domingo, 6 de maio de 2012

DIA DA MÃE EM PORTUGAL

Glitter Photos
Glitterfy.com - Glitter Gráficos
“- Mãe adora ouvir o barulho da fechadura quando o filho chega.”
“ - Mãe tem cheiro de banho, tem cheiro de bolo, tem cheiro de casa limpa. “



ALTA COSTURA
No tecido da história familiar, as mãos da minha mãe reforçaram as costuras para nos protegerem de qualquer empurrão da vida …
As mãos da minha mãe uniram, com um alinhavo, as partes do molde, sem esquecer que cada uma é diferente da outra e que juntas fazem um todo como a família …
As mãos da minha mãe fizeram bainhas para que pudéssemos crescer sem que não nos ficassem curtos os ideais …

As mãos da minha mãe remendaram os estragos para voltarmos a usar o coração … sem fiapos de ressentimentos …



As mãos da minha mãe juntaram retalhos para que tivéssemos uma manta única que nos cobrisse …
As mãos da minha mãe seguraram presilhas e botões para que estivéssemos unidos e não perdêssemos a esperança …


As mãos da minha mãe aplicaram elásticos para nos podermos adaptar folgadamente às mudanças exigidas pelos anos …
As mãos da minha mãe bordaram maravilhas para que a vida nos surpreendesse com as suas contínuas dádivas de beleza …


As mãos da minha mãe coseram bolsos para guardarmos neles as moedas valiosas das melhores recordações e da nossa identidade …
As mãos da minha mãe, quando estavam quietas… zelavam os nossos sonhos para que alimentassem os nossos ideais com o pó das suas estrelas …


As mãos da minha mãe seguraram-nos com linhas mágicas, quando entravamos na vida … para começar a vesti-la!
As mãos da minha mãe nunca abandonaram o seu trabalho… E sei muito bem que hoje, onde estiverem, fazem orações por nós.

E eu …
Eu beijo-as como se recebesse bênçãos!

sábado, 14 de abril de 2012

CENAS DA VIDA REAL

O MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE SEIÇA
Andava eu aí pelos quinze anos quando, nas férias grandes, me tornei amiga de Rosindo.
Filho de Emília, empregada na casa da viúva do Sr. Curado, Rosindo tinha sensivelmente a mesma idade que eu.
Logo que nos conhecemos tornámo-nos amigos, e sempre que minha Mãe visitava a viúva, Dona Flor, (o que acontecia com certa frequência, dado serem muito amigas) eu acompanhava-a. Logo que podíamos escapulíamo-nos para o sótão da enorme casa, e passávamos em revista os incontáveis livros que abarrotavam as prateleiras.
Penso que foi nessa altura que me viciei em leitura, pois todas as vezes levava comigo um livro, a maior parte das vezes às escondidas, e que, da próxima vez, trocava por outro. Alguns não seriam muito apropriados para a minha idade, mas mesmo assim eu “devorava-os”.
À data do seu falecimento o sr. Curado era casado, em segundas núpcias, com Dona Flor, com a qual não teve filhos. Talvez por isso a senhora se afeiçoou tanto ao afilhado Rosindo, a quem tratava como um filho, pondo-o, inclusivamente a estudar, a expensas suas.
Do primeiro casamento existiam dois filhos, cujas relações com a madrasta não eram muito amigáveis. Eram pessoas de fraco carácter e maus instintos, que não trabalhavam, limitando-se a viver dos rendimentos que, em pouco tempo, reduziram a escassas propriedades.
Do Sr. Curado, falecido há uns anos, dizia-se ter “sangue azul”.
O certo é que constava que os seus antepassados eram senhores feudais, dos quais herdara as várias propriedades, que, ao que se dizia à boca pequena, nem sempre teriam sido adquiridas, por eles, da forma mais legal.
Dos seus antecessores mais recentes falava-se de um tio e duas tias, acerca dos quais se contavam histórias de arrepiar os cabelos.
Ao contrário de seu Pai, que, dizia quem o conhecera, era uma boa alma, os outros parentes não tinham qualquer ética ou moral. Do tio constava que formara uma quadrilha com uns quantos malfeitores, que assaltavam quem se aventurava a viajar de noite por sítios ermos ou pinhais. Roubavam tudo o que os viajantes levavam e, caso oferecessem resistência, não hesitavam em matar.
As duas tias, conhecidas por “as senhoras”, não tinham carácter melhor do que o irmão.
Uma delas era, para além de sádica, uma autêntica tirana, maltratando os trabalhadores que labutavam nas suas quintas. Montada a cavalo percorria as suas terras impondo o terror, servindo-se, por vezes, do chicote que sempre a acompanhava, para castigar quem fizesse alguma coisa que não lhe agradava.
A outra irmã, que se dedicava mais à parte administrativa, governava a casa e imperava entre os criados e criadas da casa. Ninfomaníaca, nenhum homem lhe escapava: empregava para trabalhos de casa mais homens do que mulheres, os quais submetia aos seus desejos lascivos.
Contava-se que um belo dia surpreendera uma cena de amor entre uma criada e um criado, que se amavam; mas, porque o criado frequentava a sua cama, ela não hesitou em matar a pobre rapariga e depois metê-la no forno, para servir de exemplo às outras.
Eram verdadeiramente horrorosas as histórias que se contavam, parecendo até inacreditáveis, mas a verdade é que, naquele tempo, eles eram amos e senhores de toda a gente que habitava aquelas terras, e acima da sua autoridade só existia a do rei.
Por estranho que pareça, com tais antecedentes o Sr. Curado era o que se pode chamar uma boa alma, muito amigo dos pobres, a quem auxiliava generosamente.
Sem grande jeito para administrar os bens que herdara, a Dona Flor devia o facto de ainda possuir muitas propriedades que, após a sua morte, os filhos se encarregaram de defraudar.
Numa das incursões ao sótão eu e Rosindo descobrimos as cópias de uns manuscritos que provavam a pertença, aos antecessores do sr. Curado, de uma grande propriedade na povoação de Ribeira de Seiça, concelho de Figueira da Foz, que possui, ainda hoje, recantos magníficos.

Ali existiu, em tempos, um convento, o Mosteiro de Santa Maria de Seiça. Uma capela, úníca no país por ser octogonal,
(Capela de Nossa Senhora de Seiça)
faz parte da história do Mosteiro de Santa Maria de Seiça, na qual existem pinturas sobre as lendas relacionadas com a construção do Mosteiro de Montemor-o-Velho.

Com a curiosidade ao rubro, tanto procurámos que acabámos por encontrar um livrinho, com um aspecto antiquíssimo, que contava a história do Mosteiro, cujas terras teriam sido concedidas por D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.
Como sempre fui apaixonada por História, especialmente História de Portugal, levei o tal livrinho para casa e copiei uma grande parte dos dados lá contidos, que ainda conservo.
Não vou transcrevê-los para aqui porque acredito que não teriam interesse para a maior parte dos meus leitores.

