domingo, 13 de abril de 2008

PASSAMOS PELAS COISAS SEM AS VER

Porque hoje é Domingo, façamos uma pequena pausa em todos os problemas que nos afligem no dia-a-dia, e aproveitemos para olhar um pouco para dentro de nós mesmos.
Passamos o tempo a pensar em tudo o que está mal ao nosso redor, a alertar para os perigos que nos cercam, a tentar apontar soluções… e esquecemo-nos de analisar o nosso próprio comportamento.
Tudo isto porque:

PASSAMOS PELAS COISAS SEM AS VER


Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos.
Como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Eugénio de Andrade

E assim perdemos, muitas vezes, a oportunidade de apreciar verdadeiras obras de arte que estão mesmo ao nosso lado, só porque não têm um apelativo laçarote dourado a enfeitá-las.
Ora veja.

Passamos por verdadeiros diamantes sem dar por eles

Aquela poderia ser mais uma manhã como qualquer outra.

Um sujeito entra na estação do metro, vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo da entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, na hora de ponta matinal.
Durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.

Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Alguns dias antes Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1.000 dólares.
A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, telemóvel no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino.

A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre “valor, contexto e arte”.
A conclusão: “Estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura, um artefacto de luxo sem etiqueta de marca”.

Veja agora o vídeo da experiência.


quinta-feira, 10 de abril de 2008

terça-feira, 8 de abril de 2008

A SAÚDE EM PORTUGAL

Na passada terça feira, dia 1 de Abril, um jovem de 14 anos encontrava-se na sua aula de Educação Física. Iam fazer “salto em altura”.
Depois de fazer o aquecimento começou a sentir dor na perna esquerda.
A professora, apercebendo-se, aconselhou-o a parar.
Porque se trata de um “jovem lutador”, que não desiste facilmente, resolveu insistir.
Ao fazer a 3ª.chamada para o último salto, já na elevação, sentiu o osso da perna, a tíbia, deslocar-se, sentindo uma dor de tal modo violenta que o fez cair em cima do colchão, sem poder mover-se.
De imediato acorreu a professora, que logo se apercebeu da gravidade da situação, diligenciando a chamada de uma ambulância.
Ao mesmo tempo um colega avisou a mãe do jovem, que acorreu prontamente.
Quando a ambulância chegou, foram prestados os primeiros socorros, imobilizando a perna, e transportando-o para o Hospital Garcia de Orta, em Almada.
Chegado ao Hospital, ainda na triagem, foram-lhe administrados analgésicos.
Visto por um pediatra, foi mandado fazer Raio X.
Feito o exame regressou à triagem, onde uma enfermeira informou: vamos contactar um ortopedista para decidir o que fazer.
A ortopedista (era uma médica) analisou o exame, e concluiu que era necessário operar com urgência. Mas, contra o que pareceria lógico, mandou engessar a perna e voltar lá na 2ª.feira, dia 7, para a consulta. Nessa altura “se veria quando era possível realizar a cirurgia”.
Perante a estranheza dos pais, que acompanhavam o jovem em sofrimento, a médica, um tanto bruscamente, esclareceu que “urgência urgente” é para casos de fractura exposta.

E com esta resposta se retiraram.

À saída do Hospital Garcia de Orta o pai do jovem contactou o British Hospital, em Lisboa, expondo a situação. Foi-lhe dito que levasse o filho imediatamente para lá.
Atendido por um ortopedista, foi feito novo Raio X, TAC, e outros exames complementares, que o levaram a confirmar ser necessária a cirurgia.
A lesão era bastante grave. A tíbia, ao deslocar-se para cima, provocara estiramento de ligamentos, e sofrera uma pequena fractura ao empurrar para cima um osso do joelho, abaixo da rótula. Isto significa que havia fractura da “cabeça da tíbia”, estiramento de ligamentos e um osso deslocado.
O cirurgião, especialista em joelhos, marcou a operação para sexta-feira, dia 4.
Compreensivelmente nervosa e apreensiva, a mãe decidiu ouvir mais uma opinião, e foi consultar o médico ortopedista que acompanha o jovem desde tenra idade.
Este manifestou o seu assombro perante a atitude do Hospital Garcia de Orta, adiando para “data a anunciar” um caso manifestamente urgente.

Este relato foi feito de acordo com os testemunhos dos intervenientes: a minha filha e o meu neto, Carlos.

Com o recurso a assistência médica em Hospital privado, o Carlos foi operado na sexta-feira, dia 4, encontrando-se já em recuperação.
Isto aconteceu porque os pais puderam disponibilizar, não sem alguma dificuldade, os meios necessários para recorrer a esta solução.
Contudo, não podemos esquecer que a maioria da população não tem capacidade económica para o fazer, tendo que sujeitar-se a esperas e demoras que o sistema impõe.

Não posso e não vou falar de negligência médica.
No entanto, parece-me, no mínimo, leviano, o comportamento do Hospital Garcia de Orta, na pessoa da médica ortopedista que atendeu o Carlos: depois de considerar “urgente”, tratou como “normal” um caso de evidente urgência.
Como atenuante ao seu procedimento podemos admitir que o Hospital não tenha capacidade de resposta para todos os casos urgentes.
E ainda, seguindo esta linha de raciocínio, que a sua “brusquidão” se deva ao facto de ela própria se sentir desconfortável por não poder solucionar o caso atempadamente.

A avaliação feita, quer pelo médico que o operou, quer pelo ortopedista que o acompanha desde criança, indica que a decisão tomada pelo Hospital Garcia de Orta parece não ter sido a mais correcta.
Quanto tempo este jovem, em sofrimento, teria de esperar pela cirurgia?
Quais as sequelas que poderiam advir do facto da não intervenção rápida?
São incógnitas para as quais nunca teremos resposta.

domingo, 6 de abril de 2008

UM BOM EXEMPLO - ENZO ROSSI

Num dos meus habituais giros pela Net encontrei, na revista “Veja online”, o relato de uma entrevista feita pelo seu repórter Fábio Portela ao empresário italiano Enzo Rossi, que achei muito interessante.
Não vou fazer comentários à atitude tomada pelo empresário, a não ser tecer-lhe um grande elogio.
Mas não pude deixar de pensar na analogia entre esta experiência e o que se passa no nosso País, mas com sinal contrário.
Os nossos governantes estão a sujeitar-nos a viver com salários que mal chegam ao dia 20.
Até quando durará a experiência? Até que nos aconteça o mesmo que aconteceu ao burro do inglês ???
Já era altura de a experiência mudar de cobaia, e serem eles a tentar viver com os salários que pagam.
Penso que nenhum de nós se importaria de se “governar” com os seus ordenados chorudos…

Mas vamos à entrevista:

O empresário italiano Enzo Rossi ganhou as páginas de jornais europeus depois de fazer uma experiência curiosa.
Dono do pastifício La Campofilone, que factura 1,6 milhões de euros por ano, ele decidiu passar um mês inteiro com a quantia que paga aos seus operários. Foram 1.000 euros para si próprio e 1.000 euros para sua mulher, que também trabalha na empresa (no total, o equivalente a 5.400 reais). O dinheiro acabou em vinte dias. Rossi, então, deu um aumento a todos os funcionários do pastifício. Ele falou ao repórter Fábio Portela.

POR QUE O SENHOR DECIDIU VIVER UM MÊS COM O SALÁRIO DE UM OPERÁRIO?

Achei que seria educativo para minhas filhas. Tenho duas meninas, de 14 e 15 anos, que, como todos os jovens, sempre pedem mais do que precisam. Queria que elas soubessem como é a vida das pessoas mais pobres. Achei que seria pedagógico para as meninas, aprender a controlar um pouco as despesas. Por isso, combinamos que viveríamos durante um mês com o salário dos operários do pastifício. Foram 1.000 para mim e 1.000 euros para minha mulher, que trabalha comigo na empresa.

QUAL FOI O RESULTADO?

Tenho vergonha de confessar, mas a verdade é que não cheguei nem perto do fim do mês. Apesar de toda a economia que fizemos, o dinheiro acabou no dia 20. O meu, o da minha mulher, tudo. Faltavam dez dias para o mês terminar, e eu não tinha mais 1 euro no bolso. Encerrei a experiência e decidi dar um aumento de 200 euros aos meus funcionários. Percebi que, se o dinheiro acabava para mim, também não dava para eles. Como eles se viravam do dia 20 ao dia 30? Era impossível viver com o salário que eu pagava.

O SENHOR SUGERE QUE OUTROS EMPRESÁRIOS SIGAM O EXEMPLO?

Cada um tem a sua própria ética e deve fazer da sua vida o que achar melhor. Mas, seguramente, para mim valeu a pena reduzir um pouco a mais-valia e repartir os lucros com quem trabalha para mim. Gosto de ver os funcionários mais tranquilos e felizes.

MAIS-VALIA? POR ACASO O SENHOR É MARXISTA?

De jeito nenhum. Sou apolítico. Aliás, a única categoria ideológica na qual me encaixo é a de egoísta. O fato de ter dado o aumento aos empregados é a prova cabal de que sou um grandessíssimo egoísta.

QUAL É A RELAÇÃO ENTRE UMA COISA E OUTRA?

Simples: se o salário é insuficiente, os funcionários vivem sob stress psicológico, porque não sabem se conseguirão chegar com dinheiro ao fim do mês. A mãe que precisa pagar a escola do filho, o rapaz que quer levar a namorada para comer uma pizza no fim de semana: se eles não têm dinheiro para isso, o que farão? Eles ficarão instáveis do ponto de vista emocional e, consequentemente, trabalharão mal. Quero que eles estejam bem para aumentar meus lucros. Por isso, posso dizer tranquilamente que sou um egoísta.

O STRESS DIMINUI A QUALIDADE DA MASSA?

