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domingo, 20 de junho de 2010

FIM DOS PROFESSORES



Embora o tema “Educação” me seja particularmente caro, há bastante tempo – uns largos meses – que não o trago a este espaço. Mas agora, que o ano escolar está no seu término, parece-me relevante fazermos uma pequena e despretensiosa reflexão.
Com a remodelação do governo, em Outubro passado, e a nomeação da nova Ministra da Educação, Isabel Alçada, nasceu, nalguns professores, a esperança de que haveria mudanças que conduziriam a melhores condições educativas e consequentes resultados escolares.
Essa esperança foi esmorecendo com o passar dos dias, em que nada de positivo “saía” do ministério; nalguns casos, até, será a machadada final nas suas esperanças, o projecto de lei que permite “aos alunos que frequentem o 8º.ano e tenham completado já 15 anos de idade, transitarem directamente para o 10º.ano, sem passagem pelo 9º.ano, apenas, talvez (disto não tenho a certeza) tendo que prestar uma qualquer prova”.
Penso que isto será a preparação para um futuro que se avizinha, em que os professores serão absolutamente dispensáveis, e, aos poucos, dispensados.
Convido-vos a apreciarem, comigo, esta visão do futuro:

Fim Dos Professores

A cena passa-se por volta de 2210, ou seja, dentro de duzentos anos, o que equivale a, apenas, umas 10 gerações.
(Em Educação, geração é o nome dado ao conjunto de estudantes que iniciam ou terminam os seus estudos numa mesma data).
Estamos, portanto, em 2210, quando um menino pergunta:

- Vovô, porque é que o mundo está acabando?
O avô responde, calmamente:
- Porque já não existem PROFESSORES, meu anjo.
– Professores? Mas o que é isso? O que fazia um professor?

O velho responde, então, que professores eram homens e mulheres elegantes e dedicados, que se expressavam sempre de maneira muito culta e que, há muitos anos atrás, transmitiam conhecimentos e ensinavam as pessoas a ler, falar, escrever, comportar-se, localizar-se no mundo e na história, entre muitas outras coisas. Principalmente, ensinavam as pessoas a pensar.

– Eles ensinavam tudo isso? Mas eles eram sábios?
– Sim, ensinavam, mas não eram todos sábios. Apenas alguns, os grandes professores, que ensinavam outros professores, e eram amados pelos alunos.
– E como foi que eles desapareceram, vovô?
– Ah, foi tudo parte de um plano secreto e genial, que foi executado, aos poucos, por alguns vilões da sociedade. O vovô não se lembra bem do que surgiu primeiro, mas, sem dúvida, os políticos ajudaram muito.
Eles acabaram com todas as formas de avaliação dos alunos, apenas para mostrar estatísticas de aprovação. Assim, sabendo ou não sabendo alguma coisa, os alunos eram aprovados. Isso liquidou o estímulo para o estudo e apenas os alunos mais interessados conseguiam aprender alguma coisa.

Depois, muitas famílias estimularam a falta de respeito pelos professores, que passaram a ser vistos como empregados dos seus filhos.
Estes foram ensinados a dizer:
- Eu estou pagando e você tem que me ensinar, ou
- Para quê estudar se o meu pai não estudou e ganha muito mais do que você?”- ou ainda

- O meu pai dá-me mais de mesada do que você ganha num mês.
Isso quando não iam os próprios pais gritar com os professores nas escolas. Para isso muito ajudou a multiplicação de escolas particulares, as quais, mais interessadas nas mensalidades que na qualidade do ensino, quando recebiam reclamações dos pais, pressionavam os professores, dizendo que eles não estavam conseguindo “gerenciar a relação com o aluno”.
Os professores eram vítimas de violência – física, verbal e moral – que lhes era destinada por pobres e ricos. Transformaram-se em “saco de pancada” de toda a gente.
Além disso, qualquer proposta de ensino sério e inovador sempre esbarrava na obsessão dos pais pela a aprovação dos filhos, quer fosse nas Faculdades, nas básicas ou nas secundárias.
- Eu quero saber se isso que vocês estão ensinando vai fazer o meu filho passar de ano - diziam os pais nas reuniões com as escolas.
E assim, praticamente todo o ensino foi orientado para os alunos passarem ano após ano. Lá se foi toda a aprendizagem de conceitos; as discussões de ideias, tudo, enfim, se resumiu ao decorar de fórmulas. Com a Internet, os trabalhos escolares e as fórmulas ficaram acessíveis a todos, e nunca mais ninguém precisou de ir à escola para estudar a sério.
Em seguida, os professores foram desmoralizados. Os seus salários foram gradativamente sendo esquecidos e ninguém mais queria dedicar-se à profissão. Quando alguém criticava a qualidade do ensino, sempre vinha algum tonto dizer que a culpa era do professor.
As pessoas também se tornaram descrentes da educação, pois viam que as pessoas “bem sucedidas” eram políticos e empresários que os financiavam, modelos, jogadores de futebol, artistas de novelas da televisão, sindicalistas – enfim, pessoas sem nenhuma formação especial ou contribuição real para a sociedade.

Ah, mas estava a esquecer-me de um factor chave nessa história toda.
Houve uma época longa chamada ditadura; os militares colocaram os professores “debaixo de olho” e quase acabaram com eles. Foram perseguidos, aposentados, expulsos do país, em nome do combate aos subversivos e à instalação de uma república sindical no país.
Eles fracassaram, porque essa tal república sindical se instalou, os tais subversivos tomaram o poder, implantaram uma tal de “educação libertadora” que nunca ninguém soube o que é, e fizeram a aprovação automática dos alunos com apoio dos políticos... Foi o tiro de misericórdia nos professores.
Não sei o que foi pior –se os militares se os tais subversivos.

– Militar? Não conheço essa palavra. O que é um militar, vovô?

– Era, meu filho, era; agora já não é. Também já não existem...

domingo, 28 de setembro de 2008

DONA FERNANDA

João Luís Alves César das Neves, Professor Universitário, nascido em Lisboa em 1957, é pai de quatro filhos.

Doutorado e licenciado em Economia pela Universidade Católica Portuguesa,
Mestre em Economia pela Universidade Nova de Lisboa,
Mestre em Investigação Operacional e Engenharia de Sistemas pela Universidade Técnica de Lisboa,
com mais de uma dezena de livros e vários artigos científicos publicados, é, actualmente, Professor Extraordinário com Agregação da UCP (Universidade Católica Portuguesa) e Presidente do Conselho Científico da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da UCP

Após esta breve introdução partilho convosco um texto do professor doutor João César das Neves que, com muito humor e ironia, chama a atenção para graves problemas dos jovens, através da conversa de duas mães preocupadas.