Adenda, a propósito do comentário da minha querida amiga São:
" De arquitectura única entre as construções sacras em Portugal, esta capela apresenta uma forma octogonal, de estilo barroco, cercada de uma colunada dórica, suportando um entablamento do qual sobressai o corpo da capela como se se tratasse de um andar superior em que cada fachada apresenta uma janela, num total de 8." - Informação Wikipedia
Talvez esta informação se deva ao facto de a capela ter sido construída no ano de 850, e talvez, nessa data, fosse a única existente em Portugal

sábado, 24 de março de 2012

NÃO VEIO PARA FICAR

Não, o «Afonsinhos» não veio para ficar.
Tal como informei no final do último post, o texto que apresentei é apenas um excerto daquele que será… talvez… quem sabe?... um dia… um pequeno romance, no qual constarão alguns episódios familiares.
Não se trata de uma biografia, mas da narrativa, mais ou menos romanceada, da vida de pessoas conhecidas e seus ancestrais, e em que, num ou noutro momento, os intervenientes se cruzaram com familiares da autora.
O projecto está, ainda, apenas em embrião, não havendo, de momento, a certeza de se algum dia chegará ao prelo. Foi iniciado há algum tempo mas, perante pedidos (e insistências…) vário(a)s para que eu escrevesse as minhas “memórias” de África, o «Afonsinhos» foi relegado para segundo plano.

Como é do conhecimento de algumas pessoas, por motivos relacionados com problemas de saúde a nível familiar, o tempo de que disponho, por agora, é muito pouco, o que, por um lado tem atrasado as “histórias” de África, e por outro não me tem permitido publicar no blog com a regularidade e pontualidade de que eu fazia questão.
Sei que isso não vai afastar as amigas e os amigos, que são da melhor qualidade Image and video hosting by TinyPic
 
É essa certeza que me dá força para ir continuando, e não fechar o blog, pura e simplesmente.
Mas… voltando ao «Afonsinhos», o que vos queria dizer é que o ‘enredo’ não irá ser publicado, na íntegra, no blog, como aconteceu com o meu primeiro romance. Esse foi apresentado e
m vários episódios (cerca de 50), e só posteriormente decidi transformá-los em livro.
O «Afonsinhos» começou logo a ser escrito com a intenção de ser publicado. O excerto que aparece no meu último post serviu apenas para vos dar uma ideia do género do que me propus escrever.
Não postei o que será o início da obra, como seria lógico, porque ainda não estava bem delineado. Havia pormenores acerca dos quais eu tinha dúvidas, que entretanto consegui esclarecer.
Vou fazê-lo agora, mostrando-vos o que, na versão final, irá figurar imediatamente antes do trecho que é já do vosso conhecimento. (Agora é que se pode dizer que “pus o carro à frente dos bois”…)
O resto ficará no “segredo dos deuses”…

A SAGA DOS AFONSINHOS (título provisório…)


Na primeira metade do século XIX os senhores de Rebordões, vilarejo nos arredores de Barcelos, possuíam vastas propriedades, uma casa solarenga, e muitos assalariados ao seu serviço.
Naquele tempo, nessa zona, mais do que em qualquer outro ponto do País, as condições da vida do povo eram semelhantes às da Idade Média.
Havia um “senhor feudal” que em tudo mandava, possuidor de todas as terras num raio de vários quilómetros.
O analfabetismo reinava entre o povo; eram raríssimas as pessoas que sabiam soletrar algumas palavras.
Trabalhavam de sol a sol nas terras do “fidalgo” que, ao contrário da generalidade dos outros proprietários, era pessoa de bom coração que não faltava com o pagamento, ao qual por vezes juntava alguma ajuda, principalmente quando sabia que havia doença na família do trabalhador.
Ninguém sabia ao certo o seu nome; todos o conheciam pelo “senhor de Rebordões”, e quando se lhe dirigiam tratavam-no por “fidalgo”.
Fora registado com o nome de Rodrigo de Rebordões. No seio familiar era tratado por Rodriguinho, obedecendo a um hábito muito vulgar no Norte do País, principalmente naquela época, em que as terminologias “inha” e “inho” eram sinal de respeito e deferência.
Sua esposa, Dona Teresa – dona Terezinha, como era tratada – era uma senhora muito bondosa, de saúde débil, que dedicava muito do seu tempo a visitar as mulheres que haviam sido mães. Acomodada na sua charrete, percorria as terras de sua pertença, o que, por vezes, demorava horas. As distâncias eram relativamente grandes, especialmente para aquele meio de transporte e os rudes caminhos que havia a percorrer.
Às parturientes levava “mimos”, frutas e bolos a que, de outro modo, nunca teriam acesso; dava-lhes indicações sobre a forma de tratarem melhor os seus bebés, aos quais oferecia casaquinhos e carapins tricotados por si mesma. Nunca se esquecia de levar uma guloseima para os mais velhinhos, geralmente “confeitos”, uma espécie de rebuçados redondos, de superfície não lisa mas irregular, com “altos e baixos”, de cores variadas, feitos com açúcar e farinha. Para as crianças era uma verdadeira festa.
Dona Terezinha era adorada por toda a gente.
Carregava consigo um grande desgosto: não poder oferecer ao marido mais filhos, além do único que tinham.
Depois de uma gravidez bastante atribulada Dona Tereza dera à luz um belo rapaz que era o orgulho dos pais. Na altura o médico, amigo da família, vindo directamente do Porto para acompanhar a gestação, aconselhara a evitar futuras gravidezes, que poderiam pôr em risco a vida da Dona Tereza. Por muito que gostasse de ter mais filhos, o marido opunha-se terminantemente a sacrificar a esposa, que adorava.
Seu filho único foi baptizado com o nome de Pedro Afonso.
Sendo o “ai Jesus” da família e dos trabalhadores que o apaparicavam ao extremo, passou a ser o menino Afonsinho, nome que carregou até depois de adulto, transformando-se então no “senhor Afonsinho”.
Sabendo-se como trabalhavam os registos naquele tempo, não é de estranhar que, quando contraiu matrimónio, figurasse no livro de registos como Pedro Afonsinho.

O linho cultivava-se por toda a região do Minho, mas talvez com maior incidência na zona de Barcelos. As fábricas de fiação e tecelagem começavam a proliferar.
O senhor de Rebordões ligou-se a uma fábrica de têxteis, que existia em Braga, aumentando consideravelmente o seu património.

