quarta-feira, 6 de junho de 2018

"IN MEMORIAM"

Esta postagem constitui uma espécie de “memorial” em homenagem a quem partiu, faz hoje, DIA 6 DE JUNHO, seis anos, mas permanece vivo na minha memória e no meu coração – o meu Marido.


ENCONTRO MEDIÚNICO

Despidos de roupas e preconceitos, frente a frente, olhamo-nos em silêncio.
Vejo nos teus olhos, envolto numa enorme ternura, um desejo sem fim.
Lentamente dirijo-me para ti.
Colocando-me a teu lado, pressiono o meu corpo, seios e ventre, contra o teu lado esquerdo.
Não te moves. Apenas um ligeiro arrepio denuncia que notaste a minha presença, o meu contacto.
Avanço a mão esquerda em direcção ao teu peito. Suavemente acaricio-te, primeiro do lado esquerdo e de seguida do lado direito, lenta e demoradamente, como quem tem todo o tempo do mundo.
Ao mesmo tempo a minha mão direita, colocada na parte de trás do teu pescoço, faz uma ligeira pressão desde a base dos teus cabelos, deslizando pelas costas, ao longo da coluna.
Com as pontas dos dedos contorno, suavemente, cada uma das tuas vértebras.
Sem pressas, as minhas mãos vão descendo, divagando, ao longo do teu corpo.
Alcançado o baixo-ventre dirigem-se, lentamente, para a parte interna da tua coxa esquerda, desviando-se da tua fonte da vida, que tocam, muito ao de leve, com a sua parte exterior. Um frémito percorre todo o teu corpo.
Docemente coloco-me à tua frente, elevando as minhas mãos até aos teus quadris. Uno o meu corpo ao teu e deslizo para o lado direito.
Os meus movimentos são lentos, suaves, quase diáfanos, como se nos encontrássemos em "slow motion".

Não me deixas prosseguir.
Levantas o braço, passa-lo por cima do meu ombro, bem junto ao meu pescoço, e comprimes o meu corpo contra o teu flanco.
Inclinas-te para o meu lado e, profundamente conhecedor, beijas-me o pescoço.
Sinto o desejo irromper dentro de ti como um vulcão subitamente desperto do seu sono.
A lava incandescente do teu corpo invade-me; no meu ventre surgem labaredas, qual sarça-ardente.
Murmuro-te ao ouvido palavras meigas e sensuais:
- Não resistas, meu amor; deixa-te invadir por estas ondas de fogo que ateiam o nosso desejo.
Procurando, como só eu sei, os teus pontos mais sensíveis, levanto a minha mão direita e acaricio a tua orelha, continuando a murmurar palavras inflamadas, que te provocam arrepios:
- Quero fundir o meu corpo no teu, em comunhão total.
- Quero ser tua, para toda a eternidade…
Correspondes com ansiedade redobrada:
- Quero receber o teu corpo como num altar do Amor.
- Quero que os nossos corpos se unam para sempre.
Prosseguimos com frases que só os amantes conhecem e entendem.

Passou-se um minuto, um ano, um século… O tempo não conta. Pararam todos os relógios do Universo.
Agora sabemos que a dança da sedução está prestes a terminar. Lentamente, caminhamos para um final sem retorno.

Abraçamos o céu com as mãos. Somos únicos à face da Terra.
No clímax que nos atinge, inesperadamente violento, miríades de fogos-fátuos enfeitam os nossos corpos.


Exaustos, olhamo-nos ainda: tu, lá tão longe… eu aqui, tão longe! Separa-nos a distância de um profundo céu negro, polvilhado de estrelas brilhantes.
Ao meu lado, a cama vazia. No ar, o perfume da tua presença.

A morte não é um impedimento intransponível para a comunicação entre aqueles que se amam verdadeiramente.
Texto de Mariazita

sexta-feira, 1 de junho de 2018

NA NOITE ESCURA

NA NOITE ESCURA




NA NOITE ESCURA

Noite escura, hora misteriosa,
No tempo impreciso,
Entre este mundo e o dos espíritos,
Desvanece-se o véu,
E chega, por fim,
O visitante tão esperado.

Entra sem ruído,
E assim permanece,
Calado, em adoração.
E no meio do silêncio ensurdecedor
Ouço a sua voz murmurar baixinho:
Amo-te!

Fito-o, em silêncio,
Como se o visse pela primeira vez.
De súbito,
Numa atracção descontrolada,
Abraçamo-nos,
Como se fosse a última vez.
Sem uma só palavra,
Olhamo-nos, em êxtase,
Temendo que não haja uma próxima vez.

