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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

DIA DE ANIVERSÁRIO


12º. ANIVERSÁRIO

Aniversário?
Alguém falou em Aniversário?
Nem pensar! Já somei anos bastantes para estar agora a acrescentar mais um…!
A continuar nesse ritmo não tardaria muito para eu andar de cadeira de rodas, ou pelo menos munido de uma simpática bengala.
Não! Recuso-me! Daqui para a frente vou começar a desfazer anos. Portanto, como nasci há 12 anos, tirando 1, este ano faço 11. A isto chama-se Retro-Aniversário, ou seja, andar para trás nos anos. Não é uma ideia luminosa?
Para além de não querer envelhecer há , pelo menos, mais duas razões que me levaram a tomar esta decisão: o trabalho e a despesa.
Já pensaram bem no trabalhão que dá organizar um Aniversário? É descomunal!!!
Idealizar os convites (só isto gasta-me metade dos neurónios) , mandar para a impressora para imprimir, endereçar os envelopes, metê-los no correio… é uma maçada sem fim.
E a despesa? Nem é bom pensar!!!
Taças – agora usam-se flutes, cuja forma é mais alongada, mas fazem o mesmo efeito, ou seja, é por eles que se bebe o champanhe. Como nos finais das festas se partem muitos… devido aos vapores etílicos… todos os anos têm de ser repostos os que se partiram.
Depois… há o champanhe propriamente dito. Para não ser uma zurrapa… custa caro.
E o bolo, que custa um dinheirão?! Só por ser de Aniversário cobram-nos o dobro ou o triplo do valor normal sem velas.
Mas isso é apenas o final da festa porque  antes há que reunir uma parafernália de coisas que me cansa só de pensar:
Mesas, toalhas, cadeiras, balõezinhos… Não! É demais! E as comidas? São os salgadinhos, os frios, os quentes, as sobremesas… um nunca acabar de dinheiro gasto.
Por tudo isto, decidi, e está decidido: Acabaram-se os Aniversários! Só Retro-Aniversários.
Bem feitas as contas, como este ano desfaço um, em vez de 12 fico com 11. A este ritmo… em 2031 alcanço o ano ZERO. O que acontecerá nessa altura? Será que volto para a barriga da mãe? Mas… hum, hum… estará ela em idade de me receber de volta??? Veremos. Não vamos agora pensar nisso.
Para finalizar espero que ergam a vossa taça (ou flute) à minha saúde e à minha decisão de me manter jovem para sempre!!!
Tchim, tchim…



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

DIA DE ANIVERSÁRIO

FESTEJAR OU NÃO FESTEJAR O (11º.) ANIVERSÁRIO


No meio de todo o stress do dia-a-dia nada mais justo do que festejar o  Aniversário não fazendo nada.
Isso foi o que REALMENTE pensei. Mas… como conseguir isso?
Fácil – ir até à praia e aí esquecer tudo e todos. Levar o computador – afinal o aniversariante, o blogue, está dentro dele – estender a toalha na areia e deitar-me (com ele, computador, ao lado) e simplesmente ignorar o mundo que nos rodeia…
 Mas… nesta altura do ano, no nosso país, a praia é pouco convidativa.
Posta de parte a ideia da praia… que tal ir conhecer uma maravilha da Natureza? As Cataratas do Iguaçu, por exemplo (sempre foi o meu sonho).
Ná… é muito longe, e um dia só não chega para ir e vir, quanto mais para conhecer.
Não fazer nada é tão difícil! Não me ocorre nada sobre como não fazer nada… Ou antes, as ideias que me vêm à cabeça são totalmente impraticáveis.

E, pensando bem,  a verdade é que festejar Aniversário até é bom. É o mesmo que celebrar a própria vida,  além de contribuir para o nosso equilíbrio emocional.
Isto não são palavras vãs. Quantas vezes, ao longo destes onze anos, esta “CASA” me serviu de refúgio, ajudando a pôr em segundo plano preocupações, arrelias, pequenas depressões, situações difíceis que me pareciam insuportáveis…enfim, aborrecimentos com que a vida se encarrega de nos presentear de vez em quando?

