sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

ANITA

ANITA – EPISÓDIO XII

(Ficção baseada em factos reais)

-Não, ele não merecia ser pai do meu filho. Nada fez para me libertar do compromisso que me obrigaram a manter, contra minha vontade.

FIM DO.EPISÓDIO XI
EPISÓDIO XII

Como era de esperar, um dia chegou à Ilha um padre, que vinha substituir o velho pároco que falecera.
Era um homem novo, simpático, que depressa conquistou as boas graças dos paroquianos. Fez especial sucesso junto ao elemento feminino…

Vicente conversou com Anita para que fossem cumprimentar o novo padre e convidá-lo para sua casa. Afinal, sempre tinham mantido um estreito relacionamento com a Igreja…e o bebé precisava ser baptizado.

Anita aquiesceu, satisfeita com a ideia de voltar a frequentar a Igreja.
Agora, com o filho para cuidar,

não sentia tanto a falta das suas idas lá; mas já era tempo de pensar no baptizado.
Foi, pois, com grande satisfação, que acompanhou o marido à casa paroquial.

Ambos acharam o padre encantador, educado, instruído, muito diferente do velho pároco que viera substituir.
Agradecendo a visita e o convite para os visitar brevemente e com eles jantar, o padre prometeu-lhes um lindo baptizado para o menino.

À noite, depois do jantar, de novo sozinha com Humberto, Anita perguntou:
- Já conheces o padre João?
- Sim, cruzei-me com ele, há dias. Achei-o simpático. Cumprimentou-me com uma ligeira vénia, e um sorridente “Bom dia!”.
- Eu e o teu pai fomos visitá-lo. Convidamo-lo para vir jantar connosco, para combinarmos o baptizado do Tiaguinho.
- Ainda bem! Se continuas a querer-me para padrinho, terás que te apressar.
- E porquê? Corro o risco de mudares de ideia? – perguntou Anita, sorrindo.
- Sabes que nada me poderá dar mais prazer do que ser padrinho do Tiago. Mas já recebi a resposta à minha inscrição na Universidade, em Inglaterra, e falta pouco tempo para as aulas começarem…-disse, com uma sombra de tristeza no olhar.
Anita pôs-se igualmente séria, os olhos brilhantes, uma lágrima prestes a rolar pela face.
- Tenho tentado não pensar nesse assunto, mas isso não impediu que a notícia chegasse… Sei que é egoísmo da minha parte falar assim…afinal trata-se do teu futuro. Eu também fiz o mesmo, fui estudar para fora e afinal para nada…
- Por que falas assim? Pelo menos criaste novos horizontes…
- Sim, e ilusões também. - lembrou-se momentaneamente de Arnaldo -
Mas, como vês, não me serviu para nada estudar. Nunca exerci a minha profissão.
- Pois não, mas porque te casaste logo que acabaste o curso; a seguir veio a gravidez, o Tiaguinho…tiveste compensações…

Anita ficou em silêncio. Aquela conversa trouxera à sua memória o amor que, embora adormecido, ainda continuava vivo dentro de si. Não esquecera Arnaldo, apenas pensava muito pouco nele.
Mas agora, o motivo do seu silêncio magoado era outro. Pensava na partida e na falta que lhe iria fazer Humberto, o enteado que acabara por se tornar no seu querido companheiro de todas as horas, boas e más…

Poucos dias depois realizou-se o jantar oferecido ao pároco, e Vicente nem reagiu quando ouviu Anita dizer:
- Humberto, espero que não tenhas nenhum compromisso para hoje à noite…Quero que estejas presente no jantar com o padre que irá baptizar o teu afilhado…
Humberto limitou-se a enviar-lhe um sorriso cúmplice, não lhe passando despercebido o ligeiro tom de autoridade e segurança que acompanhou as palavras de Anita.
De resto, já tinha notado que, ultimamente, ela se mostrava mais independente, manifestando claramente a sua vontade própria quando discutia com o marido.
Isto agradava-lhe sobremaneira, pois, sendo tão seu amigo, temia que a madrasta mergulhasse em grande desânimo quando ele tivesse que se ausentar.

Duas semanas depois do baptizado de Tiago, Humberto partiu para Inglaterra.

FIM DO EPISÓDIO XII


domingo, 22 de fevereiro de 2009

PASSEIO À NORUEGA

Há uns anos, precisamente em Julho de 2001, fui, com um grupo de amigos, dar um passeio à Noruega.
Vou partilhar convosco algumas das centenas de fotos tiradas durante as duas semanas que durou a viagem.
As imagens são apresentadas num tamanho não muito grande.
Para quem não sabe: pode aumentar o tamanho da imagem (e do texto) premindo o botão Ctrl, do teclado, ao mesmo tempo que gira, para a frente, a roda do centro do rato.
Espero que goste de me acompanhar neste emocionante passeio.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

ANITA

ANITA – EPISÓDIO XI

(Ficção baseada em factos reais)
...
Imaginou quanto Humberto deveria ter sofrido com a rejeição do pai. E entendeu, então, porque Vicente não gostava que Humberto estivesse presente nos jantares que ofereciam em casa.

FIM DO.EPISÓDIO X

EPISÓDIO XI

Com um terno sorriso estendeu-lhe a mão, que ele segurou entre as suas, silenciosamente.
A partir dessa noite passou a haver uma grande cumplicidade entre ambos. Humberto foi o primeiro a sentir os “pontapés” do bebé, quando este começou a mexer-se.

Com o ventre cada vez maior, Anita começou a ter dificuldade em mover-se com a agilidade habitual, começando a espaçar as suas visitas à Igreja. Por outro lado, o velho pároco andava bastante adoentado, deslocando-se menos vezes a casa de Anita, para os lanchinhos que ele tanto apreciava.
Todos insistiam para que fosse ao médico, mas ele opunha-se, resmungando:
- Não estou doente, estou apenas um pouco cansado. Os anos pesam, mas a idade não é doença. Não preciso de nenhum médico.

O próprio clínico, no fundo, dava-lhe razão. Com os seus quase oitenta anos, tendo levado sempre uma vida sacrificada em prol dos mais desfavorecidos, não admirava que o seu organismo estivesse cansado e falho de forças.
Na verdade, nenhum remédio poderia alterar estes factos.

Um dia… deu-se o inevitável: o velho pároco entregou a alma ao Criador!
A cidade, em peso, lamentou a sua morte, e acompanhou-o à última morada.
Especialmente entre os mais pobres viam-se muitos rostos cobertos de copiosas lágrimas. Haviam perdido um grande amigo e protector.
Anita ficou inconsolável. Recriminava-se a si própria por não ter insistido mais para que o padre cuidasse da sua saúde.

Valeu-lhe, nessa hora terrivelmente difícil, a amizade de Humberto, que a rodeou de todo o carinho, confortando-a, preocupado com o seu estado de avançada gravidez.




Também Vicente se mostrou particularmente compreensivo e cuidadoso com o estado de Anita, lamentando a morte do pároco, por quem nutria uma amizade respeitosa.

Talvez a forte emoção tenha acelerado um pouco a hora de Anita dar à luz; contudo, a gravidez encontrava-se praticamente no seu término, e assim ela teve um parto perfeitamente normal, embora bastante demorado.

Dois dias passados no hospital e Anita regressou, feliz, a sua casa, ao lado do seu marido, trazendo nos braços um lindo e forte menino.
Nunca se sentira tão feliz na sua vida!
Aguardava-a Humberto, radiante e ansioso por pegar no colo o seu irmão.
A casa ressumava felicidade.