Depois da sua partida
O ar continua
Imbuído da sua presença.
Por companhia tenho apenas o luar.
Acordo, deixo de ouvir o silêncio,
E a sua voz esvai-se na distância,
Lembrando o choro repentino da saudade,
Que em meu peito fez lugar.

Mariazita
Maio, 2018

PRÓXIMA POSTAGEM DE HOMENAGEM - DIA 6/6

terça-feira, 1 de maio de 2018

RETIRO DE SILÊNCIO

“O SILÊNCIO É UM AMIGO QUE NUNCA TRAI” – Confúcio



Há dias encontrei a minha amiga Márcia, que já não via há duas semanas, e com quem me detive a conversar.
Ao princípio achei-a diferente. Não sabia dizer em quê, mas depois de quase duas horas de conversa, percebi – a Marta estava muito mais calma, aparentava, e transmitia, uma paz interior e uma serenidade que eu não lhe conhecia.
- Tenho uma coisa para te contar – disse ela depois dos efusivos abraços e beijos, próprios de quem é bastante expansivo, como a minha amiga.
- Estou ansiosa por ouvir – respondi. Pensei que, com o que tinha para me confidenciar, eu iria entender a razão das mudanças que lhe notara.
- Acabei de passar por uma experiência maravilhosa – começou Marta. Estive no que se pode chamar um Retiro Espiritual de Silêncio.
Eu apenas esbocei um sorriso céptico. A minha amiga, de vez em quando, tinha destas coisas… apetecia-lhe afastar-se de tudo e de todos, na convicção de que o recolhimento lhe faria bem ao espírito e lhe restituiria a calma necessária para enfrentar o dia-a-dia.
- Conta! Quero saber tudo – respondi, com muitas reticências interiores.
- Conto, sim, até porque sinto que me fez muito bem e penso que te faria bem a ti, também…
Já tinha ouvido falar nos benefícios da meditação, e eu própria já tinha tido uma breve experiência, de apenas um fim-de-semana e numas condições mais ou menos precárias, nada de muito sério.
Desta vez foi diferente, e para melhor, muito melhor…
O “programa” decorre, durante o Inverno, de sexta a sexta, das 13H às 13H. No Verão é diferente… Mas deixemos de parte esses pormenores.
À chegada fomos recebidos amavelmente pela equipa de serviço. Perguntaram onde queríamos ficar instalados. Como a resolução de irmos para lá foi tomada em cima da hora, fomos um pouco à aventura, sem reserva, acreditando que, pelo facto de estarmos no Inverno, a afluência não ia ser muito grande. O nosso “feeling” estava certo. De facto o grupo dessa semana era pequeno, apenas umas 15 pessoas, mais ou menos.
Depois de dizermos que queríamos um quarto, e informarmos que nunca tínhamos estado lá anteriormente, acompanharam-nos numa pequena visita guiada para conhecermos as instalações. Ficámos a saber que também há bangalows, que, neste tempo, são pouco requisitados e, quem quiser, pode levar tendas de campismo. Seguiu-se uma pequena reunião de esclarecimento onde nos disseram que iríamos passar ali uma semana em completo isolamento do mundo exterior, sendo-nos sugerido, gentilmente, tirar o relógio, desligar o telemóvel, evitar o contacto com o exterior e respeitar o silêncio o mais possível. Até à hora do jantar, que é servido às 19 horas, pudemos passear pelos jardins e mata. O silêncio que ali se vive é quase palpável e transmite uma paz indescritível.
Mas não será silêncio a mais? – atrevi-me a perguntar.
- Nem pensar! Os dias que se seguiram, ainda que obedecendo a uma certa rotina, foram todos diferentes. Não é preciso ter experiência prévia de meditação, nem obedecer a qualquer critério de fé. Seja qual for a religião ou credo todos são tratados de igual modo. Aliás, nunca ninguém nos perguntou se éramos ou não crentes ou praticantes fosse do que fosse.
Como tivemos a sorte de apanhar um dia de sol brilhante e temperatura amena, pudemos passar pela experiência de praticar exercícios que se assemelham bastante ao ioga, que são realizados no exterior, de pés descalços sobre um aconchegante relvado. Alguns destes exercícios são executados em posição fixa, imóvel; outros em movimentos muito lentos, quase etéreos, ao som de música muito suave, relaxante.
Com esta e todas as outras práticas pretende-se pôr de lado as nossas rotinas, o “mesmismo” do quotidiano, que tantas vezes se torna fastidioso. A intenção final é encontrar a fonte de paz e alegria profunda que reside no nosso íntimo, lá bem no fundo do nosso ser. Como criaturas da Natureza, devemos cultivar uma comunhão absoluta com ela, o que se consegue através da meditação nos espaços verdejantes, em silêncio absoluto, “ouvindo” apenas o respirar do “verde” que nos rodeia.

