quarta-feira, 22 de abril de 2009
PRÉMIO AMIZADE E INFORMAÇÃO
REGRAS A SEGUIR PARA QUEM RECEBE O SELO
1 - Exibir a imagem
2 - Postar o link do blog que o premiou
3 - Publicar regras
4 - Indicar 10 blogs para receber o selo
5 - Avisar os blogues nomeados.
Passo então a citar a minha lista de premiados:
ZÉLIA
RENATA
MEG
SÃO
ZÉ
ZÉ CARLOS
VÍCTOR
CALADO
LUNA
CARLOS
domingo, 19 de abril de 2009
Faxina na Alma
Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou. Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na vida e o mais importante, acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado.
Chorou muito? Foi limpeza da alma.
Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia.
Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechou a porta até para os anjos.
Acreditou que tudo estava perdido? Era o início de sua melhora.
Pois é... agora é hora de reiniciar, de pensar na luz, de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Um corte de cabelo arrojado, diferente?Um novo curso, ou aquele velho desejo de aprender:
pintar, desenhar, dominar o computador, ou qualquer outra coisa.
Olha quanto desafio, quanta coisa nova, nesse mundão de meu Deus te esperando.
Está se sentindo sozinho? Besteira...
Tem tanta gente que você afastou com o seu "período de isolamento".
Tem tanta gente esperando, apenas um sorriso teu, para "chegar" perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza, nem nós mesmos nos suportamos; ficamos horríveis, o mal humor vai comendo nosso fígado, até a boca fica amarga.Recomeçar...
Hoje é um bom dia para começar novos desafios. Onde você quer chegar? Ir alto, sonhe alto. Queira o melhor do melhor. Queira coisas boas para a vida.
Pensando assim trazemos para nós, aquilo que desejamos...
Se pensamos pequeno, coisas pequenas teremos.Já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor, o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental. Joga fora tudo que te prende ao assado, ao mundinho de coisas tristes: fotos, peças de roupa, papel de bala, ingressos de cinema, bilhetes de viagens, e toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados... Jogue tudo fora.
Mas principalmente, esvazie seu coração, fique pronto para a vida, para um novo amor!
Lembre-se somos apaixonáveis, somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes. Afinal de contas, nós somos o "Amor"...
Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.quinta-feira, 16 de abril de 2009
ANITA
(Ficção baseada em factos reais)
…
- Porquê nos afastamos precipitadamente, como se o contacto mútuo pudesse queimar-nos?
- Porquê? Porquê? Porquê?
Como uma luz que, de repente, se acende na escuridão, Anita lembrou-se de Arnaldo.
- Não, não pode ser! Eu não estou a apaixonar-me pelo padre João!
Pôs rapidamente no chão a criança que tinha no colo, e levantando-se precipitadamente, gritou: NÃO!
Todas as cabeças se voltaram para ela.
Balbuciou um rápido “desculpem, preciso ir já a casa, não me demoro”, - e saiu quase a correr para a rua.
Por cerca de meia hora caminhou sem destino, tentando acalmar aquela verdade que lhe martelava o cérebro: estou apaixonada!
Não queria acreditar, mas a sensação que tinha era exactamente igual à dos tempos em que amara Arnaldo.
Sentiu-se horrorizada.
Encaminhou-se para a Igreja, que não distava muito da creche, ajoelhou-se e, com os olhos fechados e as mãos apertadas convulsivamente, apenas conseguiu murmurar:
- Meu Deus, por favor! Faz com que isto não seja verdade. Isto não pode acontecer. Ajuda-me, Senhor!
Silenciosamente engoliu as lágrimas que teimavam em assomar aos seus olhos. Manteve-se assim uns minutos.
Mais calma dirigiu-se à creche, onde se notava uma ligeira agitação, motivada pela sua saída intempestiva.
À hora da saída não esperou a habitual chegada do padre. Pediu a dona Teresinha que a desculpasse junto dele por não lhe fazer o habitual relatório do dia, mas tinha urgência em sair.
- Amanhã falarei com ele - rematou.
Em casa voltou a sentir-se muito angustiada, e lamentou não ter Humberto junto de si, para poder desabafar e aconselhar-se.
Depois de jantar resolveu escrever-lhe.
Contou-lhe o sucedido nessa manhã; falou da desconfiança acerca dos seus próprios sentimentos, ao mesmo tempo que os repudiava; jurava que não queria apaixonar-se, e muito menos por um padre.
Toda a carta era um grito, um pedido de socorro!
Nos dias que se seguiram, Anita tentou proceder com naturalidade.
Com grande esforço conseguia, todas as tarde, esperar pelo padre, a quem fazia, como sempre, o relatório do dia. Mas agora tinha o cuidado de conservar Tiaguinho junto de si, ao contrário do que acontecia anteriormente. O menino começara por refilar mas, habituado a obedecer às ordens da mãe, rapidamente se aquietara.
Uma semana mais tarde Eulália apareceu na creche. Precisava falar com o padre – na realidade ia apenas entregar-lhe uma contribuição para as suas obras – e lembrara-se de passar por ali para ver a filha e o netinho.
Tiaguinho adorava a avó, que lhe fazia todas as vontades.
Logo que a viu atirou-se-lhe ao pescoço, beijocando-a, e pedindo: vovó, quero ir jantar contigo e com o vô.
Eulália olhou interrogativamente para Anita que, sorrindo, aquiesceu.
À hora habitual apareceu o padre João que se dirigiu a Eulália com o melhor dos sorrisos.
Chamando-o um pouco à parte, entregou-lhe o envelope que o marido mandara.
Dirigindo-se a Tiaguinho, segurou a sua mãozinha e encaminhou-se para a saída. Rapidamente Anita disse:
- Minha mãe, espere um pouco. Vou só apresentar o relatório ao padre João, e saio já convosco.
- Não, minha filha. Tenho que ir já para ultimar o jantar. Com o Tiaguinho lá preciso fazer aquela sobremesa que ele adora…
Anita foi, assim, forçada a aceitar a resposta da mãe.
Todos tinham saído. Anita encontrava-se, pela primeira vez desde há uma semana, a sós com o padre João.
Este sentia-se tão pouco à vontade e contraído quanto Anita que, falando precipitadamente, começou a contar-lhe como tinha decorrido o dia, ao mesmo tempo que lhe mostrava as facturas das contas para pagar, que o carteiro havia trazido naquele dia.
As suas mãos tremiam de tal modo que deixou cair ao chão parte dos papéis. Ambos se baixaram ao mesmo tempo para os apanhar, e, nesse movimento, ficaram muito próximos um do outro, quase a tocarem-se, e as mãos tão próximas que sentiam o calor dumas nas outras.
Mantiveram-se assim por um momento, em suspenso, olhando-se nos olhos, sem saberem que atitude tomar.
terça-feira, 14 de abril de 2009
BEIJOS
domingo, 12 de abril de 2009
PÁSCOA
Agora sei qual a relação de tudo isto. Os ovos são o símbolo do nascimento.
Ali dentro, uma vida por vir ao mundo.
É o eterno milagre da vida que renasce todos os dias.
O coelho é o animal que se reproduz com uma velocidade estonteante.
É uma ode à família, uma declaração de amor que a natureza faz todos dias.
Renascer é nascer, somos nós mesmos que renascemos nos nossos filhos, é a vida que se pereniza na prole.
A fuga dos hebreus é o fim da escravidão de um povo.
A escravidão equivale à morte; escravizar equivale a tirar a vontade e a alma de alguém, equivale a tirar a sua vida.
Libertar-se da escravidão é viver de novo, é renascer, é estar sempre começando tudo de novo.
Por fim, Jesus é a ressurreição.
Quer prova mais clara do que digo?
Este eterno milagre que nos encanta é o milagre da vida que a Páscoa nos relembra.
A Páscoa é a ressurreição das nossas almas.
Este é o dia de renascer, começar tudo de novo.
De nos libertamos do mal que corrompeu nossas almas e nos recobrirmos com o véu da pureza da alma que tivemos um dia.
