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domingo, 17 de outubro de 2010

MULHERES POSSÍVEIS

Martha Medeiros é uma jornalista e escritora brasileira que muito aprecio.
Tem textos escritos que considero muito bons. É um desses textos que hoje vou partilhar convosco.

Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer!
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas!
E, entre uma coisa e outra, leio livros.

Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic. Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO!

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO!
Culpa por nada, aliás.

Existe Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.

Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que, a partir daquele momento, você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Você não é Nossa Senhora.

Você é, humildemente, uma Mulher.

E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo.
Tempo para fazer nada.

Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.

Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.

Tempo para sumir dois dias com seu amor.

Três di
as…
Cinco dias!
Tempo para uma massagem.

Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.

Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.

Para engravidar.

Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.

Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa
postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-se-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo! Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'.

Texto na Revista do Jornal O Globo


Martha Medeiros, nascida em Porto Alegre, em 20 de Agosto de 1961, é uma jornalista, cronista e escritora brasileira
Filha de José Bernardo Barreto de Medeiros e Isabel Mattos de Medeiros, é colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro.
Formou-se em 1982 na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre.
Tem várias obras publicadas, a primeira, “Strip-Tease , em 1985

domingo, 28 de fevereiro de 2010

SALVEM AS MULHERES

Há muito tempo que não falamos aqui da “MULHER”.
É tempo de voltarmos a este delicioso tema.
Andei vasculhando nos meus “guardados” e descobri um PPS que me foi enviado por um grande e bom amigo, com a seguinte mensagem:

“ Muito válido.
Envio como homenagem às minhas Amigas e Familiares.
E como contribuição para a cultura geral dos homens inteligentes.
Vosso
(Assinatura)”

Embora o texto pareça tratar a Mulher como um objecto, uma coisa - em última análise como um animal de estimação - se ler com atenção verá quantas verdades ele encerra.

Salvem as Mulheres

O desrespeito à natureza tem afectado a sobrevivência de vários seres, e entre os mais ameaçados está a fêmea da espécie humana.
Tenho apenas um exemplar em casa, que mantenho com muito zelo e dedicação, mas, na verdade, acredito que é ela que me mantém.
Portanto, por uma questão de auto sobrevivência, lanço a campanha:
- SALVEM AS MULHERES!
Tomem aqui os meus parcos conhecimentos em fisiologia da feminilidade, a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:

*Habitat*

Mulher não pode ser mantida em cativeiro. Se for engaiolada, fugirá ou morrerá por dentro. Não há corrente que as prenda, e as que se submetem à jaula perdem o seu DNA.
Você jamais terá a posse de uma mulher; o que vai prendê-la a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente.

*Alimentação correcta*

Ninguém vive de vento. Mulher vive de carinho. Dê-lhe em abundância.
É coisa de homem, sim, e, se ela não receber de você, vai pegar de outro.
Beijos matinais e um “eu te amo” no café da manhã, as mantém viçosas e perfumadas durante todo o dia.
Um abraço diário é como água para as samambaias. Não a deixe desidratar.
Flores também fazem parte de seu cardápio. Mulher que não recebe flores murcha rapidamente e adquire traços masculinos como rispidez e brutalidade.
Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial. Música ambiente e um espumante são muito bem digeridos e ainda incentivam o acasalamento, o que, além de preservar a espécie, facilita a sua procriação.

*Respeite a natureza*

Você não suporta TPM? Case-se com um homem.
Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia, discutir a relação…
Se quiser viver com uma mulher, prepare-se para isso.

*Não tolha a sua vaidade*

É da mulher hidratar as mechas, pintar as unhas, passar batom, gastar o dia inteiro no salão de beleza, coleccionar brincos, comprar sapatos, ficar horas escolhendo roupas no shoping. Só não incentive muito estes últimos pontos ou você criará um monstro consumista.