- Dona Fernanda, então por aqui?
Agora me lembro, ainda não lhe dei os parabéns pelo seu homem. Vi-o no concurso da televisão. Que honra! Muitos parabéns! Fiquei orgulhosa como se fosse meu!
- É verdade, dona Cátia. Estamos muito contentes. Foi muito bom, até para compensar a desgraça da minha irmã.
Não sabe?
Imagine que o marido dela é administrador de um banco.
- Não me diga!
Que vergonha!
Mas qual? Daquele criminoso, o BCP?
- Olhe, nem sei bem. Mas aquilo é tudo a mesma gente.
Coitada da minha irmã, anda muito ralada!
Felizmente que o amante está muito bem. Era segurança num bar, mas agora conseguiu ficar dado como deficiente por causa de uma sova que levou, e o subsídio é excelente.
- Ainda bem! Que sorte!
Olhe, essa sorte não tenho eu. Ando muito preocupada com o meu sobrinho.
Não, não é com o homossexual. Não, esse está óptimo. Foi ao estrangeiro casar com o amigo e agora até estão a pensar adoptar uma criança por lá.
O que me preocupa é o outro, o Zé. Tem um restaurante, imagine. Um restaurante de luxo.
- Ai, coitado! Em que se havia de meter!
E tem tido muitas queixas?
- Pois. Calcule que nem sequer usava sabão líquido nas casas de banho e os exaustores são de baixa extracção.
Estou com medo que mais cedo ou mais tarde acabe na cadeia, pobrezinho!
- Compreendo, compreendo.
As ralações que temos!
E então o que é que a traz por cá?
Eu vou agora ali à direcção da escola queixar-me. Veja lá que a minha filha me disse que lá na escola não há máquinas de distribuição de preservativos na casa de banho das raparigas. Só na dos rapazes.
Não é uma vergonha?
- Um escândalo.
Depois se há problemas a culpa é dos pequenos!
Eu também tenho de lá ir mas, infelizmente, é derivado ao comportamento do meu Ronaldinho.
- Não me diga que ainda é por causa da gravidez?
- Não, que ideia. Isso está tudo resolvido.
Eles os dois trataram a questão com muito bom senso.
Nem pareciam ter 13 anos!
O aborto correu muito bem e o meu rapaz até já arranjou outra namorada bastante mais velha.
Não, o que me preocupa é aquele grupo com que ele anda.
- Qual? A banda de rock satânico? Oh, minha amiga não se apoquente com isso. Nós lá em casa até dissemos ao nosso rapaz para criar uma.
Antes isso que andar pelos ATL (Actividades dos tempos livres) da paróquia com aqueles beatos a meter patranhas na cabeça dos miúdos.
Na banda é muito mais seguro e saudável. Não só é artístico, como abre horizontes e um dia, quem sabe...
Olhe, não me preocuparia nada com isso.
- Não, não é isso.
Nós também estamos muito satisfeitos por ele andar com a banda. É um excelente meio de educação.
Ao princípio ainda me chocava um bocado as letras das canções, a falar de suicídio e sangue, mas agora até acho graça.
Rapazes são rapazes, não é?
Não, é muito pior.
Ele também anda metido em coisas mesmo graves com aquele outro grupo clandestino. Já ouviu falar, não? Aquele grupo de fumadores que no outro dia até apareceu no jornal por um deles fumar dentro do metro.
- Que horror!
O seu filho fuma?
Mas isso faz imenso mal à saúde e polui o ambiente.
Então ele não pensa no aquecimento global?
Esta juventude está perdida!
- Eu sei, eu sei!
Tentámos tudo para o afastar do vício, mas nada.
O meu marido até quis ver se o interessava em blogs pornográficos, chats neonazis e outras coisas que fossem também um bocadinho subversivas e clandestinas, mas não fizessem tanto mal.
Mas nada!
Ele não larga o cigarro!
A culpa é do meu homem e eu já lhe disse. Imagine que quando o miúdo era pequeno lhe dava pistolas e outros brinquedos de violência.
Claro que tinha de ter esta consequência, não era?
- Que horror!
Imagino como anda apoquentada.
E nos estudos, que tal anda ele?
Os meus, antigamente, era um castigo. Davam muitos erros de ortografia mas isso agora, com este novo programa para o insucesso escolar, deixou de criar problemas, porque já não conta. E, mesmo na Matemática, o que interessa é a criatividade dos miúdos.
Se os professores explicam mal que culpa têm os pequenos?
- Eu digo o mesmo.
Se eles depois acabam todos no desemprego, ao menos gozem a juventude...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

INÍCIO DO ANO ESCOLAR

Dos assuntos que mais me preocupam, dois merecem destaque especial: as crianças e a Educação (ou a falta dela…)
O ano escolar começou, nalgumas escolas há pouco mais de uma semana; noutras, creio que poucas, foi já nesta semana que começaram as aulas.
Ainda há pouco de novo a dizer. Tudo começou como acabou no ano escolar transacto, ou seja, mal.

Em alternativa ocorre-me falar de Rubem Alves, emérito professor brasileiro, que durante toda a vida dedicou particular atenção às crianças.

Nascido a 5 de Setembro de 1933, em Boa Esperança, ao sul de Minas Gerais, estudou teologia, entre 1953 e 1957, no Seminário Presbiteriano de Campinas.
Em 1963 foi estudar para Nova Iorque, donde voltou, em Maio de 1964, com o título de Mestre em Teologia pelo Union Theogical Seminary.
Denunciado como subversivo pelas autoridades presbiterianas e perseguido pelo regime militar, regressou aos Estados Unidos, onde se doutorou em Filosofia, na Universidade de Princeton.

De volta ao Brasil iniciou a sua carreira de professor.
Começou por dar aulas de filosofia, passando por professor-visitante, depois professor-adjunto na Faculdade de Educação, professor-titular no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas… um sem fim de funções, sempre ligadas ao Ensino.

É membro da Academia Campinense de Letras, professor-emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), onde recebeu a medalha Carlos Gomes pela sua contribuição à cultura.

Admirador de Fernando Pessoa, entre outros, é autor de inúmeros livros, e colaborador em diversos jornais e revistas, com crónicas de grande sucesso, em especial entre os vestibulandos.

Na literatura e na poesia encontrou a alegria que o manteve vivo nas horas más por que passou.

Afirma que é “psicanalista, embora heterodoxo”, pois nela reside o facto de que acredita que no mais profundo do inconsciente mora a beleza.

Poeta, cronista do cotidiano, contador de histórias, é um dos mais admirados e respeitados intelectuais do Brasil.

Do professor doutor Rubem Alves se diz:

Ama a vida, a beleza e a poesia
Ama a natureza e a reverência pela vida
Ama a educação como fonte de esperança e transformação
Ama todas as pessoas, mas tem um carinho muito especial pelos alunos e professores
Ama as crianças e os filósofos – ambos têm algo em comum: fazer perguntas

Os seus “conceitos” revelam sempre uma enorme preocupação em educar, formando, e não apenas fornecer informação aos seus alunos.

“Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu. O educador diz: Veja! e, ao falar, aponta O aluno olha na direção apontada e vê o que nunca viu. Seu mundo se expande. Ele fica mais rico interiormente... E, ficando mais rico interiormente, ele pode sentir mais alegria e dar mais alegria - que é a razão pela qual vivemos.”

“Já li muitos livros sobre psicologia da educação, sociologia da educação, filosofia da educação – mas, por mais que me esforce, não consigo me lembrar de qualquer referência à educação do olhar ou à importância do olhar na educação, em qualquer deles. A primeira tarefa da educação é ensinar a ver... É através dos olhos que as crianças tomam contato com a beleza e o fascínio do mundo... Os olhos têm de ser educados para que nossa alegria aumente.”

“A educação se divide em duas partes: educação das habilidades e educação das sensibilidades... Sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido.
Os conhecimentos nos dão meios para viver. A sabedoria nos dá razões para viver.”

“Quero ensinar as crianças. Elas ainda têm olhos encantados. Seus olhos são dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o início do pensamento: a capacidade de se assombrar diante do banal.”

“Para as crianças, tudo é espantoso: um ovo, uma minhoca, uma concha de caramujo, o vôo dos urubus, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra. Coisas que os eruditos não vêem.”


“Na escola eu aprendi complicadas classificações botânicas, taxonomias, nomes latinos – mas esqueci. Mas nenhum professor jamais chamou a minha atenção para a beleza de uma árvore......ou para o curioso das simetrias das folhas. Parece que, naquele tempo, as escolas estavam mais preocupadas em fazer com que os alunos decorassem palavras do que com a realidade para a qual elas apontam.”

“As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos. Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem... O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo, e o mundo aparece refletido dentro da gente.”

“São as crianças que, sem falar, nos ensinam as razões para viver. Elas não têm saberes a transmitir. No entanto, elas sabem o essencial da vida.
Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir e não se torna como criança jamais será sábio.” “As crianças não têm idéias religiosas, mas têm experiências místicas. Experiência mística não é ver seres de um outro mundo. É ver este mundo iluminado pela beleza.”


