quinta-feira, 11 de setembro de 2008

COM LICENÇA

Quem viveu esses tempos e/ou leu sobre o assunto sabe que houve um período, triste, na história da humanidade, que decorreu durante a 2ª.Guerra Mundial, e nos anos que lhe sucederam.
Para além das enormes dificuldades que se viviam, especialmente com a subida ao poder de Salazar, e a implantação do estado Novo, a censura actuava severamente, e as proibições surgiam como cogumelos.

Quem não se lembra de que era proibido dar um beijo em público?
Que era proibido a uma mulher casada viajar para o estrangeiro sem a devida autorização, por escrito, do seu marido? Que era proibido vestir minissaia?
Usar biquíni na praia? Nem pensar! O fato de banho era uma peça única, não muito cavado nas pernas e sem exagerar no decote.

Medindo a altura do fato de banho

E não se pense que só às mulheres eram impostas estas regras! Os homens também tinham as suas restrições


Barriguinhas à mostra…proibidíssimo!

Contava-se uma história, que acredito fosse anedota, de uma turista inglesa que, numa praia portuguesa, se passeava de biquíni, deliciando-se com o sol de Portugal.
Nada que se compare aos biquínis de hoje. Calção subido até à cintura e sutiã bem recatado, que pouco expunha aos olhos cobiçosos.


Foi interpelada por um cabo-de-mar (polícia marítimo) que, no seu inglês macarrónico, aprendido no Cais do Sodré, entre palavras e sinais, tentava fazer-lhe saber que não podia andar assim vestida (ou despida). Como a inglesa parecia não dar sinais de compreensão, o polícia conseguiu soletrar, apontando para o biquíni: just one piece! Percebendo, finalmente, a inglesa respondeu, no seu português também macarrónico: – Só uma peça? Eu escolher a de baixo, ok? E retirou o sutiã.

A história que ouvi contar acabava aqui. Não sei qual o seguimento, mas imagino que tenha sido a esquadra de polícia mais próxima.

(Hoje em dia ainda há quem use fato de banho que faz lembrar esses tempos…

Burkakini – usada em 2007, pelas muçulmanas, na Austrália

mas isso é outro assunto, fora deste contexto).

Muitos escritores e músicos viram as suas obras censuradas e proibidas.
As suas músicas e livros ouviam-se e liam-se apenas na intimidade do lar, ou em círculos muito restritos e de extrema confiança, não fosse alguém descobrir e contar à polícia.
Nos guiões para cinema e peças de teatro a tesoura da censura cortava sem contemplações.

Talvez para evitar situações menos agradáveis a pessoas de certos estratos sociais… (isto é apenas uma suposição minha, não tenho qualquer base para o afirmar como verdade) o certo é que determinadas proibições eram contornadas com a aquisição de licenças.
Por exemplo, era proibido usar isqueiro. Mas quem o quisesse fazer, podia tirar uma licença e usá-lo em público sem qualquer restrição.

Era, portanto, muito vulgar, tirarem-se licenças por tudo e por nada.
As pessoas falavam do assunto frequentemente, e em casa, as crianças também o ouviam mencionar.

É precisamente acerca de licenças a história que vos vou contar.

Havia, e penso que ainda há no mercado, um creme para as mãos (para além de outros produtos) da marca «Diadermine», que as senhoras usavam para amaciar a pele. Algumas usavam-no perfumado, outras preferiam-no sem cheiro.

Numa família minha conhecida havia duas meninas, irmãs, na altura com sete ou oito anos. O pai, fumador, usava isqueiro, tendo obtido a respectiva licença. A mãe, uma senhora bonita, cuidava do seu aspecto.
Perto da casa onde moravam havia uma farmácia.
Um dia a mãe mandou-as à farmácia comprar Diadermine. Naquele tempo ainda as crianças podiam sair à rua sozinhas, sem que isso constituísse qualquer risco.
Chegadas à farmácia, depois de pedirem o que queriam, o farmacêutico perguntaram:
- Querem com essência ou sem essência?
As meninas olharam uma para a outra, sem saber muito bem o que responder. Cochicharam entre si:
- O melhor é ser com licença. Agora é preciso licença para tudo…
O farmacêutico, impaciente com a demora, perguntou:
- Em que ficamos? É com ou sem?
Responderam em simultâneo:
- É melhor com.
E assim regressaram a casa, trazendo a Diadermine com essência, felizes porque não estariam a transgredir as leis.
O assunto só foi esclarecido porque a mãe estranhou o preço. O creme que habitualmente usava, sem essência, era mais barato.
Ao ouvir o comentário da mãe, as meninas responderam prontamente:
- Se calhar a mamã costuma comprar sem licença. Mas nós pensámos que era melhor ser com licença…

A senhora deu uma boa gargalhada, esclareceu-as, e enquanto durou o creme, andou com as mãos perfumadas.

Pode parecer-lhe anedota, mas acredite que é verdade. Passou-se com pessoas minhas amigas, com quem contactei intimamente durante muitos anos.

A maior parte das restrições e proibições atrás referidas só foram revogadas, em Portugal, depois do 25 de Abril de 1974.

domingo, 7 de setembro de 2008

ANITA

ANITA
(Ficção baseada em factos reais)

PRIMEIRO EPISÓDIO

A Anita! Eu conheci-a. Era meiga, bonita, pele de bronze, macia, olhos verdes, de azeitona.


Nascida e criada na Ilha cresceu livre como um pássaro.
Alegre, exuberante, excelente aluna, rapidamente se fez mulher e concluiu o ensino liceal.
Era de sua vontade, e também dos pais, prosseguir os estudos, fazer-se professora.
Como na Ilha isso não era possível, foi enviada para a cidade grande, a capital, que não conhecia.

Foi um deslumbramento! Tanta coisa nova, tantas luzes, tantas pessoas!
Apesar disso, adaptou-se facilmente ao ritmo da grande cidade; em breve estava matriculada e a estudar com interesse, como sempre fizera.
Devido à sua grande simpatia e beleza conquistou amigas e amigos, com quem passava os tempos livres.
Um jovem colega, Arnaldo, cativou particularmente a sua atenção. Surgiu uma amizade especial que, a breve trecho, se transformou em amor. Amor calmo, sereno, que ambos viviam a cada instante.
Em época de férias Anita regressava à Ilha, onde a aguardavam os pais, Eulália e Justino.

Os pais faziam planos para o seu futuro:
Terminado o curso Anita voltaria definitivamente à Ilha, onde poderia exercer a sua profissão de professora no liceu local. Faria um bom casamento e viveria feliz na casa que eles projectavam oferecer-lhe.

Anita sorria, apenas, sem coragem para contar que o seu coração já estava comprometido. Para quê? Ainda faltava tanto tempo para terminar o seu curso! Nessa altura informaria os pais de que tencionava casar-se com o jovem que ela mesma escolhera.

O tempo não pára, e chegou o dia em que recebeu o seu diploma.

Depois de longas e apaixonadas promessas de amor eterno, despediram-se, com o compromisso de que em breve iriam reunir-se na Ilha.
Anita comunicaria aos pais os seus planos, e Arnaldo voaria ao seu encontro para realizarem o casamento. Ficariam a viver na Ilha, onde ambos poderiam dar aulas no liceu.

À chegada Anita foi recebida com alegria ainda maior, já que, desta vez, não haveria mais despedidas. Ela vinha para ficar.
Aguardava-a uma grande surpresa. Os pais haviam organizado um jantar para o dia seguinte, convidando todos os familiares e alguns amigos, para festejar o regresso da filha, durante o qual fariam uma comunicação muito importante.
Anita mal podia esperar, cheia de curiosidade.

Assim, no dia seguinte, durante a refeição, o pai pediu a palavra, agradeceu a presença de todos, e comunicou que em breve Anita iria casar-se.
Surpresa, Anita sorriu, pensando rapidamente que, por qualquer razão que ela desconhecia, os pais tinham tido conhecimento do seu namoro na capital.
Mas o pai continuou:
- Já está tudo tratado. Casa comprada, mobilada, tudo pronto. Anita apenas terá que escolher o vestido de noiva, e caminhar até ao altar. Mais logo o noivo virá oficializar o pedido.
Anita empalideceu. Não era possível que o namorado que deixara na capital viesse, mais logo, pedir a sua mão em casamento. Só podia ser uma brincadeira.
Receosa acercou-se do pai. Com uma tranquilidade apenas aparente, perguntou-lhe o que queria dizer aquela declaração.
Com um grande sorriso, feliz, o pai aconselhou-a a ter calma e paciência para esperar, pois não tardaria muito a ter resposta para todas as suas dúvidas.
Depois da refeição todos se retiraram para a sala.
Anita sentia o coração apertado. Não adivinhava nada de bom. Tinha um mau pressentimento.

FIM DA PRIMEIRA PARTE

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

UM ESTILO DIFERENTE

Quem, a partir de terça-feira, dia 2,visitou o blog SEMPRE JOVENS ,
sabe que regressei de férias.
Retomei, lá, as minhas actividades “bloguistícas “, precisamente com o post «Regresso de férias».
Esta última fase das minhas férias deste ano excedeu as minhas expectativas. Foram, de facto, muito boas.
Uma praia com vinte ou trinta quilómetros de extensão, a água do mar com a temperatura certa – aquela que nos permite mergulhar sem o mais leve arrepio – tempo para descansar e fazer o que apetece!

Foi neste ambiente tranquilo que tive oportunidade de ler uma reportagem acerca duma cantora que - confesso a minha ignorância - eu desconhecia completamente – Loreena McKennitt.

