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domingo, 2 de novembro de 2008

O INCONSCIENTE E A FÉ

Eugénio de Sá nasceu em Lisboa, no típico e antigo bairro da Ajuda, em 29 de Março de 1945.
Após concluir o curso comercial frequentou o instituto Comercial e ingressou como voluntário na Força Aérea Portuguesa.
Em 1968, junta-se a um grupo de jornalistas no arranque do Jornal A Capital, onde exerce sucessivamente as funções de redactor do serviço de estrangeiro e chefe da publicidade.
Entretanto reformado, Eugénio de Sá decide aceitar o convite do seu Amigo Padre José Maria Cortes, Pároco de Alverca, onde reside, para assegurar a assessoria de Comunicação, Imagem e Relações Publicas do Pároco enquanto durar a construção da primeira Igreja, no mundo, consagrada aos Pastorinhos de Fátima.
A Igreja dos Pastorinhos, de Alverca, foi inaugurada em 1 de Maio de 2005.

De par com este trabalho assegurou, durante dois anos, a edição do Jornal "Despertar Cebi" – veículo de comunicação de uma das maiores instituições de solidariedade social do país e publicou no jornal "Vida Ribatejana" numerosas, crónicas e poesias.
É de sua autoria a crónica que vou partilhar convosco.

Eugénio de Sá

O Inconsciente e a Fé

Enquanto o temperamento o herdamos nos genes e se submete ao que os astros nos ditam no ato de nascer, o carácter, esse, vai-se moldando e caracterizando à medida que vamos adquirindo conhecimentos e recebendo influências.

É assim que se gera uma personalidade, rica ou pobre nos princípios, forte ou fraca na vontade, enérgica ou indolente na determinação, romântica nos impulsos do coração, ou analítica e consistente na razão, feita de indomáveis excessos, ou de contidas temperanças.

Tudo isto nos define como seres racionais mas providencialmente, quiçá, limitados ao uso do consciente, isto é: daquilo que nos é dado conhecer de nós próprios, uma vez que o inconsciente que, identicamente, partilha o nosso cérebro, permanece hermético e inquestionável.

Quem nos criou soube o que fez com esta máquina de concepção impressionante que somos todos nós, porque está para além da imaginação humana o que poderia acontecer se tivéssemos acesso ao nosso inconsciente e o que poderíamos fazer com isso.

Não somos só energia pura, mas dotados daquilo a que se convencionou chamar de alma.

Sem dúvida que constituiu, para nós, um aliciante apelo a visão de uma outra dimensão, que está para além de uma interpretação linear, com base no que nos dizem os nossos sentidos.

É comum a tentativa de exploração do denominado sobrenatural, do transcendente. Pode (e deve) haver outra vida para além da presente ou não faria sentido esta escassa temporalidade da nossa existência.

Pode o espírito que nos anima ter habitado outros corpos no passado e, porventura, vir a encarnar outros no futuro.

É uma teoria possível, como possíveis são outras, mais ou menos apoiadas pela religião ou por movimentos espiritualistas, todas credoras de respeito e, certamente, passíveis de cuidada reflexão.

Investigações de fenómenos ditos paranormais, recolha de depoimentos de indivíduos que passaram por experiências de morte aparente e “voltaram à vida”, propõem apoiar, através dessas casuísticas ocorrências, a teorização da vida após a morte.

Pode o nosso inconsciente - a grande parte submersa (ou invisível) deste iceberg que é o cérebro humano - vir a explicar muitas das dúvidas que nos são propostas pela vontade que nos exige essas explicações, ou irá permanecerá obscuro tudo o que está para além da nossa imediata compreensão?

De tudo o que foi dito, emerge um maravilhoso enigma, que nos consagra definitivamente como entes eleitos deste planeta; a fé que aflora ao nosso coração perante situações incontroláveis, mormente as mais penosas.

A fé em algo de divino que se corporiza ou evoca, um santo, a Virgem, Cristo, ou mesmo Deus, que imaginamos (simplistamente) feito à nossa imagem e semelhança, ou, na inversa; sem essa presunção.

Não tenho a pretensão de querer explicar o que quer que seja sobre o assunto, mas, tão-somente, trazer a estas linhas a minha funda convicção da presença em nós do divino.

