domingo, 11 de maio de 2008

UM BOM EXEMPLO - IRENA SINDLER

Há dois dias, a 9 de Maio, comemorou-se o Dia Europeu, ou Dia da Europa.
Na Cimeira de Milão de 1985 os chefes de Estado decidiram celebrar o dia 9 de Maio como Dia da Europa, baseados na declaração feita em Paris, 35 anos antes.



Foi precisamente no dia 9 de Maio de 1950 que, em Paris, Robert Schuman, ministro dos Negócios Estrangeiros de França, fez uma declaração à imprensa realçando a necessidade da criação duma federação europeia, indispensável à preservação da paz.

Pairava no ar a ameaça de uma Terceira Guerra Mundial, quando ainda estavam bem presentes na memória de todos os horrores da Segunda Guerra Mundial, opondo países que se destruíram mutuamente, causando inúmeros prejuízos, não só materiais mas sobretudo morais: ódios, rancores e preconceitos.

Na sua longa história o «Velho Continente» conta, sem dúvida, momentos de glória, mas também episódios trágicos, de uma desumanidade total. É o caso do HOLOCAUSTO, um dos acontecimentos mais negros da história da humanidade.
É precisamente nas maiores adversidades que se revelam os verdadeiros heróis.
Eis a história duma HEROÍNA.

Irena Sendler

A mãe das crianças do Holocausto

Enquanto a figura de Óscar Schindler era aclamada pelo mundo graças a Steven Spielberg, que se inspirou nele para rodar a película que conseguiria sete Óscares em 1993, narrando a vida deste industrial alemão que evitou a morte de 1.000 judeus nos campos de concentração, Irena Sendler continuava a ser uma heroína desconhecida fora da Polónia e apenas reconhecida no seu país por alguns historiadores, já que nos anos de obscurantismo comunista, tinham apagado a sua façanha dos livros oficiais de história.
Além disso, ela nunca contou a ninguém nada da sua vida durante aqueles anos. Contudo, em 1999 a sua história começou a ser conhecida, curiosamente, graças a um grupo de alunos de um instituto do Kansas e ao seu trabalho de final de curso sobre os heróis do Holocausto.
Na sua investigação conseguiram muito poucas referências sobre Irena. Só tinham um dado surpreendente: tinha salvo a vida de 2.500 crianças.

Como era possível que houvesse tão escassa informação sobre uma pessoa assim? A grande surpresa chegou quando, depois de procurar o lugar do túmulo de Irena, descobriram que a mesma não existia porque ela ainda vivia…e de facto ainda vive…
Hoje é uma anciã de 98 anos (nascida em 15 de Fevereiro de 1910), que reside num asilo do centro de Varsóvia, num quarto onde nunca faltam ramos de flores e cartas de agradecimento procedentes do mundo inteiro.
Quando a Alemanha invadiu o país em 1939, Irena era enfermeira no Departamento de Bem estar Social de Varsóvia, o qual administrava as cozinhas sociais comunitárias da cidade.
Em 1942 os nazis criaram um ghetto em Varsóvia. Irena, horrorizada pelas condições em que se vivia ali, uniu-se ao Conselho para Ajuda de Judeus. Conseguiu identificação da repartição de saúde, de cujas tarefas consistia a luta contra as doenças contagiosas.
Como os alemães invasores tinham medo de uma possível epidemia de tifo, permitiam que os polacos controlassem o recinto.
De imediato se pôs em contacto com as famílias, às quais ofereceu levar os filhos para fora do ghetto. Mas não lhes podia dar garantias de êxito. Era um momento horroroso - devia convencer os pais a que lhe entregassem os seus filhos, e eles perguntavam-lhe: “Podes prometer-me que o meu filho viverá…?”
Mas como podia alguém prometer, quando nem sequer se sabia se conseguiriam sair do ghetto? A única certeza era que as crianças morreriam se permanecessem nele.
As mães e as avós não queriam separar-se dos filhos e netos.
Irena entendia-as muito bem, pois ela mesma era mãe, e sabia perfeitamente que, de todo o processo que ela levava a cabo com as crianças, o momento mais duro era o da separação.
Algumas vezes, quando Irena ou as suas ajudantes voltavam para visitar as famílias e tentar fazê-las mudar de opinião, descobriam que todos tinham sido levados de comboio para os campos de morte.
Cada vez que lhe acontecia algo deste género, lutava com mais força para salvar mais crianças.
Começou a tirá-las em ambulâncias como vítimas de tifo, mas de imediato se valeu de tudo o que estava ao seu alcance para escondê-las e tirá-las dali: caixotes de lixo, caixas de ferramentas, carregamentos de mercadorias, sacos de batatas, ataúdes…Nas suas mãos qualquer elemento se transformava numa via de escape.
Conseguiu recrutar pelo menos uma pessoa de cada um dos dez centros do Departamento de Bem estar Social. Com essa ajuda elaborou centenas de documentos falsos com assinaturas falsificadas, dando identidades temporárias às crianças judias.
Irena vivia os tempos da guerra pensando nos tempos de paz. Por isso não lhe bastava somente manter essas crianças com vida. Queria que um dia pudessem recuperar os seus verdadeiros nomes, a sua identidade, as suas histórias pessoais, as suas famílias.
Então idealizou um arquivo que registava os nomes das crianças e das suas novas identidades. Anotava os dados em pequenos pedaços de papel e guardava-os dentro de frascos de conserva, que depois enterrava debaixo de uma macieira, no jardim da sua vizinha.
Ali guardou, sem que ninguém o suspeitasse, o passado de 2.500 crianças, até que os nazis se foram embora.
Mas um dia os nazis souberam das suas actividades. Em 20 de Outubro de 1943, Irena Sendler foi detida pela Gestapo, e levada para a prisão de Pawiak, onde foi brutalmente torturada.
Num colchão de palha da sua cela encontrou uma estampa de Jesus Cristo. Conservou-a como o resultado de um acaso milagroso naqueles duros momentos da sua vida, até ao ano de 1979, em que se desfez dela e a ofereceu a João Paulo II.
Irena era a única que sabia os nomes e as direcções das famílias que albergavam as crianças judias. Suportou a tortura e recusou-se a atraiçoar os seus colaboradores ou qualquer das crianças ocultas. Quebraram-lhe os pés e as pernas, além de lhe imporem inumeráveis torturas. No entanto ninguém pôde domar a sua vontade.
Assim, foi sentenciada à morte. Uma sentença que nunca se cumpriu porque, a caminho do lugar da execução, o soldado que a levava deixou-a escapar. A Resistência tinha-o subornado porque não queriam que Irena morresse com o segredo da localização das crianças. Oficialmente figurava nas listas dos executados, daí que, a partir de então, Irena continuou a trabalhar, mas com uma identidade falsa.
Ao findar a guerra, ela mesma desenterrou os frascos e utilizou as notas para encontrar as 2.500 crianças que colocara em famílias adoptivas.
Reuniu-as aos seus parentes disseminados por toda a Europa, mas a maioria tinha perdido os seus familiares nos campos de concentração nazis.
As crianças só a conheciam pelo seu nome de código: Jolanta.
Anos mais tarde, a sua história apareceu num jornal, acompanhada de fotos suas da época. Várias pessoas começaram a telefonar para dizer-lhe: “Recordo a tua cara…sou uma dessas crianças, devo-te a minha vida, o meu futuro, e gostaria de ver-te…”
Irena tem no seu quarto centenas de fotos com algumas daquelas crianças sobreviventes ou com filhos delas.
O seu pai, um médico que faleceu de tifo, quando ela era ainda pequena, inculcou-lhe o seguinte: “Ajuda sempre o que se está a afogar, sem levar em conta a sua religião ou nacionalidade. Ajudar cada dia alguém, tem que ser uma necessidade que saia do coração”.
Há muitos anos que Irena Sendler está presa a uma cadeira de rodas, devido às lesões provocadas pelas torturas sofridas às mãos da Gestapo.
Não se considera uma heroína.
Nunca se atribuiu crédito algum pelas suas acções.
Sempre que a interrogam sobre o assunto, Irena diz: “Poderia ter feito mais, e este lamento continuará comigo até ao dia em que eu morrer”

“Não se plantam sementes de comida. Plantam-se sementes de bondades.
Tratem de fazer um círculo de bondades, estas vos rodearão e vos farão crescer mais e mais”.

Irena Sendler


Em Novembro de 2003 o Presidente da República, Aleksander Kwasniewski, outorgou-lhe a mais alta distinção civil da Polónia – a Ordem da Águia Branca.
Irena foi acompanhada por familiares e por uma das meninas salvas.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

UM GRANDE DESGOSTO

Dum modo geral os adultos têm tendência a menosprezar os “desgostos”dos mais jovens:

– o menino que chora porque partiu o seu carrinho preferido…
- a menina lavada em lágrimas porque um amiguinho lhe
chamou feia…
- o adolescente desiludido porque a garota da sua vida não
lhe dá bola…
- a jovem adolescente porque teve uma zanga feia com o
namorado…

Com ar protector, como de quem já viveu a vida e sabe que isso não tem a mínima importância, passamos a mão pela cabeça, tentamos consolar, e com um quase indiferente - “não ligues, isso passa!” – voltamos a atenção para assuntos «realmente importantes».
Erro grave, dos adultos! Os sentimentos, de alegria ou tristeza, são vividos por cada um de nós com igual intensidade, quer tenhamos cinco anos ou oitenta.
E é assim que:
O “dia mais feliz da minha vida” a breve trecho origina “O maior desgosto da minha vida”.

A BONECA




Nos meus tempos de menina não havia a quantidade e qualidade de brinquedos que vemos hoje em dia.