Fiquei fascinada com o que li. Quando regressei procurei a sua música, de que gostei imenso, e complementei a informação da reportagem.
Loreena é uma cantora e compositora canadense, que dirige a sua própria gravadora, de renome internacional. É aplaudida pelos críticos não só no Canadá mas também nos Estados Unidos, Espanha, França, Itália, Alemanha…
Pelas elevadas vendas dos seus discos têm-lhe sido atribuídos inúmeros prémios – discos de ouro e platina – em todo o mundo.
A sua música tem sido utilizada como trilha sonora em vários filmes e séries de TV, no Canadá, Estados Unidos e Venezuela.

Fundou e supervisiona importantes campanhas a favor da protecção das águas e de serviços de apoio a famílias e crianças necessitadas.

“…em 1998 eu fundei a «The Cook-Rees Memorial» quando três pessoas muito queridas morreram num acidente de barco não muito longe de onde eu moro. Graças à generosidade de amigos e famílias, no Canadá e ao redor do mundo, tornamo-nos capazes de criar iniciativas envolvendo o ensino sobre a segurança com a água, bem como os exercícios com a busca, salvamento e recuperação…”

Fundou, entre outras, a «The Three Oaks Foundation», uma instituição beneficente que proporciona fundos para grupos com finalidades culturais, ambientais, históricas e sociais.

Foram-lhe outorgados títulos honorários de “Doutora em Direito” e “Doutora em Letras” por diversas Universidades, o último dos quais em Outubro de 2005, pela Universidade de Queens.

Segundo as suas próprias palavras, em finais dos anos 70, Loreena ficou impressionada com o que hoje é designado por música céltica, mas só em 1991, depois de assistir a uma exposição de artesanato celta, em Veneza, se sentiu verdadeiramente atraída pela geografia e propagação histórica do povo celta.

“O meu ponto de partida é a convicção de que, de uma forma ou outra, somos todos uma extensão da história de cada um de nós. A vontade de aprender mais sobre os nossos semelhantes é também um desejo de aprender mais sobre nós mesmos. Eu simplesmente escolhi o povo céltico para fazer isso”
“… eu fico admirada com a capacidade exclusiva da música em induzir e realçar o astral e os estados psicológicos, e a ligação forte que a mesma exerce sobre a fisiologia…” “…estou interessada profundamente nessas conexões entre a nossa fisiologia e a essência espiritual e psicológica, e vários eventos e experiências que nos inspiram”.

Toda a sua música está impregnada dum certo misticismo que revela a sua maneira de ser e estar na vida.
Foi em «A Divina Comédia», de Dante, que Loreena se inspirou para compor “Dante’s Prayer”.
Em « A Divina Comédia » Dante descreve uma viagem dele próprio, acompanhado pelo escritor romano Virgílio, através do Inferno e do Purgatório.

(Dante e Virgílio – óleo de Delacrois)

Em “Dante’s Prayer” Loreena combina o Hino de Páscoa Ortodoxo Russo
com a sua própria música e a letra imaginária da prece que Dante teria proferido depois que ele e Virgílio, tendo partido do centro gelado do Inferno, viajavam no limiar entre o Inferno e o Purgatório.

Ouça e veja o vídeo que escolhi.

Dante's Prayer - Loreena McKennitt







quinta-feira, 14 de agosto de 2008

NÃO VOU REPETIR…

Não vou repetir que vou de férias. Já o disse no SEMPRE JOVENS , e poderia parecer provocação…
Mas a verdade é que VOU DE FÉRIAS! Deixem-me gritar bem alto.

Se os vizinhos ouvirem não há problema, é tudo gente boa.
Quanto aos assaltantes, nem pensem! A minha casa (onde resido, não esta vossa “Casa”) vai continuar habitada. Portanto, não vale a pena tentarem. Não têm chance.
Que isto de ir de férias e deixar as casas desabitadas, sem segurança, é um risco muito grande que se corre. Com os amigos do alheio todo o cuidado é pouco…

À laia de despedida lembrei-me de vos deixar aqui um presentinho. Depois de muito pensar ocorreu-me que seria interessante qualquer coisa que vos levasse a meditar…
Enquanto forem meditando vão se lembrando de quem vos deixou motivo para reflexão. Haverá coisa melhor do que isso???

“Amigos são como estrelas. Nem SEMPRE as podemos ver, mas sabemos que elas estão SEMPRE lá”.

O texto que se segue não é de minha autoria. Recebi-o por email, sem indicação de autor. Sempre que conheço a autoria indico-a.
Os posts que aqui publiquei, inteiramente escritos por mim, são apenas (por enquanto…) os que têm a etiqueta «Os meus rabiscos» e «Os meus rabiscos/África”.

E agora, o texto para reflexão.


ATRITOS
Ninguém muda ninguém; ninguém muda sozinho; nós mudamos nos encontros.
Simples, mas profundo, preciso. É nos relacionamentos que nos transformamos.

Somos transformados a partir dos encontros, desde que estejamos abertos e livres para sermos impactados pela idéia e sentimento do outro.

Você já viu a diferença que há entre as pedras que estão na nascente de um rio, e as pedras que estão em sua foz?

As pedras na nascente são toscas, pontiagudas, cheias de arestas. À medida que elas vão sendo carregadas pelo rio, sofrendo a ação da água e se atritando com as outras pedras, ao longo de muitos anos, elas vão sendo polidas, desbastadas.

Assim também agem nossos contatos humanos. Sem eles, a vida seria monótona, árida.
A observação mais importante é constatar que não existem sentimentos, bons ou ruins, sem a existência do outro, sem o seu contato.

Passar pela vida sem se permitir um relacionamento próximo com o outro, é não crescer, não evoluir, não se transformar.
É começar e terminar a existência com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.

Quando olho para trás, vejo que hoje carrego em meu ser várias marcas de pessoas extremamente importantes. Pessoas que, no contato com elas, me permitiram ir dando forma ao que sou, eliminando arestas, transformando-me em alguém melhor, mais suave, mais harmônico, mais integrado.
Outras, sem dúvida, com suas ações e palavras me criaram novas arestas, que precisaram ser desbastadas.

Faz parte...
Reveses momentâneos servem para o crescimento.

A isso chamamos experiência.


Penso que existe algo mais profundo, ainda nessa análise. Começamos a jornada da vida como grandes pedras, cheias de excessos.

Os seres de grande valor, percebem que ao final da vida, foram perdendo todos os excessos que formavam suas arestas, se aproximando cada vez mais de sua essência, e ficando cada vez menores, menores, menores...

Quando finalmente aceitamos que somos pequenos, ínfimos, dada a compreensão da existência e importância do outro, é que finalmente nos tornamos grandes em valor.

Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado? Sabemos quanto se tira de excesso para chegar ao seu âmago. É lá que está o verdadeiro valor...

Cada um de nós nasceu com um âmago bem forte e muito parecido com o diamante bruto, constituído de muitos elementos, mas essencialmente de AMOR.

Foi dado, a cada um de nós essa capacidade, a de AMAR... Mas temos que aprender como.
Para chegarmos a esse âmago, temos que nos permitir, através dos relacionamentos, ir desbastando todos os excessos que nos impedem de usá-lo, de fazê-lo brilhar.

Por muito tempo em minha vida acreditei que amar significava evitar sentimentos ruins.
Não entendia que ferir e ser ferido, ter e provocar raiva, ignorar e ser ignorado faz parte da construção do aprendizado do amor.

Não compreendia que se aprende a amar sentindo todos esses sentimentos contraditórios e... os superando.


Ora, esses sentimentos simplesmente não ocorrem se não houver envolvimento...
E envolvimento gera atrito.

Minha palavra final: ATRITE-SE!

Não existe outra forma de descobrir o AMOR.

E sem ele a VIDA não tem significado.

Fiquem bem. Sejam felizes. Saibam AMAR.

domingo, 10 de agosto de 2008

MANTA DE RETALHOS

Quando se escreve “ao correr da pena”, como se de uma amena conversa se tratasse, corre-se o risco de usar expressões que podem ser mal interpretadas por algum leitor mais atento.

Vem isto a propósito do comentário que um gentil visitante e comentador fez ao post anterior, Sei que a sua intenção não foi dizer "todos nós"
pelo facto de eu ter escrito “todos nós”.
Daí que eu tenha alterado este início de conversa, que começava assim:

- Todos nós sabemos que uma manta de retalhos é feita de…

A verdade é que nem TODOS sabem como se faz ; apenas alguns, mais provavelmente algumas… que uma manta de retalhos é confeccionada com pequenos bocados de tecido, unidos aleatoriamente…

Mas deixemos isso para a próxima aula de corte e costura!
Vamos ver o que tem a dizer-nos esta simpática velhinha.

SOU UMA VELHINHA GAITEIRA











Sou uma velhinha gaiteira. E daí?
Isso incomoda-vos? Lamento!
Preferia que vos agradasse. Mas não posso deixar de dizer que “é para o lado que durmo melhor”.
Esta é uma expressão que usam os meus bisnetos - que, aqui para nós, também me chamam, com ternura, “velhotinha gaiteira” – quando querem significar que não se importam com qualquer coisa..

Gosto de vestir roupas de cores claras, alegres. E daí?
A claridade faz bem aos ossos, ajuda a combater a osteoporose. O ideal mesmo é a luz do sol, pelo menos quinze minutos por dia. Mas nos dias sem sol, ou para quem não pode expor-se aos raios solares, a claridade é um bom substituto.
A alegria é indispensável à vida. É a ela que devo a minha longevidade.
Não sabem que existem “clínicas do riso” onde as pessoas com uma certa idade vão, apenas rir, quinze minutos todos os dias? Vejam como elas são felizes!
“A alegria é um raio de luz, que deve permanecer sempre aceso, iluminando todos os nossos actos, servindo de guia a todos que nos rodeiam”
A vida é muito importante para ser levada a sério – dizia Óscar Wilde.