Eu estava verdadeiramente impressionada com a calma e placidez que a minha amiga Marta ostentava, pelo menos aparentemente. Sabendo eu como ela é uma pessoa nervosa, ainda que se esforce por ocultar essa sua peculiaridade… sentia-me tentada a acreditar em milagres… Agora não tinha a menor dúvida de que o tal Retiro lhe fizera muito bem. Só me falta saber se os efeitos vão ser duradouros…

Parecendo adivinhar os meus pensamentos, Marta interrompeu-os, continuando:
- Sinto-me tão bem que tu nem podes imaginar! É como se tivesse encontrado um novo equilíbrio; sinto-me em sintonia com o que me rodeia, mais próxima dos outros e da Natureza… É como se estivesse a descobrir aspectos da vida que me eram desconhecidos, como se estivesse a vê-los pela primeira vez.
Sei que não consegui um estado de alma tão elevado como algumas das pessoas que lá estavam. Creio que, em parte, isso se deve à minha maneira de ser – nada fácil, como sabes – mas também porque foi a primeira vez, era tudo, praticamente, novo para mim… Sei também que me é muito difícil uma concentração absoluta, sou bastante dispersa, o meu pensamento não pára sossegado, anda sempre a divagar… (nesta altura esboçou um leve sorriso cúmplice) e só com grande esforço consigo concentrar-me numa só coisa. E essa concentração é um ponto essencial para a meditação.
- Pois, eu conheço-te há tempo suficiente para saber que tu andas sempre a mil… Por isso, se me dissesses que tencionavas ir para o tal Retiro… eu poria muitas reticências sobre os benefícios que irias colher. Mas agora tenho que admitir que estás diferente… ou, pelo menos, assim parece… - mais uma vez a interrompi, com o que Marta não se incomodou minimamente.
- Eu sei. E não és só tu, qualquer outra pessoa diria o mesmo; excepto uma, que me conhece melhor do que eu própria, me aconselhou a fazê-lo.
As duas sessões diárias de meditação, uma de manhã e outra à tarde, eram sempre precedidas de uma breve alocução que funcionava como que um ensinamento. A própria voz do “acompanhante” era baixa, suave como um calmante. Aprendíamos, primeiro, como relaxar o corpo e aquietar a mente. Quando a voz ia baixando de tom até se tornar num murmúrio, e apenas ouvíamos o silêncio… o nosso espírito já tinha subido para outro nível. Nos noventa minutos que se seguiam sentíamo-nos conectados com a magia da vida.
A meditação era seguida de um passeio pela mata, sempre que o tempo o permitia – o que aconteceu a maior parte dos dias, apesar de a temperatura não ser muito amena. Como tínhamos ido prevenidos com agasalhos, não houve problemas de frio.
Antecipadamente tínhamos sabido que era aconselhável levar roupa e sapatos práticos (fatos de treino e ténis); toalha e chinelos de banho; casaco e chapéu (ou boné) e um bloco de notas.
Estranhámos a indicação do bloco de notas que, afinal, veio a revelar-se muito útil. Nas pequenas reuniões que havia a seguir ao pequeno-almoço (servido às 9 horas) podíamos tomar os apontamentos que quiséssemos. Nós fizemos imensas anotações – em qualquer altura ou momento de dúvida, podemos sempres consultá-las e trocar impressões.
Levantávamo-nos às 7 horas, tratávamos da nossa higiene e quase sempre dávamos um pequeno passeio ou simplesmente olhávamos a paisagem ao longe, até à hora do pequeno-almoço.
As manhãs eram ocupadas com a meditação e o passeio pela mata, este também em silêncio (aliás, o silêncio predominava todo o tempo).
Às 13 horas era servido o almoço. A alimentação era ovo-lacto vegetariana, muito bem confeccionada, com produtos biológicos criados na quinta a que pertence o “Retiro”. Mas quem quisesse podia optar por comida vegetariana pura.
Como sabes não tenho problemas, e até gosto, da comida vegetariana, por isso a alimentação agradou-me.
As tardes eram passadas na meditação, de que já te falei, em passeios, observação da Natureza, e palestras de orientação, onde era permitido fazer perguntas e esclarecer dúvidas.
Às 19 horas serviam o jantar, que era sempre acompanhado de música ambiente relaxante, num tom bastante baixo.
Este prolongava-se sempre para além das 20 horas porque tudo se passava dentro duma grande calma e placidez, como se se tratasse de uma preparação para noites repousantes (pensámos que era mesmo essa a intenção).
Das 20,30 até às 22 podíamos assistir a uma espécie de danças em que se misturavam posições de ioga com passos orientais, ao som de música de flauta tocada ao vivo.
Quem não quisesse assistir podia entreter-se a ler ou escrever, ou como melhor entendesse. O recolher era às 22 horas.
- Com uma explicação tão pormenorizada e exaustiva, até me fizeste ter vontade de seguir o teu exemplo e fazer essa experiência – disse eu, num tom um pouco sonhador.
- E tu pensas que eu estive para aqui a falar, contando-te todos estes pormenores só para me ouvir a mim mesma? Não, minha querida, o meu relato não foi inocente… A minha intenção era exactamente essa – convencer-te a experimentar o que, a mim, me fez tão feliz.
Danadinha, a minha amiga Márcia!