Agora as crianças vivem atulhadas dos mais diversos
brinquedos a que, na maioria das vezes, só prestam atenção nos primeiros cinco minutos. Depois, põem-nos de parte, e já estão a desejar coisas novas.
Nós, os adultos, temos a maior parte da culpa por este estado de coisas.
Queremos dar-lhes tudo o que nós próprios não tivemos. Para reforçar a nossa vontade, já de si exagerada, em épocas festivas – por exemplo no Natal – a televisão entra-nos pela casa publicitando tudo o que de mais moderno existe. As crianças fazem listas enormes, e lá estão os pais e os avós, correndo de loja em loja, para satisfazer os caprichos dos meninos.
Mas deixemos este tema por agora. Voltemos aos tempos antigos.

Nesse tempo a variedade escasseava, e, muitas vezes,
também o dinheiro. A mentalidade era outra – havia que poupar – quem sabe o que é o dia de amanhã?
Um brinquedo em dias especiais era mais que suficiente!
Assim as crianças eram obrigadas a puxar pela imaginação. Na verdade divertiam-se mais, por mais tempo.
Ainda me lembro dos telefones que fabricávamos com as tampas das latas de graxa e um fio preso a cada uma delas…ouvia-se lindamente. Não sei bem se o som era propagado através do fio ou do ar, dada a curta distância a que estávamos uns dos outros…mas que funcionava, lá isso funcionava!
E as bolas, feitas de meias velhas cheias de trapos…as camas das bonecas, armadas com caixas de sapatos!
Um sem fim de pequenos objectos que faziam as nossas delícias, e com que ocupávamos as nossas brincadeiras.

Eu tinha um tio, também padrinho, que era oficial da Marinha Mercante. Nessa qualidade corria meio mundo. Numa das suas viagens aos Estados Unidos, trouxe para a afilhada uma boneca, daquelas que ainda não se vendiam cá.
As que conhecíamos eram de pano. Na melhor das hipóteses, tinham a cara e as mãos em porcelana. Mas com essas só se podia brincar sob o olhar atento das mães, não fossem partir-se. As outras, as de todos os dias, eram todas elas em pano, até as carinhas e as mãos.
A boneca que o meu padrinho me ofereceu era a coisa mais linda do mundo! Toda, todinha, num material que parecia carne verdadeira - o cabelo também do mesmo material, que ignoro o que fosse - celulóide, talvez.
Muito rosada, lábios encarnados, cabelo castanho…uma verdadeira beleza! E sapatinhos com meias brancas.
Quando a recebi, tinha eu oito anos, senti-me a pessoa mais feliz do mundo. Aquele era, sem dúvida, o dia mais feliz da minha vida!

Na nossa casa havia um grande pátio, com algumas árvores, onde brincávamos. Daí partia uma larga escadaria, ao cimo da qual existia a porta de acesso à casa.
Uma tarde, depois de ter desfrutado ao máximo da companhia da minha boneca, e apetecendo-me fazer umas correrias, fui colocar, cuidadosamente, a boneca junto à porta, para não se estragar.
Rapidamente a noite desceu, chegou a hora do jantar, e fui a correr para casa. E a pobre boneca ficou esquecida lá fora.
Só no dia seguinte, ao acordar, notei a sua falta. Num pulo estava junto dela, que não se encontrava onde a deixara, mas num dos degraus da escada.
Apertando-a com força, chorei convulsivamente. De noite, o nosso cão tinha-lhe roído o nariz e ainda um pouco da cara. Estava desfigurada!
Continuei a amá-la do mesmo modo. Mas aquele foi, decididamente, o maior desgosto da minha vida!
Assim o senti, quando tinha oito anos.

Talvez venha daí a minha paixão por bonecas, que sempre me tem acompanhado.

domingo, 4 de maio de 2008

DIA DA MÃE - 1

Na Europa, as celebrações associadas à Mãe remontam a Roma e
Grécia Antiga, cerca de 250 anos A.C.
À medida que o Cristianismo ia alastrando pela Europa, começou a homenagear-se a “Igreja Mãe”, como força espiritual que dava vida e protegia os cristãos.
Com o decorrer dos tempos as pessoas passaram a associar essa celebração às próprias mães.

Em Portugal, até há bastantes anos atrás, o Dia da Mãe era comemorado no dia 8 de Dezembro, em homenagem a Maria, Mãe de Jesus.
Actualmente comemora-se no 1º.Domingo de Maio.

Alguns países europeus e africanos celebram-no neste mesmo dia, mas a grande maioria festeja o Dia das Mães no 2º.Domingo de Maio.

No início do Século XX uma jovem americana, Annie Jarvis, entrou em forte depressão depois da morte da sua mãe.
Algumas amigas, preocupadas com a sua saúde, resolveram perpetuar a memória da mãe da jovem, organizando uma festa.
Annie quis que essa homenagem fosse extensiva a todas as Mães, vivas ou mortas.
Rapidamente a ideia se propagou a todas os Estados Unidos. Em 1914 Thomas Wilson , 28º.presidente dos Estados Unidos da América, oficializou a comemoração do Dia das Mães – 2º.Domingo de Maio.

No Brasil, em 1932, o Presidente Getúlio Vargas assinou um decreto instituindo oficialmente o Dia das Mães no 2º.Domingo de Maio.

Para assinalar esta data festiva, tão importante para as mães, vou transcrever um texto que considero particularmente bonito




RETRATO DE MÃE

"Uma simples mulher que existe que, pela imensidão de seu amor tem um pouco de Deus, e pela constância de sua dedicação tem muito de anjo.
Que, sendo moça, pensa como uma anciã e, sendo velha, age com as forças da juventude.
Quando ignorante, melhor que qualquer sábio desvenda os segredos da vida, e, quando sábia, assume a simplicidade das crianças.
Pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama; e, rica, empobrecer-se para que seu coração não sangre ferido pelos ingratos.
Forte, entretanto, estremece ao choro de uma criancinha; e fraca, se alteia com a bravura dos leões.
Viva, não lhe sabemos dar o valor porque à sua sombra todas as dores se apagam; e morta, tudo o que somos e tudo o que temos daríamos para vê-la de novo, e dela receber um aperto de seus braços, uma palavra de seus lábios.
Não exijam de mim que diga o nome dessa mulher, se não quiserem que molhe de lágrimas este álbum, porque eu a vi passar no meu caminho.
Quando crescerem seus filhos, leiam para eles esta página: eles lhes cobrirão de beijos a fronte, e dirão que um pobre viandante, em troca de suntuosa hospedagem recebida, aqui deixou para todos o retrato de sua própria MÃE..."

Don Ramon Angel Jara
Bispo de La Serena - Chile
(Escrito num album)

DIA DA MÃE - 2

O meu amigo Humberto Rodrigues Neto, gentilmente, contribuiu para assinalar esta data festiva, enviando-me este belíssimo poema.


Para ele o meu beijo de agradecimento.
Obrigada, meu querido Poeta.



Mãe!

Humberto Rodrigues Neto
(Humberto - Poeta)


Tu foste, mãe, na treva a claridade,
na dor meu riso e na tormenta o norte,
a doce companheira e a consorte
das minhas horas de infelicidade!

Que anjo não foste, toda vez que a sorte
não me sorriu! E com que imensidade
de amor, desvelo e angelical bondade
tu me ensinaste a ser paciente e forte!

E hoje a alegria anda a sorrir nos ares...
é o “Dia das Mães” numa porção de lares
e eu vou fingindo que inda o comemoro!

Mas teu espírito, a me amar afeito,
vem doer tão docemente no meu peito,
que eu cerro os olhos... pendo a fronte... e choro!


E porque conheço o apurado senso de humor do Poeta, sei que, depois de nos brindar com versos tão comoventes, vai apreciar que eu termine este tema com uma “gracinha” para nos fazer sorrir.

Toca o telefone:
- Estou? Mãe? Posso deixar os meninos consigo hoje à noite?
- Vais sair?
- Vou.
- Com quem?
- Com um amigo.
- Não entendo porque é que te separaste do teu marido, um homem tão bom...
- Mãe! Eu não me separei dele! ELE é que se separou de mim!
- Pois ... ficas sem marido e agora sais com qualquer um...
- Eu não saio com qualquer um. Posso deixar aí os meninos?
- Eu nunca te deixei com a minha mãe, para sair com um homem que não fosse o teu pai!
- Eu sei, mãe. Há muita coisa que a mãe fez e que eu não faço!
- O que é que queres dizer com isso?
- Nada, mãe ! Só quero saber se posso deixar aí os meninos.
- Vais passar a noite com o outro? E se o teu marido vier a saber?
- Meu EX-marido! Não acho que se importe, ele não deve ter dormido uma única noite sozinho desde a separação!
- Então sempre vais dormir com o vagabundo!
- Não é um vagabundo!!!
- Um homem que sai com uma divorciada com filhos, só pode ser um
vagabundo, um oportunista!
- Não vou discutir, mãe. Posso deixar aí os meninos ou não?
- Coitaditos dos miúdos…com uma mãe assim...
- Assim como?
- Irresponsável! Inconsequente! Por isso é que o teu marido te deixou!
- Chega, mãe!
- Ainda por cima gritas comigo! Aposto que com o vagabundo com quem vais sair, tu não gritas.
- Agora está preocupada com o vagabundo?
- Eu não disse que era um vagabundo!? Eu percebi logo!
- Tchau, mãe!