"Enquanto a sociedade feliz não chega, que haja pelo menos fragmentos de futuro em que a alegria é servida como sacramento, para que as crianças aprendam que o mundo pode ser diferente. Que a escola, ela mesma, seja um fragmento do futuro..."

domingo, 18 de maio de 2008

GENERALIZAR A AVALIAÇÃO

Ontem os professores foram de novo para a rua. O número de pessoas a manifestar-se não foi significativo, se comparado com a última manifestação, que envolveu cerca de 100 mil.
Serviu, no entanto, para chamar a atenção do público em geral para o facto de os seus problemas continuarem sem solução.
Os próprios sindicatos reconhecem que o Acordo assinada entre eles e o ministério foi apenas uma pequenina gota de água no oceano.
Os menos atentos ou “menos bem” informados poderão pensar que o que está em causa é apenas a questão da Avaliação.
Após a “grande manifestação” ouvi várias opiniões de que a mesma se deveria ter realizado quando saiu o novo Estatuto da Carreira Docente.
E aí é que está, de facto, a razão das verdadeiras reivindicações.
Mas por agora vamos deixar de parte estes considerandos, e limitar-nos a apreciar o que, a respeito da Avaliação, pensa alguém que quis manter o anonimato.
Recebi por email, com pedido de publicação.

GENERALIZAR A AVALIAÇÃO

Segundo notícias que ontem mesmo ouvi na TV, esperam-se novas acções dos profissionais da Educação. Convém analisar o assunto sob todas as vertentes.

Já que muitos jornalistas e comentadores defendem e compreendem o modelo proposto para a avaliação dos docentes, estranho que, por analogia, não tenham pensado aplicá-lo também a outras profissões (médicos, enfermeiros, juízes, etc.).
Se é suposto compreenderem o que está em causa e as outras virtualidades deste modelo, vamos imaginar a sua aplicação a uma outra profissão: os médicos.
A carreira seria dividida em duas: médico titular (a que apenas um terço dos profissionais poderia aspirar) e médico.
A avaliação seria feita pelos pares e pelo director de serviços. Assim, o médico titular teria de assistir a três sessões de consultas, por ano, dos seus subordinados, verificar o diagnóstico, tratamento e prescrição de todos os pacientes observados. Avaliaria também um portefólio com o registo de todos os doentes a cargo do médico a avaliar, com todos os planos de acção, tratamentos e respectiva análise relativa aos pacientes.
O médico teria de estabelecer, anualmente, os seus objectivos: doentes a tratar, a curar, etc. A morte de qualquer paciente, ainda que por razões alheias à acção médica, seria penalizadora para o clínico, bem como todos os casos de insucesso na cura, ainda que grande parte dos doentes sofresse de doença incurável ou terminal. Seriam avaliados da mesma forma todos os clínicos, quer a sua especialidade fosse oncologia, nefrologia ou cirurgia estética.
Poder-se-ia estabelecer a analogia completa, mas penso que os nossos “especialistas” na área da educação não terão dificuldade em levar o exercício até ao fim.
A questão é saber se consideram aceitável o modelo.
Caso a resposta seja afirmativa, então porque não aplicar o mesmo, tão virtuoso, a todas as profissões?

Sem autoria atribuída

Veja, a seguir, a opinião de Fernanda Velez


E porque é Domingo, terminemos com uma bela canção




terça-feira, 13 de maio de 2008

EDIÇÃO EXTRA – AS ROSAS E OS CARDOS DA MINISTRA DA EDUCAÇÃO

Contrariando a rotina das postagens apenas à Quinta Feira e ao Domingo, não resisto a publicar este texto que hoje recebi por email.
Não vou tecer comentários. Apenas vos convido a ler o que escreveu a Professora Cecília Honório, a propósito da entrevista dada na televisão pela Ministra da Educação.

As rosas e os cardos da Ministra da Educação

07-Mai-2008
A Ministra da Educação foi à televisão ajudar a lavar o negócio das políticas sociais de Sócrates. Bordou o autoritarismo, abriu o seu peito de esquerda, mas a realidade não deixa de ser o que é só porque as eleições espreitam.
1. Chumbos. Andamos há muito a dizê-lo e a ministra tem razão: o chumbo é arma de uma escola elitista, custa caro aos contribuintes e, ainda por cima, reproduz o insucesso escolar (ao contrário das línguas aziagas do rigor, os dados mostram que as crianças e os jovens não aprendem mais por ficarem retidos).
Mas os chumbos vão acabar? Não, disse a ministra. E à pergunta: então, a saída para os jovens que chumbam é a formação profissional? Não, disse a ministra. E não podia, porque a realidade é o que é. O que se oferece hoje aos jovens com longa história de insucesso (rapazes, sobretudo) são os famosos cursos de formação para conclusão da escolaridade obrigatória, nichos de enjeitados anos a fio a fazerem de conta, eles e os professores, que vão ser, um dia, jardineiros. Às perguntas que interessam (o que foi e o que vai ser feito para combater os custos sociais dos chumbos?) seguiu-se retórica para três anos perdidos, porque as respostas são caras.
Não há equipas multidisciplinares nas escolas, não há mediadores, não há psicólogos, não há horas para programas de tutorias, não há horas para apoios específicos, não há turmas mais pequenas onde é necessário, não há responsabilização das escolas que fazem turmas de "bons" e de "maus", não há salas de aula dignas e equipadas. Não há nada a não ser a boa vontade e o empenho de professores, e de poucos profissionais que resistem à sangria da poupança, para os meninos e meninas que não correspondem ao formato médio, que não têm livros em casa, que não têm mãe escolarizada e pai bem sucedido profissionalmente, que não têm, muitas vezes, dinheiro para comer, e que até vivem desse monstro irresistível que é o da caridade das escolas.
Diz ainda a ministra que o problema não está nos programas, "acessíveis" aliás, e é mentira. Os programas e a disciplinarização nos 2º e 3º ciclos são esmagadores para os jovens que passam os dias amestrados em aulas, sem tempo para viver. É a realidade diária deles.
2. Professores. Acenar com o bife da equiparação no topo entre professores e carreira técnica é esquecer os muitos milhares que nunca lá chegarão, é cuspir para o lado aos preços da formação e a uma avaliação punitiva e infernal (que ainda terá um director para jogar com afilhados e afilhadas com as quotas da excelência, que, aliás, exigiam uma avaliação externa de todas as escolas, e a ministra diz que a coisa vai pelas 400...).
A realidade do próximo ano nas escolas portuguesas será a do inferno sem purgatório. Na instabilidade para os alunos, no perigo do sucesso administrativo não pensa a Ministra. E cada professor e professora só desejará, nos melhores dias, ver a ministra e os seus secretários avaliados com as suas fichas. Uma qualquer ficha de sete páginas para observação de aulas e portefólio, cada item desmembrado em vinte, cada um deles classificado de 1 a 5, mais a ficha feita pelo conselho executivo, onde o "excelente" corresponde ao sobre-humano, e eles não passam.
E, ao menos, aqueles cotados conselheiros científicos que a Ministra arranjou não são capazes de operacionalizar as fichinhas e de lhes dar uniformidade para minimizar a selva que aí vem?
Esta equipa ministerial foi chumbada no dia 8 de Março. Vai custar muito caro ao país retê-los mais um ano (e eles nem vão aprender mais por isso). Entretanto, as escolas vão rebentar com a avaliação, novos capatazes surgirão para tornar inquestionável a cadeia de comando, e o desafio será maior do que nunca: mostrar que este modelo de avaliação não serve, que a avaliação é das escolas e para preservar e aprofundar o trabalho cooperativo; será ano de não deixar passar esta espécie de "luta de classes" dentro da classe, de combater a autofagia, mantendo relações de cooperação e solidariedade, senão eles passam administrativamente...
Cecília Honório

sábado, 19 de abril de 2008

O ACORDO

Mesmo correndo o risco de me considerarem fastidiosa, não posso, e não quero, deixar de voltar ao tema Educação.
O assunto não é pacífico, e está longe de o ser.
Será necessária uma viragem de 360 graus.