Abandonar tudo o que é velho e antigo e olhar para a frente com coragem.
Dedicarmo-nos à vida como quem sorve o sumo de um fruto saboroso.
Hoje é dia de renascer.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
9 DE ABRIL – DIA DO SOLDADO DESCONHECIDO
APRESENTANDO DESCULPAS AO AUTOR PELA ANOMALIA A QUE SOU ALHEIA, PUBLICO-O HOJE.
Repasso aos meus amigos, com uma (desculpável) pontinha de orgulho português, esta bela e poética evocação histórica de Humberto Rodrigues Neto sobre factos reais que tiveram lugar nos primórdios do século XIX, quando quarenta mil soldados portugueses e uns poucos milhares de ingleses seus aliados de sempre, se confrontaram vitoriosamente com três sucessivas invasões francesas, cada uma delas muito superior em número de tropas ao exército luso-britânico, seu oponente no terreno.
Em nome de Portugal, os meus agradecimentos ao grande Poeta Humberto Rodrigues Neto.
Uma palavra ainda para felicitar e agradecer a minha esposa Olga Kapatti, pela sua magnifica e inspirada visualização e Arte.
Eugénio de Sá
O soneto que se publica abaixo, da autoria de Humberto Poeta, resulta numa elegia ao soldado português, e refere-se à heroicidade lusa, face às incursões militares de tropas francesas de Napoleão Bonaparte em território português, que tiveram lugar nos anos de 1807-1808, 1809 e 1810-1811, sob o comando directo respectivamente, dos marechais de França; Junot, Soult e Massena. (imagens seguem a ordem)
A propósito da expressão atribuída a Bonaparte que resultou numa censura aos sucessivos fracassos dos seus marechais face aos objectivos por ele definidos para Portugal, informa-nos Humberto Poeta: "Não há menção a este episódio nas enciclopédias. Foi-me relatado por um intelectual português do Minho, que também viveu longos anos em Goa, a lecionar Português e Matemática. Disse-me que o fato era contado de boca em boca por seus avós e demais contemporâneos da célebre resistência, devendo, pois, ser verídicas as explosões de cólera de Napoleão e a célebre frase com que procurou espicaçar os brios da infantaria francesa."
Eugénio de Sá
Humberto Rodrigues Neto
Há flagrantes que fogem ao registo
dos fatos que marcaram a humana História;
um deles ainda guardo na memória,
por isso animo-me a falar-vos disto.
Pra arruinar o comércio da angla terra,
impondo-lhe o Bloqueio Continental,
não cria Napoleão que Portugal
se mantivesse aliado da Inglaterra.
Pra se impor à arrogância dos bretões,
tomar resolve, então, a Portugal;
com cem mil homens e um forte arsenal
declara guerra à pátria de Camões!
A terra lusa havia de ser tomada
em poucos dias, como então pensara,
mas os quarenta mil que ali depara
opõem-lhe resistência encarniçada!
Contrariado em seus planos e iracundo,
dá breve trégua aos seus cem mil soldados
e em rosto lança-lhes, em rudes brados:
“Com cem mil destes conquistava o mundo”!
Notas:
A razão imediata das invasões relacionou-se com a recusa portuguesa em aderir ao Bloqueio Continental decretado por Napoleão em relação à Inglaterra, no ano de 1806. Para agravar a situação, em Agosto do ano seguinte, a França apresentou um ultimato ao governo português: ou este declarava guerra à Inglaterra até dia 1 de Setembro ou as fronteiras nacionais portuguesas seriam cruzadas pelos soldados franceses.
Na medida em que a aliança anglo-lusa não foi quebrada, a ameaça foi cumprida em meados de Novembro.
Nas várias batalhas que tiveram lugar, os franceses foram sempre derrotados pelo exército luso-britânico comandado pelo General Sir Artur Wellesley (doravante conhecido como Lord Wellington), e obrigados a retirar-se do território português.
Em 1810, os franceses perderam a batalha do Buçaco. O exército napoleónico foi depois obrigado a suster o seu avanço ante as linhas de Torres(a), acabando por se retirar definitivamente na Primavera de 1811, uma vez mais derrotado.
(a): As Linhas de Torres Vedras eram um sistema defensivo de fortificações mandado construir em 1809 por Wellesley, comandante do exército anglo-luso, para defender Lisboa das tropas napoleónicas. Localizadas na baixa Estremadura, pretendiam barrar todos os acessos à capital, num eixo que ia do Tejo à costa atlântica.
Concluídas apenas em 1812, subdividiam-se em duas linhas mais avançadas e uma mais recuada, todas pontuadas por fortes estrategicamente situados (como os de São Julião da Barra, Sobral, Torres Vedras, Mafra, Montachique, Bucelas e Vialonga ).
Após a derrota na batalha do Buçaco (1810), a terceira invasão francesa, liderada por Massena, não conseguiu transpor as fortificações das linhas de Torres, confirmando-se assim a utilidade das obras levadas a cabo pela engenharia aliada.

quinta-feira, 9 de abril de 2009
ANITA
(Ficção baseada em factos reais)
…
Sem que nenhum deles se apercebesse estava surgindo uma grande cumplicidade entre ambos, e, a cada dia que passava, tornavam-se mais agradáveis os momentos que passavam juntos, os quais, inconscientemente, tentavam prolongar o mais possível.
EPISÓDIO XVIII
Anita continuava a manter a mesma correspondência de sempre com Humberto, a quem relatava tudo o que ia acontecendo.
O enteado respondia-lhe com a regularidade habitual, manifestando o seu contentamento por ver como Anita se sentia feliz e quase realizada.
Notava, contudo, nas entrelinhas, que havia momentos em que o espinho chamado Arnaldo ainda a magoava.
De facto, ultimamente, nas suas cartas, Anita aludia muitas vezes, embora de forma velada, ao que fora o grande amor da sua vida.
Isto devia-se ao facto de, nos últimos tempos, especialmente depois das conversas com o pároco, ela se lembrar de Arnaldo com mais frequência.
Quando chegou o final do ano escolar Humberto regressou à sua ilha, e, como de todas as vezes, ele e Anita uniram-se num forte abraço, cheio de ternura.
Como na época de verão havia menos crianças na creche porque as mães gozavam as suas licenças e ficavam com os filhos em casa, Anita e as duas companheiras dividiam os dias de forma a poderem, também elas, terem os seus dias de férias.
Não recebendo qualquer remuneração pelo seu trabalho, Anita não queria, contudo, gozar de qualquer privilégio, e assim, o seu período de férias era igual ao das suas duas companheiras.
Como acontecera no ano anterior, quando Humberto viera passar as suas férias escolares à ilha, também agora davam belos passeios, sempre na companhia de Tiaguinho.
Anita sentia-se verdadeiramente feliz, como não o era desde há muitos anos.
Humberto achou-a diferente, mais madura, mais segura de si, ao mesmo tempo que sentia que Anita, por vezes, se alheava enquanto conversavam. Ao fazer-lho notar, apercebeu-se de um ligeiro rubor na sua face, e um certo constrangimento ao responder:
- Não sei porque dizes isso…Eu ouço-te com a mesma atenção de sempre.
O que notas é talvez um certo cansaço. Bem sabes que eu não estava habituada a trabalhar ao ritmo a que trabalho agora. E ao fim do ano escolar todos os professores, e também os alunos, se sentem cansados. Não se passa o mesmo contigo?
Humberto, olhando-a muito sério, retorquiu:
- Anita, sabes que a minha amizade por ti não me deixa mentir-te. O que noto em ti não tem nada a ver com cansaço. Tu estás diferente;
sinto-te distante, como se alguma coisa se nos tivesse entreposto, causando-te um certo afastamento…
Por favor, confia em mim, como sempre fizeste. Diz-me o que se está passando.
- Mas o que queres que te diga? A sério, não se passa nada de especial. Sinto-me muito bem, realizada, agora que estou ajudando a construir um futuro melhor para aquelas crianças e as suas mães…
Acredita que não tenho nada, apenas me sinto um pouco cansada.