Desconheço a autoria

sexta-feira, 2 de maio de 2008

DEPOIS DO DIA DO TRABALHADOR - DIREITOS HUMANOS

No post de ontem apresentei uma panorâmica geral do que foram as lutas dos trabalhadores por melhores condições laborais, referindo que

“na longa história da humanidade, o maior drama do trabalho parece ter sido a tentação em que o ser humano tem caído demasiadas vezes, de explorar o seu semelhante, como forma de adquirir riqueza à custa do esforço alheio…

Não só como forma de adquirir riqueza, mas também a ganância do exercício do PODER leva alguns seres humanos a submeterem às maiores violências homens e mulheres que caiem sob as suas garras, num completo desrespeito pelos mais elementares Direitos Humanos.

Hoje apresento-vos um relato feito pela minha amiga Maria Lúcia Vítor Barbosa, que nos mostra claramente o que acabo de referir.



NÓS E AS FARC
MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA
18/04/2008

A patética foto de Ingrid Betancourt, prisioneira das Farc, possivelmente correu o mundo. É o retrato da dor, da profunda solidão, do sofrimento infindo que essa mulher padece há seis anos nas mãos dos impiedosos e sanguinários terroristas e narcotraficantes das Forças Revolucionárias da Colômbia – Farc. E aquela face transfigurada pelo padecimento tornou-se emblemática de tantos que, como ela, foram arrancados do convívio familiar e amargam no cárcere asfixiante e insalubre da selva a desumanidade dos que, a principio se investindo de guardiões do paraíso na terra se tornaram os carrascos do inferno.
Betancourt não sofre sozinha as inenarráveis humilhações que um ser humano é capaz de suportar antes de enlouquecer. Aproximadamente 700 pessoas dormem acorrentadas em árvores, não recebem tratamento médico necessário, são obrigadas a caminhar pela selva mesmo sem condições físicas. No cativeiro das Farc onde a misericórdia não existe prolifera a mesma essência maléfica dos campos de concentração, pois em tal miserável sobrevivência homens e mulheres, além dos agravos físicos, são despidos de sua dignidade.
As Farc seqüestram, torturam, matam os pobres que não têm dinheiro para pagar resgate, mantêm entre centenas de prisioneiros alguns que, tendo relevância política podem funcionar como moeda de barganha para libertar os companheiros capturados pelo Estado Colombiano que tem à frente o presidente Álvaro Uribe, um estadista, algo raro na América Latina.
Há pouco tempo uma missão médica francesa, apoiada pela Espanha é pela Suíça esteve na Colômbia na tentativa de socorrer e resgatar Ingrid Betancourt e outros três reféns cuja saúde precária inspira cuidados. Em vão o presidente Álvaro Uribe anunciou a suspensão das atividades militares no sudeste do país para possibilitar a ação da missão médica. Em vão o presidente francês, Nicolas Sarkozy dirigiu apelo ao chefe das Farc, Manoel Marulanda, para que libertasse a senadora Ingrid Betancourt, seqüestrada em 23 de fevereiro de 2002, em plena campanha para a presidência de República.
Todavia é necessário, é urgente, é imprescindível que a França retome seu objetivo, insista nele, persista no afã de salvar Ingrid e quantas vítimas puder das garras de seus algozes.
Aliás, não só a França, a Espanha e a Suíça devem se empenhar nessa meta. A questão é humanitária e não pertence a esse ou aquele país. Estranhamente os países sul-americanos permanecem indiferentes diante do horror perpetrado em sua vizinhança. Parece que o entendimento das Farc como sendo de esquerda dá glamour ao terrorismo. Exemplo disso é o presidente Lula da Silva, companheiro das Farc no Foro de São Paulo, que se negou a classificar os bestiais guerrilheiros e narcotraficantes como terroristas, conforme apelo feito pelo presidente Uribe. Talvez Lula prefira para as Farc o falso rótulo de “forças insurgentes”. Assim estaria mais uma vez de acordo com a vontade de outro de seus maiores companheiros, Hugo Chávez.
Silenciaram os “bons revolucionários” latino-americanos enquanto Chávez, o ditador de fato da Venezuela, simulou gestos humanitários ao negociar a soltura de algumas vítimas das Farc, enquanto as financia e lhes dá respaldo político. Aos demais governantes da América Latina, incluindo o brasileiro, é mais cômodo culpar o presidente Uribe pela situação, em que pese ele estar fazendo há tempos todos os esforços para combater aqueles celerados. Condenar Uribe, tática comum dos esquerdistas que são exímios em alterar, distorcer, manipular fatos, na verdade equivale a condenar a vítima e absolver os criminosos. Tudo indica que a esquerda latino-americana aprendeu direitinho a lição com o mestre Stalin.
Em trecho da carta, exigida pelos facínoras para provar que estava viva Ingrid escreveu:
“A vida aqui não é vida, é um desperdício lúgubre de tempo. Tudo está sempre pronto para partirmos às pressas. Aqui nada é seu, nada dura, a incerteza e a precariedade são a única constante. A cada dia resta menos um pouco de mim mesma”.
No Brasil, o embrião das Farc, o MST, está exacerbando sua violência. O chamado movimento social agora invade não só terras produtivas, mas propriedades da Vale do Rio Doce (maior mineradora do mundo), hidroelétricas, Assembléias Legislativas, agências de Banco, praças de pedágio, além de bloquear estradas. O flagrante desrespeito ao Estado de Direito, o esbulho da propriedade particular, o prejuízo causado ao País avançam impunemente sob o olhar complacente das autoridades constituídas, que até financiam as ricas e vistosas manifestações do MST.
Como afirmou Edmund Burke: “Tudo que é necessário para que o mal triunfe, é que os homens de bem nada façam”.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga, escritora e professora universitária.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

DIA DO TRABALHADOR - PRIMEIRO DE MAIO

O Dia do Trabalhador terá tido origem em Chicago, Estados Unidos da América, em 1886, na sequência de uma manifestação de trabalhadores, que reivindicavam a redução, para oito horas diárias, do horário de trabalho.
Outras manifestações se lhe seguiram, algumas com intervenção policial, resultando daí vários mortos e feridos.
Esses trabalhadores acabaram por conseguir os seus objectivos, vendo reduzido de 16 para 8 o horário laborar.

Três anos mais tarde, em 1889, em Paris, a Internacional Socialista decidiu convocar anualmente uma manifestação com o mesmo objectivo – a redução do horário de trabalho para oito horas diárias. Em homenagem às lutas de Chicago foi escolhida a data de 1 de Maio.
Por toda a França, também as manifestações seguintes tiveram a intervenção da polícia, o que originou a morte de alguns manifestantes.
Estes graves acontecimentos levaram a que, dois anos mais tarde, a Internacional Socialista de Bruxelas proclamasse esse dia como “Dia internacional de reivindicações laborais”.
Só em 1919 o senado francês ratificou o dia de 8 horas de trabalho, proclamando o dia 1 de Maio feriado nacional.

Um ano mais tarde, em 1920, a Rússia adoptou o 1º.de Maio como feriado nacional, no que foi seguida por outros países.

No Brasil, por volta de 1930, começaram a surgiu agremiações de trabalhadores fabris, pouco expressivas, que, com a chegada ao poder de Getúlio Vargas, foram sendo dissolvidas.
Presentemente designado como “Dia do Trabalho”, aponta-se este dia como sendo o escolhido pelos governantes para anunciar o aumento do salário mínimo nacional.

Em Portugal só em 1974, depois da Revolução de 25 de Abril,
se começou a comemorar livremente o 1º. De Maio, que passou a ser feriado nacional.

Nalguns países o Dia do Trabalhador celebra-se em datas diferentes.
Os Estados Unidos celebram o “Labor Day” na primeira segunda-feira de Setembro.

Depois deste breve apontamento sobre o Dia do Trabalhador, que surgiu apenas porque existe o Trabalho, vejamos como este apareceu.

Sob a óptica religiosa, e a partir da interpretação do texto bíblico, depois da desobediência de Adão, Deus condenou-o a “ganhar o pão com o suor do seu rosto”.
A partir daí passou-se a considerar o trabalho, necessário para prover as necessidades básicas, como uma consequência da queda original, um castigo, uma tortura.

Com o decorrer dos tempos, o homem descobriu que, com o acto de trabalhar, o ser humano podia criar beleza, cultura, bens materiais, conforto. Podia, até, transformar a Natureza.

Na longa história da humanidade, o maior drama do trabalho parece ter sido a tentação em que o ser humano tem caído demasiadas vezes, de explorar o seu semelhante, como forma de adquirir riqueza à custa do esforço alheio.
Deste modo, os explorados encontram no trabalho apenas um meio de sobrevivência, já que dependem dele para viver.
Com o evoluir da tecnologia, passando muito do trabalho humano a ser feito por máquinas, grande parte da mão-de-obra revelou-se desnecessária, vindo a aumentar o caudal de desempregados.
Grande parte da população trabalhadora, vendo o fantasma do desemprego pender sobre a sua cabeça, submete-se a quaisquer condições para poder subsistir. Acaba, assim, encontrando no trabalho um meio de sobrevivência, e não um modo de vida.
À globalização económica se deve, em grande parte, este aviltamento do trabalho, assim como o recrudescimento do “trabalho escravo”que se verifica em todo o mundo.
É de todos conhecido, e denunciado internacionalmente, o trabalho infantil a que estão sujeitos milhares de crianças,
condenadas a não viverem a infância a que têm direito.

Sabe o que são “Os Meninos de Açúcar”?

Apesar de os seus governantes o não admitirem, existe um país na América Central, em cujas plantações de cana-de-açúcar trabalham inúmeras crianças, que são sujeitas a trabalho árduo, difícil até para adultos, e a viverem em condições miseráveis, às quais, por vezes, não conseguem sobreviver.
Esta situação foi relatada a uma cadeia de televisão norte americana por uma repórter hispânica que vive nos Estados Unidos.