(Segue-se o que é já do vosso conhecimento:
… Tendo recebido uma educação mais aprimorada do que seu pai, etc. etc. etc…)




quinta-feira, 8 de março de 2012

A SAGA DOS AFONSINHOS

A SAGA DOS AFONSINHOS
(Foto de minha propriedade)

...“Tendo recebido uma educação mais aprimorada do que seu pai, Afonsinho tinha gostos mais requintados, no que era secundado por sua mulher, Beatriz.
Por morte do pai, e com a mãe já anteriormente falecida, Afonsinho, a instâncias da mulher, decidiu ir viver para a cidade, onde se dedicou ao comércio dos têxteis, de cuja fábrica era sócio.
 Contratou capatazes para tomarem conta das suas propriedades, mantendo o solar impecavelmente limpo, pronto a habitar todas as vezes que ali se deslocavam, e onde passavam dois meses por ano, na altura das colheitas.
Encontravam-se na cidade quando lhes nasceu o primeiro filho, a quem deram o nome de Nicolau, que foi registado como Nicolau Afonsinho.
Dois anos passados Beatriz deu à luz uma menina que foi o enlevo da família. Estava, porém, destinado que não passaria muito tempo neste mundo, e, com sete anos de idade, a menina contraiu meningite e morreu.
Nicolau passou a ser tratado com cuidados redobrados, especialmente por parte da mãe, que receava que ele contraísse alguma doença fatal, o que não se verificou.
Bastante inteligente estudou com mestres em casa, adquirindo uma cultura muito acima da média para aquele tempo. Com esta educação, a somar aos seus atributos físicos, não teve dificuldade em escolher noiva entre as meninas mais prendadas da sociedade.
A sua escolha recaiu sobre Rita, uma jovem bonita, de pequena estatura mas de carácter forte.

Rita pertencia a uma conceituada família que possuía várias fábricas têxteis, especialmente de sedas, cujas origens se perdiam nos tempos. Dizia-se, em certos círculos, que possuíam sangue azul. Descendessem ou não de nobres, a verdade é que os pais de Rita nunca o apregoaram, sendo pessoas acessíveis, bastante simpáticas, embora frequentassem a alta sociedade.
Constava que as fábricas lhes garantiam um alto rendimento, e o nível de vida que mantinham assim o indicava.

Encontraram-se num baile no Ateneu quando Rita se apercebeu do interesse que despertara em Nicolau; sentiu-se envaidecida. Nicolau era bastante requisitado pelas mães das jovens casadoiras, já que a sua fama de grande fortuna o precedia onde quer que fosse.
Após as apresentações formais das duas famílias, Nicolau e Rita encetaram um namoro que decorreu em grande harmonia e se prolongou por dois anos.
Com uma cerimónia requintada, sem ser faustosa, uniram-se em matrimónio. Rita adoptou o nome do marido, como era de praxe obrigatória naquela época, passando ambos a formar o casal Afonsinho.

Com seus ancestrais burgueses do Norte do país, por um lado, e o rendimento das fábricas de sedas, por outro, a família Afonsinho era, em finais do século XIX, o que se poderia designar por abastada.
Com assinatura para a Temporada de Ópera, frequentava Concertos, Teatro, sempre nos melhores camarotes, e todos os eventos restritos a pessoas de alto nível social.
Angélica nasceu, assim, no seio de uma família considerada de alta sociedade.
Desde muito cedo Angélica revelou um carácter muito forte, rebelde, difícil de domar.
A sua única irmã, Irina, que no fundo ela adorava, foi sempre vítima da sua prepotência. Sobre ela exercia um domínio absoluto.
Apesar dos esforços da sua mãe, Rita, que a tratava com uma certa severidade, tentando inculcar-lhe hábitos de obediência, Angélica sempre acabava por fazer o que queria.
Passou a infância, a adolescência e a juventude impondo a sua vontade. Só à mãe obedecia, ainda que de má vontade.
O pai, menos severo, acabava por sucumbir aos seus desejos.
A irmã, Irina, limitava-se a viver à sua sombra, anulando-se para lhe agradar.
Muito jovem Angélica apaixonou-se por um desconhecido que avistara quando assistia a um concerto. Achou-o lindo, e logo o seu coração se lhe rendeu.
Estava-se na primeira década do século XX.
Como era de norma naquele tempo, o pai de Angélica tratou de colher informações acerca do homem que roubara o coração de sua filha.
O que soube não lhe agradou.
De condição social inferior e hábitos pouco recomendáveis, frequentava concertos e bailes a reboque dum amigo, na mira de arranjar noiva rica.
Conferenciando com Rita, sua mulher, mandaram chamar a filha. E começou a difícil tarefa de tentar demovê-la da sua grande paixão.
Obstinada, como sempre, Angélica não dava ouvidos aos conselhos acertados de seus pais.
Às escondidas, de conivência com uma das criadas, mantinha vasta correspondência com o seu amado. E assim se passaram uns meses.

Um dia em que o pai fora tratar dos seus negócios e a mãe se deslocara à modista, Angélica, acobertada pela criada, saiu de casa para um encontro com o namorado, que se encontrava de sobreaviso.
Na caleche do amigo, que a pusera à sua disposição, ambos depressa se afastaram da cidade, encaminhando-se para uma pequena paróquia, onde um humilde pároco de aldeia os aguardava e celebrou o seu casamento.
Horas mais tarde Angélica regressou a casa de seus pais, acompanhada do seu recente marido.”

Excerto do meu projecto literário com o título provisório «A saga dos Afonsinhos».

FELIZ DIA DA NULHER

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

HOJE FAÇO 4 ANOS


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Faz precisamente hoje, dia 14 de Fevereiro, quatro anos, que a Casa da Mariquinhas abriu as suas portas pela primeira vez:

“HOJE, 14 DE FEVEREIRO DE 2008
DIA DE S. VALENTIM E DOS NAMORADOS
ABRE-SE A PORTA DA CASA DA MARIQUINHAS”

Nos 1461 dias entretanto decorridos muitas foram as alegrias e alguns (poucos) dissabores – dois “sumiços” do blog por dois ou três dias; a dificuldade de “gerir” os blogs que sigo (problema felizmente ultrapassado com a ajuda do meu amigo Vítor Simões, mas para o qual o Blogger ainda não me apresentou solução) e… nada mais de contrariedades!
Os meus comentadores, habituais e ocasionais, têm sido excelentes. Portanto, no final, o saldo é francamente positivo. Não vou alongar-me mais nestes preâmbulos, até porque o presente que vos reservei – uma história de Amor, porque hoje é o Dia dos Namorados – é um pouco extenso.
Também não há champanhe nem bolo – a crise é real e não permite desperdícios. Contentem-se pois com um pedacinho desta apetitosa broa e um copito de tinto. Se trouxerem um chouricito faz-se um rico petisco.


Preparei um selinho para vos oferecer, para não irdes daqui sem bolo nem champanhe, e ainda com as mãos a abanar :)

Aloja Imagens

Quem estiver interessado pode ir buscá-lo AQUI

Não posso terminar sem expressar o quanto me sinto grata por tudo o que me têm dado, e com o que continuarei a contar.