Eu não me tinha apercebido, mas estava mesmo a precisar de férias.
Humberto não insistiu, mas todo o tempo que esteve na ilha não serviu para dissipar a preocupação que manifestara à madrasta.
E regressou a Inglaterra convicto de que Anita estava a esconder-lhe algo.
Quando Anita retornou ao trabalho sentiu que, à medida que se aproximava da creche, o seu coração batia a um ritmo cada vez mais acelerado, e pensou consigo mesma:
- Mas que disparate. Pareço uma menina de 15 anos, que vai encontrar-se com o namoradinho. Tem juízo, Anita! És uma mulher com vinte e seis anos, casada, com um filho… porquê todo esse alvoroço? Vais apenas retomar o teu trabalho, nada mais.
Mas de nada valeu a auto admoestação. Com Tiaguinho pela mão, sentia-se a tremer interiormente, com as pernas a fraquejar. Resolveu sentar-se uns momentos no banco do jardim que havia perto da creche.
Foi Tiaguinho que a obrigou a levantar-se, puxando-a pela mão, excitado com a ideia de ir encontrar-se com os seus coleguinhas.
Ao aproximar-se viu que o padre João já a aguardava, junto à porta.
Sem pensar, encaminharam-se ambos para um abraço, que interromperam, contrafeitos, ao aperceberem-se de que não seria um procedimento muito correcto.
Ficaram ambos sem saber o que dizer, até que Tiaguinho salvou a situação, chamando a mãe para entrarem.
Anita passou todo o dia ansiosa e preocupada com o que acontecera nessa manhã.
Os seus sentimentos estavam num verdadeiro torvelinho; sentia-se incapaz de entender o se passava consigo.
Pensava, angustiada:
- Porquê me perturbou tanto a aproximação do padre João?
- Porquê não demos naturalmente um abraço como dois bons amigos que estiveram uma temporada sem se ver?
- Porquê nos afastamos precipitadamente, como se o contacto mútuo pudesse queimar-nos?
- Porquê? Porquê? Porquê?
quarta-feira, 8 de abril de 2009
PRÉMIO PAPO CALCINHA
Agradeço a preferência. Agora resta-me seguir as regras e passar a outras.
1- Escrever uma frase, citar um título ou contar uma história sobre seis assuntos nos seguintes segmentos: VIDA, CINEMA, LITERATURA, VIAGEM, AMOR E SEXO;
2- Convidar seis colegas de blogs que você realmente considere femininas e inteligentes;
3- Linkar o blog que a convidou;
4- Postar as regras para que outras as repassem;
5- Inserir o selo que se recebeu do Papo Calcinha.
As minhas respostas ao ponto 1:
VIDA – Um presente que nos é oferecido à nascença, que é preciso saber preservar até ao fim da viagem.
CINEMA – Já teve dias melhores… Prefiro teatro.
LITERATURA – Como em muitas outras coisas, gosto do que é bom, independentemente do género. Mas tenho as minhas preferências.
VIAGEM – Gosto muito de conhecer novas terras, suas gentes, seus usos e costumes.
AMOR – O sentimento mais nobre, base de todos os outros bons sentimentos.
SEXO – Feito com amor, aconselhável para uma mente sã num corpo são.
As minhas 6 nomeadas:
- Gi – Blog da Gi
– Mara - Crepúsculo
- Ana Siqueira – Pelos caminhos da vida
- Ana Maria - Quotidi-Ana-Mente
- Rebeca – Rebeca e Jotacê
- Sónia – Um vento na ilha
Uma boa semana e “bom seguimento”…
domingo, 5 de abril de 2009
TOQUE DE SILÊNCIO
“O toque triste, que é a última nota do mundo, a ferir os umbrais da eternidade…” e
Talvez porque esta música é tocada inúmeras vezes nos Estados Unidos (por exemplo, sempre que se realizam funerais militares), é vulgar pensar-se que ela é de origem americana, acabando por tornar-se conhecida no mundo inteiro.
Há, contudo, quem defenda que tenha sido composta por um soldado mexicano, obedecendo a ordens do General António Lopes de Santa Anna.
António de Pádua Maria Severino Lopez de Santa Anna y Perez de Lebron, foi um general mexicano que se autoproclamou ditador do México, ficando famoso por ter vencido a Batalha de El Álamo, em 1836.
Consta que, depois da Batalha da qual saiu vencedor, e ainda antes de prestar honras à bandeira mexicana, o General de Santa Ana ordenou ao seu “corneteiro” que compusesse uma melodia que prestasse homenagem aos soldados mortos em combate.
Conta a lenda (*) que, devido à bravura demonstrada pelos combatentes, o General Santa Anna ordenou ao seu corneteiro que compusesse uma melodia que prestasse homenagem aos soldados mortos em combate.
Ordenou que se guardasse silêncio enquanto a música era tocada, ameaçando com a pena de morte quem desrespeitasse esta ordem; e ordenou ainda que a bandeira mexicana fosse desfraldada durante a cerimónia.
Actualmente essa música é conhecida, em português, como “Toque de Silêncio”.
Desconhece-se o nome do soldado mexicano que compôs tão emotivo toque militar.
A única coisa que se sabe dele é o seguinte:
Quando o General Santa Anna regressou do exílio, em 1874, com 80 anos de idade, durante a madrugada do seu aniversário escutou-se um clarim à porta da sua casa, que interpretava uma série de toques militares mexicanos, que lhe provocaram uma grande emoção.
Era o, também já velho, corneteiro, que acompanhou o General em todas as batalhas em que este participou.
Vinha fazer-lhe uma serenata por ser um dia tão significativo para o velho, quase cego, meio surdo e mutilado general.
Depois de conversar um bom bocado e recordar as aventuras por ambos vividas em tantas acções de guerra, o corneteiro pediu a Santa Anna ajuda económica, pois encontrava-se na mais completa miséria.
Mas como Santa Anna já não tinha fortuna para ajudá-lo, convidou-o para ficar a viver em sua casa.
A fazer fé em depoimentos de investigadores estrangeiros, pode afirmar-se que o General participou em mais batalhas do que Napoleão e George Washington juntos.
É justamente considerado um dos militares de toda a história, a nível mundial, que participou em acções bélicas durante mais tempo, desde os 16 aos 61 anos de idade.
(*) – Chamo-lhe lenda porque não encontrei confirmação oficial.
Convido-vos agora a apreciarem o maravilhoso “Toque de Silêncio”, numa magnífica interpretação de Melissa Venema,
acompanhada pela orquestra de André Rieu.
NÃO ESQUEÇA DE DESLIGAR A MÚSICA DE FUNDO ANTES DE LIGAR O VÍDEO.
Il Silenzio - Melissa Venema and Andre Rieu
quinta-feira, 2 de abril de 2009
ANITA
(Ficção baseada em factos reais)
…
Lá fora respirou fundo. Sentia o coração a transbordar de amor por Anita, e não queria que ela se apercebesse.
Pouco tempo depois regressou, já calmo, para passar o serão com a madrasta.
No dia seguinte Anita comunicou a Vicente o que planeara fazer relativamente à creche da igreja.
Falou num tom aparentemente seguro e convicto, disfarçando o receio que sentia pela reacção que ele poderia ter.
Mas, contra as suas expectativas, Vicente apoiou a ideia, até com certo entusiasmo, acrescentando:
- Acho que é uma óptima ideia. E podes dizer ao padre João que ajudarei em tudo o que for necessário. É urgente a abertura dessa tão prometida creche. A cidade ficará beneficiada, e as mães trabalhadoras poderão dedicar-se mais ao trabalho, sabendo que seus filhos estão bem entregues, e em segurança. O padre que me diga depois o que é que precisa.
E dando um beijo ao de leve na mulher, foi, como sempre, tratar dos seus negócios.
Anita, exultando de alegria, dirigiu-se de imediato à Igreja, para comunicar ao padre tudo o que seu marido dissera, expondo-lhe o seu plano para trabalhar na creche.
