segunda-feira, 31 de março de 2014

MOMENTO DE POESIA - Se

SE…

 Se esse olhar  fosse p’ra mim
Se fosse meu o teu amor
Eu te juro, ajoelhada,
Por meu Deus, seja onde for,
Que seria tua escrava
Se fosse meu o teu amor.

Se tu quisesses ouvir
O que diz meu coração
Eu garanto que daria
Só a ti a minha mão
Mandando, então, repetir
O que diz meu coração.

Se teu olhar me falasse
Se fosse meu o teu beijo
Se me desses teu carinho
P’ra matar o meu desejo
Eu te dava o meu amor
Se fosse meu o teu beijo

Se fosse meu o teu sorriso
Se me desses teu amor
Eu seria tão feliz
Tão feliz e sem temor...
Estaria no paraíso
Se me desses teu amor

Ah! Se um dia compreendesses


Tudo que eu sinto por ti

Dar-me-ias teu amor.
Verias que pressenti
Que, um dia, entenderias
Tudo o que sinto por ti.
Mariazita
2014, Março 


sexta-feira, 14 de março de 2014

MAIS UMA DATA COMEMORATIVA

DIA DO PAI
(Comemorado em Portugal no dia 19 de Março)

(Esta composição fotográfica é uma homenagem que presto a meu Pai, que partiu há muitos anos, mas de quem me lembro todos os dias.
Obrigada, papá, a ti devo a vida.)

Sei que há muitas (pelo menos bastantes…) pessoas que não concordam com os “Dias de…”.
Mas eles existem, é um facto. E os motivos que deram azo a que fossem criados não podem considerar-se frívolos ou insignificantes.
Se, por um lado, há dias que apenas têm como função homenagear ou fazer lembrar determinadas profissões e/ou artes -  Dia mundial da poesia (21/03), Dia mundial do teatro (27/03),  Dia mundial do professor (05/10), Dia mundial de… doenças várias – osteoporose, psoríase, da gaguez, dos diabetes… dias de tudo! – sem que tenha ocorrido qualquer facto que justifique a sua existência…
por outro lado há “Dias de…” que têm por base acontecimentos marcantes, que ficaram registados na História da humanidade.
As pessoas cuja formação foi feita em ambiente oficialmente católico, certamente recordam que a informação que nos era transmitida era a de que o Dia do Pai homenageava, essencialmente, o Pai de Jesus – S. José.
Com o decorrer dos tempos, e o cariz comercial que “explodiu”, relativamente a esta e todas as outras homenagens, fez decrescer a atenção dada ao santo, ao mesmo tempo que se dava mais ênfase à figura paternal.
E se, hoje em dia, há uma corrida às lojas para comprar um presente para o “Pai”, no início do século passado as coisas não eram bem assim.
Não há testemunhos perfeitamente fiáveis relativamente ao que terá originado o aparecimento do Dia do Pai.
Contudo, a versão que parece mais digna de crédito, é a que conta que, em 1909, em Washington, USA, Sonora Louise, filha dum veterano da guerra civil, John Bruce Dodd, ao ouvir um sermão dedicado às Mães, teve a ideia de celebrar o Dia do Pai.
A sua mãe falecera ao dar à luz o sexto filho, em 1898.
O seu pai teve que criar o recém-nascido, assim como os outros cinco filhos, sozinho.
Já adulta, Sonora sentia um grande orgulho no Pai ao vê-lo superar todas as dificuldades, sem a ajuda de ninguém.
Em 1910 Sonora dirigiu uma petição à Associação Ministerial de Spokane, cidade localizada em Washington, USA. Pediu também auxílio a uma Entidade de Jovens Cristãos da cidade.
O primeiro “Dia do Pai” na América foi comemorado em 19 de Junho daquele ano (1910), aniversário do Pai de Sonora.
Como símbolo foi escolhida a rosa, sendo que as vermelhas eram oferecidas aos Pais vivos e as brancas dedicadas aos Pais já falecidos.
A partir dessa data a comemoração estendeu-se a todo o estado de Washington, e em 1924 o Presidente apoiou a ideia da criação de um Dia do Pai nacional; mas só em1966 o presidente Lyndon Johnson assinou uma proclamação presidencial declarando o terceiro Domingo de Junho como o Dia do Pai.
Embora comemorado em quase todos os países do mundo, não o é no mesmo dia em todos eles. Cada país tem o seu dia próprio.
Em Portugal e na vizinha Espanha, tal como na Itália, comemora-se a 19 de Março; no Brasil acontece no segundo Domingo de Agosto.
Independentemente do aspecto comercial que sempre se dá a esta, como a qualquer outra comemoração, é uma data que merece ser muito festejada – por quem tem Pai ainda vivo – nem que seja para dizer um simples “Obrigado Pai”.
Àqueles cujos Pais já fizeram a grande viagem, que é o meu caso, aconselho um momento de recolhimento.
Em pensamento diga também “Obrigada(o) , Pai”!
Lá, onde se encontra, o seu Pai vai ouvir o seu pensamento, e  sentir-se-á muito feliz.


