domingo, 9 de outubro de 2011
ORAÇÃO DO COMPUTADOR
domingo, 19 de junho de 2011
OS MÁRMORES DA AMAN
domingo, 5 de junho de 2011
CARTA DO ZÉ AGRICULTOR PARA O LUÍS DA CIDADE
domingo, 7 de novembro de 2010
FINALIZANDO O LIVRO “LUZ AO AMANHECER”
Só há momentos consegui acabar o que espero sejam as últimas correcções à prova.
O meu livro irá ter esta apresentação final:

Sem possibilidade de preparar o habitual post de domingo, partilho convosco uma crónica de Xana Guedes:
OS “TÉLÉLÉS”
"Afectos e Paixões".
Estar apaixonado é ter o céu na terra? Ou ficar preso ao telemóvel? Cruzar olhares tranquilamente? Ou "amar assim perdidamente"?
Avanços tecnológicos, maior poder capital, desenvolvimento urbano, a libertação das mentes, novos ideais e mais outras particularidades é o palco do nosso século, o século XXI. Contudo um palco só está completo com os bastidores e só pode ter valor tendo os actores em cima. Esses actores somos nós... a cidade... a sociedade. Mas que actores somos nós, sendo sempre influenciados pelo poder do consumo e pelas manias supérfluas que nos tentam incutir a cada minuto que ligamos a televisão ou a rádio ou então em cada página de um jornal ou uma revista - vejam lá que até nas relações afectivas a "modernice" está lá!
E pergunto eu: será hoje, um casal de enamorados, capazes de se relacionarem e comunicarem sem o "apoio" das telecomunicações? e vocês respondem (com certeza): NAÃOO!!! Pois não.... Quantas e quantas vezes vou eu na minha "paz do senhor" e passa por mim um/a marmanjo/a a babar ao "télélé" dizendo e ouvindo palavras melosas, trazendo estampado na cara um sorriso que deve conseguir iluminar toda a companhia de telefones que estão a permitir este dengoso encontro de radiações de orelha a orelha.
Mas nem tudo é uma chamada de "rosas", principalmente quando começa a afectar o cérebro e/ou coração (culpo eu a radiação transmitida por esses aparelho). Porém, acho eu, que já chega de ser tão negativa com esta paisagem, mas sim começar por escrever as maravilhas e a falta que nós sentimos quando o nosso "bichinho de botões" foi ao "arranjo".
Posso afirmar que sou uma tellélédependente, tenho que admitir, não consigo sair de casa sem ele, não consigo comunicar sem ele, não consigo namorar sem ele.... já viram, que retrato tão triste? Então, imaginem só, se por azar um meteorito qualquer ou um astronauta lhe dá na maluca e vai contra o satélite das telecomunicações?! Um desastre mundial....
Todo o mundo vai enlouquecer, acreditem, vai ser pior do que se o porto não ganhasse o campeonato (palavra de portista), uma loucura meus caros!
Bem, acho que nem toda a gente ficava mal humorada; se pensarmos bem, a conta telefónica iria baixar, os nossos pais iriam ficar tão orgulhosos de nós que eram capazes de nos nomear com Globo de Ouro de "o filho mais poupadinho"; mas (existe sempre uma contradição) já pensaram como é que eu e mais apaixonados "a long distance" conseguiríamos namorar? Será que tínhamos de andar a escrever cartas babadas e a gastar um frasco de perfume (dos grandes) para depois ouvirmos as bocas dos nossos pais, tipo: "Não achas que já ‘tás a abusar nas lambidelas aos selos, ou ‘tás à espera que eu te compre um camelo?" estão a ver? Eu não digo? Não temos hipóteses...
Por estas razões e por outras mais, é que eu acho que uma pessoa (que namora à distância) deve aproveitar todas as campanhas que pode haver, ou então dizer ao "amor da sua vida" que comece a telefonar às horas mais económicas, olha ,do tipo: "Amor, coração, gosto mais de ti se me ligares a partir das 21h00" ou então - que para mim é a melhor - "Querido telefono-te à noite, é mais romântico!!!", enfim, existem imensos truques mas o mais importante é não gastar muito dinheiro.
Nestes casos estar apaixonado é ir ao céu (mas só se tiver rede no telemóvel), passear de mãos dadas com a mão esquerda (é que a direita está a segurar o telélé) é olhar olhos nos olhos e dizer: "Amo-te perdidamente, queres unir a tua rede com a minha?" e ela responde: "Sim, meu carregador, és a radiação da minha vida!" E pronto, estão dois jovens apaixonados a unir os seus corações, para começar a vida a carregar nos botões e a aprender, a aproveitar as chamadas a 5 cêntimos ou as mensagens escritas de borla!..
Mas no fundo, no fundinho mesmo, estas modernices todas não passam de meras atitudes que as pessoas têm para poder mostrar os seus afectos e paixões neste mundo de máquinas e saudosismo. Isto chama-se AMOR! Xana Guedes - Porto, Portugal
domingo, 31 de outubro de 2010
ESTOU DOENTE
Uma forte gripe, em conluio com uma atrevida constipação, deixou-me de rastos (de quatro …).Mal consigo ver as teclas por entre as lágrimas que me escorrem dos olhos. Espero que as letras não fiquem esborratadas.
Normalmente este tipo de coisas demora uma semana a passar, ou, pelo menos, a aliviar os sintomas. Se assim for no próximo domingo cá nos encontraremos.
Peço aos meus queridos visitantes/comentadores que me perdoem.