Mas como, no nosso País, as “urgências urgentes” implicam fracturas expostas…provavelmente só quando estas se verificarem é que serão tomadas medidas para sanar as já existentes

Segundo as últimas notícias terá havido um “aproximar” de posições entre o ME e os sindicatos.
Estas “últimas notícias” já foram transmitidas há uns dias. Daí para cá não se ouviu falar mais no assunto.
Estamos habituados a ver, nas televisões, as mesmas notícias repetidas até à exaustão.
Sobre este assunto fez-se um silêncio sepulcral!
Porque será???

O Professor Pacheco Pereira exprimiu a sua opinião, que vou transcrever, e que, segundo a sua óptica, explica o “acordo” havido.
Considero-o um bom analista. Mas discordo quando diz :
“Os professores que se manifestavam não queriam…nenhuma avaliação de desempenho”.
Pelo muito contacto que tenho com professores tenho que deduzir que esta afirmação não é correcta. Os professores não querem a avaliação nos termos em que foi proposta, apenas.

Vejamos a posição de Pacheco Pereira.


As notícias sobre as grandes cedências do Ministério da Educação aos sindicatos de professores correm o risco de terem sido muito exageradas.
Menezes, Portas, alguns comentadores e blogues vieram logo dizer que o verdadeiro ministro da Educação era Mário Nogueira, da FENPROF, e que Maria de Lurdes Rodrigues era “ex-ministra”.
Depois veio Mário Nogueira, cinco segundos depois, ainda o acordo estava fresco, falar da “grande vitória”, não fossem as pessoas aperceber-se de alguma coisa bizarra e perceber que a avaliação, afinal, continuava mais ou menos como estava.
A frágil ministra aparecia a falar mansamente nas mesmas televisões, dizendo que tinha havido um “acordo” e isso era bom, mas que estava salvaguardado o essencial, a “avaliação estava a fazer-se e ia continuar a fazer-se”.
Mas o que são estas palavras tímidas e quase sussurradas face à tonitruante declaração de vitória sindical, a seguir confirmada pelo espelho da incoerência da oposição, que, sem estudar, nem saber nada do que realmente tinha sido conseguido ou não, sem falar com os professores, veio logo com a conferência de imprensa fácil, declarar que houvera “um grande recuo do Governo” ?
Ora, homem sensato desconfia quando há tanta pressa de correr para a televisão a dizer que se ganhou, e, ainda por cima, em grande.
Homem sensato sabe como funcionam o PCP e os sindicatos, sabe como eles estavam num beco sem saída criado pela sua própria vitória.
Depois de contribuírem para a gigantesca manifestação sabiam que não podiam dar continuidade à “luta” com uma greve, e tinham que recuar.
Homem sensato sabe que, por muito sucesso que a luta dos professores tenha tido, - e teve – a seguir à manifestação viria um refluxo, como veio.
Sabe o homem sensato e sabem, melhor do que ele, os sindicalistas profissionais.
Homem sensato e com memória já viu muitas vezes como, para os comunistas e os seus sindicalistas, o mais importante não são os anéis, são os dedos. Os dedos, aqui, são manter o adquirido, e o adquirido é o reforço dos sindicatos e do PCP na vida pública nacional, pensando também em 2009, ano de eleições.
Nunca, jamais, em tempo algum, organizações mais experientes a dormir, que mil líderes da oposição acordados, sabem que não podem correr o risco de ir mais longe e pôr em causa a percepção de vitória, com aventureirismos ou impasses cujo apodrecimento mostraria as fragilidades sindicais.
O PCP e os seus sindicatos sabem, melhor do que ninguém, que precisavam, como de pão para a boca, de um acordo, e sabiam que o ministério também precisava do mesmo. Um precisava de parecer que ganhava, e o outro de parecer que cedia.
Foi por isso que, de repente, se chegou a um acordo que, pelos vistos, os “professores”, citados pelos jornais, entendem como uma derrota e não como “a grande vitória”. Percebe-se porquê: os professores que se manifestavam não queriam, na sua esmagadora maioria, nenhuma avaliação de desempenho, e vai continuar a haver avaliação.
Eles sabem disso, os sindicatos sabem disso, a ministra sabe disso, o resto é coreografia.

Bastante tempo antes deste “acordo” já o Professor Ramiro Marques havia manifestado a sua apreensão quanto a um possível “entendimento” por parte dos sindicatos.

Para quem não saiba, Ramiro Marques é Professor Coordenador com Agregação da ESE (Escola Superior de Educação) de Santarém.
Autor de várias dezenas de livros escolares desde a década de 80, que vão do pré-escolar ao 12º.ano, escreveu também vários livros relacionados com Educação, (alguns publicados também em Espanha e no Brasil) ,até 2007.

Vejamos agora a preocupação de Ramiro Marques, que parecia adivinhar o que viria a acontecer.


Se os professores desmobilizarem será a desgraça total!

“Inclino-me a pensar que os sindicatos vão, mais uma vez, desmobilizar os professores a troco de coisa nenhuma.
Umas cedências de pormenor, mantendo o modelo tal como está, para dar a ideia de que houve recuo e que todos ganharam. Se assim for (oxalá me engane!), será uma desgraça para os professores.
Com os professores de joelhos, outras malfeitorias virão: fim das pausas da Páscoa e do Natal, escolas abertas e com alunos durante a Páscoa e o Natal, formação contínua aos sábados, etc.
A profissão, tal como a conhecemos, está em vias de acabar. A escola pública vai morrer. As classes alta e média alta vão colocar os seus filhos em colégios privados, e as escolas públicas transformar-se-ão em imensos CEFs onde não se aprende nada, apenas se guardam crianças e adolescentes.
Os professores assistirão ao nascimento de um outro estatuto, ainda pior que o actual: o estatuto de prestadores de cuidados sociais e de empregados domésticos dos pais”.

Ramiro Marques

quarta-feira, 2 de abril de 2008

OS PROFESSORES SÃO ÚTEIS

Desde que começou toda esta polémica relacionada com manifestações de professores, avaliações, telemóveis nas salas de aula, agressões, etc., tenho recebido muitos textos, com pedido de publicação neste blog.
Não tenho atendido a maioria desses pedidos porque me são remetidos sem autoria conhecida (excepto a dos remetentes, que as reencaminham, mas não são os autores dos textos).
Neste que aqui apresento consta o nome do autor. Devo dizer que não o conheço, mas já tenho lido várias coisas escritas por ele, (ou que, pelo menos, lhe são atribuídas).




Escola e justiça pelas próprias mãos.

Ontem visitei uma escola no concelho de Sintra. Era a “semana da leitura” numa escola cuja biblioteca está permanentemente aberta das 08h00 às 22h00 por devoção dos seus professores.
Os de várias disciplinas, de Português a Educação Física e Geometria – cada um faz uma escala para garantir um dos objectivos internos da própria escola: mantê-la aberta nesse período.

Havia alunos a ajudar no bar e no refeitório, porque não há pessoal suficiente. Alunos, funcionários administrativos e professores, promoveram uma maratona de leitura.

A ministra da educação pede a estes professores para “trabalharem mais um pouco”, coisa que eles já fazem há bastante tempo; ouvi alunos portugueses, africanos, indianos, do Leste Europeu, a falar com orgulho da sua escola. Falando com eles, um a um, percebe-se entusiasmo.

Percebo pela blagosfera uma grande vontade de fazer “justiça pelas próprias mãos” aos professores, mas vejo poucas pessoas com disponibilidade para ouvi-los nos corredores das escolas, quando fazem turnos de limpeza, quando atendem alunos em dificuldade ou fazem escalas para Português como língua estrangeira para rapazes ucranianos ou indianos que não entendem sequer o alfabeto ocidental, ou quando tratam dos problemas pessoais de alguns deles (ou porque não tomam o pequeno-almoço em casa, ou têm dificuldade em aceitar um namoro desfeito, ou quando andam na droga).

