Para finalizar as fotos das minhas férias de 2016… aqui está a terceira e ultima parte.
Espero que gostem, e não esqueçam:
A MUDANÇA DE SLIDES É FEITA COM O RATO
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
terça-feira, 8 de novembro de 2016
AS MINHAS FÉRIAS EM 2016 – SEGUNDA PARTE
Com algum atraso em relação às minhas previsões… partilho convosco a segunda parte das minhas últimas férias.
É um trabalho bastante moroso… daí só agora o poder apresentar. Espero que gostem.
Tal como aconteceu com a primeira apresentação, também nesta a mudança de slides é feita com o “rato”.
É um trabalho bastante moroso… daí só agora o poder apresentar. Espero que gostem.
Tal como aconteceu com a primeira apresentação, também nesta a mudança de slides é feita com o “rato”.
A próxima postagem será dedicada exclusivamente à Ilha de
São Tomé, e com ela terminarei o ciclo de “AS MINHAS FÉRIAS EM 2016”
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
AS MINHAS FÉRIAS EM 2016 – PRIMEIRA PARTE
O prometido é devido…
Quando comuniquei que ia de férias prometi que, no
regresso, publicaria fotos.
Já regressei há um certo tempo… mas tenho tido
enorme dificuldade na escolha das fotos a partilhar convosco.
É que, entre eu e o meu filho (com quem fui de
férias) tirámos perto de mil fotos – precisamente 967. Por isso a escolha foi
difícil…
Tentei reduzir ao mínimo… mas ainda assim restaram
muitas. Por isso dividi-as em duas partes.
Hoje apresento metade delas. Na próxima postagem
mostrarei as restantes.
Espero que gostem.
PS – Mudança de slide com “rato”
ILHÉU DAS ROLAS-SÃO TOMÉ - 1ª.Partea
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
FÉRIAS/SENTIDO INVERSO
… No dia seguinte eu não trabalhei à noite e fiquei na sala. Acomodei-me
no sofá e liguei a televisão.
A minha amiga veio sentar-se junto
de mim e começou a falar:
SENTIDO INVERSO
III e ÚLTIMA PARTE
- Sabes o que significa o que surpreendeste ontem?
- Calculo que sim… Ou haverá outra explicação diferente daquilo que
pensei?
- Não, o que pensaste está correcto. Eu sou lésbica, e não me envergonho…
- E porque haverias de te envergonhar? Se há algum motivo para te
envergonhares é o não teres sido franca comigo, quando pensámos em alugar o
apartamento e passarmos a viver juntas.
- Se soubesses que eu era lésbica não terias vindo viver comigo?
- Provavelmente isso não me faria mudar de ideias, viria viver contigo,
sim, mas não teria feito figura de parva…
- Mas tu não fizeste figura de parva coisa nenhuma. Quando é que tal
aconteceu?
- Olha, todas as vezes que recebeste amigas no teu quarto e eu não
desconfiei de nada. Achas pouco?
Nesta altura ela agarrou a minha mão, meigamente, acariciando-a com um ar
perfeitamente inocente.
Eu não vi nesse gesto qualquer segunda intenção, por isso não retirei a
mão.
A minha amiga disse:
- Perdoa-me. Acredita que não queria magoar-te. Eu gosto muito, muito, de
ti. Há muito tempo, desde o primeiro ano da Faculdade, que eu sentia uma
atracção enorme por ti. Mas nunca tive coragem para to dizer. O facto de sermos
tão amigas ainda me intimidava mais.
À medida que falava ia se aproximando, e em breve estava a dar-me pequenos
beijos no pescoço, entrecortado de curtas frases - “ Deixa-me fazer-te feliz”…
Senti um frémito de prazer percorrer-me o corpo. Fechei os olhos e
imaginei-me nos braços dum príncipe encantado, acariciando-me ternamente.
Perante a minha passividade, ela avançou a outra mão e começou a
desabotoar-me os botões da blusa.
Abri repentinamente os olhos e “vi” que ao meu lado estava UMA princesa,
não UM príncipe.
Com suavidade mas também com firmeza, retirei a mão que tinha sobre o meu
peito e afastei-me dela. Segurando-a pelos ombros, olhos nos olhos, disse-lhe,
claramente:
- Eu gosto muito de ti, tu sabes. Adoro-te! Mas entre nós nunca poderá
existir nada para além de uma grande mas pura amizade.