Não deixo beijinhos para não espalhar os vírus :)
domingo, 8 de agosto de 2010
DESPEÇO-ME ATÉ SETEMBRO
Voltaremos a “ver-nos” aqui, na “CASA”, no dia 5 de Setembro, se tudo correr como programado. Provavelmente publicarei ainda um post no LÍRIOS, na próxima quarta-feira.Espero poder contar com a vossa boa memória para não me esquecerem nestas duas/três semanas de ausência… ou pensarei que os vossos neurónios estão em baixo de forma.
Vou deixar-nos numa companhia óptima – a de Carlos Drummond de Andrade, de quem sou fã declarada.Carlos Drummond de Andrade é por demais conhecido para necessitar de apresentações. Por isso direi apenas que:
- Nasceu em Minas Gerais, na cidade de Itabira, em 31 de Outubro de 1902, e faleceu no Rio de Janeiro, a 17 de Agosto de 1987.
- Foi um poeta, contista e cronista brasileiro, tendo produzido uma das obras mais significativas da poesia brasileira do século XX.
Além de poesia, escreveu livros infantis, contos e crónicas.
- No mesmo ano em que publica a primeira obra poética, "Alguma poesia" (1930), o seu poema Sentimental é declamado na conferência "Poesia Moderníssima do Brasil", feita no curso de férias da Faculdade de Letras de Coimbra, pelo professor da Cadeira de Estudos Brasileiros, Dr. Manoel de Souza Pinto, no contexto da política de difusão da literatura brasileira nas Universidades Portuguesas.
E agora retiro-me, deixando-vos na companhia do Grande Drummond.
AS MULHERES SÃO FANTÁSTICAS
A Mãe e o Pai estavam a ver televisão, quando a Mãe disse:
- Estou cansada e já é tarde. Vou-me deitar!
Foi à cozinha fazer as sandes para o lanche do dia seguinte na escola, passou água nas taças das pipocas, tirou a carne do congelador para o jantar do dia seguinte, confirmou se as caixas dos cereais estavam vazias, encheu o açucareiro, pôs tigelas e talheres na mesa e preparou a cafeteira do café para estar pronta para ligar no dia seguinte.
Pôs ainda umas roupas na máquina de lavar, passou uma camisa a ferro, pregou um botão que estava a cair. Guardou umas peças de jogo que ficaram em cima da mesa.
Regou as plantas, despejou o lixo, e pendurou uma toalha para secar.
Bocejou, espreguiçando-se, e foi para o quarto.
Parou ainda no escritório e escreveu uma nota para o Professor do filho, pôs num envelope junto com o dinheiro para pagamento de uma visita de estudo, e apanhou um caderno que estava caído debaixo da cadeira.
Assinou um cartão de aniversário para uma amiga, selou o envelope, e fez uma pequena lista para o supermercado. Colocou-os ambos perto da carteira.
Nessa altura o Pai disse, lá da sala:
- Pensei que tinhas ido deitar-te!...
- Estou a caminho – respondeu ela.
Pôs água na tigela do cão e chamou o gato para dentro de casa.
Certificou-se de que as portas estavam fechadas.
Espreitou para o quarto de cada um dos filhos, apagou a luz do corredor, pendurou uma camisa, atirou umas meias para o cesto de roupa suja e conversou um bocadinho com o mais velho que ainda estava a estudar no quarto.
Já no seu quarto, acertou o despertador, preparou a roupa para o dia seguinte e arrumou os sapatos. Depois lavou o rosto, pôs creme, escovou os dentes e acertou uma unha quebrada.
A essa altura, o pai desligou a televisão e disse: “Vou-me deitar”. E foi. Sem mais nada.
Notaram aqui alguma coisa de extraordinário?
Ainda perguntam por que é que as mulheres vivem mais... e são tão MARAVILHOSAS?
PORQUE SÃO MAIS FORTES… FEITAS PARA RESISTIR…
Conte essa história às mulheres fantásticas que conhece. Elas vão adorar!
E para aos homens também: pode ser que eles percebam alguma coisa...
“Existem muitos motivos para não se amar uma pessoa, mas apenas um para amá-la”.
domingo, 11 de julho de 2010
PARA INGLÊS VER
Veja a explicação que é apresentada como muito provável:
A origem deste ditado situa-se, quem diria, pela época da Abolição da Escravatura. Em termos geográficos, mais precisamente pertinho de Conservatória (RJ) na divisa de Minas Gerais com o Rio de Janeiro em Santa Rita de Jacutinga..
Pelo lado mineiro, nas margens do Rio Preto, existe uma secular Fazenda, a Santa Clara.
Sua sede majestosa (foto), entre outros detalhes arquitetônicos típicos da época relativa ao Ciclo do Café, conta com mais de 100 janelas voltadas para a sua fachada.
Pois bem, a Inglaterra era a maior credora da dívida externa brasileira e, pelo fato da abolição da escravatura no Brasil ter demorado por demais na sua finalização, segundo o gosto inglês, este país condicionou a continuidade dos negócios com os Tupiniquins à exigência de exterminação de quaiquer resquícios de escravidão humana.
A Fazenda Santa Clara foi alvo de uma severa fiscalização por parte da Coroa Inglesa que anunciara para breve uma vistoria nas suas instalações, mercê de denúncias de ainda praticar-se por lá o uso de mão de obra escrava e principalmente, pela existência de senzalas que continuavam a abrigar, agora clandestinamente, estes escravos.
Senzalas não tinham janelas e possuíam uma única entrada e só.
Aproximava-se a data prevista para a tão temida vistoria dos Ingleses.
Alguém teve, então, a idéia de desenhar várias janelas (umas abertas, outras fechadas e outras tantas semi-abertas), nas paredes frontais às senzalas.