Os professores, estes professores, são um dos últimos elos (percebe-se isso tão bem) entre os miúdos e miúdas desorientados e um mundo que é geralmente ingrato. São avaliados todos os dias pelo ambiente escolar, pelo ruído da rua, pelas horas de atendimento, pelas reuniões que o ME não suspeita.

Muitas vezes as famílias não sabem o ano que os miúdos frequentam; não sabem quantas faltas eles deram; não sabem se os filhos estão de ressaca.
Os professores sabem.

Essa vontade de disciplinar os professores, eu percebo-a. Durante trinta anos, uma série de funcionários que abundou “pelos corredores do ME” (gosto da expressão, eu sei), decretou e planeou coisas inenarráveis para as escolas, sem as visitar, sem as conhecer, ignorando que essa geringonça de “planeamento”, “objectivos”, princípios pedagógicos modernos, funcionava muito bem nas suas cabecinhas, mas que era necessário testar tudo nas escolas, que não podem ser laboratórios para experiências engenhosas.

Muitos professores foram desmotivados ao longo destes anos. Ou porque os processos disciplinares eram longos depois de uma agressão (o ME ignora que esses processos devem ser rápidos e decisivos), ou porque ninguém sabe como a TLEBS é aplicada. Ninguém, que eu tivesse ouvido nas escolas onde vou, discordou da necessidade de avaliação. Mas eu agradecia que se avaliasse também o trabalho do ME durante estes últimos anos; que se avaliasse o quanto o ME trabalhou para dificultar a vida nas escolas com medidas insensatas, inadequadas e incompreensíveis; que se avalie a qualidade dos programas de ensino e a sua linguagem imprópria e incompreensível.

Sou e sempre fui dos primeiros a pedir avaliação aos professores, porque é uma exigência democrática e que pode ajudar a melhorar a qualidade do ensino. Mas é fácil escolher os professores como bodes expiatórios de toda a desgraça do “sistema”, como se tivessem sido eles a deixar apodrecer as escolas ou a introduzir reformas sobre reformas, a maior parte delas abandonadas una anos depois. Por isso, quando pedirem “justiça” e “disciplina” e “rigor” (coisas elementares), não se esqueçam de visitar as escolas, de ver como é a vida dos professores, porque creio que se confunde em demasia aquilo que é “o mundo dos professores” com a imagem pública de um sistema desorganizado, oportunista e feito para produzir estatísticas boas para a propaganda.

Francisco José Viegas

terça-feira, 1 de abril de 2008

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS - BULLYING

Bullying – “termo que não tem tradução para português, mas está bem difundido nos estabelecimentos de ensino do País”.


Por cedência de um grupo de jovens estudantes encontra-se em meu poder vasto material referente a este assunto.
Por ser demasiado extenso, seleccionei alguns trechos que apresento a seguir, e algumas imagens que postarei separadamente.



…A Violência protagonizada pelos jovens nas escolas é uma realidade inegável. A sociedade terá que se organizar e insurgir-se activamente contra este fenómeno. De igual modo, a escola terá que ajustar os seus conteúdos programáticos e acercar-se mais das crianças. Devido às exigências, as famílias muitas vezes destituem-se da sua função educativa, delegando-a à escola. No meio de toda esta confusão, estão as crianças, que actuam conforme aquilo que observam e agem consoante os estímulos do meio. Meio esse que, por vezes, oferece modelos de conduta e referências positivas questionáveis…

A violência nos últimos quatro anos
…A violência registada em meio escolar tem vindo a aumentar nos últimos quatro anos. Em 2004/2005 as estatísticas davam conta de 1.232 situações de agressão envolvendo alunos, professores e auxiliares, número que subiu para cerca de 1.500 no último ano lectivo. Os dados são minimizados pelas autoridades, que lembram estar em causa um universo de um milhão e 700 mil alunos…


Armas na sala de aula

…A violência nas escolas é tema de discussões no mundo inteiro, já que o problema não ocorre apenas em bairros ou países pobres e periféricos. Frequentemente a Unesco promove conferências sobre o tema, em diversos países.
Na Europa, por exemplo, não se fala mais em “cultura de paz”, mas em “educação para a cidadania”, com o objectivo de formar alunos-cidadãos capazes de expor as suas ideias de maneira pacífica…

Agressores precisam de vítimas. E quem são as vítimas?

…Geralmente, os autores de Buulying procuram pessoas que tenham alguma característica que sirva de foco para as suas agressões. Assim, é comum eles abordarem pessoas que apresentem algumas diferenças em relação ao grupo no qual estão inseridas, como, por exemplo: obesidade, baixa estatura, deficiência física, ou outros aspectos culturais, étnicos ou religiosos. O que se verifica é que essas crianças são alvos mais visados, e tornam-se mais vulneráveis ao Buulying, por possuírem algumas dessas características específicas.
Mas o facto de sofrer Bullying não é culpa da vítima, pois ninguém pode ser responsabilizado por ser diferente!...
Na verdade, a diferença é apenas o pretexto para que o agressor satisfaça uma necessidade que é dele mesmo: a de agredir.
Tanto os pais quanto as escolas devem ajudar as crianças a lidar com as diferenças, procurando questionar e trabalhar os seus preconceitos. E uma das boas maneiras de se lidar com isso é promovendo debates, nos quais os jovens possam tomar consciência dessas questões, e confrontar as suas ideias com as de outros jovens…

20% dos alunos são vítimas de bullying

…Nas escolas básicas portuguesas um em cada cinco alunos é vítima de uma intimidação constante por parte de colegas – que inclui agressões, insultos e exclusão de jogos. É o bullying, termo que não tem tradução para português, mas que está bem difundido nos estabelecimentos de ensino do País. O último caso conhecido afecta um menino de 12 anos, que sofreu de cancro, e cujos pais tentaram, sem sucesso, que a escola que frequenta o mudasse para outra turma.
Chegaram a pedir a intervenção da Inspecção-Geral da Educação. Na falta de respostas e temendo o agravamento do estado de saúde do filho, não o deixaram ir mais às aulas. No último período o menino não foi à escola…

A opinião dos jovens

…A opinião dos jovens foi recolhida em 191 escolas nacionais, de ensino regular, num total de 6.903 alunos.
As escolas foram sorteadas de uma lista nacional.
Foram seleccionados alunos dos 6º., 8º. e 10º. anos de escolaridade.
A cada um destes anos corresponde uma idade média de 11, 13 e 16 anos…

…Apesar de tudo, os números relativos à violência nas escolas apresentados neste estudo não podem ser encarados com tranquilidade. De acordo com os resultados, a agressão de que os alunos portugueses mais referem ter sido vítimas é a física e a verbal. As raparigas, em número elevado, referem ainda ter sido alvo de comportamentos indesejados com conotação sexual.
Um aluno em cada dez já foi abordado no sentido de adquirir ou consumir drogas e um em cada quatro ter sido assaltado, roubado ou vítima de destruição de propriedade…

Possuo muito mais material que não vou aqui publicar, por demasiado extenso.
Nenhum dos textos recebidos refere autoria, excepto o que segue, e que não poderia deixar de mostrar:

Indicações para os pais

AOS PAIS

Se você for informado de que o seu filho é um autor de Buulying, converse com ele e:

“Saiba que ele está a precisar de ajuda”.

“Não tente ignorar a situação, nem procure fazer de conta que está tudo bem”.

“Procure manter a calma e controlar a sua própria agressividade ao falar com ele. Mostre-lhe que a violência deve ser sempre evitada”.

“Não o agrida nem o intimide: isso só irá tornar a situação ainda pior”.

“Mostre que você sabe o que está a acontecer, mas procure demonstrar
que você o ama, apesar de não aprovar esse seu comportamento”.

“Converse com ele: procure saber porque ele está a agir assim, e o que
poderia ser feito para ajudá-lo”.