E agora convido-vos a ver e ouvir este vídeo em que Alejandro Fernandez dedica a seu Pai, Vicente Fernandez, cantor e actor mexicano, considerado o expoente máximo da música rancheira, a canção “MI QUERIDO VIEJO”.

Esta linda canção foi composta por Vicente Fernandez, para o seu próprio Pai, avô de Alejandro.

 
)

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

MOMENTO DE POESIA - Da Mulher


DIA INTERNACIONAL DA MULHER
 (Head of Woman-Pablo Picasso
Princeton University - New Jersey, USA)


DA MULHER


 Ó avô

- Será verdade o que da Mulher se diz?

- Que queres saber, meu petiz?

- Dizem que em era passada

A Mulher foi maltratada, desprezada,

Humilhada,

E até violentada…

- É verdade, sim, meu neto.

- Mas porquê? Isso não parece certo…

- És ainda muito novo, para entenderes o povo.

- Podes-me contar, avô, como tudo começou?

- Escuta com atenção. Vou tentar contar-te, então.

Defendem alguns, com grande convicção,

Que nos primórdios do mundo

A Mulher iniciou a Criação.

Nasceu um culto à Deusa Mãe, venerando Gaia,

A Mãe Terra.

Como da Mulher nasciam filhos,

 dela nascia vida, calor, água e pão.

- Isso é tão bonito, avô! Mas porque é que se alterou?

- Há várias opiniões. Dizem que houve invasões,

de homens indo-europeus, só ódio nos corações.

Altos, fortes, audazes, com armas

e dominando cavalos,

destroçaram pacíficas civilizações.

Impuseram seus deuses guerreiros, ferozes:

Deus da tempestade, com o raio e o trovão,

O deus solar, Deus Sol, com a adaga e a espada,

Transportando-se num carro, numa ou noutra ocasião.

A Deusa foi dominada, pelos deuses suplantada,

E a Mulher escravizada.

- Mas isso aconteceu há muito tempo, avô…

- Sim, há muitos milhares de anos.

Mas a história ainda não acabou.

- Ainda há mais, avô? Conta, conta, por favor…

- Ouve, então, com atenção, esta outra versão:

Reza história muito antiga

Que Eva, a Mulher primeira,

Veio ao mundo para gerar

no seu ventre,

e à luz dar, acarinhar, amar…

E após tanta canseira

por seu filho a vida dar.

- Mas tudo isso, avô, é mui digno de louvor.

Porquê, então, o rancor

Que o homem mostra sentir,

e o levou a infligir

tanta dor?

- Para isso, querido neto, o avô não tem resposta.

Uns dizem que foi castigo, só porque Eva pecou

 e o Adão arrastou.

Outros dizem que é sina, que à Mulher foi imposta.

Mas com o passar do tempo tudo se modificou.

- Hoje tudo está diferente, não é verdade, avô?

A Mulher tem liberdade, pode dispor de si mesma,

Sem ao homem consultar e sem dele depender…

- Nem tudo foi corrigido, ainda há muito a fazer.