Concentro a minha própria fé num ou mais ícones da minha religião, católica, sem qualquer menosprezo por outros que professam diferentes credos, uma vez que a bondade dos fundamentos é em tudo similar.
É só uma questão de nomenclatura.

EUGÉNIO DE SÁ
Poeta e escritor português

(publicada no "Diário da Região", de São José do Rio Preto)

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

QUASE ACREDITEI

Sofia Morgado é hipnoterapeuta profissional, diplomada pelo London College of Clynical Hypnosis, supervisora e tutora do Centro de Hipnose Clínica Ibérico (extensão do London College of Clynical Hypnosis em Portugal e Espanha).

Exerce a sua profissão em Lisboa e em Sobreda (margem sul)

Especializou-se na área das perturbações de ansiedade – stress, ataques de pânico, fobias, ansiedade generalizada, stress pós traumático, etc. – ajudando muitas pessoas, ao longo dos últimos oito anos, a resolver os seus problemas.

É autora de inúmeros artigos sobre desenvolvimento pessoal e relações inter-pessoais, muitos deles condensados no livro «Consciência do SER».

É da sua autoria o texto que partilho convosco.

QUASE ACREDITEI

Quase acreditei que não era nada, ao me tratarem como nada.


Quase acreditei que não seria capaz, quando me chamavam por acharem que eu não era capaz.

Quase acreditei que não sabia, quando me perguntavam por acharem que eu não sabia.

Quase acreditei ser diferente, entre tantos iguais, entre tantos capazes e sabidos, entre tantos que eram chamados e escolhidos.

Quase acreditei estar de fora, quando me deixavam de fora, porque…que falta fazia?

E de quase acreditar, adoeci.

Busquei ajuda com doutores, mestres, magos e querubins.

Procurei a cura em toda a parte, e ela estava tão perto de mim!


Me ensinaram a olhar para dentro de mim mesmo, e perceber que sou exactamente como os iguais que me faziam diferente.

E acreditei profundamente em mim.


E tenho de, como dívida com a vida, fazer com que cada ser humano se perceba, se ame, se admire de si mesmo, como verdadeira fonte de riqueza.

Foi assim que cresci: acreditando.

Sou exactamente do tamanho de todo o ser humano.

E, por acreditar, perdi o medo de dizer, falar, participar, e até de cometer enganos.


E se errar…paciência!

Continuo vivendo e, por isso, aprendendo.


Errar é Humano!

(Sofia Morgado e José Varela)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

A PEQUENA ALMA E O SOL

Hesitei muito em colocar aqui este texto, que recebi por email há três ou quatro anos. Guardei-o por considerá-lo muito interessante.
A minha hesitação deve-se ao facto de, aparentemente, poder ser considerado de cariz místico/religioso, o que não se enquadra na linha directória dos posts que constam deste blogue.


Penso, no entanto, que é um texto de grande profundidade, que vale a pena conhecer.
Quem quiser abstrair-se desse aspecto místico/religioso pode interpretá-lo como uma conversa entre pai e filha, uma apologia à Amizade desinteressada, o evidenciar dos contrastes da vida, etc.
O texto é bastante longo, mas seria um crime não o transcrever na íntegra.
O que me fez recordar este texto, há tanto tempo guardado, foi um comentário posto neste blog, ao post “Um bom conselho”



E , finalmente, o texto

A PEQUENA ALMA E O SOL
Neale Donald Walsch
( Autor de «Conversas com Deus» )