Assim pensado, assim feito. O pessoal da fazenda tinha conhecimento que a comitiva dos auditores Ingleses passaria pela margem oposta do Rio Preto, no Rio de Janeiro, haja a vista que o acesso para Minas Gerais (margem da Fazenda Santa Clara) só poderia ser acessada em um local muito distante. Isto tomaria um tempo precioso e a Santa Clara não era a única a ser submetida a tal cometimento. Todas a fazendas da região de Vassouras, Barra do Piraí, Valença e Paraíba do Sul, ou quase todas, estavam incriminadas. Portanto a vistoria tinha que ser rápida;
E assim os Ingleses, na margem oposta do Rio, fiscalizaram a Fazenda Santa Clara e constataram que as reformas necessárias foram executadas. Não mais senzalas. Vistosas janelas foram colocadas no, antes, hediondo local, tornando-o humanizado segundo os padrões habitacionais.
Notava-se inclusive que algumas das janelas estavam entreabertas, permitindo uma ventilação refrescante ..
E agora você já sabe: -Toda vez que ouvir alguém dizer “isto é para inglês ver”, foi lá na Fazenda Santa Clara que tudo aconteceu. Se tiver oportunidade vá ao local e poderá ver as “janelas” perfeitamente colocadas.
M.Turbay (Vila Velha, ES, 01/01/2009)
História
A Fazenda Santa Clara foi construída a partir de 1760 pelo governador de Minas Gerais e a família Bustamante Fortes, de São João Del Rey.
O lugar é repleto de rituais, tais como: uma janela para cada dia do ano, ou seja, 365 janelas; a escada da oração "Pai Nosso", na qual o fiel subia rezando uma frase para cada degrau (acertando, podia fazer um pedido para Santa Clara e seria atendido); a prisão conserva até hoje os instrumentos de torturas, os troncos, marcas de unhas nas paredes (prova do padecimento dos escravos), a senzala com suas janelas pintadas para que a fazenda não perdesse a estética (não poderiam ser verdadeiras para não facilitarem a fuga dos cativos) e os salões com móveis portugueses e italianos da época. Tudo isso guarda a história dos tempos da colonização e da escravidão. A fazenda serve de palco para grandes produções da Rede Globo. Ali foi rodada a mini-série "Abolição" e também parte da novela "Terra Nostra", sendo cenário da fazenda de Gumercindo (Antôni Fagundes). Está aberta à visitação pública, acompanhada por um guia da fazenda, mostrando todo seu interior e contando toda a sua história.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
ALERGIAS
Alergias! Quem não as tem... Noites sem dormir...com um pacote de lenços de papel na mesinha de cabeceira...
E aqueles momentos em que se dorme profundamente e de repente: "atchiiiim!!" "atchiiim!!" "atchiiiim!!""atchiiiim!!""atchiiiim!!"
No dia seguinte os olhos parecem dois repolhos, de tão inchados que estão, ao mesmo tempo que escorrem água como uma nascente. O nariz completa o cenário – pena que não se lhe possa pôr uma rolha…
É assim que estou, minhas amigas e meus amigos. Por isso não vou poder corresponder, atempadamente, aos vossos amáveis comentários.
Logo que me encontre melhor visitarei todos, um por um.
Um grande beijinho virtual (sem micróbios…)
quinta-feira, 2 de julho de 2009
PROVOCAÇÕES
Luís Fernando Veríssimo
A primeira provocação ele aguentou calado.
Na verdade gritou e esperneou.
Mas todos os bebés fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca, aparado só pelo chão.
A segunda provocação foi a alimentação que lhe deram, depois do leite da mãe. Uma porcaria! Não reclamou porque não era disso.
Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos, por doença e falta de atendimento.
Não gostou nada daquilo. Mas ficou firme. Era de boa paz.
Foram lhe provocando por toda a vida.
Não pôde ir à escola porque tinha de ajudar na roça.
Tudo bem. Gostava da roça.
Mas aí lhe tiraram a roça.
Na cidade, para onde teve de ir com a família, era provocação de tudo que era lado.
Resistiu a todas.
Morar em barraco.
Depois perder o barraco, que estava onde não podia estar.
Ir para um barraco pior. Ficou firme.
Queria um emprego, só conseguiu um subemprego.
Queria casar, conseguiu uma submulher.
Tiveram subfilhos. Subnutridos.
Para conseguir ajuda, só entrando em fila.
E a ajuda não ajudava.
Estavam lhe provocando.
Gostava da roça. O negócio dele era a roça. Queria voltar p’ra roça.
Ouvira falar de uma tal reforma agrária. Não sabia bem o que era. Parece que a ideia era lhe dar uma terrinha. Se não era outra provocação, era uma boa.
Terra era o que não faltava. Passou anos ouvindo falar em reforma agrária. Em voltar à terra. Em ter a terra que nunca tivera.
Amanhã. No próximo ano. No próximo governo.
Concluiu que era provocação. Mais uma.
Finalmente ouviu dizer que desta vez a reforma agrária vinha mesmo. Para valer. Garantida.
Animou-se. Mobilizou-se. Pegou a enxada e foi brigar pelo que pudesse conseguir.
Estava disposto a aceitar qualquer coisa. Só não estava mais disposto a aceitar provocação.
Aí ouviu que a reforma agrária não era bem assim.
Talvez amanhã. Talvez no próximo ano…
Então protestou.
Na décima milésima provocação, reagiu.
E ouviu, espantado, as pessoas dizerem, horrorizadas com ele:
- Violência, não!
domingo, 17 de maio de 2009
O TRIUNFO DOS PORCOS
E essa ausência de esqueletos no armário começou a alimentar uma angústia sem nome. Eu era um caso dramático de ansiedade por falta de ansiedade. E ainda sou .
E assim se entende o meu estado de espírito sempre que o ano avança e não existe nenhum apocalipse pronto para exterminar a raça humana. Os meses passavam : janeiro , fevereiro, março . E as autoridades mundiais não lançavam gritos lancinantes sobre uma doença, uma anomalia técnica, um vírus descontrolado e mortal. Nem sequer um espirro!