domingo, 1 de abril de 2018

COLECÇÕES E COLECCIONADORES

COLECÇÕES
 Coleccionar, seja o que for, é próprio do ser humano. Para algumas pessoas constitui mesmo uma necessidade, justificada psicologicamente como algo mais do que um simples passatempo de adolescentes.
Coleccionador é o indivíduo que faz colecção dos mais variados objectos, como selos ou moedas, por exemplo. Mas são também coleccionadores os museus e as bibliotecas:
- Os museus coleccionam os mais diversos objectos – o Museu do Louvre guarda objectos desde a era napoleónica até aos dias de hoje, de entre os quais se destaca a famosa Mona Lisa, pintada por Leonardo da Vinci.
- As bibliotecas são coleccionadoras de livros. Uma das mais famosas foi a Biblioteca de Alexandria, no antigo Egipto, na qual se encontraria, segundo a lenda, a famosa fórmula da imortalidade.
O historiador Philipp Blom defende que os coleccionadores não são “maníacos que juntam qualquer coisa por compulsão”. Ele entende que há razões históricas, filosóficas e psicológicas que podem levar o indivíduo a tornar-se coleccionador. Motivos como “sentimento de grupo”, “competição”, “medos”, “desejos não realizados” ou “vontade de se isolar do mundo” poderão estar na base do coleccionismo.

“Não pense que todo o coleccionador é um sujeito mal-amado, reprimido, solitário. Coleccionar quando criança tem as suas vantagens. O hábito nos ensina a organizar e controlar as coisas, decidir a vida e a morte de cada objecto. Eis uma boa forma de aprender a tomar decisões e a lidar com o mundo exterior” – diz Blom

Desconhece-se ao certo o período em que o ser humano começou a coleccionar objectos. Mas aceita-se como válida a hipótese de o homem pré-histórico já exercer essa prática. É bem provável que o homem pré-histórico já tivesse, num cantinho da caverna, uma colecção de crânios como talismãs…
Hoje existem provas de que já havia coleccionismo na Roma antiga assim como no Egipto – é famosa a colecção de cerâmicas finas do faraó Tutancamon.
O coleccionismo era restrito a reis e aristocratas, e só no século XVI deixou de o ser. Nessa altura começou-se a coleccionar tudo, desde cromos a pacotinhos de açúcar, passando por jóias a embalagens de cigarros.

Há, e houve, em todo o mundo, coleccionadores famosos, sobre os quais não vou debruçar-me. Mas não posso deixar de referir a famosa estilista milanesa Biki, de seu nome verdadeiro Elvira Leonardi Bouyeure, neta do compositor Puccini, que vestiu princesas, milionárias e estrelas, como a actriz Sophia Loren e a soprano Maria Callas, fazendo furor nos desfiles de Alta Moda, em Milão.
Biki montou uma sala refrigerada na sua casa para conservar chocolates comprados nos mais diversos lugares do mundo.
Tudo o que até aqui foi dito se refere a coleccionadores e colecções de um nível bastante elevado.
Sem a visibilidade de qualquer coleccionador famoso… quero aqui referir uma colecção que, embora não tão famosa, não deixa de ser muito interessante e constituir já um acervo bastante razoável. Trata-se da colecção de dedais da nossa amiga, a blogueira Amélia - 

DEDAIS DA AMÉLIA, 

a quem, se me permitem, dedico esta postagem. Sei que para além de dedais ela colecciona outras coisas, mas não serei eu a desvendar o segredo…
No seu blog podemos apreciar dedais lindíssimos, de todos os lugares do mundo, nos mais variados materiais, cores, feitios… enfim, uma colecção de fazer inveja – no bem sentido, é claro!
Eu sempre tive a mania de “guardar coisas”, mas não posso considerar-me uma coleccionadora. Tenho vários objectos antigos em louça, cristal ou prata, mas nada que constitua “uma colecção”. E como gosto muito de bonecas… quando vou viajar trago uma dos países que visito – e muitas outras que me ofereceram.