Fabrico um produto de altíssima qualidade e alto valor agregado, que é – não que eu queira fazer publicidade – o maccheroncino de Campofilone, um tipo de macarrão finíssimo, muito tradicional na Itália. Não é qualquer mão que é capaz de transformar a farinha de trigo e os ovos em uma massa tão delicada. Se o funcionário trabalha feliz, o meu maccheroncino sem dúvida fica melhor – e vende mais.

MAS, NA PONTA DO LÁPIS, O SENHOR JÁ TEVE RETORNO FINANCEIRO?

Ainda não, mas isso não vai demorar a acontecer. Já no fim do ano, vou sair ganhando com o aumento que dei aos meus funcionários. Sabe porquê? Em nossa cidade, as festas de Natal e Ano Novo têm no seu cardápio tradicional os maccheroncini. Com a renda extra, os meus funcionários comprarão mais da massa que fabricam. As vendas vão disparar…

Publicado na revista “Veja”

NÃO SOMOS POLÍTICOS

O post “Um bom exemplo” sugere-me dizer o seguinte:

Neste blog não há políticos. Não fazemos política nem crítica político/social. Para tanto nos falta “engenho e arte”.
Deixamos isso para os espaços especializados, como por exemplo, “Do Mirante” ou “Do Miradouro”, ambos do amigo João Soares, que tão condignamente o faz.
Mas uma “bicadinha”, de vez em quando, especialmente em forma de poema, não perdoamos.
Não resisto a publicar este, da autoria do meu amigo Humberto Rodrigues Neto – poeta brasileiro - que assina como «Humberto – Poeta»

HIPÓCRITAS!

Parlamentar venal que tens um posto
no congresso, por erros de quem vota,
és cópia exata desse vil idiota
que pela fraude tem teu mesmo gosto!

Do roubo e do conchavo a fazer rota,
e às vis cavilações sempre disposto,
és do país o carcinoma exposto
que os frágeis órgãos da nação esgota!

Fraudando as verbas que o teu bolso come,
pouco te importa morra o povo à fome,
alheio a esse mandato que avacalhas!

Que venha o relho, a ditadura, enfim,
varrer esses patifes, pondo um fim
nessa imunda caterva de canalhas!

Humberto – Poeta

E AINDA...

Dentro do contexto do poema anterior não poderia ficar esquecido o nosso saudoso Zeca Afonso.





OS VAMPIROS

No céu cinzento sob o astro morno
Batendo as asas p’la noite calada
Vêm em bandos com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada.

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios, poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas.

São os mordomos do Universo todo
Senhores à força, mandadores sem lei,
Enchem as tulhas, bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei

Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada,
Jazem no fosso vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo, eles comem tudo,
Eles comem tudo, eles comem tudo,
Eles comem tudo e não deixam nada!



Não esqueça que somos apolíticos!
Mas isso não impede que sejamos pela Liberdade e pela Justiça.






quarta-feira, 2 de abril de 2008

OS PROFESSORES SÃO ÚTEIS

Desde que começou toda esta polémica relacionada com manifestações de professores, avaliações, telemóveis nas salas de aula, agressões, etc., tenho recebido muitos textos, com pedido de publicação neste blog.
Não tenho atendido a maioria desses pedidos porque me são remetidos sem autoria conhecida (excepto a dos remetentes, que as reencaminham, mas não são os autores dos textos).
Neste que aqui apresento consta o nome do autor. Devo dizer que não o conheço, mas já tenho lido várias coisas escritas por ele, (ou que, pelo menos, lhe são atribuídas).




Escola e justiça pelas próprias mãos.

Ontem visitei uma escola no concelho de Sintra. Era a “semana da leitura” numa escola cuja biblioteca está permanentemente aberta das 08h00 às 22h00 por devoção dos seus professores.
Os de várias disciplinas, de Português a Educação Física e Geometria – cada um faz uma escala para garantir um dos objectivos internos da própria escola: mantê-la aberta nesse período.

Havia alunos a ajudar no bar e no refeitório, porque não há pessoal suficiente. Alunos, funcionários administrativos e professores, promoveram uma maratona de leitura.

A ministra da educação pede a estes professores para “trabalharem mais um pouco”, coisa que eles já fazem há bastante tempo; ouvi alunos portugueses, africanos, indianos, do Leste Europeu, a falar com orgulho da sua escola. Falando com eles, um a um, percebe-se entusiasmo.

Percebo pela blagosfera uma grande vontade de fazer “justiça pelas próprias mãos” aos professores, mas vejo poucas pessoas com disponibilidade para ouvi-los nos corredores das escolas, quando fazem turnos de limpeza, quando atendem alunos em dificuldade ou fazem escalas para Português como língua estrangeira para rapazes ucranianos ou indianos que não entendem sequer o alfabeto ocidental, ou quando tratam dos problemas pessoais de alguns deles (ou porque não tomam o pequeno-almoço em casa, ou têm dificuldade em aceitar um namoro desfeito, ou quando andam na droga).

Os professores, estes professores, são um dos últimos elos (percebe-se isso tão bem) entre os miúdos e miúdas desorientados e um mundo que é geralmente ingrato. São avaliados todos os dias pelo ambiente escolar, pelo ruído da rua, pelas horas de atendimento, pelas reuniões que o ME não suspeita.

Muitas vezes as famílias não sabem o ano que os miúdos frequentam; não sabem quantas faltas eles deram; não sabem se os filhos estão de ressaca.
Os professores sabem.

Essa vontade de disciplinar os professores, eu percebo-a. Durante trinta anos, uma série de funcionários que abundou “pelos corredores do ME” (gosto da expressão, eu sei), decretou e planeou coisas inenarráveis para as escolas, sem as visitar, sem as conhecer, ignorando que essa geringonça de “planeamento”, “objectivos”, princípios pedagógicos modernos, funcionava muito bem nas suas cabecinhas, mas que era necessário testar tudo nas escolas, que não podem ser laboratórios para experiências engenhosas.

Muitos professores foram desmotivados ao longo destes anos. Ou porque os processos disciplinares eram longos depois de uma agressão (o ME ignora que esses processos devem ser rápidos e decisivos), ou porque ninguém sabe como a TLEBS é aplicada. Ninguém, que eu tivesse ouvido nas escolas onde vou, discordou da necessidade de avaliação. Mas eu agradecia que se avaliasse também o trabalho do ME durante estes últimos anos; que se avaliasse o quanto o ME trabalhou para dificultar a vida nas escolas com medidas insensatas, inadequadas e incompreensíveis; que se avalie a qualidade dos programas de ensino e a sua linguagem imprópria e incompreensível.

Sou e sempre fui dos primeiros a pedir avaliação aos professores, porque é uma exigência democrática e que pode ajudar a melhorar a qualidade do ensino. Mas é fácil escolher os professores como bodes expiatórios de toda a desgraça do “sistema”, como se tivessem sido eles a deixar apodrecer as escolas ou a introduzir reformas sobre reformas, a maior parte delas abandonadas una anos depois. Por isso, quando pedirem “justiça” e “disciplina” e “rigor” (coisas elementares), não se esqueçam de visitar as escolas, de ver como é a vida dos professores, porque creio que se confunde em demasia aquilo que é “o mundo dos professores” com a imagem pública de um sistema desorganizado, oportunista e feito para produzir estatísticas boas para a propaganda.

Francisco José Viegas

terça-feira, 1 de abril de 2008

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS - BULLYING

Bullying – “termo que não tem tradução para português, mas está bem difundido nos estabelecimentos de ensino do País”.


Por cedência de um grupo de jovens estudantes encontra-se em meu poder vasto material referente a este assunto.
Por ser demasiado extenso, seleccionei alguns trechos que apresento a seguir, e algumas imagens que postarei separadamente.



…A Violência protagonizada pelos jovens nas escolas é uma realidade inegável. A sociedade terá que se organizar e insurgir-se activamente contra este fenómeno. De igual modo, a escola terá que ajustar os seus conteúdos programáticos e acercar-se mais das crianças. Devido às exigências, as famílias muitas vezes destituem-se da sua função educativa, delegando-a à escola. No meio de toda esta confusão, estão as crianças, que actuam conforme aquilo que observam e agem consoante os estímulos do meio. Meio esse que, por vezes, oferece modelos de conduta e referências positivas questionáveis…

A violência nos últimos quatro anos
…A violência registada em meio escolar tem vindo a aumentar nos últimos quatro anos. Em 2004/2005 as estatísticas davam conta de 1.232 situações de agressão envolvendo alunos, professores e auxiliares, número que subiu para cerca de 1.500 no último ano lectivo. Os dados são minimizados pelas autoridades, que lembram estar em causa um universo de um milhão e 700 mil alunos…


Armas na sala de aula

…A violência nas escolas é tema de discussões no mundo inteiro, já que o problema não ocorre apenas em bairros ou países pobres e periféricos. Frequentemente a Unesco promove conferências sobre o tema, em diversos países.
Na Europa, por exemplo, não se fala mais em “cultura de paz”, mas em “educação para a cidadania”, com o objectivo de formar alunos-cidadãos capazes de expor as suas ideias de maneira pacífica…

Agressores precisam de vítimas. E quem são as vítimas?

