segunda-feira, 28 de abril de 2008

RAFAELA – A FORÇA DE ACREDITAR

A Voz do Povo está a apoiar a campanha da Rafaela.
É um blogue solidário, que merece a sua visita e divulgação.
Faça uma visita, leia os posts referentes a este assunto, e outros, de muito interesse.

Publicado pelo Blogue "A Voz do Povo"

20 Abril 2008
RAFAELA – A FORÇA DE ACREDITAR





A Rafaela sofre de uma lesão estática a nível do sistema nervoso central que lhe afectou a parte psicomotora.

Mais do que nunca, eu e a Rafaela precisamos de todo o vosso apoio e amizade, pois eu encontro-me a viver sozinha com a minha princesa.

Ela é um amor, um doce de criança, é a razão do meu viver e da minha luta.

Faço imensos trabalhos e vendo em lugares como Continente e por diversos estabelecimentos e através de amigos.

Mais do que nunca, eu e a Rafaela precisamos de todo o vosso apoio e amizade, pois eu encontro-me a viver sozinha com a minha princesa.

E é assim que eu vou conseguindo dinheiro, lutando, lutando... pedindo ajuda a todos os amigos e anónimos e graças a Deus tenho conseguido, até à data.

Nos dias 9 e 10 de Maio vou estar a vender algumas coisas, no Shopping 8ª Avenida em São João da Madeira.

Quem puder deslocar-se e adquirir algum desses objectos, ficarei muito grata pela contribuição para a ajuda nos tratamentos da Rafaela.

A todos desde já o meu muito obrigado.

Estou ao dispor para qualquer esclarecimento: 912433738

e-mail pessoal: taniaraq@gmail.com


A conta disponibilizada para donativos é a seguinte:

Caixa Geral de Depósitos NIB: 003507350005352890063

Tânia Cordeiro

Dep. Técnico de Qualidade_ Laboratório

Sinflex - Ind. Molas Técnicas, Lda

Telf. 256 880 370

Fax 256 880 379

E-mail: tania.cordeiro@sinflex.pt

Etiquetas: solidariedade;amizade;humanismo


posted by victor simoes at 8:53 PM 5 comments links to this post

Rafaela trouxe de Cuba a esperança de caminhar

Caros amigos e leitores de " A VOZ DO POVO ", aqui continuamos com o apelo de ajuda solidária para com a Rafaela. Este é mais um caso que nos chegou e que estamos a tentar colaborar na ajuda preciosa a esta criança! Com a ajuda de todos, iremos atingir o objectivo de permitir à Rafaela, voltar aos tratamentos a Cuba. As contas para onde poderá canalizar o seu donativo:

Caixa Geral de Depósitos cujo NIB é: 003507350005352890063

NOME : RAFAELA FILIPA CORDEIRO AGUIAR (conta CUBA)

NIB: 0038 0074 01400311771 20

IBAN: PT50 0038 0074 01400311771 20

BIC: BNIFPTPL

Nos dias 9 e 10 de Maio a Tânia Cordeiro ( mãe da Rafaela ) irá estar a vender trabalhos que faz, para ajudar a angariar a verba que necessita para a continuidade dos tratamentos. No Shoping 8ª Avenida em São João da Madeira. Quem puder por lá passar, poderá contribuir nesta campanha, adquirindo algum desses trabalhos.

Entretanto aqui deixo, em retrospectiva a notícia publicada no

Jornal de Notícias de Sábado, 29 de Dezembro de 2007!


Victor Simões

quinta-feira, 24 de abril de 2008

VIDA DE CÃO

Eu também tenho um cão.E, como todas as pessoas que têm um cão, ou cães, penso que o meu é o mais bonito, o mais inteligente, o mais esperto de todos. Faz coisas que nenhum outro consegue fazer, nem mesmo os meus outros cães que o antecederam.
Sim, porque eu sempre tive cães. Desde que tenho memória, na casa dos meus pais e depois na minha, os cães sempre fizeram parte da minha vida. De todas as vezes que um dos anteriores me deixou para ir juntar-se aos “anjos caninos”, o meu desgosto foi tal que eu não admitia sequer a hipótese de o substituir.
Mas passado algum tempo surgia um bebé, com um ar tão indefeso, uns olhinhos tão carentes, que me provocava uma súbita paixão. E, completamente apaixonada, carregava-o para casa. E assim se tem mantido este ciclo ao longo dos anos.
Não há quem não conheça histórias extraordinárias passadas com cães.Uns que acompanham seus donos até à morada final, ali permanecendo até ao seu próprio fim; outros que arriscam a vida para salvar os seus donos. Todos viram, com certeza, a foto que circulou na Net, da cadela que “beijou” o seu salvador





e leram a sua história

“She is pregnant.
He had just saved her from a fire in her house, rescuing her by carrying her out of the house into her front yard, while he continued to fight the fire.
When he finally got done putting the fire out, he sat down to catch his bread and rest.
A photographer from the Charlotte, North Carolina newspaper noticed her in the distance looking at the fireman.
He saw her walking straight toward the fireman, and wondered what she was going to do.
As he raised his camera, she came up to the tired man who had saved her life and the lives of her babies and kissed him just as the photographer snapped this photograph”.