Vicente, contrariamente ao que vinha acontecendo nos últimos meses, compareceu aos jantares durante uma semana, todos os dias.
Mostrava-se atencioso com Anita, interessando-se pelo bebé: como tinha passado o dia, se tinha mamado bem, se não tinha chorado…

Humberto, embora tivesse preferido passar os serões sozinho com Anita, sentia-se feliz por ver que o pai parecia ter esquecido as noites de “esbórnia”, e acompanhava Anita, que se sentia ainda bastante fragilizada,
no momento em que ela mais precisava,
Mas tudo isto foi de curta duração, pois, pouco mais de uma semana depois do nascimento do bebé, Vicente retomou as suas saídas nocturnas, a princípio após o jantar, alegando encontros de negócios, e em breve indo mesmo jantar fora de casa.

Com o decorrer dos dias tudo voltou a ser como anteriormente.
Vicente regressava do trabalho, à tarde, dava um beijo distraído à mulher, lançava um rápido olhar ao bebé, mudava de roupa e saía, aparecendo apenas no dia seguinte de manhã.

Anita não se preocupava nada com o procedimento do marido, tratando-o, como sempre, com mal disfarçada indiferença. Aliás, até lhe agradava que assim fosse – seria uma garantia de que o marido não a procuraria para que cumprisse os seus deveres matrimoniais.

Dedicava-se ao seu filho, que crescia forte e saudável. Conversava com Humberto, após o jantar, ambos vigiando o sono do bebé.
A sua vida decorria calma, quase feliz. Apenas uma dor muito fina ainda acordava no seu peito sempre que se lembrava de Arnaldo. Mas rapidamente o afastava do pensamento:
- Não, ele não merecia ser pai do meu filho. Nada fez para me libertar do compromisso que assumiram em meu nome e me obrigaram a manter, contra minha vontade.

FIM DO EPISÓDIO XI

sábado, 14 de fevereiro de 2009

ANIVERSÁRIO

HOJE, 14 DE FEVEREIRO DE 2008



DIA DE S. VALENTIM E DOS NAMORADOS
ABRE-SE A PORTA DA CASA DA MARIQUINHAS



Há, exactamente um ano, foi assim.
Mas no espaço de 366 dias (foi ano bissexto) aprende-se muita coisa!
Por isso vos digo que:



Daqui para a frente tudo vai ser diferente!

Vou deixar de cumprir horários, calendários, aniversários – estes, sobretudo – e fazer apenas O QUE ME VIER À REAL GANA .

À tarde sento-me no MIRADOURO , donde posso observar, ao longe, o meu amigo João conduzindo as suas cabras, lá pelos Montes Hermínios.

De súbito aparece uma AVE SEM ASAS !

Pobrezinha! Como vem cansada! Fez um esforço enorme para vir trazer-me notícias da minha amiga Ana.
Vou dar-lhe um pouco de água e uns grãozinhos especiais, dos que guardo para os passarinhos que, ao CREPÚSCULO , gostam de vir debicar as ROMÃS
do meu jardim.
Não posso esquecer-me de avisar a minha amiga Paula para vir buscá-las. Já estão maduras, e se não as apanha, podem estragar-se, o que seria uma pena, pois delas não restariam MEMÓRIAS !

Um dia por outro passarei na OFICINA .
Dá gosto ver como o Victor a mantém sempre tão bem arrumada, tão limpa, e enfeitada com maravilhosas flores. Passa-se lá um bom bocado.

Um outro programa interessante é combinar com a GI irmos até ao LISBOA CAFÉ , dar dois dedos de conversa com o Daniel, e, no regresso, passar na casa da Dani e ouvir os seus eternos DESABAFOS .
O que havemos de fazer? A pequena tem os seus problemas, precisa desabafar, e os amigos servem para quê? Exactamente para ouvir, oferecer o ombro, dar carinho…essas coisas. Amigo é assim mesmo.
Ela é um pouco RECALCITRANTE …mas se eu lhe acenar com o ELDORADO , fica logo bem disposta.

À tardinha tenho que ir sair com o cachorro. Não me posso esquecer de o incluir nestas minhas intenções.
O RAFEIRO precisa de ir à rua, não só por causa das suas necessidades fisiológicas, mas também para fazer um pouco de exercício.
Ele tem vindo a engordar de dia para dia; se não me acautelo em breve estará obeso! Precisa mesmo de dar umas corridinhas.
Como aconteceu no outro dia – fartei-me de rir, mas o caso não era para risota, pelo contrário.

Porque será que só nos rimos do mal? (quando o mal não é de monta, claro!).












Foi assim: fomos passear, o cachorro e eu. Lembrei-me de ir lá para os lados da casa do Zé, que também tem um cão – penso que é por isso que lhe chamam ZÉ DO CÃO .
(Também há o ZÉ CARLOS , mas esse mora noutro lugar, até noutro país!)

Como ele, o Zé do Cão, tem quintal com jardim, e flores, tem abelhas…
Quando íamos a passar em frente ao jardim, o cachorro lembrou-se de ir meter o nariz no meio das grades da cerca.
Atraída não sei por quê, veio de lá uma abelha e espetou-lhe uma FERROADA na ponta do nariz.

O cachorro deu um grande salto, e, a ganir, fugiu em grande velocidade.
Sei que foi maldade minha mas não pude deixar de rir. É para ver se ele aprende a não meter o nariz onde não é chamado.

Nos meus passeios verei o MUNDO AZUL para além do horizonte, onde a montanha DESNUDA se destaca por entre nuvens, enquanto, bem perto de mim, brilham as LUZES DA CIDADE .

Com estas perspectivas terei, com certeza, tempo para visitar o CANTINHO , que descobri lá ao fundo do jardim, onde uma menina de cabelos loiros, de nome JADY , me sorri timidamente, e apontando o dedito, diz: um INSÉTE !. Docemente, eu corrijo-a: diz-se insecto, meu amor.

Acho imensa graça às crianças que, quando começam a falar, são muito trapalhonas. São muito mais engraçadas do que quando falam logo tudo direitinho, não acham?

Continuarei o passeio pelo jardim, aspirando o IN SENSO das flores; seguirei PELOS CAMINHOS até que surja o RENASCER DA FÉNIX .

Deixarei para SEXTA-FEIRA a visita à SÃO .
O tempo não promete grande coisa…é capaz de chover. Se assim for, terei que chamar um táxi. Com sorte, o taxista ainda me oferece um PRATINHO DE COURATOS .
O que não posso é deixar de ir lá dizer-lhe: eu SEI QUE EXISTES , é claro, mas não posso deixar a minha casa e andar sempre a correr para aqui! Até parecia mal uma coisa dessas! O que as pessoas não diriam! Nem é bom pensar nisso!

Não te esqueças que também tenho que visitar a minha amiga, SÓNIA , e o meu amigo OLIVER .

E, sendo o MUNDO COLORIDO , não haverá razão para não sermos felizes.

Dos meus restantes planos não vou dar-vos conta. Não se pode dizer tudo, não é assim? Há que guardar algum mistério…dá um certo charme… vocês não acham?

Mas, para já, vou oferecer-vos um pedacinho de bolo, extensivo a todos os meus visitantes e comentadores.
Sem o vosso apoio, as vossas visitas, o vosso carinho…este blog, que hoje comemora UM ANO, não teria chegado até aqui, pois não teria pernas para andar.

Para todos um grande OBRIGADA! Amo vocês todos!

Sirvam-se!


