quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

CENAS DA VIDA REAL

Image and video hosting by TinyPic
A CASA DA MARIQUINHAS


APRENDER A LER

Tive, há anos, uma empregada doméstica que era analfabeta. Não conhecia uma letra, nem que fosse, como se costuma dizer, do tamanho de um boi!
Como trabalhava interna na minha casa, onde tinha, como também se costuma dizer, cama, mesa e roupa lavada, não gastava praticamente nenhum dinheiro do seu salário, pelo que, em breve, tinha “uns tostões” amealhados.
A certa altura pensou - no que teve todo o meu apoio – que seria interessante abrir uma conta no Banco para lá depositar o seu dinheirito.
Fui ao Banco buscar os impressos para preencher, e nessa altura é que me lembrei que a Lina não sabia assinar.
Para não passar pela vergonha de colocar, no local da assinatura, a sua impressão digital, decidimos que eu iria ensiná-la a ler e escrever.
Em criança, na idade escolar, frequentara a Escola na sua terra natal, Cabo Verde. Mas não conseguira aprender absolutamente nada. Como já disse, não distinguia o “A” do “B”.
Isto causava-me uma certa estranheza porque ela revelava bastante inteligência para aprender os trabalhos domésticos. Quando veio para minha casa tinha uns conhecimentos bastante rudes do que seriam as suas tarefas; contudo rapidamente aprendeu, e executava-os na perfeição. Inclusivamente quis aprender a cozinhar. Ensinei-a com todo o gosto, e até mesmo receitas que obedeciam a quantidades certas, ela decorava-as (sabia-as de cor) e não tinha qualquer dificuldade em fazê-las.
Pensei, portanto, que o seu analfabetismo se devesse, em parte, a falta de jeito da professora – talvez não tivesse descoberto o modo certo de a ensinar…, ou a grande quantidade de alunos não lhe deixasse tempo para lhe dedicar maior atenção, que talvez a aluna necessitasse.
Foi, pois, com algum entusiasmo que iniciei a tarefa que, a breve trecho, veio a revelar-se árdua!
Sempre que tínhamos algum tempo livre lá ia a boa da Lina buscar livro, caderno e lápis, para mais uma lição.

Image and video hosting by TinyPic
Não arrepelei os cabelos muitas vezes porque não sou dada a essas manifestações exteriores de fúria interior. Respirava fundo, muiiiiiito fundo (!!!), e arremetia de novo:
- Vamos lá mais uma vez. Isto é um…
- B – respondia a Lina, radiante, ao ver, na minha expressão, que tinha acertado. Acertado, sim, porque aquele B era atirado à sorte, e lá calhava acertar…
- E isto é um…
- A – A Lina rejubilava! Tinha acertado uma vez mais.
- Muito bem! Então… um B e um A lê-se…
- MI – respondia, mas logo entristecia ao ver, na minha cara, que uma vez mais tinha saído asneira.
Cenas idênticas repetiram-se lição após lição, até que um dia a Lina achou que o melhor seria apenas aprender a escrever o seu nome, para poder assinar o que fosse necessário.
Concordei de imediato, até porque os meus cabelos estavam a tornar-se brancos de dia para dia…
Começou então a enorme dificuldade de segurar convenientemente no lápis – só mais tarde iniciou a esferográfica.
É realmente extraordinário verificar que um gesto tão simples como segurar num lápis para escrever, para quem sabe fazê-lo, pode representar um esforço quase sobre-humano para um analfabeto.
Não se apresentou nada mais fácil aprender a escrever do que tinha sido aprender a ler, actividade que, entretanto, não tínhamos posto de parte – apenas lhe dávamos menos atenção do que à escrita.
Certo dia eu encontrava-me menos bem disposta do que habitualmente, e, perante mais uma calinada da Lina, juntei as mãos em atitude de reza, ergui os olhos ao céu, e disse:
- Ó Deus, dá-me paciência!
A Lina olhou para mim com atenção, e em seguida, com um certo ar de espanto, falou assim:
- Minha senhora tem coragem de pedir a Deus mais paciência do que minha senhora tem? Desculpa, senhora, mas isso é pecado!
Fiquei completamente desconcertada. Apeteceu-me abraçá-la e beijá-la por tanta ingenuidade. Mas limitei-me a engolir em seco, aclarar a voz, e dizer:
- Bem, bem, vamos lá continuar!
Demorou um certo tempo, mas alcancei a grande vitória de conseguir que a Lina passasse a assinar o seu nome.