Por falar em presentear… tenho que arranjar alguma coisa para dar de presente aos convidados. Eu não vou convidar ninguém, é claro, mas todos nós sabemos como é, aparecem mesmo sem ser convidados! E depois, não ter nada para oferecer… é uma vergonha, convenhamos.
Sabem que mais? Vou já para a cozinha, para não ser apanhada desprevenida. Vejam o que vou preparar…
Aperitivos, salgadinhos,  petit fours, alguma fruta… que sabe sempre bem...


E, para terminar… TCHAM, TCHAM, TCHAM, TCHAM,!


Uma fatia de bolo e… Tchim, tchim… 


Escolham a língua em que mais gostarem de brindar e... brindem comigo!

Saúde! ; Salud! ;  Santé! ;  Cheers! ;  Prost! ;  Proost! ;  Cin Cin! ;  Za Zdorovye! ;   Skål! ;  Şerefe! ;  Yamas! ; Na zdorowie! ;  Kanpai!
(Portugal, Espanha, França, Estados Unidos / Inglaterra, Alemanha, Holanda, Itália, Rússia, Dinamarca/ Noruega / Suíça, Turquia, Grécia, Polónia, Japão)

OBRIGADA A TODA/OS PELA VOSSA PRESENÇA!

quarta-feira, 6 de junho de 2018

"IN MEMORIAM"

Esta postagem constitui uma espécie de “memorial” em homenagem a quem partiu, faz hoje, DIA 6 DE JUNHO, seis anos, mas permanece vivo na minha memória e no meu coração – o meu Marido.


ENCONTRO MEDIÚNICO

Despidos de roupas e preconceitos, frente a frente, olhamo-nos em silêncio.
Vejo nos teus olhos, envolto numa enorme ternura, um desejo sem fim.
Lentamente dirijo-me para ti.
Colocando-me a teu lado, pressiono o meu corpo, seios e ventre, contra o teu lado esquerdo.
Não te moves. Apenas um ligeiro arrepio denuncia que notaste a minha presença, o meu contacto.
Avanço a mão esquerda em direcção ao teu peito. Suavemente acaricio-te, primeiro do lado esquerdo e de seguida do lado direito, lenta e demoradamente, como quem tem todo o tempo do mundo.
Ao mesmo tempo a minha mão direita, colocada na parte de trás do teu pescoço, faz uma ligeira pressão desde a base dos teus cabelos, deslizando pelas costas, ao longo da coluna.
Com as pontas dos dedos contorno, suavemente, cada uma das tuas vértebras.
Sem pressas, as minhas mãos vão descendo, divagando, ao longo do teu corpo.
Alcançado o baixo-ventre dirigem-se, lentamente, para a parte interna da tua coxa esquerda, desviando-se da tua fonte da vida, que tocam, muito ao de leve, com a sua parte exterior. Um frémito percorre todo o teu corpo.
Docemente coloco-me à tua frente, elevando as minhas mãos até aos teus quadris. Uno o meu corpo ao teu e deslizo para o lado direito.
Os meus movimentos são lentos, suaves, quase diáfanos, como se nos encontrássemos em "slow motion".

Não me deixas prosseguir.
Levantas o braço, passa-lo por cima do meu ombro, bem junto ao meu pescoço, e comprimes o meu corpo contra o teu flanco.
Inclinas-te para o meu lado e, profundamente conhecedor, beijas-me o pescoço.
Sinto o desejo irromper dentro de ti como um vulcão subitamente desperto do seu sono.
A lava incandescente do teu corpo invade-me; no meu ventre surgem labaredas, qual sarça-ardente.
Murmuro-te ao ouvido palavras meigas e sensuais:
- Não resistas, meu amor; deixa-te invadir por estas ondas de fogo que ateiam o nosso desejo.
Procurando, como só eu sei, os teus pontos mais sensíveis, levanto a minha mão direita e acaricio a tua orelha, continuando a murmurar palavras inflamadas, que te provocam arrepios:
- Quero fundir o meu corpo no teu, em comunhão total.
- Quero ser tua, para toda a eternidade…
Correspondes com ansiedade redobrada:
- Quero receber o teu corpo como num altar do Amor.
- Quero que os nossos corpos se unam para sempre.
Prosseguimos com frases que só os amantes conhecem e entendem.

Passou-se um minuto, um ano, um século… O tempo não conta. Pararam todos os relógios do Universo.
Agora sabemos que a dança da sedução está prestes a terminar. Lentamente, caminhamos para um final sem retorno.