- Pois aí é que está a questão. Tu vês-me como uma irmã, e qualquer
envolvimento entre nós ia ter, para ti, o cariz de incesto.
Mas tu não imaginas como pode ser doce e ao mesmo tempo arrebatador o Amor
entre mulheres. Aquela minha amiga que avistaste ontem é fantástica. Deixa-me
apresentar-ta. Tenho a certeza que mudarás de ideias. Eu senti, ainda há pouco,
que estavas a ter prazer…
- Sim, é verdade que por breves momentos fiquei excitada. Mas sabes
porquê? Porque me imaginei nos braços de um homem.
Não, minha amiga, não quero que me apresentes ninguém. Eu sei que,
definitivamente, gosto de homens, e serei incapaz de ter qualquer ligação
íntima com uma mulher.
A minha amiga notou o tom firme em que falei. Não insistiu. Continuámos, e
ainda somos, excelentes amigas.
Este incidente não me afectou minimamente. Talvez fizesse com que me viesse
à memória, com maior frequência, o que aconteceu quando andava na escola.
Será que, se aquela experiência se tivesse consumado, eu hoje seria como a
minha amiga? Gostaria só de mulheres, seria lésbica? Para esta pergunta não
encontro resposta.
Eu e a minha colega ainda partilhámos o apartamento por dois ou três anos.
Depois ela foi viver com outra amiga, com quem estabeleceu uma relação estável,
que dura até hoje.
A nossa amizade não foi afectada com a separação. Continuamos grandes
amigas. Respeito a sua opção de vida tal como ela respeita a minha.
Eu continuei com os estudos, acabei o curso, e fiquei a estagiar no
escritório do meu “patrão”. Namorei muito, mas sem compromissos sérios.
Há dois anos, quando festejei os meus 35 anos, conheci alguém especial.
Muito especial. Houve química entre nós. Iniciámos uma relação de Amor sem
sobressaltos, com os seus momentos de paixão intensa, e sentimos que “fomos
feitos um para o outro”. Estamos ambos convencidos de que acabaremos os nossos
dias juntos.
Entretanto, alguns meses depois de o conhecer, uma noite sonhei que eu era
homem. Nesse sonho a minha Mãe aparecia olhando-me com enlevo e orgulho, e de
repente notei que estávamos vestidos de cerimónia: a minha Mãe com um vestido
longo, e eu com um belo smoking. Ela segurava o meu braço, caminhando
lentamente ao meu lado. Ao longe vislumbrei um vulto, que não identifiquei, de
alguém usando um vestido de noiva, o que me causou um grande sobressalto. Era o
meu casamento!
Acordei subitamente, impressionada com um sonho tão disparatado.
Durante o dia várias vezes o mesmo me veio à ideia. E pensava:
- Como será ser homem? Os homens serão assim tão diferentes das mulheres?
Deveria eu ter nascido homem? Nesse caso eu gostaria, naturalmente, de
mulheres…
Nessa mesma noite tomei uma decisão.
- Quero experimentar a sensação de ser homem!
Inscrevi-me numa rede social com um perfil masculino.
Como domino razoavelmente bem a técnica da imagem em computador “construí”
uma foto dum homem jovem, muito charmoso, que causa um verdadeiro delírio
especialmente entre as teenagers.
Todas as noites abro a minha página e respondo às inúmeras mensagens das
minhas admiradoras, a cada dia aprimorando as minhas qualidades de figura
masculina, contando histórias fantásticas que as põem ao rubro.
Sou um verdadeiro herói. Bem de vida, com uma profissão liberal, sem
compromissos a não ser com o meu trabalho, uns 28 anos muito saudáveis e
frequentes idas ao ginásio.
Trato todas com o mesmo carinho, sem preferência por nenhuma, de modo a
não causar ciúmes. Um gentleman muito
diplomático.
Mas o mais estranho é que faço isto com prazer, e sinto-me cada vez mais
presa ao personagem que todas as noites encarno.
O facto de a maioria, se não a totalidade dos comentários e pedidos de
amizade que recebo serem de mulheres, talvez explique o prazer que me dá
representar o papel de homem.
De vez em quando faço auto-análise, como sempre fiz, não querendo nunca
recorrer a psicólogos. E muitas vezes me pergunto se, no fundo, eu não sentirei
um certo desprezo ou desgosto pelo facto de ser mulher, e se não faço isto como
uma espécie de vingança. Porque, no fundo, o que estou a fazer, é enganar
mulheres, jovens, na sua maioria – pelo menos assim se apresentam – ainda que
apenas no campo virtual.