Gosto de passear no parque, ouvir o chilrear dos passarinhos. E daí?
Quem disse que os parques só podem ser usados pelos meninos que jogam à bola ou brincam ao pião?
Ou pelas meninas, carregando as sua bonecas, brincando às mamãs?
Ou pelas criadas, impecáveis nas suas fardas acabadas de engomar, aventalzinho branco bordado, empurrando os carrinhos dos bebés, que vêm tomar ar fresco?
Esperem! Estou a fazer uma grande confusão…isto acontecia há muitos anos! Deixei-me embalar pelas recordações…
Estou aqui sentada há tanto tempo e ainda não ouvi o cantar de um pássaro! Ouço, sim, as buzinas dos carros, que fazem um barulho infernal.
E o ar fresco e perfumado? Não se sente…Há, isso sim, um cheiro horrível do gás que sai dos tubos de escape.
E as crianças, as poucas que por aqui se vêem, estão agarradas àquelas maquinetas que lhes entortam os olhos. Mexem constantemente os dedinhos, mordem os lábios nervosamente, e não se apercebem de nada à sua volta…

Preocupo-me com a saúde. E daí?
Vou ao médico regularmente. Tomo os medicamentos que ele me receita. Faço os exames que prescreve. Sigo, direitinho, todos os seus conselhos.
• Dizem-me os mais jovens:
• Eu vendo saúde! Sou forte! Para quê perder tempo com médicos?
• Eu também já fui jovem, mas não pensava assim. Sempre me cuidei. Continuem com essa filosofia, e em 2028 cá estaremos, e então conversamos. Bom, EU sei que vou cá estar. Vocês…não sei! Arrisco-me a falar com os vossos ossos, talvez já feitos em pó.
A juventude de agora não pensa! “Esta juventude um espanto!”

Sou vaidosa. E daí?
Olho-me no espelho e vejo um rosto sorridente. As rugazinhas que o enfeitam sorriem comigo. Foi uma oferta do tempo, por tanto que eu soube sorrir.
Os olhos reflectem ternura. E amor. Muito amor. Todo o amor que dei e recebi ao longo de tantos anos.
O peito não é altivo como antigamente…Foi a amamentar os filhos que ele perdeu a altivez. Como os meus filhos gostavam do leitinho da mamã! Era vê-los crescer, fortes, saudáveis, risonhos!
Não há nada como o leite materno para alimentar os bebés.
Hoje há muitas mulheres que não querem amamentar. Dizem que não querem “estragar” o corpo! Como se um filho pudesse estragar a sua mãe!
São jovens, ainda não sabem que, depois de carregarem um filho no ventre durante nove meses, ele ficará para toda a vida no coração.
E esse, o coração, é que é importante não deixar estragar.

Estou a ficar desmemoriada. E daí?
A semana passada fui ao cinema ver um filme qualquer. Já nem me lembro do nome…dos artistas muito menos. Sei que são muito conhecidos, famosos, mas não me recordo dos nomes. Mas isso que importa? Daqui por algum tempo ninguém se lembrará, também! Eu apenas me antecipo a esquecê-los.
Sei é que havia um cheiro forte, enjoativo, no ar. Pipocas, era isso!
E aquele ruído de fundo – crr, crr, crr…Imaginem o som de duzentas ou trezentas pessoas – não sei quantas comporta uma sala de cinema - a mastigar pipocas!
E o ronco do vizinho do lado que não apreciava o género de filmes de…
Acção? Suspense? Policial? Sei lá!...
Não me lembro. E daí?

OBS. – Para que não me interpretem mal… entenda-se “gaiteira” por – alegre, foliona, brincalhona (adjectivo) e não «tocadora de gaita» (substantivo).

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

DERROTADOS PELO EXCESSO

Todos nós consumimos, diariamente, muito mais do que necessitamos para viver.
Na alimentação, cometemos, muitas vezes, excessos, ingerindo uma quantidade de alimentos superior à que seria necessária.
Dirão os que são frugais: eu não faço isso!
Contudo, quantos, de nós, se podem incluir nessa categoria?
O aspecto alimentar é apenas um pequeno exemplo. Na realidade, os humanos exageram no consumo de tudo.
E o nosso pobre planeta está a chegar à exaustão.
Mas isto será tema para uma outra conversa. Por agora quero partilhar convosco um texto de Fátima Irene Pinto, que aborda esta problemática.
No final incluo um vídeo também alusivo a este tema.


DERROTADOS PELO EXCESSO

Ao começara a redigir este texto não sei se vou conseguir passar, de forma clara, a essência daquilo que estou pensando, porque há um excesso de informações na minha mente…acho que bem maior do que o meu cérebro pode suportar.
Você já se sentiu derrotado pelo excesso?
E não se trata de algo que a gente possa controlar, administrar ou filtrar: é uma marca registada do nosso tempo.
No trabalho, por exemplo, os informativos chegam aos borbotões, e há que se mudar as regras do jogo num ritmo desenfreado.
Não há fixação, não há sedimentação, não há uma estrutura gradativa no fio condutor destas mudanças.
Meu cérebro, como auto defesa., simplesmente emperra, enquanto os que tentam abarcar esta “onda-pororoca”* sucumbem ao stress profundo.
Observando crianças na escola, percebo que elas são sobrecarregadas de trabalhos, pesquisas, livros para ler, tendo ainda que fazer inglês e computação, para não ficarem à margem da vida.
Compadeço-me de meus sobrinhos na faculdade.
Após a maratona insana do vestibular, aguarda-os uma outra maratona, que lhes rouba dias e noites de sossego, de lazer e de sono.
Tão jovens e tão stressados!
Fico me perguntando se a vida não cobrará destas crianças e destes jovens a infância e a juventude que não estão podendo viver.
Sim, vivemos um tempo pautado pelo excesso, e, como consequência, pela superficialidade.
Não se “forma” ninguém. Apenas se “informa”, e de modo tão excessivo, que é comum não se lembrar hoje das muitas informações que se teve ontem.
Não apenas informações, mas neste nosso tempo tudo se dá em larga escala.
Você sai e fica aprisionado no trânsito por excesso de carros.
Você liga a TV e há canais em excesso.
Você liga o rádio e se perde no meio das estações.
Você vai ao shopping e se perde no excesso de lojas; e, se entra nas lojas, você se perde no meio das marcas.
Utensílios que você compra hoje como sendo de última geração, em pouco tempo se tornam obsoletos.
Se você tem uma disfunção orgânica há excesso de especialistas e um sem par de exames – que falta faz aquele antigo clínico geral, médico de família!
E mesmo os remédios que você toma são substituídos por outros mais modernos (e mais caros), de última geração.
Aliás, é de praxe, hoje, tomar uma quantia excessiva de remédios para algo que poderia ser resolvido com um chá caseiro e um pouco de repouso.
Se você vai ao banco pagar uma conta ou ao correio postar uma carta, você perde a calma na fila interminável.
Estou citando exemplos que estão vindo à mente, mas com certeza o leitor/a completará a lista com outras tantas menções ao tema a que me reporto.
Até já sei. Você deve ter pensado num excesso esmagador: impostos!
Ou talvez no excesso de políticos corruptos…
Cala-te boca!
Então, para fugir dos excessos do mundo lá fora, ou ao menos dar uma pausa, você vem para o Micro e, com certeza, há uma imensa possibilidade de você ser derrotado pelo excesso de programas, emails, sites, chats, spam e amizades virtuais que, exactamente pelo excesso, têm o mesmo teor de superficialidade, com raríssimas excepções.
Resista bravamente. Afinal, aqui ainda é o seu local preferido!
Mas…se você sucumbir, cantarole comigo a canção que entoo neste momento:

“Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde p’ra plantar e p’ra colher.
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela
Para ver o sol nascer.”

Fátima Irene Pinto

* Onda-pororoca é um tipo de onda revolta que se forma nos rios, não no mar.


Maria Bethania - Casinha Branca

domingo, 3 de agosto de 2008

VIVA OS HOMENS

Para que não me acusem de publicar textos muito extensos no dia tradicionalmente consagrado ao descanso, hoje decidi publicar um bem pequeno.
Ainda pensei em qualquer coisa do género:

Princípio ************** Fim.