Sei do que falo. Vocês, leitores, também.
Nos últimos dez, 15 anos, praticamente não tivemos sossego. Basta consultar “Scared to Death”, um livro notável que Christopher Booker e Richard North publicaram recentemente no Reino Unido.
Antes mesmo do século 21 começar, os perigos estavam nas vacas e na carne delas. A doença tinha nome divertido (“doença da vaca louca”)
e conseqüências menos divertidas: uma doença neurológica degenerativa e incurável que prometia condenar meio milhão de seres humanos a uma morte precoce e terrível.
Lembro-me bem: imagens de vacas trêmulas, a dançar o twist; a matança de milhares delas, com ou sem sintomas; os criadores de gado arruinados. Muitos optaram pelo suicídio. Pobrezinhos. Ainda hoje está por provar que a encefalopatia espongiforme bovina seja a causa da doença de Creutzfeld - Jacob nos seres humanos.
Veio o milênio. E com o milênio vieram novos perigos. Não de origem animal. Mas humana. Ou, se preferirem,tecnológica. Na virada de 1999 para 2000, um “bug” informático iria paralisar as cidades, os transportes, o sistema bancário e financeiro.
Aviões cairiam do céu. Milhões de doentes não resistiriam á paragem das máquinas. Os países mais desenvolvidos gastaram US$300 bilhões de dólares (estimativa conservadora) para evitarem o colapso. Quando a meia-noite soou, o mundo , inexplicavelmente, continuou. Suspirou-se de alívio. Ou de desilusão ?
Os suspiros duraram pouco tempo . Se a humanidade resistira ao “bug”informático, não iria sobreviver à “gripe das aves”. A Organização Mundial de Saúde garantia que 7 milhões de pessoas estavam condenadas. As Nações Unidas , não contentes com 7 milhões, falavam já em 150 milhões.
Moral da história ?
Morreram 200 pessoas, sobretudo na Ásia rural, onde a pobreza e a desnutrição não ajudam. Morreram incomparavelmente menos pessoas do que as vítimas normais que a gripe normal provoca todos os anos, em todos os paises do mundo.
Eis a verdade; andamos há muito tempo a fantasiar a nossa própria destruição coletiva.
São as vacas.
As aves.
O “bug” informático.
A pneumonia atípica.
A catástrofe ecológica e climatérica nos espera.
Ou para sermos mais atuais,uma gripe de origem suína e mexicana que, nas palavras de Margaret Chan, diretora-geral da Organização Mundial de Saúde,coloca toda a humanidade em risco.
Que essa “gripe suína” esteja sobretudo confinada ao México, pouco importa.
Que as vítimas do México sejam praticamente insignificantes quando comparadas com as vítimas regulares de gripe regular, também não.
E que os infectados fora do México estejam a responder aos medicamentos disponíveis, muito menos.
A realidade dos fatos não altera a nossa histeria.
E não altera porque a nossa histeria é profunda e incurável.
Hoje vivemos melhor. Mas apesar disso, ou sobretudo por causa disso, entramos em pânico sempre que a morte ameaça o nosso único deus : o corpo, o nosso corpo, e a “Religião da Saúde” que substituiu todas as outras teologias tradicionais.
Tememos a nossa destruição física. Mas, como em qualquer temor, recriamos e até desejamos essa mesma destruição, como se isso redimisse a radical solidão dos homens de hoje.
Tão modernos que somos.
E tão entediados que nos sentimos.
Um conselho: nada nesta vida se faz sem perseverança. Quem sabe? Se desejarmos muito que algo aconteça, talvez um dia alguém lá de cima se lembre de responder às nossas preces...
Texto de João Pereira Coutinho. Publicado na Folha de São Paulo (ILUSTRADA) em 05/05/2009
Licenciou-se em História, na variante de História da Arte, na Universidade do Porto, e obteve o grau de Doutor em Ciência Política na Universidade Católica Portuguesa, onde lecciona, como Professor Convidado.
Frequentou igualmente a Escola Superior de Teatro e Cinema, em Lisboa.
“João Pereira Coutinho é uma alma pura, um conversador de primeira, um performer artist, um excelente professor, um humorista impagável, um grande conferencista , um escritor de primeira”…tudo isto dito em entrevista à Folha de S.Paulo.
Se quiser, assista à entrevista em vídeo no youtube
http://www.youtube.com/watch?v=6QKNT917dSE
domingo, 7 de dezembro de 2008
A ROSA
Alguns poetas dão como origem da rosa o néctar espalhado pelo” Deus do Amor” num festim dos deuses.
Sobre a rosa conta-se a seguinte lenda:
“ Um rouxinol , cantando docemente, picou com o bico o próprio peito, fazendo cair ao solo gotas de sangue. Estas fizeram nascer uma bela rosa vermeha, seu primeiro amor, pelo qual o rouxinol continua a cantar, até aos dias de hoje”
Muitas variedades de rosas foram perdidas durante a queda do império romano e a invasão muçulmana da Europa.
Após a conquista da Pérsia no século VII, os muçulmanos desenvolveram o gosto pelas rosas, e à medida que seu império se estendia da Índia à Espanha, muitas variedades de rosas foram novamente introduzidas na Europa.
Durante a Idade Média, as rosas eram muito cultivadas nos mosteiros, onde deveria haver, pelo menos, um monge especialista em botânica que estivesse familiarizado com as virtudes medicinais da rosa e de flores em geral.