…Geralmente, os autores de Buulying procuram pessoas que tenham alguma característica que sirva de foco para as suas agressões. Assim, é comum eles abordarem pessoas que apresentem algumas diferenças em relação ao grupo no qual estão inseridas, como, por exemplo: obesidade, baixa estatura, deficiência física, ou outros aspectos culturais, étnicos ou religiosos. O que se verifica é que essas crianças são alvos mais visados, e tornam-se mais vulneráveis ao Buulying, por possuírem algumas dessas características específicas.
Mas o facto de sofrer Bullying não é culpa da vítima, pois ninguém pode ser responsabilizado por ser diferente!...
Na verdade, a diferença é apenas o pretexto para que o agressor satisfaça uma necessidade que é dele mesmo: a de agredir.
Tanto os pais quanto as escolas devem ajudar as crianças a lidar com as diferenças, procurando questionar e trabalhar os seus preconceitos. E uma das boas maneiras de se lidar com isso é promovendo debates, nos quais os jovens possam tomar consciência dessas questões, e confrontar as suas ideias com as de outros jovens…

20% dos alunos são vítimas de bullying

…Nas escolas básicas portuguesas um em cada cinco alunos é vítima de uma intimidação constante por parte de colegas – que inclui agressões, insultos e exclusão de jogos. É o bullying, termo que não tem tradução para português, mas que está bem difundido nos estabelecimentos de ensino do País. O último caso conhecido afecta um menino de 12 anos, que sofreu de cancro, e cujos pais tentaram, sem sucesso, que a escola que frequenta o mudasse para outra turma.
Chegaram a pedir a intervenção da Inspecção-Geral da Educação. Na falta de respostas e temendo o agravamento do estado de saúde do filho, não o deixaram ir mais às aulas. No último período o menino não foi à escola…

A opinião dos jovens

…A opinião dos jovens foi recolhida em 191 escolas nacionais, de ensino regular, num total de 6.903 alunos.
As escolas foram sorteadas de uma lista nacional.
Foram seleccionados alunos dos 6º., 8º. e 10º. anos de escolaridade.
A cada um destes anos corresponde uma idade média de 11, 13 e 16 anos…

…Apesar de tudo, os números relativos à violência nas escolas apresentados neste estudo não podem ser encarados com tranquilidade. De acordo com os resultados, a agressão de que os alunos portugueses mais referem ter sido vítimas é a física e a verbal. As raparigas, em número elevado, referem ainda ter sido alvo de comportamentos indesejados com conotação sexual.
Um aluno em cada dez já foi abordado no sentido de adquirir ou consumir drogas e um em cada quatro ter sido assaltado, roubado ou vítima de destruição de propriedade…

Possuo muito mais material que não vou aqui publicar, por demasiado extenso.
Nenhum dos textos recebidos refere autoria, excepto o que segue, e que não poderia deixar de mostrar:

Indicações para os pais

AOS PAIS

Se você for informado de que o seu filho é um autor de Buulying, converse com ele e:

“Saiba que ele está a precisar de ajuda”.

“Não tente ignorar a situação, nem procure fazer de conta que está tudo bem”.

“Procure manter a calma e controlar a sua própria agressividade ao falar com ele. Mostre-lhe que a violência deve ser sempre evitada”.

“Não o agrida nem o intimide: isso só irá tornar a situação ainda pior”.

“Mostre que você sabe o que está a acontecer, mas procure demonstrar
que você o ama, apesar de não aprovar esse seu comportamento”.

“Converse com ele: procure saber porque ele está a agir assim, e o que
poderia ser feito para ajudá-lo”.

“Garanta-lhe que você quer ajudá-lo e que vai procurar alguma maneira de fazer isso”.

“Tente identificar algum problema actual que possa estar desencadeando esse tipo de comportamento. Nesse caso, ajude-o a sair disso”.

“Com o consentimento dele entre em contacto com a escola: converse com os professores, funcionários e amigos que possam ajudá-lo a compreender a situação”.

“Dê orientações e limites firmes, capazes de ajudá-lo a controlar o seu comportamento”.

“Procure auxiliá-lo a encontrar meios não agressivos para expressar as suas insatisfações”.

“Encoraje-o a pedir desculpas aos colegas que ele agrediu, seja pessoalmente ou por carta”.

“Tente descobrir alguma coisa positiva em que ele se destaque, e que venha a melhorar a sua auto-estima”.

“Procure criar situações em que ele possa sair-se bem, elogiando-o sempre que isso ocorrer”.

Autor: Sónia Carla Aroso Azevedo

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS - BULLYING - IMAGENS

Eis algumas das imagens recebidas












domingo, 30 de março de 2008

SAUDOSA ÁFRICA DISTANTE- ENQUANTO OS DIAS PASSAM



ENQUANTO OS DIAS PASSAM…

É bom viver nesta cidade, a terceira deste vasto território que, dentro de duas décadas, será um país independente. Ainda ninguém sabe, mas vai acontecer num futuro não muito distante...
Não fora o espectro da guerra que lavra lá para o Norte, e teríamos, aqui, uma vida perfeita.
A cidade é bonita. Na zona central existem largas avenidas, de sentido único, com separadores ao meio, ajardinados. Há lojas bem fornecidas, onde se encontra tudo o que é necessário para o dia a dia ; um grande mercado, com frutas variadas e legumes frescos, talho e peixaria; livrarias onde se podem encontrar os últimos livros publicados.
Esta vida fácil nem sempre é calma. De vez em quando –com demasiada frequência – recebemos notícias que nos abalam muito:
- A do soldado que, tendo terminado a sua comissão, regressava do mato a caminho desta cidade, onde faria escala para seguir para a capital, e daí para a sua terra natal. Em pleno voo, o pequeno avião em que vinha, sofreu uma avaria, despenhou-se, e aqui apenas chegaram os restos mortais, dentro de um caixão.
- Ou a notícia do acidente que sofreu o segundo comandante da base aérea. Acompanhou, voluntariamente, uma missão, onde acabou por perder a vida.
Era uma pessoa muito estimada por todos, incluindo civis, entre os quais contava muitos amigos.
A cidade inteira, em peso, acompanhou-o ao cemitério, para um último e forte abraço.
O corpo foi aí depositado, e mais tarde trasladado para o local do seu descanso eterno.
Foi uma cerimónia muito comovente. O capelão militar proferiu a alocução apropriada, terminando com um comovido “Até sempre, Tó”.
São apenas dois exemplos dos muitos a que vimos assistindo.

Foi este clima que me levou a decidir aceitar a proposta para produzir um programa, na rádio onde trabalho, dedicado aos soldados em combate.
É um trabalho fascinante. Como, diariamente, faço locução cinco horas, repartidas ao longo do dia, aproveito os tempos livres para preparar o programa que é transmitido uma vez por semana.
Começa com a voz de um locutor dizendo :
“O Emissor Regional do Norte do Rádio Clube de Moçambique apresenta (uma ligeira pausa)
Mensagem ao soldado ! –um programa dedicado aos militares em serviço no norte de Moçambique”
A frase "Mensagem ao Soldado" é proferida por um conhecido locutor do Rádio Clube Português, que aqui se encontra (mobilizado).
É a minha deixa. Com voz que tento seja suave, digo:


“É para ti, (ligeira pausa) soldado, (ligeira pausa) que as minhas palavras e o meu pensamento vão, neste momento. (pausa)Sim, para ti, (ligeira pausa) exactamente para ti .(pausa)
Não sei se és cabo, furriel, ou oficial. Sei apenas que és (ligeira pausa) UM SOLDADO QUE DEFENDE A PÁTRIA (destacado). E é nessa condição que hoje te dirijo a palavra.


O começo é sempre igual. Segue-se conversa, respondendo às dezenas, se não centenas de cartas que recebo semanalmente.


Sei que o programa é muito bem acolhido, e à hora em que é transmitido, todos que podem ligam os rádios para ouvir. É o elo que os liga à vida normal. Sei que, ao ouvir-me, eles sentem como se eu falasse para cada um deles em particular. Ao responder às suas cartas é isso mesmo que faço.


O capelão, que regressou há pouco, confidenciou-me que este programa é um incentivo e até lenitivo para eles.


É gratificante saber que estamos ajudando alguém a ultrapassar momentos tão difíceis como estes.


As cartas que escrevem são enternecedoras. Transparecem as saudades imensas que sentem da família, da vida que deixaram tão longe, ao mesmo tempo que mostram confiança na vitória e no regresso tão desejado.


Termino o programa com a sensação de “dever cumprido”.


Regresso a casa para uma noite de sono.


Amanhã, às 7 horas, cá estarei novamente.



Este é mais um dos apontamentos que aqui apresentaremos, subordinados ao mesmo tema.


Não seguem qualquer ordem cronológica. Não estarão situados no tempo, nem no espaço.


O tempo é relativo. E as memórias afluem sem hora marcada.

sexta-feira, 28 de março de 2008

O AMBIENTE NAS NOSSAS ESCOLAS

Quem me conhece sabe que sou fã de Luís Fernando Veríssimo. O seu humor fascina-me!
Em ar de brincadeira, sempre com muita graça, consegue dizer muitas verdades, pôr o dedo em muitas feridas.
Estive a ler uns textos que tenho guardados, dele, e encontrei este. Parece-me oportuno dá-lo a conhecer.
Estamos passando por momentos muito tumultuados nas nossas escolas.
Talvez o seu conteúdo justifique, em parte (mas só em pequena parte…)o comportamento inqualificável de alguns alunos.
A pouca atenção que, por vezes, os pais prestam aos filhos, tem resultados desastrosos.
Claro que a acrescer a isso há os maus exemplos de faltas de respeito em casa, famílias desestruturadas, companhias indesejáveis, e um sem número de outras componentes.
Mas, por agora, fiquemo-nos com Luís Fernando Veríssimo.