Mas pareceu-me exageradamente curto. Optei pelo que se segue


Viva Os homens,
Por existirem

Viva os homens,
Por nos darem motivo para sermos mulheres

Viva os homens
Que fazem a diferença ser tão especial

Viva os homens
Que são obrigados a sufocar o choro
Para não parecerem menos homens
Que são levados s trabalhar como escravos,
Porque alguém falou que é deles a obrigação de sustentar as mulheres

Viva os homens
Os primeiros a morrer nas guerras,
Os que pegam no pesado,
Porque alguém disse que as mulheres são muito delicadas para tarefas mais árduas

Viva os homens
Que dispensam maquilhagem e não precisam lambuzar-se de batom ou esmalte de unhas vermelho

Viva os homens
Que não precisam amargar horas no salão de beleza, nem gastar rios de dinheiro em boutiques e “grifes” só para parecerem mais “fashion”

Viva os homens
Cujas armas de sedução vão além da simples aparência, e dispensam cremes anti-celulite

Viva os homens
Que conseguem ser amigos uns dos outros, sem disputas, sem fofocas e sem intrigas
Viva os homens
Que nos fazem admirar o belo e o forte, e que nos permitem parecermos tão belas

Viva os homens
Porque sem eles não teria graça nenhuma ser mulher

E viva os homens
Porque todos os dias são deles

Viva os homens
Porque são homens

Têm seu cheiro especial

Toque fenomenal
Braços fortes

Quando amam, amam mesmo

São sempre lindos

e…mesmo grisalhos
conservam seu charme


Fátima Dannemann – Jornalista, escreve crónicas, poemas, humor, ficção

Acharam o texto muito longo? Bom, talvez um pouco, mas…
Os homens MERECEM !
PS - Que lhes parece criarmos o Dia Internacional, Mundia, Regional... ou simplesmente "Blog-al" do HOMEM ??? - "Dia Blogal do Homem"
Vamos pensar nisso? Eu APOIO!

quinta-feira, 31 de julho de 2008

UM CHEIRINHO DE ALECRIM

Sentem o perfume no ar? É o cheiro do alecrim!
Será mesmo alecrim? Ou será rosmaninho?
Por vezes gera-se uma certa confusão, pensando-se que se trata apenas de uma planta a que se pode dar os dois nomes.
Na realidade são duas plantas distintas, que pertencem à mesma família.



Rosmaninho Alecrim

Em Portugal conhecem-se cinco variedades dessa mesma família, as Lamiáceas ou Labiadas.

Todas exalam um forte e agradável odor. Por isso são muito usadas em perfumaria.
As abelhas sentem uma forte atracção pelas suas flores, o que leva alguns apicultores a plantar rosmaninho perto das colmeias. Assim surge o tão famoso mel de rosmaninho, com um sabor especial que lhe é conferido pelo pólen dessas flores.
Alecrim e rosmaninho são muito utilizados na culinária, quer como tempero, seco ou fresco, ou colocado sobre o carvão, quando se fazem assados na brasa. A carne fica com um sabor especial, e o ambiente agradavelmente perfumado.
São também usados na medicina popular para combater a febre, a tosse e o mal estar do estômago, na forma de infusão, tomada após as refeições.
São-lhes também atribuídas propriedades anti-sépticas, analgésicas, anti-depressivas e anti-reumáticas.
Conta-se que Elizabeth da Hungria recebeu, aos 72 anos, a receita de um anjo (supõe-se ter sido um monge) quando estava paralítica e sofria de gota.
Com o uso do preparado de alecrim recobrou a saúde, a alegria e a beleza.
O rei da Polónia chegou a pedi-la em casamento.

O alecrim é uma planta muito ligada ao misticismo.
Desde a antiguidade é queimado nos templos e igrejas, como incenso, e o seu óleo ainda hoje é utilizado para unção nalgumas religiões.
Gregos e romanos consideravam-no uma planta sagrada.

Em Portugal. No tempo em que as procissões se realizavam com grande esplendor, espalhava-se alecrim e rosmaninho pelas ruas por onde os andores iriam passar.
António Lopes Ribeiro refere-o nos versos de “Procissão”, imortalizados por João Villaret.

Tocam os sinos na torre da Igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia, que Deus a proteja!
Vai passar a procissão.

Já em 1737 o dramaturgo português António José da Silva escreveu «Guerras do alecrim e mangerona», onde as heroínas, disfarçadas, usavam ramos de alecrim e mangerona (uma espécie de manjericão) , para serem reconhecidas pelos seus amados.
Isto comprova que, também em Portugal, o alecrim sempre foi muito apreciado.

Como gosto muito de lendas - e a prová-lo estão algumas que já aqui publiquei - não resisto à tentação de vos contar uma muito antiga, que ouvi nos meus tempos de “menina e moça”, e que ainda guardo na memória.

Quando Maria e José fugiam com o Menino Jesus a caminho do Egipto, as flores que havia à beira do caminho iam-se abrindo à sua passagem, para os saudar.
O lilás, orgulhoso da sua beleza e perfume, erguia-se bem alto.
O lírio, mais modesto de porte, mas de igual beleza, abria os cálices, contribuindo, assim, para amenizar a jornada dos caminhantes.
O alecrim, sem flores nem beleza, entristeceu, por não ter nada que pudesse oferecer ao Menino.
Depois de uma boa caminhada, encontrando-se Maria já cansada, resolveram parar junto a um rio.
O Menino adormeceu, e Maria aproveitou para lavar as suas roupinhas. Em seguida procurou um lugar para estendê-las.
Os lilases eram muito altos, os lírios muito frágeis…
Foi então que reparou no modesto alecrim, que crescia a seus pés, e nele colocou as roupinhas.
O alecrim suspirou de alegria por, finalmente, poder ser útil ao Menino. E enquanto susteve as roupinhas redobrou de esforços para activar o seu perfume e com ele as impregnar.
Quando Maria as foi apanhar disse:
“Obrigada, gentil alecrim. Daqui por diante cobrir-te-ás de flores azuis, da cor do manto que estou usando.
E, em sinal de agradecimento, não apenas as flores mas também os raminhos que sustentaram as roupas de Jesus, passarão a ser perfumadas.
Abençoo as folhas, o caule e as flores, que, a partir de agora, terão aroma de santidade e espalharão alegria”

É por isso, diz-se, que o alecrim é, todo ele, perfumado, e não apenas as suas flores.

Deixo-vos com um vídeo de que gosto imenso, que fala de alecrim.

“Procissão” por João Villaret




domingo, 27 de julho de 2008

FALAR SÓ POR FALAR OU “DEITAR CONVERSA FORA”

Hoje não me apetece escrever!
Por ser Domingo, talvez…
Não sei onde fui buscar a ideia peregrina de fazer postagens ao Domingo. À Quinta-feira ainda se compreende: estamos a meio da semana, um pouco saturados da rotina diária, falta só um dia para o início do fim de semana… e pensamos “vamos lá fazer uma postagenzita”!
Mas ao Domingo?!...Precisamente ao Domingo, dia de descanso?!...

Na verdade, nem sempre o dia de descanso foi ao Domingo.
Em tempos longínquos o dia dedicado ao descanso era o Sábado, o sétimo dia – “E ao sétimo dia descansou”.
Há quem defenda que a mudança se deve à Igreja Católica:

“…O comentário acima, de um sacerdote católico, é mais uma confirmação de que foi a Igreja Católica que mudou o quarto mandamento da Lei de Deus, que prescreve o descanso no sétimo dia, para o descanso dominical…
…a intenção do Vaticano de promover o descanso dominical para toda a sociedade, porque é o sinal da sua autoridade, e quando todo o mundo cristão estiver praticando essa doutrina, o Vaticano terá alcançado o seu grande objectivo, que é recuperar a supremacia política mundial…
…de acordo com o Dicionário Patrístico e de Antiguidades Cristãs, o bispo Inácio de Antioquia, por volta de 130 d.C., escreveu uma carta aos fiéis de Filadélfia com um propósito específico…de facto, para provar que o sábado devia ser abolido em favor do domingo, Inácio de Antíqua não podia valer-se de nenhum testemunho escriturístico. O único argumento era que o domingo era o dia da ressurreição de Jesus.”

Estes excertos vêm na sequência de um longo texto que não vou aqui transcrever. Duvido que algum de vós tivesse paciência para o ler. Eu li, mas porque sou maníaca da leitura. À conta disso já tenho lido, com muito esforço, alguns livros que não me agradam. Mas…comecei, tenho que ir até ao fim!

Deva-se a quem se dever, o facto é que hoje é dia de descanso!
E como não me apetece escrever, vou apenas informar, (a quem não sabe) e lembrar (aos que souberam) que ontem foi o Dia dos Avós.

Os Padroeiros dos Avós
Comemora-se o Dia dos Avós em 26 de Julho, e esse dia foi escolhido para a comemoração porque é o dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo. Século I a.C. - Conta a história que Ana e seu marido, Joaquim, viviam em Nazaré e não tinham filhos, mas sempre rezavam pedindo que o Senhor lhes enviasse uma criança. Apesar da idade avançada do casal, um anjo do Senhor apareceu e comunicou que Ana estava grávida, e eles tiveram a graça de ter uma menina abençoada a quem baptizaram de Maria. Santa Ana morreu quando a menina tinha apenas 3 anos. Devido a sua história, Santa Ana é considerada a padroeira das mulheres grávidas e dos que desejam ter filhos. Maria cresceu conhecendo e amando a Deus e foi por Ele a escolhida para ser Mãe de Seu Filho. São Joaquim e Santa Ana são os padroeiros dos avós.


Recebi dos meus netos um quadrinho, com uma bela moldura, onde consta, num tipo de letra muito bonito que não posso aqui reproduzir, estas deliciosas frases:

• OS AVÓS

• Os Avós são um Avô e uma Avó
• Os Avós têm sempre tempo para fazer tudo aos netos
• Os Avós gostam muito de passear devagar, devagarinho
• Os Avós nunca têm pressa para nada, são sempre mais velhinhos e
gordinhos

• Os Avós sabem sempre dar aquilo que os netos querem
• Os Avós quando se zangam fazem-no sempre a sorrir
• Os Avós, quando contam histórias, nunca saltam bocados, e não se
importam de as repetir vezes sem conta

• Os Avós “estragam”, os Pais educam.

VIVAM OS AVÓS

Deixo-vos, até à próxima Quinta Feira, com um lindo presente.
Está no post seguinte, com o título “Casa de Vó”.
Penso que vão gostar.

