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domingo, 20 de julho de 2008

A FORÇA DOS NOSSOS PÉS

Nasce um filho!
Pequenino, indefeso, frágil, em completa dependência.
É o orgulho dos pais.
Rodeando-o do maior carinho, ensinam-lhe os primeiros passos, as primeiras palavras, acompanham as primeiras letras.
Em breve começam a arquitectar planos para o seu futuro: o curso que irá seguir, a profissão a exercer, uma família a formar.
Porque os pais querem ter netos, a continuação do seu nome, do seu sangue, da sua raça!
Embalados pelo sonho, nem reparam que o filho cresceu, se fez homem; que tem que viver a sua própria vida que nem sempre corresponde à que os pais idealizaram.

Podemos viver PARA os nossos filhos, mas não podemos viver POR eles.

Veja este exemplo:

Desde o dia em que nasceste, eu criei a ilusão, dentro de mim, de que poderia caminhar por ti.
Imaginei que colocaria os teus pés sobre os meus e te levaria pelos caminhos que eu julgasse mais tranquilos e seguros.
Dessa maneira, tu nunca feririas os teus pés pisando em espinhos ou em cacos de vidro, e jamais te cansarias da caminhada, nem mesmo precisarias decidir qual estrada tomar.
Isso seria eternamente minha responsabilidade.



E foi assim durante um bom tempo - caminhei por ti, para ti.

De repente, o tempo veio avisar-me, bruscamente, que essa deliciosa tarefa não faria mais parte dos meus dias.
Os teus pés cresceram e eu já não conseguia mais equilibrá-los em cima dos meus! Assim, quando eu menos esperava, eles escorregaram e alcançaram o solo.

Hoje sou obrigada a vê-los trilhar caminhos aos quais os meus jamais os levariam; ainda tento detê-los, insistentemente, mas só raríssimas vezes o consigo.

Agora só me é permitido correr com os meus junto aos teus.
E em certos momentos os teus passos são tão largos que quase não posso acompanhá-los.

Actualmente, assisto aos teus tropeços, sempre pronta para levantar-te das tuas quedas.

Por vezes, tu estendes-me as mãos em busca de socorro; outras, mesmo estando estirado no chão e ferido, insistes em levantar-te sozinho, por puro orgulho, ou para me provar que já és capaz de erguer-te depois das quedas, e curar-te das tuas próprias feridas.
Assim vamos vivendo.

Sinto uma saudade imensa daquele tempo em que precisavas de mim para conduzir-te, pois era bem mais fácil suportar o teu peso sobre os meus pés do que sobre o meu coração.
No entanto, já consigo compreender como a vida é sábia.

Percebo, finalmente, que houve um momento em que tu precisaste mesmo desbravar os teus caminhos independente de mim...

Como eu, é provável que tenhas que fazê-lo com mais alguns pés sobre os teus - os dos teus filhos.
Não, claro que não é uma tarefa fácil, mas se eu consegui, tu também conseguirás, porque plantei no teu coração o melhor e mais poderoso aditivo para que suportes tanto peso - o Amor!


Já em meados do século passadoJosé Régio declarava:
- Dizem-me “Vem por aqui”
- Mas eu respondo “Sei que não vou por aí”


João Villaret :: Cântico Negro :: José Régio


quinta-feira, 12 de junho de 2008

OS PAIS ENVELHECEM

No post de Abertura deste blog, em 14 de Fevereiro deste ano, inseri uma pequena parte do texto “Os Pais envelhecem”, com a promessa de que, “brevemente” o publicaria na íntegra.
Como todos sabem, o envelhecimento provoca certas alterações no organismo, as quais podem ser minimizadas, retardadas, mas acabam por acontecer, inevitavelmente.
Uma das capacidades mais afectadas é a memória. Com o passar do tempo verificamos que nos lembramos menos das coisas, esquecendo até, às vezes, compromissos assumidos.
Passaram-se quatro meses, apenas. Acho que envelheci muito neste curto espaço de tempo! Ou terei ficado apenas “menos jovem”???
Seja o que for que aconteceu, a minha memória começa a atraiçoar-me…O prometido texto, na íntegra, ficou no rol do esquecimento.
Penitencio-me, publicando-o hoje, esperando que não seja uma “penitência” para quem o lê!