Há dias eu estava conversando com o meu cão (ele, bem mais inteligente do que eu, entende as minhas palavras; eu ainda tenho alguma dificuldade em traduzir para língua humana os “hum-hum’s” com que me responde). Contei-lhe a história dessa cadela grávida e, pelos seus olhos lacrimejantes, percebi que ficara comovido.
Lembrei-me então duma crónica que li há bastante tempo, escrita por Joaquim Letria, que me tocou bem fundo. Vou partilhá-la convosco.



VIDA DE CÃO

Devem ter lido nos jornais a notícia dum selvagem de perto de Leiria que quase matou, a tiros de caçadeira, um cão Labrador.
Disse a besta à GNR que o cão lhe entrara na propriedade, o que para ele justificava o seu acto e o desejo de matar o animal, o que só não fez porque, além de leproso moral, é um incompetente com armas de fogo, de cartuchos calibre 12, que abram a chumbada à distância do alvo.

A notícia impressionou-me muito porque não imagino o que se pode sentir apontando uma arma a um cão, ainda para mais a um Labrador, e porque em minha casa, entre os meus cães, há dois Labradores que, desde cachorros desmamados me acompanham todo o santo dia.
Felizmente que vejo bem, mas, senão visse, sei que eles me ajudariam, ou não fossem os Labradores os cães dos cegos.
Há momentos, ao vir para casa para escrever este texto, vi um rapazelho de 15 ou 16 anos – ou um “teenager” se preferem modernices – numa bicicleta de montanha, de seis velocidades, roupa desportiva de marca, abrandar para, corajosamente, arrear um pontapé num rafeiro de três pernas.
Também tenho um rafeiro que arranquei da fome e dos maus tratos do abandono, mas felizmente tem as quatro patas e é mais esperto e ladino do que se poderia imaginar, e ainda bem que é cão, porque se não fosse, já me tinha enrolado as vezes que quisesse, como, de resto, faz com a minha mulher, que o trata melhor do que a um filho único.
Uma coisa fez lembrar a outra, ideia puxa ideia, o cão a ganir do pontapé, o Labrador ensanguentado pela caçadeira, a GNR a tomar conta da ocorrência, o energúmeno a avantajar-se, o menino a desenhar oitos com a bicicleta, e eis-me aqui a escrever sobre cães, os melhores amigos do homem, como diria um escritor de frases feitas ou um amante de “clichés”.
Os meus Labradores têm certidão de nascimento. Mais do que isso, têm um documento autenticado que lhes garante a ascendência até à quinta geração. O rafeiro não tem papéis, evidentemente, nem o auto de expulsão do acampamento de ciganos que o projectou para a porta de uma peixaria onde o apanhei. Curiosamente, os meus cães gostam mais de peixe do que de carne, o que não é de estranhar nos Labradores, dado o seu código genético de cães das águas frias da Gronelândia, onde mergulhavam para puxarem os cabos dos navios para serem amarrados no cais. Os meus Labradores são cultos porque, embora um nascido no Surrey, Reino Unido, e outro na África do Sul, entendem perfeitamente o português, até devendo estar ambos esquecidos do inglês e do afrikander, que não praticam. O vira latas, se falasse, devia falar à malandro de Alcântara, que é um sotaque de Lisboa a desaparecer entre os humanos.
Acompanham-me ao pequeno almoço, almoço e jantar, e ficam comigo, espojados no chão, a gemerem sonhos, no meio dos meus livros, enquanto escrevo e não me vou deitar. Talvez sonhem com os irmãos de ninhada, a correrem nos prados verdes e húmidos que não lhes posso proporcionar.
Dizem que não há melhor prazer para um cão do que estar com os seus donos, mas creio que condenamos os nossos cães a felicidades que não merecem. Os cães merecem a felicidade plena, não este exílio que lhes impomos, nem a prisão protectora a que os submetemos.
Os cães gostam tanto dos donos que parecem felizes nas cadeias que lhes damos, mas bem vejo a diferença que não escondem nos campos sem horizonte ou nas praias desertas do Outono e do Inverno.
Depois de meia dúzia de anos de convivência com os meus cães penso que sei ler-lhes os olhares e perceber o que me dizem. Tanto quanto sentiria a tristeza e a mágoa do Labrador atingido a tiro e do cão perneta que, sem prisões que os protejam, conhecem bem os homens e sabem o que é a verdadeira vida de cão.

Joaquim Letria

Para rematar a nossa conversa de hoje eis a foto do meu cão, quando tinha 9 meses de idade, festejando o seu primeiro Natal.


sábado, 19 de abril de 2008

O ACORDO

Mesmo correndo o risco de me considerarem fastidiosa, não posso, e não quero, deixar de voltar ao tema Educação.
O assunto não é pacífico, e está longe de o ser.
Será necessária uma viragem de 360 graus.

Mas como, no nosso País, as “urgências urgentes” implicam fracturas expostas…provavelmente só quando estas se verificarem é que serão tomadas medidas para sanar as já existentes

Segundo as últimas notícias terá havido um “aproximar” de posições entre o ME e os sindicatos.
Estas “últimas notícias” já foram transmitidas há uns dias. Daí para cá não se ouviu falar mais no assunto.
Estamos habituados a ver, nas televisões, as mesmas notícias repetidas até à exaustão.
Sobre este assunto fez-se um silêncio sepulcral!
Porque será???

O Professor Pacheco Pereira exprimiu a sua opinião, que vou transcrever, e que, segundo a sua óptica, explica o “acordo” havido.
Considero-o um bom analista. Mas discordo quando diz :
“Os professores que se manifestavam não queriam…nenhuma avaliação de desempenho”.
Pelo muito contacto que tenho com professores tenho que deduzir que esta afirmação não é correcta. Os professores não querem a avaliação nos termos em que foi proposta, apenas.