O padre, mal podendo acreditar no que ouvia, exultou, de alegria.
Cheios de entusiasmo começaram logo a traçar planos, anotando todos os materiais necessários para que, sem perda de tempo, pudessem começar as obras no edifício que viria a ser a creche, e que ficava em frente da casa paroquial, apenas separada por um estreito caminho.
Ao tomar conhecimento das decisões do pai, Humberto partilhou da alegria de Anita, e enquanto duraram as férias, empregou grande parte do seu tempo ajudando no que era possível.
Isso não os impediu de darem grandes e agradáveis passeios, sempre acompanhados por Tiaguinho, que crescia forte e saudável.
Mais rapidamente do que desejavam as férias chegaram ao fim, e impunha-se o regresso de Humberto a Inglaterra.
Mais uma triste despedida na vida de Anita!
Contudo, desta vez, o adeus foi menos doloroso, dado o entusiasmo com que via progredirem as obras da creche.
Em breve começou a comprar o mobiliário – alguns berços e caminhas, mesas, cadeiras, enfim, tudo o que era necessário para tornar confortável aquele que seria o espaço onde muitas crianças iriam passar a maior parte das horas do dia.
O pároco já conseguira contratar outra senhora para tomar conta das crianças que, juntamente com D. Teresinha e Anita, constituiriam o “corpo docente” da creche.
Finalmente, no início de Outubro, procedeu-se à inauguração.
O padre João, depois da missa na igreja, dirigiu-se para a creche, onde o aguardavam cerca de trinta crianças acompanhadas das mães e alguns, poucos, pais, que se notava serem-no pela primeira vez.
Depois duma breve bênção ao edifício, foram abertas as portas. Na sala encontrava-se uma mesa posta com pequenos bolos e copos de leite e café para oferecer às mães das crianças.
E assim, com uma cerimónia bem simples mas cheia de significado, foi inaugurada a creche paroquial.
A partir desse dia a vida de Anita adquiriu um novo colorido.
Acompanhada de Tiaguinho, todas as manhãs se dirigia para a creche, onde passava o dia tomando conta das crianças, nas quais se incluía o seu filho.
Era um trabalho que a encantava. Normalmente as suas companheiras tomavam à sua conta as crianças mais pequeninas, ficando à sua guarda as maiorzinhas, entre os três e os cinco anos.
Anita começava a orientá-las para as primeiras letras, dando, assim, uso aos ensinamentos que colhera no seu curso de professora.
Com danças de roda, cantiguinhas e lengalengas, os dias corriam serenos e felizes.
Podia dizer-se que Anita vivia para a creche e os seus meninos e meninas, que a adoravam.
Sem falhar um dia, à hora do almoço e ao fim do dia, o padre João passava pela creche.
Anita punha-o ao corrente de tudo o que acontecia com as crianças, transmitindo-lhe alguma chamada de atenção que fosse necessário dirigir aos paroquianos, principalmente quando se verificava alguma quebra nas habituais ajudas.
Talvez por haver um grande entendimento entre ambos, tudo funcionava lindamente.
Muitas vezes, depois de tratados os assuntos da creche, ficavam a conversar sobre os mais variados temas, esquecendo-se das horas que passavam. Aconteceu algumas vezes Tiaguinho “reclamar” que tinha fome, para se aperceberem de que eram horas de cada um seguir para sua casa.
Sem que nenhum deles se apercebesse estava surgindo uma grande cumplicidade entre ambos, e, a cada dia que passava, tornavam-se mais agradáveis os momentos que passavam juntos, os quais, inconscientemente, tentavam prolongar o mais possível.
domingo, 29 de março de 2009
CARTA DE CAMINHA
Ao mesmo tempo, sob o pseudónimo de Paul d’Angelo, trabalhou como comediante.
Viveu algum tempo em Hollywood, onde actuou em diversos clubes, com reconhecidos comediantes como Jay Leno, Ray Romano, Howie Mandel, entre outros.
É considerado “um grande talento” entre actores de comédia, e todos os seus shows são sempre excelentes, provocando fortes gargalhadas entre a assistência.
O jornal “Los Angeles Time” apelidou-o de “o actor mais cómico que já se viu e ouviu”.
É autor da “Carta de Caminha” onde é satirizada “A carta, de Pêro Vaz de Caminha”.
Pêro Vaz de Caminha começa assim:
Senhor,
posto que o Capitão-mor desta Vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia do achamento desta Vossa terra nova, que se agora nesta navegação achou, não deixarei de também dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que -- para o bem contar e falar -- o saiba pior que todos fazer!
Veja, agora, como Paul d’Angelo a (re)escreveu:
Olá meu amado Rei, aqui quem fala é o Pêro Vaz. Está me ouvindo bem? Peguei emprestado o celular de um nativo aqui da nova terra. Tudo bem, o Capitão Pedro está lhe mandando um abraço. Chegamos na terça, 21 de Abril, mas deixei para ligar no Domingo porque a ligação é mais barata. É aqui tem dessas coisas.
E continua:
Os nativos ficaram espantados com a nossa chegada por mar, não achavam que éramos Deuses, Majestade. Acharam que éramos loucos de pisar em um mar tão sujo. A ligação está boa? Pois é, essa terra é engraçada. Tem telefonia celular digital, automóveis importados, acesso gratuito à Internet mas ainda tem gente que morre de malária e está cheia de criança barriguda de tanto verme. É meio complicado explicar.
Se já encontrámos o chefe?
Olha Rei, tá meio complicado. Aqui tem muito cacique para pouco índio. Logo que chegamos a Porto Seguro tinha um cacique lá que dizia que fazia chover, que mandava prender e soltar quem ele quisesse. É, um cacique bravo mesmo... Mais para o Sul encontramos outra tribo, uma aldeia maravilhosa e muito festiva, com lindas nativas quase nuas. Seguindo em direcção ao Sul, saímos do litoral e adentramos-nos ao planalto.
Lá encontramos uma tribo muito grande. A dos índios Sampa. Conhecemos o seu cacique, que tinha apito mas que não apitava nada, coitado. Dizem até que ele apanha da mulher. O senhor está rindo, Majestade? Juro que é verdadeiro o meu relato. Como vossa Majestade pode perceber, é uma terra fácil de se colonizar, pois os nativos não falam a mesma língua.
Sim, são pacíficos sim. É só verem um coco no chão para eles começarem a chutá-lo e esquecerem da vida. Sabem, sabem ler, mas não todos. A maioria lê muito mal e acredita em tudo que é escrito. Vai ser moleza, fica frio. Parece que há um "Cacicão Geral", mas ele quase não é visto. O homem viaja muito. Dizem que se a intenção for evitar encontrá-lo, é só
ficar sentado no trono dele.
Engraçado mesmo é que a "indiaiada" trabalha a troco de banana. É banana!!! Todo mês eles recebem no mínimo 151 bananas. Não é piada, Majestade!! É sério!! Só vindo aqui p’ra ver. Olha, preciso desligar. O rapaz que me emprestou o telefone celular precisa fazer uma ligação. Ele é comerciante. Disse que precisa avisar ao povo que chegou um novo carregamento de farinha. Engraçado... eles ficam tão contentes em trabalhar... A cada mercadoria que chega, eles sobem o morro e soltam rojões.
É uma terra muito rica, Majestade. Acho que desta vez acertamos em cheio. Isso aqui ainda vai ser o país do futuro...
Autor: Paul D'Angelo, publicitário, reescreveu a Carta de Caminha e ganhou o concurso "Crónica do Ouvinte" promovido pela Rádio Bandeirantes.
quinta-feira, 26 de março de 2009
ANITA
(Ficção baseada em factos reais)
...
- Padre, o senhor já esteve noutras paróquias onde havia creches. Deve ter uma ideia de quantas pessoas são precisas para pôr a funcionar esta que vai abrir…
- É verdade, Dona Anita, todas as paróquias por onde passei tinham creches. E posso dizer-lhe que o ideal é que uma senhora não fique com mais de dez crianças a seu cargo.