Tendo ouvido falar no assunto decidiu investigar, deslocando-se como turista a esse país. Servindo-se de vários contactos, conseguiu infiltrar-se nas plantações, que fotografou e filmou em vídeo. Todos estes documentos foram mostrados perante as câmaras da televisão.
Estas crianças são chamadas “Meninos de açúcar”, nome que advém do seu trabalho nessas plantações.
A referida entrevista na televisão ocorreu o ano passado, e eu mesma tive dela conhecimento quando lá estive de visita, em 2007.

Exercido desta forma o trabalho pode ser considerado, de facto, uma forma de castigo, de tortura, como se cria há milhares de anos.

Aproveitemos este “Dia do Trabalhador” para reflectir, tomar a decisão de denunciar casos de injustiça, esforçando-nos por tornar o mundo melhor.

DIA DA TRABALHADORA

O Dia do Trabalhador assinala e comemora as lutas dos trabalhadores por melhores condições laborais.
Nenhum texto a esse respeito refere as lutas das trabalhadoras (para isso existe o Dia Internacional da Mulher), mas todos sabemos que as mulheres sempre estiveram ao lado dos homens, apoiando as suas lutas, ajudando-os a vencer.
Sabemos também que muitos homens deram o seu apoio às mulheres quando elas reivindicaram os seus direitos.
Veja como algumas mulheres encaram agora o resultado desses direitos adquiridos.

Desabafo de uma mulher moderna – Crónica

São 6Hs. O despertador canta de galo e eu não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede.
Estou tão cansada! Não queria ter que trabalhar hoje.

Quero ficar em casa, cozinhando, ouvindo música, cantarolando, até.

Se tivesse cachorro, passeando pelas redondezas.

Aquário? Olhando os peixinhos nadarem.

Espaço? Fazendo alongamento.

Leite condensado? Brigadeiro…

Tudo menos sair da cama, engatar uma primeira e colocar o cérebro para funcionar.

Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a matriz das feministas que teve a infeliz ideia de reivindicar direitos à mulher e por quê ela fez isso conosco, que nascemos depois dela.

Estava tudo tão bom no tempo das nossas avós! Elas passavam o dia a bordar, trocar receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos de molhos e temperos, de remédios caseiros, lendo bons livros das bibliotecas, dos maridos, decorando a casa, podando árvores, plantando flores, colhendo legumes das hortas, educando as crianças, frequentando saraus...a vida era um grande curso de artesanato, medicina alternativa e culinária.

Aí, vem uma fulaninha qualquer, que não gostava de sutiã nem tão pouco de espartilho, e contamina as várias outras rebeldes inconsequentes com ideias mirabolantes sobre “vamos conquistar o nosso espaço”.
Que espaço, minha filha???!!! Você já tinha a casa inteira, o bairro todo, o mundo a seus pés.
Detinha o domínio completo sobre os homens, eles dependiam de você para comer, vestir, e se exibir para os amigos…que raio de direitos requerer?

Agora eles estão aí, todos confusos, não sabem mais que papéis desempenhar na sociedade, fugindo de nós como diabo da cruz.

Essa brincadeira de vocês acabou é nos enchendo de deveres, isso sim. E nos lançando no calabouço da solteirice aguda.

Antigamente, os casamentos duravam para sempre; tripla jornada era coisa do Bernard de vòlei – e olhe lá, porque naquela época não existia Bernard do vólei.

Por quê, me digam por quê, um sexo que tinha tudo do bom e do melhor, que só precisava ser frágil, foi se meter a competir com o macharedo?

Olha o tamanho dos bíceps deles, e olha o tamanho dos nossos.

Tava na cara que não ia dar certo!!!

Não aguento mais ser obrigada ao ritual diário de fazer escova, maquiar, passar hidratantes, escolher que roupa vestir, e que sapatos, acessórios a usar, que perfume combina com meu humor, nem ter que sair correndo.

Ficar engarrafada, correr risco de ser assaltada, de morrer atropelada, passar o dia inteiro na frente do computdor, resolvendo problemas.

Somos fiscalizadas e cobradas por nós mesmas a estar sempre em forma, sem estrias, depiladas, sorridentes, cheirosas, unhas feitas, sem falar no currículo impecável, recheado de mestrados, doutorados, pós-doutorados e especializações (ufffffff !!!!!!!!!!!!!)…

Viramos super mulheres, continuamos a ganhar menos do que eles, lavar, passar a ferro, cozinhar e cuidar dos filhos da mesma forma. E ainda temos que dividir as despesas da casa.
Não era melhor ter ficado fazendo tricô na cadeira de balanço?

Chega! Eu quero alguém que pague as minhas contas, abra a porta para eu passar, puxe a cadeira para eu sentar, me mande flores com cartões cheios de poesia, faça serenatas na minha janela (ai, meu Deus, já são 6,30h, tenho que levantar!), e tem mais, que chegue do trabalho, sente no meu sofá, e diga “meu bem, me traz uma dose de café, por favor?”.

Descobri que nasci para servir. Vocês pensam que eu tô ironizando???

Tô falando sério!!!

Estou abdicando do meu posto de mulher moderna…

Alguém se habilita?


Autora desconhecida

segunda-feira, 28 de abril de 2008

RAFAELA – A FORÇA DE ACREDITAR

A Voz do Povo está a apoiar a campanha da Rafaela.
É um blogue solidário, que merece a sua visita e divulgação.
Faça uma visita, leia os posts referentes a este assunto, e outros, de muito interesse.

Publicado pelo Blogue "A Voz do Povo"

20 Abril 2008
RAFAELA – A FORÇA DE ACREDITAR





A Rafaela sofre de uma lesão estática a nível do sistema nervoso central que lhe afectou a parte psicomotora.

Mais do que nunca, eu e a Rafaela precisamos de todo o vosso apoio e amizade, pois eu encontro-me a viver sozinha com a minha princesa.

Ela é um amor, um doce de criança, é a razão do meu viver e da minha luta.

Faço imensos trabalhos e vendo em lugares como Continente e por diversos estabelecimentos e através de amigos.

Mais do que nunca, eu e a Rafaela precisamos de todo o vosso apoio e amizade, pois eu encontro-me a viver sozinha com a minha princesa.

E é assim que eu vou conseguindo dinheiro, lutando, lutando... pedindo ajuda a todos os amigos e anónimos e graças a Deus tenho conseguido, até à data.

Nos dias 9 e 10 de Maio vou estar a vender algumas coisas, no Shopping 8ª Avenida em São João da Madeira.

Quem puder deslocar-se e adquirir algum desses objectos, ficarei muito grata pela contribuição para a ajuda nos tratamentos da Rafaela.

A todos desde já o meu muito obrigado.

Estou ao dispor para qualquer esclarecimento: 912433738

e-mail pessoal: taniaraq@gmail.com


A conta disponibilizada para donativos é a seguinte:

Caixa Geral de Depósitos NIB: 003507350005352890063

Tânia Cordeiro

Dep. Técnico de Qualidade_ Laboratório

Sinflex - Ind. Molas Técnicas, Lda

Telf. 256 880 370

Fax 256 880 379

E-mail: tania.cordeiro@sinflex.pt

Etiquetas: solidariedade;amizade;humanismo


posted by victor simoes at 8:53 PM 5 comments links to this post

Rafaela trouxe de Cuba a esperança de caminhar

Caros amigos e leitores de " A VOZ DO POVO ", aqui continuamos com o apelo de ajuda solidária para com a Rafaela. Este é mais um caso que nos chegou e que estamos a tentar colaborar na ajuda preciosa a esta criança! Com a ajuda de todos, iremos atingir o objectivo de permitir à Rafaela, voltar aos tratamentos a Cuba. As contas para onde poderá canalizar o seu donativo:

Caixa Geral de Depósitos cujo NIB é: 003507350005352890063

NOME : RAFAELA FILIPA CORDEIRO AGUIAR (conta CUBA)

NIB: 0038 0074 01400311771 20

IBAN: PT50 0038 0074 01400311771 20

BIC: BNIFPTPL

Nos dias 9 e 10 de Maio a Tânia Cordeiro ( mãe da Rafaela ) irá estar a vender trabalhos que faz, para ajudar a angariar a verba que necessita para a continuidade dos tratamentos. No Shoping 8ª Avenida em São João da Madeira. Quem puder por lá passar, poderá contribuir nesta campanha, adquirindo algum desses trabalhos.

Entretanto aqui deixo, em retrospectiva a notícia publicada no

Jornal de Notícias de Sábado, 29 de Dezembro de 2007!


Victor Simões

quinta-feira, 24 de abril de 2008

VIDA DE CÃO

Eu também tenho um cão.E, como todas as pessoas que têm um cão, ou cães, penso que o meu é o mais bonito, o mais inteligente, o mais esperto de todos. Faz coisas que nenhum outro consegue fazer, nem mesmo os meus outros cães que o antecederam.
Sim, porque eu sempre tive cães. Desde que tenho memória, na casa dos meus pais e depois na minha, os cães sempre fizeram parte da minha vida. De todas as vezes que um dos anteriores me deixou para ir juntar-se aos “anjos caninos”, o meu desgosto foi tal que eu não admitia sequer a hipótese de o substituir.
Mas passado algum tempo surgia um bebé, com um ar tão indefeso, uns olhinhos tão carentes, que me provocava uma súbita paixão. E, completamente apaixonada, carregava-o para casa. E assim se tem mantido este ciclo ao longo dos anos.
Não há quem não conheça histórias extraordinárias passadas com cães.Uns que acompanham seus donos até à morada final, ali permanecendo até ao seu próprio fim; outros que arriscam a vida para salvar os seus donos. Todos viram, com certeza, a foto que circulou na Net, da cadela que “beijou” o seu salvador





e leram a sua história

“She is pregnant.
He had just saved her from a fire in her house, rescuing her by carrying her out of the house into her front yard, while he continued to fight the fire.
When he finally got done putting the fire out, he sat down to catch his bread and rest.
A photographer from the Charlotte, North Carolina newspaper noticed her in the distance looking at the fireman.
He saw her walking straight toward the fireman, and wondered what she was going to do.
As he raised his camera, she came up to the tired man who had saved her life and the lives of her babies and kissed him just as the photographer snapped this photograph”.