E agora, agradecendo que relevem a extensão do texto, deixo-vos com uma belíssima “História de Amor”.

A LENDA DE PEDRO E INÊS


Dentre as histórias de amor célebres, uma das minhas preferidas é a de “Pedro e Inês”, uma história sublime e trágica, cheia de encanto e magia, que demonstra toda a devoção e verdadeiro amor entre dois amantes.
Tudo começou quando D. Pedro, filho do rei de Portugal D. Afonso IV e da rainha Beatriz, sua esposa, chegou à idade de casar.
Como era costume na época, a noiva deveria pertencer ao reino de Castela e fazer parte da família real.
Assim foi aprasado o casamento com Dona Constança de Castela, a qual chegou a Portugal por volta de 1340, acompanhada da sua comitiva. Desta fazia parte uma linda aia, Inês de Castro, à qual se rendeu de imediato o coração de D. Pedro.
A bela aia de cabelos longos e olhos brilhantes também se apaixonou pelo príncipe e, por muito amiga que fosse de Constança, o amor falou mais alto.
Mas esta paixão não foi bem aceite pela corte e pelo rei que, por um lado receava a influência dos irmão de Inês sobre seu filho, por outro lado poderiam surgir problemas com Dom Manuel de Castela, pai de Constança.
Assim sendo, celebrou-se o casamento de D. Pedro com Dona Constança, do qual nasceram dois filhos.
No entanto, o grande amor entre D. Pedro e Inês de Castro não morrera, e começaram a surgir boatos sobre a infidelidade do príncipe, o que preocupou grandemente a coroa portuguesa.
Os pais de D. Pedro decidiram acabar com o romance, mandando encerrar Inês no convento de Santa Clara, em Coimbra.

Convento de Santa Clara (Coimbra)
Impossibilitado de comunicar com a sua amada, D. Pedro arquitectou um plano que lhe permitiu trocar cartas com Inês.
Numa mata, onde agora se situa a Quinta das Lágrimas, havia um pequeno regato que corria até o convento onde Inês estava enclausurada. Lá D. Pedro depositava pequenos barcos de madeira onde colocava as suas cartas de amor, que assim eram levadas até Inês.
Mas D. Afonso, ainda temeroso de um escândalo, pretendeu mandar exilar Inês. Esta refugiou-se no Castelo de Albuquerque, que pertencia à sua família e ficava situado na fronteira do Alentejo.
No entanto, a correspondência entre os dois amantes não cessou. D. Pedro enviava a Inês mensageiros com cartas dheias de frases de amor e paixão.
Entretanto, D. Constança, grávida do seu terceiro filho, morreu durante este parto.
Viúvo e livre, D. Pedro decidiu enfrentar o pai e trazer Inês de volta do seu exílio em Albuquerque. Foram viver no norte de Portugal, onde nasceram quatro filhos. Neste período D. Pedro manteve-se afastado da política.
Mas o facto de não serem casados suscitava a desconfiança e não aceitação por parte da corte, que aumentaram quando D. Pedro trouxe Inês para o Pavilhão de caça em Coimbra.
D. Afonso IV tentara diversas vezes organizar um novo casamento para o filho, com princesa real, mas D. Pedro recusava sempre outra mulher além de Inês, com quem não podia casar por não ser de sangue real.
Ao mesmo tempo, o único filho legítimo de D. Pedro, o futuro rei D. Fernando I de Portugal, mostrava-se uma criança frágil, enquanto que os bastardos de Inês prometiam chegar à idade adulta. A nobreza portuguesa começava a inquietar-se com os problemas políticos do futuro rei.
Regressando do norte Pedro e Inês instalaram-se no Paço de Santa Clara, em Coimbra.
A corte estava cada vez mais descontente e com insinuações de que a família Castro poderia conspirar para colocar no trono de Portugal o filho de Pedro e Inês.
Os ânimos foram-se exaltando de tal modo que se chegou a uma decisão drástica: Inês tinha que ser eliminada.
Foi então que em 7 de janeiro de 1355, num dia em que Pedro tinha ido à caça, o rei, acompanhado por três fidalgos, Diogo Lopes Pacheco, Álvaro Gonçalves e Pero Coelho dirigiu-se ao pavilhão de caça em Coimbra, onde se encontrava Inês.
Sozinha junto a uma fonte, Inês, ao vê-los, logo se apercebeu do motivo da visita. Dirigiu ao rei súplicas de piedade, lembrando-lhe ser a mãe dos seus netos. Este, emocionado, retirou-se, dizendo aos fidalgos que procedessem como entendessem. Estes, aproveitando-se da ordem pouco clara do monarca, aproveitaram a situação e apunhalaram-na.
Seu corpo caiu morto junto à fonte.
Ao tomar conhecimento de que Inês havia sido assassinada a mando do seu pai, D. Pedro ficou arrasado e possuído de enorme revolta.
Convocou os irmãos de Inês, formou um exército, e declarou guerra a D. Afonso. Mas, temendo que um confronto directo e violento com seu pai causasse grande destruição a Portugal, e ainda por insistência de sua mãe, D. Beatriz, foi assinada a paz em Agosto de 1355, tendo D. Pedro jurado perdoar a quantos haviam estado envolvidos na morte de Inês. Tratava-se, contudo, de um estratajema para adiar a sua vingança.
Os três fidalgos principais implicados no assassinato foram aconselhados a fugir. Assim, dirigiram-se para Castela, julgando que ali estariam a salvo. Mas, logo que subiu ao trono em 1357, D. Pedro passou a perseguir os assassinos, quebrando a promessa feita ao pai. Somente Diogo Pacheco conseguiu escapar, enquanto os outros dois , Pero Coelho e Álvaro Gonçalves, foram condenados à morte.
Na versão de Fernão Lopes, famoso historiador português, D. Pedro exigiu ao carrasco que lhes arrancasse o coração, a um pelo peito e a outro pelas costas, e que depois lhes queimasse os corpos.
Em Junho de 1360 D. Pedro declarou que se havia casado secretamente com Inês, legitimando os filhos de ambos. Apenas o testemunho do rei e do seu capelão fizeram prova deste casamento.
D. Pedro mandou construir dois sumptuosos túmulos no mosteiro de Alcobaça, um para si e outro para Inês, para onde trasladou os restos mortais da sua amada.