*Cérebro feminino não é um mito*

Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino. Por isso, procuram aquelas que fingem não possui-lo (e algumas, realmente, o aposentaram!).
Então, aguente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objecto de decoração.
Se você se cansou de coleccionar bibelôs, tente se relacionar com uma mulher. Algumas vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você.
Não fuja dessas; aprenda com elas e cresça! E não se preocupe: ao contrário do que ocorre com os homens, a inteligência não funciona como repelente para as mulheres.

*Não confunda as sub-espécies*

Mãe é a mulher que amamentou você e o ajudou a se transformar em adulto.
Esposa é a mulher que o transforma diariamente em homem.
Cada uma tem o seu período da actuação e determinado grau de influência ao longo de sua vida.
Trocar uma pela outra não só vai prejudicar você, como destruirá o que há de melhor em ambas.

*Não faça sombra sobre ela*

Se você quiser ser um grande homem, tenha uma mulher a seu lado, nunca atrás.
Assim, quando ela brilhar, você vai pegar um bronzeado.
Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.

Aceite: mulheres também têm luz própria, e não dependem de nós para brilhar.
O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios.
Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará salvando a si mesmo.


Autoria desconhecida

domingo, 10 de maio de 2009

AS MULHERES DA MINHA GERAÇÃO

Hoje têm quarenta e muitos anos, inclusive cinqüenta e tal, e são belas, muito belas, porém também serenas, compreensivas, sensatas e sobretudo diabòlicamente sedutoras, isto, apesar dos seus incipientes pés-de-galinha ou desta afetuosa celulite que capitaneia as suas coxas, mas que as fazem tão humanas, tão reais.
Formosamente reais.
Quase todas, hoje, estão casadas ou divorciadas, ou divorciadas e casadas, com a intenção de não se equivocar no segundo intento, que às vezes é um modo de acercar-se do terceiro e do quarto intento.
Que importa?

Outras, ainda que poucas, mantêm um pertinaz celibatarismo, protegendo-o como uma fortaleza sitiada que, de qualquer modo, de vez em quando, abre as suas portas a algum visitante.

Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!

Nascidas sob a era de Aquário, com influência da música dos Beatles, de Bob Dylan, de Lou Reed, do melhor cinema de Kubrick e do início do boom latino-americano, são seres excepcionais.

Herdeiras da revolução sexual da década de 60 e das correntes feministas, elas souberam combinar liberdade com coqueteria, emancipação com paixão, reivindicação com sedução.
Jamais viram no homem um inimigo, apesar de lhe cantarem algumas verdades, pois compreenderam que a sua emancipação era algo mais do que pôr o homem a lavar a louça .

São maravilhosas e têm estilo, mesmo quando nos fazem sofrer, quando nos enganam ou nos deixam.

Usaram saias indianas aos 18 anos, enfeitaram-se com colares andinos,

cobriram-se com suéteres de lã e perderam a sua parecença com Maria, a Virgem, numa noite de sexta-feira ou de sábado, depois de dançar El Raton com algum amigo que lhes falou de Kafka, de Neruda e do cinema de Bergman.

Falaram com paixão de política e quiseram mudar o mundo, beberam rum cubano e aprenderam de cor as canções de Sílvio Rodriguez e de Pablo Milanez, conhecerem os sítios arqueológicos, foram com seus namorados às praias, dormindo em barracas e deixando-se picar pelos mosquitos, porque adoravam a liberdade e, sobretudo, juraram amar-nos por toda a vida, algo que sem dúvida fizeram e que hoje continuam a fazer na sua formosa e sedutora madureza.

No fundo das suas mochilas traziam pacotes de rouge, livros de Simone de Beauvoir e fitas de Victor Jara, e, ao deixar-nos, quando não havia mais remédio senão deixar-nos, dedicavam-nos aquela canção, que é ao mesmo tempo um clássico do jornalismo e do despeito, que se chama "Teu amor é um jornal de ontem".

Souberam ser, apesar de sua beleza, rainhas bem educadas, pouco caprichosas ou egoístas.
Deusas com sangue humano.

O tipo de mulher que, quando lhe abrem a porta do carro para que suba, se inclina sobre o assento e, por sua vez, abre a do seu companheiro por dentro.