Há mulheres escravizadas,

maltratadas, torturadas,

e isso tem que acabar.

Para o mundo melhorar, e a injustiça terminar,

O Homem tem que entender:

Com toda a tecnologia e avanço da ciência,

fertilizando ou clonando,

com a maior sapiência,

é da Mulher que o Homem

continuará a nascer.

 Deus, que é Deus, para humano se tornar

 e o mundo tentar salvar,

o corpo da Mulher teve que usar.


Mariazita



Fevereiro, 2014
 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

HOJE FAÇO SEIS ANOS

HOJE FAÇO SEIS ANOS




Completar mais um ano de vida

Só agrada em duas situações:

- Quando se é criança e se anseia ser adulto;

- Ou, “entradote”, em tumulto,
  três centenas de dias se somam,
  aumentando as ilusões.

  

Num caso e noutro a euforia se entende:

O “entradote” pensa, com ternura: coitado! É imaturo.

A criança ignora o que a espera, não vê nuvens no futuro.

 
Fazer seis anos é, pois, grande alegria

Quando nos portámos mais ou menos bem.
Vêem os amigos, e com ousadia
Trazem copos, e vinho, sem esquecer a malvasia,
(Parece até uma romaria...
Não admira, quando chegam mais de cem…)

Com teimosia de mula vim desbravando o caminho;
e foi graças ao carinho
de todos vós, em conjunto,
(alguém traz algum presunto?
- só p’ra acompanhar o vinho,
e não se fala mais no assunto)
 
 (1ª.fase do presunto – Figueira da Foz, Novembro, 1962)
 
(Presunto pronto a usar -Harrods – Londres, Agosto, 1999)
 
… e foi graças ao carinho de todos vós
que aqui cheguei e até hoje fiquei.
Até quando mais? Não sei.

Para não fazer futurologia
Apreciemos, apenas, este dia.
E para vos presentear,
(com a crise não há bolo… para festejar)
Uma história vou contar,
Para vos por a pensar…
 
“Uma jovem senhora um dia apanhou um táxi para dirigir-se ao aeroporto.
Seguiam pela faixa devida, quando, de repente, um carro, que estava estacionado, se atravessou à frente do táxi, causando um tremendo susto.
O motorista travou a fundo, evitando, por um triz, um mais que certo acidente.
Como se estivesse cheio de razão, o condutor do outro carro sacudiu a cabeça e começou a gritar impropérios.
O motorista do táxi apenas sorriu e acenou amigavelmente.
A jovem senhora, deveras espantada, perguntou:
- Como é que o senhor consegue sorrir para esse condutor que quase arruinou o seu carro e por pouco não nos mandou para o hospital?
O motorista sorriu e perguntou;
- A senhora conhece a “Lei do Camião do Lixo”?
- Não.
Ele, então, explicou que muitas pessoas são como camiões de lixo, andam para aí carregadas de lixo, cheias de frustrações, de raiva, traumas e desapontamentos.
À medida que as suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar, e, às vezes, descarregam sobre nós.
Nunca tome isso como ataque pessoal. Apenas sorria, acene, deseje-lhes o bem, e vá em frente.
Fique tranquilo… respire E DEIXE O LIXEIRO PASSAR.
 
A vida é dez por cento o que você faz dela e noventa por cento a maneira como você a recebe.”

Do mesmo modo, este “menino” que hoje completa seis anos, é dez por cento o que a autora fez dele… e noventa por cento o estímulo que recebeu de todos que o visitam.
OBRIGADA A TODOS!
 
 PERMITAM-ME QUE, PUBLICAMENTE, AGRADEÇA A QUANTOS ME ACOMPANHARAM AO LONGO DESTES 1.827 DIAS, QUER COMO VISITANTES, QUER COMO COMENTADORES.
BEM HAJAM!
MUCHAS GRACIAS!



 A minha querida amiga GRACITA   presenteou-me com este lindo selinho.
Muito obrigada!