Vou oferecer um presentinho a toda(o)s essa(e)s amigos que se encontram aí em baixo, e também a quem o desejar.

O presentinho é…






And the winners are…

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

ANITA

ANITA – EPISÓDIO X

(Ficção baseada em factos reais)

Passar nove meses em banho-maria até lhe podia subir alguma coisa à cabeça e fazer-lhe mal.
E lá se iam os excelentes negócios que ele faz…e que tanto jeito me dão!

FIM DO.EPISÓDIO IX
EPISÓDIO X

- Pois, eu sei, os negócios é que te preocupam. Sempre foi assim e sempre assim será. Não pensas na nossa filha, como ela se vai sentir quando souber. Sim, porque não penses que não lhe vão contar tudo…
-Ó mulher, tu parece que não regulas bem da cabeça! Não penso na nossa filha? Então e o dinheiro que eu ganho nos negócios vai para quem, quando nós morrermos? Não vai para ela? Olha que tu!...
- A nossa filha não precisa do nosso dinheiro para nada. O marido é muitas vezes mais rico do que nós!
-Nisso tens razão, ele é muito mais rico do que nós. Mas não te esqueças que tem filhos, que também vão herdar, um dia que ele morra. E a nossa filha não tem irmãos para dividir a herança…
- Está certo, nisso tens tu razão. Mas ainda assim tenho pena da nossa filha…
- Deixa-te disso. Quem tem penas são as galinhas. Trata mas é do enxoval do nosso netinho, e deixa o resto com os homens, que é assunto de machos.
E agora vamos mas é dormir, que já é tarde, e amanhã é dia de trabalho.

Deram as boas-noites e adormeceram.

Indiferente a todos os comentários e mexericos, Anita vivia em pleno a sua gravidez, contemplando o ventre a avolumar-se, sentindo crescer igualmente o amor pelo filho que esperava.

Humberto observava-a em silêncio, maravilhado com a luz que irradiava de Anita.

Por vezes ela surpreendia-o examinando-a, e sentia-se incomodada. Parecia-lhe notar no enteado mais do que simples admiração, e receava que isso viesse a provocar constrangimento entra ambos. Acabara por se afeiçoar a Humberto, e apreciava bastante a sua companhia às refeições, sem a qual estaria sozinha a maior parte das vezes.

Reparou que Humberto mostrava um semblante aborrecido sempre que o pai gaguejava qualquer desculpa para justificar as suas saídas nocturnas; nessas ocasiões esboçava sempre um sorriso, olhando para Humberto, pensando assim fazê-lo desenrugar a testa.

Um dia em que estavam conversando amenamente depois do jantar, sentiu como que um estreitar da amizade entre ambos, e teve a certeza de que o enteado sentia por ela um amor muito grande, mas completamente despido de ilusões.

Ambos se sentiam muito próximos. Foi quando Humberto falou:
- Anita, posso abrir-te o meu coração? E sem esperar resposta, acrescentou:
Tenho te observado desde que vieste para esta casa. Ao princípio a ideia não me agradou nada. Tens que compreender, nesta casa eu vivi com a minha mãe, e tu representavas uma intrusa que vinha ocupar o seu lugar. Mas depressa me apercebi de que estava errado.
Tu não eras uma intrusa, nem nesta casa nem no coração do meu pai. Percebi que tu não o amavas. Senti como se estivesses de passagem, como se fosses apenas uma visita.
E a partir daí comecei a sentir por ti uma admiração muito grande e um amor muito puro.
Sabes, o meu relacionamento com o meu pai nunca foi muito bom. Agora eu posso contar-te tudo.
Quando a minha mãe era viva ele já tinha outras mulheres. Eu sabia, mas fazia tudo para que a minha mãe não descobrisse. O meu pai sentia-se como se estivesse nas minhas mãos, por isso começou a detestar-me. Sempre me deu todo o dinheiro que eu lhe pedia, mas eu não lhe pedia muito, apenas o necessário para jantar com os amigos e uma ou outra ida ao cinema. Era uma forma de me manter afastado.
Anita ouvia-o em silêncio, admirada com estas revelações, sentindo crescer dentro de si um sentimento misto de amizade e compreensão para com a dor sofrida em silêncio e por tanto tempo recalcada.

Agora que ia ser mãe tinha como que um sexto sentido para os sentimentos que até aí eram instintivos, tão naturais como respirar, sem qualquer significado especial – o amor filial e materno-paternal.
Imaginou quanto Humberto deveria ter sofrido com a rejeição do pai. E entendeu, então, porque Vicente não gostava que Humberto estivesse presente nos jantares que ofereciam em casa.

FIM DO EPISÓDIO X

domingo, 8 de fevereiro de 2009

MUSEU DA FAMÍLIA

Alexa Guerra

Alexa Guerra, escritora e palestrante, graduada em Pedagogia e Teologia, diz de si própria:
Sou esposa e mãe. Tenho-me dedicado, há mais de 10 anos, à compreensão da educação e das relações familiares.

É de sua autoria o texto que hoje vos apresento.

MUSEU DA FAMÍLIA

Bem vindo ao museu da família!

Aqui você irá ver e saber acerca deste grupo que está à beira da extinção.

Em meados do século XXI foram vistas as últimas famílias compostas por PAI, MAE E FILHOS.

Um pouco antes desse período, quase não se via uma mãe ou um pai em casa cuidando dos filhos, do lar e da família. Eles foram trabalhar fora.

Já no século XIX, era costume o pai ser recebido pelos filhos em casa, após um dia de trabalho. Ele era o provedor do LAR.

Naquela época as crianças tinham um pai que morava com elas.
Este pai convivia com os filhos e passeava com eles nos fins-de-semana.

Nas apresentações da escola os filhos procuravam o olhar de seus maiores fãs: seus pais. E o aplauso deles era a garantia da felicidade!

Quando os filhos precisavam de colo tinham um de seus pais por perto para carregá-los à hora que quisessem.

No dia das mães se reuniam na casa da avó e a cama se enchia de presentes dos filhos, dos netos…

Era difícil esperar até o segundo domingo de agosto para entregar ao papai o presente feito pelos próprios filhos: A camisa com sua mãozinha, o quadro pintado, o cartão com moldura de gravata...

A melhor comida era a da mamãe.
Era o papai quem ganhava no jogo de dama ou de bola.

Quantas brincadeiras correndo, soltas, com os irmãos e primos!
Esconde-esconde, casinha, queimada…

Os brinquedos espalhados pela casa...
Os risos, os choros.. Fartura de “vida”.
Casa cheia não só de gente, mas de amor e contentamento.


Nas famílias havia coisas que não cabem neste museu: abraços, beijos, alegrias, choros, risos, personalidades, cachorros, papagaios…

Os JARDINS!
Eles não poderiam faltar neste museu!

As casas tinham jardins.
Deles as avós retiravam plantas para enfeitar ou para fazer chazinhos caseiros para os filhos e netos.

Férias também se passavam em família.
Na roça, na praia ou na casa dos parentes: estavam todos num feliz ajuntamento.
Para eles estar em família era o que fazia a vida valer a pena!
Como foi o fim das famílias?
... Bem, é uma longa história…
Mas, lembre-se que, se você os deixar ir, talvez nunca mais os terá de volta.
Às vezes, nos ocupamos tanto com nossas próprias vidas, que não notamos que os deixamos ir …
Outras vezes nos preocupamos tanto com QUEM está certo ou errado, que nos esquecemos do que é CERTO e do que é ERRADO.
Foi assim que as famílias começaram a desaparecer…
Mas hoje temos este museu para visitá-las.

