada com o grito da mãe.
Encontrou-a sentada no chão, apertando fortemente a cabeça entre as mãos. Reagiu de imediato:
_ Vamos tratar de te vestir rapidamente, para eu te levar ao médico. Mas nem penses que te levo ao hospital. Vais direitinha para a clínica onde o paizinho se tratou, que tem excelentes médicos.
- Mas, minha filha, é uma clínica muito cara. Não podemos aguentar a despesa…
- Não é hora de pensar nessa coisas. Vamos, rápido.
E conduziu a mãe à clínica onde seu pai estivera internado e onde acabara por falecer, rodeado de todos os cuidados.
Logo à chegada Anita foi atendida.
Depois de lhe administrarem um analgésico por via endovenosa para aliviar a lancinante dor de cabeça, e observadas as últimas análises que ela havia feito, e a filha se lembrara de levar consigo, o médico ficou a saber que Anita sofria de colesterol em excesso e hiper-tensão, para o que estava devidamente medicada.
Enquanto decorria o exame preliminar, Anita começou a sentir vómitos e teve um ligeiro desmaio.
O médico prescreveu uma angiografia cerebral e uma TAC (tomografia axial computorizada) do encéfalo.
À medida que as horas iam passando, Anita começou a sentir que a dor de cabeça, que entretanto voltara a aparecer, se centrava na nuca, ao mesmo tempo que sentia também dor nas costas e nas pernas.
Perante estes sintomas o médico mandou fazer uma angiografia por ressonância magnética.
Depois de colhidos os resultados de todos os exames, o médico decidiu fazer uma punção lombar.
Ao ver o líquido avermelhado pelo sangue, não teve mais dúvidas: Anita tinha um aneurisma cerebral de proporções não muito pequenas.
Foi-lhe ministrado um forte sedativo. Encaminharam-na para um quarto de duas camas, que se encontrava já ocupado por outra senhora, e onde chegou meio adormecida.
Antes de ir para casa, visto que, nessa noite, não poderia ficar junto da mãe – não havia quartos individuais disponíveis - Eduarda foi chamada pelo médico, que a pôs a par da situação.
Eduarda apercebera-se que o estado de saúde da mãe era grave, mas não imaginava quanto.
A revelação de que Anita corria sério risco de vida, fez desmoronarem-se todas as forças que ao longo do dia conseguira reunir para não a abandonar um só momento.
Sacudida por soluços, deixou as lágrimas correrem livremente.
O médico levantou-se, pousou-lhe uma mão no ombro, e esperou, pacientemente, que ela se acalmasse. E só depois falou:
- Eduarda, minha filha, tu foste muito corajosa durante a doença do teu pai. Agora vais precisar de muito mais força interior, não só porque se trata da tua mãe, que tu adoras, mas também porque vais ter que tomar uma decisão muito difícil.
Eduarda levantou o rosto para o médico, com um ar surpreendido.
- Decisão? O que é que eu vou ter que decidir?
- Com certeza já te apercebeste – respondeu o médico – que a tua mãe se encontra num estado muito crítico. A única hipótese de ela se salvar é através de uma cirurgia que, - tenho que te dizer a verdade – é muito complicada, e comporta muitos riscos.
- Que tipo de riscos?
- Como certamente sabes, o aneurisma é originado pela dilatação de uma artéria, que forma uma espécie de bolha, em que as paredes ficam muito frágeis, e podem rebentar. Não há qualquer tratamento, a não ser a cirurgia, que consiste em fazer uma abertura no crânio e colocar grampos metálicos no aneurisma, para o bloquear.
(Ficção baseada em factos reais)
…
Começando a sentir-se desesperada, Anita pediu à filha que a levasse ao hospital, pois não conseguia aguentar mais uma dor tão forte, e não tinha forças para guiar o carro.
Eduarda prontamente a conduziu ao hospital mais próximo.
FIM DO EPISÓDIO XXXVII
EPISÓDIO XXXVIIIQuando, finalmente, foi atendida e observada, o médico declarou não lhe encontrar nada de anormal que justificasse tal dor. Foi-lhe injectado um forte analgésico, e, depois de prescrito o mesmo fármaco, em comprimidos, mandaram-na para casa.