Quando estas dúvidas me assaltam fico muito desgostosa comigo mesma, e
durante uns dias não abro a minha página. Mas… não resisto muito tempo, e acabo
por voltar lá e começar tudo de novo. Nessa altura já as minhas admiradoras me
encheram a página com lamúrias…
Entretanto… está nos meus planos constituir família com o meu actual
namorado. Mas, antes, tenho que lhe contar este meu segredo. Se ele o entender…
passaremos a viver juntos, teremos os nossos filhos, e seremos felizes para
sempre. E abandonarei a página social, quanto mais não seja por falta de tempo,
pois tenciono dedicar-me à família por completo, embora sem descurar a
profissão…
O meu maior desejo é que a minha prole, em número ainda não definido, seja
constituída apenas por meninas. Vou vingar-me cobrindo-as de laços, lacinhos e
laçarotes, flores e passarinhos, e corações, atravessados ou não por setas! Sem
esquecer os folhinhos e os cabelos pela cintura.
Hoje eu pergunto-me: eu seria uma pessoa diferente, mais estável, mais
segura, com menos dúvidas que, constantemente invadem o meu espírito, se a
minha Mãe não tivesse tentado forçar o meu destino, querendo dar-lhe um sentido
inverso?
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
FÉRIAS/SENTIDO INVERSO
…Penso que a minha sexualidade ainda
não tinha despertado, o que só viria a acontecer, na prática e fisicamente,
depois dos dezoito anos.
SENTIDO INVERSO - Continuação
II PARTE
Naquela altura, com a
minha amiga, não sei o que senti. Espanto, talvez.
A verdade é que eu era, com certeza,
muito infantil, e com a educação algo severa dos meus pais, não tinha tido, ainda, devaneios amorosos…
A minha reacção foi, portanto,
afastar-me um pouco; mas ela puxou-me carinhosamente para si e começou a
beijar-me o pescoço ao mesmo tempo que tentava acariciar-me o peito, que já se
notava perfeitamente, fazendo antever o que viria a ser dentro de pouco tempo.
A minha amiga mostrou-se muito
compreensiva e não insistiu para eu ficar; apenas me disse que gostava que eu
fosse novamente estudar com ela, mas que avisasse com antecedência a minha Mãe.
Saí dali com as pernas a tremer. Tinha
a sensação de que o que se passara não era tão inocente como a minha amiga me
queria fazer crer. O meu sistema de alerta funcionara na perfeição, evitando
que eu pudesse ter a minha primeira experiência homossexual, para a qual não
estava minimamente preparada, e que poderia ser bastante traumatizante.
Ela ainda voltou a convidar-me meia
dúzia de vezes para ir a sua casa; mas, perante as minhas escusas, acabou por
desistir.
Não deixei de ser amiga dessa garota,
embora evitasse, daí para o futuro, encontrar-me a sós com ela, e recusasse,
sistematicamente, todos os seus convites que implicassem uma maior aproximação.
Nos anos que se seguiram até aos meus
18 anos nada de especial aconteceu no que respeita a experiências sexuais.
Penso que para isso muito contribuiu a
educação que a minha Mãe me dava: muito carinho, muito amor, mas muita
severidade também.
Ela conhecia perfeitamente os meus
horários escolares, e não admitia que eu chegasse a casa mais tarde do que o
tempo necessário para a deslocação. Para que tal acontecesse, tinha que ser
previamente avisada.
À medida que os anos passavam as
minhas formas iam-se arredondando, a cintura ficando mais fina e os traços do
rosto mais harmoniosos.
Contra isso a minha Mãe nada podia
fazer, a não ser comprar-me roupas bastante folgadas, que disfarçavam as minhas
elegantes formas.
Fora dos seus olhares eu colocava um
cinto que ajustava a roupa à cintura, porque cada dia sentia mais vontade de me
libertar daquela maneira de vestir arrapazada. Mas com a minha Mãe não valia a
pena insistir: a sua vontade era soberana. E depois… ela tinha uma maneira de
se impor, uma autoridade tão natural, que eu nem sentia que estava a ser
contrariada, mas sim convencida a
fazer o que não me agradava.
Quando as amigas dela a iam visitar a
eu aparecia para as cumprimentar,
não me poupavam elogios:
- Carminha – era assim que tratavam a minha
Mãe - como a tua filha está bonita! E tão elegante! É uma verdadeira estátua!
