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sábado, 6 de agosto de 2016

FÉRIAS / SENTIDO INVERSO

Como tem sido habitual nos últimos anos vou ausentar-me em Agosto (a partir do dia 05) e Setembro, retornando ao vosso convívio em princípios de Outubro.
Até lá deixarei programados três capítulos deste conto QUE NÃO É AUTOBIOGRÁFICO, EMBORA ESCRITO NA 1ª. PESSOA - e que dividi em três partes para não se tornar demasiado fastidioso, já que é um pouco extenso.
Quando regressar, em Outubro, retribuirei todas as visitas que entretanto me fizerem e que, desde já, agradeço.
Espero que gostem deste conto que intitulei:

SENTIDO INVERSO
I PARTE 


Quando eu nasci os meus pais não tiveram a alegria que normalmente os pais têm com o nascimento de um filho, simplesmente porque eu não era um filho, mas uma filha.
Na realidade eles desejavam que o primeiro rebento fosse um rapaz, com o que, provavelmente, encerrariam as actividades de procriação.
Coitados! Tiveram azar, e apareci eu, uma menina, linda, ao que dizem, e como posso comprovar pelas fotografias, que me tiraram em criança. Talvez justificado pelo facto de ter sido uma desilusão para os meus pais, na verdade não são muitas as fotos que guardo de quando era pequenina…
Acabaram por se conformar; não havia mais nada a fazer, a não ser uma segunda tentativa para conseguirem um rapaz.
Depois de eu nascer os meus pais ficaram tão abalados que precisaram de alguns anos para se refazerem e ganharem coragem para nova investida…
Dessa vez foram bem-sucedidos, e o meu irmão apareceu quando eu já tinha cinco anos.
O facto de eu ser uma menina não me prejudicou em (quase) nada.
Apesar de, ao nascer, lhes ter causado uma grande desilusão, os meus pais trataram-me sempre com o maior carinho e desvelo, e mesmo depois de o meu irmão ter nascido, os seus cuidados para comigo não diminuíram. Nunca houve qualquer diferença de tratamento entre o meu irmão e eu.
Há apenas um pormenor, relativo á minha infância, que me causa um certo desconforto quando o recordo:
A minha Mãe vestia-me sempre com roupas muito arrapazadas – calças ou jardineiras, mas sem aquele toque feminino que geralmente têm estas peças de roupa quando destinadas a meninas, e que se traduz por umas florinhas, ou bonequinhos, ou corações, enfim, qualquer floreado que é colocado no bolso ou no peitilho. Raramente usava saias ou vestidos.
O cabelo andava sempre muito curto. Nada de tranças ou totós, nem mesmo as “palmeirinhas” que todas as meninas usam no topo da cabeça, quando o cabelinho começa a crescer, por volta dos dois anitos, e que as mães enfeitam com vistosos laçarotes.
Recordo-me que isso me causava um certo desgosto. Via as minhas amigas com alegres vestidos rodados, cabelos caindo pelas costas ou apanhados em totós, à “ Pipi das meias altas”, e sentia-me inferiorizada, feia e sem graça.
As amigas da minha mãe às vezes comentavam:
- Credo, tu não tens gosto nenhum para vestir a tua filha. Nunca se lhe vê um vestidinho…parece sempre uma Maria-rapaz!
- Assim é que ela anda bem, pode correr e saltar à vontade sem precisar de se preocupar com as roupas! A Liberdade começa por aí…
As amigas não insistiam porque sabiam que não valia mesmo a pena.
A minha Mãe parecia querer encaminhar-me num sentido inverso àquele para o qual eu havia nascido – ser Mulher.
Quando fiz 18 anos pude, finalmente, começar a decidir o que vestir.
Comprei um lindo vestido vermelho, todo moderno, bem feminino, que me marcava as formas que Deus, na sua infinita misericórdia, fizera semelhantes às de uma deusa!