A que recebe um amigo que sofre às quatro da manhã, ainda que seja seu ex-noivo, porque são maravilhosas e têm estilo, ainda que nos façam sofrer, quando nos enganam, ou nos deixam, pois o seu sangue não é suficientemente gelado para não nos escutar nessa salvadora e última noite, na qual estão dispostas a servir-nos o oitavo uísque e a colocar, pela sexta vez, aquela melodia de Santana.

Por isso, para os que nascemos entre as décadas de 40 e 60, o dia da mulher é, na verdade, todos os dias do ano, cada um dos dias com suas noites e seus manheceres, que são mais belos, como diz o bolero, quando está você.

Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!


(Santiago Gamboa-escritor Colombiano)



Santiago Gamboa

O escritor colombiano Santiago Gamboa nasceu em Bogotá, em 1965.
Estudou literatura na “Universidade Javeriana de Bogotá” e licenciou-se na “Complutense de Madrid”.
Publicou o seu primeiro livro em 1995.
Com um livro adaptado ao cinema, é considerado um dos mais notáveis autores da sua geração.
“A Síndrome de Ulisses” é um dos quatro livros de sua autoria traduzidos para português, e publicados no nosso país.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A VERDADEIRA HISTÓRIA DA MULHER

Conta uma lenda que no principio do mundo, quando Deus decidiu criar a mulher, viu que havia esgotado todos os materiais sólidos no homem, e não tinha mais do que dispor.

Diante deste dilema, e depois de uma profunda meditação, fez isto:



Pegou a forma arredondada da lua,



as suaves curvas das ondas,
a terna aderência das bromélias,



o trémulo movimento das folhas,
a forma esbelta da palmeira,


a nuance delicada das flores,
o amoroso olhar do cervo,



a alegria do raio de sol e as gotas do choro das nuvens,



a inconstância do vento e a fidelidade do cão,
a timidez da tartaruga e a vaidade do pavão,



a suavidade da pena do cisne e a dureza do diamante,
a doçura da pomba e a crueldade do tigre,
o ardor do fogo e a frieza da neve.
Misturou ingredientes tão diferentes, formou a mulher e deu-a ao homem.


Depois de uma semana veio o homem e disse:

- Senhor, a criatura que me deste põe-me desgostoso:
- quer toda a minha atenção,
- nunca me deixa sozinho, - fala sem parar,
- chora sem motivo,
- diverte-se em me fazer sofrer.
Venho devolvê-la porque NÃO POSSO VIVER COM ELA.



“Bem”, respondeu Deus e recebeu a mulher.

Passou-se outra semana, o homem voltou e disse:

Senhor, encontro-me muito sozinho desde que devolvi a criatura que fizeste para mim:
- ela cantava e brincava ao meu lado,
- olhava-me com ternura e o seu olhar era uma carícia,
- ria, e o seu riso era música,
- era bonita de se ver
- e suave ao tato.
Devolve-ma, porque NÃO POSSO VIVER SEM ELA.



AH! POIS É...

domingo, 5 de outubro de 2008

BUNDA MOLE, É?

Os telespectadores portugueses, especialmente os que vêem ou viram novelas, lembram-se dela, com certeza, actuando em «A próxima vítima», «Olho no olho», «Brega e chique», entre outras.

Nascida a 1 de Maio de 1955, Patrícia Travassos é actriz e roteirista brasileira.
Começou a sua carreira artística pelo teatro, compôs canções e dirigiu espectáculos duma banda rock.
No cinema participou de roteiros e actuou nalguns filmes.

Actualmente apresenta, na televisão, o programa “Alternativa Saúde”, no canal GNT, e é cronista de revista Marie Claire.

O seu primeiro livro chama-se «Este sexo é feminino». É dele o excerto que partilho convosco.