CASA DE VÓ

CASA DE VÓ

Casa de Vó é o lugar mais doce do mundo!



É onde até o limão é doce, e qualquer doce fica muito mais doce.
Há sempre rocambole fofo, coberto de açúcar, em cima da geladeira.
E dentro? Nem se fala!...
Há sonhos de verdade, cobertos de canela.
Há biscoitos quentinhos acabados de sair.
Há suspiros dourados e beijinhos doces.
E a melhor, a mais limpinha, a mais gostosa cama do mundo.
Há esconderijos segredáveis e mapas de tesouro.
Há castelos, fadas, viagens espaciais, reis, princesas e super heróis.
Há risos, muitos risos de sobremesa nas mesas de domingo.



Na casa de Vó as coisas são da altura da gente e tudo está ao alcance das mãos.
Nada é cheio de não – me – toques.
Tudo é à prova de neto!
Até a guerra de travesseiros vem, mas significa paz e alegria.
Na casa da vovó dá vontade de correr e brincar o resto da vida sem parar nunca.
Pois trincos não tem, fechaduras também não.
Casa de Vó tem é muitos braços todos abertos a qualquer hora.
P’ra casa de Vó nunca precisa avisar que vai, é só chegar.
Mesa de casa de Vó vive pronta!
Com toalha bem lavável, sem enfeites caros e novos; resistentes, isso sim.
E tudo funciona melhor na casa de Vó.
As paredes amortecem os tombos.
O chão é menos duro.
O fogão tem mais que seis bocas, todas acesas!
A mesa, como tem pernas…
As cadeiras, mas que dois braços aconchegando…
E Vó, sempre, é toda ouvidos!
Caderno de receita de Vó, então, é livro cobiçado, já esgotado.
Todos querem os segredos dos cozidos e dos assados, mas ninguém consegue jamais fazer um igual.
Porque o jeito de escrever, as páginas amarelas e as gotinhas de gordura não se fizeram em um dia.
Foram precisos muitos dias de festa e vontade de agradar.
Lamber os dedos pode, mas só na casa de Vó.
Raspas de panela tem sempre, e, o pior, tem fila também.
Se escuta sempre: “Eu pedi primeiro!”.
Quase toda Vó tem cadeira de balanço, um chinelo jeitoso, uma caixinha com bilhetes, lencinhos e papéis amarelados.
Gaveta de Vó, então, é uma festa!
De vez em quando toda Vó dá um suspiro bem fundo, porque tem coisas demais para se lembrar, sentindo saudades.
Há coisas que só o amor de Vó faz.
Machucados, por exemplo, são curados com dengo e muitos, muitos beijos.



Dinheiro de Vó rende…
Pensando bem é o único dinheiro que rende.
E costura que Vó faz, então?
Chega a vestir três gerações, até.
As histórias de Vó, as brincadeiras e as cantigas de ninar, só ela conhece, mais ninguém.
E o sono vem cheio de sonhos bons, quando a Vó está por perto.
Porque só cheirinho de Vó é já uma delícia!
O colo é tão gostoso e a pele tão macia que ficam na lembrança da gente p’ro resto da vida.
O assunto não tem fim na casa de Vó.
Ninguém perde o fio da meada, pois é tecido com muito interesse em escutar cada graça, cada novidade, cada descoberta.
Há tanto caso engraçado, e histórias p’ra se ouvir, que ver televisão é perder tempo…
O relógio é sempre adiantado para ninguém perder a hora.
Existe na casa de Vó a mágica do tempo, ele obedece, vai e volta, é só querer.
E a gente é o que quer ser.
Cresce, se quiser crescer.
A casa de Vó tem o maior espaço do mundo, mesmo que não tenha espaço nenhum.
Porque o espaço maior ficou inventado pela liberdade de rir, de correr e de gritar.
Espaço infinito que é do tamanho do coração que toda Vó tem.



Autoria - Guiomar Paiva Brandão, no livro “Casa de Vó”

quinta-feira, 24 de julho de 2008

MAIS UMA ESTRELA SE APAGOU

Desapareceu mais um astro do firmamento cinematográfico – Mel Ferrer.
O falecimento ocorreu no passado dia 2 de Junho, em Santa Bárbara, Califórnia, USA.



De acordo com o que foi noticiado nos Estados Unidos, o actor, de 90 anos de idade, encontrava-se rodeado de familiares e amigos. Terminou os seus dias em paz.
Os mais jovens, provavelmente, não conhecem nem o nome, nunca ouviram falar. Os menos jovens de idade, nos quais me incluo, lembram, certamente, o actor.
Na realidade, Mel Ferrer tornou-se conhecido especialmente como actor. Protagonizou mais de cem filmes ao longo da sua carreira, o último dos quais em 1998.
Actor principal em filmes famosos como Scaramouche, Lili, O Dia Mais Longo, o que o tornou mais conhecido e famoso foi, sem dúvida, o grandioso “Guerra e Paz”, realizado em 1956.





Como acontece com um grande número de pessoas, também Mel Ferrer não realizou o sonho da sua vida - exercer a profissão de que mais gostava – realizador de cinema.
Ainda fez uma incursão nesse campo, realizando alguns filmes. Mas o seu destino era ser actor. Os grandes cineastas requisitavam-no, os seus filmes garantiam sucesso de bilh eteira, e assim acabou por abandonar definitivamente o campo da realização.
Durante as gravações de “Os cavaleiros da Távola Redonda”, em Londres, conheceu a lindíssima Haudrey Hepburn,



com quem se casou em 1954, na cidade de Lausanne, Suíça.




O casamento durou 14 anos, e terminou em 1964.

Homem discreto, sempre pautou a sua vida por uma atitude correcta. Nunca se lhe conheceram escândalos, tão comuns no meio cinematográfico, e a que muitos actores e actrizes devem, em parte, a sua fama.

Partiu um grande actor e, tanto quanto se sabe, um homem de bem.
Por isso lhe presto, aqui, esta singela homenagem.




domingo, 20 de julho de 2008

A FORÇA DOS NOSSOS PÉS

Nasce um filho!
Pequenino, indefeso, frágil, em completa dependência.
É o orgulho dos pais.
Rodeando-o do maior carinho, ensinam-lhe os primeiros passos, as primeiras palavras, acompanham as primeiras letras.
Em breve começam a arquitectar planos para o seu futuro: o curso que irá seguir, a profissão a exercer, uma família a formar.
Porque os pais querem ter netos, a continuação do seu nome, do seu sangue, da sua raça!
Embalados pelo sonho, nem reparam que o filho cresceu, se fez homem; que tem que viver a sua própria vida que nem sempre corresponde à que os pais idealizaram.

Podemos viver PARA os nossos filhos, mas não podemos viver POR eles.

Veja este exemplo:

Desde o dia em que nasceste, eu criei a ilusão, dentro de mim, de que poderia caminhar por ti.
Imaginei que colocaria os teus pés sobre os meus e te levaria pelos caminhos que eu julgasse mais tranquilos e seguros.
Dessa maneira, tu nunca feririas os teus pés pisando em espinhos ou em cacos de vidro, e jamais te cansarias da caminhada, nem mesmo precisarias decidir qual estrada tomar.
Isso seria eternamente minha responsabilidade.



E foi assim durante um bom tempo - caminhei por ti, para ti.

De repente, o tempo veio avisar-me, bruscamente, que essa deliciosa tarefa não faria mais parte dos meus dias.
Os teus pés cresceram e eu já não conseguia mais equilibrá-los em cima dos meus! Assim, quando eu menos esperava, eles escorregaram e alcançaram o solo.

Hoje sou obrigada a vê-los trilhar caminhos aos quais os meus jamais os levariam; ainda tento detê-los, insistentemente, mas só raríssimas vezes o consigo.

Agora só me é permitido correr com os meus junto aos teus.
E em certos momentos os teus passos são tão largos que quase não posso acompanhá-los.

Actualmente, assisto aos teus tropeços, sempre pronta para levantar-te das tuas quedas.

Por vezes, tu estendes-me as mãos em busca de socorro; outras, mesmo estando estirado no chão e ferido, insistes em levantar-te sozinho, por puro orgulho, ou para me provar que já és capaz de erguer-te depois das quedas, e curar-te das tuas próprias feridas.
Assim vamos vivendo.

Sinto uma saudade imensa daquele tempo em que precisavas de mim para conduzir-te, pois era bem mais fácil suportar o teu peso sobre os meus pés do que sobre o meu coração.
No entanto, já consigo compreender como a vida é sábia.

Percebo, finalmente, que houve um momento em que tu precisaste mesmo desbravar os teus caminhos independente de mim...

Como eu, é provável que tenhas que fazê-lo com mais alguns pés sobre os teus - os dos teus filhos.
Não, claro que não é uma tarefa fácil, mas se eu consegui, tu também conseguirás, porque plantei no teu coração o melhor e mais poderoso aditivo para que suportes tanto peso - o Amor!


Já em meados do século passadoJosé Régio declarava:
- Dizem-me “Vem por aqui”
- Mas eu respondo “Sei que não vou por aí”


João Villaret :: Cântico Negro :: José Régio


quinta-feira, 17 de julho de 2008

A PEQUENA ALMA E O SOL

Hesitei muito em colocar aqui este texto, que recebi por email há três ou quatro anos. Guardei-o por considerá-lo muito interessante.
A minha hesitação deve-se ao facto de, aparentemente, poder ser considerado de cariz místico/religioso, o que não se enquadra na linha directória dos posts que constam deste blogue.


