quarta-feira, 6 de maio de 2009

ANITA

ANITA – EPISÓDIO XXII

(Ficção baseada em factos reais)

Alguns dias mais tarde, e antes que chegasse carta de Humberto, sucedeu o que seria de esperar.

FIM DO EPISÓDIO XXI
EPISÓDIO XXII

Era uma sexta-feira. Anita encontrava-se na sala, rodeada de crianças, a quem, pacientemente, ensinava uma nova lengalenga.
Eulália apareceu à porta da sala, e imediatamente Tiaguinho correu para os seus braços. E foi logo perguntando:
- É hoje, vó? É hoje que vou dormir na tua casa?
Apertando-o nos braços, e olhando de lado para Anita, respondeu:
- É hoje, sim, meu amor, é hoje. Não é, Mamã? – continuou, dirigindo-se a Anita.

Anita compreendeu que não podia continuar a recusar o pedido de avó e neto. Ainda tentou falar na falta de roupa de Tiaguinho, tendo perfeita noção de que era apenas uma desculpa, já que o filho tinha algumas roupas na casa dos avós.
Acabou por concordar, não sem que pelos seus olhos perpassasse uma ligeira nuvem de tristeza.
E, como que para se habituar à ideia, insistiu para que Tiaguinho ficasse até à hora normal da saída.

Quando o padre chegou notou que Anita estava um pouco tensa, e perguntou se havia algum problema especial.
- Não, não há problema algum; apenas uma mãe que, pela primeira vez, se separa do filho, e que não imaginava como isso pode ser doloroso.
- Quem foi a mãe que se separou do filho?
- Eu mesma, que autorizei o Tiaguinho a dormir em casa dos avós.
- Mas…por favor! Isso não é uma separação. São apenas algumas horas…
- Eu sei, e não é propriamente ficar sem o meu filho por umas horas que me preocupa, mas o que isso significa: ele está a ganhar asas, e em breve poderá voar sozinho. É isso que dói.
- Mas essa é a ordem natural da vida. As crianças crescem, e aos pais compete acompanhá-los no seu voo, não cortar-lhes as asas para que não voem…
- Eu seu que é assim que tem que ser. Mas o saber isso não me ajuda a não ficar triste com a ideia.

Entretanto todos se tinham retirado com desejos de bom fim-de-semana. De súbito aperceberam-se de que estavam sozinhos.
O padre João estendeu as mãos segurando as de Anita, que tremiam ligeiramente. Desde o primeiro beijo nunca mais tinham estado a sós. Havia um certo constrangimento entre eles.
Sem largar as mãos de Anita, o padre falou:
- Sinto que estás muito nervosa, Anita. Vamos até à minha casa, bebemos um refresco, tu acalmas-te, e podemos, se quiseres, continuar a conversa que estávamos tendo, sobre a educação a dar aos filhos…
Anita sentiu uma tentação enorme de o acompanhar, de prolongar um pouco mais a sua companhia, de não ter que ir enfrentar a solidão da sua casa, onde nem Tiaguinho estaria para a distrair.
Contudo, hesitou:
- E se alguém nos vê, o que irá pensar?
- E quem poderá ver-nos? É só atravessar este caminhito, e estamos lá. E ainda que vissem, que mal é que tem? Recebo em minha casa muitas paroquianas e paroquianos…
Anita anuiu, dirigindo-se à porta.

No momento seguinte encontravam-se na casa paroquial, que Anita já conhecia, de ter lá ido muitas vezes nos tempos do pároco velho, que falecera.
Mas, ao contrário do que acontecera de todas as outras vezes, agora não se sentia à vontade.
Para disfarçar o seu nervosismo começou a falar das mudanças que notava na casa., mas o padre João interrompeu-a com um beijo.
Anita rendeu-se. Só quando, alguns momentos depois ele a encaminhava para o quarto, ela objectou:

- João, tens a certeza que não é errado o que vamos fazer?

- Deus, pela boca de Seu amado Filho, pregou o Amor, e não lhe impôs limites nem condições. “Amai-vos uns aos outros” foram as Suas palavras. O Amor nunca pode ser um erro. E eu amo-te muito, Anita; tanto que, ainda que tu não sentisses nada por mim, só o meu Amor chegaria para nós dois.

FIM DO EPISÓDIO XXII

25 comentários:

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

A coisa agora vai pegar fogo. Padre bem avançado, por certo contra o celibato clerical que não tem razão de ser. Pois um pároco não deixa de ser um homem, de ter desejos. Estou gostando do rumo da história, muito bem contada por você, Mariazita.
Um beijo,
Renata

Zé do Cão disse...