Há dias eu estava conversando com o meu cão (ele, bem mais inteligente do que eu, entende as minhas palavras; eu ainda tenho alguma dificuldade em traduzir para língua humana os “hum-hum’s” com que me responde). Contei-lhe a história dessa cadela grávida e, pelos seus olhos lacrimejantes, percebi que ficara comovido.
Lembrei-me então duma crónica que li há bastante tempo, escrita por Joaquim Letria, que me tocou bem fundo. Vou partilhá-la convosco.



VIDA DE CÃO

Devem ter lido nos jornais a notícia dum selvagem de perto de Leiria que quase matou, a tiros de caçadeira, um cão Labrador.
Disse a besta à GNR que o cão lhe entrara na propriedade, o que para ele justificava o seu acto e o desejo de matar o animal, o que só não fez porque, além de leproso moral, é um incompetente com armas de fogo, de cartuchos calibre 12, que abram a chumbada à distância do alvo.

A notícia impressionou-me muito porque não imagino o que se pode sentir apontando uma arma a um cão, ainda para mais a um Labrador, e porque em minha casa, entre os meus cães, há dois Labradores que, desde cachorros desmamados me acompanham todo o santo dia.
Felizmente que vejo bem, mas, senão visse, sei que eles me ajudariam, ou não fossem os Labradores os cães dos cegos.
Há momentos, ao vir para casa para escrever este texto, vi um rapazelho de 15 ou 16 anos – ou um “teenager” se preferem modernices – numa bicicleta de montanha, de seis velocidades, roupa desportiva de marca, abrandar para, corajosamente, arrear um pontapé num rafeiro de três pernas.
Também tenho um rafeiro que arranquei da fome e dos maus tratos do abandono, mas felizmente tem as quatro patas e é mais esperto e ladino do que se poderia imaginar, e ainda bem que é cão, porque se não fosse, já me tinha enrolado as vezes que quisesse, como, de resto, faz com a minha mulher, que o trata melhor do que a um filho único.
Uma coisa fez lembrar a outra, ideia puxa ideia, o cão a ganir do pontapé, o Labrador ensanguentado pela caçadeira, a GNR a tomar conta da ocorrência, o energúmeno a avantajar-se, o menino a desenhar oitos com a bicicleta, e eis-me aqui a escrever sobre cães, os melhores amigos do homem, como diria um escritor de frases feitas ou um amante de “clichés”.
Os meus Labradores têm certidão de nascimento. Mais do que isso, têm um documento autenticado que lhes garante a ascendência até à quinta geração. O rafeiro não tem papéis, evidentemente, nem o auto de expulsão do acampamento de ciganos que o projectou para a porta de uma peixaria onde o apanhei. Curiosamente, os meus cães gostam mais de peixe do que de carne, o que não é de estranhar nos Labradores, dado o seu código genético de cães das águas frias da Gronelândia, onde mergulhavam para puxarem os cabos dos navios para serem amarrados no cais. Os meus Labradores são cultos porque, embora um nascido no Surrey, Reino Unido, e outro na África do Sul, entendem perfeitamente o português, até devendo estar ambos esquecidos do inglês e do afrikander, que não praticam. O vira latas, se falasse, devia falar à malandro de Alcântara, que é um sotaque de Lisboa a desaparecer entre os humanos.
Acompanham-me ao pequeno almoço, almoço e jantar, e ficam comigo, espojados no chão, a gemerem sonhos, no meio dos meus livros, enquanto escrevo e não me vou deitar. Talvez sonhem com os irmãos de ninhada, a correrem nos prados verdes e húmidos que não lhes posso proporcionar.
Dizem que não há melhor prazer para um cão do que estar com os seus donos, mas creio que condenamos os nossos cães a felicidades que não merecem. Os cães merecem a felicidade plena, não este exílio que lhes impomos, nem a prisão protectora a que os submetemos.
Os cães gostam tanto dos donos que parecem felizes nas cadeias que lhes damos, mas bem vejo a diferença que não escondem nos campos sem horizonte ou nas praias desertas do Outono e do Inverno.
Depois de meia dúzia de anos de convivência com os meus cães penso que sei ler-lhes os olhares e perceber o que me dizem. Tanto quanto sentiria a tristeza e a mágoa do Labrador atingido a tiro e do cão perneta que, sem prisões que os protejam, conhecem bem os homens e sabem o que é a verdadeira vida de cão.

Joaquim Letria

Para rematar a nossa conversa de hoje eis a foto do meu cão, quando tinha 9 meses de idade, festejando o seu primeiro Natal.


sábado, 19 de abril de 2008

O ACORDO

Mesmo correndo o risco de me considerarem fastidiosa, não posso, e não quero, deixar de voltar ao tema Educação.
O assunto não é pacífico, e está longe de o ser.
Será necessária uma viragem de 360 graus.

Mas como, no nosso País, as “urgências urgentes” implicam fracturas expostas…provavelmente só quando estas se verificarem é que serão tomadas medidas para sanar as já existentes

Segundo as últimas notícias terá havido um “aproximar” de posições entre o ME e os sindicatos.
Estas “últimas notícias” já foram transmitidas há uns dias. Daí para cá não se ouviu falar mais no assunto.
Estamos habituados a ver, nas televisões, as mesmas notícias repetidas até à exaustão.
Sobre este assunto fez-se um silêncio sepulcral!
Porque será???

O Professor Pacheco Pereira exprimiu a sua opinião, que vou transcrever, e que, segundo a sua óptica, explica o “acordo” havido.
Considero-o um bom analista. Mas discordo quando diz :
“Os professores que se manifestavam não queriam…nenhuma avaliação de desempenho”.
Pelo muito contacto que tenho com professores tenho que deduzir que esta afirmação não é correcta. Os professores não querem a avaliação nos termos em que foi proposta, apenas.

Vejamos a posição de Pacheco Pereira.


As notícias sobre as grandes cedências do Ministério da Educação aos sindicatos de professores correm o risco de terem sido muito exageradas.
Menezes, Portas, alguns comentadores e blogues vieram logo dizer que o verdadeiro ministro da Educação era Mário Nogueira, da FENPROF, e que Maria de Lurdes Rodrigues era “ex-ministra”.
Depois veio Mário Nogueira, cinco segundos depois, ainda o acordo estava fresco, falar da “grande vitória”, não fossem as pessoas aperceber-se de alguma coisa bizarra e perceber que a avaliação, afinal, continuava mais ou menos como estava.
A frágil ministra aparecia a falar mansamente nas mesmas televisões, dizendo que tinha havido um “acordo” e isso era bom, mas que estava salvaguardado o essencial, a “avaliação estava a fazer-se e ia continuar a fazer-se”.
Mas o que são estas palavras tímidas e quase sussurradas face à tonitruante declaração de vitória sindical, a seguir confirmada pelo espelho da incoerência da oposição, que, sem estudar, nem saber nada do que realmente tinha sido conseguido ou não, sem falar com os professores, veio logo com a conferência de imprensa fácil, declarar que houvera “um grande recuo do Governo” ?
Ora, homem sensato desconfia quando há tanta pressa de correr para a televisão a dizer que se ganhou, e, ainda por cima, em grande.
Homem sensato sabe como funcionam o PCP e os sindicatos, sabe como eles estavam num beco sem saída criado pela sua própria vitória.
Depois de contribuírem para a gigantesca manifestação sabiam que não podiam dar continuidade à “luta” com uma greve, e tinham que recuar.
Homem sensato sabe que, por muito sucesso que a luta dos professores tenha tido, - e teve – a seguir à manifestação viria um refluxo, como veio.
Sabe o homem sensato e sabem, melhor do que ele, os sindicalistas profissionais.
Homem sensato e com memória já viu muitas vezes como, para os comunistas e os seus sindicalistas, o mais importante não são os anéis, são os dedos. Os dedos, aqui, são manter o adquirido, e o adquirido é o reforço dos sindicatos e do PCP na vida pública nacional, pensando também em 2009, ano de eleições.
Nunca, jamais, em tempo algum, organizações mais experientes a dormir, que mil líderes da oposição acordados, sabem que não podem correr o risco de ir mais longe e pôr em causa a percepção de vitória, com aventureirismos ou impasses cujo apodrecimento mostraria as fragilidades sindicais.
O PCP e os seus sindicatos sabem, melhor do que ninguém, que precisavam, como de pão para a boca, de um acordo, e sabiam que o ministério também precisava do mesmo. Um precisava de parecer que ganhava, e o outro de parecer que cedia.
Foi por isso que, de repente, se chegou a um acordo que, pelos vistos, os “professores”, citados pelos jornais, entendem como uma derrota e não como “a grande vitória”. Percebe-se porquê: os professores que se manifestavam não queriam, na sua esmagadora maioria, nenhuma avaliação de desempenho, e vai continuar a haver avaliação.
Eles sabem disso, os sindicatos sabem disso, a ministra sabe disso, o resto é coreografia.