Belinha acordou às seis, arrumou as crianças, levou-as para o colégio e voltou para casa a tempo de dar um beijo burocrático em Artur, o marido, a fim de trocarem cheques, afazeres e reclamações.
Fez um supermercado rápido, brigou com a empregada que manchou seu vestido de seda, saiu como sempre apressada, levou uma multa por estar dirigindo com o celular no ouvido e uma advertência por estacionar em lugar proibido, enquanto ia, por um minuto, ao caixa automático tirar dinheiro.
No caminho do trabalho batucava ansiedade no volante, num congestionamento monstro e pensava quando teria tempo de fazer a unha e pintar o cabelo antes que se transformasse numa mulher grisalha.
Chegando ao escritório, foi quase atropelada por uma gata escultural que, segundo soube, era a nova contratada da empresa, para o cargo que ela, Belinha, fez de tudo para pegar, mas que, apesar do currículo excelente e de seus anos de experiência e dedicação, não conseguiu.
Pensou se abdômen definido contaria ponto, mas logo esqueceu a gata, porque no meio de uma reunião ligaram do colégio de Clarinha, sua filha mais nova, dizendo que ela estava com dores de ouvido e febre.
Tentou em vão, achar o marido e, como não conseguiu,
Resolveu ela mesma ir até o colégio, depois do encontro com o novo cliente, que se revelou um chato, neurótico, desconfiado, e com quem teria que lidar nos próximos meses.
Saiu esbaforida e encontrou seu carro com pneu furado.
Pensou em tudo que ainda ia ter que fazer antes de fechar os olhos e sonhar com um mundo melhor.
Abandonou a droga do carro avariado, pegou um táxi e as crianças.
Quando chegou em casa, descobriu que tinha deixado a pasta com o relatório que precisava ler para o dia seguinte, no escritório!
Telefonou para o celular do marido com a esperança que ele pudesse pegar os papéis na empresa, mas o celular continuava fora de área.
Conseguiu, depois de vários telefonemas, que um “motoboy” lhe trouxesse os documentos.
Tomou um banho, deu o jantar para as crianças, fez os deveres com eles e os botou para dormir.
Artur chegou irritado de uma reunião em São Paulo, reclamando de tudo.
Jantaram em silêncio.
Na cama, ela leu metade do relatório e começou a bocejar de sono.
Quando estava quase pegando no sono, sentiu uma apalpadinha no traseiro com o seguinte comentário:
“-Tá ficando com a bundinha mole, Belinha... Deixa de preguiça e comece a se cuidar...”
Belinha olhou para o abajur de metal e se imaginou martelando a cabeça de Artur com ele.
Respirou três vezes profundamente, mentalizando a cor azul, e ponderou resolver agir com sabedoria.
No dia seguinte, não levou as crianças ao colégio, não fez um supermercado rápido, nem brigou com a empregada.
Foi para a academia e malhou duas horas!
De lá, foi para o cabeleireiro pintar os cabelos de acaju e as unhas de vermelho.
Ligou para o cliente novo insuportável e disse tudo que achava dele, da mulher dele e do projeto dele.
E aguardou os resultados da sua péssima conduta, fazendo uma massagem estética que jura eliminar, em dez sessões, a gordura localizada.
Enquanto se hospedava num “Spa”, ouviu o marido desesperado, tentar localizá-la pelo celular e descobrir por que ela havia sumido.
Pacientemente, ela não atendeu...
E, como vingança é um prato que se come frio, mandou um recado lacônico, para a caixa postal dele:
“-A bunda ainda está mole... Só volto, quando estiver dura...
Um beijo da preguiçosa!..”
Mulher não é um bicho inteligente?