Sabe que algumas ainda são bebés, é preciso dar o biberão, trocar as fraldas…
- Eu sei, padre João, ainda há pouco tempo passei por isso, com o Tiaguinho.
Mas eu estava aqui a pensar que talvez eu mesma pudesse dar uma ajuda…
Deixe-me pensar melhor no assunto, e talvez amanhã já possa dizer-lhe alguma coisa.
- Isso seria bom demais, Dona Anita. Todas as ajudas que recebermos serão bem vindas.
Despediram-se do padre e, em vez de se dirigir na direcção do colégio, Anita voltou-se para regressar a casa.
Eulália, estranhando, perguntou:
- Então, minha filha, já não queres ir hoje ao colégio?
- Não, minha mãe. Enquanto ouvia o padre João surgiu-me uma ideia que me parece muito boa, mas preciso amadurecê-la…
- Sim? E posso saber que ideia é essa?
- Claro que pode, minha mãe, mas só depois de eu decidir se vou pô-la em prática.
Esboçando um sorriso, fez uma ligeira festa no rosto da mãe, e não acrescentou mais nada.
Eulália, conhecendo Anita, sabia que ela não adiantaria mais nada sobre o assunto.
Propôs-lhe irem até ao parque, onde respirariam ar fresco.
Tiaguinho aproveitou para exercitar as pernitas ainda pouco habituadas a andar.
Nesse mesmo dia, ao jantar, Anita disse a Humberto:
- Tenho uma coisa para te contar…
- É relacionada com a tua ida ao colégio?
- É e não é…Eu não fui ao colégio.
- Não??? E porquê? Desististe da ideia de dar aulas?
- Não, de modo algum! Apenas alterei um pouco as minhas intenções. Ora escuta:
O padre João vai abrir uma creche, mas está lutando com grandes dificuldades. O número de crianças previsto deve rondar as trinta, e ele tem apenas uma pessoa para tomar conta delas.
Pela experiência que ele tem, sabe que precisa de três pessoas.
O problema que se levanta é que a paróquia não tem recursos para pagar a três pessoas; com esforço, poderá pagar a duas. Mas, nessas condições, ficariam muito sobrecarregadas de trabalho, o que se iria reflectir no tratamento e atenção a dar às crianças.
Então eu pensei assim:
Em vez de ir dar aulas para o colégio – o que poderia não acontecer, pelo menos este ano – vou para a creche.
Como sabes, o meu interesse em arranjar emprego não é para ganhar dinheiro, que não preciso, mas sim para estar ocupada.
Trabalhando na creche, sem receber ordenado, ficam todos a ganhar.
Em primeiro lugar as mães, que mais depressa podem lá pôr os seus filhos; depois o padre, que pode concretizar mais rapidamente o seu sonho; e finalmente eu – a principal beneficiada – porque não vou ter que me separar do Tiaguinho.
Embora fosse só uma parte do dia, enquanto estivesse a dar aulas no colégio, sei que me ia custar bastante, até me habituar. E o Tiaguinho também ia sofrer ao ver-se afastado de mim…
Humberto não a interrompeu. Limitou-se a ouvi-la, em silêncio, apreciando, deliciado, o calor com que ela falava à medida que explanava a sua ideia. E sentiu crescer, dentro de si, o amor e admiração que sentia pela madrasta.
Tentando disfarçar a comoção, falou, finalmente, em tom meio brincalhão:
- Tu és única, mãezinha. Não há ninguém igual a ti!
E dando-lhe um pequeno piparote no nariz, voltou-se para a janela, parecendo muito interessado na escuridão que estava lá fora. Disse:
- Vou sair por uns minutos. Prometi ao meu amigo Joaquim levar-lhe uns panfletos que trouxe da Inglaterra.
Mas não me demoro, prometo.
Passou pelo seu quarto a buscar uns papéis e saiu.
Lá fora respirou fundo. Sentia o coração a transbordar de amor por Anita, e não queria que ela se apercebesse.
Pouco tempo depois regressou, já calmo, para passar o serão com a madrasta.
quarta-feira, 25 de março de 2009
PRÉMIO ROXIE
É mesmo a título excepcional; por norma costumo declinar estes "convites". Mas...é preciso experimentar de tudo, pelo menos uma vez na vida...
A Amiga SAM (http://samdesnuda.blogspot.com/) ofereceu a “A Casa da Mariquinhas” o prêmio Roxie, que consiste em escrever 5 coisas que são Roxie e exibir a imagem do selo "Seu blog é ROXIE".1- Sobre música – uma das coisas muito boas da vida
2 - Televisão – vejo muito pouco: noticiários, debates, entrevistas…
3 - Três Países que sonha conhecer – Tailândia, Austrália, Japão
4 - Três cores favoritas – branco, vermelho e azul
5 - Hobbies – coleccionar (especialmente mochos)
Indico os blogs:
AS MINHAS ROMÃS
BLOG DA GI
DANIEL MILAGRE
UM MUNDO COLORIDO
PEQUENOS DETALHES
Obs. A minha escolha dos blogs obedeceu apenas a um critério – aqueles que me pareceram com mais possibilidades de dar continuidade ao “jogo”
Repasso o Premio também oferecido pela amiga SAM a todos os blogs citados e amigos da Casa da Mariquinhas

domingo, 22 de março de 2009
ANITA
(Ficção baseada em factos reais)
…
- Ele acaba por se habituar…e olhe que para mim também não vai ser fácil estar sem ele umas horas. Sei que ao princípio me vai custar, mas tem que ser! – acrescentou Anita, resolutamente.
E continuou:
-O que eu pretendo é ir dar aulas no colégio. A mãe podia vir comigo falar com a directora…que acha? Ou parece-lhe melhor eu ir com o pai?
- Não me importo de ir contigo, e não vejo interesse em que seja o teu pai a acompanhar-te. Afinal, num primeiro contacto, apenas vais informar-te da possibilidade de lá dares aulas, não é? Pode não haver vaga…sei lá!
Anita sentiu-se invadir por um certo desânimo. No meio de todo o seu entusiasmo nem se lembrara da hipótese de não haver vaga no colégio.
Ao ver o seu ar decepcionado, Eulália acrescentou, rapidamente:
- Mas de qualquer modo vamos lá. Não se perde nada por isso. E, se não houver vaga, podes lá deixar a indicação de que pretendes leccionar, e no próximo ano lectivo talvez já consigas…
Deixa-me ir calçar uns sapatos, e vamos lá já. Até porque quero passar primeiro pela Igreja, para entregar umas roupas ao padre. Amanhã é dia de distribuição aos pobres, e ele, coitado, nunca tem que chegue para as necessidades…
Alguns minutos depois estavam a caminho da igreja.
O padre recebeu-as com um sorriso, cumprimentou-as, e logo se voltou para a cadeirinha de Tiago, ao qual fez uma festa no rosto.
- Como este menino é bonito! E como cresceu desde o baptizado!...
- É verdade, padre. Tem-se desenvolvido muito bem, e felizmente é muito saudável…- respondeu Anita.
Eulália, olhando enternecida para o neto, acrescentou:
- Com a graça de Deus, este meu netinho não tem dado preocupações à mãe. Tem tido sempre saúde, sempre comeu muito bem, e tem sempre um sorrisinho nesta carinha bonita…
Mas, padre, falemos doutra coisa. Trouxe aqui estas roupas para os seus pobrezinhos, e deixei separadas, em casa, umas mercearias, que mais logo a empregada vem cá trazer.
Mas diga-me: como vai o projecto da sua creche?
- Vai devagarinho, dona Eulália, vai devagarinho. As dificuldades são muitas…O espaço eu já consegui arranjar, e material também já tenho prometida uma grande parte. Estou a contar com a boa vontade de muitas paroquianas para fornecerem o leite, o pão, umas bolachas…enfim, o que for necessário para alimentar as crianças enquanto cá estiverem.