Bastante tempo antes deste “acordo” já o Professor Ramiro Marques havia manifestado a sua apreensão quanto a um possível “entendimento” por parte dos sindicatos.

Para quem não saiba, Ramiro Marques é Professor Coordenador com Agregação da ESE (Escola Superior de Educação) de Santarém.
Autor de várias dezenas de livros escolares desde a década de 80, que vão do pré-escolar ao 12º.ano, escreveu também vários livros relacionados com Educação, (alguns publicados também em Espanha e no Brasil) ,até 2007.

Vejamos agora a preocupação de Ramiro Marques, que parecia adivinhar o que viria a acontecer.


Se os professores desmobilizarem será a desgraça total!

“Inclino-me a pensar que os sindicatos vão, mais uma vez, desmobilizar os professores a troco de coisa nenhuma.
Umas cedências de pormenor, mantendo o modelo tal como está, para dar a ideia de que houve recuo e que todos ganharam. Se assim for (oxalá me engane!), será uma desgraça para os professores.
Com os professores de joelhos, outras malfeitorias virão: fim das pausas da Páscoa e do Natal, escolas abertas e com alunos durante a Páscoa e o Natal, formação contínua aos sábados, etc.
A profissão, tal como a conhecemos, está em vias de acabar. A escola pública vai morrer. As classes alta e média alta vão colocar os seus filhos em colégios privados, e as escolas públicas transformar-se-ão em imensos CEFs onde não se aprende nada, apenas se guardam crianças e adolescentes.
Os professores assistirão ao nascimento de um outro estatuto, ainda pior que o actual: o estatuto de prestadores de cuidados sociais e de empregados domésticos dos pais”.

Ramiro Marques

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O SEGUNDO “MESÁRIO”

Na segunda-feira, dia 14, fez dois meses, e hoje, quinta - feira, faz nove semanas, (não nove semanas e meia…) que a Casa da Mariquinhas nasceu para o mundo dos blogues.Festeja, portanto, o seu segundo “mesário”.
É ainda uma criança de tenra idade; não teve tempo para mostrar as suas habilidades, se é que as tem…(o futuro o dirá…)
Passando em revista os assuntos aqui tratados, verifiquei que a “declaração de intenções” feita aquando da abertura, não foi ainda cumprida. Falta, pelo menos, fazer sorrir.
E se é verdade que os motivos para sorrir não abundam, não é menos certo que “rir” é um excelente tónico, faz muito bem à saúde. Há até clínicas que incluem, nas suas terapêuticas, pelo menos quinze minutos diários de risota. E os resultados, tanto quanto se sabe, têm sido excelentes.

Resolvi hoje colmatar essa falta, não vão as más línguas comparar-me aos políticos, que nunca cumprem o que prometem…

Para um momento de boa disposição escolhi este texto, que acho delicioso.Eu quero viver a minha próxima vida ao contrário…

- Começo morto e livro-me logo dessa “chatice”…
- Depois, acordo num lar para a terceira idade, sentindo-me
melhor a cada dia que passa.
- A seguir sou expulso, por estar demasiado saudável.
- Durante uns anos gozo a minha reforma, recebo a minha
pensão de velhice e a saúde vai sempre melhorando.
- Então começo a trabalhar. Recebo um relógio em ouro,
como presente, logo no primeiro dia.
- Trabalho 40 anos, até ser demasiadamente novo para
trabalhar.
- Aí vou para a faculdade e depois para o liceu. Bebo álcool,
vou a festas e sou promíscuo.
- Depois vou para a escola primária, brinco, e não tenho
responsabilidades.
- A seguir transformo-me num bebé. Dão-me banho, muitos
mimos, e farto-me de mamar.
-Finalmente, passo os últimos nove meses a flutuar,
pacífica e luxuosamente, em condições equivalentes a um SPA, com ar condicionado, serviço de quartos, todas as comodidades, e depois…
Bem, e depois…acabo num grande orgasmo………..

Digam-me lá se eu não tive uma grande ideia ?! Desconheço a autoria.


Mas…quando falo em humor, não posso esquecer o meu humorista preferido: Luís Fernando Veríssimo.


HIPOCONDRÍACO

Não tem nada pior do que ser hipocondríaco num país que não tem remédio.
Eu tomo um remédio para controlar pressão.
Cada dia que vou comprar o dito cujo, o preço aumenta.
Controlar pressão é mole. Quero ver é controlar “preção”.
Tô sofrendo de preção alto.

O médico mandou cortar o sal. Comecei cortando o médico, já que a consulta era salgada demais.

Controlei também a alimentação. Como a única coisa que tenho comido, depois do Fome Zero é minha patroa, não tem perigo: ela é a coisinha mais sem sal deste lado do mundo.

Para piorar, acho que tô ficando meio esquisofrénico.
Sério! Não sei mais o que é Real. Principalmente quando abro a carteira ou pego extrato no banco. Não tem mais um real.

Sem falar na minha esclerose precoce. Comecei a esquecer as coisas:
Sabe aquele carro? Esquece!
Aquela viagem? Esquece!
Tudo o que o barbudo prometeu? Esquece!
Podem dizer que sou hipocondríaco, mas acho que tô igual ao meu time: nas últimas!

Bem, carioca é assim mesmo, já nem liga mais para bala perdida:
ENTRA POR UM OUVIDO E SAI PELO OUTRO

Luís Fernando Veríssimo

domingo, 13 de abril de 2008

PASSAMOS PELAS COISAS SEM AS VER

Porque hoje é Domingo, façamos uma pequena pausa em todos os problemas que nos afligem no dia-a-dia, e aproveitemos para olhar um pouco para dentro de nós mesmos.
Passamos o tempo a pensar em tudo o que está mal ao nosso redor, a alertar para os perigos que nos cercam, a tentar apontar soluções… e esquecemo-nos de analisar o nosso próprio comportamento.
Tudo isto porque:

PASSAMOS PELAS COISAS SEM AS VER


Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos.
Como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Eugénio de Andrade

E assim perdemos, muitas vezes, a oportunidade de apreciar verdadeiras obras de arte que estão mesmo ao nosso lado, só porque não têm um apelativo laçarote dourado a enfeitá-las.
Ora veja.

Passamos por verdadeiros diamantes sem dar por eles

Aquela poderia ser mais uma manhã como qualquer outra.

Um sujeito entra na estação do metro, vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo da entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, na hora de ponta matinal.
Durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.

Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Alguns dias antes Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1.000 dólares.
A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, telemóvel no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino.

A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre “valor, contexto e arte”.
A conclusão: “Estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura, um artefacto de luxo sem etiqueta de marca”.

Veja agora o vídeo da experiência.


quinta-feira, 10 de abril de 2008

terça-feira, 8 de abril de 2008

A SAÚDE EM PORTUGAL

Na passada terça feira, dia 1 de Abril, um jovem de 14 anos encontrava-se na sua aula de Educação Física. Iam fazer “salto em altura”.
Depois de fazer o aquecimento começou a sentir dor na perna esquerda.
A professora, apercebendo-se, aconselhou-o a parar.
Porque se trata de um “jovem lutador”, que não desiste facilmente, resolveu insistir.
Ao fazer a 3ª.chamada para o último salto, já na elevação, sentiu o osso da perna, a tíbia, deslocar-se, sentindo uma dor de tal modo violenta que o fez cair em cima do colchão, sem poder mover-se.
De imediato acorreu a professora, que logo se apercebeu da gravidade da situação, diligenciando a chamada de uma ambulância.
Ao mesmo tempo um colega avisou a mãe do jovem, que acorreu prontamente.
Quando a ambulância chegou, foram prestados os primeiros socorros, imobilizando a perna, e transportando-o para o Hospital Garcia de Orta, em Almada.
Chegado ao Hospital, ainda na triagem, foram-lhe administrados analgésicos.
Visto por um pediatra, foi mandado fazer Raio X.
Feito o exame regressou à triagem, onde uma enfermeira informou: vamos contactar um ortopedista para decidir o que fazer.
A ortopedista (era uma médica) analisou o exame, e concluiu que era necessário operar com urgência. Mas, contra o que pareceria lógico, mandou engessar a perna e voltar lá na 2ª.feira, dia 7, para a consulta. Nessa altura “se veria quando era possível realizar a cirurgia”.
Perante a estranheza dos pais, que acompanhavam o jovem em sofrimento, a médica, um tanto bruscamente, esclareceu que “urgência urgente” é para casos de fractura exposta.

E com esta resposta se retiraram.

À saída do Hospital Garcia de Orta o pai do jovem contactou o British Hospital, em Lisboa, expondo a situação. Foi-lhe dito que levasse o filho imediatamente para lá.
Atendido por um ortopedista, foi feito novo Raio X, TAC, e outros exames complementares, que o levaram a confirmar ser necessária a cirurgia.
A lesão era bastante grave. A tíbia, ao deslocar-se para cima, provocara estiramento de ligamentos, e sofrera uma pequena fractura ao empurrar para cima um osso do joelho, abaixo da rótula. Isto significa que havia fractura da “cabeça da tíbia”, estiramento de ligamentos e um osso deslocado.
O cirurgião, especialista em joelhos, marcou a operação para sexta-feira, dia 4.
Compreensivelmente nervosa e apreensiva, a mãe decidiu ouvir mais uma opinião, e foi consultar o médico ortopedista que acompanha o jovem desde tenra idade.
Este manifestou o seu assombro perante a atitude do Hospital Garcia de Orta, adiando para “data a anunciar” um caso manifestamente urgente.

Este relato foi feito de acordo com os testemunhos dos intervenientes: a minha filha e o meu neto, Carlos.