 
Olá amiga Mariazita
Vim parabenizá-la pelo  niver do seu lindo blog que hoje completa 06 anos de muito sucesso nesta linda blogosfera. Aproveito a oportunidade para desejar-lhe muitos êxitos e felicidades.
Um singelo mimo para coroar esta célebre data.
Parabéns minha querida!
Beijos e um maravilhoso final de semana
 

A minha querida amiga ROSINHA presenteou-me com este lindo selinho.
Muito obrigada!
 
Minha querida Mariazita
Fiz esta lembrança para comemorar os seis anos do teu blogue, não está muito boa, mas foi feito com muito carinho.
Um beijinho
Rosa
A minha querida amiga Evanir presenteou-me com este lindo selinho.
Muito obrigada!
 
Desejo toda felicidade  para si minha amada amiga.
Beijos ,
Evanir.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

INTERLÚDIO PARA A ILUSÃO

INTERLÚDIO PARA A ILUSÃO
(Mini conto ficcionado)

Completamente desconhecidos, cruzaram-se na rua.
Uma força irresistível obrigou-os a olharem-se.
Nesse momento SOUBERAM que algum dia, em qualquer lugar do Universo, os seus destinos iriam, também, cruzar-se.
Quando a cena voltou a repetir-se, Marcel resolveu segui-la. Daí a obter o seu número de telefone foi um salto de pardal.
Sozinha, fragilizada e carente, sentindo o peso da solidão como chumbo sobre os ombros, Marina aceitou de bom grado falar com aquele desconhecido que passou a preencher os vazios enormes que surgiam ao longo do seu dia.
Com a sua voz calma e agradável ele ia-se-lhe desvendando; ela ouvia-o atentamente, correspondendo à sua abertura, falando-lhe de si, expondo-lhe a sua maneira de ser, a formação que recebera na juventude (uma educação bastante severa, “à antiga”). Aos poucos iam-se conhecendo mutuamente.
Bem depressa Marina se apercebeu de que os seus universos eram muito diferentes. Os interesses em comum não eram muitos, mas a atracção que sentiam derrubava todas as barreiras. Havia sempre pretexto para amiudadas e demoradas conversas.
Como num filme em que os fotogramas se descontrolam e deslizam em grande velocidade, assim os acontecimentos se precipitaram.
O desejo de se encontrarem crescia a cada dia.
Apenas se haviam visto duas vezes na rua, de relance, e as longas conversas telefónicas começavam a revelar-se insuficientes. Precisavam ver-se, estar juntos, dar vazão àquele sentimento que não sabiam bem definir, mas se tornava tão forte que os subjugava.
Combinado o encontro, viveram, enfim, um amor estonteante, abrasador, que lhes parecia não ter fim.
Embrenhados na serra, ouvindo o som nostálgico do fado, ou percorrendo as ruas da cidade, experimentando sensações únicas, sentiam-se senhores do mundo.
Marina permitiu-se novos jogos de amor que nunca experimentara antes.
Inicialmente com muita relutância, - era tudo novo para ela, e o seu pudor natural inibia-a bastante – acabou por render-se aos apelos de Marcel, e entregar-se totalmente aos seus anseios.


Foram apenas uns poucos dias, não se podiam permitir mais tempo. A vida impunha-lhes deveres que tinham passado para segundo plano mas que, inexoravelmente, os chamavam à razão.
Voltaram a encontrar-se, mas algo se quebrara. As conversas telefónicas passaram a ser cada vez menos frequentes. Marina ainda sentia um frémito percorrer-lhe a pele quando ouvia a voz de Marcell. E pensava:
- É a voz! Sim, a voz dele ainda me perturba, mas perdeu quase todo o encanto. A ansiedade com que eu esperava o toque do telefone, esvaiu-se. Sinto-me, de novo, tão calma!
Encontraram-se uma vez mais. SOUBERAM que seria a última vez.