Contam as histórias de Amores Antigos que Afrodite teria dado uma rosa ao seu filho Eros, o Deus do amor.. A rosa tornou-se um símbolo de amor e desejo. Eros deu a rosa a Harpócrates, o Deus do silêncio, para o induzir a não falar sobre as indiscrições amorosas de sua mãe. Assim, a rosa se tornou também um símbolo do silêncio e do segredo.
Na Idade Média uma rosa era suspensa do teto da câmara municipal comprometendo todos os presentes ao silêncio.
Os romanos acreditavam que, ao decorar os seus túmulos com rosas, apaziguariam os Manes (os espíritos dos mortos).
Os romanos tinham as suas próprias idéias sobre a origem da flor.
“Para casar com Rodanthe, uma bela mulher, foram escolhidos muitos pretendentes, mas ela não se interessou por nenhum. Estes homens estavam tão cheios de amor e desejo que se tornaram violentos e invadiram a casa de Rodanthe. A deusa Diana, enfurecida, transformou a mulher numa rosa e os pretendentes em espinhos.”
Por isso… não há rosas sem espinhos.
Os chineses, no século V antes de Cristo, extraiam óleo das rosas que nasciam no jardim do imperador. Este óleo só podia ser usado pelos nobres e dignitários da corte.
Se um plebeu fosse encontrado com a menor porção deste óleo, seria condenado à morte.
Às rosas são atribuídos significados diversos, de acordo com as suas cores. Mas a roseira é uma planta tão emblemática, que até mesmo as suas folhas tem um significado especial: esperança.
A rosa vermelha, a mais desejada e admirada entre todas as outras, simboliza o amor.
Além de amor, estas flores vermelhas também podem traduzir mensagens de respeito e coragem.
As rosas cor-de-rosa em tom mais escuro querem dizer gratidão e estima, enquanto as rosas cor-de-rosa de tom mais claro significam admiração e simpatia.
Mas, em geral, a rosa cor-de-rosa associa-se a graça e gentileza.
As rosas cor-de-chá híbridas querem dizer “sempre me lembrarei de ti".
As brancas, por sua vez, assumem vários significados, como os de inocência e pureza, reverência e humildade ou de segredo e silêncio. Também significam que quem está a oferecê-las está tentando dizer: "sou digno de ti" ou "tu és celestial". Rosas brancas já murchas significam que a tua tentativa de aproximação não surtiu efeito algum .
Em geral, as rosas amarelas significam satisfação e alegria, mas podem servir como advertência: "tens que ter mais cuidado".
As rosas têm também significados próprios conforme a sua combinaçao de cores:
Rosas Vermelhas com Amarelas: felicidade
Rosas Coloridas em tons claros: amizade e solidariedade
Rosas Coloridas, predominando as vermelhas: amor, paixão e felicidade
Rosas Vermelhas com Brancas: harmonia, unidade
• Actualmente, as rosas cultivadas estão disponíveis numa variedade imensa de formas, tanto no aspecto vegetativo como no aspecto floral. As flores, particularmente, sofreram modificações através de cruzamentos realizados ao longo dos séculos para que adquirissem suas características mais conhecidas: muitas pétalas, forte aroma, e cores das mais variadas.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
A IMPORTÂNCIA DO SINCERO “NÃO SEI”
Hoje vamos juntar um pouquinho dos dois, e ver como, ao tomar a decisão de dizer, com sinceridade “não sei”, você pode estar a revelar muito do seu íntimo.
Para tanto baseia-se nas suas respostas a uma simples observação sobre o estado do tempo.
Imagine esta situação:
Você está em frente à sua porta, olhando. Não há nada de especial no céu, somente algumas nuvens aqui e ali.
Aí chega o vizinho, que também não tem nada para fazer, e pergunta:
- Será que vai chover hoje?
Se você responder “com certeza” – a sua área é Vendas:
O pessoal de Vendas é o único que sempre tem a certeza de tudo.
Se a resposta for “sei lá, estou pensando em outra coisa” – então a sua área é Marketing:
O pessoal de Marketing está sempre pensando no que os outros não estão pensando.
Se você responder “sim, há uma boa probabilidade” – você é da área de Engenharia:
O pessoal de Engenharia está sempre disposto a transformar o Universo em números.
Se a resposta for “depende…” – você nasceu para Recursos Humanos:
Uma área em que qualquer facto está sempre na dependência de outros factos.
Se você responder “ah, a meteorologia diz que não” – você é da área de Contabilidade:
O pessoal da Contabilidade sempre confia mais nos dados do que nos próprios olhos.
Se a resposta for “sei lá, mas por via das dúvidas eu trouxe um guarda-chuva” – então seu lugar é na área Financeira:
Que deve estar sempre bem preparada para qualquer virada de tempo.
Agora, se você responder “não sei!” – há uma boa chance de que você tenha uma carreira de sucesso e acabe chegando à directoria da empresa:
De cada 100 pessoas só uma tem a coragem de responder “não sei” quando não sabe.
Os outros 99 sempre acham que precisam ter uma resposta pronta, seja ela qual for, para qualquer situação.
“Não sei!” é sempre uma resposta que economiza o tempo de todo o mundo, e predispõe os envolvidos a conseguir dados mais concretos antes de tomar uma decisão.
Parece simples, mas responder “não sei” é uma das coisas mais difíceis de se aprender na vida corporativa.
Porquê?
Eu, sinceramente, “não sei”.
Autor: António Ermírio de Moraes
domingo, 15 de junho de 2008
EUTANÁSIA INFANTIL
Não se trata do mesmo tipo de eutanásia: o comentador refere-se a uma opção a que a própria pessoa deveria ter direito legal; a entrevista, de que transcrevo parte, trata de um assunto muito mais melindroso – a mesma opção a ter que ser tomada pelos pais, e a ser exercida sobre os seus próprios filhos.