Consegui que a cabeleireira me “ripasse” o cabelo dando-lhe um aspecto bem feminino. E, pela primeira vez na minha vida, uma amiga maquilhou-me.
A minha Mãe esboçou um ligeiro esgar ao ver-me aparecer assim vestida na festa que me preparara com todo o esmero. Fiquei na dúvida se era desagrado ou espanto ao ver a filha como nunca a vira antes.
Mas eu estava demasiado feliz para me preocupar com esses pormenores. Foi um dia muito lindo na minha vida, que marcou o início duma grande reviravolta.
Num primeiro gesto de rebeldia comecei logo a deixar crescer o cabelo, e durante um ano a cabeleireira não lhe pôs a tesoura.
Quando já me pousava nos ombros passei a deixar que fosse tratado por mãos de profissionais.
E pude, finalmente ser, mas muito especialmente sentir-me, mulher!
Recuando um pouco até à pré-adolescência, altura em que começa a despontar a sexualidade, recordo-me que as meninas andavam pelos cantos aos beijinhos aos rapazes, ainda com alguma inocência, mas já revelando o aproximar do desabrochar das hormonas.

 

Talvez devido aos meus modos arrapazados incentivados pela minha mãe, os rapazes não manifestavam por mim qualquer interesse para além do jogo da bola – eu era sempre integrada numa das suas equipas. Acho que eles me viam como “um dos deles”…
Assim fui crescendo, e quando andava pelos treze anos, em que, se não acontece antes, é altura de despertar a grande curiosidade pelo misterioso sexo, tudo para mim continuava na mesma, pois os rapazes viam-me com os mesmos olhos de sempre, e não denotavam sentir pelo meu corpo qualquer atracção física.
Foi então que uma amiga começou a insinuar-se mais junto a mim, e um dia convidou-me para ir estudar para casa dela. Fui, contente e feliz.
Lembro-me que era um dia de muito calor.
Os pais dela trabalhavam, ela não tinha irmãos, portanto a casa estava por nossa conta.
Começámos a estudar na sala mas, pouco tempo depois, ela propôs que descansássemos um pouco e fôssemos para o seu quarto ver fotos ou qualquer outra coisa que agora não recordo; não fiz qualquer objecção Fomos!
Aí chegadas a minha amiga começou a queixar-se com calor, dizendo que ia pôr-se à vontade, e insistindo para que eu fizesse o mesmo. Tudo bem, porque não? Estava, realmente, um calor insuportável.
Ficamos, portanto, apenas com as calcinhas e os sutiãs.
Sentámo-nos na beira da cama a ver qualquer coisa, e de repente, sem eu esperar, ela, com a mão direita puxou-me pelo pescoço e deu-me um beijo na boca, ao mesmo tempo que, com a mão esquerda, acariciava a minha coxa.
Qualquer coisa em mim entrou em alerta! Eu nunca havia tido qualquer contacto mais íntimo, e em casa os meus pais eram bastante discretos, embora muitas vezes trocassem carinhos.
Penso que a minha sexualidade ainda não tinha despertado, o que só viria a acontecer, na prática e fisicamente, depois dos dezoito anos.

Continua no dia 29 de Agosto.

terça-feira, 22 de março de 2016

O PINHEIRO

A pensar na época que se aproxima, em que muita gente gosta de fazer picnics à sombra das árvores, escrevi esta espécie de “fábula vegetal” que partilho convosco)