MÃE EXECUTIVA

- Acampar ? De jeito nenhum! Você só tem 7 anos.
- Tenho 15, mãe!
- Mas já?! Não é possível! Tem certeza?
- Absoluta. É que nos últimos aniversários você estava trabalhando e esqueceu de ir.
- Esqueci, não. É que caíram em dia de semana. Se tivessem feito como eu sugeri…
- Você sugeriu que mudassem o dia do meu aniversário para o primeiro domingo de Maio.
- Exato. Domingo eu nunca trabalho.
- Papai contou que vocês se casaram num domingo e você trabalhou durante a cerimónia.
- Eu só assinei uns documentos enquanto o padre falava. Ele nem percebeu.
- E em vez do vovô…você entrou na igreja de braço dado com o contador!
-Claro! O balanço da firma era para o dia seguinte!
- E a lua de mel…
- Tá. Eu não fui. Mas mandei o boy do escritório me representando. Seu pai, no começo, resistiu, mas acabou aceitando.
- E quando eu nasci? Qual é a desculpa?
- Desculpa porquê? Você nasceu como qualquer criança.
- Nasci numa mesa de reuniões!
- Era uma reunião de diretoria! Não podia sair assim, só porque a bolsa estourou. E você devia se orgulhar! Foi o presidente de uma grande multinacional que fez seu parto.
- Já sei. E a secretária cortou meu cordão umbilical com o clipe. Não brinca. Fiquei traumatizado.
- Eu fiquei. Você nasceu em cima de uma papelada importante. Quase perdi o emprego.
- E quando você foi me pegar na escola pela primeira vez? A vergonha que eu passei!...
- Eu só estava com medo de não te reconhecer…Não te via fazia um tempinho…
- Tive que segurar um cartaz, que nem parente desconhecido em aeroporto, escrito: “Eu sou o Tiago”.
- Tiago? Foi esse o nome que eu te dei?
- Que a moça do cartório me deu! Quando completei 8 anos e consegui ir sozinho a um tabelião. Fiquei sem nome durante oito anos! Oito anos sendo chamado de pssit!
- Pssit? Até que não é feio!
- Tudo por causa dessa porcaria do teu trabalho! Faz uma coisa. P’ra provar que você quer mudar, vem acampar comigo.
- Porque nós não acampamos lá no meu escritório? Do lado do fax tem um espação! E umas samambaias artificiais. Posso contratar algum estagiário para ficar coaxando p’ra gente…
- Pára de brincar. Larga tudo e vem comigo…
- Bom, se você está insistindo tanto, eu…Então tá. Eu…Tudo bem, eu vou.
- Jura??? Ótimo! Você vai adorar!
- Ah, difícil pensar em programa melhor. Aquelas árvores, aqueles macacos guinchando, aquelas aranhas bacanas…
- Então está tudo certo.
-Só preciso saber assim…de um detalhe. A respeito do mato. Uma besteira…
- O quê? Se no mato tem mosquito? Se tem cobra?
- Não. Se no mato tem tomada.

Luís Fernando Veríssimo


quinta-feira, 27 de março de 2008

O ENSINO EM PORTUGAL

Jornalista e escritor português, licenciado pela Universidade Livre de Bruxelas, João Aguiar é autor de vários livros, incluindo uma colecção infanto-juvenil.
Transcrevo aqui um texto de sua autoria, que, no momento actual, considero de grande pertinência.


O CONTADOR DE HISTÓRIAS
Por JOÃO AGUIAR

CENHORA MENISTRA…

A gente vai-se entendendo, com um ou outro sopapo nos professores, sinal apenas de espírito de iniciativa e de saudável energia física.

Vânho com esta agardecer a voça escelencia akela koisa de não ligar puto à hortugrafia nos isames do 9º.anu i de não ter metido nelex aqueles xatus do Camões i do Jil Vissente e de a perova ser bestialmente fássil. Eu já não benefissiei porque akabei a xatisse dos estudos e tou agora num dakeles empregus purreiros oferessidos pelo cenhor menistro da ikonumia, mas a minha irman Katia Vaneça fês u isame i gostou muito. Ela não pressisa de hortugrafia pra nada, já tá a fazer istájio numa kasa de alterne muita fixe, pagam bem i ela nem tem de falar, kuanto mais eskrever.
Também kero agardecer, cenhora menistra, ke os isames do 12º.forão bué da fásseis, cem ninhuma gramatika, purke u meu irmão Xico us fês e kurreram lhe muitabem i ele nem estodou nada todu u anu, a bem dizer, purke já ganha a vidinha komo diller i então não tem tempu pra essas xatisses. Pra ele livrus e gramatika, jamé, jamé.
I então eu keru ka cenhora kontinui acim, ke vai muitabem.
a) Juzé da Cilva, i.v.l. ( Inginheiro Verdadeiramente Lissenssiado )


Este documento, comovente e palpitante, foi-me cedido por um parente em vigésimo segundo grau de um alto funcionário do nosso Ministério da Educação, depois de um jantar muito bem regado, quando ele já estava claramente com os copos e balbuciava uma velha canção do desaparecido Hervé Villard: “Nu niron plus jamé”…(ortografia francesa modernizada e melhorada pelos do nosso sobredito Ministério; em francês não-corrigido, seria “Nous n’irons plus jamais”)
Interrompendo a cantoria e colocando nas minhas mãos a carta acima transcrita, ele disse-me, entre soluços: “Leia, meu amigo! Veja como esta nossa ministra é popular, como a juventude a estima e apoia! E a juventude é a promessa do futuro! Hic!”.
Eu li a carta e pensei logo que devia dá-la ao conhecimento dos leitores. Porque é edificante.
Segundo o mesmo parente em vigésimo segundo grau me confidenciou, o jovem autor da tocante missiva, além de preencher, como ele próprio informa, um daqueles postos de trabalho prometidos em boa hora pelo senhor ministro Manuel Pinho, vai também integrar uma comissão que deverá promover (segundo ouvi na TV) maiores contactos entre professores e alunos, uma medida destinada , especificamente, a evitar que os segundos agridam os primeiros. A coisa é assim: parece que se multiplicam, nas escolas, os casos de indisciplina e de agressões a docentes. Um espírito tacanho pensaria logo que se impunha um reforço da disciplina e da autoridade da escola, já que, por exemplo, hoje em dia é legalmente muito difícil, e sobretudo moroso, punir um aluno insolente ou violento. Mas isto, repito, é o pensamento de um espírito tacanho. O que é preciso (e felizmente houve quem o entendesse) é multiplicar os contactos entre alunos e professores. Se não der resultado, servirá, pelo menos, para melhorar e aumentar as oportunidades de aqueles baterem nestes – fora do tempo de aula, está bem de ver, para não prejudicar o ensino.
Lendo todo este arrazoado, alguém dirá, criticamente: “Pois, pois! Ele está a defender a sua classe!”. A quem o diga, respondo (ou repito, já nem sei bem) que nunca na minha vida fui professor, nem perto disso. Acrescento que estou muito consciente de que muitos, muitos dos professores do nosso país se encontram na profissão errada (tal como muitos, muitos dos nossos actuais senhores ministros se encontram na função errada: adiante, não falemos de mais misérias. Jamé.).
No entanto continua a ser também verdade que há professores magníficos. Continua a ser verdade que o Ministério tomou uma decisão anticonstitucional, como declarada pelo respectivo Tribunal, que com essa decisão prejudicou vários alunos e que não parece nada preocupado com isso; continua a ser verdade que a tão falada TLEBS não passa de uma tontice inútil destinada a confundir o que deveria ser claro; continua a ser verdade que a concepção adoptada, não só nos exames como na prática do ensino, em relação à ortografia em particular e ao Português em geral, é um atentado contra a inteligência, contra a nossa língua e contra a nossa cultura, cometido por um departamento estatal chamado Ministério da Educação.
Vejo-me obrigado, a tal propósito, a recordar uma história já contada: aquela do professor de Física, dos tempos do antigamente (anteriores até, julgo, ao Estado Novo) que dava pontuação zero ao aluno que, num teste, escrevesse “trezentas gramas” em vez de “trezentos gramas”, porque, explicava, com inteira razão, trezentas gramas são trezentas plantazinhas que, juntas, formam um gramado. Temos aqui duas concepções opostas: uma, a da educação integrada, em que os professores do ramo científico querem e sabem corrigir erros de Português ou de História; outra, a actual, promotora da geral ignorância. em que não importa nada escrever que dôes e dôes são cuatro, o que é preciso é que a gentessentenda.
E a gente vai-se entendendo com um ou outro sopapo nos professores, sinal apenas de um certo espírito de iniciativa e de uma saudável energia física. Quem, no actual sistema, poderá pensar que isso é negativo?
Como diria o senhor ministro Mário Lino, Jamé.

domingo, 23 de março de 2008

ASSINALANDO A PÁSCOA




Não há nada que eu possa dizer sobre a Páscoa que não seja já do conhecimento de todos.
Por esse motivo optei por assinalar esta época trazendo-vos um texto de Giuseppe Artidoro Ghiaroni, jornalista e poeta brasileiro, com vários livros publicados, autor de poemas muito bonitos que, oportunamente, irei publicando aqui.
O texto, em prosa, que transcrevo a seguir, contém algumas frases style="color:#006600;">(que destaquei) alusivas à época que agora se festeja. Por isso o escolhi.