Certa vez alguém falou sobre um ciclo de morte que estava se instalando nas famílias. E leu na Bíblia como seria a cura:

 SALMOS 128.1-6:
"Feliz aquele que teme a Deus, o SENHOR, e vive de acordo com a sua vontade!”

Mas parece que não deram atenção suficiente... E as famílias foram se extinguindo...


Nossa visita ao museu termina aqui, com o livro que falou sobre estes acontecimentos.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

ANITA

ANITA – EPISÓDIO IX

(Ficção baseada em factos reais)

Foi nesse preciso momento que começou a amar o pequenino ser que trazia no ventre.

FIM DO.EPISÓDIO VIII

EPISÓDIO IX

Alguns dias passados começaram as indisposições próprias da gravidez – enjoos, tonturas, sono…

Todas as manhãs, quando ia para a sala tomar o pequeno-almoço, invariavelmente levantava-se precipitadamente para ir vomitar à casa de banho, donde saía também a correr porque enjoara terrivelmente a água-de-colónia que Vicente usava no dia-a-dia.
O marido trocou de perfume várias vezes, mas de nada valeu a mudança: Anita enjoava-os todos.
Vicente desistiu, embora relutante, de usar água-de-colónia, hábito que adquirira quando jovem.
Anita passou a enjoar…o cheiro do marido!

As amigas diziam-lhe que isso era normal, muitas mulheres passavam por isso, mas depois que os bebés nasciam, esse enjoo desaparecia.
Vicente sentiu um certo consolo ao ouvir isto, e acabou por aceitar, resignado, dormir num quarto separado, para não prejudicar o descanso da sua mulher e, consequentemente, do seu próprio filho.

Quatro ou cinco meses depois as indisposições desapareceram, mas Anita fingiu que ainda não se sentia muito bem. Dessa forma conseguiu que Vicente continuasse a dormir no outro quarto, evitando, assim, qualquer contacto mais íntimo com o marido.

Vicente, ao princípio, mostrava-se desgostoso com o afastamento da mulher, embora aceitasse, conformado, as imposições, em forma de pedido, que lhe eram feitas.

Em breve começou a jantar fora, alegando que Anita precisava alimentar-se bem, o que, com a sua presença, não acontecia, já que, além do enjoo normal, também o cheiro dele mesmo a obrigava a interromper a refeição para ir vomitar.

Começou a vir para casa cada vez mais tarde. “Já que tinha que jantar fora, aproveitava e tratava de negócios”, que se iam prolongando a cada noite que passava.
Antes de terminar a gravidez, algumas vezes chegou ao ponto de passar a noite toda fora de casa.
Sem se dar ao trabalho de uma justificação, logo que chegava a casa , de manhã, dirigia-se para a casa de banho. Aparecia depois, lavado e vestido com outra roupa, deixando atrás de si um rasto de perfume barato de mulher.

Anita fingia não perceber; simulava, até, acreditar nas desculpas de Vicente, quando ele as dava. Na realidade sentia-se aliviada por não ter que suportar a presença do marido.

Queria viver em pleno, mas a sós, para melhor a apreciar, a sua gravidez.



Como seria de prever, o comportamento de Vicente acabou por se tornar notado; primeiro nos restaurantes, onde ia todas as noites, e depois em lugares menos respeitáveis, em companhias ainda menos respeitáveis.

Em terras pequenas como aquela cidade tudo se sabia, e as notícias corriam céleres.
Não faltaram pessoas bem intencionadas querendo insinuar, junto de Anita, o que estava acontecendo.
Mas ela, que se tornara hábil na arte do fingimento, aparentava um ar tão inocente e confiante, que ninguém se atreveu, nunca, a falar claramente.

Até mesmo a amiga mais íntima apenas se limitou a abordar o assunto, insinuando que “as pessoas” podiam começar a murmurar acerca das noites em que Vicente era visto fora de casa…

À amiga Anita respondeu:
- As pessoas arranjam sempre pretextos para comentar…Vicente é um homem novo, cheio de energia, faz bem em divertir-se. Eu, neste estado, não posso acompanhá-lo. Portanto, acho muito bem que ele não passe as noites enfiado em casa, como uma velha!

Com os pais de Anita, os informadores, “sempre por bem e com a melhor das intenções”, não estiveram com rodeios e forneceram todos os pormenores.

Mais tarde, conversando com Eulália, Justino comentou:

- Não se pode dizer que o nosso genro ande a proceder muito bem. Mas a verdade é que, com a nossa filha naquele estado…que diabo, um homem não é de pau!
Passar nove meses em banho-maria até lhe podia subir alguma coisa à cabeça e fazer-lhe mal.
E lá se iam os excelentes negócios que ele faz…e que tanto jeito me dão!

FIM DO EPISÓDIO IX

domingo, 1 de fevereiro de 2009

OFICIALMENTE VELHO

Leonardo Boff



Em 09/11/2008 publiquei, RESSONÂNCIA ACHUMANN , de Leonardo Boff, um texto que considerei muito interessante.

Hoje vou partilhar convosco, do mesmo autor, “Oficialmente Velho”, que recebi por email, em forma de PPS.

Espero que seja do vosso agrado.

Oficialmente Velho

Neste mês de dezembro completo 70 anos.
Pelas condições brasileiras, me torno oficialmente velho.
Isso não significa que estou próximo da morte, porque esta pode ocorrer já no primeiro momento da vida. Mas é uma outra etapa da vida, a derradeira. Esta possui uma dimensão biológica, pois irrefreavelmente o capital vital se esgota, nos debilitamos, perdemos o vigor dos sentidos e nos despedimos lentamente de todas as coisas.

De fato, ficamos mais esquecidos, quem sabe, impacientes e sensíveis a gestos de bondade que nos levam facilmente às lágrimas.
Mas há um outro lado, mais instigante.
A velhice é a última etapa do crescimento humano.
Nós nascemos inteiros. Mas nunca estamos prontos. Temos que completar nosso nascimento ao construir a existência, ao abrir caminhos, ao superar dificuldades e ao moldar o nosso destino. Estamos sempre em gênese.

Começamos a nascer, vamos nascendo em prestações ao longo da vida até acabar de nascer. Então entramos no silêncio. E morremos.

A velhice é a última chance que a vida nos oferece para acabar de crescer, madurar e finalmente terminar de nascer.
Neste contexto, é iluminadora a palavra de São Paulo: ”na medida em que definha o homem exterior, nesta mesma medida rejuvenece o homem interior”(2Cor 4,16).
A velhice é uma exigência do homem interior.
Que é o homem interior? É o nosso eu profundo, o nosso modo singular de ser e de agir, a nossa marca registrada, a nossa identidade mais radical.
Esta identidade devemos encará-la face a face.
Ela é pessoalíssima e se esconde atrás de muitas máscaras que a vida nos impõe. Pois a vida é um teatro no qual desempenhamos muitos papéis.
Eu, por exemplo, fui franciscano, padre, agora leigo, teólogo, filósofo, professor, conferencista, escritor, editor, redator de algumas revistas, inquirido pelas autoridades doutrinais do Vaticano, submetido ao “silêncio obsequioso” e outros papéis mais.
Mas há um momento em que tudo isso é relativizado e vira pura palha.

Então deixamos o palco, tiramos as máscaras e nos perguntamos:
- Afinal, quem sou eu?
- Que sonhos me movem?
- Que anjos que habitam?
- Que demônios me atormentam?
- Qual é o meu lugar no desígnio do Mistério?