EUTANÁSIA INFANTIL
Gosto de coleccionar coisas – bonecas, mochos, miniaturas de perfumes e bebidas, postais ilustrados (tenho uns milhares) – e mais não digo para não me chamarem louca !
Também gosto de coleccionar artigos, crónicas, entrevistas, que de um modo ou outro, chamaram especialmente a minha atenção.
Numa revisão a estes escritos deparei-me com uma entrevista que me tocou particularmente. Foi feita há 2 anos por uma conceituada revista, a um médico italiano a quem apelidaram de Dr. Morte.
Transcrevo aqui uns pequenos excertos.
(…) o Vaticano acusa-o de ser como os nazis. É o médico mais controverso do momento. Nos últimos três anos ajudou quatro bebés a morrer. Para ele, a eutanásia infantil não é um pecado, é um acto de misericórdia
- Seria capaz de terminar com a vida de um dos seus filhos ?
- Nunca o faria pela minha própria mão. Nesse momento seria um pai e não um médico. Acho que no caso de estar perante essa situação tão difícil – quando não há cura possível, nenhuma esperança – iria querer que o meu filho sofresse o menos possível.
- Qual foi a experiência de eutanásia mais forte que teve?
Houve um caso que mudou a minha visão pessoal. Era um recém-nascido com uma doença de pele muito rara. Bastava tocar-lhe para a pele sair. Quando tivemos a certeza absoluta do prognóstico, falamos com os pais. Passado um tempo os pais vieram pedir-nos para acabarmos com a vida do filho.
- O que sentiu nessa altura ?
- Foi chocante. Quem quer acabar com a vida de uma criança ? Por outro lado, conhecendo tão bem aquele recém-nascido e sabendo como não conseguiríamos reduzir-lhe o sofrimento, entendemos o problema dos pais. (…)
É um tema assustador. Adoro crianças. Por bebés tenho verdadeira paixão. Não consigo imaginar-me a ter que tomar uma tal decisão.
Já me vi na situação de pedir a Deus que terminasse com o sofrimento de um ente muito querido – o meu Pai.
Em fase terminal de um cancro, mantive-o em minha casa até ao final. Acompanhei-o dia e noite. O sofrimento era, por vezes, insuportável. Como não desejar que tal martírio terminasse ?
Senti, na carne, o que é pensar – antes a morte ! Mas…eutanásia infantil…é um problema muito sério.
Como classificar um médico que tem a coragem (porque é preciso muita coragem) de a praticar ?
Vamos todos pensar nisso ?
Mariazita Outubro 2007
Este tema não é nada agradável, eu sei. Mas a vida não é feita só de rosas.
“Nem sempre o sol brilha, também há dias em que a chuva cai”.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
OLHA O OLHO DA MENINA
Com um texto leve, até jovial, mas de grande profundidade, Marisa Prado aponta-nos algumas dificuldades, não só do cescimento, mas também do “ser adulto”.
OLHA O OLHO DA MENINA
Menina crescia escutando que não adiantava mentir porque mãe sempre sabia
Mãe dizia que lia na testa da Menina, e que só Mãe sabia ler testa.
Menina tentava tapar a testa com a mão na hora de mentir.
Mãe achava graça. Muita graça. E continuava lendo assim mesmo.
Menina precisava entender como essa coisa misteriosa acontecia.
No espelho do banheiro, mentia muito, em silêncio.
E na testa, nada escrito!
Aí, Menina descobriu que Mãe também mentia.
E que então não era testa - era o olho, com um brilho diferente - que entregava a mentira.
Menina então tentava fechar o olho com força, para esconder a Mentira.
Mas nem isso resolvia, pois Mãe sempre adivinhava.
Menina tinha era que aprender a fingir, de olho aberto, que mentira era verdade.
Menina tentou, tentou... e aprendeu.
Era essa a solução.
Mas de noite Menina ficava apertada por dentro.
Assim meio sufocada, não podia nem piscar.
Com o olho muito aberto, não conseguia dormir.
Faltava ar pra Menina.
Igual quando a gente fica quase sem respirar, rindo de uma cosquinha.
Só que não tinha graça.
Menina - sem querer - tinha descoberto a Consciência, uma coisa que toma conta da gente mesmo quando Mãe não está lendo testa,
nem adivinhando olho.
Menina tinha aprendido que ter que fingir doía.
E que, desse jeito, ia ficar muito sem graça ser gente grande.
Menina desistiu de crescer.
Mas não adiantava.
Menina via que agora já estava quase da altura do móvel da sala da vovó.
E ficava muito triste, o aperto apertando mais.
E de tanto que o aperto apertava, Menina achou que fingir só podia doer tanto porque era dor sozinha.
Menina teve uma idéia, e ainda não sabia se era idéia brilhante.
Mas sabia - isso sim - que precisava testar, pra conseguir descobrir.
A idéia da Menina foi dizer para Mãe que era difícil fingir.
Menina achava ruim aprender montes de coisas sem dividir com ninguém.
Menina falou pra Mãe que era muito complicado, e que não era nada bom, ter que crescer sozinha.
Mãe abraçou muito apertado a Menina.
E no colo tão esperado Menina estava sendo mãe da Mãe.
Menina sentiu que Mãe estava chorando.
E que Mãe ainda não tinha aprendido tudo.
Mãe não falava nada
Mas uma e outra sabiam naquele abraço apertado que em Mãe também doía ser gente grande sozinha.
Nessa hora Menina entendeu tudinho.
Descobriu que só carinho é que espanta a solidão.
E que dor, se dividida, fica dor menos doída.
E que aí, dá até vontade de continuar a crescer pra descobrir
o resto das coisas.