Vejamos a posição de Pacheco Pereira.


As notícias sobre as grandes cedências do Ministério da Educação aos sindicatos de professores correm o risco de terem sido muito exageradas.
Menezes, Portas, alguns comentadores e blogues vieram logo dizer que o verdadeiro ministro da Educação era Mário Nogueira, da FENPROF, e que Maria de Lurdes Rodrigues era “ex-ministra”.
Depois veio Mário Nogueira, cinco segundos depois, ainda o acordo estava fresco, falar da “grande vitória”, não fossem as pessoas aperceber-se de alguma coisa bizarra e perceber que a avaliação, afinal, continuava mais ou menos como estava.
A frágil ministra aparecia a falar mansamente nas mesmas televisões, dizendo que tinha havido um “acordo” e isso era bom, mas que estava salvaguardado o essencial, a “avaliação estava a fazer-se e ia continuar a fazer-se”.
Mas o que são estas palavras tímidas e quase sussurradas face à tonitruante declaração de vitória sindical, a seguir confirmada pelo espelho da incoerência da oposição, que, sem estudar, nem saber nada do que realmente tinha sido conseguido ou não, sem falar com os professores, veio logo com a conferência de imprensa fácil, declarar que houvera “um grande recuo do Governo” ?
Ora, homem sensato desconfia quando há tanta pressa de correr para a televisão a dizer que se ganhou, e, ainda por cima, em grande.
Homem sensato sabe como funcionam o PCP e os sindicatos, sabe como eles estavam num beco sem saída criado pela sua própria vitória.
Depois de contribuírem para a gigantesca manifestação sabiam que não podiam dar continuidade à “luta” com uma greve, e tinham que recuar.
Homem sensato sabe que, por muito sucesso que a luta dos professores tenha tido, - e teve – a seguir à manifestação viria um refluxo, como veio.
Sabe o homem sensato e sabem, melhor do que ele, os sindicalistas profissionais.
Homem sensato e com memória já viu muitas vezes como, para os comunistas e os seus sindicalistas, o mais importante não são os anéis, são os dedos. Os dedos, aqui, são manter o adquirido, e o adquirido é o reforço dos sindicatos e do PCP na vida pública nacional, pensando também em 2009, ano de eleições.
Nunca, jamais, em tempo algum, organizações mais experientes a dormir, que mil líderes da oposição acordados, sabem que não podem correr o risco de ir mais longe e pôr em causa a percepção de vitória, com aventureirismos ou impasses cujo apodrecimento mostraria as fragilidades sindicais.
O PCP e os seus sindicatos sabem, melhor do que ninguém, que precisavam, como de pão para a boca, de um acordo, e sabiam que o ministério também precisava do mesmo. Um precisava de parecer que ganhava, e o outro de parecer que cedia.
Foi por isso que, de repente, se chegou a um acordo que, pelos vistos, os “professores”, citados pelos jornais, entendem como uma derrota e não como “a grande vitória”. Percebe-se porquê: os professores que se manifestavam não queriam, na sua esmagadora maioria, nenhuma avaliação de desempenho, e vai continuar a haver avaliação.
Eles sabem disso, os sindicatos sabem disso, a ministra sabe disso, o resto é coreografia.

Bastante tempo antes deste “acordo” já o Professor Ramiro Marques havia manifestado a sua apreensão quanto a um possível “entendimento” por parte dos sindicatos.

Para quem não saiba, Ramiro Marques é Professor Coordenador com Agregação da ESE (Escola Superior de Educação) de Santarém.
Autor de várias dezenas de livros escolares desde a década de 80, que vão do pré-escolar ao 12º.ano, escreveu também vários livros relacionados com Educação, (alguns publicados também em Espanha e no Brasil) ,até 2007.

Vejamos agora a preocupação de Ramiro Marques, que parecia adivinhar o que viria a acontecer.


Se os professores desmobilizarem será a desgraça total!

“Inclino-me a pensar que os sindicatos vão, mais uma vez, desmobilizar os professores a troco de coisa nenhuma.
Umas cedências de pormenor, mantendo o modelo tal como está, para dar a ideia de que houve recuo e que todos ganharam. Se assim for (oxalá me engane!), será uma desgraça para os professores.
Com os professores de joelhos, outras malfeitorias virão: fim das pausas da Páscoa e do Natal, escolas abertas e com alunos durante a Páscoa e o Natal, formação contínua aos sábados, etc.
A profissão, tal como a conhecemos, está em vias de acabar. A escola pública vai morrer. As classes alta e média alta vão colocar os seus filhos em colégios privados, e as escolas públicas transformar-se-ão em imensos CEFs onde não se aprende nada, apenas se guardam crianças e adolescentes.
Os professores assistirão ao nascimento de um outro estatuto, ainda pior que o actual: o estatuto de prestadores de cuidados sociais e de empregados domésticos dos pais”.