Com o recurso a assistência médica em Hospital privado, o Carlos foi operado na sexta-feira, dia 4, encontrando-se já em recuperação.
Isto aconteceu porque os pais puderam disponibilizar, não sem alguma dificuldade, os meios necessários para recorrer a esta solução.
Contudo, não podemos esquecer que a maioria da população não tem capacidade económica para o fazer, tendo que sujeitar-se a esperas e demoras que o sistema impõe.

Não posso e não vou falar de negligência médica.
No entanto, parece-me, no mínimo, leviano, o comportamento do Hospital Garcia de Orta, na pessoa da médica ortopedista que atendeu o Carlos: depois de considerar “urgente”, tratou como “normal” um caso de evidente urgência.
Como atenuante ao seu procedimento podemos admitir que o Hospital não tenha capacidade de resposta para todos os casos urgentes.
E ainda, seguindo esta linha de raciocínio, que a sua “brusquidão” se deva ao facto de ela própria se sentir desconfortável por não poder solucionar o caso atempadamente.

A avaliação feita, quer pelo médico que o operou, quer pelo ortopedista que o acompanha desde criança, indica que a decisão tomada pelo Hospital Garcia de Orta parece não ter sido a mais correcta.
Quanto tempo este jovem, em sofrimento, teria de esperar pela cirurgia?
Quais as sequelas que poderiam advir do facto da não intervenção rápida?
São incógnitas para as quais nunca teremos resposta.

domingo, 6 de abril de 2008

UM BOM EXEMPLO - ENZO ROSSI

Num dos meus habituais giros pela Net encontrei, na revista “Veja online”, o relato de uma entrevista feita pelo seu repórter Fábio Portela ao empresário italiano Enzo Rossi, que achei muito interessante.
Não vou fazer comentários à atitude tomada pelo empresário, a não ser tecer-lhe um grande elogio.
Mas não pude deixar de pensar na analogia entre esta experiência e o que se passa no nosso País, mas com sinal contrário.
Os nossos governantes estão a sujeitar-nos a viver com salários que mal chegam ao dia 20.
Até quando durará a experiência? Até que nos aconteça o mesmo que aconteceu ao burro do inglês ???
Já era altura de a experiência mudar de cobaia, e serem eles a tentar viver com os salários que pagam.
Penso que nenhum de nós se importaria de se “governar” com os seus ordenados chorudos…

Mas vamos à entrevista:

O empresário italiano Enzo Rossi ganhou as páginas de jornais europeus depois de fazer uma experiência curiosa.
Dono do pastifício La Campofilone, que factura 1,6 milhões de euros por ano, ele decidiu passar um mês inteiro com a quantia que paga aos seus operários. Foram 1.000 euros para si próprio e 1.000 euros para sua mulher, que também trabalha na empresa (no total, o equivalente a 5.400 reais). O dinheiro acabou em vinte dias. Rossi, então, deu um aumento a todos os funcionários do pastifício. Ele falou ao repórter Fábio Portela.

POR QUE O SENHOR DECIDIU VIVER UM MÊS COM O SALÁRIO DE UM OPERÁRIO?

Achei que seria educativo para minhas filhas. Tenho duas meninas, de 14 e 15 anos, que, como todos os jovens, sempre pedem mais do que precisam. Queria que elas soubessem como é a vida das pessoas mais pobres. Achei que seria pedagógico para as meninas, aprender a controlar um pouco as despesas. Por isso, combinamos que viveríamos durante um mês com o salário dos operários do pastifício. Foram 1.000 para mim e 1.000 euros para minha mulher, que trabalha comigo na empresa.

QUAL FOI O RESULTADO?

Tenho vergonha de confessar, mas a verdade é que não cheguei nem perto do fim do mês. Apesar de toda a economia que fizemos, o dinheiro acabou no dia 20. O meu, o da minha mulher, tudo. Faltavam dez dias para o mês terminar, e eu não tinha mais 1 euro no bolso. Encerrei a experiência e decidi dar um aumento de 200 euros aos meus funcionários. Percebi que, se o dinheiro acabava para mim, também não dava para eles. Como eles se viravam do dia 20 ao dia 30? Era impossível viver com o salário que eu pagava.

O SENHOR SUGERE QUE OUTROS EMPRESÁRIOS SIGAM O EXEMPLO?

Cada um tem a sua própria ética e deve fazer da sua vida o que achar melhor. Mas, seguramente, para mim valeu a pena reduzir um pouco a mais-valia e repartir os lucros com quem trabalha para mim. Gosto de ver os funcionários mais tranquilos e felizes.

MAIS-VALIA? POR ACASO O SENHOR É MARXISTA?

De jeito nenhum. Sou apolítico. Aliás, a única categoria ideológica na qual me encaixo é a de egoísta. O fato de ter dado o aumento aos empregados é a prova cabal de que sou um grandessíssimo egoísta.

QUAL É A RELAÇÃO ENTRE UMA COISA E OUTRA?

Simples: se o salário é insuficiente, os funcionários vivem sob stress psicológico, porque não sabem se conseguirão chegar com dinheiro ao fim do mês. A mãe que precisa pagar a escola do filho, o rapaz que quer levar a namorada para comer uma pizza no fim de semana: se eles não têm dinheiro para isso, o que farão? Eles ficarão instáveis do ponto de vista emocional e, consequentemente, trabalharão mal. Quero que eles estejam bem para aumentar meus lucros. Por isso, posso dizer tranquilamente que sou um egoísta.

O STRESS DIMINUI A QUALIDADE DA MASSA?

Fabrico um produto de altíssima qualidade e alto valor agregado, que é – não que eu queira fazer publicidade – o maccheroncino de Campofilone, um tipo de macarrão finíssimo, muito tradicional na Itália. Não é qualquer mão que é capaz de transformar a farinha de trigo e os ovos em uma massa tão delicada. Se o funcionário trabalha feliz, o meu maccheroncino sem dúvida fica melhor – e vende mais.

MAS, NA PONTA DO LÁPIS, O SENHOR JÁ TEVE RETORNO FINANCEIRO?

Ainda não, mas isso não vai demorar a acontecer. Já no fim do ano, vou sair ganhando com o aumento que dei aos meus funcionários. Sabe porquê? Em nossa cidade, as festas de Natal e Ano Novo têm no seu cardápio tradicional os maccheroncini. Com a renda extra, os meus funcionários comprarão mais da massa que fabricam. As vendas vão disparar…

Publicado na revista “Veja”

NÃO SOMOS POLÍTICOS

O post “Um bom exemplo” sugere-me dizer o seguinte:

Neste blog não há políticos. Não fazemos política nem crítica político/social. Para tanto nos falta “engenho e arte”.
Deixamos isso para os espaços especializados, como por exemplo, “Do Mirante” ou “Do Miradouro”, ambos do amigo João Soares, que tão condignamente o faz.
Mas uma “bicadinha”, de vez em quando, especialmente em forma de poema, não perdoamos.
Não resisto a publicar este, da autoria do meu amigo Humberto Rodrigues Neto – poeta brasileiro - que assina como «Humberto – Poeta»

HIPÓCRITAS!

Parlamentar venal que tens um posto
no congresso, por erros de quem vota,
és cópia exata desse vil idiota
que pela fraude tem teu mesmo gosto!

Do roubo e do conchavo a fazer rota,
e às vis cavilações sempre disposto,
és do país o carcinoma exposto
que os frágeis órgãos da nação esgota!

Fraudando as verbas que o teu bolso come,
pouco te importa morra o povo à fome,
alheio a esse mandato que avacalhas!

Que venha o relho, a ditadura, enfim,
varrer esses patifes, pondo um fim
nessa imunda caterva de canalhas!

Humberto – Poeta

E AINDA...

Dentro do contexto do poema anterior não poderia ficar esquecido o nosso saudoso Zeca Afonso.





OS VAMPIROS

No céu cinzento sob o astro morno
Batendo as asas p’la noite calada
Vêm em bandos com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada.

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios, poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas.

São os mordomos do Universo todo
Senhores à força, mandadores sem lei,
Enchem as tulhas, bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei

Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada,
Jazem no fosso vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo, eles comem tudo,
Eles comem tudo, eles comem tudo,
Eles comem tudo e não deixam nada!



Não esqueça que somos apolíticos!
Mas isso não impede que sejamos pela Liberdade e pela Justiça.






quarta-feira, 2 de abril de 2008

OS PROFESSORES SÃO ÚTEIS

Desde que começou toda esta polémica relacionada com manifestações de professores, avaliações, telemóveis nas salas de aula, agressões, etc., tenho recebido muitos textos, com pedido de publicação neste blog.
Não tenho atendido a maioria desses pedidos porque me são remetidos sem autoria conhecida (excepto a dos remetentes, que as reencaminham, mas não são os autores dos textos).
Neste que aqui apresento consta o nome do autor. Devo dizer que não o conheço, mas já tenho lido várias coisas escritas por ele, (ou que, pelo menos, lhe são atribuídas).




Escola e justiça pelas próprias mãos.

Ontem visitei uma escola no concelho de Sintra. Era a “semana da leitura” numa escola cuja biblioteca está permanentemente aberta das 08h00 às 22h00 por devoção dos seus professores.
Os de várias disciplinas, de Português a Educação Física e Geometria – cada um faz uma escala para garantir um dos objectivos internos da própria escola: mantê-la aberta nesse período.

Havia alunos a ajudar no bar e no refeitório, porque não há pessoal suficiente. Alunos, funcionários administrativos e professores, promoveram uma maratona de leitura.