Abraçamos o céu com as mãos. Somos únicos à face da Terra.
No clímax que nos atinge, inesperadamente violento, miríades de fogos-fátuos enfeitam os nossos corpos.


Exaustos, olhamo-nos ainda: tu, lá tão longe… eu aqui, tão longe! Separa-nos a distância de um profundo céu negro, polvilhado de estrelas brilhantes.
Ao meu lado, a cama vazia. No ar, o perfume da tua presença.

A morte não é um impedimento intransponível para a comunicação entre aqueles que se amam verdadeiramente.
Texto de Mariazita

sexta-feira, 1 de junho de 2018

NA NOITE ESCURA

NA NOITE ESCURA




NA NOITE ESCURA

Noite escura, hora misteriosa,
No tempo impreciso,
Entre este mundo e o dos espíritos,
Desvanece-se o véu,
E chega, por fim,
O visitante tão esperado.

Entra sem ruído,
E assim permanece,
Calado, em adoração.
E no meio do silêncio ensurdecedor
Ouço a sua voz murmurar baixinho:
Amo-te!

Fito-o, em silêncio,
Como se o visse pela primeira vez.
De súbito,
Numa atracção descontrolada,
Abraçamo-nos,
Como se fosse a última vez.
Sem uma só palavra,
Olhamo-nos, em êxtase,
Temendo que não haja uma próxima vez.

Depois da sua partida
O ar continua
Imbuído da sua presença.
Por companhia tenho apenas o luar.
Acordo, deixo de ouvir o silêncio,
E a sua voz esvai-se na distância,
Lembrando o choro repentino da saudade,
Que em meu peito fez lugar.

Mariazita
Maio, 2018

PRÓXIMA POSTAGEM DE HOMENAGEM - DIA 6/6

quinta-feira, 1 de março de 2018

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 No mês de Março, dia 8,  há uma data muito importante a assinalar – o DIA   INTERNACIONAL DA MULHER.
Para o celebrar, saudando a Mulher em todo o mundo, partilho convosco um poema que já publiquei.
Pelo facto de ter sofrido um pequeno acidente doméstico nos dedos polegar e indicador da mão direita (que se encontram inoperacionais, obrigando-me a teclar só com dois dedos J ) não me é muito fácil escrever um texto, como habitualmente.
Conto com a vossa compreensão, esperando que gostem do poema, desta vez “dito” por mim. Quem preferir… pode apenas ler, abaixo.
Obrigada!



Ó avô
- Será verdade o que da Mulher se diz?
- Que queres saber, meu petiz?
- Dizem que em era passada
A Mulher foi maltratada, desprezada,
Humilhada,
E até violentada…
- É verdade, sim, meu neto.
- Mas porquê? Isso não parece certo…
- És ainda muito novo, para entenderes o povo.
- Podes-me contar, avô, como tudo começou?
- Escuta com atenção. Vou tentar contar-te, então.
Defendem alguns, com grande convicção,
Que nos primórdios do mundo
A Mulher iniciou a Criação.
Nasceu um culto à Deusa Mãe, venerando Gaia,
A Mãe Terra.
Como da Mulher nasciam filhos,
 dela nascia vida, calor, água e pão.
- Isso é tão bonito, avô! Mas porque é que se alterou?
- Há várias opiniões. Dizem que houve invasões,
de homens indo-europeus, só ódio nos corações.
Altos, fortes, audazes, com armas
e dominando cavalos,
destroçaram pacíficas civilizações.
Impuseram seus deuses guerreiros, ferozes:
Deus da tempestade, com o raio e o trovão…
O deus solar, Deus Sol, com a adaga e a espada…
Transportando-se num carro, numa ou noutra ocasião.
A Deusa foi dominada, pelos deuses suplantada,
E a Mulher escravizada.
- Mas isso aconteceu há muito tempo, avô…
- Sim, há muitos milhares de anos.
Mas a história ainda não acabou.
- Ainda há mais, avô? Conta, conta, por favor…
- Ouve, então, com atenção, esta outra versão:
Reza história muito antiga
Que Eva, a Mulher primeira,
Veio ao mundo para gerar
no seu ventre,
e à luz dar, acarinhar, amar…
E após tanta canseira
por seu filho a vida dar.
- Mas tudo isso, avô, é bem digno de louvor.
Porquê, então, o rancor
Que o homem mostra sentir,
e o levou a infligir
tanta dor?
- Para isso, querido neto, o avô não tem resposta.
Uns dizem que foi castigo, só porque Eva pecou
 e o Adão arrastou.
Outros dizem que é sina, que à Mulher foi imposta.
Mas com o passar do tempo tudo se modificou.
- Hoje tudo está diferente, não é verdade, avô?
A Mulher tem liberdade, pode dispor de si mesma,
Sem ao homem consultar e sem dele depender…
- Nem tudo foi corrigido, ainda há muito a fazer.
Há mulheres escravizadas,
maltratadas, torturadas,
e isso tem que acabar.
Para o mundo melhorar, e a injustiça terminar,
O Homem tem que entender:
Com toda a tecnologia e avanço da ciência,
fertilizando ou clonando,
com a maior sapiência,
é da Mulher que o Homem
continuará a nascer.
 Deus, que é Deus, para humano se tornar
 e o mundo tentar salvar,
o corpo da Mulher teve que usar.