Acordaram para a realidade.
Olharam-se, desiludidos, com infinita tristeza.
Afinal, tudo não passara de um sonho.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

MENSAGEM DE FIM DE ANO

MENSAGEM DE FIM DE ANO
 
 
(Foto gentilmente cedida por MANUEL LUIS)
 
Apesar de me encontrar ausente do meu local habitual, não vos esqueço.
Por isso programei esta pequena mensagem para ser publicada no dia 30 de Dezembro, com o intuito de vos desejar óptimas entradas no Novo Ano.
Expresso, assim, os meus votos para todos vós, para o próximo ano – 2014:
- Tanta sorte como gotas tem a chuva.
- Tanto amor como raios tem o sol .
- Tanta felicidade como estrelas tem o céu.
E ainda…que nunca vos falte:
- Um sonho por que lutar,
- Um projecto para realizar,
- Um lugar aonde ir,
- Algo que aprender, e
- Alguém a quem querer.

Nesta minha última postagem deste ano deixo-vos
UM GRANDE SORRISO
E, já que “a riqueza de um ser humano se mede pela quantidade e qualidade dos amigos que tem”…
MUITO OBRIGADA POR VOCÊS SEREM PARTE DA MINHA FORTUNA.

Como “presente de fim de ano” espero que apreciem este “mantra”, cantado em sânscrito (língua antiga utilizada na Índia), um hino para a Paz, e cujo significado é “que o amor, a paz, a abundância, harmonia e saúde estejam sempre presentes”

“This video is a Hindu prayer and wish to universal love, peace, prosperity and harmony for everyone irrespective of religion and location.” - Shravan K Manyam
 

 
A toda(o)s que me acompanharam ao longo deste ano que estás prestes a terminar, agradeço a amizade, o carinho, a atenção… enfim, tudo que me dispensaram.
MUITO OBRIGADA!

sábado, 14 de dezembro de 2013

LENDA DO CHORO DA GUITARRA PORTUGUESA

                         (Meus verdes 15 anos… até cantava o Fado, e bem, segundo dizem)

Diz-se que a guitarra portuguesa é o instrumento que mais se aproxima do sentimento lusitano do povo português.
O seu timbre é de tal modo inconfundível e carregado de simbolismo que qualquer português o reconhece, esteja onde estiver.
Com origem na Idade Média, começou por frequentar os salões da alta burguesia, acabando por “cair” nas mãos do povo. Hoje é associada, inevitavelmente, ao Fado.
“A guitarra portuguesa significa o choro do Fado, a expressão da alma…”
Destino, fado e saudade são palavras que, naturalmente, se relacionam com o trinado da guitarra portuguesa, que lembra uma criança que chora ou uma mulher que suspira.
Faz-se ouvir, mas não se impõe.
O som único do trinado da guitarra portuguesa faz lembrar o choro, a mágoa e a tristeza, a que muitos atribuem um significado especial – um castigo infligido pelo Deus Menino.
Ora veja:

O PASSEIO DA VIRGEM MARIA


 No início de uma noite doce e calma, com o luar iluminando o caminho, resolveu a Virgem Maria dar um passeio.
Com o Menino Jesus pela mão, caminhando sem destino, seus passos a levaram em direcção à Mouraria.
Ao ouvir um som plangente Nossa Senhora parou, e comovida ficou.
Uma guitarra trinava tão amargo padecer que a Virgem, emocionada, chorou.
Como pérolas, as lágrimas rolaram pela sua bela face.
Ao ver assim torturado o rosto que tanto amava, Jesus, amargurado, com voz dorida, perguntou à guitarra a razão por que chorava.
A guitarra não soube explicar o motivo do seu penar, e Jesus ficou muito zangado.
Voltando-se para Maria, exclamou:
- Não gosto da Mouraria! Chorar assim é pecado.
E dirigindo-se à guitarra, continuou:
- Magoaste a minha Mãe! Pois, por castigo, hás-de chorar também pelo resto da tua vida!

E assim a guitarra portuguesa ficou condenada a chorar por toda a eternidade.
Esta é a razão do “choro da guitarra portuguesa”.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

SAUDOSA ÁFRICA DISTANTE

SAUDOSA ÁFRICA DISTANTE

Hoje vou partilhar convosco um resumo de excertos do livro que estou (continuo…) a escrever.