 O mesmo se passa com miniaturas de garrafas de bebidas e de perfumes.


E com mochos? Como gosto muito deles… “colecciono-nos”. De vários tamanhos e materiais rondam umas centenas.


Para terminar vou citar Silvia De Renzi, historiadora da ciência da Universidade de Cambridge, na Inglaterra que diz:
“As colecções foram fundamentais para a organização da natureza como fazemos hoje.”
Um coleccionador, mesmo quando obtém uma raridade, não sente seu desejo atenuado. Na verdade, nada é mais triste que pensar em completar uma colecção. Quando as mãos seguram a nova aquisição, os olhos já vislumbram a próxima peça.” (O sublinhado é meu)

Termino esta postagem com os votos de uma PÁSCOA MUITO FELIZ.





quinta-feira, 1 de março de 2018

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 No mês de Março, dia 8,  há uma data muito importante a assinalar – o DIA   INTERNACIONAL DA MULHER.
Para o celebrar, saudando a Mulher em todo o mundo, partilho convosco um poema que já publiquei.
Pelo facto de ter sofrido um pequeno acidente doméstico nos dedos polegar e indicador da mão direita (que se encontram inoperacionais, obrigando-me a teclar só com dois dedos J ) não me é muito fácil escrever um texto, como habitualmente.
Conto com a vossa compreensão, esperando que gostem do poema, desta vez “dito” por mim. Quem preferir… pode apenas ler, abaixo.
Obrigada!



Ó avô
- Será verdade o que da Mulher se diz?
- Que queres saber, meu petiz?
- Dizem que em era passada
A Mulher foi maltratada, desprezada,
Humilhada,
E até violentada…
- É verdade, sim, meu neto.
- Mas porquê? Isso não parece certo…
- És ainda muito novo, para entenderes o povo.
- Podes-me contar, avô, como tudo começou?
- Escuta com atenção. Vou tentar contar-te, então.
Defendem alguns, com grande convicção,
Que nos primórdios do mundo
A Mulher iniciou a Criação.
Nasceu um culto à Deusa Mãe, venerando Gaia,
A Mãe Terra.
Como da Mulher nasciam filhos,
 dela nascia vida, calor, água e pão.
- Isso é tão bonito, avô! Mas porque é que se alterou?
- Há várias opiniões. Dizem que houve invasões,
de homens indo-europeus, só ódio nos corações.
Altos, fortes, audazes, com armas
e dominando cavalos,
destroçaram pacíficas civilizações.
Impuseram seus deuses guerreiros, ferozes:
Deus da tempestade, com o raio e o trovão…
O deus solar, Deus Sol, com a adaga e a espada…
Transportando-se num carro, numa ou noutra ocasião.
A Deusa foi dominada, pelos deuses suplantada,
E a Mulher escravizada.
- Mas isso aconteceu há muito tempo, avô…
- Sim, há muitos milhares de anos.
Mas a história ainda não acabou.
- Ainda há mais, avô? Conta, conta, por favor…
- Ouve, então, com atenção, esta outra versão:
Reza história muito antiga
Que Eva, a Mulher primeira,
Veio ao mundo para gerar
no seu ventre,
e à luz dar, acarinhar, amar…
E após tanta canseira
por seu filho a vida dar.
- Mas tudo isso, avô, é bem digno de louvor.
Porquê, então, o rancor
Que o homem mostra sentir,
e o levou a infligir
tanta dor?
- Para isso, querido neto, o avô não tem resposta.
Uns dizem que foi castigo, só porque Eva pecou
 e o Adão arrastou.
Outros dizem que é sina, que à Mulher foi imposta.
Mas com o passar do tempo tudo se modificou.
- Hoje tudo está diferente, não é verdade, avô?
A Mulher tem liberdade, pode dispor de si mesma,
Sem ao homem consultar e sem dele depender…
- Nem tudo foi corrigido, ainda há muito a fazer.
Há mulheres escravizadas,
maltratadas, torturadas,
e isso tem que acabar.
Para o mundo melhorar, e a injustiça terminar,
O Homem tem que entender:
Com toda a tecnologia e avanço da ciência,
fertilizando ou clonando,
com a maior sapiência,
é da Mulher que o Homem
continuará a nascer.
 Deus, que é Deus, para humano se tornar
 e o mundo tentar salvar,
o corpo da Mulher teve que usar.