Na medida em que tentamos, com temor e tremor, responder a estas indagações, vem a lume o homem interior. A resposta nunca é conclusiva; perde-se para dentro do Inefável.
Este é o desafio para a etapa da velhice.
Então nos damos conta de que precisaríamos muitos anos de velhice para encontrar a palavra essencial que nos defina.
Surpresos, descobrimos que não vivemos porque simplesmente não morremos, mas vivemos para pensar, meditar, rasgar novos horizontes e criar sentidos de vida.
Especialmente para tentar fazer uma síntese final, integrando as sombras, realimentando os sonhos que nos sustentaram por toda uma vida, reconciliando-nos com os fracassos e buscando sabedoria.
É ilusão pensar que esta vem com a velhice. Ela vem do espírito com o qual vivenciamos a velhice como a etapa final do crescimento e de nosso verdadeiro Natal.
Por fim, importa preparar o grande Encontro.
A vida não é estruturada para terminar na morte mas para se transfigurar através da morte.
Morremos para viver mais e melhor, para mergulhar na eternidade e encontrar a Última Realidade, feita de amor e de misericórdia.
Ai saberemos finalmente quem somos e qual é o nosso verdadeiro nome.

Nutro o mesmo sentimento que o sábio do Antigo Testamento: ”contemplo os dias passados e tenho os olhos voltados para a eternidade”.
Por fim, alimento dois sonhos, sonhos de um jovem ancião:
- o primeiro é escrever um livro só para Deus, se possível com o próprio sangue;
- e o segundo, impossível, mas bem expresso por Herzer, menina de rua e poetisa:”eu só queria nascer de novo, para me ensinar a viver”.
Mas como isso é irrealizável, só me resta aprender na escola de Deus. Parafraseando Camões, completo:
- mais vivera se não fora, para tão longo ideal, tão curta a vida.


Leonardo Boff
(Teólogo brasileiro)
14/12/1938, Concórdia (SC)

Neto de italianos que migraram para o sul do Brasil no final do século 19, Leonardo Boff, garoto ainda, com 11 anos, partiu de sua cidade natal, Concórdia, com destino ao seminário de Luzerna, no Vale do Rio do Peixe (SC), certo de que o seu futuro era o da fé. Fez estudos avançados em universidades de prestígio, como Wurzurburg, Lovaina e Oxford, doutorando-se em Teologia e Filosofia na Universidade de Munique, Alemanha, em 1970. Ficou conhecido pelos seus trabalhos sobre a Teoria da Libertação
Seus textos serviram de base para novas gerações de teólogos latino-americanos. Mas ao combinar a Bíblia com a política, desagradou às autoridades eclesiásticas. Em 1984, como punição pelo livro Igreja, Carisma e Poder (1981), no qual chega a criticar a própria estrutura da Igreja, foi chamado a dar explicações ao Vaticano, sendo condenado a um "silêncio obsequioso" por um ano, sendo proibido de se manifestar publicamente
Em 1992, ao ser condenado novamente, o teólogo, resolveu pedir dispensa do sacerdócio.
Atualmente, além de um grande teórico da fé, destaca-se como um idealista: cria e assessora Comunidades Eclesiais de Base, para as quais prega a luta por uma sociedade mais justa e humana, na qual os pobres não devem simplesmente aceitar a condição de miséria como algo natural, mas agir em favor da justiça social. Professor emérito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, publicou mais de 70 livros.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

ANITA

ANITA – EPISÓDIO VIII

(Ficção baseada em factos reais)

Não podia esquecer que o filho de Vicente era praticamente da sua idade (dois anos mais velho do que ela) e tinha muito boa aparência, além de ser educado e bom conversador.

FIM DO.EPISÓDIO VII

EPISÓDIO VIII

Depois de ter feito os seus estudos na capital, Humberto aperfeiçoava agora os seus conhecimentos com explicadores, tendo em vista ir frequentar uma universidade na Inglaterra. Por isso passava grande parte do tempo em casa, o que implicava frequentes encontros com a madrasta, que ele, por graça mas em tom carinhoso, tratava às vezes por “mãezinha”.

Anita não mais voltara a perguntar a Vicente em que pé estava a casa para Humberto. Prometera a si mesma nunca mais tocar no assunto, e aguardar o tempo que fosse necessário até que o marido lhe desse a novidade de que a casa estava pronta.
Mas a cada dia que passava sem que Vicente mencionasse tal coisa, Anita sentia aumentar a decepção em relação ao marido, ao mesmo tempo que arrefecia a pouca afeição que chegara a sentir por ele.

De acordo com os princípios religiosos católicos com que fora educada, Anita continuava a frequentar a Igreja, mantendo o seu relacionamento de amizade com o velho pároco que a baptizara e lhe ministrara todos os outros sacramentos, e com quem conversava longamente.

Vicente não a acompanhava. Concordara em fazer o casamento católico, mas a tanto se resumia a sua ligação à Igreja.
Contudo, agradava-lhe bastante que Anita a frequentasse.
Contribuía com doações de certo vulto para as obras de caridade, mostrando-se receptivo todas as vezes que Anita sugeria convidar o pároco para almoçar ou jantar. Assim, o velho padre tornou-se frequentador assíduo da casa.

Conhecendo-a desde que nascera, o pároco cedo se apercebeu de que Anita não era feliz.
Tentava, disfarçadamente, e torneando o assunto, aflorar os aspectos de que, por vezes, se reveste o casamento.
Anita fingia não perceber, não se atrevendo a confessar-lhe que não era feliz, que nunca amara o marido, e que amava outro homem que jamais esqueceria – Arnaldo.

A amizade entre Anita e o velho pároco era tal que não é de estranhar que tenha sido ele, precisamente, a ouvir, pela primeira vez, Anita pronunciar:
- Padre, estou grávida!
Uma alegria enorme inundou a alma do velho e santo homem.
E só quando se preparava para dar um abraço à sua grande amiga, é que reparou no seu ar desesperado, e nos olhos marejados de lágrimas.

- Mas o que é isso, minha filha? Dás-me uma notícia tão maravilhosa com um ar tão infeliz? E com lágrimas? O que é que se passa?
- Padre, eu não queria um filho. (Não de Vicente…- acrescentou, em pensamento)
- Não digas uma coisa dessas! Nem sequer deves pensar, quanto mais dizer!
Um filho é uma dádiva de Deus.
Nem todas as mulheres recebem a graça de poder ter um filho.
Só tens é que agradecer a Deus por ter-te concedido uma bênção que não tem igual.
Lembra-te sempre disto, minha querida filha, e começa a amar o teu filho desde já.

As sensatas palavras do padre calaram fundo em Anita.
“Sim, um filho é uma bênção de Deus. Não posso esquecer-me disso. Fui muito injusta ao sentir-me triste. Pobre bebé, que não vai ter o pai que eu gostaria de lhe dar” – pensou Anita, recompondo-se.

Foi depois a vez de comunicar aos pais e demais familiares e amigas o seu estado “interessante”.
Todos manifestaram o seu contentamento. A mãe exultou de alegria.
Abraçando efusivamente a filha, já fazia mil e um projectos para o enxoval, o quarto do bebé, a escola que iria frequentar…

Anita conseguiu refrear-lhe um pouco o entusiasmo, lembrando:
-Mãe, faltam mais de sete meses para o meu filho nascer! - e nessa altura apercebeu-se de que sentira orgulho ao pronunciar “meu filho”.
Foi nesse preciso momento que começou a amar o pequenino ser que trazia no ventre.