Só é pena que tenhas tão mau gosto para a vestir… Deve andar uma multidão de
rapazes atrás dela…
- Já tens namorado? – perguntavam,
dirigindo-se a mim.
Eu simplesmente corava e baixava a
cabeça; e antes que pronunciasse uma palavra a minha Mãe atalhava logo:
- Era só o que faltava! Ela tem é que
pensar em estudar, tirar o seu curso, estabelecer-se na vida, e depois então
pensar em namoricos. E ainda vai cedo! Eu casei-me com 28 anos e tenho tido
tempo para realizar todos os meus sonhos. Portanto ela fará o mesmo.
Não foi bem isso que aconteceu. Com os
meus 18 anos feitos iniciei a minha libertação, que implicava o corte do cordão
umbilical.
Comecei a sair à noite com as minhas
amigas, uma vez por outra, mas tendo sempre o cuidado de não chegar muito
tarde.
A minha Mãe chamava-me sempre a
atenção, embora não usando já aquele tom de exigência a que me habituara. Eu
respondia-lhe alegremente, com um ar que queria significar: a meninice já lá
vai, agora sou senhora do meu nariz.
Embora eu fosse muito obediente, ou
talvez por isso mesmo, sempre fui muito orgulhosa. Não gostava de mendigar; e
se alguma coisa que eu pedia me era recusada, eu simplesmente não insistia. O
meu orgulho não me deixava rebaixar-me. Recordo-me de cenas que aconteceram e
provam o que acabo de dizer, ainda eu era bem pequena.
Com esta maneira de ser e pensar não
me sentia bem comigo mesma ao querer liberdade para proceder a meu bel-prazer e
ao mesmo tempo ser dependente, economicamente, dos meus Pais.
Com 18 anos incompletos entrei para a
Faculdade de Direito, e, ao mesmo tempo que estudava, consegui arranjar
trabalho no escritório dum advogado amigo. De início fui ganhar muito pouco,
mas em breve o ordenado foi aumentado. Com a educação que recebera só podia ser
cumpridora… e o “patrão” era uma pessoa muito justa e honesta.
Foi assim que, aos 20 anos, já tinha
amealhado o suficiente para pensar em desligar-me completamente da casa
paterna, alugando um apartamento a meias com uma amiga.
Tinha, entretanto, arranjado um
namorado do qual desisti quando ele começou a querer um relacionamento mais
íntimo, o que não me atraía de modo algum.
Foi uma época bastante complicada,
emocionalmente. Lembrava-me, frequentemente, do incidente com a minha amiga de
escola.
E, sempre que o meu namorado tentava
uma maior aproximação, a imagem da minha antiga colega acudia-me à mente, e eu
sentia uma espécie de repulsa que me levava a afastar-me dele.
A minha colega de apartamento tinha
algumas amigas que eu não conhecia, e que a visitavam de vez em quando. Como eu
não mostrava interesse especial em conhecê-las, retiravam-se para o quarto para
não me incomodarem. Geralmente eu estudava na sala.
Um dia em que eu tinha ido sair e
voltei a casa porque me esquecera de um livro que me fazia falta, surpreendi a
minha colega no quarto com uma amiga. Tinham deixado a porta aberta e os sons
que pude ouvir não me deixaram dúvidas sobre as actividades em que se
encontravam.
Quando fechei a porta, depois de
entrar, a minha colega espreitou para fora do quarto e, ao ver-me, ficou com um
ar muito comprometido.
Para mim foi um grande choque, não
pelo facto em si, mas por ela nunca me ter dito ou sequer insinuado as suas
preferências sexuais. Afinal, vivíamos no mesmo apartamento, falávamos de tudo
abertamente…
Não me incomodou nada descobrir que
ela era lésbica. Isso não ma afectava minimamente. Incomodou-me sim a sua falta
de franqueza, tanto mais que eu a considerava uma amiga, e nela confiava
inteiramente, confiando-lhe, até, os “problemas” que tinha com o meu namorado.
No dia seguinte eu não trabalhei à
noite e fiquei na sala. Acomodei-me no sofá e liguei a televisão.
A minha amiga veio sentar-se junto de mim e
começou a falar:
sábado, 6 de agosto de 2016
FÉRIAS / SENTIDO INVERSO
Como tem sido habitual nos últimos
anos vou ausentar-me em Agosto (a partir do dia 05) e Setembro, retornando ao
vosso convívio em princípios de Outubro.