 Estes relatos, mais ou menos romanceados, baseian-se em factos reais, fazendo parte da História de Portugal. Apesar de todos os estudos sobre o assunto, é difícil definir as fronteiras entre o real e a ficção. Mas o que é um facto incontestável é o grande amor que os uniu, tanto na vida quanto após a morte.
Contudo… A lenda diz que D. Pedro, depois de assinar a sua “Declaração de Cantanhede”, na qual jura ter casado secretamente com Dona Inês de Castro, a terá mandado desenterrar, vestir-lhe trajes de rainha, sentado o seu corpo no trono, obrigando os nobres a beijarem-lhe a mão, coroando-a Rainha de Portugal. Reza, ainda, a lenda que o sangue derramado por Inês na hora de sua morte ainda
mancha as rochas da fonte onde caiu morta.


Inés de Castro



Das minhas queridas amigas - Ana (AVE SEM ASAS),
Para si, minha boa amiga, os meus sinceros e amigos parabéns, e que daqui a 4 anos estejamos cá todos para consigo festejarmos o 8º aniversário.
O selo acima, é um simbólico presente que fiz com todo o carinho para este dia.
Beijinho
e Rosinha (ROSA SOLIDÃO)
Muito obrigada!
E da querida amiga Fernanda (NA CASA DO RAU) mais este lindo selinho.
Obrigada, amiga
Da querida amiga Sãozita (NO LIVRO DA VIDA) recebi este lindo selinho.
Muito obrigada, filhotinha.
 

Ainda que com um ligeiro atraso, a minha querida amiga Livinha (PALAVRAS E POEMAS) quis presentear-me com este lindo selinho

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

APELO


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Minhas amigas e meus amigos
Venho fazer um apelo. O que se passa é o seguinte:
Estou, há quase um mês, com um problema neste blog, para o qual não encontro solução.

Sempre que clico em GERIR (ver imagem abaixo)

aparece esta janela



Seguindo o conselho aqui expresso pus o problema ao Blogger.
Desde o dia 7 até este momento já trocamos (o Blogger e eu) 22 mensagens, sendo a primeira:

eu(Mariazita)
7 de Jan (há20 dias)
Outros destinatários:
Quando estou no Painel e clico no botão "Gerir" aparece este erro que não me deixa continuar.
O que devo fazer?


e as últimas:

Teilor

17 de Jan (Há 10 dias)
Vou encaminhar a questão para os funcionários do Google.


eu(Mariazita)

17 de Jan (Há 10 dias)
Agradeço que tome essa ou qualquer outra providência, pois este assunto arrasta-se desde o dia 7!
E tem me causado bastante transtorno.
Obrigada.


eu(Mariazita)

23 de Jan (Há4 dias)
Uma vez que ainda não obtive qualquer resposta da Google, agradecia que me fizesse um ponto de situação.
Obrigada
********** 

Abstenho-me de comentar/qualificar a atitude dos senhores do Blogger. Deixo isso ao vosso critério.
O apelo que faço é que, se alguém puder, me ajude a ultrapassar este problema, já que, quem de direito o devia fazer – o Blogger (ou a Google) – não o faz.
Desde já fico muito grata.

Voltarei a este espaço no dia 14 de Fevereiro, dia em que a «CASA DA MARIQUINHAS» completa 4 anos

Conto com a vossa presença.

Obrigada!