O PINHEIRO
- Com tantos anos de vida ainda não consegui perceber porque me apelidaram de “manso” -  Pinheiro Manso – murmurou o frondoso Pinheiro, voltando as verdes e finas agulhas na direcção de uma raquítica árvore que se encontrava a pequena distância.
- Ora, porquê! – respondeu a enfezada. Já tivemos esta conversa tantas vezes! Está muito bom de ver. Deram-te esse nome porque não tens a braveza dos teus primos, esses altivos pinheiros bravos, que não se dão com os mansos, os baixotes, só querem viver nas alturas…
- Acho essa explicação demasiado simplista…
- Sabes qual é o teu problema? – continuou a enfezadita – é quereres sempre saber a razão de tudo. As coisas são porque são, e pronto. Senão, repara:
- Sempre vivi aqui ao teu lado, respirando o mesmo ar puro que respiras, sugando o mesmo alimento puro com que te sustentas, recebendo o mesmo sol radioso que te ilumina…
Entretanto…põe os olhos em mim e responde:
- És capaz de me dizer porque é que eu sou assim tão raquítica? Não és, pois não? Eu também não sei, e vê lá se me preocupo…
- Xiu! – advertiu o Pinheiro. Aproximam-se pessoas. A conversa tem que ficar para mais logo. Agora cala-te, que eu faço o mesmo.
E ficaram em silêncio.
Um grupo de jovens caminhava alegremente em direcção ao Pinheiro.
Um deles, o mais alto, loiro e de olhos da cor do céu, aparentando ser o líder, abriu os braços ao alto e exclamou:
- Eu não vos dizia? Este Pinheiro não é um espectáculo?
- Sim – responderam em uníssono os outros jovens. Tu és o maior!
- Claro que sou. Por isso sou o chefe. E é como chefe que vos digo:
- Abram os braços, respirem fundo este ar puro, aspirem este delicioso cheiro a pinheiro…
E falando assim ele próprio executava os movimentos que convidava as companheiras e companheiros a fazerem.
Por breves momentos só se ouvia o seu respirar profundo. Mas logo de seguida recomeçou a algazarra, rindo e falando muito alto, como se todos fossem surdos.
Um dos rapazes tinha levado um “Tablet” e em breve o silêncio da mata se encheu com os sons, em tom altíssimo, de uma canção em voga. A maior parte deles acompanhou a música em altos berros. Até os insectos fugiam espavoridos.
Pouco depois o líder disse:
- E se tratássemos das barriguinhas? A minha já está a roncar…
- Excelente ideia! – responderam em coro.
E todos, rapazes e raparigas, abriram as mochilas e retiraram de lá comida, copos de plástico, garrafas de refrigerantes e até uma toalha de papel, que estenderam cuidadosamente no chão e nela colocaram o lanche.
Sentaram-se todos em círculo debaixo da copa densa, arredondada, em forma de guarda-sol, do Pinheiro, e iniciaram o lanche alegremente.
Eram já cinco horas da tarde, tinham feito uma grande caminhada para lá chegar, e o almoço há muito tempo tinha sido digerido. Todos comeram com grande apetite.
Como estava muito calor e a sede era muita, rapidamente esvaziaram as garrafas dos refrigerantes.
Saciados o apetite e a sede, colocaram junto ao tronco do Pinheiro as garrafas vazias, copos, guardanapos… e até restos de sandes mordiscadas. Estenderam-se no chão, à sombra. Uns conversando outros dormitando nem deram pelo tempo passar, de tal modo se sentiam satisfeitos.
O sol começava a esconder-se quando o líder exclamou:
- Ei, malta! Temos que nos pôr a milhas! Não se esqueçam que nos espera uma boa caminhada. Já vamos chegar a casa de noite…
Puseram-se todos de pé e, sem mais demoras, iniciaram a descida. Ninguém se lembrou de recolher o lixo que tinham colocado junto ao Pinheiro.
Ouviu-se um profundo suspiro. O Pinheiro murmurou, tristemente:
- Já viste, vizinha? Respiraram o nosso ar puro, sorveram o nosso belo aroma, aproveitaram a minha sombra, nem sequer respeitaram a paz e o silêncio de todos estes seres que aqui vivem e, como agradecimento, foram-se todos embora deixando para trás o lixo que trouxeram com eles…
- Já devias estar habituado, Pinheiro. É sempre assim…

Algum tempo depois podiam ver-se numerosas gotas transparentes pendendo das agulhas, agora escuras.
- Orvalho – dizia quem passava.
Não, não era orvalho, eram lágrimas de tristeza.
Lágrimas, sim, que as árvores também têm sentimentos.

Mariazita

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

PORQUE HOJE É DIA DE REIS…


Na escola de uma pequena aldeia, Professora e alunos preparam-se para celebrar o Dia de Reis.
No palco encontram-se, ao fundo, à esquerda, Maria e José, admirando seu filho.
   
Em primeiro plano o pastor está conversando em voz baixa com as ovelhas,







quando vê aproximarem-se a vaca e o burro. 