O senhor António, da mercearia, prometeu dar uma ajuda diária, e o senhor Francisco, da pastelaria, também...logo que a creche comece a funcionar.
- Então, padre, o que lhe falta para abrir essa bendita creche? Olhe que é uma grande melhoria para a cidade, e as mães não vêem a hora de trazerem para cá os seus meninos…
- O que falta, dona Eulália? Falta quem prepare o espaço, porque precisa ser tudo pintado, madeiras arranjadas, alguns vidros estão partidos…
- Ora, padre, isso não vai custar nenhuma fortuna. Vou falar com o meu marido, a Anita fala com o marido dela, e com mais algumas ajudas depressa se junta o dinheiro para fazer esses arranjos.
- Ó dona Eulália, eu nem sei como lhe agradecer.
Sendo assim, depois só fica a faltar arranjar alguém que queira vir tomar conta das crianças. É porque a dona Teresinha, que é a única que pode vir para cá, não consegue, sozinha, tomar conta de tantas crianças.
- Mas são assim tantas, padre?
- As mães que se mostraram interessadas, já passam de vinte, é capaz até de chegar às trinta. Para elas a creche é uma coisa muito boa, podem ir trabalhar descansadas…Há muitas senhoras que não gostam que elas levem as crianças para o trabalho…
Já vê, uma pessoa só, não dá…e o problema para arranjar mais pessoas é que o ordenado não poder ser muito grande…a paróquia tem poucos recursos…
Anita assistia à conversa, em silêncio, com um ar pensativo.
Imaginava uma sala bem arejada, limpa, com muita luz e cores bem alegres, cheia de crianças de tenra idade, algumas ainda bebés, outras gatinhando, outras ainda, cambaleantes, ensaiando os primeiros passos…
Era uma visão enternecedora.
Voltando-se para o padre, disse:
- Padre, o senhor já esteve noutras paróquias onde havia creches. Deve ter uma ideia de quantas pessoas são precisas para pôr a funcionar esta que vai abrir…
quinta-feira, 19 de março de 2009
A ORIGEM DO DIA DO PAI
A sua mãe falecera ao dar à luz o sexto filho, em 1898.
O seu pai teve que criar o recém-nascido, assim como os outros cinco filhos, sozinho.
Já adulta, Sonora sentia um grande orgulho no Pai ao vê-lo superar todas as dificuldades, sem a ajuda de ninguém.
Em 1910 Sonora dirigiu uma petição à Associação Ministerial de Spokane, cidade localizada em Washington, USA. Pediu também auxílio a uma Entidade de Jovens Cristãos da cidade.
O primeiro Dia do Pai americano foi comemorado em 19 de Junho daquele ano (1910), aniversário do pai de Sonora.
Como símbolo foi escolhida a rosa, sendo que as vermelhas eram oferecidas aos Pais vivos e as brancas dedicadas aos Pais já falecidos.
A partir dessa data a comemoração estendeu-se a todo o estado de Washington, e em 1924 o Presidente apoiou a ideia da criação de um Dia do Pai nacional; mas só em 1966 o presidente Lyndon Johnson assinou uma proclamação presidencial declarando o terceiro Domingo de Junho como o Dia do Pai.
No Brasil a ideia de comemorar o Dia do Pai partiu do publicitário Sylvio Bhering, o que ocorreu, pela primeira vez, em 14 de Agosto de 1953, dia de S. Joaquim, patriarca da família. Esta data foi depois alterada para o 2º.Domingo de Agosto, ficando diferente da americana e europeia.
Pelo menos onze países também comemoram o Dia do Pai à sua maneira e tradição.
Em Portugal e na Itália, por exemplo, a festividade acontece no dia de São José, 19 de Março. Apesar da sua ligação católica, em breve essa data ganhou destaque comercial, como, aliás, acontece com todas as datas festivas.
No Reino Unido, o Dia do Pai é comemorado no terceiro domingo de Junho, sem muita festividade. Os ingleses não costumam reunir-se em família, como noutros países. É comum os filhos oferecerem aos pais cartões, e não presentes.
Na Alemanha não existe um Dia do Pai oficial. Os Pais alemães comemoram o seu dia no Dia da Ascensão de Jesus (data variável conforme a Páscoa). Eles costumam sair às ruas para andar de bicicleta e fazer piqueniques.
Independentemente do aspecto comercial que sempre se dá a esta, como a qualquer outra comemoração, é uma data que merece ser muito festejada – por quem tem Pai ainda vivo – nem que seja para dizer um simples “Obrigado Pai”.
Àqueles cujos Pais já fizeram a grande viagem, que é o meu caso, aconselho um momento de recolhimento. Em pensamento diga também “Obrigada(o) , Pai”!
Lá, onde se encontra, o seu Pai vai ouvir o seu pensamento, e vai sentir-se muito feliz.
E agora convido-vos a ver e ouvir este vídeo, onde Vicente Fernandez, cantor e actor mexicano, considerado o expoente máximo da música rancheira, canta uma belíssima canção que compôs em honra de seu pai - "Viejo, mi querido viejo" - (para quem não sabe, a expressão "viejo" referindo-se ao Pai, é, para os mexicanos, sinónimo de enorme amor e carinho).
É uma interpretação maravilhosa de Vicente Fernandez, que, em palco, todas as vezes que canta esta canção, vertes lágrimas verdadeiras, de emoção.
Abaixo encontra a letra e a tradução que fiz, para o caso de querer acompanhar a canção.
É um grande homem, o meu velho
Que anda solo y esperando
Que anda só e esperando.
Tiene la tristeza larga
Tem a enorme tristeza
De tanto venir andando
De tanto vir, sempre andando.
Yo lo miro desde lejos
Eu olho-o desde longe
Pero somos tan distantes
Mas somos tão diferentes
Es que el creció con el siglo
É que ele cresceu com o século
Con tranvía e vino tinto
Com carro eléctrico e vinho tinto.
Viejo mi querido viejo
Velho, meu querido velho
Ahora ya caminas lento
Agora já caminhas lento
Como perdonando al viento
Como perdoando ao vento
Yo soy tu sangre mi viejo
Eu sou teu sangue, meu velho
Soy tu silencio y tu tiempo
Sou teu silêncio e o teu tempo.
Yo soy tu sangre mi viejo
Eu sou teu sangue, meu velho
El tenia los ojos buenos
Ele tinha os olhos bondosos
Y una figura pesada
E uma figura pesada
La edad se le vino encima
A idade caiu-lhe em cima
Sin carnaval ni comparsa
Sem Carnaval nem comparsa.
Yo tenia los años nuevos
Eu tinha os novos anos
Mi padre los años viejos
Meu pai os anos passados
El dolor lo llevaba dentro
A dor, ele levava-a dentro
Y tuvo historias sin tiempo
E teve histórias sem tempo
Viejo mi querido viejo
Velho, meu querido velho
Ahora ya caminas lento
Agora já caminhas lento
Como perdonando al viento.
Como perdoando ao vento.
Yo soy tu sangre mi viejo
Eu sou teu sangue, meu velho
Soy tu silencio y tu tiempo
Sou teu silêncio e teu tempo
Yo soy tu sangre mi viejo
Eu sou o teu sangue, meu velho.
domingo, 15 de março de 2009
UMA GRANDE MULHER
Houve trocas de emails entre amigas e amigos, toda(o)s a(o)s bloguistas publicaram posts alusivos à efeméride, todos parabenizaram a Mulher.
Estamos, assim, todos de acordo em que muitos homens foram e são a favor da igualdade Homem/Mulher.
Mas…ainda há muitos que o não são.
Não vou aqui, por agora, debruçar-me sobre este tema. Não faltarão oportunidades para o desenvolvermos.
Mas…não resisto a partilhar convosco este texto que recebi, sem indicação de autoria, e que considero como uma adenda à celebração do Dia Internacional da Mulher.
Thomas Weller, alto executivo de uma multinacional, viajava com sua mulher por uma estrada interestadual, quando notou que o carro estava com pouca gasolina.