AS MÃOS
Abençoadas as mãos
que aparam a criança que nasce, que promovem a solidariedade


e indicam o caminho da PAZ

MOMÓLOGO DAS MÃOS
PARA QUE SERVEM AS MÃOS?
AS MÃOS SERVEM PARA:
Pedir, Prometer, Chamar, Conceber, Ameaçar, Suplicar, Exigir, Acariciar, Recusar, Interrogar, Admirar, Confessar, Calcular, Comandar, Absolver, Perdoar, Desprezar, Desafiar, Reger, Aplaudir, Benzer, Humilhar, Reconciliar, Exaltar, Construir, Trabalhar, Escrever…
As mãos de Maria Antonieta, ao receberem o beijo de Mirabeau, salvaram o trono de França e apagaram a auréola do famoso revolucionário.
Múcio Cévola queimou a mão que, por engano, não matou Porcena.
Foi com as mãos que Jesus amparou Madalena.
Com as mãos David agitou a funda que matou Golias.
As mãos dos Césares romanos decidiam a sorte dos gladiadores vencidos na arena.
Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência.
Os anti-semitas marcavam a porta dos judeus com mãos vermelhas como sinal de morte.
Foi com as mãos que Judas pôs ao pescoço o laço que os outros judas não encontram.
A mão serve para o herói empunhar a espada, e o carrasco a corda; o operário construir, e o burguês destruir; o bom amparar, e o justo punir; o amante acariciar, e o ladrão roubar; o honesto trabalhar e o viciado jogar.
Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor ou uma granada, uma esmola ou uma bomba.
Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia.
As mãos fazem os salva-vidas e os canhões; os remédios e os venenos; os bálsamos e os instrumentos de tortura; a arma que fere e o bisturi que salva.
Com as mãos tapamos os olhos para não ver, e com elas protegemos a vista para ver melhor.
Os olhos dos cegos são as mãos.
As mãos na agulheta do submarino levam o homem para o fundo como os peixes; no volante da aeronave atiram-nos para as alturas como os pássaros.
O autor do «Homo Rebus» lembra que a mão foi o primeiro prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida; a primeira almofada para repousar a cabeça; a primeira arma e a primeira linguagem.
Esfregando dois ramos com as mãos, conseguiram-se as chamas.
A mão aberta, acariciando, mostra a bondade; fechada e levantada mostra a força e o poder.
Empunha a espada, a pena e a cruz.
Modela os mármores e os bronzes; dá cor às telas e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia nas formas eternas da beleza.
Humilde e poderosa no trabalho, cria a riqueza; doce e piedosa nos afectos medica as chagas, conforta os aflitos e protege os fracos.
O aperto de duas mãos pode ser a mais sincera confissão de amor, o melhor pacto de amizade ou um juramento de felicidade.
O noivo, para casar-se, pede a mão de sua amada.
Jesus abençoava com as mãos.
As mães protegem os filhos cobrindo-lhes com as mãos as cabeças inocentes.
Nas despedidas a gente parte, mas a mão fica, ainda por muito tempo, agitando o lenço no ar.
Com as mãos limpamos as nossas lágrimas e as lágrimas alheias.
E nos dois extremos da vida, quando abrimos os olhos para o mundo e quando os fechamos para sempre, ainda as mãos prevalecem.
Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo, são as mãos maternas que nos seguram o corpo pequenino.
E no fim da vida, quando os olhos se fecham e o coração pára, o corpo gela e os sentidos desaparecem, são as mãos, ainda brancas de cera, que continuam na morte as funções da vida.
E as mãos dos amigos nos conduzem,
e as mãos dos coveiros nos enterram.
Texto de Ghiaroni (Giuseppe Artidoro)

Para todos, votos de uma Páscoa muito feliz
!

quinta-feira, 13 de março de 2008

O POÇO E A PEDRA

QUINTA-FEIRA, 13 DE MARÇO DE 2008

Como vou ausentar-me por uns dias, deixo-vos este texto para reflexão








O POÇO E A PEDRA

(Masaharu Taniguchi in "A verdade da Vida)

Um monge peregrino caminhava por uma estrada quando, do meio da relva alta, surgiu um homem jovem, de grande estatura e com olhos muito tristes.
Assustado com aquela aparição inesperada, o monge parou e perguntou se podia fazer algo por ele.

O homem baixou os olhos e murmurou, envergonhado:



"Sou um criminoso, um ladrão. Perdi o afecto de meus pais e dos meus amigos. Como quem se afunda na lama, tenho praticado crime após crime. Tenho medo do futuro, e não sossego por nenhum instante. Vejo que o senhor é um monge, livre-me então deste sofrimento, desta angústia!", pediu, ajoelhando-se.

O monge, que ouviu tudo em silêncio, fitou os oslhos daquele homem, e alguns instantes depois disse:

"Estou com muita sede. Há alguma fonte por aqui?"

Com expressão de surpresa pela repentina pergunta, o homem respondeu:

"Sim, há um poço logo ali. Tenho aqui uma corda que posso amarrar à sua cintura e descê-lo. O senhor poderá beber até se saciar. Quando estiver satisfeito avisa-me, que eu o puxarei para cima."

O monge, sorrindo, aceitou a ideia, e logo em seguida encontrava-se dentro do poço. Pouco depois disse: "Pode puxar".

O homem deu um puxão na corda com grande força, mas nada de o monge subir. Era estranho, pois parecia que a corda estava agora mais pesada do que no início. Depois de inúteis tentativas para fazer com que o monge subisse, o homem esticou o pescoço pela borda do poço e observou a obscuridade do seu interior, para ver o que se passava lá no fundo. Foi grande a sua surpresa ao ver o monge firmemente agarrado a uma grande pedra que havia na lateral.

Por um momento ficou mudo de espanto, para de seguida gritar, zangado:

"Hei!, o que é isso? O que faz o senhor aí? Pare já com essa brincadeira! Está escurecendo, logo será noite. Vamos! Largue essa rocha para que eu possa içá-lo."

De lá de dentro o monge pediu calma ao homem, explicando:

"Você é grande e forte, mas mesmo com toda essa força não consegue puxar-me, se eu ficar assim agarrado a esta pedra.

É exactamente isso que lhe está acontecendo. Você considera-se um criminoso, um ladrão, uma pessoa que não merece o amor e o afecto de ninguém. Encontra-se firmemente agrrado a essas ideias. Desse jeito, mesmo que eu ou qualquer outra pessoa faça grande esforço para reerguê-lo, não vai adiantar nada.

Tudo depende de você. Somente VOCÊ pode resolver se vai continuar agarrado ou se vai soltar-se. Se quer realmente mudar é necessário que se desprenda dessas ideias negativas que o vêm mantendo no fundo do poço.

Desprenda-se e liberte-se!"


Masaharu Taniguchi nasceu no Japão, em Kobe, em 1895, e faleceu em Nagasaki, aos 92 anos de idade.
Foi um líder religioso japonês, que fez os seus estudos em Literatura Inglesa, na Universidade de Tóquio.
Realizou várias viagens à Europa e Américas, do Canadá ao Brasil.
Depois de muitos anos de recolhimento e reflexão, declarou ter recebido uma revelação divina, que o obrigava a dar a conhecer ao mundo os seua pensamentos.
Compilou-os no livro " A verdade da Vida", onde consta este texto.
A sua doutrina defende que "todos têm possibilidade de atingir a sua realização espiritual" e que "a vida pode ser harmoniosa e alegre em todos os aspectos"


Publicada por a casa da mariquinhas em 15:01
Etiquetas: FOLHAS SOLTAS

segunda-feira, 10 de março de 2008

SOBRE DIREITOS HUMANOS

Segunda-feira, 10 de Março de 2008
SOBRE "DIREITOS HUMANOS" PARA "HUMANOS"

Recebido por email

Amigos
Essa carta poderia ser base para muitas de nossas gestões...Pode até ser fictícia, mas dá o que pensar...
SOBRE "DIREITOS HUMANOS" PARA "HUMANOS"
Deveríamos enviar para os advogados, religiosos, defensores dos direitos humanos de bandidos e outros profissionais de idêntico perfil que gostam de coisa ruim...Será que continuariam com a mesma postura?
Uma senhora americana, na época, escreveu um punhado de cartas à Casa Branca, criticando o tratamento dispensado aos "insurgentes presos" (terroristas) sob custódia do seu governo na baía de Guantanamo. Ela recebeu a seguinte resposta do governo:

CASA BRANCA600 Pennsylvania AvenueWashington, D.C.20016
Cara e preocupada cidadã:Muito obrigado pelas suas recentes cartas contendo críticas ao modo como tratamos elementos do Talibã e da Al Qaeda detidos atualmente nas prisões da baía de Guantanamo.Nossa administração trata tais assuntos com seriedade, e a sua opinião foi ouvida em alto e bom som aqui em Washington.A senhora adorará saber que graças às preocupações de cidadãos como a senhora, nós estamos criando uma nova divisão do Programa de Reeducação de Terroristas que vai se chamar "PROGRAMA DE ACEITAÇÃO LIBERAL E ESPONTÂNEA DE RESPONSABILIDADE MORAL POR ASSASSINOS", ou seja, "terrorista adotivo".De acordo com as premissas deste novo programa, decidimos alojar um terrorista sob seus cuidados pessoais. Seu prisioneiro pessoal foi selecionado e o seu transporte até a sua casa foi programado para ser feito sob escolta pesadamente armada, na próxima segunda feira.Ali Mohammed Ahmed bin Mahmud (pode chamá-lo simplesmente de Ahmed) está destinado a ser tratado pela senhora no sentido de se obterem os padrões que a senhora pessoalmente tanto exigiu em suas cartas.Provavelmente será necessário que a senhora contrate algum vigilante para assisti-lo. Faremos inspecções semanais para nos certificarmos de que os seua padrões de tratamento estão compatíveis com os que a senhora tão veementemente recomendou em suas cartas. Muito embora Ahmed seja um sociopata extremamente violento, esperamos que a sua sensibilidade ao que descreveu como seu "problema de atitude" possa superar tais falhas de carácter.Talvez a senhora esteja certa ao descrever estes problemas como "meras diferenças culturais". Compreendemos que a senhora certamente planeja oferecer-lhe aconselhamento e escolaridade.Seu "terrorista adotivo" é extremamente proficiente em combate corpo a corpo e pode tirar uma vida humana com coisas tão simples como um lápis, um prego ou um clipe. Aconselhamos que não lhe peça para demonstrar tais habilidades ao grupo de ioga a que a senhora pertence.Ele também é perito em produzir uma ampla variedade de mecanismos explosivos a partir de produtos domésticos comuns, de modo que a senhora talvez deseje guardar esses ítens em local bem trancado, a menos que, em sua opinião, isto possa ofendê-lo.Ahmed não irá querer interagir com a senhora ou com suas filhas (excepto sexualmente), uma vez que ele considera as mulheres como formas sub-humanas de propriedade.Este é um ponto particularmente sensível para ele, e por isso ele é conhecido por seu comportamento violento em relação às mulheres que não conseguem se submeter ao seu código de vestuário, que ele recomenda como o mais apropriado a ser adotado.Estou certo de que, com o passar do tempo, vai apreciar a anonimidade proporcionada pela "burka". Lembre-se apenas de que tudo faz parte do "respeito à sua cultura e às suas crenças religiosas" - não foi assim que a senhora colocou o problema?Obrigado mais uma vez pelas suas cartas. Nós realmente apreciamos quando pessoas, como a senhora, nos mantêm informados sobre a melhor maneira de conduzirmos o nosso trabalho.Dispense ao Ahmed o melhor dos seus cuidados - e lembre-se: estaremos de olho!Boa sorte!Cordialmente,Seu amigo Donald Rumsfeld-Secretário de Defesa dos E.U.A.
Publicada por a casa da mariquinhas em 17:00