Dirige-lhes a palavra:
- Pastor - Ouve lá, ó vaquinha, o que estás aqui a fazer?
- Vaca - Vim esticar as pernas. Há tanto tempo naquela posição já quase não as sinto…
- Pastor - E tu, burrinho, porque estás aqui?
- Burro – Vim acompanhar a vaquinha. Nesta noite tão escura o perigo espreita a cada canto… E uma presença masculina sempre impõe um certo respeito! (levanta a cabeça, altivo)
- Pastor – Sendo assim, sentem-se junto a nós, e ouçam a história que eu estava a começar a contar às ovelhas.
A vaca e o burro sentam-se junto ao pastor.
- Ovelha A - De que nos vais falar hoje, pastor?
- Pastor – Do Natal…
- Ovelha B – Outra vez? Nesta altura do ano não falas doutra coisa…
- Ovelha C – Ela tem razão, pastor. Quando aparece aquela estrela brilhante só falas de Natal…
- Pastor – E qual é o problema? Vocês não gostam do que eu vos conto?
- Ovelha B – Não é isso, pastor! Não é que não gostemos… mas o Natal é sempre igual…
- Pastor – Engano vosso! O natal é sempre igual, mas sempre diferente.
- Ovelha A – Como assim? Como é que pode ser igual e diferente ao mesmo tempo?
- Pastor – É muito simples: é sempre igual porque a história, no fundo, é sempre a mesma; e é diferente porque os intervenientes variam, e cada um tem uma atitude e maneira de sentir e actuar diferentes…
- Ovelha C – Tudo bem, mas não vamos ficar aqui a noite toda a discutir… Portanto, pastor, conta lá a tua história…
- Pastor – Muito bem. Então prestem atenção. Vou contar-vos a história de um rei mago.
- Ovelhas (todas) – Oh! Não, outra vez os reis magos? Já ouvimos essa história centenas de vezes…
- Pastor – Penso que vocês estão enganadas. O que vou contar hoje é novo, ainda não vos falei em nada disto…
- Vaca – E se vocês se calassem e ouvissem o pastor? Muito gostam vocês de fazer barulho…
- Ovelhas – Méeééééééééééé´……
- Burro (em tom autoritário) – Calem-se, ovelhas, e deixem ouvir o pastor.
- Ovelhas, vaca e burro – Xiuuuuuuuuuuuuuuuu!
- Pastor – Ora vamos lá então. Vocês já ouviram muitas vezes falar nos três reis magos, certo?
- Animais em coro – Certo!!!!!!!!!!!!!!!!!!
- Pastor - E no quarto rei mago, ouviram falar?
- Todos – Não, nunca!
- Pastor – Pois este quarto rei mago chamava-se Artaban.
- Ovelha A - E ele também foi visitar o Menino?
- Pastor – Na verdade, não. Tal como aconteceu com os conhecidos três Reis Magos, também Artaban viu a estrela que anunciava o nascimento do Menino Deus.
- Vaca – Nesse caso, porque não seguiu o seu rasto?
- Pastor - Vários acontecimentos o impediram. Além de mago Artaban era astrónomo e médico, natural da Pérsia, e um homem muito rico que vivia num palacete rodeado de belos jardins de árvores exóticas e flores raras.
- Burro – Já estou mesmo a ver… Com tanta riqueza à sua volta que lhe importava uma estrela com um brilho diferente?
- Pastor – Estás completamente enganado! Na verdade, ao ver a estrela brilhante, Artaban desfez-se de parte dos seus haveres e, preparando o seu melhor cavalo, partiu de madrugada para, no dia marcado, se encontrar com os seus amigos Gaspar, Melchior e Baltazar, que, de acordo com o combinado, já se encontravam a caminho.