Penso, no entanto, que é um texto de grande profundidade, que vale a pena conhecer.
Quem quiser abstrair-se desse aspecto místico/religioso pode interpretá-lo como uma conversa entre pai e filha, uma apologia à Amizade desinteressada, o evidenciar dos contrastes da vida, etc.
O texto é bastante longo, mas seria um crime não o transcrever na íntegra.
O que me fez recordar este texto, há tanto tempo guardado, foi um comentário posto neste blog, ao post “Um bom conselho”



E , finalmente, o texto

A PEQUENA ALMA E O SOL
Neale Donald Walsch
( Autor de «Conversas com Deus» )

Era uma vez, em tempo nenhum, uma Pequena Alma que disse a Deus:
- Eu sei quem sou!
E Deus disse:
- Que bom! Quem és tu?
E a Pequena Alma gritou:
- Eu sou Luz
E Deus sorriu.
- É isso mesmo! - exclamou Deus. Tu és Luz!
A Pequena Alma ficou muito contente, porque tinha descoberto aquilo que todas as almas do Reino deveriam descobrir.
- Uauu, isto é mesmo bom! - disse a Pequena Alma.
Mas, passado pouco tempo, saber quem era já não lhe chegava. A pequena Alma sentia-se agitada por dentro, e agora queria ser quem era. Então foi ter com Deus ( o que não é má ideia para qualquer alma que queira ser Quem Realmente É ) e disse:
- Olá Deus! Agora que sei Quem Sou, posso sê-lo?
E Deus disse:
- Quer dizer que queres ser Quem já És?
- Bem, uma coisa é saber Quem Sou, e outra coisa é sê-lo mesmo. Quero sentir como é ser a Luz! - respondeu a pequena Alma.
- Mas tu já és Luz - repetiu Deus, sorrindo outra vez.
- Sim, mas quero senti-lo! - gritou a Pequena Alma.
- Bem, acho que já era de esperar. Tu sempre foste aventureira - disse Deus com uma risada. Depois a sua expressão mudou.
- Há só uma coisa...
- O quê? - perguntou a Pequena Alma.
- Bem, não há nada para além da Luz. Porque eu não criei nada para além daquilo que tu és; por isso, não vai ser fácil experimentares-te como Quem És, porque não há nada que tu não sejas.
- Hã? - disse a Pequena Alma, que já estava um pouco confusa.
- Pensa assim: tu és como uma vela ao Sol. Estás lá, sem dúvida. Tu e mais milhões, ziliões de outras velas que constituem o Sol. E o Sol não seria o Sol sem vocês. “Não seria um sol sem uma das suas velas... e isso não seria de todo o Sol, pois não brilharia tanto. E no entanto, como podes conhecer-te como a Luz, quando estás no meio da Luz? - eis a questão”.
- Bem, tu és Deus. Pensa em alguma coisa! - disse a Pequena Alma, mais animada.
Deus sorriu novamente.
- Já pensei. Já que não podes ver-te como a Luz quando estás na Luz, vamos rodear-te de escuridão - disse Deus.
- O que é a escuridão? perguntou a Pequena Alma.
- É aquilo que tu não és - replicou Deus.
- Eu vou ter medo do escuro? - choramingou a Pequena Alma.
- Só se o escolheres. Na verdade não há nada de que devas ter medo, a não ser que assim o decidas. Porque estamos a inventar tudo. Estamos a fingir.
- Ah! - disse a Pequena Alma, sentindo-se logo melhor.

Depois Deus explicou que, para se experimentar o que quer que seja, tem de aparecer exactamente o oposto.
- É uma grande dádiva, porque sem ela não poderíamos saber como nada é – disse Deus. Não poderíamos conhecer o Quente sem o Frio, o Alto sem o Baixo, o Rápido sem o Lento. Não poderíamos conhecer a Esquerda sem a Direita, o Aqui sem o Ali, o Agora sem o Depois. E por isso, - continuou Deus - quando estiveres rodeada de escuridão, não levantes o punho nem a voz para amaldiçoar a escuridão.
“Sê antes uma Luz na escuridão, e não fiques furiosa com ela. Então saberás Quem Realmente És, e os outros também o saberão. Deixa que a tua Luz brilhe tanto que todos saibam como és especial!”
- Então posso deixar que os outros vejam que sou especial? - perguntou a Pequena Alma.
- Claro! - Deus riu-se. Claro que podes! Mas lembra-te de que “especial” não quer dizer “melhor”! Todos são especiais, cada qual à sua maneira! Só que muitos esqueceram-se disso. Esses apenas vão ver que podem ser especiais quando tu vires que podes ser especial!
- Uau! - disse a Pequena Alma, dançando e saltando e rindo e pulando.
Posso ser tão especial quanto quiser!
- Sim, e podes começar agora mesmo - disse Deus, também dançando e saltando e rindo e pulando juntamente com a Pequena Alma - Que parte de especial é que queres ser?
- Que parte de especial? - repetiu a Pequena Alma. Não estou a perceber…
- Bem, - explicou Deus - ser a Luz é ser especial, e ser especial tem muitas partes:
É especial ser bondoso. É especial ser delicado. É especial ser criativo. É especial ser paciente.
Conheces alguma outra maneira de ser especial?
A Pequena Alma ficou em silêncio por um momento.
- Conheço imensas maneiras de ser especial! - exclamou a Pequena Alma
É especial ser prestável. É especial ser generoso. É especial ser simpático. É especial ser atencioso com os outros.
- Sim! - concordou Deus. E tu podes ser todas essas coisas, ou qualquer parte de.
- Eu sei o que quero ser, eu sei o que quero ser! - proclamou a Pequena Alma com grande entusiasmo. Quero ser a parte de especial chamada “perdão”. Não é ser especial alguém que perdoa?
- Ah, sim, isso é muito especial - assegurou Deus à Pequena Alma.
- Está bem. É isso que eu quero ser. Quero ser alguém que perdoa. Quero experimentar-me assim - disse a Pequena Alma.
- Bom, mas há uma coisa que devias saber — disse Deus.
A Pequena Alma já começava a ficar um bocadinho impaciente. Parecia haver sempre alguma complicação.
- O que é? - suspirou a Pequena Alma.
- Não há ninguém a quem perdoar.
- Ninguém? A Pequena Alma nem queria acreditar no que tinha ouvido.
- Ninguém! - repetiu Deus. Tudo o que Eu fiz é perfeito. Não há uma única alma em toda a Criação menos perfeita do que tu. Olha à tua volta!
Foi então que a Pequena Alma reparou na multidão que se tinha aproximado. Outras almas tinham vindo de todos os lados, de todo o Reino, porque tinham ouvido dizer que a Pequena Alma estava a ter uma conversa extraordinária com Deus, e todas queriam ouvir o que eles estavam a dizer.
Olhando para todas as outras almas ali reunidas, a Pequena Alma teve de concordar: Nenhuma parecia menos maravilhosa, ou menos perfeita do que ela. Eram de tal forma maravilhosas, e a sua Luz brilhava tanto, que a Pequena Alma mal podia olhar para elas.
- Então, perdoar quem? – perguntou Deus.
- Bem, isto não vai ter piada nenhuma! - resmungou a Pequena Alma . Eu queria experimentar-me como Aquela que Perdoa. Queria saber como é ser essa parte de especial.