Autores:
Texto – Marisa Prado
Imagens - Ziraldo
quinta-feira, 24 de abril de 2008
VIDA DE CÃO
Sim, porque eu sempre tive cães. Desde que tenho memória, na casa dos meus pais e depois na minha, os cães sempre fizeram parte da minha vida. De todas as vezes que um dos anteriores me deixou para ir juntar-se aos “anjos caninos”, o meu desgosto foi tal que eu não admitia sequer a hipótese de o substituir.
Mas passado algum tempo surgia um bebé, com um ar tão indefeso, uns olhinhos tão carentes, que me provocava uma súbita paixão. E, completamente apaixonada, carregava-o para casa. E assim se tem mantido este ciclo ao longo dos anos.
Não há quem não conheça histórias extraordinárias passadas com cães.Uns que acompanham seus donos até à morada final, ali permanecendo até ao seu próprio fim; outros que arriscam a vida para salvar os seus donos. Todos viram, com certeza, a foto que circulou na Net, da cadela que “beijou” o seu salvador
e leram a sua história
“She is pregnant.
He had just saved her from a fire in her house, rescuing her by carrying her out of the house into her front yard, while he continued to fight the fire.
When he finally got done putting the fire out, he sat down to catch his bread and rest.
A photographer from the Charlotte, North Carolina newspaper noticed her in the distance looking at the fireman.
He saw her walking straight toward the fireman, and wondered what she was going to do.
As he raised his camera, she came up to the tired man who had saved her life and the lives of her babies and kissed him just as the photographer snapped this photograph”.
Há dias eu estava conversando com o meu cão (ele, bem mais inteligente do que eu, entende as minhas palavras; eu ainda tenho alguma dificuldade em traduzir para língua humana os “hum-hum’s” com que me responde). Contei-lhe a história dessa cadela grávida e, pelos seus olhos lacrimejantes, percebi que ficara comovido.
Lembrei-me então duma crónica que li há bastante tempo, escrita por Joaquim Letria, que me tocou bem fundo. Vou partilhá-la convosco.
Devem ter lido nos jornais a notícia dum selvagem de perto de Leiria que quase matou, a tiros de caçadeira, um cão Labrador.
Disse a besta à GNR que o cão lhe entrara na propriedade, o que para ele justificava o seu acto e o desejo de matar o animal, o que só não fez porque, além de leproso moral, é um incompetente com armas de fogo, de cartuchos calibre 12, que abram a chumbada à distância do alvo.
A notícia impressionou-me muito porque não imagino o que se pode sentir apontando uma arma a um cão, ainda para mais a um Labrador, e porque em minha casa, entre os meus cães, há dois Labradores que, desde cachorros desmamados me acompanham todo o santo dia.
Felizmente que vejo bem, mas, senão visse, sei que eles me ajudariam, ou não fossem os Labradores os cães dos cegos.
Há momentos, ao vir para casa para escrever este texto, vi um rapazelho de 15 ou 16 anos – ou um “teenager” se preferem modernices – numa bicicleta de montanha, de seis velocidades, roupa desportiva de marca, abrandar para, corajosamente, arrear um pontapé num rafeiro de três pernas.
Também tenho um rafeiro que arranquei da fome e dos maus tratos do abandono, mas felizmente tem as quatro patas e é mais esperto e ladino do que se poderia imaginar, e ainda bem que é cão, porque se não fosse, já me tinha enrolado as vezes que quisesse, como, de resto, faz com a minha mulher, que o trata melhor do que a um filho único.
Uma coisa fez lembrar a outra, ideia puxa ideia, o cão a ganir do pontapé, o Labrador ensanguentado pela caçadeira, a GNR a tomar conta da ocorrência, o energúmeno a avantajar-se, o menino a desenhar oitos com a bicicleta, e eis-me aqui a escrever sobre cães, os melhores amigos do homem, como diria um escritor de frases feitas ou um amante de “clichés”.
Os meus Labradores têm certidão de nascimento. Mais do que isso, têm um documento autenticado que lhes garante a ascendência até à quinta geração. O rafeiro não tem papéis, evidentemente, nem o auto de expulsão do acampamento de ciganos que o projectou para a porta de uma peixaria onde o apanhei. Curiosamente, os meus cães gostam mais de peixe do que de carne, o que não é de estranhar nos Labradores, dado o seu código genético de cães das águas frias da Gronelândia, onde mergulhavam para puxarem os cabos dos navios para serem amarrados no cais. Os meus Labradores são cultos porque, embora um nascido no Surrey, Reino Unido, e outro na África do Sul, entendem perfeitamente o português, até devendo estar ambos esquecidos do inglês e do afrikander, que não praticam. O vira latas, se falasse, devia falar à malandro de Alcântara, que é um sotaque de Lisboa a desaparecer entre os humanos.
Acompanham-me ao pequeno almoço, almoço e jantar, e ficam comigo, espojados no chão, a gemerem sonhos, no meio dos meus livros, enquanto escrevo e não me vou deitar. Talvez sonhem com os irmãos de ninhada, a correrem nos prados verdes e húmidos que não lhes posso proporcionar.
Dizem que não há melhor prazer para um cão do que estar com os seus donos, mas creio que condenamos os nossos cães a felicidades que não merecem. Os cães merecem a felicidade plena, não este exílio que lhes impomos, nem a prisão protectora a que os submetemos.
Os cães gostam tanto dos donos que parecem felizes nas cadeias que lhes damos, mas bem vejo a diferença que não escondem nos campos sem horizonte ou nas praias desertas do Outono e do Inverno.
Depois de meia dúzia de anos de convivência com os meus cães penso que sei ler-lhes os olhares e perceber o que me dizem. Tanto quanto sentiria a tristeza e a mágoa do Labrador atingido a tiro e do cão perneta que, sem prisões que os protejam, conhecem bem os homens e sabem o que é a verdadeira vida de cão.