4 comentários:
A. João Soares disse...
Uma carta muito interessante, embora certamente ficcionada. Uma boa resposta a quem tanto defende os criminosos sem pensar nas vítimas . Estas são vítimas duas vezes, quando sofrem o crime e quando vêm o criminoso tão apaparicado pela sociedade, pelas ONG que têm elementos com esta senhora destinatária desta carta.Abraço amigo João
10 de Março de 2008 21:16
a casa da mariquinhas disse...
Vou transcrever a resposta que enviei à amiga brasileira, de quem recebi a carta que publiquei.Minha querida amigaEsta carta está espectacular!Também eu ponho em dúvida que seja verdadeira…mas ainda assim, penso que serve para mostrar a maneira de pensar e sentir de pessoas sensatas, que SABEM que os direitos humanos são para ser aplicados a quem os respeita.Eu não sou uma pessoa violenta, de modo algum, mas acho que esses bandidos todos deviam ser tratados “sem dó nem piedade”.Antigamente, em Portugal, dizia-se “aplicar a justiça de Fafe” (Fafe é o nome de uma cidade muito antiga) o que significava = olho por olho, dente por dente, ou = quem com ferros mata, com ferros morre. Pois assim é que deveria ser!Posso acrescentar que o mesmo tipo de justiça deveria ser aplicado aos mosntros que cometem o crime hediondo de violar(principalmente) crianças.É assim que eu penso, amigo João.BeijinhosMariazita
11 de Março de 2008 17:18
Naty disse...
Olá amiga obrigada pelas palavras de animo deixadas no meu post na voz do povo. vi o seu cantinho e gostei voltarei.bjs naty
13 de Março de 2008 11:31
a casa da mariquinhas disse...
Olá, NatyPerdoe o atraso em agradecer a sua visita. Estive ausente. Fui para fora no dia 14 de manhã e regressei joje. Só agora estou fazendo a ronda aos blogs, e só a meio gás...O regresso de férias é complicado...Irei visitá-la em breve, e entretanto obrigada por ter vindo.BeijinhosMariazita

20 de Março de 2008 20:01

sábado, 8 de março de 2008

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

SÁBADO, 8 DE MARÇO DE 2008

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


Mulheres da Women’s Trade Union League


8 DE MARÇO – UMA DATA DE MUITAS HISTÓRIAS

Era uma vez uma mulher…duas mulheres…talvez 129 mulheres. A data era 8 de Março de 1857; mas bem podia ser de 1914 ou (quem sabe?) de 1917. O país era os Estados Unidos da América – ou será Alemanha? Ou Rússia?

Numa fábrica em Nova Iorque, onde trabalhavam, 129 mulheres foram mortas porque organizaram uma greve por melhores condições de trabalho.As fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário e pagavam-lhes um terço do que auferiam os homens para executar o mesmo trabalho.
Ao serem reprimidas pela polícia, essas mulheres refugiaram-se dentro da fábrica. Nesse momento os patrões, auxiliados pela polícia, num acto totalmente desumano, trancaram as portas e atearam fogo. As mulheres acabaram por morrer carbonizadas. Isto passou-se a 8 de Março de 1857.

Em 1903 profissionais liberais norte americanas criaram a Women’s Trade Union League, que tinha como objectivo principal ajudar todas as trabalhadoras a exigirem melhores condições de trabalho.

O incêndio de Nova Iorque, foi considerado, com toda a razão, um acto brutal. Contudo, há quem não o relacione com a celebração do Dia Internacional da Mulher, simplesmente porque não há qualquer documento oficial que estabeleça essa relação.
Alguns estudiosos entendem como mais fiável relacioná-lo com o facto de, no dia 8 de Março de 1917, operárias russas terem saído para as ruas reivindicando o fim da fome, da guerra e do czarismo, que culminou com o início da revolução russa de 1917.

Contudo, a referência histórica mais divulgada é a da II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Copenhaga, Dinamarca, em 1910. Daí emanou a sugestão de que o mundo deveria seguir o exemplo das mulheres socialistas americanas, que inauguraram a luta pela igualdade de direitos. Dessa Conferência saiu também a Resolução de instaurar um Dia Internacional das Mulheres.
Mas somente em1975, através de um decreto da ONU (Organização das Nações Unidas), a data foi oficializada.
Não há, na Resolução de Copenhaga, qualquer alusão específica ao dia 8 de Março. Talvez esse facto justifique que o Dia Internacional da Mulher seja associado, nalguns locais, a datas diferentes ( Chicago – 3 de Maio de 1908, Nova Iorque – 28 de Fevereiro de 1909, Alemanha e Suécia - 19 de Março de 1911).

O facto de o Dia Internacional da Mulher estar ligado a este ou àquele momento histórico não é significativo.
O que conta é que o dia 8 de Março universalizou-se pela semelhança dos eventos mundiais relacionados com as lutas das mulheres.
Nos dias de hoje o Dia Internacional da Mulher é mais do que um simples dia de comemoração ou de lembranças. É a oportunidade para uma profunda reflexão sobre a situação da mulher: o seu presente concreto, os seus sonhos, o seu futuro real.
Nalguns países realizam-se conferências, debates e reuniões, a fim de discutir o papel da mulher na sociedade actual, tentar diminuir e, quem sabe, um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Apesar de todas as conquistas já realizadas, em muitos locais ela ainda é sujeita a salários mais baixos, horas excessivas de trabalho, violência masculina e desvantagens na carreira profissional.
Muitas foram as conquistas da mulher ao longo dos tempos, mas ainda há muitas situações que precisam ser modificadas.
O Dia Internacional da Mulher é, pois, dia para pensar, repensar, e organizar as mudanças em benefício da mulher, e, consequentemente, de toda a sociedade. Os outros 364 dias do ano deverão ser para as realizar.

Publicada por a casa da mariquinhas em 10:31
3 comentários:
A. João Soares disse...
Cara Mariazita,
Felicito-a pelo seu espírito lutador pala condição feminina, pelos direitos da mulher.
E também lhe dou os parabéns pelo seu blog que vai ser um sucesso na blogosfera.
Beijos
João

No blog Do Miradouro há novos artigos
8 de Março de 2008 19:33
A. João Soares disse...
Transcrevi este texto para o blog do nosso clube, Sempre Jovens, onde ficou um link para as pessoas virem aqui ler os outros dois textos do mesmo tema.
Beijinhos
João
8 de Março de 2008 21:55
a casa da mariquinhas disse...
Meu querido amigo
Muito obrigada pelas suas palavras sempre generosas e encorajadoras.
Continuarei a navegar neste mar, que por vezes se torna alteroso, quando os barcos piratas se aproximam...Mas os bons marinheiros seguem em frente!
Obrigada também por ter colocado o texto no nosso clube.
Beijinhos
Mariazita
9 de Março de 2008 18:57


Dentre os inúmeros textos que existem exaltando a Mulher, escolhi os dois que se seguem para vos presentear.
Eis o primeiro:


AS MULHERES SÃO VERDES ...

Conversando com um velho homem, um jovem desabafou:
- Há tanto tempo venho querendo conhecer uma garota e hoje, conseguindo falar-lhe por telefone, fiquei decepcionado.- Mas por quê? Indagou o velho homem.- Eu lhe perguntei timidamente como ela era e ela, rindo, respondeu : sou verde.- E por que a resposta o chocou?- Ora, amigo, ela estava debochando de mim!Ouvindo isso, o velho homem pôs-se a falar:- Meu jovem, você não entendeu que ela estava se comparando a uma árvore.- Árvore? Como assim?!?- Menino, as mulheres são como as árvores: - Elas fincam raízes no solo dos nossos corações; - Têm paciência e capricho com o próprio crescimento; - Seus braços são poderosos e, ao abraçá-las, nossos espíritos recebem renovadas energias;
- Elas amam e cuidam dos seus frutos, mesmo sabendo que um dia o mundo
os levará para longe delas;
- Outras - aquelas que não dão frutos - oferecem sua sombra àqueles
que necessitam de descanso; - Quando açoitadas por fortes ventos da vida, elas emanam o perfume da força
e da fé, acalmando-nos, por mais assustadora que seja a noite; - Sua seiva são as lágrimas de dor ou de alegria quando em presença do
machado ofensor ou do regador daqueles que as amam; - Seus corações vão alto o suficiente para escutarem mais de perto os recados
do céu; - Elas reverdecem as florestas dos homens, as ruas das cidades, as avenidas, os
acostamentos de estradas e as beiras de rios; - Elas entendem o canto dos passarinhos e, mais do que ninguém, elas
valorizam e protegem seus ninhos; - Suportam melhor a solidão e as vicissitudes que a Vida às vezes nos impõe; - No mundo, elas nascem em maior número para que o verde da esperança
jamais empalideça.
- Meu menino, todas as mulheres são árvores, todas as mulheres são verdes."
Ao final desse relato, refletiu o rapaz:
- Eu tenho um triste jardim : nele está faltando uma árvores.
E correu para o telefone mais próximo.

Silvia Schimdt


Este é o meu segundo presente. Guardei-o para o final porque o considero de grande beleza.