Mariazita, Março de 2010

37 comentários:

Bergilde Croce disse...

Alfabetizar alguém é mesmo uma tarefa muito difícil,mas ao mesmom tempo e sobretudo bela e regozijante.Vendo seu método lembrei de minha mãe que por anos alfabetizou crianças e adultos lá no CE.Levar a luz da cidadania a alguém é uma enorme satisfação,parabéns Mariazita pois você sem dúvidas fez a diferença na vida dessa pessoa!
Abraços e na espera do livro viu!

Vitor Chuva disse...

Olá, Mariazita!
Lá diz o ditado: "água mole em pedra dura ...", sendo que aqui neste caso a água até não era assim tão mole, e lá conseguiu levar a água ao moinho - e ainda bem!
Ensinar tem esses dois lados; o da frustração,e o outro, o da satisfação quando se vê a alegria de alguém que venceu um obstáculo que exigiu tanto esforço para saltar.
Obrigado pela visita às minhas novas instalações, e já sabe que pode entrar à vontade - está tudo muito bem desinfestado...

beijinhos.
Vitor.

as-nunes disse...

Belo esforço, Mariazita.

Parece impossível, na verdade, mas há casos em que não se conseguem resultados nenhuns, assim se pode dizer. É de estarrecer!
Porque será? Para além da resposta trivial que será argumentar-se com a falta de motivação, mesmo assim, porquê?

Beijinho
António

Chica disse...

Que grande felicidade de ter conseguido esse benefício pra Tina que ganhou um presente maravilhoso e que a ajuda pra sempre.

Parabéns, isso é muito gratificante!beijos,tudo de bom,chica

Wanderley Elian Lima disse...

Olá Mariazita
Tarefas que para uns são fáceis, para outros podem ser verdadeiros tormentos. Eu sou professor e percebo entre meus alunos quem nem todos conseguem aprender, acabam desistindo e saindo da escola. Mas parabéns por sua paciência.
Um abraço

Machado de Carlos disse...

Mariazita, (Que bom vê-la!)

Belíssima história. Realmente o cérebro humano tem as suas falhas. Há pessoas que têm facilidade para aprender alguma coisa que nós outros não conseguimos. E alguns conseguem com facilidade absoluta. Creio que aprender a escrever deve ser a mesma coisa. Alguns já nascem, praticamente escrevendo, outros passam a vida inteira e não conseguem mesmo. Mas o cérebro tem capacidade incrível para desenvolver quaisquer idéias.
Eu, por exemplo, gostaria de aprender música, mas não entram em minha cabeça aqueles sinais grafados nos pentagramas. Mas um dia chegarei lá, espero!

Beijos!...

poetaeusou . . . disse...

*
amiga,
,
bem hajas,
simplesmente !
,
conchinhas,
,
*

Desnuda disse...

Mariazita,

você é demais mesmo amiga! Parabéns! Você disse uma grande verdade percebida com a sua extrema sensibilidade que é o esforço sobre-humano que o analfabeto tem para ajeitar e firmar o lápis nas mãos. Passei algumas vezes por situações semelhantes e inclusive com a minha babá e madrinha que somente aprendeu a assinar o nome. Outro fato que destaco é esta capacidade de aprendizado e a agilidade para aprender tarefas! Memorizam tão bem que custamos a descobrir a situação do analfabetismo.

Amiga querida enviei um e mail. Cheguei hoje em casa. Tudo correu bem, graças a Deus. Obrigada pelo carinho, querida amiga.

Beijos. Muitos beijos! Te amo.

Maria disse...

Amiga adorei ler a sua história. Os meus duplos parabéns, pela sua paciência, (eu por vezes perco a minha, quando tenho de ajudar o meu filho a estudar história, disciplina que ele não aprecia muito) e pelo seu carácter altruísta, mostrando uma vontade de ferro de ajudar a sua empregada, uma tarefa que foi bem difícil.
Beijinhos
Maria

Rita Contreiras disse...