Mariazita

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

DÉCIMO ANIVERSÁRIO

HOJE COMPLETO 10 ANOS


Lembrando-me que este blogue HOJE completaria 10 anos, comecei a meditar em qual será o motivo que nos leva a festejar os Aniversários.
E encontrei “coisas” muito interessantes.

Aniversário é a repetição do dia e do mês em que se deu determinado acontecimento. Num sentido mais geral, refere-se à comemoração de periodicidade anual de qualquer evento importante, como o nascimento de alguém… “

Isto não traz nada de novo. Todos nós sabemos o que é um Aniversário. Falta saber a razão da sua comemoração, se em todo o mundo se comemoram Aniversários, se todos os povos os comemoram da mesma forma, onde e quando começou este ritual…

Nalguns povos antigos, onde a mortalidade infantil era muito elevada, cantavam-se “Parabéns” para festejar o facto de a criança ter conseguido sobreviver mais um ano.
Contudo o Cristianismo rejeitava a celebração de aniversários, considerando-o um culto pagão, até meados do século IV. Referiam que os únicos relatos existentes de festejos de aniversário eram de Faraó e Herodes - que os festejaram com grandes banquetes - e nenhum deles era cristão. Também os judeus consideravam essas celebrações como profanas, fazendo parte da adoração idólatra.

Os gregos e os romanos acreditavam que um espírito protector assistia ao nascimento e acompanhava o nascituro ao longo da sua vida.
(Será que vem daí a ideia do Anjo da Guarda que nos acompanha desde o nascimento até à morte?)
Com os gregos e romanos começou o hábito de se acenderem velas colocadas nos bolos. Esse requinte – as velas acesas em bolos de mel – destinava-se a proteger o aniversariante de demónios, ao mesmo tempo que garantia a sua segurança durante o ano seguinte.
Eles acreditavam que as velas tinham qualidades mágicas. Oravam e faziam pedidos que as chamas das velas levavam até aos deuses. Estes, por sua vez, enviavam as suas bênçãos, como resposta às orações.

Na Europa, os aniversários natalícios começaram a festejar-se há muitos anos. As pessoas acreditavam em espíritos bons e maus, que apelidavam de “fadas boas” e “fadas más”.
Com receio de que esses espíritos causassem mal ao aniversariante, amigos e familiares reuniam-se à sua volta. Com a sua presença e os seus votos de felicidades protegiam o aniversariante contra os perigos que o aniversário natalício apresentava.
Para que essa protecção fosse ainda maior criou-se o hábito de dar presentes, o que se reforçava com uma refeição em conjunto.

Podemos concluir que, quer fossem crentes ou pagãos, gregos ou romanos… a finalidade de festejar o aniversário era sempre proteger o aniversariante de todos os males possíveis.
Com o decorrer dos tempos tudo se foi modificando e actualmente festeja-se o aniversário especialmente para reunir familiares e amigos numa festa especial.
Homenageia-se o aniversariante, oferecem-se presentes em sinal de Amizade, e tudo termina numa alegre jantarada 

Como se tornaria um pouco complicado oferecer-vos “uma jantarada” por dificuldades de logística – não seria fácil reunir à mesma mesa, aqui, portugueses, brasileiros, espanhóis, americanos, até japoneses… - limito-me a erguer a minha taça à vossa saúde!
E que nos encontremos todos daqui por um ano.