As flores irradiam a glória e a beleza de Deus-Mãe, pois ela caminha sobre a Terra em cada mulher.
Mulher! Todos os grandes senhores te reverenciam no dia de hoje, pois eles nasceram do teu ventre. Mulher! Além de todos os poderes cósmicos, levas dentro de ti a semente sagrada que provê a vida. Tu és o mais belo pensamento de Deus. Teu coração é manancial de sabedoria. De teu íntimo brota a força amorosa que nutre, regenera e ressuscita.
Homem! Neste dia internacional da mulher, lembra-te que podes divinizar-te pela admiração da mulher.
Estás aflito? Recorre à mulher. Ela é o consolo dos aflitos.
Estás enfermo? O toque da mulher é curativo.
Queres descobrir os mistérios da Divindade? Busca compreender o coração da mulher.
Porque quem não reverencia a mulher, fecha as portas à graça e à beleza.
Mulher! Ao olhar-te no espelho, reconhece ali a Mãe Divina! Mira-te nela! Encarna com dignidade os dons femininos de amor, fidelidade, pureza, sensibilidade, compreensão, delicadeza, generosidade, doçura, abnegação, serenidade e o dom de tudo embelezar.
Mulher! Não te deixes corromper pela futilidade e mediocridade do mundo. Aumenta ainda mais tua força, apreendendo as virtudes dos homens, mas nunca os vícios. A regeneração do mundo depende de ti, pois tens o poder de moldar o caráter de um ser, desde o teu ventre e por toda a sua vida.
Podes transformar teu lar num templo da Divina Missão de Amor. Quando defendes tua dignidade, defendes a dignidade de cada ser humano .
Mulher! Rejeita qualquer pensamento ou sentimento de rivalidade, pois isto destrói a unidade das mulheres. Caminha graciosamente, olhando sempre com admiração o teu eterno companheiro, o homem.
Mulher! Neste Dia Internacional da Mulher, dedicado a ti, todos te proclamam como a Senhora da criação e da beleza e admiram a dádiva que é ser mulher!
Lúcia Helena dos Santos

quinta-feira, 6 de março de 2008

PORTUGAL NO SEU MELHOR

QUINTA-FEIRA, 6 DE MARÇO DE 2008


As coisas más todos nós as sabemos. A comunicação social se encarrega de repetir, até à exaustão, tudo que de mal acontece neste país. E não só.
Acontecimentos ou factos louváveis, por norma, merecem apenas uma breve nota de roda pé, que rapidamente é esquecida.

Vejamos : Quem, de entre nós, ouviu falar no trabalho meritório que é feito nalguns hospitais deste país, nomeadamente no Hospital de S. João, no Porto ?

No campo de “Pele e tecido celular subcutâneo”, “Doenças cardíacas e vasculares”, “Doenças musculosqueléticas”…e tantas outras, operam-se ali verdadeiros milagres.

É o que pensa Amyas John Symington, inglês, de 76 anos de idade.

No dia 6 de Novembro de 2006, na sua casa, em Londres, tropeçou, caiu, e ficou cheio de dores. Transportado de ambulância à urgência dum hospital, foi observado, medicado com analgésicos, e mandado para casa. Regressou de táxi.
A situação agravou-se. Nos dois dias seguintes voltou ao hospital, com novas queixas. Foi submetido a exames de Raios X. Concluíram não haver fractura, acrescentando que podia viajar para Portugal. Ligado ao negócio dos Vinhos do Porto, com residência no nosso país, o sr.Amyas tinha necessidade de regressar, com urgência.
Aguentou a viagem para Portugal. Mas, em casa, nessa noite, não conseguiu deitar-se; teve que dormir sentado. Visto pelo médico de família foi aconselhado a ir ao Hospital, onde lhe fizeram uma TAC. Foi detectada uma fractura na coluna !
Que os médicos britânicos não tinham conseguido ver !
Encaminhado para o Hospital de S. João, no Porto, ainda mexia as pernas mas já não controlava a bexiga. Para além disto, ele tinha outras complicações de saúde que tornavam a operação extremamente perigosa. Sabia que corria um grande risco de ficar paralítico. Decidiu arriscar. A cirurgia durou três horas.
Ficou duas semanas nos Cuidados Intensivos. Só em Janeiro de 2007 pôde ter alta. Em casa recebeu ajuda de enfermeiros e fisioterapeutas que o ajudaram a recuperar. Passou por várias fases. Em Outubro já fazia caminhadas de meia hora, apoiado apenas a uma bengala.
Ligado aos Vinhos do Porto, Amyas Symington reside em Portugal, deslocando-se a Londres três a quatro vezes por ano para ver a família – filhos e netos.

“Podia ter ficado paralítico. Sobrevivi graças aos médicos e aos hospitais portugueses. Parabéns a estes profissionais! Eu não vou a outro país para ser operado".

Tinha conhecimento disto ?
Ouviu a comunicação social falar no assunto ?
Eu também não. Tive a sorte de o ler numa revista, e senti vontade de lho dar a conhecer.

Façamos votos para que o Hospital de Santo António não seja, também, fechado!

Publicada por a casa da mariquinhas em 13:13
2 comentários:
A. João Soares disse...
Cara Amiga Mariazita,
Parabéns por aqui trazer um caso tão significativo. É preciso estimular a auto-estima dos portugueses.
Tenho trazido ao Do Miradouro vários casos de cientistas e estudantes que recebem prémios internacionais, que se destacam perante júris do Mundo, mas que internamente são ignorados. Eles não são premiados nas cerimónias do 25 de Abril, nem no 10 de Junho, onde são substituídos por atletas e músicos de duvidoso valor.
Como Português peço-lhe que traga aqui mais casos que nos orgulhem da nossa nacionalidade.
Beijos
João
6 de Março de 2008 17:21
a casa da mariquinhas disse...
Meu caro amigo
A verdade é que nós, portugueses, damos pouco valor aos valores que temos - perdoe-me a redundância.
Felizmente, como no seu caso em Do Miradouro, há quem os faça lembrar.
Eu ainda sou pequenina, não completei um mês...mas estarei atenta!
Até sempre. Beijos
Mariazita
9 de Março de 2008 18:44

segunda-feira, 3 de março de 2008

DESABAFO

SEGUNDA-FEIRA, 3 DE MARÇO DE 2008


DESABAFO
Numa altura em que tanto se fala dos professores e suas lutas, parece-me oportuno publicar este texto, recebido por email. É um pouco longo, mas bastante interessante


Tristeza
(...) Por isso, fiquei muito surpreendida quando, esta manhã, acordei com uma vontade intensa de procurar o endereço do meu blog ( até me esqueço dele!) e desabafar.
Desabafar porque a tristeza que tem tomado conta de mim, nos últimos tempos, já não se contenta em ser verbalizada com alguns colegas de trabalho (poucos!) que, infelizmente, vão partilhando estes sentimentos de desalento e angústia.
Desabafar porque estou a sentir-me inútil, enxovalhada, descartável e uma peça partida de um jogo de xadrez qualquer, jogado por aprendizes dessa arte ancestral e que requer tanto inteligência como habilidade. Ou será que se tratam antes de foliões que, num pub rasca qualquer, vão atirando dardos a um alvo para passarem o tempo?
Desabafar porque, quando me perguntam qual é a minha profissão, eu já não sei se devo responder orgulhosamente "Sou professora!" ou, em vez disso, "Faço parte de uma companhia circense e, conforme o dia, vou sendo a mulher-palhaço, contorcionista, malabarista, domadora de feras...Olhem! Acumulo funções!"
Aproximam-se a passos largos os meus quarenta e três anos. Desde os seis que estou ligada ao ensino. Nunca cheguei a sair da escola. Fui aluna e depois professora. Comecei a leccionar ainda como estudante universitária e esta profissão faz parte de mim como a minha pele. No entanto, hoje sinto-me como uma cobra: com uma urgente necessidade de a mudar e arranjar uma nova. Pela primeira vez, questiono a sabedoria da escolha que fiz relativamente à minha profissão. Escolha consciente, diga-se em abono da verdade...a culpa foi toda minha, ninguém me obrigou e pessoas avisadas bem me alertaram. Mas, também existiam outras que pensavam de forma diferente.
Relembro nomes de antigos professores... daqueles que, por si só, já eram uma aula e não precisavam de recorrer a metodologias e estratégias inovadoras (já agora...se alguém souber de alguma que ainda não tenha sido tentada, não seja egoísta e partilhe-a comigo...eu já não consigo inventar mais!).
Recordo como esses professores me incentivaram a seguir esta carreira-"Foste feita para ensinar, miúda! Vai em frente!"- e como um deles, quando o encontrei já bem velhote, comentou com um sorriso "Eu bem sabia! Sempre lá esteve o bichinho!"
Que diriam, todos os meus professores que já partiram, sobre tanto decreto regulamentar que, em vagas sucessivas, vai transformando a nossa Escola e os seus professores num circo de muito má qualidade, cheio de artistas saturados, humilhados, mal pagos e fartos de trabalharem num trapézio sem rede?
Sou regulada por um Ministério que espera que eu seja animadora cultural, psicóloga, socióloga, burocrata, legisladora, boa samaritana, mãe substituta... Espera-se que tenha doses industriais de paciência e boa vontade, que me permitam aguentar a falta de educação de meninos mal formados, de meninos dos papás, de meninos que estão na escola apenas porque não têm ainda idade para trabalhar (porque bom corpo isso têm!), de meninos que estão na escola a enganar os pais, que até se deixam enganar por conveniência, de meninos que frequentam os Cursos de Educação e Formação e os Profissionais porque acham que é uma forma de fazer turismo com os livros debaixo do braço (desculpem, enganei-me...vou rectificar- "sem os livros debaixo do braço"), de meninos que vêm para a escola para não deixarem que outros meninos, estes últimos sim, com aspirações e provas dadas, possam seguir em frente até serem os homens que os primeiros nem sequer conseguem projectar mentalmente...
Além disso, tenho reuniões: de departamento, de conselho de turma, de equipa pedagógica, de Assembleia de Escola (pois foi...também caí na patetice de aceitar presidir a este órgão...mais uma vez a culpa foi minha, pois pessoas avisadas bem me alertaram!), de grupos ad-hoc, de reuniões para decidir quando faremos mais reuniões...
Tenho legislação para ler. Labirintos de artigos em que o próprio Minotauro marraria vez após vez num ataque de fúria! Um dédalo legislativo, no qual nem Teseu conseguiria encontrar a ponta do fio. Há papelada para preencher. Pautas dos profissionais, grelhas de observação para cada um dos alunos, registos das actividades de remediação...
Não esquecer a reposição de aulas. As dos alunos que faltam por doença, por namoro, por jogo dos matraquilhos...desde que a justificação do Encarregado de Educação seja aceite, lá tenho eu de arranjar actividades de remediação para quem não quer ser remediado! Proibi a mim própria adoecer, visto que também tenho de repor essas aulas, mais as das greves, as das visitas de estudo dos alunos nas quais a minha disciplina não partici pa ( mesmo estando eu a cumprir o meu horário na escola...não faz mal, depois ofereço um bloco ou dois de noventa minutos gratuitamente!), as das minhas ausências em serviço oficial...
A questão é saber quando e como vou repor essas aulas, dado que o meu horário e o dos alunos é incompatível durante os períodos lectivos! Claro que isso não faz mal: dou dias das minhas férias! Afinal, não consta por aí que os professores estão sempre a descansar?
Tenho aulas para preparar. Testes e trabalhos para corrigir. Devo investir na minha formação. Quando? Como? Onde? E isto é a ponta de um rolo de lã que, bem aproveitadinho, dava uma camisola e pêras! Ou então uma camisa de onze varas!
Fazendo o ponto da situação, sobra-me pouco tempo para aquilo que gosto realmente: ensinar. Pouco tempo para aquilo que me dá prazer: fazer circular o conhecimento. Pouco tempo para conseguir que esse conhecimento ocupe o espaço que, na maioria dos casos, é ocupado por uma crassa ignorância.
Agora, dizem-me que vou ser avaliada ( tudo bem, não tenho nada contra o ser avaliada...talvez assim, com as novas emoções, eu descongele, pois há tanto tem po que estou no frigorífico laboral!), mas parece-me que vou voltar a uma espécie de estágio ainda pior do que aquele que enfrentei há dezassete anos atrás.
Tenho receio que as escolas se transformem num circo ainda maior. Um circo de palhaços ricos e palhaços pobres. Um circo de compadrios e vingançazinhas pessoais. Um circo em que uma meia dúzia de artistas vai andar vestido de lantejoulas e seguido de cãezinhos amestrados, uma outra meia dúzia vai tornar-se perita na arte do contorcionismo, para evitar obstáculos, e a grande maioria da companhia vai ter de engolir fogo para o resto da vida profissional.
Ah! Não posso esquecer que, se tudo correr de feição a este Ministério da Deseducação, até o senhor Zé da padaria vai poder presidir a um órgão de gestão das escolas.
Esta não é a profissão para a qual eu me preparei anos a fio. Por isso, estou triste. Estou triste. E não escrevi sobre tudo a que tinha direito. E esta tristeza, para que eu a consiga despejar convenientemente, tem de ser escrita, gravada com letras...não me chega falar dela. Até porque, ultimamente, também já não me apetece falar.