O caso é bonito.
Na terra portuguesa dos Arcebispos, uma jovem donzela dava aulas de catequésse e um padre jovem dava aulas no igreja ao lado.
Tanta vez ela foi à fonte e tanta vez ele lhe carregou a bilha, que hoje tem um casal, já homens (foram colegas na escola com meus filhos).
Ele deixou de ser padre e ela deixou de dar aulas, casaram, são felizes e... VIVA O AMOR

Zé do Cão disse...

Pois tirem lá o s na cateques(s)e, para que a obra não venha a cair.

ahahah...

Rafeiro Perfumado disse...

A mim não me choca o amor de um padre por uma mulher. Choca-me a tentativa de demonstrarem que o oposto é que é correcto.

Beijocas!

elvira carvalho disse...

Tive uma amiga que se apaixonou por um padre, aqui na terra há mais de trinta anos. Ele também se apaixonou por ela e abandonou o sacerdócio para casar com ela. Mas a pressão dos vizinhos foi tanta, naquela altura as pessoas eram mais fechadas, que eles acabaram saindo daqui e hoje provavelmente são felizes em qualquer terra onde se desconhece o facto. Na verdade, nunca mais soube deles desde que saíram daqui.
Não me escandaliza o facto de se apaixonarem e viverem esse amor. Escandaliza-me o facto de os padres não poderem ser tratados e viverem como homens normais que são.
Um abraço

Alvaro Oliveira disse...

Olá Mariazita... Bom dia.

Venho agradecer-lhe sua
visita e comentário
ao meu blog. Muito me honrou
a sua visita e mais do que isso,
a sua permanência como seguidora.

Felicito-a pelos seus blogs que
já visitei e adorei. Registar-me-ei
como seu seguidor para acompanhar
com mais frequência suas postagens.

O meu grato reconhecimento.

Abraços

Alvaro Oliveira

João Paulo Cardoso disse...

Já me perdi há muito mas conto ler tudo em livro, mais tarde.

Beijos.

São disse...

Fico esperando...

Levei a foto do post anterior, se não concordares, diz.Obrigada.


Um abraço, linda.

com senso disse...

Não sei que rumo a história irá ter... para além do passo giagantesco dado pela Anita e pelo pároco, no entanto a argumentação do padre não me está a deixar particularmente descansado, quanto ao futuro do relacionamento....
Como acho as personagens muito simpáticas, espero estar apenas com um falso mau pressentimento!!!!
Esta história cada vez nos prende mais...
Um beijinho com amizade!
PS - quanto à minha frase do outro dia sobre a "maternidade" ela não tem que ver com um único texto, é a minha percepção do conjunto de textos, comentários e fotos que a Mariazita colocou no seu espaço... E acredito profundamente no que disse!
Um beijinho adicional!

Francisco Sobreira disse...

Querida Maria,
Esse padrezinho é bem malandro, hem? Ele se refere à frase de Jesus ("Amai-vos uns aos outros") que foi dita com uma conotação diferente da que ele emprega. Safadinho esse padre. Um beijo grandoso.

Giselle disse...

Má,
me desculpe pela demora, essa semana está corrida demais, e não estou conseguindo dar conta, rs...
Mas, vim correndo quando vir um post sobre a Anita ...
Menina de Deus, onde essa história dará, só falta vir uma gravidez por aí, rs...
Beijo grande,
com um imenso carinho,
Gi

lili laranjo disse...

MARIAZITA

Pessoas que me vou habituando a ver sempre e a gostar muito.
Eu gosto muito de gente linda. os meuas amigos têm um coaração grande e aqui já começo a sentir...amizade...
Isso é...FELICIDADE.

um beijo

Fenix disse...

Ai, ai, ai...
Sou defensora acérrima do fim do celibato dos padres e sou de opinião de que se duas pessoas se amam devem amar-se...
Mas confesso que não me caiu bem a "pressa" do Sr. padre e as palavras também não..., nenhum amor, de uma pessoa só, é tão grande que chegue pelo de duas pessoas. Tem que ser correspondido em igual medida, para haver igualdade e equilíbrio, senão acaba por ser uma posse obcecada.
Não sei..., posso estar enganada, mas acho que é mais desejo que amor verdadeiro e pode esfumar-me tudo depois do desejo satisfeito. E atrair Anita a casa dele com o pretexto de continuarem a conversa sobre o filho dela..., mesmo não pensando na ingenuidade dela, não me parece completamente honesto.
Não sei, não sei...
Temo que Anita vá voltar a sofrer.