FIM DO EPISÓDIO VIII

domingo, 25 de janeiro de 2009

PALAVRA E PALAVRÃO

Longe vai o tempo em que palavrão era uma palavra feia, usada apenas por pessoas de condição social mais baixa, as quais não haviam recebido uma educação muito esmerada.
Usava-se, também, em círculos muito fechados, essencialmente masculinos, onde ouvidos femininos não tinham acesso.

No dicionário podíamos encontrar, como significado de palavrão:
- Palavra muito grande
- Obscenidade

Presentemente os dicionários apresentam exactamente a mesma coisa.

É sobre a palavra, com o sentido de “obscenidade”, que me ocorre tecer alguns comentários.

Hoje em dia, anedota, para ter graça, tem que incluir um ou mais palavrões. De contrário está condenada ao fracasso.

Lembro-me dos tempos em que nos reuníamos na casa de um e de outro, e passávamos o serão conversando e contando anedotas que nos provocavam alegres gargalhadas.
Havia, entre nós, um jovem com um jeito especial para o fazer. Era o rei da festa.

Recordo-me, por exemplo, da anedota do menino Pedrinho que, na procissão do Senhor dos Passos, seguia atrás do andor, tocando o seu violino.
O menino Pedrinho tocava muito mal, coitado.
Toda a gente ia farta de ouvir aqueles sons, que feriam os ouvidos e arrepiavam os cabelos!
Era tão grande o incómodo que o próprio Jesus Cristo, arrastando a Sua cruz, saturado com aquela sanfona, lá do alto do andor voltou-se para o menino e disse:
- Ó Pedrinho, e se tu fosses tocar violino para o raio que te parta?!!!

Gargalhada geral.

Hoje, na mesma cena, Jesus Cristo teria dito, no mínimo:
- Ó Pedrinho, e se tu fosses tocar violino para a p. q. t. p?

E só assim a anedota teria alguma graça.

É certo que os tempos mudam, tudo evolui, incluindo a linguagem.
Nos anos 60 havia 300.000 vocábulos na língua portuguesa; presentemente existem mais de 900.000.
Ainda não consegui ler o dicionário todo... Não sei, portanto, se os palavrões estão incluídos nesse número…
Sei é que se caiu num grande exagero do seu uso (e abuso). E penso que “não havia necessidade”…

Há dias ouvi, à porta duma escola, uma garota que aparentava doze ou treze anos, a falar com uma colega que deveria ter a mesma idade.
Em dez palavras que pronunciou, nove eram palavrões, daqueles de “fazer corar um carroceiro”, como antigamente se dizia.

É chocante ouvir estas coisas da boca duma criança.

As crianças aprendem imitando os adultos.
Ainda que, em casa, não sejam usado esse tipo de linguagem, os jovens ouvem-na na escola, na rua, em toda a parte.

Quanto ao que se passa na rua…não há como evitar. Não seria nada prático pôr tampões nos ouvidos das crianças para as proteger.

Nas escolas…os professores nada podem fazer. Estão manietados de pés e mãos.
Se algum se lembra de repreender um aluno cai-lhe em cima o representante da Associação de Pais, e sujeita-se a um processo disciplinar.
As adoráveis criancinhas são intocáveis!

O nosso raio de acção fica, assim, reduzido à nossa casa.
Seguindo o ditado que diz – «casa de pais, escola de filhos» – é aí que a nossa actuação pode e deve ser eficaz.
Não usar palavrões, especialmente em frente das crianças, e repreendê-las quando os pronunciarem, fazendo-as entender que a nossa língua é tão rica que pode perfeitamente dispensá-los.

Talvez assim consigamos contribuir para que a língua portuguesa deixe de ser tão maltratada, e volte a ser tão bela como sempre foi.

Para a malbaratar bem basta o acordo ortográfico que já entrou em vigor, mas que me recuso terminantemente a seguir.
Eu até assinei uma petição para que ele não fosse aprovado…

Também no Brasil o acordo ortográfico não foi muito bem recebido, especialmente nos meios intelectuais.
Veja um parecer, a esse respeito, do poeta/crítico/cronista Edmar Melo.

NOVA REFORMA ORTOGRÁFICA

Não se usa mais acento
No "pára", verbo parar
Pois "para" preposição
Não vai mais lhe atrapalhar
Tudo agora virou "para"
Do jeito que a gente fala
Sem se diferenciar

As palavras terminadas
Em hiato, como "enjôo"
Não vão mais ter circunflexo
Não se acentua mais "vôo".
Agora voo atrasado
Não é mais acentuado
Nem que você sinta enjoo

Não tem mais acento agudo
Quando se escreve "feiúra".
Passaram quinhentos anos
Pra fazer essa frescura.
E o português lusitano
Só descobriu este ano
Que esse mal não tem cura.

O País tá precisando
É de reforma agrária
É de reforma política
De reforma tributária
Mexer na ortografia
Por causa da geografia
Não é coisa prioritária

Pensei cá com meus botões:
A reforma é malandragem
Tem interesses ocultos
Alguém levando vantagem
Esse tira e põe acento
É um negócio nojento
Tá virando sacanagem.

Edmar Melo

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

ANITA

ANITA – EPISÓDIO VII

(Ficção baseada em factos reais)

Com um ar ligeiramente surpreso, Humberto respondeu:
- Falaste nisso ao meu pai? E rapidamente acrescentou – preciso ver…já
tinha combinado com os meus amigos…

FIM DO.EPISÓDIO VI

EPISÓDIO VII

Ao reparar no ar decepcionado de Anita, pôs-lhe uma mão no ombro, dizendo:
-Não fiques triste, “mãezinha”. Eu vou desmarcar com os meus amigos, e estarei presente no teu jantar. Mas não te esqueças de avisar o meu pai, por favor. Sabes que ele não gosta nada de surpresas…
Embora estranhando a recomendação do enteado, Anita depressa esqueceu o assunto, de tal modo se sentia alegre e até certo ponto feliz, como há bastante tempo não se sentia.
A perspectiva de rever as amigas e com elas passar algumas horas era-lhe muito agradável.

A tarde passou rapidamente nos preparativos para o jantar, enfeitar a mesa e vigiar a cozinha, dando um retoque aqui e acolá.
Por fim foi tratar da sua toilette, pondo-se bonita para receber as amigas.
A sua boa disposição era tão grande que, quando o marido chegou, o acolheu com um largo sorriso, o que raramente acontecia.

De facto, desde o dia em que Anita ficou noiva de Vicente, não mais se lhe viu um sorriso aberto no rosto.
Vicente notou, com agrado, a alegria de sua mulher, quando a encontrou no quarto perfumando-se com água-de-colónia.

Galantemente ofereceu-lhe o braço, conduzindo-a à sala, onde já se encontrava Humberto, elegantemente vestido para o evento.
Ao vê-lo, Vicente franziu o sobrolho, indagando:
- Onde vais, vestido dessa maneira?
- A lado nenhum. Apenas vou jantar aqui em casa, e penso que a minha querida madrasta gostará de me ver assim vestido para receber as suas amigas…
- O quê? Tu vais jantar em casa? Não tinhas já combinado jantar com os teus amigos? – perguntou Vicente, num tom ligeiramente ríspido, que tentou disfarçar, mas não passou despercebido a Anita.
- Tinha, sim, mas desmarquei, a pedido da tua mulher. E, dirigindo-se à madrasta:
- Anita, esqueceste-te de avisar o meu pai de que me tinhas convidado para vos fazer companhia…
- De facto não me lembrei. Mas não pensei que isso fosse importante…Também não avisei o teu pai de quais as amigas que ia convidar, e ele não se mostrou interessado em sabê-lo…pelo menos não me perguntou.
Voltando-se para o marido, indagou:
- Há algum problema em que o Humberto jante connosco?
Rapidamente, Vicente disfarçou o mau humor, compôs um belo sorriso, e sossegou Anita, assegurando-lhe:
- Não, claro que não, apenas fui apanhado de surpresa. Sabes que não gosto de surpresas…

O jantar decorreu alegremente. Anita parecia ter recuperado o gosto pela vida. À despedida ela e as amigas combinaram encontrar-se mais vezes.