Publicada por a casa da mariquinhas em 18:17
2 comentários:
A. João Soares disse...
Cara Amiga,
Parabéns por estar a alimentar este blog com o nível que lhe é peculiar.
Este texto está muito bem apresentado.
Compreendo esta situação. Mas, se não pode resolver-se com paninhos quentes, também não se resolverá com violência, a acrescer à muita que já por aí há, sem ninguém a parar.
É certo que esta ministra não tem credibilidade para dialogar com as partes interessadas - professores, pais, alunos, autarquias, etc. Haveria que a substituir já e antes que as coisas se azedem mais. E depois, sentar à mesa representantes das partes interessadas à procura de avaliações e outras medidas que prestigiem o ensino e os seus agentes. Não pode ser esquecido o objectivo do ensino que deverá ser o de preprar adultos com capacidade para criar a grandeza de que Portugal necessita «Levantai hoje de novo o esplendor de Portugal».
Beijinhos
João

No blog Do Miradouro há novos artigos
4 de Março de 2008 18:49
a casa da mariquinhas disse...
Meu caro amigo
Obrigada pelas suas amáveis palavras acerca deste bolg.
Vou transcrever o que deixei no meu blog Sapo:

Agradeço o seu comentário, mas deixe-me esclarecer:
Eu sou contra toda e qualquer espécie de violência.
Mas penso que esta situação só pode resolver-se com atitudes enérgicas, o que não implica violência...
Atingiu-se um ponto tal que, desculpe, não acredito que se decida sem umas valentes vassouradas!
O esplendor de Portugal, em meu entender, depende essencialmente dessa "limpesa".
Até sempre. Beijinhos
Mariazita
6 de Março de 2008 16:58

domingo, 2 de março de 2008

SAUDOSA ÁFRICA DISTANTE - O EQUÍVOCO




O EQUÍVOCO

Jovem, casada há pouco menos de um ano, surge a notícia. O marido vai embarcar dentro de um mês !
Embora já esperada, nem por isso a má nova causa menos dano.
E surgem as lágrimas, das saudades que estão para vir. Com uma gravidez de sete meses, a sensibilidade à flor da pele, sinto-me desesperar. Os dias passam a correr.
E, de repente, chega a hora da separação.
Aguento firme. Interiormente, consolo-me com a ideia de que, em breve, farei o mesmo percurso.
Ignoro todos os conselhos de familiares e até do médico.
- Quem, em seu perfeito juízo, arrisca fazer uma viagem destas, num tão adiantado estado de gravidez ???
- Quem se lembra de ir para uma terra estranha, longe de todos os parentes, onde não há as mínimas condições para dar à luz uma criança?
Obstinada, respondo – eu vou !
E pensava – quero que o meu filho nasça junto do pai.
E fui.
À chegada tudo é estranho. Uma cidade não muito grande, cheia de refugiados do país vizinho, que recentemente declarara a independência; gente diferente da que estava habituada a ver…
Tudo é ultrapassado. A alegria de me reunir ao marido sobrepõe-se a todas as dificuldades iniciais, incluindo a do alojamento.
Começamos pelo apart-hotel, dispendioso, mas a única solução.
Decorrido um mês, instalados num apartamento de um prédio ainda não totalmente construído, com os apetrechos indispensáveis - e possíveis – estamos preparados para viver os próximos dois anos.
A gravidez chegara ao seu termo. O bebé começa a dar sinais de que é chegada a hora de aparecer. Contudo, a espera vai ser longa.
Depois de uma noite sem poder descansar, logo pela manhã é chamada a parteira, que declara, peremptória – temos muitas horas pela frente !
Informado do que se passava, o médico, pessoa maravilhosa e amiga, apareceu. Depois de dizer - “ minha filha, o primeiro filho é sempre demorado; está tudo bem, mas vai ter que esperar com calma” – avisou a parteira e uma amiga presente de que gostaria de assistir ao parto.
Entre gemidos e lamentos, passou-se o dia e mais uma longa noite.
Logo pela manhã as coisas precipitaram-se, e o bebé apressou-se a ver a luz do dia.
A parteira atarefada, a amiga dando apoio, a jovem mãe esforçando-se, já sem forças, a criança aparece. Linda ! Um menino !
Um grande abraço da amiga, que chora de alegria!
É então que a parteira se lembra do médico, e do pedido que ele tinha feito para o chamarem quando chegasse a hora. Pede à amiga que vá à sala avisar o marido, que espera em ânsias, para chamar o médico.
Este, ignorando a recomendação que o médico havia feito, e vendo a amiga aparecer lavada em lágrimas, que eram de pura emoção, apanhou um tremendo susto. A custo balbuciou:
– Há algum problema ?
- Não, está tudo bem, já cá tem um menino. Mas vá depressa chamar o médico, por favor.
Só ouviu – chamar o médico. À velocidade que lhe permitia o coração disparado pela ansiedade, corre em direcção ao hospital. Regressa com o médico, que pelo caminho lhe conta o pedido que fizera à parteira.

Em casa, depois de ter visto o seu filho – o mais bonito do mundo ! – e desfeitas todas as dúvidas, pôde, finalmente, sossegar.
Desabou, literalmente, sobre uma cadeira, e deixou que as lágrimas de alegria lhe corressem livremente pelo rosto.


Este é o segundo de uns quantos apontamentos que aqui apresentaremos, subordinados ao mesmo tema.
Não seguem qualquer ordem cronológica. Não estarão situados no tempo, nem no espaço.
O tempo é relativo. E as memórias afluem sem hora marcada.



publicado por mariazita às 18:19
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Comentários:
De Maria Lúcia Vítor a 3 de Março de 2008 às 18:12
Querida Mariazita,

Seu blog está cada vez mais sensacional. Adorei as novidades.
Beijos da amiga brasileira,
Maria Lucia


responder a comentário discussão


De mariazita a 4 de Março de 2008 às 22:14
Querida Maria Lúcia
Muito obrigada por mais esta sua visita.
As novidades vão continuar, sempre diferentes.
Por isso...volte sempre.
Sabe que gosto de a "ver" por cá.
Beijos
Mariazita


responder a comentário início da discussão


De Zirita a 5 de Março de 2008 às 00:33
Oie Mariazita ... estou me sentindo muito bem na casa da Mariquinhas... além de muito espirituosa, tb muito graciosa... enfim ... Estou muito á vontade aquí .. Parabéns... bjs ... Zirit@


responder a comentário discussão


De mariazita a 6 de Março de 2008 às 16:49
Querida Zirita
Que bom que você gostou da nossa casinha!
Viu como é fácil entrar??? A porta está sempre aberta para as amigas e os amigos.
Obrigada por ter vindo.
Espero que volte, e que continue a sentir-se bem cá dentro.
Beijinhos
Mariazita



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