Joaquim Letria
Para rematar a nossa conversa de hoje eis a foto do meu cão, quando tinha 9 meses de idade, festejando o seu primeiro Natal.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
A VERDADEIRA BELEZA
Em poucas semanas milhares de cartas foram enviadas à empresa.
Uma carta, em particular, chamou a atenção dos funcionários, e foi levada ao presidente da empresa.
A carta era escrita por um menino que fora criado num lar com problemas, em algum bairro de extrema pobreza.
" Na minha rua mora uma mulher bonita. Eu vou a casa dela todos os dias. Ela faz-me sentir o menino mais importante do mundo. Jogamos às damas e ela ouve os meus problemas. Ela entende-me, e quando vou embora, diz sempre, bem alto, que sente orgulho de mim."
O menino terminava a carta dizendo:
"Esta fotografia mostra que ela é a mulher mais bonita do mundo. Espero ter uma esposa tão bonita como ela."
Intrigado com a carta, o presidente pediu para ver a fotografia da mulher.
A secretária entregou-lhe a foto de uma mulher sorridente, sem nenhum dente na boca, de idade avançada, sentada em uma cadeira de rodas.
O cabelo grisalho, ralo, estava preso num rolo, na nuca, e as rugas que marcavam o seu rosto, eram suavizadas pelo briho que vinha dos seus olhos.
- Não podemos usar a fotografia dessa mulher - explicou o presidente, sorrindo.
- Ela mostraria ao mundo que nossos produtos não são necessários para uma mulher ser bela.
Desconheço a autoria.
Mas conheço a autora do belíssimo poema “Irreparável”.
É Silvana Duboc, e o poema termina assim:
Ficaram as rugas no rosto e na alma, mas também ficaram sorrisos em ambos.
Minhas rugas mais bonitas
são aquelas marcas de expressão
que eu adquiri por tanto sorrir,
muitas vezes, quando o coração chorava.
Seja feliz com ou sem rugas, mas seja feliz. Sempre.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
DOMINGO DE CHUVA
alguns minutos para meditar.
Portugal está debaixo de chuva, de norte e sul do país.
Ambiente propício a meditação.
Recebi por email uma crónica de Mário Prata, que quero apresentar-vos.
Para quem não conhece, Mário Prata é um escritor/cronista brasileiro, que reside em S. Paulo, autor de vários livros e inúmeras crónicas, premiado no campo da literatura, televisão, teatro, cinema…
Convidado para fazer o projecto de um filme e também uma mini-série televisiva em Portugal, aqui permaneceu por dois anos.
De sua autoria – Evelhescente
VOCÊ É UM EVELHESCENTE"???
Mário Prata
Se você tem entre 45 e 65 anos, preste bastante atenção no que se segue.
Se você for mais novo, preste também porque um dia vai chegar lá.
E se já passou confira.
Sempre me disseram que a vida do homem se dividia em quatro partes, infância, adolescência, maturidade e velhice.
Quase correto. esqueceram de nos dizer, que entre a maturidade e a velhice (entre os 45 e 65 anos) existe a
EVELHESCÊNCIA.
A evelhescência nada mais é do que uma preparação para entrar na velhice, assim como a adolescência é uma preparação para a maturidade.
Engana-se quem acha que o homem maduro fica velho de repente.
Assim da noite para o dia.
Não!!!
Antes a evelhescência!!!
E, se você está em plena evelhescência, já notou como ela é parecida com a adolescência?
Coloque os óculos e veja como este novo estágio é maravilhoso.
Já notou que andam aparecendo algumas espinhas em você?
Assim como os adolescentes, os evelhescentes também gostam de meninas de 20 anos.
Os adolescentes mudam a voz.
Os evelhescentes também.
Mudam o ritmo de falar, mudam o timbre.
Os adolescentes querem falar mais rápido; os evelhescentes querem falar mais lentamente.
Os adolescentes não tem idéia do que vai acontecer com eles daqui a 20 anos.
Os evelhescentes evitam pensar nisso.
Ninguém entende os adolescentes... Ninguém entende os evelhescentes...
Ambos são irritadiços, enervam-se com pouco.
Acham que já sabem de tudo e não querem palpites em suas vidas.
Às vezes um adolescente tem um filho, é uma coisa precoce.
Às vezes um evelhescente tem um filho, é uma coisa "pós-coce"
Os adolescentes não entendem os adultos e acham que ninguém os entende.
Os evelhescentes também não entendem eles.
"Ninguém me entende" é uma frase típica de evelhescente.
Quase todos os adolescentes acabam sentados na poltrona do dentista e no divã do analista.
Os evelhescentes também.
A contragosto, idem.
O adolescente adora usar um tênis e uns cabelos "da hora".
O evelhescente também.
Sem falar nos brincos.
Ambos adoram deitar e acordar tarde.
O adolescente ama assistir um show de artista evelhescente (Caetano
Chico, Mick Jagger).
O evelhescente ama assistir a um show de um artista adolescente.
O adolescente faz de tudo para aprender a fumar.
O evelhescente pagaria qualquer preço para deixar o vício.
Ambos bebem escondido.
O adolescente esnoba que dá três por dia.
O evelhescente quando diz uma a cada três dias está mentindo.
A adolescência vai dos 10 aos 20 anos.
A evelhescência vai dos 45 aos 65.
Depois, sim, virá a velhice que nada mais é que a maturidade do evelhescente.
Daqui a alguns anos, quando insistirmos em não sair da evelhescência para entrar na velhice,vão dizer:
"É um eterno evelhescente"!
.....Que bom!!!
Medite no que acabou de ler, e tenha um resto de bom Domingo.

