Parou num posto muito simples, com apenas uma bomba de combustível.
Pediu ao único atendente que enchesse o tanque e verificasse o óleo, enquanto ele dava uma volta para esticar as pernas.
Voltando ao carro percebeu que sua mulher e o frentista estavam num papo animado.
A conversa parou enquanto Weller pagava a conta da gasolina.
Mas, ao retornar ao carro, ele viu o rapaz acenar e dizer:
- Foi óptimo falar com você!
Ao sair do posto o marido perguntou à mulher se ela conhecia o atendente.
Imediatamente ela admitiu que sim. Tinham frequentado a mesma escola e ela o namorara por cerca de um ano.
- Puxa! Você teve sorte em eu ter aparecido – vangloriou-se Weller.
Se tivesse casado com ele, seria agora a esposa de um frentista de posto de gasolina, em vez de ser esposa de um alto executivo.
- Meu querido – respondeu a mulher. Se eu tivesse me casado com ele, ele seria o alto executivo, e você o frentista do posto de gasolina.
“Atrás de todo o homem, existe uma grande mulher…exausta!”
quinta-feira, 12 de março de 2009
ANITA
(Ficção baseada em factos reais)
…
Mas para isso não é necessário um curso, a própria vida o ensina…
Achas que tenho razão para me sentir vazia, ou isto é puro egoísmo?
Humberto envolveu-a num terno abraço, respondendo:
- Claro que não é egoísmo, Anita. Eu entendo-te muito melhor do que possas imaginar. Já atravessei um período em que me sentia exactamente assim.
Curiosamente, depois que te casaste com o meu pai e vieste viver para esta casa, esse mau estar foi desaparecendo, até deixar de existir.
Quando penso no percurso que fiz, desde o teu casamento até hoje…Agora já sorrio interiormente. Quando formos os dois bem velhinhos havemos de voltar a falar nisto. Por agora vamos apenas pensar em ti, e tentar levantar esse teu moral.
Vejamos, tu já pensaste em leccionar? Tens o curso de professora, podes dedicar-te ao ensino. Ou não gostavas?...
- Claro que gostava, e muito! Tirei exactamente o curso que queria tirar, com a finalidade de ensinar as crianças. Sabes como gosto delas. Mas essa hipótese só seria viável daqui por mais de um ano, pois já não estou a tempo de concorrer à escola, para este ano lectivo.
E como hei-de aguentar mais um ano?
- Estás a esquecer-te do colégio. Para lá não precisas concorrer. O meu pai pode dar uma ajuda, falando com a directora. Como sabes, ele tem dado para lá subsídios; certamente atendem um pedido que ele faça…
-Preferia não meter o teu pai nisto. Vou antes falar com os meus pais. A directora certamente também atenderá um pedido do meu pai.
- Sim, talvez seja uma boa ideia…
- Ai, Humberto, nem sabes o alívio que sinto! Para te dizer a verdade, eu já tinha pensado nisso, mas achei que era um disparate.
Agora, a ideia partindo de ti, já me parece muito mais razoável.
Amanhã mesmo vou falar com a minha mãe.
- Calma! Tens quase dois meses à tua frente. Para quê essa pressa toda?
- Pois tu não entendes, Humberto? Eu sinto-me leve, quase a voar!
Não quero que nada possa impedir este plano que acabamos de idealizar. Quanto mais depressa se falar com a directora do colégio, mais hipóteses tenho de ser aceite.
- Tens razão, como sempre.
Amanhã, enquanto vais falar com os teus pais, vou encontrar-me com uns amigos, e depois, se quiseres, podemos ir almoçar juntos. Que te parece?
- Parece-me uma ideia excelente! Aliás, da maneira como me sinto, tudo o que possas dizer só pode ser excelente.
E, lançando os braços à volta do pescoço de Humberto deu-lhe dois sonoros beijos.
Nessa noite Anita mal conseguiu conciliar o sono, tão grande era a sua excitação.
Levantou-se ao raiar do dia, e quando se apresentou na sala para tomar o pequeno-almoço, já estava pronta para sair de casa.
Empurrando a cadeirinha de Tiago dirigiu-se a casa dos pais. O pai já tinha saído para o escritório, por isso expôs à mãe os seus planos.
A mãe ouviu-a atentamente, e no fim, observou:
- Eu compreendo-te muito bem, minha filha. Também comigo aconteceu, algumas vezes, desejar não ser apenas mãe e dona de casa.
Mas nunca pude passar disso, não tinha habilitações para mais.
Tu tens o teu curso, podes fazer uso dele. Mas, não podes esquecer uma coisa. O Tiaguinho ainda é muito pequenino, precisa de ti.
Vais ter que esperar que ele cresça um pouco, e depois poderás, então, pensar em dar aulas.
- Não, minha mãe, não vou esperar que o Tiaguinho cresça. Ele já não é assim tão pequenino. Já fez um ano, já dá uns passinhos, já não o amamento…portanto posso dispor de algumas horas longe dele.
- E achas que ele não vai sentir a tua falta? Ele está muito agarrado a ti. Não vês que até para ficar comigo, se precisas ir a algum lado sem ele, começa sempre por fazer beicinho?
- Ele acaba por se habituar…e olhe que para mim também não vai ser fácil estar sem ele umas horas. Sei que ao princípio me vai custar, mas tem que ser! – acrescentou Anita, resolutamente.
domingo, 8 de março de 2009
DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Para comemorar o Dia Internacional da Mulher escolhi, para partilhar convosco, um texto que considero muito bonito, da autoria de Lúcia Helena dos Santos, e também um texto do grande Pablo Neruda.Mulher! Todos os grandes senhores te reverenciam no dia de hoje, pois eles nasceram do teu ventre. Mulher! Além de todos os poderes cósmicos, levas dentro de ti a semente sagrada que provê a vida. Tu és o mais belo pensamento de Deus. Teu coração é manancial de sabedoria. De teu íntimo brota a força amorosa que nutre, regenera e ressuscita.
Homem! Neste dia internacional da mulher, lembra-te que podes divinizar-te pela admiração da mulher.
• Estás aflito? Recorre à mulher. Ela é o consolo dos aflitos.
• Estás enfermo? O toque da mulher é curativo.
• Queres descobrir os mistérios da Divindade? Busca compreender o coração da mulher.
Porque quem não reverencia a mulher, fecha as portas à graça e à beleza.
Mulher! Ao olhar-te no espelho, reconhece ali a Mãe Divina! Mira-te nela! Encarna com dignidade os dons femininos de amor, fidelidade, pureza, sensibilidade, compreensão, delicadeza, generosidade, doçura, abnegação, serenidade e o dom de tudo embelezar.
Mulher! Não te deixes corromper pela futilidade e mediocridade do mundo. Aumenta ainda mais tua força, apreendendo as virtudes dos homens, mas nunca os vícios. A regeneração do mundo depende de ti, pois tens o poder de moldar o caráter de um ser, desde o teu ventre e por toda a sua vida.
Podes transformar teu lar num templo da Divina Missão de Amor. Quando defendes tua dignidade, defendes a dignidade de cada ser humano .
Mulher! Rejeita qualquer pensamento ou sentimento de rivalidade, pois isto destrói a unidade das mulheres. Caminha graciosamente, olhando sempre com admiração o teu eterno companheiro, o homem.
Mulher! Neste Dia Internacional da Mulher, dedicado a ti, todos te proclamam como a Senhora da criação e da beleza e admiram a dádiva que é ser mulher!
Lúcia Helena dos Santos
MULHERES
Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.
Elas brigam por aquilo em que acreditam.
Elas levantam-se contra a injustiça.
Elas não levam “não” como resposta quando acreditam que existe melhor solução.
Elas andam sem novos sapatos para as suas crianças poderem tê-los.
Elas vão ao médico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.
Elas choram quando as suas crianças adoecem, e alegram-se quando as suas crianças ganham prémios.
Elas ficam contentes quando ouvem falar sobre um aniversariante ou um casamento.