OS PAIS ENVELHECEM
Talvez a mais rica, forte e profunda experiência da caminhada humana seja a de ter um filho.
Plena de emoções, por vezes angustiante, ser pai ou mãe é provar os limites que constituem o sal e o mel do ato de amar alguém.
Quando nascem, os filhos comovem por sua fragilidade, seus imensos olhos, sua inocência e graça.
Basta vê-los para que o coração se alargue em riso e cor. Um sorriso é capaz de abrir as portas de um paraíso.
Eles chegam à nossa vida com promessas de amor incondicional. Dependem de nosso amor, dos cuidados que temos. E retribuem com gestos que enternecem.



Mas os anos passam e os filhos crescem. Escolhem seus próprios caminhos, parceiros e profissões. Trilham novos rumos, afastam-se da matriz.
O tempo se encarrega da formação de novas famílias. Os netos nascem. Envelhecemos. E então algo começa a mudar.
Os filhos já não têm pelos pais aquela atitude de antes. Parece que agora só os ouvem para fazer críticas, reclamar, apontar falhas.
Já não brilha mais nos olhos deles aquela admiração da infância, e isso é uma dor imensa para os pais.
Por mais que disfarcem, todo pai e mãe percebem as mínimas faíscas no olho de um filho.
É quando pais, idosos, dizem para si mesmos: Que fiz eu? Por que o encanto acabou? Por que meu filho já não me tem como seu herói particular?
Apenas se passaram alguns anos e parece que foram esquecidos os cuidados e a sabedoria que antes era referência para tudo na vida.
Aos poucos, a atitude dos filhos se torna cada vez mas impertinente. Praticamente não ouvem mais os conselhos.
A cada dia demonstram mais impaciência. Acham que os pais têm opiniões superadas, antigas.
Pior é quando implicam com as manias, os hábitos antigos, as velhas músicas. E tentam fazer os velhos pais se adaptarem aos novos tempos, aos novos costumes.
Quanto mais envelhecem os pais, mais os filhos assumem o controle. Quando eles estão bem idosos, já não decidem o que querem fazer ou o que desejam comer e beber. Raramente são ouvidos quando tentam fazer algo diferente.
Passeios, comida, roupas, médicos – tudo passa a ser decidido pelos filhos.
E, no entanto, os pais estão apenas idosos. Mas continuam em plena posse da mente. Porquê então desrespeitá-los?
Porquê tratá-los como se fossem inúteis ou crianças sem discernimento?
Sim, é o que a maioria dos filhos faz. Dá ordens aos pais, trata-os como se não tivessem opinião ou capacidade de decisão.
E, no entanto, no fundo daqueles olhos cercados de rugas, há tanto amor. Naquelas mãos trémulas, há sempre um gesto que abençoa, acaricia.
A cada dia que nasce, lembre-se, está mais perto o dia da separação. Um dia, o velho pai já não estará aqui.
O cheiro familiar da mãe estará ausente. As roupas favoritas para sempre dobradas sobre a cama, os chinelos num canto qualquer da casa.
Então, valorize o tempo de agora com os pais idosos. Paciência com eles quando se recusam a tomar os remédios, quando falam interminavelmente sobre doenças, quando se queixam de tudo.
Abrace-os apenas, enxugue as lágrimas deles, ouça as histórias (mesmo que sejam repetidas) e dê-lhes atenção, afecto...
Acredite: dentro daquele velho coração brotarão todas as flores da esperança e da alegria.




Desconheço a autoria