Ramiro Marques

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O SEGUNDO “MESÁRIO”

Na segunda-feira, dia 14, fez dois meses, e hoje, quinta - feira, faz nove semanas, (não nove semanas e meia…) que a Casa da Mariquinhas nasceu para o mundo dos blogues.Festeja, portanto, o seu segundo “mesário”.
É ainda uma criança de tenra idade; não teve tempo para mostrar as suas habilidades, se é que as tem…(o futuro o dirá…)
Passando em revista os assuntos aqui tratados, verifiquei que a “declaração de intenções” feita aquando da abertura, não foi ainda cumprida. Falta, pelo menos, fazer sorrir.
E se é verdade que os motivos para sorrir não abundam, não é menos certo que “rir” é um excelente tónico, faz muito bem à saúde. Há até clínicas que incluem, nas suas terapêuticas, pelo menos quinze minutos diários de risota. E os resultados, tanto quanto se sabe, têm sido excelentes.

Resolvi hoje colmatar essa falta, não vão as más línguas comparar-me aos políticos, que nunca cumprem o que prometem…

Para um momento de boa disposição escolhi este texto, que acho delicioso.Eu quero viver a minha próxima vida ao contrário…

- Começo morto e livro-me logo dessa “chatice”…
- Depois, acordo num lar para a terceira idade, sentindo-me
melhor a cada dia que passa.
- A seguir sou expulso, por estar demasiado saudável.
- Durante uns anos gozo a minha reforma, recebo a minha
pensão de velhice e a saúde vai sempre melhorando.
- Então começo a trabalhar. Recebo um relógio em ouro,
como presente, logo no primeiro dia.
- Trabalho 40 anos, até ser demasiadamente novo para
trabalhar.
- Aí vou para a faculdade e depois para o liceu. Bebo álcool,
vou a festas e sou promíscuo.
- Depois vou para a escola primária, brinco, e não tenho
responsabilidades.
- A seguir transformo-me num bebé. Dão-me banho, muitos
mimos, e farto-me de mamar.
-Finalmente, passo os últimos nove meses a flutuar,
pacífica e luxuosamente, em condições equivalentes a um SPA, com ar condicionado, serviço de quartos, todas as comodidades, e depois…
Bem, e depois…acabo num grande orgasmo………..

Digam-me lá se eu não tive uma grande ideia ?! Desconheço a autoria.


Mas…quando falo em humor, não posso esquecer o meu humorista preferido: Luís Fernando Veríssimo.


HIPOCONDRÍACO

Não tem nada pior do que ser hipocondríaco num país que não tem remédio.
Eu tomo um remédio para controlar pressão.
Cada dia que vou comprar o dito cujo, o preço aumenta.
Controlar pressão é mole. Quero ver é controlar “preção”.
Tô sofrendo de preção alto.

O médico mandou cortar o sal. Comecei cortando o médico, já que a consulta era salgada demais.

Controlei também a alimentação. Como a única coisa que tenho comido, depois do Fome Zero é minha patroa, não tem perigo: ela é a coisinha mais sem sal deste lado do mundo.

Para piorar, acho que tô ficando meio esquisofrénico.
Sério! Não sei mais o que é Real. Principalmente quando abro a carteira ou pego extrato no banco. Não tem mais um real.

Sem falar na minha esclerose precoce. Comecei a esquecer as coisas:
Sabe aquele carro? Esquece!
Aquela viagem? Esquece!
Tudo o que o barbudo prometeu? Esquece!
Podem dizer que sou hipocondríaco, mas acho que tô igual ao meu time: nas últimas!

Bem, carioca é assim mesmo, já nem liga mais para bala perdida:
ENTRA POR UM OUVIDO E SAI PELO OUTRO

Luís Fernando Veríssimo

domingo, 13 de abril de 2008

PASSAMOS PELAS COISAS SEM AS VER

Porque hoje é Domingo, façamos uma pequena pausa em todos os problemas que nos afligem no dia-a-dia, e aproveitemos para olhar um pouco para dentro de nós mesmos.
Passamos o tempo a pensar em tudo o que está mal ao nosso redor, a alertar para os perigos que nos cercam, a tentar apontar soluções… e esquecemo-nos de analisar o nosso próprio comportamento.
Tudo isto porque:

PASSAMOS PELAS COISAS SEM AS VER


Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos.
Como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Eugénio de Andrade

E assim perdemos, muitas vezes, a oportunidade de apreciar verdadeiras obras de arte que estão mesmo ao nosso lado, só porque não têm um apelativo laçarote dourado a enfeitá-las.
Ora veja.

Passamos por verdadeiros diamantes sem dar por eles

Aquela poderia ser mais uma manhã como qualquer outra.

Um sujeito entra na estação do metro, vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo da entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, na hora de ponta matinal.
Durante os 45 minutos em que tocou, foi praticamente ignorado pelos passantes.

Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas, num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Alguns dias antes Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam a bagatela de 1.000 dólares.
A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, telemóvel no ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino.

A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre “valor, contexto e arte”.
A conclusão: “Estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto. Bell era uma obra de arte sem moldura, um artefacto de luxo sem etiqueta de marca”.