Amiga, bem sei a tarefa árdua que é alfabetizar, pois trabalho com crianças com dificuldades de aprendizagem. Mas o que sinto quando alcançam esse fim paga tudo! Ver seus rostinhos sorridentes ao conseguirem decifrar esse mundo antes tão assombroso não tem preço! Bem engraçada essa sua história. Bjs

Sotnas disse...

Olá Mariazita, espero que tudo esteja bem contigo!
De toda essa sua grande aventura, acredito que os resultados se não aqueles esperados por ambas, poder ajudar outro ser, a se transformar, a sentir orgulho de ser humano, a se incluir entre as fichas bancarias, ter uma conta, te fez sentir uma agradável sensação, de ao menos parte do dever cumprido, e somente quem sente pode dizer. Vejamos por este lado, quando tantos sequer sabiam que ela nem assinava o nome, você se interessou em ajudar e esteja certa de que ela lhe é grata, com este seu simples gesto iluminou o caminho dela, Parabéns pelo texto e pelo gesto também, agradeço também pelas visitas e comentários sempre carinhosos e gentis, grande abraço e até mais!

Daniel Costa disse...

Mariazita

Que queres? Acabei por sorrir. A tua pacência é um facto e Lina, ao menos, passou a saber assinar. Vou contar um caso de sucesso, que se passou comigo e se pode relacinar. Em Angola em 1962, a tropa acolhia alguns anafabetos. Logo quando chuegei, um veio logo ter comigo para lhe ler cartas, entre elas, as da namorada. Isso implicava ele ter se retrair a ditar. Em resultado, propus-lhe ensinar a escrever. Aceitou e dentro em pouco ele lia e escrevia, sem precisar de mais ajuda. Fique com um bom amigo, de profissão pedrero em À-da-Beja, Baixo Alentejo.
Beijos

São disse...

Neninha, que estória mais interessante!

Como é que uma pessoa consegue aprender facilmente umas coisas e outras não ?

Minha querida, no domingo, vai até ao "são" , por favor.
Não te esqueças, não ?

Um bom final de semana.

Lilá(s) disse...

Deve ter sido uma tarefa bem difícil...está provado que uma criança aprende com uma facilidade bem diferente da do adulto.
Bem giro o texto.
Bom fim de semana
beijinhos

Penso logo existo disse...

Transmitir conhecimento é das coisas mais fascinantes que se pode fazer e que dá normalmente grande alegria. Parabens amiga

Beijinho

Zé do Cão disse...

Mariazita
Ia fazer um comentário e como sempre saía quase uma historia de uma empregada que "não tive", ainda muito mais jeitosa do que a da foto que ilustra o texto.
Oportunamente vou conta-la mo "Zé do Cão"
'smina temdaprender.
Que letra é esta?....(não responde)
Mulher tu não és burra!... o Que é isto?
Porque não respondes?... (fica calada)
A prof, indica com o dedo sobre as letras, e insiste. Vá, vá lá... o que é isto...
A 'sminina, dá um sorriso e diz...
É a unhadispatroa que 'stá suja.


Beijinhos

Livinha disse...

Linda história.
Fizeste caridade, deste paciência e reconhecimento do aluno que com humildade te aplaudiu. Isto foi o retorno que recolheste em jubilos pela graça alcançada...

Maravilhoso

Bjs

Livinha

JADY*ALVES disse...

AmiguitAmada! Relendo teu texto remeteu-me há um tempo em que também tive eu uma empregada que olhava o meu filhito de apenas 4 aninhos.
Ela morava com sua mãe e irmãos embaixo de um viaduto, ou seja, na rua coitada, comigo também ela aprendeu a ler e escrever e, foi com muito esforço e paciência que o fiz rss depois disso, ela sentiu-se tão importante que resolveu bater asas e voou... E eu, fiquei a ver navios kkkkkk
Realmente amiguita, ser mestra em ensinar é um trabalho árduo e exige muita, mas muita paciência, e de Jó visse?
Cenas essa da vida Real que muito nos comove, assim é a vida, seguiste teu coração, tenho certeza que esta tua empregada jamais te esqueceu.
Beijos e saudades, mandei e-mail, veja lá...
Fica com Deus! Bom fim de semana!
Carinhos da amiga,
Jady

Néia (Dulci) disse...