domingo, 18 de dezembro de 2011

NATAL CHINÊS

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A senhora Tung chegava dois dias antes da consoada. Costumava vê-la logo de manhã, com a irmã jardineira, no pátio maior, a admirar as laranjeiras anãs nos vasos de loiça. Via-a, casualmente, a contemplar, embevecida, o presépio do convento.
Encontrava-a por fim à mesa.
A senhora Tung viajava todos os anos da Formosa para Macau, na época do Natal, a fim de festejar o nascimento de Cristo na companhia da sua primogénita, a irmã Chen-Mou.
Nesses dias, com as meninas em férias, o refeitório do colégio parecia maior e mais desconfortável: só eu e Miss Lu nos sentávamos à mesa comprida das professoras. Daí a presença da senhora Tung, que noutra ocasião passaria talvez despercebida (estirada a sala entre pátios de cimento e plantas verdes) , se tornar nessa altura notável.
Baixa, seca de carnes, de olhos atenciosos, pensativos, a senhora Tung sorria constantemente, falava inglês, gostava de comer, de fumar, de jogar ma-jong. As criadas cortejavam-na nos corredores, preparavam-lhe pratos especiais, levavam-lhe chá ao quarto. Além de ser mãe da subdirectora, tinha fama de rica e distribuía moedas de prata a todo o pessoal na noite de festa.
Nessa noite assistiam três freiras ao nosso jantar (a regra não lhes permitia comer connosco): a directora, a subdirectora e a mestra dos estudos. E muito empertigada, segurando com ambas as mãos um tabuleiro de laca coberto com um pano de seda, a senhora Tung recebia-as à porta do refeitório, entregando cerimoniosamente o presente à filha, que por sua vez o oferecia à directora. Eram bolos de farinha fina de arroz amassada com óleo de sésamo. Toda de vermelho, de sapatos bordados e ganchos de jade no cabelo, a senhora Tung, quando a superiora colocava o tabuleiro dos bolos na mesa, dobrava-se quase até ao chão. Rezava-se, depois. Para lá dos pátios, à porta da cozinha, as criadas espreitavam, curiosas.
Nem no primeiro, nem no segundo, nem no terceiro Natal que passei em Macau, a senhora Tung era cristã, mas todos os anos se nomeava catecúmena. A seguir ao jantar falava-se nisso. A directora, uma francesa de mãos engelhadas que noutros tempos frequentara a Universidade de Pequim, perguntava em chinês formal quando era o baptizado. Inclinando a cabeça para o peito, a senhora Tung balbuciava, indicando a irmã Chen-Mou. A filha... a filha sabia. Talvez se pudesse chamar cristã pelo espírito, mas o coração atraiçoava-a. O coração continuava apegado a antigas devoções... Todavia, vestira-se de gala para a festividade da meia-noite, tinha no quarto o Menino Jesus cercado de flores, e a alma transbordava-lhe de alegria como se cristã verdadeiramente fosse.
Com um sorriso meio complacente meio contrariado, a irmã Chen-Mou desconversava, passando a bandeja dos bolos à superiora, que separava uns tantos para o convento. Os restantes comê-los-iamos nós, ao fim da Missa do Galo, com chocolate quente.
O chocolate era a esperada surpresa da directora. A senhora Tung chamava-lhe, em ar de gracejo, «chá de Paris». No fim das três missas vinham outra vez as três freiras ao refeitório do colégio para trocarem connosco o beijo da paz e nos oferecerem a tigela fumegante do chocolate. Vinham e partiam logo (tarde de mais para se demorarem), e Miss Lu, fanática terceira-franciscana, sempre atenta aos passos das monjas, sorvia à pressa o líquido escaldante, como quem cumprisse um dever, e saía atrás delas.
Ficávamos, assim, a senhora Tung e eu, uma em frente da outra. À luz das velas olorosas do centro de mesa, os seus olhos eram dois riscos tremulantes. Sorríamos. Finalmente, o reposteiro ao fundo da sala apartava-se. Uma das criadas entrava, silenciosa. Servia-se vinho de arroz.
Creio que o vinho de arroz figurava entre as bebidas proibidas no colégio e que chegava ali por portas travessas. O certo, contudo, é que ambas o bebíamos, a acompanhar os bolos de sésamo, no grande e deserto refeitório, na noite de Natal.
O vinho de arroz queimava-me a garganta e fazia-me vir lágrimas aos olhos. Quanto à senhora Tung, saboreava-o devagar, molhando nele o bolo, e, como mal provara o «chá de Paris», bebia dois cálices.
Entretanto, Aldegundes, a criada macaense mais antiga do colégio, aparecia com as especialidades da terra: aluares, fartes e coscorões, dizendo que aluá era o colchão do Minino Jesus, farte almofada, coscorão lençol. E eu traduzia em inglês para a senhora Tung, que achava isto enternecedor e gratificava a velha generosamente.
Quando por fim atravessávamos a cerca a caminho de casa, sob uma lua branca, espantada, anunciadora do Inverno para a madrugada, a senhora Tung abria-se em confidências.
A menina sabia... ― a «menina» era a irmã Chen-Mou, a subdirectora do colégio ―, sabia que ela continuava a venerar a Deusa da Fecundidade. Tratava-se de uma pequena divindade, toda nua e toda de oiro. Fora ela quem lhe dera filhos. Estéril durante sete anos, a senhora Tung recorrera à sua intercessão divina quando o marido já se preparava para receber nova esposa. Não podia portanto deixar de a amar. Toda a felicidade lhe provinha daí, dessa afortunada hora em que a deusa a escutara.
Parava a meio do largo átrio enluarado, de olhar meditabundo, mãos cruzadas no colo. E as palavras saíam-lhe lentas e soltas, como se falasse sozinha.
... E aquele mistério da virgindade de Nossa Senhora! Virgem e mãe ao mesmo tempo... Não se lia no Génesis: «O homem deixará o pai e a mãe para se unir a sua mulher e os dois serão uma só carne?» Não era essa a lei do Senhor? Porquê então a Mãe de Cristo diferente das outras, num mundo de homens e de mulheres onde o Filho havia de vir pregar o amor? A Deusa da Fecundidade, patrona dos lares, operava milagres, sim, mas racionalmente, atraindo a vontade do homem à da sua companheira e exaltando essa atracção. Como o Céu alagando a Terra na estação própria.
Retomávamos a marcha em direcção aos nossos aposentos. Difícil para mim responder às dúvidas da senhora Tung, nem ela parecia esperar resposta. Mudava, rápida, de assunto, aludindo ao tempo, à viagem de regresso, às saborosas guloseimas da criada macaísta.
Já em casa, convidava-me a ir ver o seu presépio. O quarto cheirava fortemente a incenso. Em cima da cómoda, entre flores, lá estava o Menino Jesus, de cabaia de seda encarnada, sapatinhos de veludo preto, feições chinesas.
Depois, timidamente, a senhora Tung abria a gaveta... e surgia a deusa.
O Menino Jesus era de marfim. A Deusa da Fecundidade era de oiro. O Menino, de pé, de um palmo de altura, trajando ricamente. A deusa, sentada, pequenina, nua.
Os olhos da senhora Tung atentavam nos meus, como se à procura de compreensão, mas as suas palavras prontas (a deter as minhas?) eram de autocensura. Não, não devia fazer aquilo. A filha asseverara que o Menino Jesus entristecia, em cima da cómoda, por causa da deusa, na gaveta. E quem sabia mais do que a filha ?
Eu já sentia frio, apesar da aguardente de arroz. O Inverno, ali, chegava de repente. A senhora Tung, no entanto, tinha as mãos quentes e as faces afogueadas.
Despedíamo-nos. Eu sempre me apetecia dizer-lhe que estivesse sossegada, que de certeza o Menino Jesus não havia de se entristecer, em cima da cómoda, por causa da deusa, na gaveta. Mas nunca lho disse nos três anos que passei o Natal com ela. Palpitava-me que a senhora Tung se enervava com o assunto. E que, de qualquer jeito, não me acreditaria. 

Maria Ondina Braga, A China Fica ao Lado,
Lisboa, Panorama, 1968

Maria Ondina Braga


MARIA ONDINA BRAGA

Maria Ondina Braga nasceu em 1932, em Braga. Deixou esta cidade nos anos 50. Em Paris, cursou a Alliance Française e em Londres a Royal Society of Arts. Viajou, aprendeu e ensinou. Foi professora do ensino secundário em Luanda, Goa e Macau, desenvolvendo também actividade no domínio da tradução. De todas estas viagens resultaram páginas de escrita onde se combinam memória, conto, novela, romance e crónica, sem nunca esquecer as raízes minhotas.
É autora de vários contos, novelas e romances.



BOAS FESTAS,  FELIZ NATAL

domingo, 27 de novembro de 2011

NÃO SE TRATA DE UM «ADEUS»

"AMIGOS NÃO SE DESPEDEM, MARCAM UM NOVO ENCONTRO"

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No domingo passado informei que aquele meu post seria o penúltimo desta temporada. Na sequência disso direi que esta é a última postagem, por agora.
Há um ano atrás - com a convicção de que, neste momento, a promessa estaria cumprida – prometi que escreveria o meu segundo livro. Não gosto nada de faltar a promessas, mas desta vez faltei mesmo!
Vou, portanto, tentar dar a volta, e dedicar-me à sua feitura. Trata-se, como algumas pessoas sabem, das minhas memórias de África. Ficam, desde já, todos convidados para o lançamento :) que espero ocorra no ano de 2012.
A minha «CASA» vai ficar entreaberta… para receber quem quiser visitar-me. Prometo que retribuirei todas as visitas recebidas. Além disso, quando me sobrar um tempinho, visitarei os blogs amigos e… publicarei um ou outro post, só para não me esquecer de como se faz… :)
**********
A toda(o)s que, gentilmente, me desejaram melhoras, dedico estes versos, com uma recomendação:
- Mesmo quando estiver doente procure ser bem disposto – ajuda a afastar a doença.

MALDITA VIROSE

Um espirro, outro espirro
E um ataque de tosse.
Será gripe? Nada disso!
Trata-se de uma virose.

Ai, eu! Estava tão bem quando isto me deu!

Os vírus, como se sabe
São bichinhos odiosos
Põem-nos pingo no nariz
E os olhos lacrimosos.

Ai, eu! Estava tão bem quando isto me deu!

Curta é a sua vida
Mas vivem intensamente
Renovam-se em menos de um “ai”
E chateiam solenemente.

Ai, eu! Estava tão bem quando isto me deu!

