quinta-feira, 1 de maio de 2008

DIA DO TRABALHADOR - PRIMEIRO DE MAIO

O Dia do Trabalhador terá tido origem em Chicago, Estados Unidos da América, em 1886, na sequência de uma manifestação de trabalhadores, que reivindicavam a redução, para oito horas diárias, do horário de trabalho.
Outras manifestações se lhe seguiram, algumas com intervenção policial, resultando daí vários mortos e feridos.
Esses trabalhadores acabaram por conseguir os seus objectivos, vendo reduzido de 16 para 8 o horário laborar.

Três anos mais tarde, em 1889, em Paris, a Internacional Socialista decidiu convocar anualmente uma manifestação com o mesmo objectivo – a redução do horário de trabalho para oito horas diárias. Em homenagem às lutas de Chicago foi escolhida a data de 1 de Maio.
Por toda a França, também as manifestações seguintes tiveram a intervenção da polícia, o que originou a morte de alguns manifestantes.
Estes graves acontecimentos levaram a que, dois anos mais tarde, a Internacional Socialista de Bruxelas proclamasse esse dia como “Dia internacional de reivindicações laborais”.
Só em 1919 o senado francês ratificou o dia de 8 horas de trabalho, proclamando o dia 1 de Maio feriado nacional.

Um ano mais tarde, em 1920, a Rússia adoptou o 1º.de Maio como feriado nacional, no que foi seguida por outros países.

No Brasil, por volta de 1930, começaram a surgiu agremiações de trabalhadores fabris, pouco expressivas, que, com a chegada ao poder de Getúlio Vargas, foram sendo dissolvidas.
Presentemente designado como “Dia do Trabalho”, aponta-se este dia como sendo o escolhido pelos governantes para anunciar o aumento do salário mínimo nacional.

Em Portugal só em 1974, depois da Revolução de 25 de Abril,
se começou a comemorar livremente o 1º. De Maio, que passou a ser feriado nacional.

Nalguns países o Dia do Trabalhador celebra-se em datas diferentes.
Os Estados Unidos celebram o “Labor Day” na primeira segunda-feira de Setembro.

Depois deste breve apontamento sobre o Dia do Trabalhador, que surgiu apenas porque existe o Trabalho, vejamos como este apareceu.

Sob a óptica religiosa, e a partir da interpretação do texto bíblico, depois da desobediência de Adão, Deus condenou-o a “ganhar o pão com o suor do seu rosto”.
A partir daí passou-se a considerar o trabalho, necessário para prover as necessidades básicas, como uma consequência da queda original, um castigo, uma tortura.

Com o decorrer dos tempos, o homem descobriu que, com o acto de trabalhar, o ser humano podia criar beleza, cultura, bens materiais, conforto. Podia, até, transformar a Natureza.

Na longa história da humanidade, o maior drama do trabalho parece ter sido a tentação em que o ser humano tem caído demasiadas vezes, de explorar o seu semelhante, como forma de adquirir riqueza à custa do esforço alheio.
Deste modo, os explorados encontram no trabalho apenas um meio de sobrevivência, já que dependem dele para viver.
Com o evoluir da tecnologia, passando muito do trabalho humano a ser feito por máquinas, grande parte da mão-de-obra revelou-se desnecessária, vindo a aumentar o caudal de desempregados.
Grande parte da população trabalhadora, vendo o fantasma do desemprego pender sobre a sua cabeça, submete-se a quaisquer condições para poder subsistir. Acaba, assim, encontrando no trabalho um meio de sobrevivência, e não um modo de vida.
À globalização económica se deve, em grande parte, este aviltamento do trabalho, assim como o recrudescimento do “trabalho escravo”que se verifica em todo o mundo.
É de todos conhecido, e denunciado internacionalmente, o trabalho infantil a que estão sujeitos milhares de crianças,
condenadas a não viverem a infância a que têm direito.

Sabe o que são “Os Meninos de Açúcar”?

Apesar de os seus governantes o não admitirem, existe um país na América Central, em cujas plantações de cana-de-açúcar trabalham inúmeras crianças, que são sujeitas a trabalho árduo, difícil até para adultos, e a viverem em condições miseráveis, às quais, por vezes, não conseguem sobreviver.
Esta situação foi relatada a uma cadeia de televisão norte americana por uma repórter hispânica que vive nos Estados Unidos.

Tendo ouvido falar no assunto decidiu investigar, deslocando-se como turista a esse país. Servindo-se de vários contactos, conseguiu infiltrar-se nas plantações, que fotografou e filmou em vídeo. Todos estes documentos foram mostrados perante as câmaras da televisão.
Estas crianças são chamadas “Meninos de açúcar”, nome que advém do seu trabalho nessas plantações.
A referida entrevista na televisão ocorreu o ano passado, e eu mesma tive dela conhecimento quando lá estive de visita, em 2007.

Exercido desta forma o trabalho pode ser considerado, de facto, uma forma de castigo, de tortura, como se cria há milhares de anos.

Aproveitemos este “Dia do Trabalhador” para reflectir, tomar a decisão de denunciar casos de injustiça, esforçando-nos por tornar o mundo melhor.

6 comentários:

In Cucina disse...

Querida Mariazita, ao ler o seu texto, hoje 1º de Maio, me pergunto:
De que vale tanto desenvolvimento científico tecnológico do século XXI se o homem continua tão pobre no humano, no espiritual?
Precisamos urgentemente de uma nova visão da realidade, uma mudança fundamental em nossos pensamentos, percepções e valores!
Beijos, brasileiros, Teresa

Anónimo disse...

Excelente artigo, muito providencial para o dia.
Parabéns

Anónimo disse...

"Muito interessante, variado e bem composto este "blog" da Mariazita, versando sobre os mais diferentes assuntos, aliás muito bem distribuídos num excelente "lay out", a facilitar sobremodo a navegação.
Dispondo de muita informação e atualidade, adquire, por vezes, até foros de utilidade pública, num trabalho sério, muito bem cuidado e de muito bom gosto.
Gostei de percorrê-lo.
Meus parabéns à autora por tão expressiva página".

Um beijo.
Humberto - Poeta

a casa da mariquinhas disse...

Querida Teresa
Concordo inteiramente consigo.
A humanidade está a afastar-se cada vez mais dos reais valores que deveria preservar.
É urgente mudar este estado de coisas.
Não é tarefa fácil, mas tem que ser feita. E todos nós temos que ajudar, cada um dentro das suas possibilidades.
Beijinhos
Mariazita

a casa da mariquinhas disse...

Ao anónimo que não se identificou ...só me resta agradecer as suas palavras elogiosas.
Muito obrigada.
Um abraço
Mariazita

a casa da mariquinhas disse...

Meu querido Poeta
Fiquei muito feliz ao ver-te aqui na minha/tua "casa".
As tuas palavras, que envolvem grande carinho, fazem muito bem ao meu ego. E sabendo como o teu tempo é escasso...sabem a mel!
Bem hajas, meu querido amigo.
Volta mais vezes. Serás sempre recebido de braços abertos.
Beijinhos
Mariazita