Mariazita

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

DÉCIMO ANIVERSÁRIO

HOJE COMPLETO 10 ANOS


Lembrando-me que este blogue HOJE completaria 10 anos, comecei a meditar em qual será o motivo que nos leva a festejar os Aniversários.
E encontrei “coisas” muito interessantes.

Aniversário é a repetição do dia e do mês em que se deu determinado acontecimento. Num sentido mais geral, refere-se à comemoração de periodicidade anual de qualquer evento importante, como o nascimento de alguém… “

Isto não traz nada de novo. Todos nós sabemos o que é um Aniversário. Falta saber a razão da sua comemoração, se em todo o mundo se comemoram Aniversários, se todos os povos os comemoram da mesma forma, onde e quando começou este ritual…

Nalguns povos antigos, onde a mortalidade infantil era muito elevada, cantavam-se “Parabéns” para festejar o facto de a criança ter conseguido sobreviver mais um ano.
Contudo o Cristianismo rejeitava a celebração de aniversários, considerando-o um culto pagão, até meados do século IV. Referiam que os únicos relatos existentes de festejos de aniversário eram de Faraó e Herodes - que os festejaram com grandes banquetes - e nenhum deles era cristão. Também os judeus consideravam essas celebrações como profanas, fazendo parte da adoração idólatra.

Os gregos e os romanos acreditavam que um espírito protector assistia ao nascimento e acompanhava o nascituro ao longo da sua vida.
(Será que vem daí a ideia do Anjo da Guarda que nos acompanha desde o nascimento até à morte?)
Com os gregos e romanos começou o hábito de se acenderem velas colocadas nos bolos. Esse requinte – as velas acesas em bolos de mel – destinava-se a proteger o aniversariante de demónios, ao mesmo tempo que garantia a sua segurança durante o ano seguinte.
Eles acreditavam que as velas tinham qualidades mágicas. Oravam e faziam pedidos que as chamas das velas levavam até aos deuses. Estes, por sua vez, enviavam as suas bênçãos, como resposta às orações.

Na Europa, os aniversários natalícios começaram a festejar-se há muitos anos. As pessoas acreditavam em espíritos bons e maus, que apelidavam de “fadas boas” e “fadas más”.
Com receio de que esses espíritos causassem mal ao aniversariante, amigos e familiares reuniam-se à sua volta. Com a sua presença e os seus votos de felicidades protegiam o aniversariante contra os perigos que o aniversário natalício apresentava.
Para que essa protecção fosse ainda maior criou-se o hábito de dar presentes, o que se reforçava com uma refeição em conjunto.

Podemos concluir que, quer fossem crentes ou pagãos, gregos ou romanos… a finalidade de festejar o aniversário era sempre proteger o aniversariante de todos os males possíveis.
Com o decorrer dos tempos tudo se foi modificando e actualmente festeja-se o aniversário especialmente para reunir familiares e amigos numa festa especial.
Homenageia-se o aniversariante, oferecem-se presentes em sinal de Amizade, e tudo termina numa alegre jantarada 

Como se tornaria um pouco complicado oferecer-vos “uma jantarada” por dificuldades de logística – não seria fácil reunir à mesma mesa, aqui, portugueses, brasileiros, espanhóis, americanos, até japoneses… - limito-me a erguer a minha taça à vossa saúde!
E que nos encontremos todos daqui por um ano.

Tchim, tchim!



Cantemos os Parabéns!

DA MINHA QUERIDA AMIGA EVANIR ACABEI DE RECEBER ESTE LINDO SELINHO QUE, DO CORAÇÃO, LHE AGRADEÇO.
OBRIGADA!