Até lá deixarei programados três
capítulos deste conto QUE NÃO É
AUTOBIOGRÁFICO, EMBORA ESCRITO NA 1ª. PESSOA - e que dividi em três partes para não se
tornar demasiado fastidioso, já que é um pouco extenso.
Quando regressar, em Outubro,
retribuirei todas as visitas que entretanto me fizerem e que, desde já,
agradeço.
Espero que gostem deste conto que
intitulei:
SENTIDO INVERSO
I PARTE
I PARTE
Quando eu nasci os meus pais não
tiveram a alegria que normalmente os pais têm com o nascimento de um filho, simplesmente
porque eu não era um filho, mas uma filha.
Na realidade eles desejavam que o
primeiro rebento fosse um rapaz, com o que, provavelmente, encerrariam as
actividades de procriação.
Coitados! Tiveram azar, e apareci eu,
uma menina, linda, ao que dizem, e como posso comprovar pelas fotografias, que
me tiraram em criança. Talvez justificado pelo facto de ter sido uma desilusão
para os meus pais, na verdade não são muitas as fotos que guardo de quando era
pequenina…
Acabaram por se conformar; não havia
mais nada a fazer, a não ser uma segunda tentativa para conseguirem um rapaz.
Depois de eu nascer os meus pais
ficaram tão abalados que precisaram de alguns anos para se refazerem e ganharem
coragem para nova investida…
Dessa vez foram bem-sucedidos, e o meu
irmão apareceu quando eu já tinha cinco anos.
O facto de eu ser uma menina não me
prejudicou em (quase) nada.
Apesar de, ao nascer, lhes ter causado
uma grande desilusão, os meus pais trataram-me sempre com o maior carinho e
desvelo, e mesmo depois de o meu irmão ter nascido, os seus cuidados para
comigo não diminuíram. Nunca houve qualquer diferença de tratamento entre o meu
irmão e eu.
Há apenas um pormenor, relativo á
minha infância, que me causa um certo desconforto quando o recordo:
A minha Mãe vestia-me sempre com
roupas muito arrapazadas – calças ou jardineiras, mas sem aquele toque feminino
que geralmente têm estas peças de roupa quando destinadas a meninas, e que se
traduz por umas florinhas, ou bonequinhos, ou corações, enfim, qualquer
floreado que é colocado no bolso ou no peitilho. Raramente usava saias ou
vestidos.
O cabelo andava sempre muito curto.
Nada de tranças ou totós, nem mesmo as “palmeirinhas”
que todas as meninas usam no topo da cabeça, quando o cabelinho começa a
crescer, por volta dos dois anitos, e que as mães enfeitam com vistosos
laçarotes.
Recordo-me que isso me causava um
certo desgosto. Via as minhas amigas com alegres vestidos rodados, cabelos
caindo pelas costas ou apanhados em totós, à “ Pipi das meias altas”, e sentia-me inferiorizada, feia e sem
graça.
As amigas da minha mãe às vezes
comentavam:
- Credo, tu não tens gosto nenhum para
vestir a tua filha. Nunca se lhe vê um vestidinho…parece sempre uma
Maria-rapaz!
- Assim é que ela anda bem, pode
correr e saltar à vontade sem precisar de se preocupar com as roupas! A
Liberdade começa por aí…
As amigas não insistiam porque sabiam
que não valia mesmo a pena.
A minha Mãe parecia querer
encaminhar-me num sentido inverso àquele para o qual eu havia nascido – ser
Mulher.
Quando fiz 18 anos pude, finalmente,
começar a decidir o que vestir.
Comprei um lindo vestido vermelho,
todo moderno, bem feminino, que me marcava as formas que Deus, na sua infinita
misericórdia, fizera semelhantes às de uma deusa!
Consegui que a cabeleireira me
“ripasse” o cabelo dando-lhe um aspecto bem feminino. E, pela primeira vez na
minha vida, uma amiga maquilhou-me.
A minha Mãe esboçou um ligeiro esgar
ao ver-me aparecer assim vestida na festa que me preparara com todo o esmero.
Fiquei na dúvida se era desagrado ou espanto ao ver a filha como nunca a vira
antes.
Mas eu estava demasiado feliz para me
preocupar com esses pormenores. Foi um dia muito lindo na minha vida, que
marcou o início duma grande reviravolta.