A ministra da educação pede a estes professores para “trabalharem mais um pouco”, coisa que eles já fazem há bastante tempo; ouvi alunos portugueses, africanos, indianos, do Leste Europeu, a falar com orgulho da sua escola. Falando com eles, um a um, percebe-se entusiasmo.

Percebo pela blagosfera uma grande vontade de fazer “justiça pelas próprias mãos” aos professores, mas vejo poucas pessoas com disponibilidade para ouvi-los nos corredores das escolas, quando fazem turnos de limpeza, quando atendem alunos em dificuldade ou fazem escalas para Português como língua estrangeira para rapazes ucranianos ou indianos que não entendem sequer o alfabeto ocidental, ou quando tratam dos problemas pessoais de alguns deles (ou porque não tomam o pequeno-almoço em casa, ou têm dificuldade em aceitar um namoro desfeito, ou quando andam na droga).

Os professores, estes professores, são um dos últimos elos (percebe-se isso tão bem) entre os miúdos e miúdas desorientados e um mundo que é geralmente ingrato. São avaliados todos os dias pelo ambiente escolar, pelo ruído da rua, pelas horas de atendimento, pelas reuniões que o ME não suspeita.

Muitas vezes as famílias não sabem o ano que os miúdos frequentam; não sabem quantas faltas eles deram; não sabem se os filhos estão de ressaca.
Os professores sabem.

Essa vontade de disciplinar os professores, eu percebo-a. Durante trinta anos, uma série de funcionários que abundou “pelos corredores do ME” (gosto da expressão, eu sei), decretou e planeou coisas inenarráveis para as escolas, sem as visitar, sem as conhecer, ignorando que essa geringonça de “planeamento”, “objectivos”, princípios pedagógicos modernos, funcionava muito bem nas suas cabecinhas, mas que era necessário testar tudo nas escolas, que não podem ser laboratórios para experiências engenhosas.

Muitos professores foram desmotivados ao longo destes anos. Ou porque os processos disciplinares eram longos depois de uma agressão (o ME ignora que esses processos devem ser rápidos e decisivos), ou porque ninguém sabe como a TLEBS é aplicada. Ninguém, que eu tivesse ouvido nas escolas onde vou, discordou da necessidade de avaliação. Mas eu agradecia que se avaliasse também o trabalho do ME durante estes últimos anos; que se avaliasse o quanto o ME trabalhou para dificultar a vida nas escolas com medidas insensatas, inadequadas e incompreensíveis; que se avalie a qualidade dos programas de ensino e a sua linguagem imprópria e incompreensível.

Sou e sempre fui dos primeiros a pedir avaliação aos professores, porque é uma exigência democrática e que pode ajudar a melhorar a qualidade do ensino. Mas é fácil escolher os professores como bodes expiatórios de toda a desgraça do “sistema”, como se tivessem sido eles a deixar apodrecer as escolas ou a introduzir reformas sobre reformas, a maior parte delas abandonadas una anos depois. Por isso, quando pedirem “justiça” e “disciplina” e “rigor” (coisas elementares), não se esqueçam de visitar as escolas, de ver como é a vida dos professores, porque creio que se confunde em demasia aquilo que é “o mundo dos professores” com a imagem pública de um sistema desorganizado, oportunista e feito para produzir estatísticas boas para a propaganda.

Francisco José Viegas

terça-feira, 1 de abril de 2008

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS - BULLYING

Bullying – “termo que não tem tradução para português, mas está bem difundido nos estabelecimentos de ensino do País”.


Por cedência de um grupo de jovens estudantes encontra-se em meu poder vasto material referente a este assunto.
Por ser demasiado extenso, seleccionei alguns trechos que apresento a seguir, e algumas imagens que postarei separadamente.



…A Violência protagonizada pelos jovens nas escolas é uma realidade inegável. A sociedade terá que se organizar e insurgir-se activamente contra este fenómeno. De igual modo, a escola terá que ajustar os seus conteúdos programáticos e acercar-se mais das crianças. Devido às exigências, as famílias muitas vezes destituem-se da sua função educativa, delegando-a à escola. No meio de toda esta confusão, estão as crianças, que actuam conforme aquilo que observam e agem consoante os estímulos do meio. Meio esse que, por vezes, oferece modelos de conduta e referências positivas questionáveis…

A violência nos últimos quatro anos
…A violência registada em meio escolar tem vindo a aumentar nos últimos quatro anos. Em 2004/2005 as estatísticas davam conta de 1.232 situações de agressão envolvendo alunos, professores e auxiliares, número que subiu para cerca de 1.500 no último ano lectivo. Os dados são minimizados pelas autoridades, que lembram estar em causa um universo de um milhão e 700 mil alunos…


Armas na sala de aula

…A violência nas escolas é tema de discussões no mundo inteiro, já que o problema não ocorre apenas em bairros ou países pobres e periféricos. Frequentemente a Unesco promove conferências sobre o tema, em diversos países.
Na Europa, por exemplo, não se fala mais em “cultura de paz”, mas em “educação para a cidadania”, com o objectivo de formar alunos-cidadãos capazes de expor as suas ideias de maneira pacífica…

Agressores precisam de vítimas. E quem são as vítimas?

…Geralmente, os autores de Buulying procuram pessoas que tenham alguma característica que sirva de foco para as suas agressões. Assim, é comum eles abordarem pessoas que apresentem algumas diferenças em relação ao grupo no qual estão inseridas, como, por exemplo: obesidade, baixa estatura, deficiência física, ou outros aspectos culturais, étnicos ou religiosos. O que se verifica é que essas crianças são alvos mais visados, e tornam-se mais vulneráveis ao Buulying, por possuírem algumas dessas características específicas.
Mas o facto de sofrer Bullying não é culpa da vítima, pois ninguém pode ser responsabilizado por ser diferente!...
Na verdade, a diferença é apenas o pretexto para que o agressor satisfaça uma necessidade que é dele mesmo: a de agredir.
Tanto os pais quanto as escolas devem ajudar as crianças a lidar com as diferenças, procurando questionar e trabalhar os seus preconceitos. E uma das boas maneiras de se lidar com isso é promovendo debates, nos quais os jovens possam tomar consciência dessas questões, e confrontar as suas ideias com as de outros jovens…

20% dos alunos são vítimas de bullying

…Nas escolas básicas portuguesas um em cada cinco alunos é vítima de uma intimidação constante por parte de colegas – que inclui agressões, insultos e exclusão de jogos. É o bullying, termo que não tem tradução para português, mas que está bem difundido nos estabelecimentos de ensino do País. O último caso conhecido afecta um menino de 12 anos, que sofreu de cancro, e cujos pais tentaram, sem sucesso, que a escola que frequenta o mudasse para outra turma.
Chegaram a pedir a intervenção da Inspecção-Geral da Educação. Na falta de respostas e temendo o agravamento do estado de saúde do filho, não o deixaram ir mais às aulas. No último período o menino não foi à escola…

A opinião dos jovens

…A opinião dos jovens foi recolhida em 191 escolas nacionais, de ensino regular, num total de 6.903 alunos.
As escolas foram sorteadas de uma lista nacional.
Foram seleccionados alunos dos 6º., 8º. e 10º. anos de escolaridade.
A cada um destes anos corresponde uma idade média de 11, 13 e 16 anos…

…Apesar de tudo, os números relativos à violência nas escolas apresentados neste estudo não podem ser encarados com tranquilidade. De acordo com os resultados, a agressão de que os alunos portugueses mais referem ter sido vítimas é a física e a verbal. As raparigas, em número elevado, referem ainda ter sido alvo de comportamentos indesejados com conotação sexual.
Um aluno em cada dez já foi abordado no sentido de adquirir ou consumir drogas e um em cada quatro ter sido assaltado, roubado ou vítima de destruição de propriedade…

Possuo muito mais material que não vou aqui publicar, por demasiado extenso.
Nenhum dos textos recebidos refere autoria, excepto o que segue, e que não poderia deixar de mostrar:

Indicações para os pais

AOS PAIS

Se você for informado de que o seu filho é um autor de Buulying, converse com ele e:

“Saiba que ele está a precisar de ajuda”.

“Não tente ignorar a situação, nem procure fazer de conta que está tudo bem”.

“Procure manter a calma e controlar a sua própria agressividade ao falar com ele. Mostre-lhe que a violência deve ser sempre evitada”.

“Não o agrida nem o intimide: isso só irá tornar a situação ainda pior”.

“Mostre que você sabe o que está a acontecer, mas procure demonstrar
que você o ama, apesar de não aprovar esse seu comportamento”.

“Converse com ele: procure saber porque ele está a agir assim, e o que
poderia ser feito para ajudá-lo”.

“Garanta-lhe que você quer ajudá-lo e que vai procurar alguma maneira de fazer isso”.

“Tente identificar algum problema actual que possa estar desencadeando esse tipo de comportamento. Nesse caso, ajude-o a sair disso”.

“Com o consentimento dele entre em contacto com a escola: converse com os professores, funcionários e amigos que possam ajudá-lo a compreender a situação”.

“Dê orientações e limites firmes, capazes de ajudá-lo a controlar o seu comportamento”.

“Procure auxiliá-lo a encontrar meios não agressivos para expressar as suas insatisfações”.

“Encoraje-o a pedir desculpas aos colegas que ele agrediu, seja pessoalmente ou por carta”.

“Tente descobrir alguma coisa positiva em que ele se destaque, e que venha a melhorar a sua auto-estima”.

“Procure criar situações em que ele possa sair-se bem, elogiando-o sempre que isso ocorrer”.

Autor: Sónia Carla Aroso Azevedo

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS - BULLYING - IMAGENS

Eis algumas das imagens recebidas