Veja agora o vídeo da experiência.


quinta-feira, 10 de abril de 2008

terça-feira, 8 de abril de 2008

A SAÚDE EM PORTUGAL

Na passada terça feira, dia 1 de Abril, um jovem de 14 anos encontrava-se na sua aula de Educação Física. Iam fazer “salto em altura”.
Depois de fazer o aquecimento começou a sentir dor na perna esquerda.
A professora, apercebendo-se, aconselhou-o a parar.
Porque se trata de um “jovem lutador”, que não desiste facilmente, resolveu insistir.
Ao fazer a 3ª.chamada para o último salto, já na elevação, sentiu o osso da perna, a tíbia, deslocar-se, sentindo uma dor de tal modo violenta que o fez cair em cima do colchão, sem poder mover-se.
De imediato acorreu a professora, que logo se apercebeu da gravidade da situação, diligenciando a chamada de uma ambulância.
Ao mesmo tempo um colega avisou a mãe do jovem, que acorreu prontamente.
Quando a ambulância chegou, foram prestados os primeiros socorros, imobilizando a perna, e transportando-o para o Hospital Garcia de Orta, em Almada.
Chegado ao Hospital, ainda na triagem, foram-lhe administrados analgésicos.
Visto por um pediatra, foi mandado fazer Raio X.
Feito o exame regressou à triagem, onde uma enfermeira informou: vamos contactar um ortopedista para decidir o que fazer.
A ortopedista (era uma médica) analisou o exame, e concluiu que era necessário operar com urgência. Mas, contra o que pareceria lógico, mandou engessar a perna e voltar lá na 2ª.feira, dia 7, para a consulta. Nessa altura “se veria quando era possível realizar a cirurgia”.
Perante a estranheza dos pais, que acompanhavam o jovem em sofrimento, a médica, um tanto bruscamente, esclareceu que “urgência urgente” é para casos de fractura exposta.

E com esta resposta se retiraram.

À saída do Hospital Garcia de Orta o pai do jovem contactou o British Hospital, em Lisboa, expondo a situação. Foi-lhe dito que levasse o filho imediatamente para lá.
Atendido por um ortopedista, foi feito novo Raio X, TAC, e outros exames complementares, que o levaram a confirmar ser necessária a cirurgia.
A lesão era bastante grave. A tíbia, ao deslocar-se para cima, provocara estiramento de ligamentos, e sofrera uma pequena fractura ao empurrar para cima um osso do joelho, abaixo da rótula. Isto significa que havia fractura da “cabeça da tíbia”, estiramento de ligamentos e um osso deslocado.
O cirurgião, especialista em joelhos, marcou a operação para sexta-feira, dia 4.
Compreensivelmente nervosa e apreensiva, a mãe decidiu ouvir mais uma opinião, e foi consultar o médico ortopedista que acompanha o jovem desde tenra idade.
Este manifestou o seu assombro perante a atitude do Hospital Garcia de Orta, adiando para “data a anunciar” um caso manifestamente urgente.

Este relato foi feito de acordo com os testemunhos dos intervenientes: a minha filha e o meu neto, Carlos.

Com o recurso a assistência médica em Hospital privado, o Carlos foi operado na sexta-feira, dia 4, encontrando-se já em recuperação.
Isto aconteceu porque os pais puderam disponibilizar, não sem alguma dificuldade, os meios necessários para recorrer a esta solução.
Contudo, não podemos esquecer que a maioria da população não tem capacidade económica para o fazer, tendo que sujeitar-se a esperas e demoras que o sistema impõe.

Não posso e não vou falar de negligência médica.
No entanto, parece-me, no mínimo, leviano, o comportamento do Hospital Garcia de Orta, na pessoa da médica ortopedista que atendeu o Carlos: depois de considerar “urgente”, tratou como “normal” um caso de evidente urgência.
Como atenuante ao seu procedimento podemos admitir que o Hospital não tenha capacidade de resposta para todos os casos urgentes.
E ainda, seguindo esta linha de raciocínio, que a sua “brusquidão” se deva ao facto de ela própria se sentir desconfortável por não poder solucionar o caso atempadamente.

A avaliação feita, quer pelo médico que o operou, quer pelo ortopedista que o acompanha desde criança, indica que a decisão tomada pelo Hospital Garcia de Orta parece não ter sido a mais correcta.
Quanto tempo este jovem, em sofrimento, teria de esperar pela cirurgia?
Quais as sequelas que poderiam advir do facto da não intervenção rápida?
São incógnitas para as quais nunca teremos resposta.

domingo, 6 de abril de 2008

UM BOM EXEMPLO

Num dos meus habituais giros pela Net encontrei, na revista “Veja online”, o relato de uma entrevista feita pelo seu repórter Fábio Portela ao empresário italiano Enzo Rossi, que achei muito interessante.
Não vou fazer comentários à atitude tomada pelo empresário, a não ser tecer-lhe um grande elogio.
Mas não pude deixar de pensar na analogia entre esta experiência e o que se passa no nosso País, mas com sinal contrário.
Os nossos governantes estão a sujeitar-nos a viver com salários que mal chegam ao dia 20.
Até quando durará a experiência? Até que nos aconteça o mesmo que aconteceu ao burro do inglês ???
Já era altura de a experiência mudar de cobaia, e serem eles a tentar viver com os salários que pagam.
Penso que nenhum de nós se importaria de se “governar” com os seus ordenados chorudos…

Mas vamos à entrevista:

O empresário italiano Enzo Rossi ganhou as páginas de jornais europeus depois de fazer uma experiência curiosa.
Dono do pastifício La Campofilone, que factura 1,6 milhões de euros por ano, ele decidiu passar um mês inteiro com a quantia que paga aos seus operários. Foram 1.000 euros para si próprio e 1.000 euros para sua mulher, que também trabalha na empresa (no total, o equivalente a 5.400 reais). O dinheiro acabou em vinte dias. Rossi, então, deu um aumento a todos os funcionários do pastifício. Ele falou ao repórter Fábio Portela.

POR QUE O SENHOR DECIDIU VIVER UM MÊS COM O SALÁRIO DE UM OPERÁRIO?