Mas isto é que é um inferno!
A culpa é do Inverno.
Primavera! Vem depressa!

Para despedida, pondo os olhos no passado com projecção para o futuro… deixo-vos dois vídeos do lançamento do meu livro «LUZ AO ENTARDECER». O original tem cerca de 60 minutos, o que o torna impublicável… “Cortei” o máximo possível, mas mesmo assim tive que o dividir em duas partes.
Se não tiverem paciência para ver tudo… vão saltando… de nenúfar em nenúfar :)

LANÇAMENTO DO LIVRO LUZ AO ENTARDECER






"AMIGOS NÃO SE DESPEDEM, MARCAM UM NOVO ENCONTRO"

domingo, 20 de novembro de 2011

REENCONTRO

Como não tenho passado muito bem de saúde, e ainda não me encontro completamente bem, não tive disposição para compor um post e publicá-lo hoje.
Mas como não quero faltar com a que poderá ser a penúltima postagem (desta temporada), resolvi fazer a reposição de um poema que escrevi há dois ou três anos, e publiquei no meu blog «Olhai os Lírios do Macuá»
´Maispa Luz’ é o pseudónimo que uso para os versos que (sem quaisquer pretensões) escrevo de vez em quando.
Conto com a vossa compreensão.

REENCONTRO

(FOTO MINHA)

REENCONTRO

De repente surgiu o desejo,
de fazer-te um poema.
Dizer-te, por palavras,
Neste nosso reencontro,
O que um simples olhar
Não teria força para expressar.

Quisera, haver em mim, beleza
Para te dar.
Mas a imagem, pelo espelho reflectida,
Mostra que o tempo passou
E não parou.
E como passou!

Para este nosso reencontro
Insinuaste um sinal,
Temendo estragos que o tempo possa ter feito.
“Talvez de flor ao peito”…
Gracejaste, recordando tempos idos,
em que fingíamos ser desconhecidos.

Havia ironia na tua voz,
Brincavas.

Ironia maior a do destino:
Nas marcas deixadas pelo tempo,
Não sobrou espaço para o esquecimento.

Maispa
Luz




domingo, 13 de novembro de 2011

BALADA DAS MÃOS


Ligue o som e acompanhe Moacyr Franco neste belo poema de sua autoria

BALADA DAS MÃOS


Se os teus olhos faltarem um instante da vida
Se o coração vacilar, retardando a batida,
Se o teu corpo cansado, curvasse vencido
Na estrada comprida,
Na batalha perdida.
Tuas mãos,
Só, tuas mãos,
Gêmeas no riso e na dor,
Manterão, sempre acesa a luz,
Votiva do amor.
Mãos que se juntam na prece,
Num momento supremo,
Quando no altar duas vidas se juntam também,
Mãos que abençoam o filho
Que parte talvez, para sempre,
E depois vão tecer um casaco de lã,
Para o neto que vem,

Mãos que dão lenitivo,
Aos que foram vencidos na vida,
Mãos que nunca recusam,
Num gesto o perdão.
Mãos que arrancam das cordas,
De um violino nervoso e agitado,
A música divina
Que torna todos os homens irmãos.
Mãos que após o silêncio que cai
Sobre a vida que cai
Juntam o silêncio àquelas que um dia também foram mãos.
Também foram mãos.
Também foram mãos.

Moacyr Franco



Moacyr de Oliveira Franco (Ituiutaba, 5 de outubro de 1936) é um actor, cantor, compositor e humorista brasileiro.
Começou sua carreira nos anos 60. Sofreu um sério acidente automobilístico na década de 70, o que lhe prejudicou a carreira. Depois do sucesso que vivera na primeira metade da década de 70, nunca recuperou a imensa popularidade que tinha.

Desde então lançou vários discos, além de trabalhar nas principais emissoras do país apresentando, produzindo, escrevendo e actuando em diversos programas. Continua a seguir paralelamente a carreira de cantor, apresentando-se por todo o Brasil.


domingo, 6 de novembro de 2011

LENDA DO OÁSIS DE HUACACHINA



Há, no Peru, um local chamado oásis de Huacachina.
Trata-se de uma região formada por dunas de areia branca, tendo ao centro um belo lago verde, cercado de árvores.
Como em muitos outros sítios naquele país, existe um certo misticismo a respeito deste local.
São muitas as lendas a ele  associadas.
Dentre várias escolhi uma história de amor muito antiga, passada em tempos pré-hispânicos, que conta a vida de uma donzela que, com suas lágrimas, terá formado o lago do oásis.

A Lenda do Amor Perdido
Vivia em Cacaraca, centro indígena de alguma importância, uma donzela de olhos verdes, cabelos negros como azeviche, curvas sensuais como as vasilhas do Templo do Sol de Corikancha (Cuzco - um dos recantos mais sagrados para os incas).
Próximo, em Pariña Chica, vivia Ajall Kriña, jovem de olhar duro e forte, em combate, parecendo o bastão que se ergue na mão do guerreiro ou polida flexa em arco estendido; mas de olhar doce quando em paz, na sua terra, com um riso que fazia lembrar nota de música antiga, lançada por fatigado guerreiro, que regressa após prolongada ausência.
Ajall Kriña enamorou-se perdidamente pela jovem princesa do “pueblo”, de formas arredondadas de virgem.
Um dia, quando a jovem levava na ilharga o cântaro da água pura, a sua alma, apagada e muda até então, abriu a jaula e deixou cantar o seu coração, como uma cotovia:

Mi corazón en tu pecho cómo permitieras;
aunque penda de un abismo,muy hondo,
muy hondo o estrecho
de modo que tú me quieras
como tu corazón mismo.

A princesa Huacachina, a das lágrimas eternas, assim chamada porque desde que os seus olhos se abriram para a vida não fizeram senão chorar, não tardou em corresponder ao carinho profundo, fervoroso e intenso do feliz varão dos olhos mutantes -  de dureza ou doçura, de aço ou de mel.
Todas as manhãs e todas as tardes, nos cálidos ocasos ou nas rosadas auroras, Huacachina, cujas lágrimas parecia haverem secado para sempre, entregava a Ajall Kriña os carinhos do seu coração, as joias da sua ternura, o calor da sual alma pura e simples.
Mas a felicidade, que sempre julgamos eterna, voou como Zéfiro fugitivo que se some por entre as folhas das árvores.
Ordens de Cuzco dispunham que todos os jovens se apresentassem para sair imediatamente a combater a sublevação de um longíncuo “pueblo” beligerante.
Ajall Kriña, com a alma dilacerada, despediu-se da sua jovem feiticeira.
Ela jurou-lhe amor, carinho e fidelidade. Ele, feliz por sentir que ela não o trairia, e não entregaria o seu coração a nenhum outro, marchou com os outros do seu “pueblo” a caminho do “pueblo” revoltoso, a fim de debelar a rebelião e sufocar o movimento sacrílego contra o ‘Deus-Inca’.
Ajall Kriña, com terríveis feridas abertas, cicatrizes no corpo todo, morre em combate, depois de ter lutado como um leão.
Logo a má notícia chegou a Huacachina.
A bela princesa dos olhos feiticeiros, como louca, desesperada, a coberto das sombras da noite que se aproximava, sem que seus pais se apercebessem, caminhou pelos montes até cair prostrada, abatida, suada.
O pranto que jorrava do manancial inesgotável de seus olhos caía nas areias co