Os dias foram passando, Anita governando a sua casa, Vicente tratando dos seus negócios, e Humberto permanecendo na casa.
Apesar de simpatizar com o enteado, que era atencioso e respeitador, Anita não se sentia à vontade na sua própria casa, tendo que conviver diariamente com ele.

Quando vivia em casa de seus pais, ao levantar-se, costumava pôr um robe sobre a camisa de noite, para ir tomar o pequeno-almoço, e só mais tarde ia tomar banho e vestir-se.
Depois que casara e viera para a sua casa na cidade, após a lua-de-mel, nos primeiros dias procedera do mesmo modo.
Porém, em breve alterou os seus hábitos, ao verificar que, sempre que entrava na sala para tomar o pequeno-almoço, Humberto já lá se encontrava, aguardando-a para lhe fazer companhia à refeição.

Com o passar dos dias, e não havendo alteração nesta situação, Anita sentia aumentar em si o desconforto.
Não podia esquecer que o filho de Vicente era praticamente da sua idade (dois anos mais velho do que ela) e tinha muito boa aparência, além de ser educado e bom conversador.

FIM DO.EPISÓDIO VII

domingo, 18 de janeiro de 2009

POESIA EM TEMPO DE GUERRA

Costumo dizer que cada um deve lutar com as armas de que dispõe.
Quem faz das letras ofício é delas que deve servir-se para defender os seus ideais, e expressar a sua revolta sempre que ocorram factos contrários aos seus sentimentos.

Tenho recebido, através de amigos ou directamente dos próprios autores, muitos poemas repudiando a actual guerra que se vive no Médio Oriente.

De entre vários escolhi, para partilhar convosco, dois poemas de dois poetas brasileiros.
O primeiro, do poeta J.J.Oliveira Gonçalves, que assina como JJotaPoeta.


A Guerra!

A guerra dói... destrói... avilta... mata!
E ao próprio Deus inflige Sofrimento!
No coração da mãe: luto, lamento!
Que à Alma materna acerba Dor maltrata!

A guerra afia as garras... e sua boca
Escancara e devora a Humanidade!
Nódoa, crime, ambição, calamidade!
Mata Amores e Sonhos – fera e louca!

E vai, segue o bicho-homem – deletério
Edificando o Caos dentre os destroços:
Rega fantasmas a sangue! Colhe ossos!

Vertiginoso o mundo – fria Babel
Caminha para o Nada! E em seu papel
A guerra faz da Terra cemitério!

JJotaPoeta


O segundo poema é do meu grande amigo Humberto Rodrigues Neto, que assina como Humberto-Poeta.


GAZA! QUEM É O CULPADO?

Culpados são os padres e pastores
e rabinos, também, e aiatolás
pregando deuses maus e vingadores,
a fomentar o ódio em vez da paz!

Ao se suporem do universo o centro,
fazem do engodo seus apostolados,
sempre a empurrar-nos, tímpanos a dentro,
falsos mitos de credos superados!

Da Igreja nunca mais será esquecida
a sua mais hórrida e venal tragédia:
os mártires aos quais ceifou a vida
nos fogareiros vis da idade média!

Protestantes, judeus e muçulmanos
sofreram as torturas mais horríveis,
enquanto os cardeais, nédios e ufanos,
às súplicas sorriam-se impassíveis!


Aos rabinos, versados no Talmude,
do qual supõem ter desvendado os lacres,
pouco importa se a mosaica juventude
se dê à carnificina dos massacres!

Aos muçulmanos a morte é um pretexto
que afirmam registrado no Alcorão!
Mentira, pois Alá, em nenhum texto,
pede a alguém p’ra matar um pobre irmão!

Toda essa mocidade promissora
que Deus fadou aos mais fraternos atos,
fica à mercê da sanha destruidora
dessa grei de assassinos e insensatos!

Assim age o que engendra atrocidades
e instrumento se faz de tal sandice:
mascara os livros sacros de inverdades
dizendo coisas que Deus nunca disse!

Mas quem da Bíblia e do Alcorão faz messes
das mais diabólicas cavilações,
precisa muito mais das nossas preces
que das nossas acerbas maldições!

Humberto-Poeta

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

ANITA

ANITA – EPISÓDIO VI

(Ficção baseada em factos reais)


Mal deu dois passos no corredor, Anita estacou de repente, com uma expressão de espanto e indignação estampada no rosto.

FIM DO EPISÓDIO V

EPISÓDIO VI

Ao fundo do corredor, sorridente, aguardava-a o filho de Vicente.
Pelas roupas confortáveis e informais que usava, Anita apercebeu-se, de imediato, que Humberto vivia ainda naquela casa.

De facto, desde que se casara, Anita não voltara a perguntar a Vicente se já arranjara casa para o filho morar.
Sem saber explicar bem porquê, mas talvez devido ao silêncio do marido, convencera-se que o assunto estava arrumado, e Humberto estaria a viver na sua nova casa.
Por isso o seu espanto foi grande ao vê-lo, ao mesmo tempo que sentia uma enorme raiva crescer dentro de si.
Considerava que Vicente fora desleal não a informando de que iria ter que conviver com Humberto dentro da mesma casa.

Dirigiu-se ao enteado, que a recebia de braços abertos.
Não conseguiu disfarçar uma ligeira frieza ao deixar-se abraçar, considerando, contudo, que Humberto não tinha culpa alguma desta desagradável situação.

Quando se encontrou a sós com o marido, Anita perguntou-lhe, friamente:
- Foi só desta vez, ou é costume teu não cumprires o prometido?
Vicente fingiu não perceber:
- Não sei a que te referes. Toda a gente sabe que eu honro sempre os meus compromissos.
- Nos negócios, talvez. Não duvido. Mas no que me diz respeito não posso dizer o mesmo. Ou será que te esqueceste da única exigência que eu fiz antes de nos casarmos?
- Exigência, minha querida??? Mas quando é que tu precisas exigir seja o que for? Sabes muito bem que tudo o que desejares apenas tens que o manifestar. Eu vivo para te satisfazer.

Anita engoliu em seco. Não estava com disposição para discutir sentimentos.
- O que está aqui em causa, agora, não são os meus desejos nem os teus sentimentos, mas a promessa que me fizeste de que, quando eu viesse para esta casa, o Humberto já cá não estaria. E ele ainda cá está!

Vicente abandonou o ar risonho e benevolente com que estivera escutando Anita:
- Tens toda a razão, minha querida. De facto, falhei na promessa que te fiz. Mas, acredita, não foi por falta de esforço em procurar uma casa para o meu filho. É que não consegui encontrar nenhuma casa para alugar.
Mas agora vou fazer-te outra promessa, e essa será cumprida:
-Amanhã mesmo vou falar com o empreiteiro e juntos procuraremos um terreno para, rapidamente, construir uma pequena casa para o Humberto.
- Assim espero – respondeu Anita, dando o assunto por encerrado.