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

O SEGREDO



O SEGREDO

CAPÍTULO 10 – 1ª. Parte

O abraço que envolveu os dois irmãos continha muitas saudades acumuladas ao longo do tempo em que tinham estado sem se verem, e um grande, enorme, amor fraternal.
Em crianças brigavam muito um com o outro, entrando até, por vezes, na agressão física, ainda que sem gravidade. Tinham maneiras de ser muito diferentes.
Mas, à medida que foram crescendo e talvez por tomarem consciência de que estavam a ser criados e educados apenas pela Mãe, o que para ela representava um grande sacrifício e responsabilidade, adoçaram a sua convivência e, sem mesmo se aperceberem, foram-se tornando grandes amigos que, depois de jovens adultos, eram inseparáveis.
Por isso aquele abraço, após uma tão longa ausência, foi comovido para ambos, e comovedor para a mãe, que os observava em silêncio.
Depois de tudo o que se passou em seguida, aos poucos foi-se restabelecendo a serenidade. Nanda, recomposta do choque, propôs irem lanchar, pois “o que servem nos aviões não presta para nada”.
Saborearam o bolo da mãe, e depois tendo passaram a tarde conversando e matando as saudades.
Luís falou, com orgulho mal disfarçado, do seu pequeno rebento, ao mesmo tempo que justificava a ausência de Catarina:
– O bebé é ainda muito pequenino, está ligeiramente constipado, e por isso a mãe ficou em casa cuidando dele.
O quarto que o pai lhes disponibilizou não é muito confortável – na verdade tratava-se de uma pequena arrecadação onde, à última hora, o pai colocara um divã de casal para eles dormirem. O espaço até é razoável, mas é um pouco húmido e, com o frio que tem feito nas últimas noites, o bebé ressentiu-se.
Mas enquanto o pai não lhes consegue a tal casita que prometeu arranjar-lhes, sujeitam-se àquela situação. Por um lado porque têm esperança de que não seja muito prolongada, e por outro porque o dinheiro é pouco e não chegaria para irem para um hotel, por muito modesto que fosse, ou até mesmo para uma pensão.
Com o ordenado que o pai lhe paga, que não é nenhum exagero mas, ainda assim, melhor do que nada - como ultimamente lhe acontecia no Alentejo - pensavam poder pagar o aluguer da tal casita, e fazer face às despesas mais essenciais. Mais tarde logo veriam se a Catarina poderia ir trabalhar, contribuindo assim para as despesas.
Agora que tinham um filho para criar a responsabilidade era maior e precisavam, mais do que nunca, de estar unidos e em harmonia.
*
No dia anterior André telefonou à mãe confirmando que iria, com a sua mulher Fiara, passar dois meses de férias em Portugal. Levariam com eles uma amiga, de quem muito gostavam, que trabalhava também em investigação, mas num ramo diferente do deles.
Perguntou à mãe se não se importaria de a acolher em sua casa, dado que era uma pessoa bastante tímida e falava mal o português. Além disso, como se deslocava em serviço, o tempo que passaria em casa seria, praticamente, para dormir.
Ainda que a ideia não lhe agradasse totalmente, Nanda não conseguiu recusar o pedido do filho. Como eles chegariam cerca das três horas da tarde, depois de ter vindo do trabalho, fez um bolo para o lanche do dia seguinte.
Para não faltar muitos dias ao serviço pediu dispensa apenas da parte da tarde.
Ainda falou ao filho na hipótese de os ir esperar ao aeroporto, mas André opôs-se terminantemente. Não se justificava, pois podiam perfeitamente ir de táxi. Ele sabia que Nanda não gostava muito de conduzir, especialmente por locais que não conhecia bem. O carro estava a maior parte do tempo dentro da garagem.

Passava um pouco das três e meia quando os viajantes chegaram. Nanda correu para a porta para os abraçar demoradamente. Não se viam há três anos, e as saudades eram muitas.
Seguiu-se o abraço dos irmãos, que Nanda observava, enlevada.
Depois de acalmadas as emoções e todas as manifestações de carinho, André disse:
- Mãe, esta é a amiga de quem te falei. Chama-se Eliane.
Nanda desviou, finalmente, os olhos dos seus filhos, voltando-se para Eliane.
Num relance, “viu” Ludovico sob a forma de uma linda jovem.
Retrocedendo no tempo, recordou o grande amor que os unira. Fora por amor que dele se separara, há tantos atrás, e o deixara na ignorância do seu estado.
A emoção foi demasiado forte. Sentindo-se cambalear, foi apoiada por Luis que a transportou em braços, desmaiada, para o sofá.

Mais um excerto do meu projecto literário com o título (provisório) “O Segredo”.
Maria Caiano Azevedo

PS – No próximo dia 14 haverá uma postagem especial – especial porque este ano publicarei apenas no início de cada mês – para comemoração do 10º.aniversário desta “CASA”



segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

FELIZ ANO NOVO

LENDA DE ANO NOVO


Quem me acompanha há muito tempo e/ou conheceu o meu blog “HISTÓRIAS DE ENCANTAR” sabe da minha predilecção por lendas.
Lá publiquei bastantes, e aqui, na CASA DA MARIQUINHAS, também partilhei algumas convosco.
Pensando em como haveria de iniciar este ano de 2018, surgiu-me a ideia de o fazer, exactamente, com uma lenda.
E, como seria de esperar, será uma lenda sobre o Ano Novo.
De algumas ouvi falar, outras li… e de todas de que tenho conhecimento, que não são muitas… (há poucas lendas sobre o Ano Novo) escolhi esta para vos mostrar.