E a Pequena Alma aprendeu o que é sentir-se triste.
Mas, nesse instante, uma Alma Amiga destacou-se da multidão e disse:
- Não te preocupes, Pequena Alma, eu vou ajudar-te - disse a Alma Amiga.
Vais? - a Pequena Alma animou-se. Mas o que é que tu podes fazer?
- Ora, posso dar-te alguém a quem perdoares!
- Podes?
- Claro! - disse a Alma Amiga, alegremente. Posso entrar na tua próxima vida física e fazer qualquer coisa para tu perdoares.
- Mas porquê? Porque é que farias isso? - perguntou a Pequena Alma. Tu, que és um ser tão absolutamente perfeito! Tu, que vibras a uma velocidade tão rápida a ponto de criar uma Luz de tal forma brilhante que mal posso olhar para ti!
O que é que te levaria a abrandar a tua vibração para uma velocidade tal que tornasse a tua Luz brilhante numa luz escura e baça? O que é que te levaria a ti, que danças sobre as estrelas e te moves pelo Reino à velocidade do pensamento, a entrar na minha vida e a tornares-te tão pesada a ponto de fazeres algo de mal?
- É simples - disse a Alma Amiga. Faço-o porque te amo.
A Pequena Alma pareceu surpreendida com a resposta.
- Não fiques tão espantada - disse a Alma Amiga .Tu fizeste o mesmo por mim. Não te lembras? Ah, nós já dançámos juntas, tu e eu, muitas vezes. Dançámos ao longo das eternidades e através de todas as épocas. Brincámos juntas através de todo o tempo e em muitos sítios. Só que tu não te lembras. Já fomos ambas o Todo. Fomos o Alto e o Baixo, a Esquerda e a Direita. Fomos o Aqui e o Ali, o Agora e o Depois. Fomos o Masculino e o Feminino, o Bom e o Mau. Fomos ambas a vítima e o vilão. Encontrámo-nos muitas vezes, tu e eu; cada uma trazendo à outra a oportunidade exacta e perfeita para Expressar e Experimentar Quem Realmente Somos.
E assim, - a Alma Amiga explicou mais um bocadinho - eu vou entrar na tua próxima vida física e ser a “má”, desta vez.
Vou fazer alguma coisa terrível, e então tu podes experimentar-te como Aquela Que Perdoa.
- Mas o que é que vais fazer que seja assim tão terrível? - perguntou a Pequena Alma, um pouco nervosa.
- Oh, havemos de pensar nalguma coisa - respondeu a Alma Amiga, piscando o olho.
Então a Alma Amiga pareceu ficar séria, e disse numa voz mais calma: Mas tens razão acerca de uma coisa, sabes?
- Sobre o quê? - perguntou a Pequena Alma.
- Eu vou ter de abrandar a minha vibração e tornar-me muito pesada para fazer esta coisa não muito boa. Vou ter de fingir ser uma coisa muito diferente de mim. E por isso, só te peço um favor em troca.
- Oh, qualquer coisa, o que tu quiseres! - exclamou a Pequena Alma. E começou a dançar e a cantar: Eu vou poder perdoar, eu vou poder perdoar!
Então a Pequena Alma viu que a Alma Amiga estava muito quieta.
- O que é? - perguntou a Pequena Alma. O que é que eu posso fazer por ti? És um anjo por estares disposta a fazer isto por mim!
- Claro que esta Alma Amiga é um anjo! - interrompeu Deus, - são todas! Lembra-te sempre: Não te enviei senão anjos.
E então a Pequena Alma quis mais do que nunca satisfazer o pedido da Alma Amiga.
- O que é que posso fazer por ti?
- No momento em que eu te atacar e atingir, - respondeu a Alma Amiga – no momento em que eu te fizer a pior coisa que possas imaginar, nesse preciso momento...
- Sim? - interrompeu a Pequena Alma. Sim?
A Alma Amiga ficou ainda mais quieta.
- Lembra-te de Quem Realmente Sou.
- Oh, não me hei-de esquecer! - gritou a Pequena Alma. Prometo! Lembrar-me-ei sempre de ti tal como te vejo aqui e agora.
- Que bom - disse a Alma Amiga - porque, sabes, eu vou estar a fingir tanto, que eu própria me vou esquecer. E se tu não te lembrares de mim tal como eu sou realmente, eu posso também não me lembrar durante muito tempo. E se eu me esquecer de Quem Sou, tu podes esquecer-te de Quem És, e ficaremos as duas perdidas. Então, vamos precisar que venha outra alma para nos lembrar às duas Quem Somos.
- Não vamos, não! - prometeu outra vez a Pequena Alma. Eu vou lembrar-me de ti! E vou agradecer-te por esta dádiva – a oportunidade que me dás de me experimentar como Quem Eu Sou.

E assim o acordo foi feito.
E a Pequena Alma avançou para uma nova vida, entusiasmada por ser a Luz, que era muito especial, e entusiasmada por ser aquela parte especial a que se chama Perdão.
E a Pequena Alma esperou ansiosamente pela oportunidade de se experimentar como Perdão, e por agradecer a qualquer outra alma que o tornasse possível.
E, em todos os momentos dessa nova vida, sempre que uma nova alma aparecia em cena, quer essa nova alma trouxesse alegria ou tristeza - principalmente se trouxesse tristeza - a Pequena Alma pensava no que Deus lhe tinha dito:

Lembra-te sempre - Deus aqui tinha sorrido - não te enviei senão anjos.

domingo, 13 de julho de 2008

CONVENÇÃO FAMILIAR

Ao longo dos tempos a mulher, na maior parte das vezes com o precioso auxílio do homem, foi reivindicando direitos que sempre lhe haviam sido negados, e a reduziam a simples objecto.
Aos poucos, os mesmos foram-lhe sendo reconhecidos, a ponto de, hoje em dia, se falar em igualdade entre homem e mulher.
Contudo, com o adquirir dessas regalias, a mulher passou a estar muito sobrecarregada, acumulando deveres profissionais com as funções de dona de casa, mãe, educadora, gestora doméstica, um sem fim de solicitações.
Viu-se, assim, forçada, a percorrer verdadeiras maratonas.
E, se algumas conseguem um prodigioso equilíbrio



para gerir o seu tempo, outras há que desistem da corrida, e dão um “Basta! Estou farta!”.
É o caso desta mulher que, para alterar o rumo que a sua vida havia tomado, resolveu convocar uma reunião familiar.



1 a. Convenção Familiar - Temporada 2008

Queridos Filhos,
Em primeiro lugar Mamãe gostaria de agradecer a presença de todos nesta Primeira Convenção Familiar.
Mamãe sabe como foi difícil abrir um espaço nas agendas de cada um de vocês:
- Papai tinha uma lavagem de carro praticamente inadiável;
- Júnior já tinha marcado de se trancar no quarto;
- Carol estava para receber pelo menos três telefonemas importantíssimos de uma hora e meia cada um.

Mamãe está comovida!

Muito obrigada!

Bem, conforme Mamãe já tinha mais ou menos antecipado, esta Convenção é para comunicar ao público interno – Papai, Júnior e Carol – todas as modificações nos produtos e serviços da linha Mamãe.

Como vocês sabem, a última vez que Mamãe passou por reformulações foi há 14 anos, com o nascimento do Júnior.
De lá para cá, os hábitos e costumes, o panorama cultural, a economia e o mercado passaram por transformações radicais.

Mamãe precisa acompanhar a evolução dos tempos, sob pena de ver sua marca desvalorizada.

Para começar, Mamãe vai mudar a embalagem.
Mamãe sabe que esta é uma decisão polémica, mas, acreditem, é o que deve ser feito.
Mamãe sai desta Convenção direto para um SPA, e de lá para uma clínica de cirurgia plástica. Nada assim tão radical… Haverá pouquíssimas alterações de rótulo, vocês vão ver.
Mamãe vai continuar com praticamente o mesmo formato, só que com linhas mais retas em alguns lugares e linhas mais curvas em outros.

Calma, Papai! Mamãe já captou recursos no mercado.
Mamãe vai ser patrocinada por uma nova marca de comida congelada, ”Le Rouanet”, porque Mamãe também é cultura.
Junto com o lançamento da nova embalagem de Mamãe, no entanto, acontecerá o movimento mais arriscado deste plano de reposicionamento.
Sinto informar, mas Mamãe vai tirar do mercado o produto Supermãe.
Não, não, não adianta reclamar!
Supermãe já deu o que tinha que dar!
Trata-se de um produto anacrónico e superado, antieconómico e difícil de fabricar.
Mamãe sabe que o fim da Supermãe vai aumentar a demanda pela linha Vovó, que disputa o mesmo segmento.
Paciência! Você não pode atender todos os públicos o tempo todo.

No lugar de Supermãe, Mamãe vai lançar (queriam que eu dissesse “vai estar lançando”, mas eu recuso) novas linhas de produtos mais adequados à realidade de mercado.
Vocês vão poder consumir Mamãe nas versões Active (executiva e profissional), Light (com baixos teores de pegação de pé), Classic (rígida e orientadora), Italian (superprotetora) e Do-it-Yourself (virem-se, fui passear no shopping ).
Mas uma de cada vez, sem misturar.
Ah, sim, Mamãe detesta estes nomes em inglês, mas me disseram que, se não for assim, não vende.

Mamãe gostaria de aproveitar para lançar seus novos canais de comunicação:
De hoje em diante, em vez de sair gritando pela casa, vocês vão poder ligar para o SAC-Mamãe, um 0300 que dá direto no meu celular (apenas 27 centavos por minuto, mais impostos).
Mamãe também aceita sugestões e críticas no seu endereço na Net.

Mais uma vez Mamãe agradece a presença e a atenção de todos.

Autoria desconhecida

quinta-feira, 10 de julho de 2008

REGRESSO DE FÉRIAS

Quando ir de férias implica viajar de avião, nunca se sabe quais as surpresas que nos aguardam.
Para além das duas horas de antecedência com que temos que estar no aeroporto, há uma série de formalidades a cumprir.