Levava consigo três jóias para oferecer ao Messias: uma pérola, um rubi e uma safira.
Precisava cavalgar sem parar – já estava escurecendo e ainda faltavam mais ou menos três horas de viagem para chegar ao local do encontro. Teria que estar lá antes da meia-noite, pois a partir dessa hora os três Reis Magos não esperariam mais por ele.
De súbito, numa curva da estrada, o cavalo assustou-se com algo que viu sob o reflexo da lua: era um homem que já apresentava o frio da morte.
Artaban, depois de o examinar, deu-o como morto, e, com o coração triste, voltou-se para partir. Mas, ao levantar-se, sentiu a mão do homem prendendo-lhe o manto.
- Os animais, em coro – Deve ter apanhado um grande susto…
- O pastor – Naturalmente que sim. Mas, apesar de já se fazer tarde para o encontro com os seus amigos – era preciso seguir a estrela! – decidiu socorrer o hebreu, tratando-o por várias horas, até ele se recuperar.
Por fim, deixando com ele as suas provisões e curativos, retomou o seu caminho.
Quando chegou ao lugar combinado, não encontrou mais os seus companheiros. Nem sinal da caravana de camelos. Então, num monte de pedras, ele achou um pergaminho com a seguinte mensagem:
“Artaban, não pudemos aguardar-te mais; prosseguimos ao encontro do Messias. Esperamos que nos sigas através do deserto.”
Artaban entrou em desespero... Como poderia atravessar o hostil deserto sem ter o que comer e com um cavalo cansado? Assim, regressou à Babilónia, vendeu a sua pedra de safira, e comprou camelos e provisões suficientes para a longa viagem.
- Ovelha A – Coitado! Depois teve que viajar sozinho, não foi, pastor?
- Pastor – Sim, é verdade, mas a sua vontade de encontrar o Messias era muito grande. Por isso continuou a sua jornada pelo deserto e finalmente chegou a Belém, mas deparou-se com a vila deserta.
Pela porta entreaberta duma humilde casa ouviu a voz duma mulher que cantava suavemente. Entrou e encontrou uma jovem mãe acalentando o seu filhinho, que lhe falou nos três reis magos que haviam passado pela vila e tinham seguido, guiados por uma estrela, para o lugar onde encontrariam José de Nazaré, sua esposa Maria e o bebé Jesus.
 O bebé daquela mulher olhou para Artaban, sorriu e estendeu os bracinhos para ele. Foi quando se ouviram gritos e grande correria lá fora, nas ruas.
Os soldados de Herodes estavam matando as criancinhas.
- Os animais, em coro – Que horror! Que homens tão maus!
- Pastor – Tendes toda a razão. Mas deixai-me continuar…A jovem mãe, branca de terror, escondeu-se no canto mais escuro da casa, cobrindo o menino com o seu manto para que ele não chorasse e fosse descoberto pelos soldados.
Artaban colocou-se no vão da porta, impedindo a entrada dos soldados. Um oficial aproximou-se para afastá-lo; o mago, aparentada uma falsa calma, disse-lhe que estava sozinho, esperando a oportunidade para oferecer uma jóia àquele que deixasse a casa em paz; e, dizendo isto, mostrou-lhe o rubi brilhando na palma da mão.
Com os olhos ardendo de cobiça o oficial arrebatou a jóia, gritando para os soldados que ali não havia nenhuma criança. Artaban, olhando para o céu, pediu que lhe fosse perdoado o seu pecado, já que dissera uma mentira.
- Vaca – Com certeza que lhe foi perdoado, e nem sequer era pecado, só mentiu para salvar o bebé… não achas, pastor?
- Pastor – Claro que sim, vaquinha. Artaban mentiu para salvar uma vida.
Mas, continuemos. Assim, das três dádivas que trouxera para oferecer ao Messias, já se desfizera de duas. Começava a achar-se indigno de algum dia contemplar a face do Menino Deus.
Mas continuou a sua jornada. Passou por lugares onde a fome era grande; cidades onde os enfermos morriam na miséria; visitou oprimidos nas cadeias, e escravos nos mercados. Num mundo cheio de angústia e sofrimento não encontrou ninguém para adorar, mas muitos desgraçados para ajudar.
E os anos passaram, 33 anos… Os cabelos de Artaban já estavam brancos. Velho, cansado, e pronto para morrer, ele ainda continuava à procura do Rei de Israel.
Estava de novo em Jerusalém, por onde havia passado muitas vezes na esperança de encontrar a Sagrada Família.
A população estava reunida na cidade santa para a festa da Páscoa do Senhor.
Vendo uma grande agitação, Artaban perguntou, a um grupo de pessoas, o que se passava e para onde se dirigiam.
- Vamos para o Gólgota. Dois ladrões vão ser crucificados e com eles um homem chamado Jesus de Nazaré, que dizem ter feito coisas maravilhosas entre o povo; mas os sacerdotes acusam-no de ter dito ser o Filho de Deus, e condenaram-no à morte.
Artaban achou que era chegada a altura de oferecer a sua pérola para salvar Jesus da morte.
Ao seguir a multidão viu um grupo de soldados arrastando uma jovem toda ensanguentada que, conseguindo libertar-se, se ajoelhou perante ele, implorando auxílio. Disse-lhe que seu pai era mercador na Pérsia, mas falecera cheio de dívidas, e que agora aqueles homens iam vendê-la como escrava para saldar os débitos de seu pai.
Artaban tremeu perante o conflito entre a Fé, a Esperança e o impulso do Amor. Só lhe restava a preciosa pérola. O que fazer? Tirou a pérola do seu alforge e colocou-a na mão da jovem, dizendo-lhe que pagasse aos seus algozes. Assim ela foi libertada.
Logo o dia se transformou em noite profunda e um forte tremor de terra abalou a cidade.
Artaban, na companhia da jovem libertada, foi atingido na cabeça por uma pedra.
Com o sangue a escorrer do ferimento, descansou a cabeça no colo da jovem; preparando-se para morrer pediu perdão por não adorar o Messias e lhe ofertar o presente que trouxera de tão longe. Durante 33 anos ele havia procurado Jesus, mas nunca vira a face Dele!
Então ouviu uma suave voz vinda dos céus:
“Artaban! Sempre que viste um enfermo, prestaste-lhe socorro; quando avistaste alguém com fome, deste-lhe de comer; sempre que encontraste alguém com sede, deste-lhe de beber; sempre que viste alguém acusado injustamente, deste-lhe a liberdade. Em verdade, quando fizeste tudo isso, foi a Mim que o fizeste!”
Uma alegria enorme iluminou o seu rosto. Com um profundo suspiro, terminou a sua longa viagem de 33 anos.
O quarto mago, finalmente, encontrara o seu Rei!