Numa aldeia distante morava um casal de velhinhos: A Benvinda e o Baltazar.
Embora fossem muito velhinhos e as forças já não fossem muitas, como eram muito pobres tinham que se ocupar com os seus afazeres. 
Benvinda ocupava-se da lida da casa. Baltazar era chapeleiro, fabricava chapéus.
Na véspera da passagem de ano não tinham nada para celebrar a entrada do Novo Ano, nem dinheiro para comprar algo com que pudessem festejar a data.
Baltazar lembrou-se que talvez com os seus chapéus conseguisse algum dinheiro. Com esse propósito deslocou-se à cidade, pensando que no regresso poderia já trazer algumas guloseimas para ele e Benvinda se deliciarem ao soar das doze badaladas.
Pegou em cinco chapéus que já tinha feitos e tomou o caminho da cidade, que ficava bastante longe.
Depois de, com bastante dificuldade, atravessar vários campos, chegou, por fim, à cidade.
Baltazar sentia-se muito cansado mas, com a sua fé inabalável, pôs-se imediatamente a apregoar os chapéus:
- Olha o chapéu! Bem fabricado, fino e barato!
A cidade fervilhava de gente que corria apressada de um lado para outro, fazendo os preparativos para o Ano Novo.
Todos voltavam para casa carregados de embrulhos com carne, peixe, doces… garrafas de bebidas. Mas ninguém se interessava pelos chapéus.
Baltazar pensou:
- Não foi uma grande ideia, a que eu tive. Neste dia quem é que vai pensar em comprar chapéu?
Mas não desistiu. Todo o dia palmilhou a cidade, apregoando a sua mercadoria. Pensava em Benvinda, que em casa o aguardava, e só isso lhe dava forças para continuar, apesar do enorme cansaço.
Mas não conseguiu vender um único chapéu.
A noite aproximava-se rapidamente e Baltazar, convencido de que não valia a pena insistir mais, guardou os chapéus e iniciou o caminho de regresso.
Quando saía da cidade começou a nevar. O frio entrava-lhe através da roupa, mas ele continuou a caminhar pelo campo coberto de neve.
De repente avistou seis duendes, todos encostados uns aos outros, tremendo. Já havia neve nas suas cabeças, que lhes respingava para os rostos.
Condoído, Baltazar não hesitou um momento. Passou a mão na cabeça dos duendes para retirar a neve, e em seguida cobriu-os com os chapéus que não havia vendido.
Mas só tinha cinco chapéus, e os duendes eram seis…
Tirou o chapéu que usava na sua cabeça e com ele tapou a cabeça do sexto duende.
- É um chapéu velho e sujo… mas não tenho outro… - comentou Baltazar.
Não obteve qualquer resposta pois os duendes não falam com pessoas.
O velhinho  retomou o seu caminho.
Ao chegar a casa a sua cabeça estava de tal modo branca com a neve que caíra, que Benvinda se assustou ao vê-lo:
- Mas o que aconteceu, Baltazar? Pregaste-me um susto! – disse, com voz trémula.
- A verdade é que não consegui vender nenhum chapéu. Quando regressava encontrei seis duendes e imaginei que estivessem com frio. Por isso cobri-os com os chapéus. Mas como faltava um… tapei-o com o meu.
Benvinda ficou emocionada com a atitude do marido, e apenas comentou:
- Foi um gesto muito nobre!
Comeram uns restos que ainda havia na despensa e foram-se deitar. A roupa da cama era pouca para noite tão fria. Encostaram-se o melhor possível, tentando transmitir um ao outro o calor dos seus velhos corpos cansados.
Pouco depois ouviram vozes lá fora:
- “Entrega de Ano Novo! Onde é a casa do vendedor de chapéus? Abra a porta, vendedor!”
Levantaram-se ambos e abriram a porta, assustados.
Na frente da casa havia muita comida, vinho, adornos de Ano Novo, cobertores quentinhos… e, em lugar de destaque, dois pequenos embrulhos com doze passas de uva cada um.
Pensaram que estavam sonhando.
Olharam em volta e não viram ninguém. Fixando o olhar em frente, divisaram seis duendes afastando-se da casa.
Pareceu-lhes ouvir ao longe:
- FELIZ ANO NOVO!
À meia-noite, ao soar das doze badaladas, Benvinda e Baltazar comeram cada um as suas doze passas de uva, formulando mentalmente o desejo de que continuassem sempre juntos até ao fim dos seus dias.
E assim se iniciou o ritual que se mantém até aos dias de hoje.
A TODOS UM MUITO FELIZ ANO 2018