Mariazita minha querida acabei de te conhecer um pouco mais lendo seu texto. Que coração lindo o seu heim! só alguém especial teria toda essa intenção e dedicação em melhorar a vida de outra.
Parabéns!
Beijos

nacasadorau disse...

Querida Mariazita!

Setora :)
Não é fácil, mesmo nada. Ainda bem que a Lina se satisfez com o aprender a escrever o seu nome e nada mais... senão poderias ter perdido irreversivelmente grandes capacidades, isto para não mencionar a tua cabeleira :)

Beijos

Sotnas disse...

Olá Mariazita, desejo que esteja tudo bem contigo!
Passei para agradecer sua ilustre e alegre visita, bem como seu tão carinhoso e gentil comentário, meus sinceros agradecimentos! Tudo de iluminado pra você e todos ao redor sempre, grande abraço e até mais!

FlorAlpina disse...

Olá Mariazita,

Ainda bem que tinha muita, muuuiiita paciência!
Mas valeu a pena o esforço!

Bjs dos Alpes

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga.

As histórias vindas
da vida são preciosas.
Só o tempo sabe medir
o seu real significado.
No final de tudo a sabedoria,
que nasce da paciência,
sempre vem até nós.

Que as luzes da esperança
brilhem sempre em ti.

Vieira Calado disse...

Os professores choram de alegria

quando conseguem qualquer difícil

mas útil

aos seus alunos!

Saudações poéticas

M. Lourdes disse...

Mariazita
Muitas vezes, as capacidades de cada um são canalizadas para um tipo de aprendizagem. Nem sempre um bom trabalhador é um bom estudante e a Lina era um desses casos. Aprendeu a escrever o nome se calhar porque tinha algum jeito para o desenho. Caso contrario nem isso.
Pelo menos nisso, o seu esforço foi recompensado.
Beijinhos
Lourdes

Fátima disse...

Nossa, Mariazita, como vc muda de casa...
Rs Rs
Estive a procurá-la, a força do hábito faz-me ir a sua velha casa.
Sempre!
Sempre bom encontrá-la, lê-la, abraçá-la.
Passei aqui hoje para desejar-lhe um feliz Natal e um ano novo de muita paz, harmonia e amor.
E que a gente continue amiga, apesar do enorme oceano que nos separa.
Um bj, minha querida.
Com carinho
Fátima

Desnuda disse...

Mariazita vim te deixar um beijo estalado de bom! E lembrei de um "causo"


Você sabe Mariazita vou contar um fato mais recente aqui em casa : trabalhou aqui uma excelente cozinheira e com um bom gosto incrível também para decorar os pratos e por a mesa. Ficou aqui dois anos aproximadamente ( mas faltava tanto que o tempo cai pela metade ou menos da metade kkkkkkkk) e por motivo de saúde ( ia operar hérnia) e uma infinidade de problemas particulares aliado ao vício da bebida ( que a levava a frequentes faltas) saiu e ficou um ano sem trabalhar. Um dia ela apareceu e me disse estar de alta e quanto a bebida, já estava livre e pediu o emprego de volta. Aceitei, mas fiquei observando e muito mais atenta a questão da bebida porque era fundamental para a saúde dela, como ela mesmo relatou. Avisei os dois motoristas e a arrumadeira para que também o fizesse para o bem dela (seu médico a avisara que a sua saúde estava muito precária e que se voltasse a beber poderia ser fatal. Era o vício da bebida com as noites fora na farra rsrs e já tinha idade madura). Infelizmente ela não conseguiu parar com a bebida ....Mas o fato relativo ao seu texto é que eu não percebi e por um bom período, que ela era analfabeta! Achava que somente enxergava pouco e não queria usar óculos rsrs, como ela me fazia crer kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

•*♥*• Sanzinha •*♥*• disse...

Parabéns pela atitude, Mariazita!
Talvez vc não tenha conseguido ensiná-la a escrever tudo, mas quando ela for te apresentar a alguém, irá dizer: Esta é a mulher que me ensinou a escrever o meu nome.

Perfeito!


Vim avisar que estou saindo de férias do Jardim e que só volto no mês que vem.
Desejo que seu Natal seja abençoado e repleto de paz, e que Deus lhe abençoe constantemente no ano de 2011.

Deus seja sempre contigo!
Um beijo no coração!

http://www.youtube.com/watch?v=aiE5wJjwn68

Maria João disse...

