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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

MARK O´BRIEN

MARK O´BRIEN
  
 
Vi, há muito pouco tempo, um filme excelente, que retrata a vida do jornalista norte-americano Mark O’Brien.
Mark nasceu em Boston, em 31 de Julho de 1949; quando era ainda pequeno os pais mudaram-se para Sacramento, na Costa Oeste dos Estados Unidos, onde passou a infância.
Aí sofreu um grave ataque de poliomielite, aos 6 anos de idade.
 
A poliomielite é uma doença infecciosa viral, também conhecida por paralisia infantil.
Altamente contagiosa, é, muitas vezes, mortal; quando poupa a vida, deixa sequelas muito graves, normalmente deficiências motoras que atingem sobretudo os membros inferiores, podendo, contudo, provocar tetraplegia.
 
Assim aconteceu com Mark O’Brien, que se viu confinado, por toda a vida, a um pulmão de aço, do qual se podia libertar apenas algumas horas por dia. Para isso fazia-se acompanhar de um aparelho respiratório portátil.
Com uma força interior enorme, o seu estado físico não o impediu de se matricular, em 1978, na “University of Califórnia”, em Berkeley, Califórnia.
Vivia num pequeno apartamento no “campus”, fazendo-se transportar, para as aulas, numa maca eléctrica, onde era colocado o aparelho respiratório portátil, que tinha autonomia para, apenas, umas poucas horas.
Em 1982 obteve a sua licenciatura em literatura anglo-saxónica, após o que, e depois de repetidos pedidos, foi admitido na “Escola Superior de Jornalismo” em Berkeley. Este acontecimento abriu um precedente que permitiu a outros candidatos com deficiências graves terem acesso a Universidades Estaduais.
Tornou-se poeta, escritor, e um defensor acérrimo dos direitos dos deficientes.
Em 1979 escreveu um ensaio sobre a “vida independente”, o que levou Sandy Close, editora executiva da «Pacific News Service», a contratá-lo como correspondente.
Inicialmente O’Brien ditava os seus artigos; mais tarde começou a utilizar uma espécie de pau que, metido na boca, servia para pressionar as teclas de uma máquina de escrever eléctrica; finalmente, adquiriu um processador de texto.
Em 1997 co-fundou uma editora dedicada à publicação de poesias escritas por pessoas com deficiência – «Fábrica de limonada».
Escreveu vários poemas, entre eles “Respiração”, e uma autobiografia – «Como me tornei um ser humano: a procura de um homem incapacitado, por Independência».
Mark O’Brien faleceu em Berkeley, em 04 de Julho de 1999, com 50 anos de idade.
 
Sobre a sua vida foram feitos dois filmes:
- “Lições de respiração: A vida e obra de Mark O’Brien” (1997), e
- “6 Sessões” (título em Portugal) – “Sessions” (título original) – este foi o que vi há relativamente pouco tempo.
O filme, para além de retratar a vida real de Mark O’Brien, a sua doença e as dificuldades com que sempre teve que lutar, foca o aspecto da sexualidade que, aos 38 anos, começou a perturbá-lo.
Na qualidade de católico convicto receava que as suas convicções religiosas fossem abaladas se procurasse perder a virgindade.
Decide consultar um amigo padre a quem expõe as suas dúvidas.
Tendo recebido um incentivo favorável, contrata uma terapeuta do sexo – papel brilhantemente interpretado por Helen Hunt.
 

Ben Lewin, o realizador, tem o seu maior triunfo na atuação de John Hawkes,
 
 

que constrói um protagonista muito à base de doçura e vigor.
O realizador retrata o sexo com pureza e sem qualquer espécie de falso moralismo, sem nunca roçar a baixaria.
Cenas de sexo explícito, com nu integral, não chocam minimamente, já que são apresentadas duma forma didáctica e perfeitamente enquadradas na história, e não de forma gratuita.
Considero-o um filme excelente, que aborda questões relevantes, nas quais, muitas vezes, nem sequer pensamos.
Se tiver oportunidade, não deixe de ver.
 