“Garanta-lhe que você quer ajudá-lo e que vai procurar alguma maneira de fazer isso”.

“Tente identificar algum problema actual que possa estar desencadeando esse tipo de comportamento. Nesse caso, ajude-o a sair disso”.

“Com o consentimento dele entre em contacto com a escola: converse com os professores, funcionários e amigos que possam ajudá-lo a compreender a situação”.

“Dê orientações e limites firmes, capazes de ajudá-lo a controlar o seu comportamento”.

“Procure auxiliá-lo a encontrar meios não agressivos para expressar as suas insatisfações”.

“Encoraje-o a pedir desculpas aos colegas que ele agrediu, seja pessoalmente ou por carta”.

“Tente descobrir alguma coisa positiva em que ele se destaque, e que venha a melhorar a sua auto-estima”.

“Procure criar situações em que ele possa sair-se bem, elogiando-o sempre que isso ocorrer”.

Autor: Sónia Carla Aroso Azevedo

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS - BULLYING - IMAGENS

Eis algumas das imagens recebidas












sexta-feira, 28 de março de 2008

O AMBIENTE NAS NOSSAS ESCOLAS

Quem me conhece sabe que sou fã de Luís Fernando Veríssimo. O seu humor fascina-me!
Em ar de brincadeira, sempre com muita graça, consegue dizer muitas verdades, pôr o dedo em muitas feridas.
Estive a ler uns textos que tenho guardados, dele, e encontrei este. Parece-me oportuno dá-lo a conhecer.
Estamos passando por momentos muito tumultuados nas nossas escolas.
Talvez o seu conteúdo justifique, em parte (mas só em pequena parte…)o comportamento inqualificável de alguns alunos.
A pouca atenção que, por vezes, os pais prestam aos filhos, tem resultados desastrosos.
Claro que a acrescer a isso há os maus exemplos de faltas de respeito em casa, famílias desestruturadas, companhias indesejáveis, e um sem número de outras componentes.
Mas, por agora, fiquemo-nos com Luís Fernando Veríssimo.


MÃE EXECUTIVA

- Acampar ? De jeito nenhum! Você só tem 7 anos.
- Tenho 15, mãe!
- Mas já?! Não é possível! Tem certeza?
- Absoluta. É que nos últimos aniversários você estava trabalhando e esqueceu de ir.
- Esqueci, não. É que caíram em dia de semana. Se tivessem feito como eu sugeri…
- Você sugeriu que mudassem o dia do meu aniversário para o primeiro domingo de Maio.
- Exato. Domingo eu nunca trabalho.
- Papai contou que vocês se casaram num domingo e você trabalhou durante a cerimónia.
- Eu só assinei uns documentos enquanto o padre falava. Ele nem percebeu.
- E em vez do vovô…você entrou na igreja de braço dado com o contador!
-Claro! O balanço da firma era para o dia seguinte!
- E a lua de mel…
- Tá. Eu não fui. Mas mandei o boy do escritório me representando. Seu pai, no começo, resistiu, mas acabou aceitando.
- E quando eu nasci? Qual é a desculpa?
- Desculpa porquê? Você nasceu como qualquer criança.
- Nasci numa mesa de reuniões!
- Era uma reunião de diretoria! Não podia sair assim, só porque a bolsa estourou. E você devia se orgulhar! Foi o presidente de uma grande multinacional que fez seu parto.
- Já sei. E a secretária cortou meu cordão umbilical com o clipe. Não brinca. Fiquei traumatizado.
- Eu fiquei. Você nasceu em cima de uma papelada importante. Quase perdi o emprego.
- E quando você foi me pegar na escola pela primeira vez? A vergonha que eu passei!...
- Eu só estava com medo de não te reconhecer…Não te via fazia um tempinho…
- Tive que segurar um cartaz, que nem parente desconhecido em aeroporto, escrito: “Eu sou o Tiago”.
- Tiago? Foi esse o nome que eu te dei?
- Que a moça do cartório me deu! Quando completei 8 anos e consegui ir sozinho a um tabelião. Fiquei sem nome durante oito anos! Oito anos sendo chamado de pssit!
- Pssit? Até que não é feio!
- Tudo por causa dessa porcaria do teu trabalho! Faz uma coisa. P’ra provar que você quer mudar, vem acampar comigo.
- Porque nós não acampamos lá no meu escritório? Do lado do fax tem um espação! E umas samambaias artificiais. Posso contratar algum estagiário para ficar coaxando p’ra gente…
- Pára de brincar. Larga tudo e vem comigo…
- Bom, se você está insistindo tanto, eu…Então tá. Eu…Tudo bem, eu vou.
- Jura??? Ótimo! Você vai adorar!
- Ah, difícil pensar em programa melhor. Aquelas árvores, aqueles macacos guinchando, aquelas aranhas bacanas…
- Então está tudo certo.
-Só preciso saber assim…de um detalhe. A respeito do mato. Uma besteira…
- O quê? Se no mato tem mosquito? Se tem cobra?
- Não. Se no mato tem tomada.

Luís Fernando Veríssimo


quinta-feira, 27 de março de 2008

O ENSINO EM PORTUGAL

Jornalista e escritor português, licenciado pela Universidade Livre de Bruxelas, João Aguiar é autor de vários livros, incluindo uma colecção infanto-juvenil.
Transcrevo aqui um texto de sua autoria, que, no momento actual, considero de grande pertinência.


O CONTADOR DE HISTÓRIAS
Por JOÃO AGUIAR

CENHORA MENISTRA…

A gente vai-se entendendo, com um ou outro sopapo nos professores, sinal apenas de espírito de iniciativa e de saudável energia física.

Vânho com esta agardecer a voça escelencia akela koisa de não ligar puto à hortugrafia nos isames do 9º.anu i de não ter metido nelex aqueles xatus do Camões i do Jil Vissente e de a perova ser bestialmente fássil. Eu já não benefissiei porque akabei a xatisse dos estudos e tou agora num dakeles empregus purreiros oferessidos pelo cenhor menistro da ikonumia, mas a minha irman Katia Vaneça fês u isame i gostou muito. Ela não pressisa de hortugrafia pra nada, já tá a fazer istájio numa kasa de alterne muita fixe, pagam bem i ela nem tem de falar, kuanto mais eskrever.
Também kero agardecer, cenhora menistra, ke os isames do 12º.forão bué da fásseis, cem ninhuma gramatika, purke u meu irmão Xico us fês e kurreram lhe muitabem i ele nem estodou nada todu u anu, a bem dizer, purke já ganha a vidinha komo diller i então não tem tempu pra essas xatisses. Pra ele livrus e gramatika, jamé, jamé.
I então eu keru ka cenhora kontinui acim, ke vai muitabem.
a) Juzé da Cilva, i.v.l. ( Inginheiro Verdadeiramente Lissenssiado )