Num primeiro gesto de rebeldia comecei
logo a deixar crescer o cabelo, e durante um ano a cabeleireira não lhe pôs a
tesoura.
Quando já me pousava nos ombros passei
a deixar que fosse tratado por mãos de profissionais.
E pude, finalmente ser, mas muito especialmente sentir-me, mulher!
Recuando um pouco até à
pré-adolescência, altura em que começa a despontar a sexualidade, recordo-me
que as meninas andavam pelos cantos aos beijinhos aos rapazes, ainda com alguma
inocência, mas já revelando o aproximar do desabrochar das hormonas.
Talvez devido aos meus modos
arrapazados incentivados pela minha mãe, os rapazes não manifestavam por mim
qualquer interesse para além do jogo da bola – eu era sempre integrada numa das
suas equipas. Acho que eles me viam como “um dos deles”…
Assim fui crescendo, e quando andava
pelos treze anos, em que, se não acontece antes, é altura de despertar a grande
curiosidade pelo misterioso sexo, tudo para mim continuava na mesma, pois os
rapazes viam-me com os mesmos olhos de sempre, e não denotavam sentir pelo meu
corpo qualquer atracção física.
Foi então que uma amiga começou a
insinuar-se mais junto a mim, e um dia convidou-me para ir estudar para casa
dela. Fui, contente e feliz.
Lembro-me que era um dia de muito
calor.
Os pais dela trabalhavam, ela não
tinha irmãos, portanto a casa estava por nossa conta.
Começámos a estudar na sala mas, pouco
tempo depois, ela propôs que descansássemos um pouco e fôssemos para o seu
quarto ver fotos ou qualquer outra coisa que agora não recordo; não fiz
qualquer objecção Fomos!
Aí chegadas a minha amiga começou a
queixar-se com calor, dizendo que ia pôr-se à vontade, e insistindo para que eu
fizesse o mesmo. Tudo bem, porque não? Estava, realmente, um calor
insuportável.
Ficamos, portanto, apenas com as
calcinhas e os sutiãs.
Sentámo-nos na beira da cama a ver
qualquer coisa, e de repente, sem eu esperar, ela, com a mão direita puxou-me
pelo pescoço e deu-me um beijo na boca, ao mesmo tempo que, com a mão esquerda,
acariciava a minha coxa.
Qualquer coisa em mim entrou em alerta!
Eu nunca havia tido qualquer contacto mais íntimo, e em casa os meus pais eram
bastante discretos, embora muitas vezes trocassem carinhos.
Penso que a minha sexualidade ainda
não tinha despertado, o que só viria a acontecer, na prática e fisicamente, depois
dos dezoito anos.
Continua no dia 29 de Agosto.
segunda-feira, 18 de julho de 2016
VOCÊ PRECISA DE ESTÍMULO?
Tenho duas plantas de flores de cera. Conhecem? São lindíssimas.
Eu tinha apenas uma destas plantas.
Hoya carnosa – seu nome técnico – faz-nos lembrar que a sua folhagem é, de facto, carnuda, sem qualquer atractivo especial além
daquele que possuem todas as plantas, para quem gosta de plantas.
A grande beleza reside nas flores.
É muito interessante acompanhar o ciclo da sua floração, desde que
aparecem os pequeninos cachos de pecíolos com botões,
São flores que se mantêm viçosas durante bastantes dias; quando
começa a aproximar-se o fim, formam, a partir do centro, umas gotas de um
líquido transparente, semelhantes a lágrimas, que escorrem depois pelas pétalas
e caiem para o chão.
Disse-me a minha empregada, Lina, que na terra dela lhes chamam
“lágrimas de Nossa Senhora”.
Trouxe-a para casa – comprei-a num horto – há já uns anos, não posso precisar
quantos.
Pelo aspecto viçoso das folhas e pequena estatura – teria uns
trinta cinco a quarenta centímetros de altura – via-se que era uma planta muito
jovem.
Adaptou-se lindamente à sua nova casa, e a breve trecho erguia os
ramos em direcção ao céu. Era altura de começar a guiá-la por um fio que lá
coloquei para o efeito.
Prontamente iniciou o seu ciclo de floração, mimoseando-me com
flores belíssimas.
Esta orgia de flores manteve-se por alguns anos.
A determinada altura comecei a notar a sua falta de flores. Pura e
simplesmente tinha desistido de me brindar com a sua linda prole.
Continuava com as folhas viçosas, em nada denunciando a sua
provecta idade, excepto na falta de procriação.