Feito o check-in vamos passar pelo controle. Começamos por retirar de cima do corpo tudo o que é susceptível de “apitar”, e que a moral e os bons costumes permitem (desta vez não foi preciso descalçar os sapatos, como aconteceu quando regressei dos Estados Unidos, em 2003, se a memória não me falha…)
Vistos ao raio X, estamos “limpos”. Nada foi detectado. Mas há um volume de cabine que precisa ser aberto – “tem muitos aparelhos electrónicos que impedem os raios X de ver bem o interior”.
Aberto o saco que contém a máquina de barbear, as máquinas fotográficas, carregadores de telemóvel e de pilhas das máquinas, …um sem fim de “aparelhos electrónicos” que formam a parede intransponível, a funcionária de serviço começa a revolver tudo, procurando não se sabe o quê.
Foi bem sucedida na sua busca: encontrou uma embalagem de bálsamo pós barbear, de 300ml.
- Isto não pode seguir – informou.
- Porquê?
- Porque tem 300ml. Só são permitidas embalagens de 100ml.
E foi buscar um folheto, que gentilmente nos cedeu, onde consta tudo o que se pode (e não pode) transportar na cabine.
(Em meu entender esta informação deveria ter sido prestada pela agência de viagens).
Ainda houve uma tentativa de “início de conversações” com vista a obter autorização para o transporte da dita embalagem. Aí resolvi intervir porque lei é lei. Posso não concordar com elas, (leis) mas não adianta entrar em conflito com quem as faz cumprir. Para reclamar há meios competentes, que não estes.
Finalmente seguimos para a sala de espera. Havia já um aviso de que o voo estava um pouco atrasado. Normal. Os vários televisores por ali espalhados transmitem um jogo de futebol (Espanha/Rússia???), que os interessados por estes eventos seguem atentamente. Assim não darão conta do tempo que passa…
Algum tempo depois é dada ordem de embarque.
Mostramos os bilhetes, retiram a maior parte do papel, (que pagamos por inteiro!) devolvendo-nos apenas um pequeno rectângulo onde consta o número do assento.
Entramos no autocarro que nos transportará até ao avião. O autocarro enche-se, o motorista não aparece, esperamos. Continuamos esperando!
Finalmente surge uma funcionária informando que o voo está atrasado, não se sabe quanto, porque, na viagem de regresso do mesmo avião em que iremos seguir, houve um problema que estão a tentar resolver:
- Uma passageira pegou-se de razões com um elemento da tripulação; foi necessário chamar a polícia, que lá está, e não se sabe o tempo que vai demorar. Portanto, é melhor saírem do autocarro e voltar à sala de espera, onde ficarão mais bem instalados.
Todas as pessoas que estavam em pé, e algumas sentadas, começaram a sair. Nós continuamos sentados; preferimos aguardar aqui.
Finalmente todos regressam ao autocarro, incluindo o motorista, e somos conduzidos ao avião.
A viagem decorreu sem sobressaltos. Chegamos apenas com noventa e tal minutos de atraso ao nosso destino, passava já da uma hora da noite.
Cumpridas as normas do aeroporto e levantadas as bagagens, seguimos rumo à cidade, que encontramos toda engalanada!
Tantas luzinhas e flores de papel nas ruas para nos receber???
Sinto-me Alberto João!!!
Afinal, tratava-se “apenas” dos festejos de S. João! No dia seguinte assistiremos às marchas populares que desfilam pelas ruas, onde não faltam as barracas das farturas e da sardinha assada.
Depois duma noite (ou o que restava dela…) bem dormida, encontramo-nos, à hora de almoço, com uns amigos.
A minha amiga pergunta-me:
- Acreditou naquela explicação para o atraso do avião?
Surpreendida com tal pergunta, respondi:
- Sim. Porque não???
- Eu não acreditei. Acho que foi apenas uma desculpa…
- Como assim?
- Eu saí do autocarro quando avisaram que a demora ia ser grande. Fui para a sala de espera. E sabe o que aconteceu? Logo que o futebol acabou mandaram-nos entrar novamente no autocarro. Ninguém me tira da cabeça que arranjaram aquela desculpa para não perderem o futebol!

Confesso que nunca me ocorreria pensar uma coisa destas! E, sinceramente, não acredito! Para mim tratou-se apenas de uma coincidência.
Embora a Margarida Rebelo Pinto diga que «Não há coincidências», eu acredito que há.

Para compensar todas as aventuras/desventuras da ida, o regresso processou-se dentro da normalidade.
A estadia foi boa, apesar do tempo ter estado do contra. Deu para descansar e recarregar baterias. Pelo menos até meados de Agosto…

Obs. Se quiser veja as fotos que coloquei na margem direita do blogue, com o título “Férias-1ª.fase”, que mostram o local quase paradisíaco onde passei duas semanas – Ilha de Porto Santo

quinta-feira, 3 de julho de 2008

UMA HISTÓRIA DE AMOR

Pedro Abelardo nasceu em 1079, em Le Pallet, perto de Nantes, Bretanha. Tornou-se célebre na Europa como Professor de Teologia e Intelectual.
Em 1114 conheceu Heloísa, à data com 14 anos, rendendo-se aos seus encantos.
Veja a trágica história de amor que ambos viveram.



ABELARDO E HELOÍSA



O romance entre Heloísa e o filósofo Pedro Abelardo iniciou-se em Paris, no período entre o final da Idade Média e o início da Renascença.
Abelardo havia sido recentemente contratado pela Escola Catedral de Notre Dame, tornando-se, em pouco tempo, muito conhecido por admirar os filósofos não cristãos, numa época de forte poder da Igreja Católica.
Heloísa, que já ouvira falar de Abelardo e se interessava pelas suas teorias polémicas, tentou aproximar-se dele através dos seus professores. Mas as suas tentativas foram em vão.
Uma tarde, Heloísa saiu para passear com a sua criada Sibyle, e aproximou-se de um grupo de estudantes reunidos em torno de alguém.
O seu chapéu foi levado pelo vento, indo parar precisamente nos pés do jovem que era o alvo das atenções, o mestre Abelardo.
Ao escutar o seu nome, o coração de Heloísa disparou!
Ele apanhou o chapéu e, quando Heloísa se aproximou para o pegar, ele logo a reconheceu como Heloísa de Notre Dame, convidando-a para juntar-se ao grupo.
Risos jocosos foram ouvidos, mas cessaram imediatamente quando os dois se olharam.
Heloísa colocou o seu chapéu, fez uma reverência a Abelardo, e retirou-se.
Desde esse encontro, porém. Heloísa não conseguiu mais esquecer Abelardo.
Fingiu estar doente, dispensou os seus antigos professores, e passou a interessar-se pelas obras de Platão e Ovídio, pelo Cântico dos Cânticos, pela alquimia e pelo estudo dos filtros, essências e ervas.
Ela sabia que Abelardo seria atraído pelas suas actividades e viria até ela.
Quando ficou sabendo dos estudos de Heloísa, conforme previsto por ela, Abelardo imediatamente a procurou.
Abelardo tornou-se amigo de Fulbert de Notre Dame, tio e tutor de Heloísa, que logo o aceitou como o mais novo professor da sua sobrinha, hospedando-o em sua casa, em troca das aulas nocturnas que ele lhe daria.
Em pouco tempo essas aulas passaram a ser ansiosamente aguardadas, e, sem demora, contando com a confiança de Fulbert, passaram a ficar a sós.
Fulbert ia dormir, e a criada retirava-se discretamente para o quarto ao lado.
Em alguns meses conheciam-se muito bem, e só tinham paz quando estavam juntos.
Um dia Abelardo tirou o cinto que prendia a túnica de Heloísa, e os dois amaram-se.
A partir desse momento Abelardo passou a desinteressar-se de tudo, só pensando em Heloísa, descuidando-se das suas obrigações como professor.
Os problemas começaram a surgir. Primeiro, esse amor começou a esbarrar nos conceitos da época, quando os intelectuais, como Heloísa e Abelardo, racionalizavam o amor, acreditando que os impulsos sensuais deveriam ser reprimidos pelo intelecto.
Não havia lugar para o desejo, que era um componente muito forte no relacionamento dos dois, originando um intenso conflito para ambos. Ao mesmo tempo, Sibyle, a criada, adoecera, e uma outra serva que a substituíra encontrou uma carta de Abelardo dirigida a Heloísa, e a entregou a Fulbert, que imediatamente expulsou Abelardo.
No entanto isso não foi suficiente para separá-los.
Heloísa preparou poções para seu tio dormir, e, com a ajuda da criada Sibyle, Abelardo foi conduzido ao porão. Local que passou a ser o ponto de encontro dos dois.
Uma noite, porém, alertado por outra criada, Fulbert acabou por descobri-los.
Heloísa foi espancada, e a casa passou a ser cuidadosamente vigiada.
Mesmo assim o amor de Abelardo e Heloísa não diminuiu, e eles passaram a encontra-se onde pudessem: sacristias, confessionários e catedrais, os únicos lugares que Heloísa podia frequentar sem acompanhantes a seu lado.
Heloísa acabou engravidando, e para evitar aquele escândalo, Abelardo levou-a à aldeia de Pallet, no interior da França.
Ali, Abelardo deixou Heloísa aos cuidados da sua irmã, e voltou a Paris;
mas não aguentou a solidão que sentia longe da sua amada, e resolveu falar com Fulbert para pedir o seu perdão e a mão de Heloísa em casamento.
Surpreendentemente Fulbert perdoou e concordou com o casamento.
Ao receber as boas novas, Heloísa deixando a criança com a irmã de Abelardo, voltou a Paris, sentindo, no entanto, um prenúncio de tragédia.
Casaram-se no meio da noite, às pressas, numa pequena ala da Catedral de Notre Dame, sem sequer trocar alianças ou um beijo na frente do sacerdote.
O sigilo do casamento não durou muito, e logo começaram a zombar de Heloísa e da educação que Fulbert lhe dera.
Ofendido, Fulbert decidiu pôr um fim naquilo tudo. Contratou dois carrascos e pagou-lhes para invadirem o quarto de Abelardo durante a noite e arrancar-lhe o membro viril.
Após essa tragédia Abelardo e Heloísa jamais voltaram a falar-se.
Ela ingressou no Convento de Santa Maria de Argenteuil, em profundo estado de depressão, só retornando à vida aos poucos, conforme as notícias das melhores do seu amado iam surgindo.
Para tentar amenizar a dor que sentiam pela falta um do outro, ambos passaram a dedicar-se exclusivamente ao trabalho.
Abelardo construiu uma Escola Mosteiro ao lado da Escola Convento de Heloísa. Viam-se diariamente, mas nunca se falavam. Apenas trocavam cartas apaixonadas.
Abelardo morreu em 1142, com 63 anos de idade. Heloísa ergueu um grande sepulcro em sua homenagem. Faleceu algum tempo depois, sendo, por iniciativa das suas alunas, sepultada ao lado de Abelardo.
Conta-se que, ao abrirem a sepultura de Abelardo para ali depositarem Heloísa, encontraram o seu corpo ainda intacto e de braços abertos, como se estivesse aguardando a chegada de Heloísa.
Em 1817 os restos mortais dos dois amantes foram levados para o cemitério do Padre Lachaise.

Sepultura de Abelardo e Heloísa no cemitério do Padre Lachaise


Morte de Heloísa