Este documento, comovente e palpitante, foi-me cedido por um parente em vigésimo segundo grau de um alto funcionário do nosso Ministério da Educação, depois de um jantar muito bem regado, quando ele já estava claramente com os copos e balbuciava uma velha canção do desaparecido Hervé Villard: “Nu niron plus jamé”…(ortografia francesa modernizada e melhorada pelos do nosso sobredito Ministério; em francês não-corrigido, seria “Nous n’irons plus jamais”)
Interrompendo a cantoria e colocando nas minhas mãos a carta acima transcrita, ele disse-me, entre soluços: “Leia, meu amigo! Veja como esta nossa ministra é popular, como a juventude a estima e apoia! E a juventude é a promessa do futuro! Hic!”.
Eu li a carta e pensei logo que devia dá-la ao conhecimento dos leitores. Porque é edificante.
Segundo o mesmo parente em vigésimo segundo grau me confidenciou, o jovem autor da tocante missiva, além de preencher, como ele próprio informa, um daqueles postos de trabalho prometidos em boa hora pelo senhor ministro Manuel Pinho, vai também integrar uma comissão que deverá promover (segundo ouvi na TV) maiores contactos entre professores e alunos, uma medida destinada , especificamente, a evitar que os segundos agridam os primeiros. A coisa é assim: parece que se multiplicam, nas escolas, os casos de indisciplina e de agressões a docentes. Um espírito tacanho pensaria logo que se impunha um reforço da disciplina e da autoridade da escola, já que, por exemplo, hoje em dia é legalmente muito difícil, e sobretudo moroso, punir um aluno insolente ou violento. Mas isto, repito, é o pensamento de um espírito tacanho. O que é preciso (e felizmente houve quem o entendesse) é multiplicar os contactos entre alunos e professores. Se não der resultado, servirá, pelo menos, para melhorar e aumentar as oportunidades de aqueles baterem nestes – fora do tempo de aula, está bem de ver, para não prejudicar o ensino.
Lendo todo este arrazoado, alguém dirá, criticamente: “Pois, pois! Ele está a defender a sua classe!”. A quem o diga, respondo (ou repito, já nem sei bem) que nunca na minha vida fui professor, nem perto disso. Acrescento que estou muito consciente de que muitos, muitos dos professores do nosso país se encontram na profissão errada (tal como muitos, muitos dos nossos actuais senhores ministros se encontram na função errada: adiante, não falemos de mais misérias. Jamé.).
No entanto continua a ser também verdade que há professores magníficos. Continua a ser verdade que o Ministério tomou uma decisão anticonstitucional, como declarada pelo respectivo Tribunal, que com essa decisão prejudicou vários alunos e que não parece nada preocupado com isso; continua a ser verdade que a tão falada TLEBS não passa de uma tontice inútil destinada a confundir o que deveria ser claro; continua a ser verdade que a concepção adoptada, não só nos exames como na prática do ensino, em relação à ortografia em particular e ao Português em geral, é um atentado contra a inteligência, contra a nossa língua e contra a nossa cultura, cometido por um departamento estatal chamado Ministério da Educação.
Vejo-me obrigado, a tal propósito, a recordar uma história já contada: aquela do professor de Física, dos tempos do antigamente (anteriores até, julgo, ao Estado Novo) que dava pontuação zero ao aluno que, num teste, escrevesse “trezentas gramas” em vez de “trezentos gramas”, porque, explicava, com inteira razão, trezentas gramas são trezentas plantazinhas que, juntas, formam um gramado. Temos aqui duas concepções opostas: uma, a da educação integrada, em que os professores do ramo científico querem e sabem corrigir erros de Português ou de História; outra, a actual, promotora da geral ignorância. em que não importa nada escrever que dôes e dôes são cuatro, o que é preciso é que a gentessentenda.
E a gente vai-se entendendo com um ou outro sopapo nos professores, sinal apenas de um certo espírito de iniciativa e de uma saudável energia física. Quem, no actual sistema, poderá pensar que isso é negativo?
Como diria o senhor ministro Mário Lino, Jamé.

segunda-feira, 3 de março de 2008

DESABAFO

SEGUNDA-FEIRA, 3 DE MARÇO DE 2008


DESABAFO
Numa altura em que tanto se fala dos professores e suas lutas, parece-me oportuno publicar este texto, recebido por email. É um pouco longo, mas bastante interessante


Tristeza
(...) Por isso, fiquei muito surpreendida quando, esta manhã, acordei com uma vontade intensa de procurar o endereço do meu blog ( até me esqueço dele!) e desabafar.
Desabafar porque a tristeza que tem tomado conta de mim, nos últimos tempos, já não se contenta em ser verbalizada com alguns colegas de trabalho (poucos!) que, infelizmente, vão partilhando estes sentimentos de desalento e angústia.
Desabafar porque estou a sentir-me inútil, enxovalhada, descartável e uma peça partida de um jogo de xadrez qualquer, jogado por aprendizes dessa arte ancestral e que requer tanto inteligência como habilidade. Ou será que se tratam antes de foliões que, num pub rasca qualquer, vão atirando dardos a um alvo para passarem o tempo?
Desabafar porque, quando me perguntam qual é a minha profissão, eu já não sei se devo responder orgulhosamente "Sou professora!" ou, em vez disso, "Faço parte de uma companhia circense e, conforme o dia, vou sendo a mulher-palhaço, contorcionista, malabarista, domadora de feras...Olhem! Acumulo funções!"
Aproximam-se a passos largos os meus quarenta e três anos. Desde os seis que estou ligada ao ensino. Nunca cheguei a sair da escola. Fui aluna e depois professora. Comecei a leccionar ainda como estudante universitária e esta profissão faz parte de mim como a minha pele. No entanto, hoje sinto-me como uma cobra: com uma urgente necessidade de a mudar e arranjar uma nova. Pela primeira vez, questiono a sabedoria da escolha que fiz relativamente à minha profissão. Escolha consciente, diga-se em abono da verdade...a culpa foi toda minha, ninguém me obrigou e pessoas avisadas bem me alertaram. Mas, também existiam outras que pensavam de forma diferente.
Relembro nomes de antigos professores... daqueles que, por si só, já eram uma aula e não precisavam de recorrer a metodologias e estratégias inovadoras (já agora...se alguém souber de alguma que ainda não tenha sido tentada, não seja egoísta e partilhe-a comigo...eu já não consigo inventar mais!).
Recordo como esses professores me incentivaram a seguir esta carreira-"Foste feita para ensinar, miúda! Vai em frente!"- e como um deles, quando o encontrei já bem velhote, comentou com um sorriso "Eu bem sabia! Sempre lá esteve o bichinho!"
Que diriam, todos os meus professores que já partiram, sobre tanto decreto regulamentar que, em vagas sucessivas, vai transformando a nossa Escola e os seus professores num circo de muito má qualidade, cheio de artistas saturados, humilhados, mal pagos e fartos de trabalharem num trapézio sem rede?
Sou regulada por um Ministério que espera que eu seja animadora cultural, psicóloga, socióloga, burocrata, legisladora, boa samaritana, mãe substituta... Espera-se que tenha doses industriais de paciência e boa vontade, que me permitam aguentar a falta de educação de meninos mal formados, de meninos dos papás, de meninos que estão na escola apenas porque não têm ainda idade para trabalhar (porque bom corpo isso têm!), de meninos que estão na escola a enganar os pais, que até se deixam enganar por conveniência, de meninos que frequentam os Cursos de Educação e Formação e os Profissionais porque acham que é uma forma de fazer turismo com os livros debaixo do braço (desculpem, enganei-me...vou rectificar- "sem os livros debaixo do braço"), de meninos que vêm para a escola para não deixarem que outros meninos, estes últimos sim, com aspirações e provas dadas, possam seguir em frente até serem os homens que os primeiros nem sequer conseguem projectar mentalmente...
Além disso, tenho reuniões: de departamento, de conselho de turma, de equipa pedagógica, de Assembleia de Escola (pois foi...também caí na patetice de aceitar presidir a este órgão...mais uma vez a culpa foi minha, pois pessoas avisadas bem me alertaram!), de grupos ad-hoc, de reuniões para decidir quando faremos mais reuniões...
Tenho legislação para ler. Labirintos de artigos em que o próprio Minotauro marraria vez após vez num ataque de fúria! Um dédalo legislativo, no qual nem Teseu conseguiria encontrar a ponta do fio. Há papelada para preencher. Pautas dos profissionais, grelhas de observação para cada um dos alunos, registos das actividades de remediação...
Não esquecer a reposição de aulas. As dos alunos que faltam por doença, por namoro, por jogo dos matraquilhos...desde que a justificação do Encarregado de Educação seja aceite, lá tenho eu de arranjar actividades de remediação para quem não quer ser remediado! Proibi a mim própria adoecer, visto que também tenho de repor essas aulas, mais as das greves, as das visitas de estudo dos alunos nas quais a minha disciplina não partici pa ( mesmo estando eu a cumprir o meu horário na escola...não faz mal, depois ofereço um bloco ou dois de noventa minutos gratuitamente!), as das minhas ausências em serviço oficial...
A questão é saber quando e como vou repor essas aulas, dado que o meu horário e o dos alunos é incompatível durante os períodos lectivos! Claro que isso não faz mal: dou dias das minhas férias! Afinal, não consta por aí que os professores estão sempre a descansar?
Tenho aulas para preparar. Testes e trabalhos para corrigir. Devo investir na minha formação. Quando? Como? Onde? E isto é a ponta de um rolo de lã que, bem aproveitadinho, dava uma camisola e pêras! Ou então uma camisa de onze varas!
Fazendo o ponto da situação, sobra-me pouco tempo para aquilo que gosto realmente: ensinar. Pouco tempo para aquilo que me dá prazer: fazer circular o conhecimento. Pouco tempo para conseguir que esse conhecimento ocupe o espaço que, na maioria dos casos, é ocupado por uma crassa ignorância.
Agora, dizem-me que vou ser avaliada ( tudo bem, não tenho nada contra o ser avaliada...talvez assim, com as novas emoções, eu descongele, pois há tanto tem po que estou no frigorífico laboral!), mas parece-me que vou voltar a uma espécie de estágio ainda pior do que aquele que enfrentei há dezassete anos atrás.
Tenho receio que as escolas se transformem num circo ainda maior. Um circo de palhaços ricos e palhaços pobres. Um circo de compadrios e vingançazinhas pessoais. Um circo em que uma meia dúzia de artistas vai andar vestido de lantejoulas e seguido de cãezinhos amestrados, uma outra meia dúzia vai tornar-se perita na arte do contorcionismo, para evitar obstáculos, e a grande maioria da companhia vai ter de engolir fogo para o resto da vida profissional.
Ah! Não posso esquecer que, se tudo correr de feição a este Ministério da Deseducação, até o senhor Zé da padaria vai poder presidir a um órgão de gestão das escolas.
Esta não é a profissão para a qual eu me preparei anos a fio. Por isso, estou triste. Estou triste. E não escrevi sobre tudo a que tinha direito. E esta tristeza, para que eu a consiga despejar convenientemente, tem de ser escrita, gravada com letras...não me chega falar dela. Até porque, ultimamente, também já não me apetece falar.









