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domingo, 11 de janeiro de 2009

LEMBRANDO ANOS PASSADOS

No início dos anos é normal e muito vulgar fazer análises dos acontecimentos do ano anterior.
Assim aconteceu em 2008, 2007…e agora, no início de 2009.
Muitos recordaram o pior do ano anterior; outras pessoas preferiram lembrar as coisas boas – louvável e, por certo, edificante.
Eu prefiro lembrar o que foi lembrado o ano passado, ou seja, fazer uma pequena viagem na máquina do tempo.
É assim, nessa fabulosa máquina, que chegamos a Pyongyang, Coreia do Norte, nos anos 80/90 do século passado.

Quem diria que um país tão pequenino que não produz praticamente nada; durante o século XX foi invadido, destroçado, escravizado e incorporado pelo Japão; depois, fortemente bombardeado pelos Estados Unidos, e finalmente dividido em duas partes, cuja parte norte tem vivido sob um regime totalitário de fazer inveja a qualquer outro regime totalitário, e que vive às portas da fome…conseguiria fazer o Japão, a Inglaterra e os Estados Unidos dançar a música que ele toca?

Há quem pense que Kim Jong Il, líder norte coreano, é maluco – afinal, o país tem muito pouco poder de negociação, e está praticamente isolado do mundo.
Depois que Bush colocou a Coreia do Norte na lista dos países que compõem o “eixo do mal”, qualquer líder que não fosse louco tentaria não atrair as atenções da América. Kim Jong Il, pelo contrário, insinuou ter começado o seu programa nuclear, e até mesmo a possibilidade de estar com a bomba atómica a caminho.

Assim se falava em 2003.

Kim Jong Il, nascido a 16 de Fevereiro de 1942, na União Soviética, é o líder da República Popular Democrática da Coreia do Norte.
É presidente da Comissão Nacional de Defesa e secretário-geral do Partido dos Trabalhadores Coreano.


Exerce poderes ditatoriais, e o culto da sua imagem está presente em quase todas as esferas da vida quotidiana norte-coreana.

De tanto o ouvirem repetir, as pessoas são levadas a acreditar que o seu país é o “Paraíso na Terra”.

Quem não se encaixa no ideal de Kim Jong Il daquilo que é um cidadão saudável e vital, não merece viver. Pessoas com deficiência, ou apenas baixas, são consideradas sub-humanas.
Depois destes breves traços sobre o líder da Coreia do Norte, vamos recordar um acontecimento passado nos atrás referidos anos 80/90, precisamente em 1989.

Durante os preparativos para o Festival Mundial da Juventude Kim Jong Il encorajou o país a fazer melhor do que, no ano anterior, fizera a Coreia do Sul, aquando dos Jogos Olímpicos de Verão.
Para o efeito foram tomadas várias medidas, entre as quais a que vou aqui relembrar.

Pionguiangue na actualidade

Pyongyang, (aportuguesado para Pionguiangue), capital da Coreia do Norte, deveria ser purificada de todas as pessoas deficientes.
Seis meses antes do Festival, agentes do governo reuniram todos os deficientes residentes na capital, e enviou-os para aldeias longínquas.
Nesse período, um dia de Maio de 1989, um médico, que preferiu não referir o seu nome, foi incumbido, pelo Partido Comunista, de localizar os indivíduos mais baixos, residentes na capital. Foram postos a circular, pelos representantes locais do Partido, folhetos de propaganda, que informavam que o estado tinha descoberto um medicamento para aumentar a altura das pessoas.
Este medicamente seria fornecido gratuitamente a quem quisesse submeter-se ao novo tratamento.
Só em dois dias juntaram-se milhares de pessoas interessadas.
O médico escolheu os mais baixos, e explicou à multidão que o medicamento fazia mais efeito quando aplicado regularmente, e num ambiente propício.
Os candidatos, sem a mínima suspeita, embarcaram em dois navios, mulheres num, homens noutro, e foram enviados para duas ilhas desertas, com o intuito de que os seus genes “de baixo nível”não se perpetuassem por novas gerações.
Abandonados à sua sorte, sem quaisquer provisões ou alimentos, nenhum deles conseguiu regressar a casa.

Esta história foi lembrada o ano passado, em Agosto ou Setembro de 2008, numa revista de que não recordo o nome. Li-a, em Novembro, numa das longas esperas numa sala (de espera) dum consultório médico. Tomei apontamentos, e agora lembrei-me de a partilhar convosco.

Na altura não pude deixar de fazer a analogia entre Kim Jong Il e Adolf Hitler: um, condenou milhares de pessoas à morte, acenando-lhes com um novo medicamento que os faria crescer;


o outro oferecendo um bocado de sabão antes de entrarem no “banho”, de cujo chuveiro saía, em vez de água, um gás letal.


Reflexão:
Quando é que o Homem vai aprender com os erros cometidos por outro Homem?