Era uma vez, em tempo nenhum, uma Pequena Alma que disse a Deus:
- Eu sei quem sou!
E Deus disse:
- Que bom! Quem és tu?
E a Pequena Alma gritou:
- Eu sou Luz
E Deus sorriu.
- É isso mesmo! - exclamou Deus. Tu és Luz!
A Pequena Alma ficou muito contente, porque tinha descoberto aquilo que todas as almas do Reino deveriam descobrir.
- Uauu, isto é mesmo bom! - disse a Pequena Alma.
Mas, passado pouco tempo, saber quem era já não lhe chegava. A pequena Alma sentia-se agitada por dentro, e agora queria ser quem era. Então foi ter com Deus ( o que não é má ideia para qualquer alma que queira ser Quem Realmente É ) e disse:
- Olá Deus! Agora que sei Quem Sou, posso sê-lo?
E Deus disse:
- Quer dizer que queres ser Quem já És?
- Bem, uma coisa é saber Quem Sou, e outra coisa é sê-lo mesmo. Quero sentir como é ser a Luz! - respondeu a pequena Alma.
- Mas tu já és Luz - repetiu Deus, sorrindo outra vez.
- Sim, mas quero senti-lo! - gritou a Pequena Alma.
- Bem, acho que já era de esperar. Tu sempre foste aventureira - disse Deus com uma risada. Depois a sua expressão mudou.
- Há só uma coisa...
- O quê? - perguntou a Pequena Alma.
- Bem, não há nada para além da Luz. Porque eu não criei nada para além daquilo que tu és; por isso, não vai ser fácil experimentares-te como Quem És, porque não há nada que tu não sejas.
- Hã? - disse a Pequena Alma, que já estava um pouco confusa.
- Pensa assim: tu és como uma vela ao Sol. Estás lá, sem dúvida. Tu e mais milhões, ziliões de outras velas que constituem o Sol. E o Sol não seria o Sol sem vocês. “Não seria um sol sem uma das suas velas... e isso não seria de todo o Sol, pois não brilharia tanto. E no entanto, como podes conhecer-te como a Luz, quando estás no meio da Luz? - eis a questão”.
- Bem, tu és Deus. Pensa em alguma coisa! - disse a Pequena Alma, mais animada.
Deus sorriu novamente.
- Já pensei. Já que não podes ver-te como a Luz quando estás na Luz, vamos rodear-te de escuridão - disse Deus.
- O que é a escuridão? perguntou a Pequena Alma.
- É aquilo que tu não és - replicou Deus.
- Eu vou ter medo do escuro? - choramingou a Pequena Alma.
- Só se o escolheres. Na verdade não há nada de que devas ter medo, a não ser que assim o decidas. Porque estamos a inventar tudo. Estamos a fingir.
- Ah! - disse a Pequena Alma, sentindo-se logo melhor.

Depois Deus explicou que, para se experimentar o que quer que seja, tem de aparecer exactamente o oposto.
- É uma grande dádiva, porque sem ela não poderíamos saber como nada é – disse Deus. Não poderíamos conhecer o Quente sem o Frio, o Alto sem o Baixo, o Rápido sem o Lento. Não poderíamos conhecer a Esquerda sem a Direita, o Aqui sem o Ali, o Agora sem o Depois. E por isso, - continuou Deus - quando estiveres rodeada de escuridão, não levantes o punho nem a voz para amaldiçoar a escuridão.
“Sê antes uma Luz na escuridão, e não fiques furiosa com ela. Então saberás Quem Realmente És, e os outros também o saberão. Deixa que a tua Luz brilhe tanto que todos saibam como és especial!”
- Então posso deixar que os outros vejam que sou especial? - perguntou a Pequena Alma.
- Claro! - Deus riu-se. Claro que podes! Mas lembra-te de que “especial” não quer dizer “melhor”! Todos são especiais, cada qual à sua maneira! Só que muitos esqueceram-se disso. Esses apenas vão ver que podem ser especiais quando tu vires que podes ser especial!
- Uau! - disse a Pequena Alma, dançando e saltando e rindo e pulando.
Posso ser tão especial quanto quiser!
- Sim, e podes começar agora mesmo - disse Deus, também dançando e saltando e rindo e pulando juntamente com a Pequena Alma - Que parte de especial é que queres ser?
- Que parte de especial? - repetiu a Pequena Alma. Não estou a perceber…
- Bem, - explicou Deus - ser a Luz é ser especial, e ser especial tem muitas partes:
É especial ser bondoso. É especial ser delicado. É especial ser criativo. É especial ser paciente.
Conheces alguma outra maneira de ser especial?
A Pequena Alma ficou em silêncio por um momento.
- Conheço imensas maneiras de ser especial! - exclamou a Pequena Alma
É especial ser prestável. É especial ser generoso. É especial ser simpático. É especial ser atencioso com os outros.
- Sim! - concordou Deus. E tu podes ser todas essas coisas, ou qualquer parte de.
- Eu sei o que quero ser, eu sei o que quero ser! - proclamou a Pequena Alma com grande entusiasmo. Quero ser a parte de especial chamada “perdão”. Não é ser especial alguém que perdoa?
- Ah, sim, isso é muito especial - assegurou Deus à Pequena Alma.
- Está bem. É isso que eu quero ser. Quero ser alguém que perdoa. Quero experimentar-me assim - disse a Pequena Alma.
- Bom, mas há uma coisa que devias saber — disse Deus.
A Pequena Alma já começava a ficar um bocadinho impaciente. Parecia haver sempre alguma complicação.
- O que é? - suspirou a Pequena Alma.
- Não há ninguém a quem perdoar.
- Ninguém? A Pequena Alma nem queria acreditar no que tinha ouvido.
- Ninguém! - repetiu Deus. Tudo o que Eu fiz é perfeito. Não há uma única alma em toda a Criação menos perfeita do que tu. Olha à tua volta!
Foi então que a Pequena Alma reparou na multidão que se tinha aproximado. Outras almas tinham vindo de todos os lados, de todo o Reino, porque tinham ouvido dizer que a Pequena Alma estava a ter uma conversa extraordinária com Deus, e todas queriam ouvir o que eles estavam a dizer.
Olhando para todas as outras almas ali reunidas, a Pequena Alma teve de concordar: Nenhuma parecia menos maravilhosa, ou menos perfeita do que ela. Eram de tal forma maravilhosas, e a sua Luz brilhava tanto, que a Pequena Alma mal podia olhar para elas.
- Então, perdoar quem? – perguntou Deus.
- Bem, isto não vai ter piada nenhuma! - resmungou a Pequena Alma . Eu queria experimentar-me como Aquela que Perdoa. Queria saber como é ser essa parte de especial.