A dor tinha cedido ao medicamento, e Anita conseguiu passar algumas horas descansada. Mas, ainda antes de se levantar, já a dor de cabeça estava novamente a manifestar-se.
Quando pôs os pés no chão teve uma forte tontura e uma dor tão violenta que a obrigou a gritar.
Eduarda acorreu, alvoroçada e assustada com o grito da mãe.
Encontrou-a sentada no chão, apertando fortemente a cabeça entre as mãos. Reagiu de imediato:
_ Vamos tratar de te vestir rapidamente, para eu te levar ao médico. Mas nem penses que te levo ao hospital. Vais direitinha para a clínica onde o paizinho se tratou, que tem excelentes médicos.
- Mas, minha filha, é uma clínica muito cara. Não podemos aguentar a despesa…
- Não é hora de pensar nessa coisas. Vamos, rápido.
E conduziu a mãe à clínica onde seu pai estivera internado e onde acabara por falecer, rodeado de todos os cuidados.
Logo à chegada Anita foi atendida.
Depois de lhe administrarem um analgésico por via endovenosa para aliviar a lancinante dor de cabeça, e observadas as últimas análises que ela havia feito, e a filha se lembrara de levar consigo, o médico ficou a saber que Anita sofria de colesterol em excesso e hiper-tensão, para o que estava devidamente medicada.
Enquanto decorria o exame preliminar, Anita começou a sentir vómitos e teve um ligeiro desmaio.
O médico prescreveu uma angiografia cerebral e uma TAC (tomografia axial computorizada) do encéfalo.
À medida que as horas iam passando, Anita começou a sentir que a dor de cabeça, que entretanto voltara a aparecer, se centrava na nuca, ao mesmo tempo que sentia também dor nas costas e nas pernas.
Perante estes sintomas o médico mandou fazer uma angiografia por ressonância magnética.
Depois de colhidos os resultados de todos os exames, o médico decidiu fazer uma punção lombar.
Ao ver o líquido avermelhado pelo sangue, não teve mais dúvidas: Anita tinha um aneurisma cerebral de proporções não muito pequenas.
Foi-lhe ministrado um forte sedativo. Encaminharam-na para um quarto de duas camas, que se encontrava já ocupado por outra senhora, e onde chegou meio adormecida.
Antes de ir para casa, visto que, nessa noite, não poderia ficar junto da mãe – não havia quartos individuais disponíveis - Eduarda foi chamada pelo médico, que a pôs a par da situação.
Eduarda apercebera-se que o estado de saúde da mãe era grave, mas não imaginava quanto.
A revelação de que Anita corria sério risco de vida, fez desmoronarem-se todas as forças que ao longo do dia conseguira reunir para não a abandonar um só momento.
Sacudida por soluços, deixou as lágrimas correrem livremente.
O médico levantou-se, pousou-lhe uma mão no ombro, e esperou, pacientemente, que ela se acalmasse. E só depois falou:- Eduarda, minha filha, tu foste muito corajosa durante a doença do teu pai. Agora vais precisar de muito mais força interior, não só porque se trata da tua mãe, que tu adoras, mas também porque vais ter que tomar uma decisão muito difícil.
Eduarda levantou o rosto para o médico, com um ar surpreendido.
- Decisão? O que é que eu vou ter que decidir?
- Com certeza já te apercebeste – respondeu o médico – que a tua mãe se encontra num estado muito crítico. A única hipótese de ela se salvar é através de uma cirurgia que, - tenho que te dizer a verdade – é muito complicada, e comporta muitos riscos.
- Que tipo de riscos?
- Como certamente sabes, o aneurisma é originado pela dilatação de uma artéria, que forma uma espécie de bolha, em que as paredes ficam muito frágeis, e podem rebentar. Não há qualquer tratamento, a não ser a cirurgia, que consiste em fazer uma abertura no crânio e colocar grampos metálicos no aneurisma, para o bloquear.
FIM DO EPISÓDIO XXXVIII

