Olhando em redor o pastor notou, comovido, que todos os animais tinham os olhos marejados de lágrimas.
E disfarçando a sua própria comoção, perguntou:
- Pastor - Então, gostaram da história de Artaban?
- Todos os animais - Sim! - responderam em coro. Foi a história mais bonita que alguma vez nos contaste.
- Pastor - Ainda bem que gostaram. E acrescentou, com a voz entrecortada de emoção:
Mas agora já se faz tarde. Vaquinha e burrinho, vão já para junto do Menino, que deve estar enregelado. E vós, ovelhas, todas atrás de mim, rápido, que o redil está longe!

Texto de Mariazita

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

LANÇAMENTO DO LIVRO “SAUDOSA ÁFRICA DISTANTE”

Finalmente, depois de nove meses de trabalho árduo, nasceu o

SAUDOSA ÁFRICA DISTANTE!

Surgiu entre flores,
e mais flores…
 Permitiu que se vivessem momentos de humor e descontracção


Reviveu-se o passado referido no livro,
 tendo sido partilhado com os presentes,


e também entre mãe e filha…
Houve a presença e carinho de amigas




E amigos


e entre lágrimas de mal contida emoção,
o carinho da família, sempre presente,  que tem, nestes momentos, um sabor todo especial…




Um singelo “porto d’honra” pôs termo ao evento.


A todos que me honraram com a sua presença quero, publicamente e de coração, agradecer:
BEM HAJAM!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

LANÇAMENTO DE LIVRO

Após uma ausência de nove meses e uns dias… retorno ao vosso convívio, do qual já sentia muitas saudades, para vos comunicar um acontecimento que me dá enorme prazer – o lançamento do meu segundo livro, a realizar no próximo dia 13 de Dezembro, pelas 15 horas.
No meu primeiro lançamento a felicidade foi completa. Desta vez… é diferente - há a falta de “Alguém” muito querido. Embora a sua “presença” seja constante, o facto de estar invisível tolda um pouco este evento que, apesar disso, me torna muito feliz.
Na realidade, mais do que o lançamento de um livro, este acontecimento é uma homenagem a quem tanto me incentivou a escrevê-lo e tanto me apoiou enquanto pôde fazê-lo – o meu saudoso Marido.
Gostaria que todos vós estivésseis presentes com o vosso habitual carinho. Sei que para a maioria de vós tal não é possível…
Quem estiver presente receberá o meu abraço; quem estiver ausente… receberá o meu pensamento.
 A todos, desde já, MUITO OBRIGADA!


E, se me permitem - aparte a publicidade :)))  - se alguém estiver interessado no livro por favor comunique-me para que possa reservar-lhe um exemplar, ou mais… :))) e oportunamente enviá-lo por correio.
Bem hajam!



ADENDA
A quem possa interessar:
O livro “SAUDOSA ÁFRICA DISTANTE”, com lançamento marcado para o próximo dia 13 de Dezembro, tem 225 páginas, várias fotos locais da autora, e custa a “módica” quantia de 12€ – Doze euros.
A sua aquisição pode ser feita directamente à autora até ao final deste ano, através do email  maria.caiano@gmail.com
Enviarei os exemplares requisitados pelo correio, à cobrança ou com pagamento por transferência bancária, para qualquer local do país e arredores J - do meu livro anterior enviei vários exemplares para o Brasil.
A partir de Janeiro de 2016 será colocado à venda em locais a indicar pela Editora, que, de momento, não estão definidos.
Para quem quiser dar-me a honra da sua presença, aqui fica o respectivo trajecto e final do destino.