Extraído do livro “Este sexo é feminino” de Patricia Travassos

domingo, 13 de julho de 2008

CONVENÇÃO FAMILIAR

Ao longo dos tempos a mulher, na maior parte das vezes com o precioso auxílio do homem, foi reivindicando direitos que sempre lhe haviam sido negados, e a reduziam a simples objecto.
Aos poucos, os mesmos foram-lhe sendo reconhecidos, a ponto de, hoje em dia, se falar em igualdade entre homem e mulher.
Contudo, com o adquirir dessas regalias, a mulher passou a estar muito sobrecarregada, acumulando deveres profissionais com as funções de dona de casa, mãe, educadora, gestora doméstica, um sem fim de solicitações.
Viu-se, assim, forçada, a percorrer verdadeiras maratonas.
E, se algumas conseguem um prodigioso equilíbrio



para gerir o seu tempo, outras há que desistem da corrida, e dão um “Basta! Estou farta!”.
É o caso desta mulher que, para alterar o rumo que a sua vida havia tomado, resolveu convocar uma reunião familiar.



1 a. Convenção Familiar - Temporada 2008

Queridos Filhos,
Em primeiro lugar Mamãe gostaria de agradecer a presença de todos nesta Primeira Convenção Familiar.
Mamãe sabe como foi difícil abrir um espaço nas agendas de cada um de vocês:
- Papai tinha uma lavagem de carro praticamente inadiável;
- Júnior já tinha marcado de se trancar no quarto;
- Carol estava para receber pelo menos três telefonemas importantíssimos de uma hora e meia cada um.

Mamãe está comovida!

Muito obrigada!

Bem, conforme Mamãe já tinha mais ou menos antecipado, esta Convenção é para comunicar ao público interno – Papai, Júnior e Carol – todas as modificações nos produtos e serviços da linha Mamãe.

Como vocês sabem, a última vez que Mamãe passou por reformulações foi há 14 anos, com o nascimento do Júnior.
De lá para cá, os hábitos e costumes, o panorama cultural, a economia e o mercado passaram por transformações radicais.

Mamãe precisa acompanhar a evolução dos tempos, sob pena de ver sua marca desvalorizada.

Para começar, Mamãe vai mudar a embalagem.
Mamãe sabe que esta é uma decisão polémica, mas, acreditem, é o que deve ser feito.
Mamãe sai desta Convenção direto para um SPA, e de lá para uma clínica de cirurgia plástica. Nada assim tão radical… Haverá pouquíssimas alterações de rótulo, vocês vão ver.
Mamãe vai continuar com praticamente o mesmo formato, só que com linhas mais retas em alguns lugares e linhas mais curvas em outros.

Calma, Papai! Mamãe já captou recursos no mercado.
Mamãe vai ser patrocinada por uma nova marca de comida congelada, ”Le Rouanet”, porque Mamãe também é cultura.
Junto com o lançamento da nova embalagem de Mamãe, no entanto, acontecerá o movimento mais arriscado deste plano de reposicionamento.
Sinto informar, mas Mamãe vai tirar do mercado o produto Supermãe.
Não, não, não adianta reclamar!
Supermãe já deu o que tinha que dar!
Trata-se de um produto anacrónico e superado, antieconómico e difícil de fabricar.
Mamãe sabe que o fim da Supermãe vai aumentar a demanda pela linha Vovó, que disputa o mesmo segmento.
Paciência! Você não pode atender todos os públicos o tempo todo.

No lugar de Supermãe, Mamãe vai lançar (queriam que eu dissesse “vai estar lançando”, mas eu recuso) novas linhas de produtos mais adequados à realidade de mercado.
Vocês vão poder consumir Mamãe nas versões Active (executiva e profissional), Light (com baixos teores de pegação de pé), Classic (rígida e orientadora), Italian (superprotetora) e Do-it-Yourself (virem-se, fui passear no shopping ).
Mas uma de cada vez, sem misturar.
Ah, sim, Mamãe detesta estes nomes em inglês, mas me disseram que, se não for assim, não vende.

Mamãe gostaria de aproveitar para lançar seus novos canais de comunicação:
De hoje em diante, em vez de sair gritando pela casa, vocês vão poder ligar para o SAC-Mamãe, um 0300 que dá direto no meu celular (apenas 27 centavos por minuto, mais impostos).
Mamãe também aceita sugestões e críticas no seu endereço na Net.

Mais uma vez Mamãe agradece a presença e a atenção de todos.

Autoria desconhecida