E a Pequena Alma aprendeu o que é sentir-se triste.
Mas, nesse instante, uma Alma Amiga destacou-se da multidão e disse:
- Não te preocupes, Pequena Alma, eu vou ajudar-te - disse a Alma Amiga.
Vais? - a Pequena Alma animou-se. Mas o que é que tu podes fazer?
- Ora, posso dar-te alguém a quem perdoares!
- Podes?
- Claro! - disse a Alma Amiga, alegremente. Posso entrar na tua próxima vida física e fazer qualquer coisa para tu perdoares.
- Mas porquê? Porque é que farias isso? - perguntou a Pequena Alma. Tu, que és um ser tão absolutamente perfeito! Tu, que vibras a uma velocidade tão rápida a ponto de criar uma Luz de tal forma brilhante que mal posso olhar para ti!
O que é que te levaria a abrandar a tua vibração para uma velocidade tal que tornasse a tua Luz brilhante numa luz escura e baça? O que é que te levaria a ti, que danças sobre as estrelas e te moves pelo Reino à velocidade do pensamento, a entrar na minha vida e a tornares-te tão pesada a ponto de fazeres algo de mal?
- É simples - disse a Alma Amiga. Faço-o porque te amo.
A Pequena Alma pareceu surpreendida com a resposta.
- Não fiques tão espantada - disse a Alma Amiga .Tu fizeste o mesmo por mim. Não te lembras? Ah, nós já dançámos juntas, tu e eu, muitas vezes. Dançámos ao longo das eternidades e através de todas as épocas. Brincámos juntas através de todo o tempo e em muitos sítios. Só que tu não te lembras. Já fomos ambas o Todo. Fomos o Alto e o Baixo, a Esquerda e a Direita. Fomos o Aqui e o Ali, o Agora e o Depois. Fomos o Masculino e o Feminino, o Bom e o Mau. Fomos ambas a vítima e o vilão. Encontrámo-nos muitas vezes, tu e eu; cada uma trazendo à outra a oportunidade exacta e perfeita para Expressar e Experimentar Quem Realmente Somos.
E assim, - a Alma Amiga explicou mais um bocadinho - eu vou entrar na tua próxima vida física e ser a “má”, desta vez.
Vou fazer alguma coisa terrível, e então tu podes experimentar-te como Aquela Que Perdoa.
- Mas o que é que vais fazer que seja assim tão terrível? - perguntou a Pequena Alma, um pouco nervosa.
- Oh, havemos de pensar nalguma coisa - respondeu a Alma Amiga, piscando o olho.
Então a Alma Amiga pareceu ficar séria, e disse numa voz mais calma: Mas tens razão acerca de uma coisa, sabes?
- Sobre o quê? - perguntou a Pequena Alma.
- Eu vou ter de abrandar a minha vibração e tornar-me muito pesada para fazer esta coisa não muito boa. Vou ter de fingir ser uma coisa muito diferente de mim. E por isso, só te peço um favor em troca.
- Oh, qualquer coisa, o que tu quiseres! - exclamou a Pequena Alma. E começou a dançar e a cantar: Eu vou poder perdoar, eu vou poder perdoar!
Então a Pequena Alma viu que a Alma Amiga estava muito quieta.
- O que é? - perguntou a Pequena Alma. O que é que eu posso fazer por ti? És um anjo por estares disposta a fazer isto por mim!
- Claro que esta Alma Amiga é um anjo! - interrompeu Deus, - são todas! Lembra-te sempre: Não te enviei senão anjos.
E então a Pequena Alma quis mais do que nunca satisfazer o pedido da Alma Amiga.
- O que é que posso fazer por ti?
- No momento em que eu te atacar e atingir, - respondeu a Alma Amiga – no momento em que eu te fizer a pior coisa que possas imaginar, nesse preciso momento...
- Sim? - interrompeu a Pequena Alma. Sim?
A Alma Amiga ficou ainda mais quieta.
- Lembra-te de Quem Realmente Sou.
- Oh, não me hei-de esquecer! - gritou a Pequena Alma. Prometo! Lembrar-me-ei sempre de ti tal como te vejo aqui e agora.
- Que bom - disse a Alma Amiga - porque, sabes, eu vou estar a fingir tanto, que eu própria me vou esquecer. E se tu não te lembrares de mim tal como eu sou realmente, eu posso também não me lembrar durante muito tempo. E se eu me esquecer de Quem Sou, tu podes esquecer-te de Quem És, e ficaremos as duas perdidas. Então, vamos precisar que venha outra alma para nos lembrar às duas Quem Somos.
- Não vamos, não! - prometeu outra vez a Pequena Alma. Eu vou lembrar-me de ti! E vou agradecer-te por esta dádiva – a oportunidade que me dás de me experimentar como Quem Eu Sou.