Tchim, tchim!



Cantemos os Parabéns!

DA MINHA QUERIDA AMIGA EVANIR ACABEI DE RECEBER ESTE LINDO SELINHO QUE, DO CORAÇÃO, LHE AGRADEÇO.
OBRIGADA!


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

FELIZ ANO NOVO

LENDA DE ANO NOVO


Quem me acompanha há muito tempo e/ou conheceu o meu blog “HISTÓRIAS DE ENCANTAR” sabe da minha predilecção por lendas.
Lá publiquei bastantes, e aqui, na CASA DA MARIQUINHAS, também partilhei algumas convosco.
Pensando em como haveria de iniciar este ano de 2018, surgiu-me a ideia de o fazer, exactamente, com uma lenda.
E, como seria de esperar, será uma lenda sobre o Ano Novo.
De algumas ouvi falar, outras li… e de todas de que tenho conhecimento, que não são muitas… (há poucas lendas sobre o Ano Novo) escolhi esta para vos mostrar.

Numa aldeia distante morava um casal de velhinhos: A Benvinda e o Baltazar.
Embora fossem muito velhinhos e as forças já não fossem muitas, como eram muito pobres tinham que se ocupar com os seus afazeres. 
Benvinda ocupava-se da lida da casa. Baltazar era chapeleiro, fabricava chapéus.
Na véspera da passagem de ano não tinham nada para celebrar a entrada do Novo Ano, nem dinheiro para comprar algo com que pudessem festejar a data.
Baltazar lembrou-se que talvez com os seus chapéus conseguisse algum dinheiro. Com esse propósito deslocou-se à cidade, pensando que no regresso poderia já trazer algumas guloseimas para ele e Benvinda se deliciarem ao soar das doze badaladas.
Pegou em cinco chapéus que já tinha feitos e tomou o caminho da cidade, que ficava bastante longe.
Depois de, com bastante dificuldade, atravessar vários campos, chegou, por fim, à cidade.
Baltazar sentia-se muito cansado mas, com a sua fé inabalável, pôs-se imediatamente a apregoar os chapéus:
- Olha o chapéu! Bem fabricado, fino e barato!
A cidade fervilhava de gente que corria apressada de um lado para outro, fazendo os preparativos para o Ano Novo.
Todos voltavam para casa carregados de embrulhos com carne, peixe, doces… garrafas de bebidas. Mas ninguém se interessava pelos chapéus.
Baltazar pensou:
- Não foi uma grande ideia, a que eu tive. Neste dia quem é que vai pensar em comprar chapéu?
Mas não desistiu. Todo o dia palmilhou a cidade, apregoando a sua mercadoria. Pensava em Benvinda, que em casa o aguardava, e só isso lhe dava forças para continuar, apesar do enorme cansaço.
Mas não conseguiu vender um único chapéu.
A noite aproximava-se rapidamente e Baltazar, convencido de que não valia a pena insistir mais, guardou os chapéus e iniciou o caminho de regresso.
Quando saía da cidade começou a nevar. O frio entrava-lhe através da roupa, mas ele continuou a caminhar pelo campo coberto de neve.
De repente avistou seis duendes, todos encostados uns aos outros, tremendo. Já havia neve nas suas cabeças, que lhes respingava para os rostos.
Condoído, Baltazar não hesitou um momento. Passou a mão na cabeça dos duendes para retirar a neve, e em seguida cobriu-os com os chapéus que não havia vendido.
Mas só tinha cinco chapéus, e os duendes eram seis…
Tirou o chapéu que usava na sua cabeça e com ele tapou a cabeça do sexto duende.
- É um chapéu velho e sujo… mas não tenho outro… - comentou Baltazar.
Não obteve qualquer resposta pois os duendes não falam com pessoas.
O velhinho  retomou o seu caminho.
Ao chegar a casa a sua cabeça estava de tal modo branca com a neve que caíra, que Benvinda se assustou ao vê-lo:
- Mas o que aconteceu, Baltazar? Pregaste-me um susto! – disse, com voz trémula.
- A verdade é que não consegui vender nenhum chapéu. Quando regressava encontrei seis duendes e imaginei que estivessem com frio. Por isso cobri-os com os chapéus. Mas como faltava um… tapei-o com o meu.
Benvinda ficou emocionada com a atitude do marido, e apenas comentou:
- Foi um gesto muito nobre!
Comeram uns restos que ainda havia na despensa e foram-se deitar. A roupa da cama era pouca para noite tão fria. Encostaram-se o melhor possível, tentando transmitir um ao outro o calor dos seus velhos corpos cansados.
Pouco depois ouviram vozes lá fora:
- “Entrega de Ano Novo! Onde é a casa do vendedor de chapéus? Abra a porta, vendedor!”
Levantaram-se ambos e abriram a porta, assustados.
Na frente da casa havia muita comida, vinho, adornos de Ano Novo, cobertores quentinhos… e, em lugar de destaque, dois pequenos embrulhos com doze passas de uva cada um.
Pensaram que estavam sonhando.
Olharam em volta e não viram ninguém. Fixando o olhar em frente, divisaram seis duendes afastando-se da casa.
Pareceu-lhes ouvir ao longe:
- FELIZ ANO NOVO!
À meia-noite, ao soar das doze badaladas, Benvinda e Baltazar comeram cada um as suas doze passas de uva, formulando mentalmente o desejo de que continuassem sempre juntos até ao fim dos seus dias.
E assim se iniciou o ritual que se mantém até aos dias de hoje.
A TODOS UM MUITO FELIZ ANO 2018