Nos dias que se seguiram, Anita fez a vida normal de uma recém-casada: Começou por receber na sua casa as pessoas mais importantes da ilha, que haviam comparecido ao seu casamento ofertando-lhe valiosas prendas.
A esses jantares estavam presentes apenas os convidados e os donos da casa. Humberto nunca compareceu..
Anita manifestou a sua estranheza ao marido, que lhe respondeu:
- Humberto é bastante tímido com pessoas estranhas, preferiu ir jantar com os amigos – e mudou rapidamente de assunto.
Anita não insistiu, embora não ficasse muito convencida.

Depois de cumpridos todos estes deveres sociais, chegou a vez de convidar as suas amigas, que na realidade não eram muitas. Eram apenas quatro amigas que conservara da infância, já que a juventude fora passada, a maior parte do tempo, na capital, a estudar.
Pensou que, depois de ter organizado todos aqueles jantares apenas para cumprir um dever social, agora, finalmente, ia poder reunir-se com as suas amigas, e passar um serão divertido na sua companhia.

Três das suas amigas eram casadas, uma era solteira. Anita lembrou-se de lhe arranjar companhia. Chamou Humberto e disse-lhe:
- Humberto, hoje vamos ter cá em casa, para o jantar, as minhas amigas. Gostaria muito que nos fizesses companhia, jantando connosco.
Com um ar ligeiramente surpreso, Humberto respondeu:
- Falaste nisso ao meu pai? E rapidamente acrescentou – preciso ver…já tinha combinado com os meus amigos…

FIM DO EPISÓDIO VI

domingo, 11 de janeiro de 2009

LEMBRANDO ANOS PASSADOS

No início dos anos é normal e muito vulgar fazer análises dos acontecimentos do ano anterior.
Assim aconteceu em 2008, 2007…e agora, no início de 2009.
Muitos recordaram o pior do ano anterior; outras pessoas preferiram lembrar as coisas boas – louvável e, por certo, edificante.
Eu prefiro lembrar o que foi lembrado o ano passado, ou seja, fazer uma pequena viagem na máquina do tempo.
É assim, nessa fabulosa máquina, que chegamos a Pyongyang, Coreia do Norte, nos anos 80/90 do século passado.

Quem diria que um país tão pequenino que não produz praticamente nada; durante o século XX foi invadido, destroçado, escravizado e incorporado pelo Japão; depois, fortemente bombardeado pelos Estados Unidos, e finalmente dividido em duas partes, cuja parte norte tem vivido sob um regime totalitário de fazer inveja a qualquer outro regime totalitário, e que vive às portas da fome…conseguiria fazer o Japão, a Inglaterra e os Estados Unidos dançar a música que ele toca?

Há quem pense que Kim Jong Il, líder norte coreano, é maluco – afinal, o país tem muito pouco poder de negociação, e está praticamente isolado do mundo.
Depois que Bush colocou a Coreia do Norte na lista dos países que compõem o “eixo do mal”, qualquer líder que não fosse louco tentaria não atrair as atenções da América. Kim Jong Il, pelo contrário, insinuou ter começado o seu programa nuclear, e até mesmo a possibilidade de estar com a bomba atómica a caminho.

Assim se falava em 2003.

Kim Jong Il, nascido a 16 de Fevereiro de 1942, na União Soviética, é o líder da República Popular Democrática da Coreia do Norte.
É presidente da Comissão Nacional de Defesa e secretário-geral do Partido dos Trabalhadores Coreano.


Exerce poderes ditatoriais, e o culto da sua imagem está presente em quase todas as esferas da vida quotidiana norte-coreana.

De tanto o ouvirem repetir, as pessoas são levadas a acreditar que o seu país é o “Paraíso na Terra”.

Quem não se encaixa no ideal de Kim Jong Il daquilo que é um cidadão saudável e vital, não merece viver. Pessoas com deficiência, ou apenas baixas, são consideradas sub-humanas.
Depois destes breves traços sobre o líder da Coreia do Norte, vamos recordar um acontecimento passado nos atrás referidos anos 80/90, precisamente em 1989.

Durante os preparativos para o Festival Mundial da Juventude Kim Jong Il encorajou o país a fazer melhor do que, no ano anterior, fizera a Coreia do Sul, aquando dos Jogos Olímpicos de Verão.
Para o efeito foram tomadas várias medidas, entre as quais a que vou aqui relembrar.

Pionguiangue na actualidade

Pyongyang, (aportuguesado para Pionguiangue), capital da Coreia do Norte, deveria ser purificada de todas as pessoas deficientes.
Seis meses antes do Festival, agentes do governo reuniram todos os deficientes residentes na capital, e enviou-os para aldeias longínquas.
Nesse período, um dia de Maio de 1989, um médico, que preferiu não referir o seu nome, foi incumbido, pelo Partido Comunista, de localizar os indivíduos mais baixos, residentes na capital. Foram postos a circular, pelos representantes locais do Partido, folhetos de propaganda, que informavam que o estado tinha descoberto um medicamento para aumentar a altura das pessoas.
Este medicamente seria fornecido gratuitamente a quem quisesse submeter-se ao novo tratamento.
Só em dois dias juntaram-se milhares de pessoas interessadas.
O médico escolheu os mais baixos, e explicou à multidão que o medicamento fazia mais efeito quando aplicado regularmente, e num ambiente propício.
Os candidatos, sem a mínima suspeita, embarcaram em dois navios, mulheres num, homens noutro, e foram enviados para duas ilhas desertas, com o intuito de que os seus genes “de baixo nível”não se perpetuassem por novas gerações.
Abandonados à sua sorte, sem quaisquer provisões ou alimentos, nenhum deles conseguiu regressar a casa.

Esta história foi lembrada o ano passado, em Agosto ou Setembro de 2008, numa revista de que não recordo o nome. Li-a, em Novembro, numa das longas esperas numa sala (de espera) dum consultório médico. Tomei apontamentos, e agora lembrei-me de a partilhar convosco.

Na altura não pude deixar de fazer a analogia entre Kim Jong Il e Adolf Hitler: um, condenou milhares de pessoas à morte, acenando-lhes com um novo medicamento que os faria crescer;


o outro oferecendo um bocado de sabão antes de entrarem no “banho”, de cujo chuveiro saía, em vez de água, um gás letal.


Reflexão:
Quando é que o Homem vai aprender com os erros cometidos por outro Homem?


quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

MENSAGEM DE ANO NOVO

Sugiro, para começar, que veja este vídeo. Estou convencida de que vai gostar.

Mas se não estiver interessada(o), é só passar adiante.

Happy new year



Depois destes belos votos de Feliz Ano Novo, (para quem viu o vídeo) vou propor-vos começar o ano de 2009 reflectindo sobre um tema que considero de extrema importância.

Peço desculpa por se tratar de um post anormalmente extenso, embora isso se deva especialmente às fotos que achei por bem incluir.

Aproveito a oportunidade para comunicar que estarei ausente da blogosfera por uma ou duas semanas.
Sinto necessidade de fazer uma introspecção, uma espécie de retiro, (chamem-lhe o que quiserem); de vez em quando precisamos rever a nossa maneira de estar na vida, analisar com calma os nossos procedimentos, rever certas atitudes, e, eventualmente alterar os nossos pontos de vista e consequentes actos.

Iniciemos o Ano de 2009 meditando sobre o assunto que aqui vos trago, desejando que esta reflexão funcione como um voto que todos, de mãos dadas, iremos fazer.






















Um Ano muito feliz para todos.
Até breve.
Mariazita