mo panos  de cambraia, e estendiam-se para além da Huega.
As lágrimas rolavam e continuaram rolando muitos minutos, dias, meses… dos seus olhos injectados pela dor.
Quando a fome, a dor, a tristeza e a desventura romperam o frágil ctistal da sua alma e a vida passou veloz, essas abundantes lágrimas, absorvidas pelas areias escaldantes, surgiram à flor da terra, depois de terem saturado as entranhas da terra, que as devolveu por não poder suportar o contágio da imensa dor.
De dia as verdes águas evaporam-se, em pequenas quantidades e sobem até ao céu, como se fossem chamadas pelos deuses para aprender sobre a dor; de noite, quando as sombras e o silêncio empurram a luz e o ruido, a princesa sai, coberta com o manto da sua cabeleira que ondula sobre o seu corpo.
Com esse manto negro, muito negro, mas menos escuro que a sua alma, continua chorando o seu pranto de ausência e tristeza.
Algumas gotas  descobrem-se de manhã, logo ao amanhecer, sobre os raros juncos que às vezes brotam; vêem-se sobre as inúmeras folhas rugosas e notam-se em cada um dos dentes das folhas penteadas da velha alfarrobeira, que estende os seus ramos levantando-se sobre a cama de areia, para pedir aos ceus piedade e consolo destinados à princesa da triste sina, do sonho desfeito, do paraíso perdido

As lágrimas desta mulher, de olhos verdes e cabelo muito negro, foram formando pouco a pouco a lagoa. Diz-se que nas noites de lua nova ainda se podem escutar seus lamentos.


domingo, 30 de outubro de 2011

A DANÇA DAS BRUXAS

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Quando eu era estudante no colégio, interna, ansiava pelas férias para ir para casa dos meus pais. O período mais desejado era o das férias grandes, três longos meses em que não pensava em livros nem cadernos, e o tempo voava entre brincadeiras, passeios de bicicleta, encontros com as amigas de infância…
Nesta altura eu andava pelos onze, doze anos, mas, ainda adorava ouvir contar histórias.
Lá em casa havia uma criada que sabia muitas histórias, que contava com grandes pormenores, e faziam as minhas delícias.
À noite, depois de jantar, quando apanhava os meus pais distraídos a ouvir rádio (naquele tempo ainda não havia televisão…), esgueirava-me para a cozinha onde a criada, a Conceição, se encontrava lavando e arrumando a loiça.
Quando ela me via sorria – já sabia ao que eu ia, e tinha um prazer especial em me contar aquelas histórias rocambolescas, que eu ouvia de olhos arregalados, e às vezes me faziam ter pesadelos, como aquela…

Era uma vez uma bruxa que se casou com um sapateiro que vivia noutra terra. Ele não sabia que ela era bruxa, nem mesmo as suas vizinhas o sabiam.
Alguns dias depois de casados, numa sexta feira de lua cheia, foram deitar-se, como de costume, e pouco depois o homem adormeceu. Sem saber porquê, pouco tempo depois de ter adormecido acordou, com uma sensação estranha. Estendeu o braço e verificou que o lugar ao seu lado estava vazio.
Intrigado e até certo ponto preocupado, receando que a sua mulher estivesse passando mal, levantou-se e foi procurá-la. Mas não a encontrou em nenhum canto da casa. E pensou:
- Onde é que aquela mulher foi a uma hora destas?
Sem encontrar resposta, meteu-se na cama mas manteve-se acordado. Nem conseguia dormir a pensar onde é que sua mulher podia ter ido. A certa altura saiu da cama e sentou-se no escuro, para a surpreender quando ela chegasse.
Pela madrugada ouviu um ligeiro ruído na cozinha, e, assombrado, viu a sua mulher desmontar da vassoura e colocá-la no seu lugar. Meteu-se precipitadamente na cama.
A mulher veio pé ante pé, e, fazendo os gestos mínimos para não o acordar, deitou-se. O marido, que fingia dormir, manteve-se quieto até à hora de se levantar.
No dia seguinte esperou que a mulher lhe explicasse o que andara a fazer; mas ela manteve silêncio em relação à noite anterior. E ele não fez perguntas. Mas passou a estar atento todas as noites.
Na noite de lua cheia seguinte, depois de se deitarem, rapidamente o marido fingiu dormir. Com todas as cautelas a mulher levantou-se, no que foi de imediato seguida pelo marido, no maior silêncio, e às escuras. Só na cozinha a mulher acendeu uma pequena lamparina.
Escondido, o homem viu a mulher pegar numa vassoura, montá-la, e dizer:
- Por cima da folha vai! – e logo de seguida subir pela chaminé e desaparecer dos seus olhos.
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Sem pensar duas vezes o homem agarrou noutra vassoura, pôs-se em cima dela, e pronunciou, com convicção:
- Por cima da folha vai – e imediatamente foi arrebatado pelos ares.
Sobrevoou árvores e arbustos até que acabou por “aterrar” numa clareira dum denso pinhal. Escondendo-se atrás dum pinheiro, ficou boquiaberto com a cena que se desenrolava ante os seus olhos:
Numa cadeira semelhante a um trono encontrava-se o diabo, com uns pequenos “cornichos”, e um manto vermelho sobre um fato de malha preto. À sua volta pequenos diabinhos tocavam uma música infernal, e em frente, na clareira, cerca de vinte ou trinta bruxas dançavam com um entusiasmo diabólico.
A certa altura o diabo levantou-se do seu trono e colocou-se no centro da roda de dança. Baixando as calças e inclinando-se para a frente, pôs o rabo à mostra.
As bruxas, uma a uma, sem perderem o ritmo da dança, iam passando junto ao diabo e, inclinando-se, davam-lhe um beijo no rabo.
O homem, por ser sapateiro, andava sempre com uma sovela no bolso. Ao ver aquele espectáculo ficou indignado, e resolveu vingar-se.
Introduziu-se na roda de dança e, quando chegou a sua vez, retirou a sovela do bolso e espetou-a no rabo do diabo. Este deu um salto, e gritou:
- Arre, que esta tem as barbas rijas!"
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Esta era uma das muitas histórias, sempre de bruxas, que a Conceição me contava.

Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay




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