Tinha pensado publicá-lo no próximo mês. Desisti da ideia, preferindo fazê-lo hoje. Dezembro é uma época em que as recordações se tornam mais presentes e sentidas. E o trecho que vou mostrar-vos passa-se no Natal…

APROXIMA-SE O NATAL / DO NATAL AO ANO NOVO
 
(Encontramo-nos em Moçambique).
… Não há ainda data prevista para o regresso dos maridos… (foram para o Norte, para a zona de intervenção).
As saudades são cada vez maiores e, com a aproximação da época natalícia, sentimos ainda mais a sua ausência.
Os dias vão passando, e falta apenas uma semana para o Natal.

Fala-se, à boca pequena, que as tropas não virão para baixo antes dessa data.
E, repentinamente, surge a notícia:
“O comandante… resolveu disponibilizar um avião militar para transportar as famílias que quiserem ir passar o Natal ao Norte”.
... Todas as mulheres se apressaram a inscrever-se, assim como aos respectivos filhos. Resultado: um avião não chegaria para o transporte de tantas pessoas… havia que arranjar outra solução, que surgiu de maneira airosa mas pouco satisfatória:
“As crianças não poderiam acompanhar as suas mães ao Norte dado que se tratava de uma zona de intervenção e, portanto, pouco segura”… Automaticamente as inscrições baixaram para menos de um terço… restaram apenas aquelas que não tinham filhos, e ainda as poucas que, tendo-os, podiam deixá-los com pessoa de sua inteira confiança.
Eu faço parte destas últimas. A minha irmã encontra-se em férias escolares, na minha casa, e prontifica-se a ficar com as crianças. Aceito, mas de coração dividido – para passar o Natal com o marido não poderei estar junto dos meus filhos. A saudade acaba por falar mais alto, e resolvo ir para junto do marido.
… À chegada a Mocímboa da Praia, local do nosso destino, multiplicam-se os abraços e beijos, entremeados de lágrimas de felicidade. Pode-se, finalmente, dar vazão a tantas saudades reprimidas.
… Depois de jantar vamos fazer planos para o jantar do dia seguinte, 24, noite de Consoada. …
(Na noite de 24)
...Não faltaram os tradicionais doces – rabanadas, sonhos, formigos, etc., etc., etc. acompanhados de vinho do Porto.
Foi um jantar muito agradável, prolongado por alegres conversas, onde, a certa altura, se fez uma pequena pausa para recordar os entes queridos que, que por força das circunstâncias, não estavam presentes. Foi o momento de uma lagrimazita rebelde assomar aos nossos olhos.
… No dia 26 tivemos uma surpresa maravilhosa.
…o comandante regional tinha conseguido uma segunda viagem aérea para as famílias que quisessem ir juntar-se aos maridos, podendo, desta vez, levar as crianças.
A minha irmã prontificou-se a viajar com os meus filhos; assim, embora não tenhamos passado o dia de Natal todos juntos, reunimo-nos dois dias depois, o que foi muito bom…
…Até ao fim do ano os dias sucederam-se quase sem darmos por isso. Passamos lá uma semana inesquecível. Todos os dias eu, a minha irmã e os meninos, íamos à praia, que ficava relativamente perto.

 
… No dia 31 tivemos um jantar “melhorado”…
 
…Depois do café e digestivos as senhoras foram preparar a mesa, com alguns doces, as indispensáveis passas de uva, e as taças para o champanhe. Ficou tudo pronto para festejarmos a passagem do ano.
Subimos então ao primeiro andar e sentámo-nos na varanda, a aguardar a aproximação da meia-noite…
… No meio da conversa começámos a ouvir, ao longe, o ribombar de trovões. Nesta época do ano são muito frequentes as tempestades, nem sempre acompanhadas de chuva.
Alguém comentou:
- Aproxima-se uma grande trovoada.
Mal estas palavras foram pronunciadas apareceu a toda a velocidade um jipe… Imediatamente um soldado saltou do jipe dizendo:
- Meu comandante, precisa vir imediatamente. Temos problemas. …
Na varanda ficaram apenas as mulheres… intrigadas e preocupadas, sem sabermos o que se estava a passar, mas calculando que não seria nada de bom.
Alguns minutos depois começaram a passar jipes, na estrada, em grande velocidade.
… o que pensámos ser trovoada ao longe era, na realidade, o som de tiros, a cerca de 10 quilómetros de distância.
E assim essa passagem de ano foi feita sem os maridos, que se encontravam em combate.
…Continuámos na varanda, conversando para passar o tempo, esperando os maridos que só regressaram de madrugada, felizmente sem baixas.
 