Achei que seria educativo para minhas filhas. Tenho duas meninas, de 14 e 15 anos, que, como todos os jovens, sempre pedem mais do que precisam. Queria que elas soubessem como é a vida das pessoas mais pobres. Achei que seria pedagógico para as meninas, aprender a controlar um pouco as despesas. Por isso, combinamos que viveríamos durante um mês com o salário dos operários do pastifício. Foram 1.000 para mim e 1.000 euros para minha mulher, que trabalha comigo na empresa.

QUAL FOI O RESULTADO?

Tenho vergonha de confessar, mas a verdade é que não cheguei nem perto do fim do mês. Apesar de toda a economia que fizemos, o dinheiro acabou no dia 20. O meu, o da minha mulher, tudo. Faltavam dez dias para o mês terminar, e eu não tinha mais 1 euro no bolso. Encerrei a experiência e decidi dar um aumento de 200 euros aos meus funcionários. Percebi que, se o dinheiro acabava para mim, também não dava para eles. Como eles se viravam do dia 20 ao dia 30? Era impossível viver com o salário que eu pagava.

O SENHOR SUGERE QUE OUTROS EMPRESÁRIOS SIGAM O EXEMPLO?

Cada um tem a sua própria ética e deve fazer da sua vida o que achar melhor. Mas, seguramente, para mim valeu a pena reduzir um pouco a mais-valia e repartir os lucros com quem trabalha para mim. Gosto de ver os funcionários mais tranquilos e felizes.

MAIS-VALIA? POR ACASO O SENHOR É MARXISTA?

De jeito nenhum. Sou apolítico. Aliás, a única categoria ideológica na qual me encaixo é a de egoísta. O fato de ter dado o aumento aos empregados é a prova cabal de que sou um grandessíssimo egoísta.

QUAL É A RELAÇÃO ENTRE UMA COISA E OUTRA?

Simples: se o salário é insuficiente, os funcionários vivem sob stress psicológico, porque não sabem se conseguirão chegar com dinheiro ao fim do mês. A mãe que precisa pagar a escola do filho, o rapaz que quer levar a namorada para comer uma pizza no fim de semana: se eles não têm dinheiro para isso, o que farão? Eles ficarão instáveis do ponto de vista emocional e, consequentemente, trabalharão mal. Quero que eles estejam bem para aumentar meus lucros. Por isso, posso dizer tranquilamente que sou um egoísta.

O STRESS DIMINUI A QUALIDADE DA MASSA?

Fabrico um produto de altíssima qualidade e alto valor agregado, que é – não que eu queira fazer publicidade – o maccheroncino de Campofilone, um tipo de macarrão finíssimo, muito tradicional na Itália. Não é qualquer mão que é capaz de transformar a farinha de trigo e os ovos em uma massa tão delicada. Se o funcionário trabalha feliz, o meu maccheroncino sem dúvida fica melhor – e vende mais.

MAS, NA PONTA DO LÁPIS, O SENHOR JÁ TEVE RETORNO FINANCEIRO?

Ainda não, mas isso não vai demorar a acontecer. Já no fim do ano, vou sair ganhando com o aumento que dei aos meus funcionários. Sabe porquê? Em nossa cidade, as festas de Natal e Ano Novo têm no seu cardápio tradicional os maccheroncini. Com a renda extra, os meus funcionários comprarão mais da massa que fabricam. As vendas vão disparar…

Publicado na revista “Veja”

NÃO SOMOS POLÍTICOS

O post “Um bom exemplo” sugere-me dizer o seguinte:

Neste blog não há políticos. Não fazemos política nem crítica político/social. Para tanto nos falta “engenho e arte”.
Deixamos isso para os espaços especializados, como por exemplo, “Do Mirante” ou “Do Miradouro”, ambos do amigo João Soares, que tão condignamente o faz.
Mas uma “bicadinha”, de vez em quando, especialmente em forma de poema, não perdoamos.
Não resisto a publicar este, da autoria do meu amigo Humberto Rodrigues Neto – poeta brasileiro - que assina como «Humberto – Poeta»

HIPÓCRITAS!

Parlamentar venal que tens um posto
no congresso, por erros de quem vota,
és cópia exata desse vil idiota
que pela fraude tem teu mesmo gosto!

Do roubo e do conchavo a fazer rota,
e às vis cavilações sempre disposto,
és do país o carcinoma exposto
que os frágeis órgãos da nação esgota!

Fraudando as verbas que o teu bolso come,
pouco te importa morra o povo à fome,
alheio a esse mandato que avacalhas!

Que venha o relho, a ditadura, enfim,
varrer esses patifes, pondo um fim
nessa imunda caterva de canalhas!

Humberto – Poeta

E AINDA...

Dentro do contexto do poema anterior não poderia ficar esquecido o nosso saudoso Zeca Afonso.





OS VAMPIROS

No céu cinzento sob o astro morno
Batendo as asas p’la noite calada
Vêm em bandos com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada.

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios, poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas.

São os mordomos do Universo todo
Senhores à força, mandadores sem lei,
Enchem as tulhas, bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei

Eles comem tudo, eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada,
Jazem no fosso vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo, eles comem tudo,
Eles comem tudo, eles comem tudo,
Eles comem tudo e não deixam nada!