terça-feira, 6 de junho de 2017

VÊ-LO PARTIR - "IN MEMORIAM"

VÊ-LO PARTIR



"IN MEMORIAM"

Este poema representa uma espécie de “memorial” em homenagem a quem partiu, faz hoje, dia 6 de Junho de 2017, cinco anos, mas permanece vivo na minha memória e no meu coração – o meu Marido
    
VÊ-LO PARTIR
Vê-lo partir
Não foi assim tão triste, não.
Foi muito mais triste depois,
Ao recordar, sozinha,
O caminho antes percorrido
Com ele ao lado, para mim sorrindo…
Segurando a minha mão…

Como era alegre o seu sorriso
E festivo e risonho
O meu abrigo!

Ele partiu, levando consigo
Toda a ternura que existia em mim,
Deixando, para sempre
Um vazio sem fim…

Os dias, monótonos,
Perderam toda a graça.
Sem saber o que fazer,
À deriva,
Penso na minha desgraça.

As horas vão passando.
O sol, em surdina, declinando.
Um arrepio, percorrendo-me,
Recorda-me que estou viva,
E que ele partiu…

E quando à tarde, sozinha,
Debruço
O olhar sobre o caminho percorrido,
Lembro-me dele
E, sem querer, soluço.

Mariazita

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

DIA DE ANIVERSÁRIO


Hoje festejo o meu nono (9º.) aniversário.
Começo por vos oferecer esta prenda.




Aniversário
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus! o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais  copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...


Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)
15/10/1929
 Foi-se mais um ano!
Apesar de algumas dificuldades e obstáculos, comuns ao mais comum dos mortais, consegui a energia necessária para vencer mais um, e assim perfazer 9 anos de vida.
Na caminhada foram-se perdendo alguns amigos, uns quantos neurónios e alguns cabelos J, amores e desamores, e cores, memórias,  alegrias e ilusões, tristezas e certezas, até verdades que pareciam indiscutíveis…
Sonhos, planos, alguns realizados outros ainda por realizar, foram acontecendo à medida que os dias iam passando…
Dias de entusiasmo, dias de coragem e de convite à luta, na tentativa de conseguir algo novo e diferente…
Pensamentos como pássaro que pousa e logo voa, e quando nos apercebemos já partiu para não mais voltar…

Viver e desfrutar intensamente, por vezes com paixão e sem medo nem culpa de sentir prazer, sem preconceitos ou falsos pudores, criar e recriar a vida, expor os seus amores, sorrir e brincar, por vezes chorar…

Assim é a vida da(o) blogueira(o), assim são as actividades dum blogue.
Assim percorri os últimos nove anos nesta “CASA” que é vossa, pois só com o vosso apoio foi possível chegar até aqui.

A todos um grande
BEM HAJAM!

A minha querida Amiga Lindalva ofereceu-me este miminho que partilho convosco.
 Obrigada, Amiga Lindalva

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