PS - VOU AUSENTAR-ME POR UMA SEMANA, MAS, LOGO QUE REGRESSE, AGRADECEREI TODAS AS VISITAS RECEBIDAS.
ATÉ LÁ, TUDO DE BOM PARA VÓS.
BEIJINHOS

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

JÁ CHEGOU O OUTONO

JÁ CHEGOU O OUTONO
 
 

(Foto minha – USA 2003)

Mal salto da cama, às sete e meia, como habitualmente, sou surpreendida por uma luz fortíssima, que me cega, rapidamente seguida por outras. Penso:
- Mas o que é isto?
- Sou assim tão famosa que, logo que me levanto, os fotógrafos já estão a postos para registarem a   minha imagem? Estarei a sonhar?
- Ora bolas! Tantos flashes e esqueci-me de sorrir…
 
 
Poucos segundos depois ouço um estrondo enorme.
Oh! Afinal é apenas trovoada...
A casa encontra-se imersa numa escuridão quase total.
O céu, carregado de nuvens negras, não permite que a mais leve claridade atravesse os vidros das janelas.
Acendo a luz, encaminho-me para a janela, e olho para o céu, consultando “os astros”.
Não há dúvida – o Outono vestiu a capa do Inverno.
As nuvens, pesadíssimas, despejam litros e litros de água sobre a terra sequiosa.
O vento, forte, arrasta a chuva para longe, fazendo com que as árvores quase varram o chão.
Irão resistir a tal investida? Provavelmente, os ramos mais frágeis vão atapetar o chão…
Parece um dia de Inverno, não fora a temperatura amena que se faz sentir – 18 graus, agora, com previsão para temperatura máxima de 24º.
(27.09.13 das 7,30H às 8,00H)
 
O dia manteve-se sempre de céu “fechado”, o sol não mostrou o seu sorriso e não aqueceu as almas e os corações.
 
Tempo cinzento. Dia tristonho.
Mas o mau tempo vai passar.
Afinal…“Tudo passa!”, não é mesmo?

 
 
A CHUVA

A chuva cai.
Violenta, fustigada pelo vento,
Trazendo consigo as impurezas
Que o Homem,
laboriosamente,
Foi acumulando no infinito azul.
 
Vendo-a, através das vidraças,
Ouvindo o seu cantar feito de lágrimas,
Pergunto-me:
Quem chorará deste modo?
 
Será o céu, em desespero,
Ao ver do Homem a ignomínia,
O mesmo que,
ultrapassadas todas as barreiras,
O desvenda,
Em total desrespeito pela sua intimidade?
 
Não há lágrimas bastantes
Para um desgosto assim…
Só um dilúvio lhe poria fim!
 
Mariazita
(Lisboa, 1997, Abril)
(dentro do carro, no parque do Hospital de Santa Maria, Lisboa,
sob chuva intensa)
 
PS – Entretanto, o Senhor Tempo resolveu brindar-nos com mais alguns dias do simpático Verão, apresentando-nos um céu muito azul, sem nuvens, um sol brilhante, radioso, e temperaturas muito amenas – 26 a 28º.
Enquanto durar… há que aproveitar... :)
10.10.13

Aproximam-se os meses em que só apetece estar em casa, enroscadinhos no sofá, com uma manta pelos joelhos – especialmente para quem o pode fazer em boa companhia.
Apetecia-me dizer “Enjoy it!”, mas, como estou em Portugal, direi:
- Aproveite a vida, e cada momento bom que ela lhe oferece.
Por último, e parafraseando Raul Solnado:
- Façam-me o favor de ser felizes