Pablo Neruda
quinta-feira, 5 de março de 2009
ANITA
(Ficção baseada em factos reais)
Duas semanas depois do baptizado de Tiago, Humberto partiu para Inglaterra.
A despedida foi dolorosa para ambos.
Anita não se preocupou em ocultar as lágrimas, deixando-as deslizar livremente pelo rosto.
Havia bastante tempo que deixara de se preocupar com o que Vicente poderia pensar da sua amizade com Humberto.Sentia uma grande mágoa pela partida do enteado, e manifestava-a abertamente.
Os dias seguintes foram difíceis de passar, pois sentia-se muito sozinha.
Vicente continuava a sair todas as noites, não se incomodando por saber que agora Anita nem tinha a companhia do enteado.
Depois de jantar sozinha, apenas com Tiago por companhia, deitado no seu carrinho, Anita escrevia a Humberto. Era uma espécie de diário, onde ela descrevia como passara o dia, os seus pensamentos, as preocupações, as “gracinhas” de Tiago…
Uma vez por semana fazia a carta seguir para o correio, e recebia uma de Humberto, do mesmo género das que ela escrevia.
Lentamente foi criando novas rotinas.
Saía de casa empurrando o carrinho de Tiago, e ia a casa da mãe, que morava a uma certa distância; aproveitava, assim, para fazer um pouco de exercício, agora que se sentia completamente recuperada.
No regresso passava pela Igreja. Ajoelhava-se, rezava as suas orações, e saía com a alma mais tranquila e fortalecida.
Algumas vezes cruzava-se com o pároco, demorando-se um pouco em amena conversa.
Os meses sucederam-se rapidamente; chegou o tempo de férias escolares, e com ele o regresso de Humberto.
Anita não cabia em si de contente ao receber o enteado num forte abraço.
Humberto maravilhou-se com o desenvolvimento do seu afilhado, que já ensaiava os primeiros passos.
Recomeçaram as longas conversas ao serão. Humberto falava dos seus estudos, do dia a dia em Inglaterra, das amizades que por lá fizera…
Ao ouvi-lo, Anita sentia uma ligeira ponta de ciúme. Sentia que Humberto vivia uma vida em pleno, longe dela; e se, por um lado, isso a alegrava, por outro não podia deixar de comparar o que ele, entusiasticamente lhe descrevia, com a sua própria existência. Começava a sentir um grande vazio.
Um dia desabafou com o enteado.
- Sabes, Humberto, sinto que estou a viver uma vida sem sentido. Não saio nunca desta rotina, de fazer todos os dias a mesma coisa…
- Mas nas cartas que trocamos nunca mo deste a entender…Parecias feliz, tratando do Tiaguinho, visitando a tua mãe, conversando com o novo padre…Pareceu-me, até, que estava a despontar uma certa amizade entre ti e o pároco…
O que se passa, “mãezinha”? E acrescentou com ar brincalhão – alguma crise existencial?
- Tu não me levas a sério, nunca ninguém me levou a sério…- e uma lagrimita começou a bailar-lhe nos olhos.
Humberto apercebeu-se de que o assunto era mesmo sério. Abandonou o seu ar brincalhão, pegou-lhe nas mãos, e dando-lhe um beijo rápido na face, disse:
- Não quero voltar a ver esse ar triste no teu rosto. Vamos lá conversar calmamente. Quero que me digas tudo o que te preocupa. Não te esqueças que sou o teu melhor amigo, que podes confiar em mim inteiramente. Não sei eu todos os teus segredos?
Abre o teu coraçãozinho – acrescentou com um sorriso, tentando não parecer demasiado solene.
Anita respirou fundo, e, após uma ligeira pausa, desabafou:
- Sinto-me muito mal, Humberto. Uma verdadeira inútil. Ainda agora, ouvindo-te falar na vida que levas em Inglaterra, lembrei-me dos meus tempos de estudante.
Humberto franziu levemente o sobrolho, ao pensar: ainda gosta dele…
Indiferente aos pensamentos de Humberto, Anita continuou:
- Afinal, andei tantos anos a estudar, para quê?
Para orientar uma casa, onde o marido raramente põe os pés, e tratar duma criança?
Eu adoro o meu filho, e nada me dá mais prazer do que tratar dele, tu sabes…
Mas para isso não é necessário um curso, a própria vida o ensina…
Achas que tenho razão para me sentir vazia, ou isto é puro egoísmo?
segunda-feira, 2 de março de 2009
MUNDO PARALELO
Entro na auto-estrada. O tráfego é intenso, mas flui normalmente, o que me permite manter o conta-quilómetros nos 120Km - velocidade de cruzeiro - sem sobressaltos.
O brilho do sol por vezes reflecte-se nos cromados dos outros carros, provocando faíscas brilhantes.
De súbito, começo a ver, lá bem longe, uma sombra que ainda não consigo identificar. Será fumo? - Não faz tanto calor que justifique um qualquer incêndio espontâneo.
Nevoeiro? - Está um sol tão claro, um céu azul sem nuvens…
Á medida que me aproximo a mancha começa a tomar todo o aspecto de névoa.
Estranho, num dia tão bonito! - É, talvez, um banco de nevoeiro.
Não parece muito lógico, mas…é isso mesmo, é nevoeiro que, quanto mais me aproximo, mais se adensa.
Os carros ligam os faróis de nevoeiro e começam a abrandar a marcha.
Em breve o nevoeiro torna-se tão cerrado que dificilmente vejo o carro à minha frente.
O trânsito avança muito lentamente.
Apercebo-me, com apreensão, que a traseira do carro que me precede começa a esfumar-se, e logo em seguida deixo de ver os próprios faróis de nevoeiro.
Pelo espelho retrovisor não vejo absolutamente nada. Estou totalmente rodeada de nevoeiro.
Travo e paro completamente, esperando, dentro de poucos segundos, sentir bater, no meu carro, o que vinha atrás de mim.
Uns segundos, um minuto, dois…e nada acontece.
Intrigada, abro a janela do carro, sinto uma ligeira aragem. Espreitando lá para trás nada vislumbro. O nevoeiro entra pela janela.
Decido abrir a porta do carro e sair. O nevoeiro envolve-me completamente. O silêncio é total, absoluto. Agora não corre a mais leve aragem. E a claridade começa a diminuir… Mas ainda não é meio-dia!
Sinto-me completamente só, isolada do resto do mundo, suspensa no tempo e no espaço.
Lentamente começa a invadir-me uma sensação de medo, que em breve se transforma em pânico.
Onde estou?
Onde estão todos que me acompanhavam na estrada?
Onde está a estrada?
Para onde vim?
Que mundo será este onde me encontro?
Levanto o olhar ao céu, esperançada em conseguir encontrar aí algum sinal que possa orientar-me.
É então que compreendo o porquê da ausência de claridade: milhares e milhares de pássaros, enormes, negros, planam, em silêncio, a cerca de dois metros acima da minha cabeça.
Fico paralisada, de espanto e de medo. Para qualquer lado que lance o olhar, só vejo pássaros, enormes, negros, ameaçadores.
Dou um passo em direcção ao carro, com a intenção de entrar, pô-lo a trabalhar e fugir dali a toda a velocidade.
Estaco, ao sentir uma súbita aragem e ouvir um ruído de bater de asas, que vem de cima.
Olho, e o meu assombro redobra, se tal ainda é possível.
Os pássaros começaram a afastar-se em duas direcções opostas, formando uma grande abertura, donde surge uma luz intensa.
Ouço um bater de asas mais forte, e, com enorme assombro, vejo surgir um ser alado, duma beleza resplandecente, brilhando mais que mil sóis.
Ofuscada, e não querendo acreditar no que estou vendo, esfrego os olhos com força.
Com o coração batendo fortemente, verifico que estou deitada na minha cama, e acabo de ter um terrível pesadelo.
Mariazita, 20 Fevereiro 2009 - Algures no Norte de Portugal