Continuei a tratá-la com o carinho de sempre, conformada com a sua
aposentadoria.
Um belo dia a Lina trouxe-me uma planta de flor de cera que ela
reproduzira a partir de outra que tinha em casa.
Colocámo-la ao lado da antiga, distanciada cerca de 40 centímetros. Mais ou menos um mês depois a segunda planta, perfeitamente adaptada ao novo lar, começou
a florir.
Surpreendi esta conversa da Lina com as plantas:
- "Vês? Não quiseste dar mais flores e a tua mamã arranjou outra
para o teu lugar."
Deduzi que ela falava com a planta mais velha.
Não denunciei a minha presença, mas fiquei a saber que ela também
falava com as plantas. Afinal não era só eu…
Senti-me um pouco mais “normal”.
Tenho por hábito todas as manhãs ir à varanda visitar as minhas
plantas, regá-las se têm falta de água, retirar alguma folha seca e, confesso,
também converso com elas. Até lhes acaricio levemente as folhas, enquanto
converso.
Alguns dias passados a Lina foi à varanda e chamou-me, toda
alvoroçada:
- "Senhora! vem cá ver uma coisa."
Lá fui, e vi que a velha planta de cera estava em flor. Fiquei
admirada, pois estava convencida que o seu período de floração havia terminado
irremediavelmente. Senti-me muito feliz. A minha velha plantinha, afinal, ainda
conseguia brindar-me com as suas lindas flores.
Acariciei-a ao de leve e agradeci-lhe a alegria que acabava de me
proporcionar.
Do alto da sua sabedoria singela, a Lina falou:
- "Sabe, senhora, no outro dia eu estive a envergonhá-la; disse-lhe
que a senhora agora ia gostar mais da nova do que dela. De certeza ela
entendeu, e com medo que a senhora a deitasse fora resolveu dar flores outra
vez."
Será que foi isso mesmo que aconteceu?
As pessoas mais simples, por vezes, têm percepções que escapam ao
mais comum dos mortais.
Será que, tal como acontece com algumas pessoas, também as plantas
precisam de estímulo?
Há pessoas que, face a contrariedades que surgem, entregam-se ao desânimo
e levam uma vida tristonha, sem objectivos…
Todos sabemos que, com algumas pessoas, isto é assim mesmo, precisam ser
estimuladas para mostrarem do que são capazes.
Precisam ser incentivadas, ‘espicaçadas’, “metidas em brios”, para
reagirem e voltarem a ter fé nas suas capacidades.
Acredito na necessidade objectiva do estímulo. Ele é, muitas vezes, a mola
impulsionadora fundamental para ultrapassar a inércia.
Um exercício simples, que pode ajudar muito, é tentar fazer o que tivermos
medo de fazer. Vencer essa resistência torna-nos mais fortes, conduz-nos à vitória.
É necessário ter um ideal
na vida, um sonho, e para realizá-lo é preciso conservar os olhos fixos nele, lutar
sempre pelo que se deseja, e acreditar que isso é possível - só quem luta
merece recompensa, e dos fracos não reza a História.
A Esperança prova que há um sentido oculto na Existência. A Vida é
demasiado importante para que não tentemos enfrentar os seus obstáculos, pois
eles não têm metade da força que aparentam ter.
Deixemos que a nossa luz interior nos conduza, pois todos temos uma boa
estrela a guiar-nos e a ajudar-nos nas adversidades.
PS – A Amiga Nina Filipe gentilmente chamou-me a atenção para um pormenor que me falhou: o aroma da flor de cera.
PS – A Amiga Nina Filipe gentilmente chamou-me a atenção para um pormenor que me falhou: o aroma da flor de cera.
De
facto esqueci-me de referir essa particularidade.
A
flor de cera tem um perfume diferente das outras flores, muito forte, semelhante,
talvez, ao perfume de jasmim…, que se faz sentir sobretudo de noite.
O
meu quarto de dormir comunica directamente, por uma porta envidraçada, com a
varanda onde tenho as flores de cera. Mantenho essa porta aberta, mesmo durante
a noite, principalmente no Verão.
Quando
a flor de cera está em flor, à noite tenho que fechar a porta - o perfume da
flor de cera é de tal modo intenso que me custa respirar.
Um “Obrigada!”
à Amiga Nina Filipe pela chamada de atenção.
Subscrever:
Mensagens (Atom)