 
 
Como vou de férias para fora do país só quando regressar, em princípio de Setembro, poderei retribuir as visitas que me fizerem, e que, antecipadamente, agradeço.

domingo, 14 de julho de 2013

EQUÍVOCOS

Ao fazer uma escolha em papéis, jornais e revistas fora de uso, com o intuito de deitar para o lixo o que já não tem qualquer utilidade, folheei algumas revistas e, entre as coisas a que dei uma vista de olhos, deparou-se-me uma “confissão” duma empresária, cujo nome não vou revelar.
Declara ela, em entrevista, que o maior erro que cometeu foi ter ido visitar um amigo ao hospital, que encontrou em estado lastimável – tivera um acidente de automóvel e estava cheio de ligaduras, não conseguindo falar. Esteve lá bastante tempo, e saiu muito preocupada quanto ao seu estado de saúde, temendo até que o pior pudesse acontecer.
Só no dia seguinte soube que o seu amigo se encontrava relativamente bem, e tivera alta do hospital no dia anterior. Foi quando percebeu que a pessoa com quem estivera no hospital não era o seu amigo, mas um simples desconhecido.
 
Principalmente por ela ter considerado este episódio como, se não o maior, pelo menos um dos maiores erros da sua vida, veio-me à lembrança uma outra história, que achei maravilhosa, e vou partilhar convosco:
 
  
“A enfermeira, segurando o braço do cansado e ansioso “marine”, conduziu-o para a cabeceira do doente.
- O seu filho está aqui – disse ela para o velho homem. Teve que repetir as mesmas palavras algumas vezes, antes que o doente abrisse os olhos.
Fortemente sedado por causa da dor do seu ataque cardíaco, ele mal viu o jovem uniformizado da Marinha, que se mantinha fora da tenda de oxigénio.
Estendeu a mão; o “marine” envolveu nos seus os dedos inertes do velho, apertando-os numa mensagem de amor e incentivo.
A enfermeira trouxe uma cadeira para que o “marine” pudesse sentar-se ao lado da cama.
Durante toda a noite o jovem fuzileiro naval ficou na enfermaria mal iluminada, segurando a mão do velho e dirigindo-lhe palavras de amor e força.
Algumas vezes a enfermeira sugeriu ao marinheiro que fosse descansar um pouco, mas ele recusou. Alheou-se da enfermeira e dos ruídos nocturnos do hospital – o tilintar do tanque de oxigénio, o riso de alguns funcionários da noite trocando saudações, os gritos e gemidos dos outros pacientes.
De vez em quando a enfermeira ouvia-o dirigir algumas palavras gentis ao doente. O moribundo não disse nada, apenas segurou com força a mão do filho durante toda a noite.
Ao amanhecer o velho morreu.
O “marine” largou a mão agora sem vida e foi avisar a enfermeira.
Enquanto ela tratava do que era necessário ele aguardou. Finalmente ela voltou, e começou a dirigir-lhe palavras de apreço e simpatia. O “marine” interrompeu-a:
- Quem era aquele homem? – perguntou.
A enfermeira assustou-se:
- Ele era o seu pai – respondeu.
- Não, não era – informou o “marine". Eu nunca o tinha visto na minha vida.
- Então… porque é que você não disse nada quando eu o conduzi até ele?
- Eu soube imediatamente que a senhora estava enganada, mas também percebi que ele precisava do seu filho, e o seu filho não estava aqui. Quando eu compreendi que ele estava demasiado doente para saber que eu não era o seu filho, sabendo o quanto ele precisava de mim, eu fiquei.
Eu vim aqui esta noite para encontrar um senhor William Grey. O seu filho foi morto ontem, no Iraque, e eu fui enviado aqui para o informar. Qual era o nome desse cavalheiro que morreu?
A enfermeira, com lágrimas nos olhos, respondeu:
- Sr. William Grey."
 
"Quando alguém precisar de si faça o possível por estar lá".