Publicada por a casa da mariquinhas em 18:17
2 comentários:
A. João Soares disse...
Cara Amiga,
Parabéns por estar a alimentar este blog com o nível que lhe é peculiar.
Este texto está muito bem apresentado.
Compreendo esta situação. Mas, se não pode resolver-se com paninhos quentes, também não se resolverá com violência, a acrescer à muita que já por aí há, sem ninguém a parar.
É certo que esta ministra não tem credibilidade para dialogar com as partes interessadas - professores, pais, alunos, autarquias, etc. Haveria que a substituir já e antes que as coisas se azedem mais. E depois, sentar à mesa representantes das partes interessadas à procura de avaliações e outras medidas que prestigiem o ensino e os seus agentes. Não pode ser esquecido o objectivo do ensino que deverá ser o de preprar adultos com capacidade para criar a grandeza de que Portugal necessita «Levantai hoje de novo o esplendor de Portugal».
Beijinhos
João

No blog Do Miradouro há novos artigos
4 de Março de 2008 18:49
a casa da mariquinhas disse...
Meu caro amigo
Obrigada pelas suas amáveis palavras acerca deste bolg.
Vou transcrever o que deixei no meu blog Sapo:

Agradeço o seu comentário, mas deixe-me esclarecer:
Eu sou contra toda e qualquer espécie de violência.
Mas penso que esta situação só pode resolver-se com atitudes enérgicas, o que não implica violência...
Atingiu-se um ponto tal que, desculpe, não acredito que se decida sem umas valentes vassouradas!
O esplendor de Portugal, em meu entender, depende essencialmente dessa "limpesa".
Até sempre. Beijinhos
Mariazita
6 de Março de 2008 16:58

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

MENTES BRILHANTES



Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

GÉNIOS EM GESTAÇÃO


Por considerar esta descoberta absolutamente brilhante, resolvi divulgá-la.

E porque tive uma certa dificuldade em interpretar o manuscrito, transcrevi as partes de texto.


TEORIA DO GATO FLUTUANTE


Soma de 2 teorias que resulta em uma nova teoria que irá revolucionar o MUNDO !


TEORIA Nº.1 – Teoria do gatoJá dizia Murphy que sempre que jogar um gato para cima, ele nunca cai de costas, sempre de pé


TEORIA N.2 – Teoria da bolachaJá dizia Murphy que toda bolacha, com manteiga, jogada para cima, ela vai cair no chão, com o lado da manteiga para BAIXO


SOMA DAS 2 TEORIAS -» Nº.1 + Nº.2 = TEORIA Nº.3=

TEORIA DO GATO FLUTUANTE


NOSSA TEORIA : Soma as duas teorias, resultando em uma nova:Pega o gato, passe manteiga em suas costas e jogue para cima. Pela 1ª.lei, ele não pode cair de costas, e pela 2ª.lei ele tem que cair do lado da manteiga para baixo, ou seja, as duas forças se anulam e ele FLUTUARÁ !!


Eis o original, manuscrito.


Infelizmente não consegui descobrir a autoria.


publicado por mariazita às 10:54link do post comentar ver comentários (7)
Comentários:De A. João Soares a 25 de Fevereiro de 2008 às 16:18Uma grande descoberta. Parbéns ao autor. Se soubesse quem ele é ia já a correr meter cunhas para ele receber o prémio nobélEstou a olhar para a janela para ver se vislumbro um gato adejante, a pairar na atmosfera à espera que a manteiga seja lambida pelas gaivotas para ele poder aterrar de pé!!!BeijosJoãoresponder a comentário discussãoDe mariazita a 27 de Fevereiro de 2008 às 11:33Não há como competir com as ideias geniais dos jovens de hoje!Vai longe, o rapazinho!Obrigada, meu caro João, pela visita. Para a próxima providenciarei um chá com bolachas e mousse de gato...BeijinhosMariazitaresponder a comentário início da discussãoDe Gisele Claudya a 26 de Fevereiro de 2008 às 12:57Oi, querida. Sei que ando em falta com os amigos blogueiros, flogueiros e siteiros eheheh mas sabes que não tenho vindo muito aqui. Mas cá estou eu, linda. Viva a Internet que nos possibilita mostrar o que somos, como somos, nossas idéias, nossos gostos...enfim.Vou ler-te com atenção, tá?Beijinhosresponder a comentário discussãoDe mariazita a 27 de Fevereiro de 2008 às 11:38Gisele, querida...obrigada pela tua visita.Sei como andas com falta de tempo...por isso mesmo gostei ainda mais de te receber nesta tua casa!Volta sempre. Serás recebida de braços abertos, com a hospitalidade típica dos postugueses!Um abração, amiga, e beijocasMariazitaresponder a comentário início da discussãoDe Vilma Tavares a 27 de Fevereiro de 2008 às 15:38Amiga QueridaEu não estava aqui no Rio, eis por que não lhe havia dado os parabéns.Está tudo muito lindo, principalmente a declaração de amor ao seu filho. Cada vez a estimo mais.Beijos da amigaVilmaresponder a comentário discussãoDe mariazita a 27 de Fevereiro de 2008 às 18:16Querida VilmaA sua ausência , que eu já tinha notado na minha caixa postal...foi por um bom motivo. De vez em quando é preciso arejar o espírito!Obrigada pelas suas palavras, pela sua visita, e, acima de tudo, pelo seu carinho.BeijinhosMariazitaresponder a comentário início da discussãoDe Maria a 27 de Fevereiro de 2008 às 21:01Cara Mariazita,Agradeço a sua amabilidade com o meu blog.Gostei muito de conhecer o seu, também.Certamente não nos perderemos mais.Um beijinho amigoMaria