Não esqueça que somos apolíticos!
Mas isso não impede que sejamos pela Liberdade e pela Justiça.






quarta-feira, 2 de abril de 2008

OS PROFESSORES SÃO ÚTEIS

Desde que começou toda esta polémica relacionada com manifestações de professores, avaliações, telemóveis nas salas de aula, agressões, etc., tenho recebido muitos textos, com pedido de publicação neste blog.
Não tenho atendido a maioria desses pedidos porque me são remetidos sem autoria conhecida (excepto a dos remetentes, que as reencaminham, mas não são os autores dos textos).
Neste que aqui apresento consta o nome do autor. Devo dizer que não o conheço, mas já tenho lido várias coisas escritas por ele, (ou que, pelo menos, lhe são atribuídas).




Escola e justiça pelas próprias mãos.

Ontem visitei uma escola no concelho de Sintra. Era a “semana da leitura” numa escola cuja biblioteca está permanentemente aberta das 08h00 às 22h00 por devoção dos seus professores.
Os de várias disciplinas, de Português a Educação Física e Geometria – cada um faz uma escala para garantir um dos objectivos internos da própria escola: mantê-la aberta nesse período.

Havia alunos a ajudar no bar e no refeitório, porque não há pessoal suficiente. Alunos, funcionários administrativos e professores, promoveram uma maratona de leitura.

A ministra da educação pede a estes professores para “trabalharem mais um pouco”, coisa que eles já fazem há bastante tempo; ouvi alunos portugueses, africanos, indianos, do Leste Europeu, a falar com orgulho da sua escola. Falando com eles, um a um, percebe-se entusiasmo.

Percebo pela blagosfera uma grande vontade de fazer “justiça pelas próprias mãos” aos professores, mas vejo poucas pessoas com disponibilidade para ouvi-los nos corredores das escolas, quando fazem turnos de limpeza, quando atendem alunos em dificuldade ou fazem escalas para Português como língua estrangeira para rapazes ucranianos ou indianos que não entendem sequer o alfabeto ocidental, ou quando tratam dos problemas pessoais de alguns deles (ou porque não tomam o pequeno-almoço em casa, ou têm dificuldade em aceitar um namoro desfeito, ou quando andam na droga).

Os professores, estes professores, são um dos últimos elos (percebe-se isso tão bem) entre os miúdos e miúdas desorientados e um mundo que é geralmente ingrato. São avaliados todos os dias pelo ambiente escolar, pelo ruído da rua, pelas horas de atendimento, pelas reuniões que o ME não suspeita.

Muitas vezes as famílias não sabem o ano que os miúdos frequentam; não sabem quantas faltas eles deram; não sabem se os filhos estão de ressaca.
Os professores sabem.

Essa vontade de disciplinar os professores, eu percebo-a. Durante trinta anos, uma série de funcionários que abundou “pelos corredores do ME” (gosto da expressão, eu sei), decretou e planeou coisas inenarráveis para as escolas, sem as visitar, sem as conhecer, ignorando que essa geringonça de “planeamento”, “objectivos”, princípios pedagógicos modernos, funcionava muito bem nas suas cabecinhas, mas que era necessário testar tudo nas escolas, que não podem ser laboratórios para experiências engenhosas.

Muitos professores foram desmotivados ao longo destes anos. Ou porque os processos disciplinares eram longos depois de uma agressão (o ME ignora que esses processos devem ser rápidos e decisivos), ou porque ninguém sabe como a TLEBS é aplicada. Ninguém, que eu tivesse ouvido nas escolas onde vou, discordou da necessidade de avaliação. Mas eu agradecia que se avaliasse também o trabalho do ME durante estes últimos anos; que se avaliasse o quanto o ME trabalhou para dificultar a vida nas escolas com medidas insensatas, inadequadas e incompreensíveis; que se avalie a qualidade dos programas de ensino e a sua linguagem imprópria e incompreensível.

Sou e sempre fui dos primeiros a pedir avaliação aos professores, porque é uma exigência democrática e que pode ajudar a melhorar a qualidade do ensino. Mas é fácil escolher os professores como bodes expiatórios de toda a desgraça do “sistema”, como se tivessem sido eles a deixar apodrecer as escolas ou a introduzir reformas sobre reformas, a maior parte delas abandonadas una anos depois. Por isso, quando pedirem “justiça” e “disciplina” e “rigor” (coisas elementares), não se esqueçam de visitar as escolas, de ver como é a vida dos professores, porque creio que se confunde em demasia aquilo que é “o mundo dos professores” com a imagem pública de um sistema desorganizado, oportunista e feito para produzir estatísticas boas para a propaganda.

Francisco José Viegas

terça-feira, 1 de abril de 2008

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS - BULLYING

Bullying – “termo que não tem tradução para português, mas está bem difundido nos estabelecimentos de ensino do País”.


Por cedência de um grupo de jovens estudantes encontra-se em meu poder vasto material referente a este assunto.
Por ser demasiado extenso, seleccionei alguns trechos que apresento a seguir, e algumas imagens que postarei separadamente.