E assim o acordo foi feito.
E a Pequena Alma avançou para uma nova vida, entusiasmada por ser a Luz, que era muito especial, e entusiasmada por ser aquela parte especial a que se chama Perdão.
E a Pequena Alma esperou ansiosamente pela oportunidade de se experimentar como Perdão, e por agradecer a qualquer outra alma que o tornasse possível.
E, em todos os momentos dessa nova vida, sempre que uma nova alma aparecia em cena, quer essa nova alma trouxesse alegria ou tristeza - principalmente se trouxesse tristeza - a Pequena Alma pensava no que Deus lhe tinha dito:

Lembra-te sempre - Deus aqui tinha sorrido - não te enviei senão anjos.

domingo, 13 de abril de 2008

PASSAMOS PELAS COISAS SEM AS VER

Porque hoje é Domingo, façamos uma pequena pausa em todos os problemas que nos afligem no dia-a-dia, e aproveitemos para olhar um pouco para dentro de nós mesmos.
Passamos o tempo a pensar em tudo o que está mal ao nosso redor, a alertar para os perigos que nos cercam, a tentar apontar soluções… e esquecemo-nos de analisar o nosso próprio comportamento.
Tudo isto porque:

PASSAMOS PELAS COISAS SEM AS VER


Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos.
Como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Eugénio de Andrade

E assim perdemos, muitas vezes, a oportunidade de apreciar verdadeiras obras de arte que estão mesmo ao nosso lado, só porque não têm um apelativo laçarote dourado a enfeitá-las.
Ora veja.

Passamos por verdadeiros diamantes sem dar por eles

Aquela poderia ser mais uma manhã como qualquer outra.

Um sujeito entra na estação do metro, vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo da entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, na hora de ponta matinal.
Durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.

Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Alguns dias antes Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1.000 dólares.
A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, telemóvel no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino.

A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre “valor, contexto e arte”.
A conclusão: “Estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura, um artefacto de luxo sem etiqueta de marca”.

Veja agora o vídeo da experiência.


quinta-feira, 13 de março de 2008

O POÇO E A PEDRA

QUINTA-FEIRA, 13 DE MARÇO DE 2008

Como vou ausentar-me por uns dias, deixo-vos este texto para reflexão








O POÇO E A PEDRA

(Masaharu Taniguchi in "A verdade da Vida)

Um monge peregrino caminhava por uma estrada quando, do meio da relva alta, surgiu um homem jovem, de grande estatura e com olhos muito tristes.
Assustado com aquela aparição inesperada, o monge parou e perguntou se podia fazer algo por ele.

O homem baixou os olhos e murmurou, envergonhado:



"Sou um criminoso, um ladrão. Perdi o afecto de meus pais e dos meus amigos. Como quem se afunda na lama, tenho praticado crime após crime. Tenho medo do futuro, e não sossego por nenhum instante. Vejo que o senhor é um monge, livre-me então deste sofrimento, desta angústia!", pediu, ajoelhando-se.

O monge, que ouviu tudo em silêncio, fitou os oslhos daquele homem, e alguns instantes depois disse:

"Estou com muita sede. Há alguma fonte por aqui?"

Com expressão de surpresa pela repentina pergunta, o homem respondeu:

"Sim, há um poço logo ali. Tenho aqui uma corda que posso amarrar à sua cintura e descê-lo. O senhor poderá beber até se saciar. Quando estiver satisfeito avisa-me, que eu o puxarei para cima."

O monge, sorrindo, aceitou a ideia, e logo em seguida encontrava-se dentro do poço. Pouco depois disse: "Pode puxar".

O homem deu um puxão na corda com grande força, mas nada de o monge subir. Era estranho, pois parecia que a corda estava agora mais pesada do que no início. Depois de inúteis tentativas para fazer com que o monge subisse, o homem esticou o pescoço pela borda do poço e observou a obscuridade do seu interior, para ver o que se passava lá no fundo. Foi grande a sua surpresa ao ver o monge firmemente agarrado a uma grande pedra que havia na lateral.

Por um momento ficou mudo de espanto, para de seguida gritar, zangado:

"Hei!, o que é isso? O que faz o senhor aí? Pare já com essa brincadeira! Está escurecendo, logo será noite. Vamos! Largue essa rocha para que eu possa içá-lo."

De lá de dentro o monge pediu calma ao homem, explicando:

"Você é grande e forte, mas mesmo com toda essa força não consegue puxar-me, se eu ficar assim agarrado a esta pedra.

É exactamente isso que lhe está acontecendo. Você considera-se um criminoso, um ladrão, uma pessoa que não merece o amor e o afecto de ninguém. Encontra-se firmemente agrrado a essas ideias. Desse jeito, mesmo que eu ou qualquer outra pessoa faça grande esforço para reerguê-lo, não vai adiantar nada.

Tudo depende de você. Somente VOCÊ pode resolver se vai continuar agarrado ou se vai soltar-se. Se quer realmente mudar é necessário que se desprenda dessas ideias negativas que o vêm mantendo no fundo do poço.

Desprenda-se e liberte-se!"


Masaharu Taniguchi nasceu no Japão, em Kobe, em 1895, e faleceu em Nagasaki, aos 92 anos de idade.
Foi um líder religioso japonês, que fez os seus estudos em Literatura Inglesa, na Universidade de Tóquio.
Realizou várias viagens à Europa e Américas, do Canadá ao Brasil.
Depois de muitos anos de recolhimento e reflexão, declarou ter recebido uma revelação divina, que o obrigava a dar a conhecer ao mundo os seua pensamentos.
Compilou-os no livro " A verdade da Vida", onde consta este texto.
A sua doutrina defende que "todos têm possibilidade de atingir a sua realização espiritual" e que "a vida pode ser harmoniosa e alegre em todos os aspectos"


Publicada por a casa da mariquinhas em 15:01
Etiquetas: FOLHAS SOLTAS