Fico à espera.

Beijinhos
São

Daniel Costa disse...

Mariazita

Creio a partir de agora, começam a aparecer definições. A Anita voltou a encontrar quem a ame.
Veremos, se não haverá reviravolta, tendo em conta o enteado.

Abri ontem o espaço "amor na guerra", sinceramente, gostaria passasses.

Beijinhos,
Daniel

Canduxa disse...

Mariazita Querida,

Só li o fim de história e gostei.
“mesmo que tu não sentisses nada por mim o meu amor chegaria para os dois”
...ele está mesmo apaixonado pela Anita, não está?
Numa das tuas visitas ao Porto vais-me contar esta história todinha…vais, vais!
Mil beijinhos
canduxa

Daniel Costa disse...

Mariazita

Postei hoje (agora mesmo) a apresentação do "Amor na Guerra", feita por um amigo de longa data, professor da Universidade Complutense, de Madrid.
Esperei o conseguir saber como postar fotografias. No fundo, creio que, com certo auto-didactismo.
Tenho de partir para estudar o tipo de postagem na margem.
Pode parecer estranho, ainda ter andar nestas lutas.
Mas do hospital, já este século, me entregaram à família, em estado terminal.
Curiosamente, foi sobretudo, no blogue mitalaia que reaprendi (positivamente reaprendi) a escrever.
Foi a ler um post humoristico, que passados sete anos, dei comigo a sorrir. Tinha recuperado o meu sorriso caracteristico.
Depois disso, ainda acabei por recuperar uma última função.
Desculpa o desabafo, mas foi a minha maior aventura, das muitas que tenho protagonizado.
Beijinhos,
Daniel

lili laranjo disse...

Mariazita

as tuas palavras são uma verdade.
Eu...estou sempre ...ATENTA...


um beijinho no teu coração

Maria João disse...

Mariazita

Quando imagino o futuro desta história, penso sempre no possível sofrimento que Anita poderá ainda ter que viver para ser feliz.
Vicente nunca revelou gostar verdadeiramente de Anita. Desejou-a e conquistou a sua posse, pouco importando para ele se ela o amava, se era feliz. O afastamento progressivo e o "desprezo" por Anita, embora para ela tenha sido uma vantagem, é denunciador da existência em Vicente, de outra vida paralela. Mas será quase certo que este homem, quando souber que Anita ama João e sentir que ela quer soltar amarras... vai lutar por aquilo que julga que é seu. Essa luta, a ocorrer não terá nada de racional e temo que Anita sofra bastante.

Mas tu minha amiga, é que sabes a história toda... e olha como a escreves tão bem!

um beijinho

Ana Martins disse...

Mariazita,
já cá tinha estado, mas não conseui comentar.
Creio que tudo já foi dito. Tamém não sou contra o casamento dos padres e não consigo entender porque eles não podem casar.

Beijinhos,
Ana Martins

JADY*ALVES disse...

Ó de casa...
Mariazita minha amiga, deu-me um calafrio percorrendo-me a espinha...rss
Ainda que a cama fosse de pedra, Anita com certeza está em cama de plumas.
Amor, amor! Bendito seja.

Lindo fim de semana querida.

Abraços e carinhos da Jady

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Mariazita:
Por mais que eu tente, não consigo carregar o "Leia Mais"!
Querida, passe amanhã no Feminina e leve os meus selos personalizados.
Eu a espero.
Um beijo,
Renata

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Mariazita:
Por mais que eu tente, não consigo carregar o "Leia Mais"!
Querida, passe amanhã no Feminina e leve os meus selos personalizados.
Eu a espero.
Um beijo,
Renata

Desnuda disse...

Nossa..Anita é mãezona mesmo! Aff tomara que o padre a ame mesmo, porque ele está muito apressadinho! Rsrs

Beijos amiga!

Táxi Pluvioso disse...

Com um padre é sexo seguro. bfds

Pena disse...

Admirável Amiga:
Que história linda. Sensível e de fascinar.
Sim! O amor e amar são iguais para todos...

Puro. Lindo. Repleto de "imenso"...
Beijinhos amigos de um respeito gigante pelo seu ser genial...

pena

Fantástico, amiga!