…A Violência protagonizada pelos jovens nas escolas é uma realidade inegável. A sociedade terá que se organizar e insurgir-se activamente contra este fenómeno. De igual modo, a escola terá que ajustar os seus conteúdos programáticos e acercar-se mais das crianças. Devido às exigências, as famílias muitas vezes destituem-se da sua função educativa, delegando-a à escola. No meio de toda esta confusão, estão as crianças, que actuam conforme aquilo que observam e agem consoante os estímulos do meio. Meio esse que, por vezes, oferece modelos de conduta e referências positivas questionáveis…

A violência nos últimos quatro anos
…A violência registada em meio escolar tem vindo a aumentar nos últimos quatro anos. Em 2004/2005 as estatísticas davam conta de 1.232 situações de agressão envolvendo alunos, professores e auxiliares, número que subiu para cerca de 1.500 no último ano lectivo. Os dados são minimizados pelas autoridades, que lembram estar em causa um universo de um milhão e 700 mil alunos…


Armas na sala de aula

…A violência nas escolas é tema de discussões no mundo inteiro, já que o problema não ocorre apenas em bairros ou países pobres e periféricos. Frequentemente a Unesco promove conferências sobre o tema, em diversos países.
Na Europa, por exemplo, não se fala mais em “cultura de paz”, mas em “educação para a cidadania”, com o objectivo de formar alunos-cidadãos capazes de expor as suas ideias de maneira pacífica…

Agressores precisam de vítimas. E quem são as vítimas?

…Geralmente, os autores de Buulying procuram pessoas que tenham alguma característica que sirva de foco para as suas agressões. Assim, é comum eles abordarem pessoas que apresentem algumas diferenças em relação ao grupo no qual estão inseridas, como, por exemplo: obesidade, baixa estatura, deficiência física, ou outros aspectos culturais, étnicos ou religiosos. O que se verifica é que essas crianças são alvos mais visados, e tornam-se mais vulneráveis ao Buulying, por possuírem algumas dessas características específicas.
Mas o facto de sofrer Bullying não é culpa da vítima, pois ninguém pode ser responsabilizado por ser diferente!...
Na verdade, a diferença é apenas o pretexto para que o agressor satisfaça uma necessidade que é dele mesmo: a de agredir.
Tanto os pais quanto as escolas devem ajudar as crianças a lidar com as diferenças, procurando questionar e trabalhar os seus preconceitos. E uma das boas maneiras de se lidar com isso é promovendo debates, nos quais os jovens possam tomar consciência dessas questões, e confrontar as suas ideias com as de outros jovens…

20% dos alunos são vítimas de bullying

…Nas escolas básicas portuguesas um em cada cinco alunos é vítima de uma intimidação constante por parte de colegas – que inclui agressões, insultos e exclusão de jogos. É o bullying, termo que não tem tradução para português, mas que está bem difundido nos estabelecimentos de ensino do País. O último caso conhecido afecta um menino de 12 anos, que sofreu de cancro, e cujos pais tentaram, sem sucesso, que a escola que frequenta o mudasse para outra turma.
Chegaram a pedir a intervenção da Inspecção-Geral da Educação. Na falta de respostas e temendo o agravamento do estado de saúde do filho, não o deixaram ir mais às aulas. No último período o menino não foi à escola…

A opinião dos jovens

…A opinião dos jovens foi recolhida em 191 escolas nacionais, de ensino regular, num total de 6.903 alunos.
As escolas foram sorteadas de uma lista nacional.
Foram seleccionados alunos dos 6º., 8º. e 10º. anos de escolaridade.
A cada um destes anos corresponde uma idade média de 11, 13 e 16 anos…

…Apesar de tudo, os números relativos à violência nas escolas apresentados neste estudo não podem ser encarados com tranquilidade. De acordo com os resultados, a agressão de que os alunos portugueses mais referem ter sido vítimas é a física e a verbal. As raparigas, em número elevado, referem ainda ter sido alvo de comportamentos indesejados com conotação sexual.
Um aluno em cada dez já foi abordado no sentido de adquirir ou consumir drogas e um em cada quatro ter sido assaltado, roubado ou vítima de destruição de propriedade…

Possuo muito mais material que não vou aqui publicar, por demasiado extenso.
Nenhum dos textos recebidos refere autoria, excepto o que segue, e que não poderia deixar de mostrar:

Indicações para os pais

AOS PAIS

Se você for informado de que o seu filho é um autor de Buulying, converse com ele e:

“Saiba que ele está a precisar de ajuda”.

“Não tente ignorar a situação, nem procure fazer de conta que está tudo bem”.

“Procure manter a calma e controlar a sua própria agressividade ao falar com ele. Mostre-lhe que a violência deve ser sempre evitada”.

“Não o agrida nem o intimide: isso só irá tornar a situação ainda pior”.

“Mostre que você sabe o que está a acontecer, mas procure demonstrar
que você o ama, apesar de não aprovar esse seu comportamento”.

“Converse com ele: procure saber porque ele está a agir assim, e o que
poderia ser feito para ajudá-lo”.

“Garanta-lhe que você quer ajudá-lo e que vai procurar alguma maneira de fazer isso”.

“Tente identificar algum problema actual que possa estar desencadeando esse tipo de comportamento. Nesse caso, ajude-o a sair disso”.

“Com o consentimento dele entre em contacto com a escola: converse com os professores, funcionários e amigos que possam ajudá-lo a compreender a situação”.

“Dê orientações e limites firmes, capazes de ajudá-lo a controlar o seu comportamento”.

“Procure auxiliá-lo a encontrar meios não agressivos para expressar as suas insatisfações”.

“Encoraje-o a pedir desculpas aos colegas que ele agrediu, seja pessoalmente ou por carta”.

“Tente descobrir alguma coisa positiva em que ele se destaque, e que venha a melhorar a sua auto-estima”.

“Procure criar situações em que ele possa sair-se bem, elogiando-o sempre que isso ocorrer”.

Autor: Sónia Carla Aroso Azevedo

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS - BULLYING - IMAGENS

Eis algumas das imagens recebidas