Querida Mariazita

Com paciência, chegamos sempre a bom porto, por muito díficil que seja a tarefa.
Imagino o que sentiste, quando conseguiste alcançar o objectivo de, pelo menos, fazer com que conseguisse escrever o nome.
É tão gratificante ajudar alguém... mesmo que a nossos olhos nos pareça pouco.


Um beijinho minha amiga
( Desculpa a demora.. ando às voltas com o tempo, mas não me esqueço de ti! )

mixtu disse...

eheheh
tarefa dificil...
mas como tudo na vida... as tarefas que dão "luta" são as mais aliciantes ou que dão um post como este

abrazo serrano

Saozita disse...

Querida Mariazita,saber ler e escrever é uma necessidade premente que felizmente nos tempos actuais no nosso país está melhor.
Actualmente as necessidades já vão muito para além do básico, vivemos num tempo em que tudo muda, modifica a grande velocidade e se não nos enquadramos num sistema de aprendizagem constante, depressa ficamos ultrapassados.
A satisfação por sermos capazes de ensinar e sobretudo atingir o objectivo é enorme e ficamos felizes por isso.

Tem uma boa noite minha amiguinha.

Beijinhos com carinho e amizade.

Sãozita

Graça Pereira disse...

Tão lindo ensinar ou outros e...com muita paciência!!
É completamente uma missão!
Feliz Natal, minha querida e um Ano Novo muito mais prometedor.
Beijo
Graça

Cida disse...

Realmente, amiga, ensinar um adulto a ler e a escrever, deve ser bem mais difícil do que ensinar uma criança!...:)

Estou de volta, e vim até aqui matar as saudades e ver TODAS as fotos do lançamento do seu livro!...rs

Beijo grande prá você, e tenha um maravilhoso Natal junto aos seus.

Cid@

Táxi Pluvioso disse...

muito má ideia pôr o dinheiro no Banco, foi por isso que as pessoas criaram o primeiro passo da "crise", o resto foi feito pelos financeiros.

nacasadorau disse...

Querida Mariazita!

Votos de Feliz Natal.

beijinhos



Chegou o Natal

Chegou Natal
Sem estrondos,
Sem alaridos
Nem algazarra …
Simplesmente chegou.
Com alguma timidez,
Envolto no acanhamento de um tempo
Que se faz ligeiro,
Embrulhado em mantos
Tecidos de muitas e cores.
Mas o Natal chegou.
Sem a intimidade de ontem,
Mas com a alegria das festas
E manifestações de “causas e coisas”
Lembrando a época, um tempo
O teu regaço.
Mas o Natal chegou,
Sem a solidariedade sábia de ontem,
Mas com a profusão de vontades
Voluntariosas
Briosas
E tão caprichosas…
Mas o Natal chegou
Com os sabores da tradição
Em mesa posta,
Toalha branca, alvura
Rabanadas, bolos de menina
Coisa fina.
Sonhos doces, formigos e mexidos
Em forno lento
E ao relento das vontades
Alicerçadas no tempero da solidariedade.
Bacalhau, batata, couve da horta
Agitação garrida,
Mimosamente tecida…
Desejada em cada porta.
Bolo-rei, filhós, vinho quente
Amor presente
Em cada rosto,
No mimo posto
Na tua chegada.

Mas o Natal chegou!
Maria José Areal.

Isabel Maria Rosa Furtado Cabral Gomes da Costa disse...

Olá, Mariazita! Obrigada pela visita e por me seguir. Também estou aqui como seguidora.
Gostei dessa acção humanitária de ensinar uma pessoa com dificuldades de aprendizagem. A nossa acção é tanto mais meritória quanto mais elevado é o coeficiente de dificuldade da mesma.
Um abraço.

Mel de Carvalho disse...

Mariazita,
são destes momentos especialíssimos que se faz a caminhada - dando e recebendo, digo eu, sempre em dobro, sempre maior.
Em tempos idos também fiz alfabetização. Recentemente, dei formação a auxiliares de acção directa, algumas delas, além de estrangeiras, analfabetas... um desafio, para elas, para mim...
Recebi há dias mensagens de Natal e lá, nota desta partilha. Apeteceu-me rir e chorar...

Beijo fraterno, Mariazita
Um 2011 em crescente são meus votos.
Mel